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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 1)

granfondo_acao.jpg
Imagem: Seg-mento Bike Team

 

Uma vez que nunca serei um atleta a pedalar as minhas bicicletas, pelo menos vou tentar ser um “atleta” a relatar a minha “prova” efetivamente. A escrever posso ser o que quiser. Este relato é apenas a minha perspetiva. Posso pontualmente fazer uso do humor e da ironia, mas qualquer semelhança com a realidade não é necessariamente pura coincidência. Faço referência a outros intervenientes que optei por não identificar exatamente, porque uns gostam, outros não gostam, uns levam na boa, outros a mal, e não tenho paciência para mal-entendidos.

Esclarecimentos feitos. Bicicleta montada. Sapatos encaixados. Vamos a isso!

Acordei cedo, nem precisei do despertador e logo tratei de aliviar cenas internas… muita informação? Pois. Bom, pequeno-almoço reforçado, juntar as tralhas todas e instalar a bicicleta no suporte do carro. Chegamos cedo ao local onde estava sediado o evento e de onde se daria a partida. Estava calmo, apenas um pouco apreensivo pela novidade. Depois de calçar os sapatos e as capas, e meter o capacete, uma breve volta na bicicleta para as verificações finais e então ocupar um lugar na “caixa” (eu sei que é “box”, mas não gosto de estrangeirismos!) a aguardar a largada. Os primeiros quilómetros foram controlados e serviam como aquecimento, mas logo aí vi que se calhar o melhor que tinha a fazer era juntar-me ao entrosado quarteto que, entretanto, passava por mim. E foi com eles que segui, sempre sob as instruções do chefe de fila, que vigorosamente, ora verbalizava, ora gesticulava estratégias. A nós juntou-se um outro colega. O ritmo não era modesto, tanto que alguém do grupo disse algo do género, «a esse ritmo vamos é fazer o Medio!» Devia estar adivinhando.
Já a subida da Vista do Rei ia longa, sob excelentes condições atmosféricas, quando me descolei do grupo, já que o andamento perdeu alguma consistência, tendo seguido no encalço do outro colega que já o tinha feito. - Ah, uma pequena nota: não é boa ideia comer uma barra compacta e viscosa enquanto se faz uma subida que exige todos os orifícios disponíveis para manter o fluxo de ar necessário! - Só o apanhei depois do miradouro, que nem vi, tal era a visibilidade. - Alguém no decorrer da subida falou em fotografias?! - Canário aqui vamos nós e aquilo nada de acabar. As placas informativas disponibilizadas pela organização ainda chateavam mais. Atenção, eram úteis, mas ao mesmo tempo cruéis, obrigando-nos a constatar o quão rápido íamos. Ia sempre a reclamar, até porque daquele local tenho muito poucas referências, quando o meu companheiro diz: «Rui, falta 1km.» Boa, vamos descer! - pensei eu...
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – De Granfondo a Mediofondo!

Devido às más condições atmosféricas, a organização viu-se obrigada a cancelar a distância maior, fazendo com que todos os participantes fizessem apenas os 85km da meia distância. Inicialmente e perante esta possibilidade fiquei algo dececionado, mas mais tarde e tendo em conta as condições adversas que se faziam sentir, julgo que foi uma opção sensata. Os 143km e o valor acumulado de 2600m, em contexto de evento desportivo com tempo favorável, já imponham bastante respeito, portanto não é difícil perceber como seria nestas condições. E mesmo por questões de segurança! Claro que fiquei sem saber se o ritmo e a gestão do esforço que vinha a fazer até então seriam condizentes ou não com o percurso grande? Como também não consegui perceber se estaria minimamente preparado para um desafio desta dimensão? Aferições para fazer noutras edições, já que espero que seja um evento a replicar. Agora que ninguém me ouve (lê) - este cancelamento, se calhar, veio mesmo em boa hora…

Azores Challenge Granfondo – A preparação!

