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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

A Quinta - Suzuki DL 650 V-Strom

Num negócio de muita vontade, acasos e coincidências, no final do mês de Junho de 2005, concretizo a troca da NX-4 por uma Suzuki DL650 V-Strom, azul e novinha em folha!
De facto, a V-Strom desde o seu lançamento e depois de a ter experimentado, foi um modelo que nunca mais me saiu da cabeça e mesmo com algumas situações pessoais menos favoráveis, ter uma, seria inevitável.
Já escrevi diversas vezes sobre esta moto, inclusive antes de a ter, por isso é normal que me repita, mas no geral, só posso falar bem e enaltecer as suas virtudes.
A DL650 é dona de um equilíbrio e polivalência irrepreensíveis, foi um lançamento muito inteligente da Suzuki, aproveitando toda a parte ciclistica das V-Strom 1000 e o bicilíndrico de injecção electrónica das SV 650. O resultado foi excelente e deverá ter superado todas as expectativas, pois veio a dominar totalmente o seu segmento, deixando a pouca concorrência existente a km de distância.
Para o nosso meio a moto assenta que nem uma luva, mesmo com uma envergadura considerável, tem uma série de componentes que a fazem destacar em praticamente todas as situações. Por exemplo a sua roda dianteira de 19 polegadas, os pneus mistos, as suspensões de maior curso, a boa distribuição de peso, a posição de condução, a altura e o tacto do assento inclusive para o pendura, capacidade de carga com a aplicação de uma top-case, ecrã frontal a proporcionar boa protecção aerodinâmica.
Isso para não falar do seu comportamento dinâmico, pois a excelente rigidez estrutural conferida pela quadro em alumínio, em conjugação com o brilhantismo do evoluído motor de 2 cilindros alimentado por injecção electrónica, fazem dela uma grande aliada na hora de atacar as curvas nas nossas acidentadas estradas, com a mesma eficiência com que faz vias rápidas, ou mesmo, com que circula no trânsito da cidade, sempre com economia.
Toda a eficácia encontrada no asfalto é um pouco penalizada fora de estrada, ambiente onde a V-Strom mostra facilmente as suas limitações e transmite pouca confiança, mesmo quando deparada por um TT suave, para já não falar nas consequências, se um azar acontece numa moto do género. Há quem assegure o contrário e até a use regularmente neste meio, como que a provar isso mesmo, mas a mim não me convence, e o facto é que a minha raramente sujou as rodas de terra.
Seja como for, não acho que esta situação belisque em nada a sua polivalência, um dos seus grandes trunfos, que faz que qualquer pessoa com apenas uma moto, consiga estar presente com competência nos mais variados ambientes, logo que não se exija radicalismos para qualquer um dos lados.
Para mim, que na altura fazia o meu dia-a-dia de moto durante a semana e aproveitava o fim-de-semana com regularidade para uns passeios, não podia pedir mais e melhor. Era uma companheira incansável e tanto servia os meus propósitos, como fazia as delícias da minha mulher, a sua pendura crónica, que tal como eu, adorava a moto.
A partir de certa altura, não que me tenha desgostado, ou decepcionado com algo nela, comecei a ter uma atitude diferente em relação às motos em geral e à V-Strom em particular, facto que não foi alheio o nascimento do meu filho, a mudança de residência, o crescimento da minha paixão pelas motos de origem europeia e o despertar do meu assumido gosto pelo todo-o-terreno. Aos poucos a ideia de uma possível troca foi ganhando força, até que fiquei decidido a fazê-lo, ainda a DL não tinha completado os 2 anos.
De qualquer maneira, ainda continuei com a V-Strom por mais alguns meses, e posteriormente vim mesmo a concretizar uma troca, mas completamente diferente daquilo que seria de prever, por culpa das circunstâncias, chegando mesmo a ser radical e polémica, mas isso fica para um próximo relato.
Para concluir, só posso dizer que a Suzuki DL 650 V-Strom foi a melhor moto que já tive e uma das melhores que já conduzi. Tem quase tudo o que se poderá querer de um veículo de 2 rodas, estando assegurado o prazer de condução em lazer, e ao mesmo tempo, a eficácia como meio de transporte utilitário.
Posso igualmente dizer que ainda não me arrependi de me ter desfeito dela, mas não posso negar que por diversas vezes sinto saudades. Para já, os meus objectivos no que se refere a motos são outros, embora não totalmente distintos do conceito da V-Strom. De futuro, a não haver grandes novidades no mercado e as coisas correrem de feição, é bem provável que volte a sentar-me aos comandos de uma nova Suzuki DL 650 V-Strom.

