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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Esta bicicleta não tem preço!

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar em números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

SRAM vs. Shimano

Que me lembre só tive uma bicicleta com alguns componentes da SRAM. De resto sempre utilizei componentes da Shimano. Inclusive em experiências pontuais. Se calhar por isso mesmo, se me perguntassem qual a marca de que gosto mais, diria que a minha preferência vai para a marca japonesa. No entanto, a minha nova bicicleta está equipada com componentes SRAM ao nível da transmissão e da travagem. E isso veio alterar um pouco esta minha ideia.
Sempre me passou ao lado, mas sei que há uma certa rivalidade e discussão sobre quais os melhores componentes e que as opiniões naturalmente se dividem. A ideia que tenho é que os argumentos dos defensores da Shimano normalmente assentam na qualidade e no seu funcionamento suave e eficaz, ou não estivéssemos a falar de produtos de origem nipónica. Os defensores da americana SRAM referem a sua eficácia sob qualquer condição, a sua robustez, assumindo um funcionamento mais rude como parte do seu encanto.

 

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No meu caso específico estranhei essencialmente os comandos. Enquanto a Shimano apresenta, na minha opinião, um mais intuitivo sistema de deslocar as manetes para subir a corrente nos pratos e nos carretos e uma patilha mais pequena para a descer, a SRAM concentra tudo numa única patilha, mantendo as manetes fixas – Double Tap. O sistema faz-se ouvir e sentir e cumpre bem a sua função, mas admito que o estranhei de início.
Entretanto habituei-me e gosto bastante do seu funcionamento. Se desde logo me rendi aos travões, posteriormente aconteceu o mesmo relativamente ao conjunto de transmissão. Curiosamente, gosto especialmente do seu caráter mais rude e mecânico, ou não fosse eu um adepto de objetos com estas caraterísticas.

Ainda os travões…

Nunca falei e pensei tanto em travões como agora. E isso acontece porque experimentei uma bicicleta de estrada com travões de disco hidráulicos.
Já há alguns anos atrás, quando troquei a minha anterior BTT de travões de disco mecânicos pela atual com hidráulicos, o tema travagem veio ao de cima, embora menos do que agora.
O facto é que fiquei muito surpreendido com o comportamento exemplar dos discos - mordazes e progressivos quanto baste - o que se traduz em segurança, confiança e conforto.

 

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Entretanto tenho utilizado uns travões tradicionais, mas de qualidade mais elevada do que os que estava habituado a utilizar em estrada e a diferença não é tão grande como considerei inicialmente. Fui induzido a exagerar por ter uma base de referência limitada.
A diferença não é tão grande, mas existe. Os travões que equipam a minha nova bicicleta são bons e eficazes, embora estejam uns furos abaixo dos discos hidráulicos que experimentei. De qualquer maneira, sinto-me mais seguro e à vontade do que antes.
Como já referi noutra ocasião, a comprar uma bicicleta de estrada nova, os travões de disco hidráulicos seriam quase de certeza uma opção. Como não é o caso, fico-me pelo meu atual equipamento de travagem tradicional que também não compromete, sendo muito melhor do que tinha até agora.
Não sei se toda esta “preocupação” com a travagem será da idade ou não, mas uma ilação que tiro destas diferentes experiências e realidades é que talvez tenha arriscado demasiado nas descidas até agora. E percebo também porque é que tinha tanta tendência para cerrar os dentes!

Margem de manobra

Mesmo sendo um adepto convicto de uma conceção mais simples e clássica, tenho que admitir que a modernidade e a tecnologia mais avançada podem trazer inegáveis vantagens.
Comprei recentemente uma bicicleta de estrada relativamente atual. Não é o último grito, até porque já tem alguns anos, mas apresenta uma conceção moderna, tanto pela base estrutural em carbono, como pelos componentes que a equipam.
Ainda não tenho uma grande experiência aos seus comandos, até porque tenho andado mais afastado dos pedais do que é normal, mas a forma de encarar as minhas voltas mudou substancialmente.
Agora as maiores distâncias são uma realidade, possíveis pelos superiores níveis de eficácia e comodidade. Expandiram-se os limites. Uma volta que noutra altura era uma extravagância atualmente é a normalidade. Não tenho dados para afirmar que sou mais rápido, mas é certo que a fluidez, o conforto e a segurança são outros, o que faz com que chegue a casa menos maçado e ansioso.
Também seria expetável que assim fosse, já que estamos a falar de bicicletas concetualmente bastantes diferentes. Podia era querer iludir-me nem que fosse para não cair em contradição ou simplesmente não dar o braço a torcer.
Sempre admiti o outro lado (mais negro) das minhas opções mais conservadoras. Assim era e é mais fácil conviver com ele. Continuo a defender estas minhas opções como adequadas, considerando os meus gostos e objetivos, mas não posso negar que estou muito satisfeito com esta mais recente opção, que me permitiu ajustar (e relaxar) a minha atitude, já que agora tenho à disposição uma bicicleta que me dá margem para isso.