Na sexta-feira, logo de manhã, estava na loja Shaker para confirmar a minha presença e levantar a minha placa numérica. Apesar de ouvir vozes neste sentido, nunca me passou pela cabeça não comparecer à partida, por causa das condições climatéricas que se previam adversas. Compromisso assumido é para cumprir, salvo motivo de força maior! Não era o caso.

 

dorsal.jpg

 
De preparação física estávamos conversados, tal como mencionei no texto anterior. Tenho apenas a acrescentar que na semana que precedeu o evento fiz treino localizado de pernas um dia, pedalei no rolo outro e descansei os restantes.
Estava mais preocupado com a logística e com as previsões meteorológicas?! Gosto desta logística que antecede as provas, mesmo que não haja muito a preparar. E gosto de pensá-la com calma e pôr-lhe em prática com antecedência. Já que tudo indicava estar de chuva (e vento!) achei que ia precisar de umas capas para os sapatos, que não estavam a ser fáceis de encontrar. Contraditoriamente, acabei por encontrá-las à última da hora e por preço de saldo. Sorte!

 

capas_shimano.jpg


Depois era o impermeável - Levo ou não levo? Não me dou bem com impermeáveis nem corta-ventos, mas pelo sim pelo não, levei. Não fez falta nenhuma, já que só o vesti para o almoço…
Também montei as luzes, não que fosse circular de noite (seria muito mau sinal!), mas a presença do nevoeiro era quase certa.
Entre isso tudo, mais o relógio, as barras proteicas, os óculos amarelos, o telemóvel, os lenços de papel, as “ferramentas”, entre outras coisas, e ia-me esquecendo da garrafa atrás. Caramba!
A bicicleta estava preparada há vários dias, bastou retificar a pressão dos pneus para os habituais 115 Psi.

Objetivo Granfondo

Participo pouco em eventos ciclísticos organizados. Pouco disponível para o compromisso, prefiro fazer as coisas de uma forma mais livre e descontraída, seguindo simplesmente a minha vontade.
Admito que com esta postura perco algumas oportunidades, não conseguindo beneficiar da envolvência, convívio, ambiente e novos percursos que alguns eventos oferecem.
Ouço muitas vezes colegas dizerem que são da estrada, que só fazem estrada, e eu, que sempre fui do BTT, também ando cada vez mais sobre o alcatrão, por força das circunstâncias.
Tenho a minha bicicleta de sonho (pena que os sonhos tendem a crescer à maneira que vão sendo concretizados!), que me dá um maior à vontade para outros voos, que é como quem diz, maiores distâncias e mais horas a pedalar.
Considerando tudo isso, resolvi inscrever-me no Azores Challenge Granfondo. Inicialmente a ideia era fazer a meia distância, para a qual levaria a minha Allez Steel. Depois ponderei e já que era para fazer, era para fazer em grande. Aqui a escolha recaiu na óbvia Roubaix.
Fiz a inscrição há cerca de um mês atrás e resumi mentalmente um plano para estar minimamente preparado. Basicamente consistia em andar de bicicleta com mais frequência e dar mais atenção às pernas na minha rotina de exercícios localizados. Depois de uma semana a correr bem, tive quase duas a padecer de uma constipação que parecia ter vindo com vontade de ficar.
Mesmo com este cenário menos favorável, tentei não perder o foco e pensar positivo. E de facto quando se tem um objetivo, coisas que até agora não faziam sentido passam a fazer. Perante as circunstâncias até recorri ao rolo de treino, coisa de que não gosto especialmente. Esta pseudopreparação tem como fim básico que as memórias desse evento sejam mais do que apenas o sacrifício!
Quero recordar esta minha participação pela singularidade de pedalar juntamente com mais de duas centenas de ciclistas, pelo companheirismo e entrosamento que possa eventualmente haver com alguns deles, pelas diferentes circunstâncias de rolar em estradas que individualmente não são propriamente novidade para mim, pela superação pessoal e boa gestão do esforço. Recordar que soube simplesmente aproveitar o momento…

Cumprimento ciclista!

