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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Volta ao concelho, sem mudanças!

O prometido é devido, já dizia Rui Veloso na canção. Não foi uma promessa, mas anunciar as coisas publicamente motiva a sua concretização. Ora então, a ideia era fazer a volta ao concelho de Ponta Delgada começando pelas freguesias a Norte (nunca tinha feito, pelo menos na versão tradicional), com a minha bicicleta sem mudanças – Globe Roll1.
Apenas um pouco de apreensão pela novidade, que se veio a revelar infundada. Garrafa de água de 33cl no jersey, já que esta bicicleta não permite o seu transporte no quadro, e chave de bocas de 15mm na bolsa de selim, não fosse ter algum furo e precisar tirar uma roda. Estavam resolvidos os constrangimentos iniciais.
Normalmente, não faço distâncias tão grandes com a Roll, já que é uma bicicleta mais exigente, lenta e limitada, mas para este tipo de volta mais plana adapta-se minimamente. Curiosamente, na versão carreto livre consegue ser mais confortável do que a Allez. A volta correu melhor do que estava à espera, tanto que no centro de Ponta Delgada recusei boleia, já que ainda estava perfeitamente disponível para fazer os restantes quilómetros que me separavam do ponto de partida.
Agora tenho de fazer o percurso neste sentido com a bicicleta de estrada, para verificar as diferenças de forma mais concreta, tanto do percurso como da bicicleta… Ou então isso não passa de uma desculpa para voltar ao lado Oeste da Ilha…

 

roll_mosteiros.jpg

Espiral de pedaladas

Nos últimos tempos, as minhas saídas de bicicleta tiveram como denominadores comuns o facto de serem algo irregulares, começarem tarde e serem essencialmente curtas. Este ano tenho vindo a alterar isso e a tirar outro prazer das distâncias e dos meus passeios em geral. Tenho-me proposto uma série de desafios, que para alguns pouco representam, mas que para mim, e há poucos meses atrás, estariam completamente fora de questão. A este facto, também não será alheio o meu regresso a um blogue temático, já que uma coisa leva à outra…

RAP – Rimas a Pedais

Sou eclético e tolerante, o que se reflete na minha relação com as bicicletas, com a música, com tudo. Desde novo ganhei um gosto especial pelas sonoridades mais pesadas e agressivas – Metal, mas a diversidade que abranjo é cada vez maior. Assim, e mais recentemente, descobri o rap e o hip-hop, já que fiquei fascinado com a capacidade de escrever e debitar rimas dos MC’s. Histórias de vida, reais, duras ou não, contadas a rimar com muita competência, acompanhadas pela batida certa. Isso fez-me querer experimentar este tipo de escrita, completamente nova para mim, já que sempre a encarei com algum preconceito. Algumas experiências incluíram bicicletas. Acho presunçoso falar em poemas, são apenas rimas. No caso, rimas a pedais!


Bikes & Rimas

Trato por tu as ruas de PDL
Percorro-as a pedais
Com as minhas bikes
Tal como o faço em muitas outras na ilha de S. Miguel

É um estilo de vida
É um prazer
É uma liberdade única
Do melhor que se pode fazer

O trânsito, eu contorno
As filas, eu não componho
Chego rápido a todo o lado
Pela mão ou montado

Estacionar não é dor de cabeça
Prendo-a a um poste ou a um U invertido
A sério, sinto-me tão bem
É libertador e divertido

Ela leva-me ao mar
Vou à minha sessão de exercício
Ela leva-me sem parar
Pedalar é mesmo um vício

Nos CTT deixa correspondência
Na bagageira um saco de 5kg de aveia
A trepidar na habitual cadência
Lá vou eu com ela, de alma cheia

Máxima economia
Zero poluição
A bicicleta vai onde quero
Apenas gasta calorias
Está só do nosso lado a limitação

Seja ela qual for
É o veículo mais amigo
Simples e divertido
É com ela que quero ir ao meu lugar preferido

Rodas e pedais
Aqui está a receita para os teus males
Sim, não duvides
Estes são analgésicos reais

Quero pedalar para sempre
Quero pedalar em todo o lado
Quero ter as minhas companheiras de ferro
Sempre, sempre, ao meu lado!

De bike, yeah!