 

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Longe dos pedais, longe das teclas!

Um clássico.
Tive recentemente afastado dos pedais. Por variadas razões, sendo que a principal teve a ver com mais uma reclamação do meu joelho esquerdo. O facto é que o período que antecedeu esta abstinência foi bastante (demasiado!) produtivo ao nível das pedaladas, o que se veio a revelar contraproducente.
Entretanto regressei às minhas voltas, motivado por terceiros, que consciente ou inconscientemente, me ajudaram a vestir o equipamento, a pegar na bicicleta e sair para a rua.
As reclamações do joelho abrandaram o que fez subir a minha confiança para voltar a sair sem complexos. Mas com calma!
Aliás, basta-me ter uma atitude consentânea com meus princípios. Sair com calma, sem preocupações, deixando-me levar enquanto sentir vontade e as horas permitirem. Qualquer coisa como treinar passeando e usufruindo da bicicleta em todos os sentidos. Nada de exuberâncias, nada de “pastelar”, mas posicionando-me algures pelo meio, equilibrado. É a minha realidade.
Tudo fácil, compreensível e simples. Mas às vezes “quero” complicar…
Bom, e com isso o blogue ganhou algum pó, tal como as bicicletas!
Mas aqui estou de pano microfibras na mão…

Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Três ciclistas. Três gerações. Três bicicletas.

Eram 06H30 quando o despertador me fez saltar da cama. Não, não é normal, nem num feriado, nem em dia nenhum. Mas era por uma boa causa. Tinha um passeio de bicicleta combinado. E em boa hora. Há quanto tempo não acontecia!
Um grupo pequeno é certo. Poucos mas bons, como se costuma dizer. Éramos três. Três gerações. Três bicicletas. Pontuais, dedicados e motivados. Dose tripla a caminho das Furnas via Sul/Norte.

 

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Os meus companheiros animados e prontos para a 2.ª parte do percurso.

 

Lá fomos, ora mais depressa ora mais devagar, ora mais divertidos ora mais concentrados, ora mais conversadores ou simplesmente calados.
A volta não era inédita apenas para mim, mas estava a ser cumprida de acordo com as expetativas. Surpreendentemente quase ao minuto!
Foi excelente a todos os níveis. Imperou o companheirismo e a boa disposição, tudo emoldurado por um tempo fantástico para a prática do ciclismo.

 

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Specialized Roubaix - A minha mais recente e bela companheira!

 

Para mim foi também o primeiro passeio a sério com a Roubaix. Não tenho grande coisa a acrescentar para além daquilo que é suposto… Bela bicicleta!
Cheguei a casa mesmo na hora prevista, até porque tinha um compromisso. E o ligeiro atraso com que acabei por chegar ao mesmo nada teve a ver com mais uma bela manhã de grande pedalada.
Ousando tomar a palavra pelos três, concluo dizendo que foi uma manhã de superação para uns, de confirmação para outros e de satisfação para todos!

Rendi-me ao carbono!

Rendi-me ao carbono. Rendi-me à estética. Rendi-me ao conceito. Rendi-me ao seu estado irrepreensível. Rendi-me porque tinha sido conquistado no dia em que a vi, embora não quisesse ver…
Refleti. Fiz contas. Procurei alternativas. Comparei. Ponderei. Afastei a ideia. Aproximei. Aconteceu. Porque tinha de acontecer. Houve vontade. Houve convergência. Houve oportunidade. Reuniram-se condições...
Depois de ter voltado a assentar os pés na terra, num misto de alegria e apreensão, sentei-me nela e uns míseros quilómetros, mesmo debaixo de uma chuvinha irritante, serviram para validar a opção - era isso! A satisfação aumentou e a apreensão esbateu-se…
Conheci-a há cerca de 2 meses atrás. Não foi amor à primeira vista, mas chamou-me a atenção. A Specialized Roubaix Comp que vi na minha primeira visita à Bicimelo [obrigado Melinho], e que ocasionalmente me vinha à memória como referência, agora é minha!