Tenho por hábito cumprimentar os ciclistas com quem me cruzo. Acho que é um hábito simpático, solidário e cordial. Uma forma de reconhecer quem, tal como nós, faz uso da bicicleta, independentemente do seu fim.
De bicicleta temos uma capacidade de observação e contacto superiores, comparando com outros veículos (motorizados). Isso porque a velocidade é mais reduzida e não existe nenhuma estrutura à nossa volta.
Por norma o meu cumprimento é retribuído. Até há quem se antecipe ao mesmo. Outros há, que, ou veem mal, ou seguem num nível de distração para lá do elevado, ou simplesmente não estão para aí virados. E estão no seu direito. Mas será que custa assim tanto um simples movimento com a mão ou com a cabeça, ou desejar um bom dia?

Resumo da última semana…

 

Andar de bicicleta, nada! Constipação, mau tempo. Para pedalar qualquer coisa tive de recorrer ao rolo durante o fim de semana. Digamos que tenho tentado fazer as pazes, já que o rolo não é uma atividade que me entusiasme por aí além.

*“Tá fresquim!
Ma que o tempe já tá fresquim...
Isse já qué vesti uma suéra de manhã e à noutchinha.
Daqui pá frent é acátelá, senã um hôme num instante apanha um vent'incanade e fica constepade!"

Não necessariamente assim, mas aconteceu e tem persistido. E eu a ver os dias passar e o Azores Challenge Granfondo a chegar!

*“Dure c'mó açe
Às vezes gostava de sê de ferre c'má besuga.
Nã apanhá fri, nim ficá doente.
Péra aí, se calhá nã...
É que ódepous um hôme levava uma pancada d'água e ficava chê de ferruge!”

Se isso me tem afetado? Não, claro que não...
Tem e não é pouco. Tem, porque limita-me para além de todas as minhas outras normais limitações. E tudo o que implique limitação para andar de bicicleta e demais atividades físicas chateia-me um bocadinho!
E o Granfondo? O Granfondo vai ser um belo desafio. Belo? Se calhar não foi o melhor adjetivo, mas desafio será com certeza. Objetivo? Desfrutar e chegar ao fim em cima da bicicleta, com a capacidade de esboçar um sorriso, sinónimo de satisfação e superação. Estou a aguardar com a toda a serenidade possível.

*“A besuga tamam avareia
A besuga avareiou, grande corisca!
Ma tamam nã fou nada de maió.
Levou graxa pra dentre, um aperto e tá a andá com'uma linda.”

Também aconteceu e era bom que fosse assim tão fácil e económico!
Chão molhado debaixo da BTT. «Mas de onde veio esta água? Isso não é água! Isso é óleo!» Caramba, já é a segunda vez que o amortecedor me prega uma destas! Esta bicicleta é simultaneamente a que menos anda, a que dá mais despesa e a que mais chateia… Se calhar por ser a que menos anda! Não sei. Seja como for, tecnologias, bah…

*Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Ação e inação, voluntária e involuntária.

Em cima da minha bicicleta (e também fora dela) estou-me um bocado nas tintas para o que os outros pensam de mim e das minhas atitudes. A minha postura é normalmente consciente e pouco competitiva. Acho que cada um deve pedalar como quer ou pode, com a bicicleta que quer ou pode ter. Logo que seja cumprido o Código da Estrada e assegurada a nossa segurança e a dos restantes utilizadores existe margem para se encarar as bicicletas e o ciclismo como mais convier.
Mas também erro. Não nego que os despiques amigáveis até têm a sua graça e nas poucas oportunidades que tenho até alinho nos mesmos. Já aquilo que considero serem provocações desnecessárias evito. Não foi o caso e por duas vezes. Reações inconscientes da minha parte que tiveram tanto de parvas como de infantis. Não vai voltar a acontecer. A sabedoria popular arranjou expressões para cobrir uma série de situações, inclusive antagónicas. Neste caso, em vez de «não há duas sem três» prefiro evocar «o frade não leva três em capelo».