Pego na minha bike
Deixo-me levar por ela
Nas redes dava-lhe um like
É ela se que revela

Sigo a um ritmo rápido
Para trás vejo tudo distante
Esta cena é um bom hábito
Quem a inventou foi brilhante

A tentar fazer sentido
Com os pedais eu me amanho
Mas para tirar real partido
Não tens de seguir o rebanho

Comprar uma é valor seguro
Andar nela é motivo de orgulho
Usufruir de uma nova dinâmica
Agora com visão panorâmica

Meter rotações nos pedais
Definir a cadência a imprimir
Não é preciso nada de mais
Basta pedalar e partir

É uma forma de viver
É o que mais gosto de fazer
É um estilo de vida
É a minha melhor saída.

Roupa para andar de bicicleta

Não existe roupa para andar de bicicleta. Ou melhor, existe, mas para andar de bicicleta não é obrigatório vesti-la!
Depende muito do que se faz e como se faz. Gosto de andar da forma mais simples possível, o que para mim também é a mais confortável, embora este conceito seja subjetivo. E até podem existir peças obrigatórias dependendo das voltas e da bicicleta em uso, mas nada de muita exuberância e excessos.
Nas minhas deslocações diárias uso sempre e apenas roupa normal. Não uso capacete. Aliás, não há nada obrigatório, mas, curiosamente, costumo usar óculos de sol, mesmo que o sol não se faça sentir. Na altura do ano mais instável, um casaco prático que possua caraterísticas corta-vento e impermeáveis pode dar jeito. Como praticamente todos os que uso têm estas caraterísticas não tenho com que me preocupar. Prefiro estar sempre mais fresco, pois a pedalar é normal que a temperatura corporal suba.
Nas minhas voltas ao fim de semana, com bicicleta de estrada ou de BTT, o capacete, as luvas, os óculos, a roupa de licra e os sapatos de encaixe são obrigatórios. Mas fico-me por aqui. Mais uma vez a simplicidade e a leveza a imperar. Não gosto de peças como golas/lenços, corta-ventos, impermeáveis e coisas do género. Só uso em situações muito específicas ou extremas. Prefiro passar um pouco de frio e até apanhar chuva do que andar incomodado. Em voltas mais intensas, a temperatura sobe e surge a transpiração, o calor e as comichões. Eh pá não, antes frio! Para além disso, estas peças incomodam-me ao nível da liberdade de movimentos. Ainda a este nível, é muito raro usar as pernas completamente tapadas. Não vou negar que pontualmente, certos equipamentos poderiam ser úteis, mas tenho conseguido passar bem sem eles.
Nos meus passeios em família junto um pouco dos dois mundos. O ritmo e a atitude são diferentes e reina a descontração. Assim, combino roupa normal com roupa técnica, sem grande critério.
Como em tudo, cada um deve fazer aquilo que lhe for mais conveniente, seja vestir-se todo de licra, seja manter as calças de ganga. Triste é apontar o dedo aos outros por não estarem devidamente vestidos para andarem de bicicleta ou não pedalarem com a desculpa de não terem a roupa adequada!


Mascarade
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
No outre dia, e atençã tava um bele dia, vi alguém a andá de bcecléte...
E o que é qu'isse interessa? - perguntim vocezes!
E ê pergunte: Já tames no carnaval?
E vocezes perguntim: Porquié?
E ê responde: É porque esse alguém ia mascarade...
Ma tã mascarade que até fiquê tode arregalade!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

E com esta fui arrumado!

Como não será de estranhar, muitas das minhas conversas metem bicicletas pelo meio. Quando falo com pessoas minimamente entendidas, interessadas ou simplesmente curiosas, até dá gosto, mas existem outras para as quais tenho cada vez menos pedalada..., paciência, queria dizer. É uma clara perda de tempo e sou invariavelmente tomado por aquela sensação de estar a ser um grande parvo!
Mas por outro lado, é uma forma de ouvir tiradas únicas.
Certa vez, em que me era dirigido um discurso carregado de desculpas e preconceitos sobre andar de bicicleta, e enquanto pensava que pior do que tinha ouvido até então seria impossível, o meu interlocutor conclui com a espetacular frase - "Não gosto de me cansar!" 
Respondi-lhe com o meu profundo silêncio...
E com esta fui arrumado!


