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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Passeio BTT com os “Rodas ao Domingo”

Depois de ter visto no Facebook um dos elementos (Albano Silva) do “O Rodas ao Domingo” a sugerir um trajecto do passeio de domingo para os lados das Sete Cidades, ou seja, ir até à Vista do Rei, fazer as Cumieiras para a Várzea e regressar a Ponta Delgada, decidi que iria com eles, até porque já tinha a ideia de fazer um percurso semelhante há algum tempo.
Éramos seis à partida, mas por indisposição de uma colega, perdemos as duas únicas presenças femininas (Sandra e Dina) na zona do Pico de Salomão. Lá seguimos (Albano, Pedro Pavão, Pedro Faria e eu) a bom ritmo a caminho da Vista do Rei. Algum vento e nevoeiro faziam-se sentir à maneira que subíamos, mas nada que atrapalha-se verdadeiramente.
Ainda tínhamos uma subida pela frente, mas com mais ou menos dificuldade, não tardou e já rolávamos sobre as Cumieiras a um ritmo bastante mais elevado do até agora verificado pois a inclinação era-nos favorável. Nunca tinha feito este percurso de bicicleta e já nem me lembrava das suas características, porque deve ter uns 7 ou 8 anos que o fiz de moto, mas é excelente!
Bom, descida de asfalto até à Várzea onde o vento mostrou-se ainda mais e seguimos o Albano numas canadas que nos levariam à Ferraria. Aproveitamos para ver a evolução das obras em curso naquele local e registar o momento. Foi aí que ficamos de boca aberta quando o Albano saca do seu “computador de bolso” (vulgo telemóvel) para tirar as fotos!
Agora era sair dos Ginetes e dar-lhe sempre pela Estrada Regional, onde aqui e ali, já se comentava sobre a hipotética dureza da parte final que iríamos percorrer até chegar à canada na Vigia das Feteiras que nos levaria à Relva. O Pedro Pavão que está em grande forma tomava a dianteira e imponha um ritmo bastante vivo. Saí atrás dele e vim sempre colado à sua roda, imitando qualquer movimento da sua parte, durante toda esta parte do percurso, que parecia nunca mais acabar. Não trocamos uma única palavra, nem sequer um olhar, tal era o nível de concentração (sofrimento?! lol), mas à chegada, ele estava satisfeito por ter dado o máximo e eu também, por ter conseguido acompanhar-lhe.
Depois de aguardarmos pela chegada do outro Pedro e do Albano, lá fomos pela canada de acesso ao Miradouro da Rocha da Relva, que nesta primeira secção apresenta-se bastante degradada e algo perigosa, com profundos regos e muita pedra, a requererem alguma atenção e cautela.
O Albano ficou em Sta. Clara, enquanto nós seguimos para a Marginal para tentar assistir aos momentos finais da prova de ciclismo que decorria, o que já não foi possível, porque entretanto acabara.
Depois de algumas palavras e cumprimentos no local da concentração, pus-me a caminho de casa, mas ainda em São Roque fui obrigado a parar definitivamente com um furo. A Maria veio buscar-me, poupando-me de mais uns 10 km, numa altura em que o meu ciclómetro marcava 72!
Os meus agradecimentos aos elementos do “O Rodas ao Domingo” pela companhia e pelo passeio proporcionado, que foi grande em todos os sentidos!