Escrevo de nariz tapado, com respetivo pingo, garganta irritada, cabeça pesada e algo abatido. Depois de duas noites mal dormidas. E razoavelmente frustrado. Primeiro, porque inscrevi-me recentemente no Azores Challenge Granfondo e fui obrigado a interromper as minhas pedaladas para fazer face a este desafio. Segundo, porque este fim de semana fartei-me de ver gente a pedalar e eu seguia ao volante do carro quando o que queria era estar aos comandos da bicicleta.
Sim, não é mais do que uma normal constipação associada à mudança de estação, mas que vem em má altura. Péssima! Sendo que no meu caso, mais do que o seu agravamento, o problema costuma ser a sua persistência. Claro que a primeira reação foi a de sentir-me um coitadinho num mundo que se virou literalmente contra mim. «É sempre a mesma coisa. Nunca participo em nada, mas agora que me inscrevi e começo a andar com mais regularidade com vista a ganhar alguma preparação, fico doente, e vai tudo por água abaixo!»
Claro que isso vai passar, mas até lá, e debilitado fisicamente, vivo o dilema – deixo de fazer exercício físico para não me debilitar ainda mais, mantenho ou reduzo a sua intensidade para não perder toda a forma, mesmo correndo o risco de arrastar a situação? Às vezes não é assim tão fácil perceber e o retorno de uma paragem forçada nem sempre é o esperado…
O meu plano de treinos simplesmente não existe, mas espero estar recuperado o mais depressa possível para voltar aos pedais e estar minimamente apto para percorrer os 143km do Granfondo e os desafiantes desníveis que o mesmo apresenta, e isso já no final desde mês (dia 28).

Povoação

Ainda não eram oito da manhã e já conduzia a Roubaix pela mão porta fora. Em dia de eleições tinha programada uma ida à Vila da Povoação.
Comecei o dia com um robusto pequeno-almoço para estar minimamente preparado para o passeio que tinha pela frente. Tudo indicava ser este mais um excelente dia de outono. Céu azul, pouco vento e, a partir de uma certa hora, calor quanto baste.

 

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Optei pela via norte e até às Furnas tudo normal, se se considerar normal a subida que nos leva à Mata Dr. Fraga! Mas vale pela descida das Pedras do Galego que dá sempre para arrefecer!
Para a Povoação, depois da subida inicial, a descida acaba por não ser das mais simpáticas por causa do piso irregular. Enquanto descia só pensava - “daqui a pouco vou-me lixar para subir isso tudo!”
Ia com a ideia de comer uma fofa, pois claro, mas parece que aos domingos de manhã não é fácil, pelo menos nos dois locais que entrei. Então acabei por optar por outra fonte de açúcar.

 

povoacao_roubaix2.jpg


Saí da vila a subir e a arrotar a mega bola de Berlim, com a ideia que se calhar, e na ausência das fofas da Povoação, devia ter feito o lanche à base de bolo lêvedo das Furnas…
A saída das Furnas foi feita pelo sul e não foi para ver a sua Lagoa porque vou sempre tão “satisfeito” naquela calçada que pouco olho para os lados, ansioso que a mesma acabe. Aquilo chocalha tanto que acho que até desfoca a visão!
Quando o suplício acaba e entramos no asfalto, que até parece almofadado, o conforto é logo esquecido a partir do momento em que o mesmo empina. Subida seguida de descida a abrir para Vila Franca do Campo.
Próximo desafio – Pisão. Sempre duro, quer se queira quer não! – Até rima.
Chegado a Ponta Delgada, nova escolha de percurso para rumar a norte. Optei pela “plana” e “consensual” Duarte Borges...
E foi isso.