Desapega-te!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Isse sai-me cada sainhas!
- Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique com dôs no rabim e nas perninas!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique com dôs nos bracins e nas mãzinhas!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique munte cansadim e nã goste de me cansá!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique chê de fraqueza!
- Ouh, pára aí... Já acabaste?
Entã desapega-te daqui pra foura!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Volta ao concelho de Ponta Delgada

allez_relva.jpg

 

A última vez que fiz esta volta apanhei o percurso que vai entre Mosteiros e João Bom em obras, com a parte ainda asfaltada muito suja e esburacada e outra em gravilha, muito pouco adequada aos pneus finos e duros de uma bicicleta de estrada. Para além do desconforto, ainda deu para apanhar um susto ou outro, numa reta a descer, onde a gravilha apresentava maior altura. Não passou disso, mas decidi logo ali que só voltava quando tivessem a estrada composta.
Soube recentemente que já estava asfaltada e então ontem foi dia de fazer esta tão conhecida volta. Sendo que a minha versão é um bocadinho mais esticada ao centro. Seja como for, é sempre uma forma de aferir a minha forma, seja pelo tempo a realizar, seja pela forma como o corpo reage, durante e depois. E sobretudo, pelo desafio e pelo prazer de fazer algo de que gosto tanto.

 

allez_escalvado.jpg

 

Prima por ser uma volta essencialmente plana, embora por aqui, o conceito de plano não seja bem igual ao de outras paragens. O Facto, é que não há nem grandes subidas nem grandes descidas, principalmente na minha versão. Além disso é relativamente longa. Isso para mim não é necessariamente bom! Não sou grande rolador e começo a ficar maçado com alguma facilidade. Mói, portanto, prefiro que haja mais desníveis e variações. Mas também não é por isso que a deixo de fazer.
O tempo estava bom para a prática do ciclismo, embora se fizesse sentir um vento incomodativo em algumas zonas. Mas nada de mais. Se calhar já eram as minhas pernas a falar mais alto e a reagir mal à mais pequena contrariedade, já que comecei com elas cansadas e doridas, fruto de umas “invenções” dos dias antes.
Mas correu tudo bem, que é o que interessa. Até agendei mentalmente novas edições. Está em falta uma volta, neste figurino, no sentido Norte/Sul e outra com a minha bicicleta sem mudanças. Se calhar vou juntar as duas numa só…

invade.

invade_classic.jpg

 

Esta é a segunda fotografia que tiro neste local. A mesma bicicleta. Órbita Classic. As mesmas letras gordas no chão. O mesmo mar. O meu mar. Portas do Mar. O céu limpo a provar que nos Açores não está sempre a chover. Um dia de verão mais fresco. O cenário perfeito para a celebração da decisão de ter incluindo a bicicleta na minha rotina diária. A minha melhor rotina. Uma invasão de liberdade e prazer.

As bicicletas e a escrita

Pronto, domingo passado não fui andar de bicicleta, por um bom motivo é certo, mas certo é também o facto de isso ter-me influenciado negativamente ao nível da regularidade da escrita. Está tudo interligado, não é novidade. Estou farto de saber que quanto menos leio, escrevo e ando de bicicleta, menos escrevo! Bom, na verdade, se a temática abordada não for a bicicleta, se calhar não tem assim tanta influência, mas se é, até posso andar porque se forem voltas pouco relevantes e repetitivas, as palavras podem ficar pelo caminho. Isso revela a importância que as bicicletas têm na minha vida. Ou não fossem sobejamente conhecidas as suas qualidades terapêuticas. Reflexão, ânimo, motivação, boa disposição e inspiração, que vão fazer fluir a prática específica, tal como outras vertentes. A escrita é uma delas!

Bicicleta = Oportunidade!

As bicicletas têm sido um tema muito em voga ultimamente e pelas piores razões. Têm andado no centro de uma discussão que nem sequer deveria existir.
Começou em 2014 com a última revisão do Código de Estrada e ganhou novo alento recentemente com uma questão presente no documento da ANSR - PENSE2020 – onde se propõe estudar a obrigatoriedade de uso do capacete pelos utilizadores das bicicletas!