4 Horas BTT CC/Specialized – A minha participação!

Faltavam poucas horas para o fecho das inscrições quando me fui inscrever. Depois de ter dado como certa a minha não participação nesta prova, devido aos trabalhos universitários, com algum esforço, lá consegui.
Já tinha participado numa prova da Taça de XC o ano passado, mas esta foi a minha estreia numa prova de Resistência. Pelo seu carácter mais lúdico e promocional, este último modelo tem mais a ver comigo e com os meus objectivos no que toca ao ciclismo.
Mesmo com a perfeita noção que poderia ser uma prova de exigência acrescida, tanto pela sua duração, como pelo local onde iria decorrer – Pinhal da Paz, já que tinha sido tudo decidido à última da hora, resolvi entrar sozinho, ou seja, como Individual.
Os meus objectivos eram básicos e pouco ambiciosos, fazer as 4 horas e usufruir do traçado e do ambiente que se vive nestas provas. O desafio seria tentar gerir o esforço, sem cair na tentação de ser levado em ritmos para os quais não estou preparado, podendo sofrer uma quebra que me levasse a fazer voltas em sofrimento, mas também não adormecer em cima da bicicleta!
Com algumas dicas de quem sabe mais do que eu, munido de líquido para hidratação e alguns produtos energéticos para as alturas de maior aperto, fiz uma prova regular, sempre nas calmas, rolando ao meu ritmo, ora esticando, ora abrandando, sem nunca entrar no limite, tal como pretendido.
O percurso era muito engraçado, sendo a secção final a minha preferida. Por sua vez, foi nesta mesma secção que apanhei um valente susto na zona de descida, quando levei com um atleta da CC/Specialized em cima! Fora isso, nenhuma queda a registar, apenas dois “engates” em zonas de ganchos, um deles mesmo junto à zona da meta.
No decorrer da prova fiz três paragens para trocar de garrafa, numa das quais, aproveitei para comer algo mais sólido e tirar umas pedras do sapato, no verdadeiro sentido da palavra.
Inicialmente prevista para ter lugar nas margens da Lagoa das Furnas, por falta de condições do local, o Pinhal da Paz surgiu como a alternativa possível, mas em boa hora na minha opinião. Com inúmeras opções de trajecto, mesmo com algumas condicionantes apresentadas, a equipa do Clube NC, teve a imaginação suficiente para traçar um percurso muito interessante e adequado para o que se propunha.
Ah… no final tive direito a prémio! Não, não foi uma taça, nem uma medalha, porque os resultados não chegaram para isso, mas sim uma “recuperação activa” completamente gratuita, até a casa em cima da bicicleta!
Depois de quatro grandes horas… Não presta?!

Fim-de-semana de estrada – Teste à Specialized Roubaix Expert SL

Nada melhor do que subir à Lagoa do Fogo num domingo e dar a volta ao concelho de Ponta Delgada numa segunda-feira feriado, logo pela manhã, para fazer a minha estreia numa bicicleta de estrada! Foi assim que dei as primeiras pedaladas na Roubaix de teste da empresa Carreiro & Comp. Lda.
Despertador no telemóvel programado para as 7H30 e aquele nervoso miudinho indicador da minha apreensão relativamente à bicicleta, mas principalmente ao que tinha pela frente. Na madrugada de domingo, eram cerca das 4H00 e estava acordado! O percurso da Lagoa do Fogo já me estava a intimidar e ainda nem tinha sentado o rabo no selim da SL.
Por falar em selim, o “Toupé” gel montado, revelou logo ser uma “pedra”, tal a sua dureza e a minha falta de “calo”! Mas este não é o selim de origem desta bicicleta de “Endurance”, mas sim o “Avatar”, igualmente em gel e consideravelmente mais confortável. Desde logo também acusei a posição de condução bastante mais radical do que estou habituado, as contidas dimensões, a extrema leveza e a rigidez da Roubaix.
Depois de seleccionar a melhor velocidade para o local onde rolava, mesmo à saída de casa, notória foi também a sua rapidez e agilidade. Pelas afirmações que já ouvi de ciclistas de estrada e pelas características que apresentam, tinha ideia que seriam rápidas, mas para ter a verdadeira noção do que estas máquinas são capazes, só mesmo experimentando!
Reactiva, é também uma das suas características, acusando logo, seja o nosso movimento sobre o selim, seja a mudança de posição das mãos sobre o guiador. Depois de alguns km e de agir de forma mais suave e intuitiva, este facto é minimizado. No entanto, qualquer solicitação que se faça no pedaleiro, a reacção não se faz esperar.
A rigidez e os pneus finos fazem-nos sentir todas as imperfeições da via e requer alguma atenção extra com objectos ou buracos de maior dimensão, de forma a evitar sustos, mas por outro lado, toda a energia gerada nos pedais é aproveitada e transformada em velocidade. Aqui avança-se efectivamente. Haja pernas!
De facto, em mau piso, mesmo tendo em conta que este modelo conta com inserções de Zertz para filtrar vibrações, quer na forqueta, quer nos tubos superiores do triângulo traseiro, sente-se muita coisa, conseguindo ser, este e com certeza todos os outros modelos de estrada, autênticos vibradores gigantes a circular no nosso conhecido empedrado (calçada)!
Os travões funcionam de acordo com as características da bicicleta, mas para quem está habituado a uns travões de disco hidráulicos, os Ultegra da Shimano não são mais do que uma espécie de travões, uns “abrandadores”, vá lá…
Percebi que como tudo é preciso menos tensão e maior à vontade que só a experiência traz, mas resumindo e concluindo, esta Roubaix Expert é uma máquina incrível que adorei experimentar. É decidida, contundente e motiva-nos para dar sempre mais, o que a torna uma excelente aliada tanto para treinos mais intensivos, como para passeios mais calmos e longos, já que a sua cuidada geometria, sem descurar a competitividade, permite um conforto que não é apresentado por outros modelos mais radicais.
O ciclismo de estrada tem muito que se lhe diga e nos últimos dois dias pude viver uma pequena parte disso mesmo, com a possibilidade de testar esta Specialized Roubaix Expert SL. Pela bicicleta, pelas pessoas, pelos percursos... Uma Grande Experiência!