Bicicletas de BTT XC

O meu regresso definitivo e ininterrupto às bicicletas está a fazer nove anos. Mesmo considerando a pequenez da nossa realidade, esta não deixa de refletir as tendências que se assiste a uma escala global no que toca às bicicletas de BTT XC.
Desde logo não haviam medidas de rodas para escolher. O tamanho padrão das rodas era só um – 26 polegadas. Depois chegaram as grandes 29 e as intermédias 27,5. Estas últimas, mesmo garantindo o melhor dos dois mundos, nunca se conseguiram impor verdadeiramente. Por seu lado, as 26 são cada vez mais raras, com exceção nas gamas baixas, portanto, a medida padrão neste momento é a maior - 29.
Haviam dúvidas, sim, na opção (semi) rígida ou suspensão total. Se quando comecei a despertar para este mundo as coisas andavam mais ou menos equilibradas, com o aparecimento de suspensões mais evoluídas, as FS começaram a aparecer em força, o que não iria manter-se por muito tempo com o aparecimento das rígidas super “light”. Radicalizou-se a geometria e o conceito.
O aparecimento das rodas 29, mesmo considerando um período inicial de desconfiança (pessoalmente, acreditei no seu valor desde o primeiro momento), veio revolucionar o meio. Ainda existem alguns resistentes, uns que apenas deram o passo mais curto (27,5), mas a maioria rendeu-se às rodas grandes.
No campo do amortecimento, depois da dimensão das rodas dispensar a sua existência na totalidade e compensar o seu menor curso, nova inversão de rumo, até para fazer face à crescente técnica e espetacularidade dos percursos XC, e à diferente atitude perante o radicalismo das bicicletas, que tornava a sua eficiência irregular e questionável. Palavras como “suavidade” e “conforto” estão agora mais próximas da ideia “andar muito”!
Hoje, assiste-se claramente à saudável conjugação das rodas grandes com evoluídas suspensões totais como uma das opções mais equilibradas e eficientes, pelo menos na maioria dos cenários. E das que se vêem mais. No entanto, as rígidas vão-se aguentando e continuam também a marcar forte presença.
Para além das rodas e da suspensão, atualmente ainda existem mais umas coisinhas para ponderar. Ou talvez não. Para quem privilegia a competição, e não só, já que apenas pode querer mais simplicidade, menos peso e manutenção ou apenas ter uma máquina igual às dos campeões, a opção prato único minimalista no pedaleiro a contrastar com uma monstruosa cassete acoplada à roda traseira é simplesmente obrigatória.
Eu ainda sou do tempo em que se fazia XC com uma Trail, do quadro em alumínio, das rodas pequenas, das suspensões com demasiado curso, dos pneus com câmara-de-ar, dos três pratos no pedaleiro, da cassete com menos de uma dezena de carretos e com o peso ali acima do conhecido número do azar…

BTT + BTT = BTT

Há muito tempo que a BTT foi relegada para segundo plano. De facto, a sua utilização tem sido residual e espaçada no tempo. Os motivos, advindos das sequelas de uma lesão e da falta de companhia, são óbvios, o que me levou à prática regular do ciclismo de estrada. Não obstante, o BTT (XC) é uma vertente do ciclismo entusiasmante de que gosto bastante.
Ocasionalmente surgem oportunidades para tirar a FSRxc do suporte e levar-lhe a cumprir a função para a qual foi concebida. Dentro das possibilidades vou aproveitando, e recentemente aconteceu isso mesmo. Traduziu-se numa jornada dupla de BTT. Nada de transcendente, mas deu para voltar a sentir aquelas sensações boas que só uma bicicleta na terra transmite, mesmo com alguma apreensão à mistura na presença das dificuldades, devido à falta de prática.
Claro que podia ter aproveitado duas grandes oportunidades em dois fins de semana seguidos para ser uma verdadeira barrigada de BTT, primeiro com o Azores Challenge MTB e depois com a Azores MTB Marathon, mas não. O compromisso e demais exigências naturais dos eventos competitivos organizados e a minha indisponibilidade perante os mesmos deixaram-me mais uma vez de fora, com tudo o que isso implica (se calhar tenho de ponderar esta atitude?!). Todas as outras limitações pessoais e materiais que existem, caso houvesse real vontade, não constituíam um obstáculo decisivo só por si.
Seja como for, a bicicleta foi para a terra (e para a estrada) em duas circunstâncias distintas, mas igualmente satisfatórias. Uma na companhia de quem começa agora a aventurar-se a um superior nível de pedaladas, outra na companhia de quem já anda nas lides desportivas há muito tempo, não necessariamente BTT.
Diverti-me antes, durante e depois. Antes, porque estive a mudar uns componentes na bicicleta, entre pneus e selim. Durante, por voltar a sentir o desafio e o prazer associados ao controlo da bicicleta perante os obstáculos. Depois, com a lavagem e a manutenção necessárias, que normalmente é parte obrigatória do pacote de quem faz BTT (sim, eu gosto disso!). E continua, já que faltaram as etapas finais da manutenção, para que ela possa repousar em condições até à próxima solicitação, que idealmente se espera que esteja para breve.