Não quero falar sobre capacetes, mas fica já a minha opinião sobre o seu uso obrigatório – Não, obrigado!

O facto, é que a discussão se acende, as posições extremam-se e, não tarda nada, passamos a ser vistos como os grandes inimigos na circulação viária! O que é curioso, quando um dos pontos chave da revisão do C.E. em 2014 foi a introdução do conceito de utilizador vulnerável das vias públicas, atribuído aos peões e aos utilizadores das bicicletas!
Integrar os utilizadores das bicicletas no grupo dos “vulneráveis” não foi nenhum direito atribuído, foi apenas a inclusão num grupo a que realmente pertencem! É aquilo que são! Pouco impacto físico, velocidade reduzida, pouca capacidade destrutiva!

E o que foi que muitos defensores do automóvel se lembraram?
Que se calhar era boa ideia retrocedermos uns bons anos de evolução e equilibrar estes fantásticos direitos, entregues assim de mão beijada, com alguns deveres. Entre eles: Capacete obrigatório; seguro obrigatório; registo de propriedade e matrícula!
Sentiram-se tão ameaçados que começaram a disparar em todas as direções, quando o que se pedia (e pede) da sua parte é que apenas tenham em conta que existem outros utilizadores das vias, mais sujeitos do que quem está dentro de um veículo automóvel, e que convém ter mais atenção e alguma paciência com eles. O que na prática significa respeitar os limites de velocidade, distâncias e prioridades. Nada de extraordinário.

E porque é que se foram lembrar assim de repente das bicicletas?
Não foi assim de repente. Os sinais chegam-nos de toda a parte. O modelo de mobilidade rodoviária presente das nossas cidades está obsoleto e não é sustentável. Não é sustentável como modelo de circulação, nem é sustentável ao nível ambiental. Escusado se exigir mais e melhores estradas, mais estacionamentos, mais facilidades para a circulação automóvel, porque é apenas uma questão de tempo (algumas vezes muito pouco!) até estar tudo na mesma outra vez. Mais automóveis virão sempre, e com eles, congestionamento e a degradação da qualidade de vida e do ambiente!

Já repararam no tempo que se perde diariamente em filas de trânsito?
Já reparam no stress e na irritabilidade que se ganha?
Já repararam na qualidade do ar que se respira nas cidades?
Acham mesmo que é algo necessário e inevitável?
Por quando tempo acham que podemos aguentar algo que grita ser insustentável?

É por isso que surge uma visão renovada da bicicleta, que a encara como um meio de transporte simples e eficaz, e que pode muito bem fazer parte da solução deste problema! Aliás, como o demonstram, há muito tempo, diversos países do Norte da Europa, por exemplo. É por isso que se alterou legislação dando-lhes espaço nas vias, é por isso que se está a criar estruturas que facilitem a sua circulação, é por isso que não faz sentido estar a impor os embaraços sugeridos, e que pelo contrário se incentive e motive a sua utilização da forma mais livre e natural possível!

Para quem não tem outra perspetiva de mobilidade, para além da que assenta no automóvel e no comodismo (modelo vigente), e faz a sua vida depender disso, é normal que encare a partilha das vias de circulação com as bicicletas como algo negativo e dificilmente compreenderá como, atualmente, a bicicleta tenha adquirido o estatuto de oportunidade única, ao nível da mobilidade, da saúde, da qualidade de vida e do ambiente!

Vou ou não vou pedalar?

Considerando que me cruzei hoje com alguém que fazia o seu treino matinal de bicicleta.

Gabo quem tem objetivos concretos, exequíveis e bem definidos;
Gabo quem demonstra força e determinação para concretizar estes objetivos;
Gabo quem contorna as resistências e dificuldades e mete em prática o seu plano de ação;
Gabo quem avança em vez de procrastinar;
Gabo quem não se deixa levar pela preguiça, pelo apelo da cama ou do sofá;
Gabo quem se auto motiva;
Gabo quem prefere agir em vez de arranjar desculpas para não o fazer.