 

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Travões de disco hidráulicos e a Canyon

Um dia destes vi um vídeo Bike Radar que apresentava cinco “tecnologias” que poderão ser dispensáveis numa bicicleta. Rodas de carbono, pneus tubulares, quadros aero, mudanças eletrónicas e travões de disco.
Dispenso tudo, mas - há sempre um, mas - depois de ter testado os travões de disco hidráulicos numa bicicleta de estrada, a presença destes componentes teria de ser bem equacionada, sendo que à partida ganha a opção favorável.
Para além da eficácia de funcionamento e da considerável segurança acrescida, as nossas caraterísticas orográficas e a instabilidade climatérica são mais dois fundamentos irrefutáveis à sua utilidade.
Neste momento, os discos têm sido aposta de todas as marcas nos mais diversos modelos de estrada, mas em alguns casos e mais concretamente os hidráulicos, ainda estão associados a modelos de gama mais elevada, o que faz com que o seu acesso seja mais limitado, tendo em conta o que se pode ou o que se quer gastar.


Sabem aquela qualidade que se sente quando estamos perante um automóvel de origem alemã? Pois, sinto o mesmo perante a Canyon, ou não fosse a Alemanha o seu país de origem. A grande diferença é que a Canyon transpira a tal qualidade, mas ao contrário dos automóveis, são deliciosamente acessíveis quando comparadas com a concorrência.
Perante a realidade dos travões de disco hidráulicos estarem algo associados a modelos mais dispendiosos fui dar uma vista de olhos ao site da Canyon, marca que devido ao seu posicionamento de mercado sem intermediários, nem lojas físicas, apresenta uma relação preço/qualidade excecional.
Não foi a primeira vez que percorri a sua intuitiva e informativa página, mas tenho passado algum tempo a explorar a sua gama de bicicletas, principalmente de estrada (com travões de disco) e fico impressionado com alguns modelos, o seu nível de equipamento e respetivos preços.

Barcelona

É uma cidade espanhola com muitos atributos e atrativos, mas interessado que sou em mobilidade urbana (alternativa ao automóvel) e em bicicletas, Barcelona tem para mim todo um mundo paralelo de grande interesse, exatamente este aqui registado.

 

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É uma cidade grande e caótica, com muita população e turistas. Mas existem várias opções para facilitar a mobilidade de todos. E com estas, cada qual desenrasca-se da melhor maneira que pode.
Pelo que me foi permitido ver existe uma conjugação interessante entre vários meios de transporte. É normal ver gente de capacete de mota na mão, skate e trotinete a circular no metro, tal como ver bicicletas e respetivos utilizadores dentro das carruagens, até porque existem espaços específicos para o efeito.
Existem diversas zonas de acalmia de trânsito automóvel (30 km/h) com marcações no pavimento a alertar para o efeito e para a presença de bicicletas na via. E muitas ciclovias, 100 km no total.
Motas, essencialmente scooters ou aceleras, são ao pontapé. A circular, estacionadas, algumas até em locais que se calhar não deveriam.

 

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Outra forte presença é a da rede de bicicletas partilhadas – Viu BiCiNg – disponibilizada pela cidade. O número de estações é considerável, umas maiores do que outras dependendo da sua localização, tal como a quantidade de bicicletas que circulam. Estão por todo o lado, mesmo!

 

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As bicicletas comuns também. Existem diversos locais de estacionamento – os simples e adequados U’s invertidos – que nem sempre chegam para as necessidades ou não estão presentes nos locais desejados, portanto, ver bicicletas presas a outras quaisquer estruturas que o permitam, não será de estranhar.

 

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Muitas bicicletas citadinas ou adaptadas. Muitas clássicas. Muitas nacionais. Muitas bicicletas simples e baratas. Algumas “singlespeed” e “fixed gear”. Para quem as usa diariamente, em vez de querer impressionar interessa que passem despercebidas, até porque da maneira como são presas, deverá ser normal desaparecer bicicletas e/ou componentes ocasionalmente.

 

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Inúmeros pontos de aluguer de scooters, bicicletas, trotinetes, tanto tradicionais, como elétricas. Achei curiosos uns passeios organizados com guia, com uma marca e estilo de bicicleta específicos.

 

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Ponto de visita obrigatório – Barceloneta Bikes! É capaz de haver outras lojas de bicicletas interessantes, mas esta que foi a protagonista de um programa televisivo com o mesmo nome, no canal A&E (2015), ganhou uma notoriedade diferente. Depois é mesmo o meu estilo de loja! Forte componente urbana, belas máquinas, componentes e equipamentos, uma oficina típica e uma decoração rústica advinda da presença do tijolo e da madeira. Pessoal simpático que transparece gostar daquilo que faz.

 

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É esta a minha visão de Barcelona!

 

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Pedais vs. Vento. Sapatos vs. Chuva.