A Quarta - Honda NX-4

Decorria o ano de 2003, andava farto do pedal de arranque da TT-R600 e procurava agora uma moto com a dualidade necessária, mas mais vocacionada para a estrada e uma utilização diária, aproveitei um negócio que me foi apresentado no concessionário local Honda e adquiri uma NX-4.
Uma Honda produzida no Brasil, motorizada pelo imbatível monocilíndrico arrefecido a ar das XR400 e TRX400, com uma roupagem leve e esguia, económica, excelente para a cidade, mas de uso abrangente. Melhor, quando tudo isso, era oferecido por 4.500€.
Não sendo exactamente uma moto de sonho, o facto é que logo desde o início, principalmente eu, mas também a minha mulher, simpatizamos muito com ela. A imagem agradável, o comportamento honesto e a facilidade de utilização, para isso contribuíram.
Tal como as anteriores, dedicava-lhe algum cuidado e atenção, mas faz parte do encanto, sim, porque para mim, gostar de motos não é apenas andar nelas!
Foi uma fiel companheira, tanto como meio de transporte diário, como em diversos e excelentes passeios de fim-de-semana.
Os percursos "off-road" marcaram sempre presença, onde a NX-4 sentia-se perfeitamente à vontade, sobressaindo a roda dianteira de 21", a distância ao solo, o curso das suspensões, a suavidade do motor e a leveza geral do conjunto, onde as limitações advinham principalmente do perfil mais estradista dos pneus e dos dotes de condução do respectivo condutor.
Curiosamente, o meu irmão comprou uma NX-4 algum tempo depois de ter a minha. Foi engraçado os dois termos duas motos iguais na mesma altura.
Mais uma excelente máquina que me passou pelas mãos, que recordo sempre com saudades, como acontece com todas as outras.
Até sempre simpática!