Por mais que se goste de andar de bicicleta, o que só por si atenua e relativiza muitas dificuldades e consequente esforço, é preciso empreender uma atitude positiva e decidida, que nos faça pegar na bicicleta e sair de casa. Ou mesmo não saindo, saltar para cima dela, estática, para mais um treino no rolo, por mais entediante que seja.
Por outro lado, lamento que falhe, tantas vezes, em todas estas questões que gabo, tanto nas bicicletas, como em outras áreas da minha vida!
Digo que gostava de pedalar noutros dias e não apenas aos domingos, que queria sair mais vezes, mesmo que para voltas mais curtas. Mas depois penso que:

Não tenho necessidade por já ter treinado! (desculpa);
Não tenho objetivos de fundo para o fazer! (desculpa);
Que estou cansado! (desculpa);
Mesmo que tivesse objetivos, a minha bicicleta tem muitas limitações! (desculpa);
E que não tenho tempo! (o típico e velho argumento da falta de tempo – DESCULPA, com letra maiúscula).

Digo que queria, digo que gostava, mas isso não é verdade. Ou não é totalmente verdade, porque se assim fosse, fazia-o!
Posso não ter objetivos competitivos, posso não ter a melhor bicicleta, posso estar cansado e aborrecido, posso ter limitações pessoais, temporais, logísticas e familiares. Mas, quem não as tem?
É mais fácil deixar-nos levar pela apatia, pela preguiça e pelo comodismo!
E isso serve para tudo, para quem quer sair para treinar, para simplesmente dar um passeio relaxado ou até deslocar-se de bicicleta para a escola ou local de trabalho.

Prioridades!
Quem realmente quer pedalar, pedala.
Quem não quer pedalar, arranja desculpas!

Furnas – Sul/Norte

Era uma volta que já queria fazer há algum tempo. Sabia que seria mais dura e longa do que estou habituado, mas isso não foi impedimento para a concretizar hoje. O tempo não poderia ter estado melhor, o que tornou o passeio ainda mais agradável.

allez_lagoa.jpg

 

Não há grande história para contar, basicamente foram algumas horas a pedalar, ora com mais, ora com menos dificuldade. E no fim o resultado que se espera, um misto de satisfação e cansaço, e aquela sensação de dever cumprido.

allez_3bicas.jpg

 

Agora fica a faltar a subida ao Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo pelo mesmo sentido…

“Motor” atestado para pedalar

Comida pa pedalá!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Entã é uma fatia grossa de massa sovada com mantêga e um cope de lête de vaca. Cru!
Vocezes sabim lá o que é isse? Vocezes metim é pózins de bouiã num copim com água... Bananas!
Por falá em bananas, que fruta pa dá força, crêde!
Tenhe de comprá bananas...
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.
Doutô Bcecléte: Alter-ego do Zabela, um especialista (não credenciado) em bicicletas.


Depois de ler esta “esclarecedora” publicação do Doutô Bcecléte tenho prestado mais atenção à alimentação, antes, durante e depois de pedalar, principalmente durante, a altura que mais descurava.
De facto, hidratação e alimentação durante as nossas pedaladas não é algo que se deva ignorar, sendo que a sua importância aumenta na mesma proporção da exigência, regularidade e distância, destas mesmas pedaladas.
Pedalar para mim é um prazer e mais uma oportunidade de me manter em forma. Nunca pedalei com propósitos de emagrecimento, mas entre quem o faz, e não querendo generalizar, há uma certa ideia de que quanto mais debilitarmos o corpo melhor, quando deveria ser precisamente o contrário, para se conseguir atingir os níveis ideais de rendimento e equilíbrio. Um corpo ativo, bem hidratado e alimentado vai responder melhor às solicitações físicas, o que levará a melhores e mais rápidos resultados.
O que não faltam são opções neste campo, mas para a hidratação a água será sempre a base e para a alimentação a conjugação certa de alimentos ricos em hidratos (simples e complexos), proteínas e gorduras.
A bicicleta anda com a nossa energia (trabalho de força e movimento exercido nos pedais), portanto, o nosso corpo assume a posição de motor. Assim, precisa de combustível de qualidade e em quantidade necessária para funcionar à altura do que lhe é exigido.
Se calhar esta analogia não é a mais consensual, já que nos remete para o ramo automóvel, mas aqui estamos a falar só de eficiência e ganhos: Gasto de calorias, tonificação muscular e zero emissões de gases poluentes.