A minha pontaria para escolher os dias certos para fazer coisas é tanta que até chateia!
Experimentar os sapatos e os pedais novos? Debaixo de chuva, pois claro.
E como se não bastasse, tinha acabado de passar uma mangueirada na bicicleta quando o c@brão do vento atira-me com ela ao chão, pois claro.
Bom, na verdade não existem dias certos para fazer estas coisas. Tinha vontade e disponibilidade, fui. Calhou estar de chuva, paciência.
O pedal direito já se diferencia esteticamente do esquerdo? É lixado, logo no primeiro dia, mas que se lixe!
Quanto aos sapatos? Não são impermeáveis, é só o que tenho a dizer…

 

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De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

Pró-Specialized?

- Tu também parece que nasceste com um S gravado na barriga! – disseram-me um dia.

Não é verdade. Nisso sou tão previsível como outra pessoa qualquer e na barriga tenho apenas um umbigo. E nem sou de estar a olhar muito para ele!
De facto, existe uma relação próxima com a referida marca. Existe com a marca depois de existir com a casa que a representa e com as pessoas que são o seu rosto, e isso já há uns bons anos, ainda estava longe de pensar que as bicicletas teriam uma dimensão tão relevante na minha vida, exatamente quando os motores assumiam o papel principal.
Quanto às pessoas em causa, sempre me identifiquei com a sua forma de estar e trabalhar e isso faz toda a diferença. Depois a marca é boa, é indiscutível.
Há uma relação de amizade, também assente numa relação comercial de longa data, mas acima de tudo baseada na identificação, no respeito e na cordialidade de ambas as partes. Essencial. Contudo não assinei contratos de exclusividade com ninguém e quando não se proporcionam as condições que considero desejáveis, procuro alternativas. Já aconteceu. É normal.

- Ah, falas, falas, mas depois vais sempre lá ter! – disseram-me uma vez em tom reprovador.

Digo sempre que gosto de todas as marcas, apenas umas mais do que outras. E é verdade. Mas se normalmente compro no sítio do costume é por tudo o que acabei de referir. E pelas oportunidades que me são apresentadas.
Dou-me bem no meio e sou bem-recebido aonde quer que vá, mas o conforto de ir à loja, às pessoas e à marca que tão bem conheço, não tem preço!

- Não gosto de rebanhos, todos de igual com a mesma marca! – também já me disseram.

 No que toca às bicicletas se há alguém que se demarca pela diferença, sou eu! Tanto ao nível das opções como da atitude. É verdade que não tenho uma bicicleta de cada marca, mas existe alguma variedade. E não tenho culpa que a casa à qual normalmente recorro, agregue algumas das minhas marcas preferidas. Aliás, mais uma vez, é-me cómodo e conveniente.
Digamos que a Specialized é a minha marca de referência, mas não ignoro as concorrentes, pelo contrário, saúdo a sua existência. Se existe espaço para todas num meio tão pequeno é uma avaliação que não me compete a mim fazer, apenas posso dizer que, como ciclista especialmente interessado e consumidor, acho muito positiva a existência de diversidade sustentável.
As minhas opções ciclísticas são as minhas opções ciclísticas. E as opiniões dos outros são as opiniões dos outros. Enquanto as primeiras dizem-me respeito diretamente, as segundas serviram para “ilustrar” este texto, o que já foi bastante…

A minha bicicleta

8 velocidades, 6 velocidades. Sem velocidades.
Preto, cinzento, vermelho. Cor.
Geometria agressiva, geometria clássica.
Geometria relaxada.
Alumínio, ferro. Aço.
Estética, modéstia. Simplicidade.
Minimalismo, objetivo. Funcionalidade.
Rodas, raios. Borracha.
Corrente, carretos. Pedais.
Selim, guiador. Espirais.
Vias, bermas. Canadas.
Secas, húmidas. Molhadas.
Calçada, betão. Alcatrão.
Terra, gravilha. Progressão.
Esforço, cansaço. Suor.
Desafio, sacrifício. Dor.
Liberdade, felicidade. Renovação.
Prazer, bem-estar. Explicação.
Democrática, eclética... Bicicleta.

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

A bicicleta da Sónia!

