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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Diz-me a medida das rodas da tua bicicleta e eu dir-te-ei quem és!

Gostam do título? Lamento desiludir-vos tão prematuramente, mas qualquer semelhança entre este e o que irão ler a seguir (se lerem?!)... Resumindo, não vai acontecer!

 


Este texto não tem qualquer fundamento técnico nem científico, nem sequer empírico, até porque a experiência mais próxima das rodas maiores que tenho é através das rodas 28 da minha bicicleta de estrada! São mais finas, é certo, mas estão apenas a meia polegada das médias (27,5) e a uma das grandes (29). É um argumento parvo para escrever sobre dimensões de rodas de BTT? Pois, se calhar é! Adiante…

Andávamos todos descansados e satisfeitos com as nossas rodas pequenas (26) e vieram estes gajos com invenções para condicionar o nosso descanso (e as nossas carteiras), com promessas de inúmeras vantagens, como que de uma revolução se tratasse! Já estava convencionado que a BTT tinham rodas pequenas, caramba! Bom, na altura não eram pequenas, eram as normais, as certas…

A roda 26 era uma verdadeira instituição dos pisos térreos e neste momento toda a sua pequena estrutura está a ser seriamente abalada!

Ok, as teorias apresentadas até têm alguma lógica, não digo que não. Ok, as rodas grandes depois de lançadas vão permitir cadências mais elevadas, são menos sensíveis aos obstáculos. No que diz respeito à maior tração e poder de travagem pela maior superfície de roda em contacto com o solo já é mais discutível. Por outro lado, também acusam menor agilidade e rapidez de movimentos em consequência do incremento de volume e peso!

As rodas médias. Ui, o equilíbrio, a virtude de estar a meio caminho entre as pequenas e as grandes...
No entanto, para os mais fundamentalistas não são peixe nem carne. Diria que são a soja das rodas. Rápidas mas não nervosas. Estáveis mas não trôpegas. Seguras mas não pesadonas. Dizem reunir o melhor e o pior (o pior acrescentei eu…) dos dois mundos!

Depois de me debruçar sobre este assunto, na forma de um estudo exaustivo, depois de trilhar um duro e longo caminho de avanços e retrocessos na busca do diâmetro ideal, depois de desbravar um tão complexo mundo, cheguei finalmente a uma conclusão:

As melhores rodas são as da minha bicicleta!

Na bicicleta, de ganga ou de licra

A forma como se encara a bicicleta, para além da nossa atitude, depende das circunstâncias e do ambiente que nos rodeia.
Há algum tempo que venho defendendo uma utilização mais prática, funcional e citadina da bicicleta. Mas atualmente sou forçado a admitir que quem se move diariamente numa pequena cidade, podendo eventualmente morar fora desta (o meu caso), a possibilidade de utilizar a bicicleta como meio de transporte diário esvazia-se de sentido.
Mesmo não entrando em campos como a instabilidade climática e a abundância de pluviosidade que nos carateriza, a orografia acidentada, as vias estreitas em paralelepípedo e de sentido único, e a ausência de locais de estacionamento específicos, acho que dificilmente se terá uma cultura urbana da bicicleta como existe em grandes cidades, mais ou menos sensibilizadas para este fenómeno. E não acho que seja apenas uma questão de mentalidade, é simplesmente uma questão da nossa realidade. Basicamente não existe necessidade. Não temos de fazer grandes adaptações. Existe a questão ambiental, mas esta está assegurada se simplesmente caminharmos… Isso cá é pequeno, é tudo perto e somos poucos!
Sei que as imagens que nos chegam de grandes capitais europeias onde a bicicleta é rainha são normalmente muito bonitas e inspiradoras, mas há que ser prático e realista… A grande maioria das pessoas (de cá) que conheço e que defendem o uso da bicicleta no dia-a-dia não o faz, eu incluído.
A nossa principal cidade é pequena, está algo atafulhada de automóveis, mas está longe de ser uma cidade movimentada. Foram sendo criadas várias soluções de estacionamento automóvel, quer na periferia, quer no centro da cidade com algumas comodidades e foi criada uma rede de pequenos transportes coletivos. Isso não é argumento para saturar a cidade e continuar o modelo de a adaptar aos carros em vez de a tornar mais amiga das pessoas, mas apenas para dizer que na minha opinião, mais do que qualquer outro transporte, a melhor forma para nos deslocarmos é mesmo a mais natural - a pé!
As condicionantes inerentes à utilização da bicicleta acabam por não valer a pena face ao seu retorno. Ainda mais quando o ponto de situação atual, no que toca à facilitação da circulação das bicicletas em meio urbano equivaler a zero! Já sei que assim se entra num círculo vicioso: As pessoas não se deslocam de bicicleta porque as entidades não lhes criam condições e as entidades julgam não valer a pena fazer investimentos porque não veem as pessoas a andar de bicicleta...
Para quê estar-me a sujeitar, quando de uma forma muito mais cómoda e fácil, faço tudo o que quero fazer? É uma pergunta legítima!
Por outro lado, as vertentes de lazer e a desportiva estão cada vez mais presentes. Tal como uma certa exigência associada. As bicicletas são essencialmente utilizadas ao fim de semana, sendo domingo o dia de eleição para atividades ao pedal. Mas será censurável este posicionamento da grande maioria dos praticantes?
Bom, nós temos condições naturais fantásticas para a prática do ciclismo, é indiscutível. Temos locais únicos de rara beleza. Temos uma imensidão de trilhos fora de estrada, tal como temos vias pavimentadas, que nos permitem aproveitar toda uma envolvência que reflete a singularidade das nossas condições.
Nós temos qualidade. Esta pode ser aproveitada de qualquer maneira, mas uma delas, especialmente prazerosa e revigorante, pode fazer-se trajando vestuário técnico sobre um selim de uma bicicleta, com uma estrutura baseada em material mais ou menos nobre, com rodas de maior ou menor diâmetro, e com pneus lisos e finos ou largos e cardados…
E isso sem preconceitos, até porque não há formas mais ou menos nobres de aproveitar as bicicletas. De aproveitar tudo o que as bicicletas nos podem proporcionar. Um ciclista urbano vestido com roupa “normal”, que tem na sua bicicleta mais simples uma aliada nas suas deslocações diárias, aproveita-a tal como um betetista quando pega na sua bicicleta mais específica, uma vez por semana, vestido para este fim.
Cada um faz o que mais gosta, o que lhe dá mais prazer, o que lhe dá mais jeito. As bicicletas permitem todas as vertentes e cada um vive-as como quer, tendo em conta as suas motivações, as condições e o ambiente que os rodeia!

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