Bicicleta emprestada…

Não gosto de emprestar coisas, nem gosto de ter coisas emprestadas. O verdadeiro valor das coisas é aquele que lhes quisermos dar, mas é sempre complicado, pelo menos para mim, lidar com as coisas dos outros e não saber bem como os outros lidam com as minhas coisas.
Emprestar uma bicicleta é ainda mais complicado!
Não considerando aqueles empréstimos momentâneos para dar uma “voltinha”, já tive por duas vezes bicicletas emprestadas, exatamente bicicletas de teste de uma loja e só fiquei realmente descansado quando as entreguei tal e qual como me foram entregues dias antes. Até porque eram bicicletas, que pelos valores envolvidos, dificilmente poderia ter, e os azares acontecem!
Não foi o caso. Apesar da apreensão e do cuidado extra, não deixei de tirar partido e estas acabaram por ser experiências muito significativas, sendo que o relato da mais relevante pode ser lido aqui.
Foi exatamente este teste que me levou a comprar mais tarde a minha bicicleta de estrada, mesmo que fosse muito diferente daquela que tive possibilidade de experimentar. O facto é que fiquei adepto desta outra vertente do ciclismo, numa altura em que só conhecia BTT.
Mas houveram algumas outras situações em que me foram colocadas bicicletas à disposição e que por falta de à vontade preferi não aceder.
Com a disponibilidade para me emprestarem uma bicicleta até não é muito difícil lidar, basta agradecer de forma simpática, agora confrontado com um pedido de empréstimo, se calhar teria de usar a mesma estratégia que um “amigo” usou quando foi abordado neste sentido por um primo emigrado.

 

Imprestá a besuga?
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tive cá mê prime Artur, um calafã que vê d'Ámerca.
- Eh cousin, tens uma bike bim nice! Imprestas p'ê dá uns rides p'la cedade?
- Nã percebi! Já sabes qu'ê nã fale amaricane!
- Ême, a tua bcecléte, imprestas?
- Ouh, tenhe qui m'imbora, té logue!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

A tradição ainda é o que era!

LFogo Allez.jpg


Para alguns e algumas que andam de bicicleta, o primeiro dia do ano significa subir o Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo.
Bom, para não ser apanhado em alguma incoerência digo já que, para mim, esta é uma tradição sem muita tradição, já que é a apenas a segunda vez que faço esta subida neste dia.
Não fazia muito sentido ir lá baixo ao encontro do grupo que vinha fazer a subida e arranquei diretamente de cá de cima, lá para cima!
Fazer a subida, sozinho, é ainda mais difícil psicologicamente, mas por outro lado temos muito tempo para pensar e falar connosco próprios. Aliás, muito do que estão a ler neste momento, advém do que idealizava escrever enquanto carregava forte nos pedais.
Para destabilizar um pouco, pelo caminho, lembrei-me que o corta-vento (útil para a descida) tinha ficado esquecido em casa e um olhar lá para o alto indicava nevoeiro. E eu de óculos escuros na cara! Passou-me pela cabeça que se calhar era melhor ir até à Gorreana…
Não, vamos é para cima!
Paragem para a foto que ilustra este texto, mudança mais leve engrenada e toca a subir.
É sempre difícil, mesmo em alturas que já estive em melhor forma, mas lá fui com calma, pedalada atrás de pedalada, enquanto superava os segmentos do percurso que marcava visualmente e geria os meus pensamentos e monólogos.
Cruzei-me com alguns colegas que já vinham a descer. Cercado pelo branco do nevoeiro, sentindo ocasionalmente o ar fresco do vento, já próximo do topo, mas com ainda bastante inclinação para vencer, ouvir coisas banais como «bom dia!», «está quase!», «bom ano!» e «força!» é como tomar uma espécie de gel energético para a determinação.
Metade estava feito, nem parei, ou melhor parei já a descer para meter os óculos (escuros e embaciados?!) na cara. Lagoa aqui vamos nós, sem ver a ponta de um corno!
Descida interminável esta…
Acho que preferi subir ou então estou a sofrer de memória curta!
Já a rolar cá em baixo tinha as pernas tão frias que era como se estivesse a sair de casa novamente, com a agravante de estar substancialmente mais frio, moído, molhado e sujo!
Bastante sujo para quem apenas percorreu estrada! Mas nada que um banho de mar não lavasse…
Está feito!

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