- Rui, tens de ajudar a Sónia a encontrar uma bicicleta!
Foi assim que tudo começou. Foi assim que, não sendo protagonista, fui envolvido num episódio daqueles com final feliz, como uma espécie de olheiro-consultor.
Mas assim de repente, sem qualquer indicação, ajudar como? – Era o meu dilema.
Um dia depois tive a resposta. Um daqueles acasos felizes. Quando verificava novas publicações nos grupos do costume, na rede social facebook, dou de caras com um anúncio de venda de uma bicicleta. Não era um anúncio, era o anúncio. Não era uma bicicleta, era a bicicleta!
Esta bicicleta tinha uma mensagem subliminar gravada. Um nome. Sónia! Era a cara dela!
Uma cruiser de senhora, verde água metalizado, com óbvios motivos florais, pneus de faixa branca, 3 velocidades internas, travão contrapedal, mega guiador cromado, em excelente estado de conservação e com um bom preço. Linda! Linda! Linda!
Procurar mais? Para quê? Era esta!
Faltava dar conhecimento à verdadeira interessada. No entanto, não vou esconder que ficar com ela passou-me pela cabeça! Mas não, tinha de ser realista, não lhe iriamos dar o devido uso. E depois, reforço, esta cruiser era a cara da Sónia!
Lá a viu. Amor à primeira vista, como era previsível! Como não?!
Com um misto de apreensão e entusiasmo avançou para o contacto com o vendedor, curiosamente meu companheiro de pedaladas de outros tempos. Ficou tudo combinado para o final da tarde do dia seguinte.
Lá fomos. Ao entrar na garagem, mesmo considerando o esmero da sua proprietária na sessão fotográfica para os devidos efeitos, a opinião foi unânime, muito mais bonita ao vivo do que nas fotografias!
A troca de palavras entre os intervenientes deixou vir ao de cima o gosto pelas bicicletas que ali se vivia. E isso faz toda a diferença. Sentimo-nos bem entre pares, entre quem partilha os mesmos gostos. Identificamo-nos.
Após um dispensável e breve teste, o negócio estava naturalmente fechado e nem foi preciso proferir qualquer palavra nesse sentido.
Bicicleta no suporte e despedidas mais ou menos sentidas. Mal sabia o que lhe esperava. Para além de um inesperado desvio ao norte da ilha, a cruiser ainda se foi mostrar a duas amigas e apanhou uma monumental carga de água em cima do carro, mesmo à porta da sua nova casa! Não suficiente para fazer murchar as suas inúmeras e viçosas flores, diga-se.
Com os ânimos mais calmos era altura da Sónia experimentar a sua nova bicicleta. Ela que estava algo reticente pela sua falta de prática, ainda para mais perante a novidade do travão de contrapedal. Mas correu bem, claro.
Todo este episódio foi rápido, inesperado, natural e fluído, e acabou num dia com um final feliz para todos. O que não será alheio o facto de envolver uma bicicleta!
A Sónia não podia estar mais feliz com a sua nova bicicleta e nós tão felizes por ela como se a bicicleta tivesse sido para nós.

Allez - Atualização

Ficou assente no decorrer da minha volta às Sete Cidades que iria fazer algumas alterações na minha bicicleta de estrada. Aliás, durante esta volta, em vez da bolsa de selim usei pela primeira vez o “copo” para ferramentas alojado no segundo suporte de garrafa, suporte que esteve sempre guardado num armário desde que o comprei. Quanto ao “copo”, sem dúvida, muito prático!
Quanto às mais recentes alterações, até agora foram adiadas, tanto por falta de necessidade, como por princípio. – Para quê trocar peças que estão a funcionar mesmo que não sejam as mais adaptadas à minha realidade? – Era o meu pensamento.
Então a cassete de oito velocidades original (12-26) cedeu o seu lugar a uma com o mesmo número de carretos, onde o carreto mais pequeno tem 11 dentes e o maior uns expressivos 32! Já deu para perceber a diferença, embora ainda não tenha feito a subida certa.

 

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A outra alteração foram os pedais. Até agora usava pedais de encaixe de BTT, sendo que o modelo escolhido na altura teve em conta o facto de poder circular com esta bicicleta com sapatos do dia-a-dia, ou seja, encaixe de um lado, plataforma do outro. Por outro lado, sempre refreei a aquisição de pedais de encaixe para estrada porque me obrigava a investir noutros sapatos. Foi agora. Ainda não experimentei, aliás, nunca andei com encaixes de estrada, portanto será uma estreia absoluta. E não experimentei porque ainda não tenho os sapatos!

 

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Neste momento já não faz sentido manter uma cassete com uma relação tão pouco amigável, até porque já nem tenho idade para isso (?!), tal como manter uns pedais vocacionados para BTT e uso descontraído, quando tenho outras bicicletas e respetivos pedais muito melhores para o efeito, em vez de ter uns verdadeiramente adequados para a bicicleta e para o uso que lhe dou.
São pequenas alterações, simples e óbvias, que farão da minha Allez uma bicicleta mais “amiga”, efetiva e adequada aos meus propósitos.

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