A Terceira - Yamaha TT-R 600

Depois de algum tempo sem moto, tive aquela que era uma das minhas motos de sonho na altura. À falta da WR-F 400, a TT-R 600 ocupava o seu lugar dignamente.
Pelo menos pensava eu, no dia em que a comprei. É que este sonho, desfez-se algum tempo depois e veio-se a revelar um autêntico pesadelo. Mas já lá vamos.
Em 2002 tinha reunido uma verba que tinha como destino, ou o arranque de um negócio por conta própria, ou a compra de uma moto, tendo optado pela segunda hipótese (?!)
Estava meio indeciso sobre qual a mota comprar, se seria nova ou usada, estando apenas mais ou menos definido que seria algo que me permitisse utilizar no dia-a-dia, mas que ao fim-de-semana fosse possível andar fora de estrada.
Depois de alguma procura e várias motos em hipótese, surgiu uma Yamaha TT-R 600, usada, com 2 anos e em bom estado, vi a mota uma vez por alto, regressei ao stand uns dias depois e acabei por fechar negócio. Fiquei com a TT-R e pouco depois acabei por comprar vário equipamento a condizer. Curioso, esta compra deu-se na semana em que ia casar, digamos que foi um presente de casamento.
A moto era espectacular e nada tinha haver com a minha última (Honda Vision), era a concretização de um sonho, ter uma máquina deste calibre.
Não sendo uma Enduro a sério, a TT-R encaixava-se perfeitamente nos meus propósitos, deslocava-me ao trabalho diariamente e permitia levar pendura com um mínimo de conforto, se é que se pode falar em conforto, numa moto do género. Mesmo pesada, pouco ágil, com uma geometria de direcção menos adequada e com umas suspensões mais débeis no TT, dava para as brincadeiras na terra, pois não tinha aspirações a ser um grande piloto, nem entrar em competições. Sendo assim, conseguia um compromisso muito bom, sendo muito completa.
O motor também não sendo uma peça de tecnologia moderna, era muito fiável, relativamente económico e tinha um excelente empurrão, um comportamento muito bom, sempre disponível, só mesmo batendo um pouco quando acelerava desde baixas rotações, com a velocidade mais alta engrenada. Normal num monocilíndrico.
A posição de condução era muito agradável, com um guiador largo e baixo bem ao jeito das Enduro, a ergonomia geral para uma moto do género, até era de destaque e o assento só castigava quando as tiradas eram realmente longas.
Mas haveria algo que estragaria todo este deslumbramento, a falta de arranque eléctrico, aos poucos começou-se a revelar um problema. Inicialmente era a falta de hábito, ou de jeito, achava eu, mas o problema persistiu e mesmo já conhecendo as suas manhas, para ser sincero, nunca sabia se a ia conseguir colocar a trabalhar ou não!
Ainda tive uma fase em que estava mais confiante, andei uns tempos com ela e as coisas até corriam bem, mas parece que era cíclico, de vez em quando o processo mudava de método, e principalmente depois de se ter partido o cabo do descompressor automático, aquilo nunca mais ficou como antes.
Estava cada vez mais farto do seu pedal de arranque, que além de muito inconveniente, era igualmente perigoso, quando fazia retorno!
Daí a desgostar-me foi um passo e a vontade de trocar de moto, começou a crescer de dia para dia. Vindo a acontecer, tinha-a há menos de um ano. Esta moto foi um caso único, porque esta minha vontade, foi mais por obrigação do que por outra razão qualquer, aliás digo sempre, e volto a repetir, que se não fosse pela falta de um motor de arranque eléctrico, muito provavelmente ainda hoje a teria.
Apesar de tudo, deu-me muito gozo e foi um prazer ter tido esta moto.
Depois desta TT-R 600, que recordo sempre com um misto de pena e saudade, prometi a mim mesmo, que nunca mais teria nenhuma moto sem arranque eléctrico... Até agora, tenho cumprido!

A Segunda - Honda SA50 Vision Met-in

Comprei-a usada ao meu tio por 150 contos, às prestações, em 1995.
Apesar de modesta, esta pequena scooter da Honda deixa-me sempre grandes saudades. É que a tive num momento crucial da minha vida, exactamente quando iniciei a minha actividade profissional a tempo inteiro. E pelas suas características, era muito prática e económica, uma verdadeira "amiga" no dia-a-dia na cidade.
De facto, era “as minhas pernas” para todo o lado, muito leve, ágil, de dimensões contidas, estacionava-se em qualquer “buraco”, gastava pouquíssimo, a manutenção era quase nenhuma e tinha ainda dois excelentes espaços de arrumação, um porta-luvas no avental frontal e um espaço muito interessante debaixo do assento, na altura inovador, denominado pela Honda de “Met-in”, cabendo um capacete integral e mais umas coisas.
O motor não sendo propriamente um recordista de prestações, apresentava acelerações rápidas. A ciclistica era regular, formando no todo, um conjunto muito equilibrado e à altura dos propósitos a que se propõe uma viatura desta natureza.
Esta motinha era também à prova de choque, pois sofreu pelo menos uns três tombos, um deles de dimensão considerável, com o meu irmão aos seus comandos, dos quais apenas resultaram pequenos riscos e a ponta da manete direita partida.
O maior senão, era o facto de estar homologada apenas para um ocupante, embora confesso que o meu irmão, acompanhou-me à pendura, vezes sem conta.
A sua fiabilidade era incrível, a única “manutenção” que fazia, era colocar o óleo no depósito do auto-lube e troquei uma ou duas vezes a vela, nada mais, e não falhou pegar à primeira, sempre que o seu arranque eléctrico foi solicitado, sem truques, sem comandos do ar (pois nem o tinha), nada! Era dar arranque e andar, com gasolina no depósito, claro.
Outra coisa que me ficou na memória, embora pela negativa, foram as molhas monumentais que apanhei aos comandos da Vision, quer de manhã a caminho do trabalho, quer à noite quando regressava a casa do ginásio, em que não havia peça de roupa que escapasse seca.
Talvez por isso mesmo e com a carta de carro tirada, começasse a pensar desfazer-me dela e a ideia de comprar um carro ganhasse cada vez mais força.
Assim foi, acabei por vender a mota, por acaso a uma pessoa do meu estilo, mas com mais idade, o que por outro lado, me agradou bastante. Certo é, que lá de vez em quando vejo a “minha” Vision preta a circular, mantendo a aparência impecável que tinha à mais ou menos 13 anos atrás, quando a vendi.
Sem dúvida, para além das boas recordações, ficou igualmente, o respeito que as scooter's merecem.