(Também) Tenho perfil para ciclismo de estrada!

No final do passeio do Clube Banif Açores alguém (A Biker das 10), dizia que eu não tinha perfil para o ciclismo de estrada (ter uma bicicleta de estrada).
Curiosamente, minutos depois estava de regresso a casa na companhia da Tânia Chaves, que tripulava, nada mais, nada menos, do que uma Specialized Dolce de estrada. Foi inevitável que boa parte do diálogo assentasse na temática – Montanha vs. Estrada!
Não sendo uma ideia de todo errada, também está longe de ser totalmente acertada, já que outros factores, para além do meu assumido gosto pela “terra”, têm algum peso na forma como encaro as bicicletas, onde aspectos de carácter lúdico e de lazer se conjugam com a preparação física e o desafio, em oposição aos meus receios.
A minha tendência, já derivada das motos, sempre foi a conciliação entre o “on” e o “offroad” e assim a opção natural era uma bicicleta de montanha, mas mesmo nos primórdios da ideia de vir a adquirir uma bicicleta, tive alguns diálogos com o meu amigo Alberto Botelho da Carreiro & Comp. (quem melhor?), onde modelos da Specialized como Centrum, Sirrus, Crosstrail e até Expedition! (modelos práticos de vocação estradista e de passeio) foram tidos em conta ou pelo menos foram abordados.
Mais, nos meus tempos de criança/adolescente tive uma bicicleta de estrada que o meu pai trouxe dos EUA. Não sendo uma máquina com a qualidade que nos é permitido verificar hoje, já era possível “saborear” algumas das mais-valias de uma bicicleta deste segmento.
Tendo em conta a última aquisição que fiz, o meu tempo disponível, o tecto de investimento máximo que estabeleci e a utilização que dou à bicicleta, apesar de estar muito satisfeito com a FSRxc, que representa um salto qualitativo considerável, já pensei que se calhar deveria ter ponderado a opção de ter mantido a Hardrock e ter investido o diferencial numa bicicleta de estrada?!
Para já, tenho resistido a não experimentar a Tarmac ou a Roubaix de teste disponíveis no concessionário Specialized local, porque já sei que o risco de nunca mais pensar noutra coisa é real, mas com o despoletar simultâneo de situações, pensamentos e crescente curiosidade, já vi que esta resistência tem os dias contados...

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