A Primeira - Yamaha FS 50

Decorria o ano de 1991, num dia ao final da tarde, o meu pai, eu e o meu irmão fomos a casa de uma pessoa conhecida para ver uma mota que tinha para vender. A ideia, pelo menos do meu pai, era ficar com a mota a um preço razoável para depois a vender e ganhar alguns trocos, uma vez que se tratava de uma Yamaha FS 50 de 1977, muito estimada.
Escusado será dizer que ficamos muito entusiasmados com a ideia, à excepção do meu pai, pouco adepto de motas, apenas via mais uma oportunidade de negócio.
Quando a vi gostei logo dela, mesmo não sendo uma DT 50 LC, nem nada do que se parecesse, era melhor que nada, só de pensar que podia ir lá para casa, já era muito. O facto é que, sem saber, estava a ver aquela que seria a minha primeira mota.
Sempre ficamos com ela, ficando guardada numa casa que tínhamos em obras, por isso era minha a tarefa de lhe acondicionar, limpar e por a trabalhar.
Nunca tinha andado, nem tido contacto directo com uma mota, mas aos poucos fui ganhando gosto e confiança, tanto que sozinho comecei a andar nela, no quintal da casa. Durante algum tempo, só utilizava a primeira, depois mesmo num espaço reduzido já conseguia meter segunda. Já lhe conhecia algumas manhas e inclusive facilitava algumas tolices aos seus comandos.
Entretanto e algum tempo depois, um tio meu ficou com a mota, para meu desgosto, mas já sabia que mais cedo ou mais tarde, podia acontecer…
Mas bastaram uns meses e convenci o meu pai a comprar novamente a mota e desta vez para mim. Não sei como, mas o facto é que a mota regressa, era minha!
Comecei então a andar para fora do quintal, tirei a carta e passei a deslocar-me com ela, para o liceu, para todo o lado. O meu irmão era o pendura crónico.
Bons momentos passei com esta mota, iniciei nela as minhas incursões em terra, explorei velocidades, graus de inclinação, limites e até a gravidade. Por acaso uma das situações mais complicadas que passei em cima de uma mota, foi nesta Yamaha, em que andei uns metros arrastado de roda no ar, depois do acelerador ter ficado preso, com um saco de compras que levava pendurado, acabando no chão com alguma violência, quando a roda traseira embateu num passeio, felizmente sem grandes consequências para mim e para ela.
Foi nesta mota que tive o primeiro contacto com mecânica, pois ela tinha as suas manias, muitas vezes tardiamente detectadas pela inexperiência do seu condutor. O seu maior problema era uma perca de rendimento flagrante quando aquecia, e aí não havia nada a fazer, era ter paciência.
Mas para uma mota de 50 cc, com 15 anos, era evoluída, tinha caixa de 5 velocidades, auto-lube e um comportamento muito razoável. Podia não ter uma estética moderna, nem ser um “foguete”, principalmente depois de quente, mas era minha, gostava muito dela e estimava-a.
Com os dezoito anos a chegar, e com outras situações a acontecer, decidimos vender definitivamente a FS, o que veio a acontecer pouco tempo depois, e só a voltei a ver uma vez, aquando de uma prova de motocross, já algo mal tratada, até hoje.

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