Pneu furado!

Hoje em dia tenho pneus e câmaras-de-ar sobresselentes em casa (nem sempre os que preciso, mas ok!) e é algo que monto e desmonto com alguma ligeireza e facilidade. Às vezes saem algumas asneiras, sendo que, não posicionar a corrente no carreto/prato mais pequenos (que dificulta sobremaneira a instalação da roda traseira) e montar o pneu no sentido inverso ao do rolamento, são as mais frequentes. Para além da falta de prática (não mudo assim tantas vezes de pneus), isso da bicicleta de rodas para o ar às vezes faz confusão! Mas também já aconteceu dar uma cavadela (fatal) na câmara-de-ar com o “desmonta” ou voltar a montar o pneu sem verificar se o objeto perfurante/cortante ainda lá estava… E estava!
Não deixam de ser situações pontuais, já que por norma as coisas até correm bem. Mas isso faz-me recuar uns anos atrás e lembrar-me do tempo em que era miúdo, quando um pneu furado era sinónimo de bicicleta encostada! Era uma realidade que associava o conhecimento empírico (limitado), as experiências (algumas desastrosas, mas que levavam a este conhecimento), as ferramentas desadequadas e de má qualidade, a dificuldade de acesso a peças sobresselentes e um pai que não estava para aí virado. Fazia-se o que se podia e o que se podia era pouco, mas o importante era manter a bicicleta a rolar o mais possível, mesmo que isso implicasse andar com ela cada vez mais escafiada!
Pior é pensar que ainda hoje isso acontece com algumas pessoas (adultas!), mesmo com tanta facilidade, acesso a serviços e informação disponível. Claro que nem todos gostam de bricolage e manutenção ou de andar a sujar as mãos de graxa na bicicleta, nem têm de ter jeito para o efeito, mas não faltam locais e gente experiente disponível para fazê-lo por nós, logo que estejamos dispostos a pagar por isso, e até há quem venha recolher a bicicleta avariada, evitando assim transtornos com a deslocação da mesma.
Voltando aos tempos de miúdo, outros havia, que para além de terem quem lhes mantivesse a bicicleta num brinco, ainda reciclavam as peças estragadas entretanto substituídas. No caso dos pneus, por exemplo, podiam dar uma brincadeira que consistia em conduzi-los. Uma variante do jogo do pneu com pneu de bicicleta. Um pneu usado, mais um pau ou dois, igual a algumas horas de entretenimento.
Hoje em dia, e bem, os pneus usados são reciclados e destinados a diversos fins que não este. Enquanto funcionais são-lhes exigido um nível de eficácia também diferente, até porque o seu rendimento e custo são outros, tal como os cuidados dos seus utilizadores. Ou pelo menos de alguns…

pneus.jpg

 

Jogue do pnerim
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Eh pá, bele jogue.
Consolava jogá ao pnerim.
Pegavas num pnerim de bcecléte, num pázim e vira...
Era dáie semp pra lá!
Péra aí, ê acho que nunca joguê ao jogue do pnerim?!
Nã interessa, ma consolava na mêma.
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Seg-mento Bike Team - Mascote!

A mais dinâmica equipa de ciclismo dos Açores - Seg-mento Bike Team tem uma nova mascote. Um trabalho artesanal muito curioso que não é mais do que a reinvenção das antigas e originais "Penny-farthing".

mascote_seg-mento.jpg
Imagem: Seg-mento Bike Team

No meio de tantas bicicletas impressionantes e possíveis de apreciar ao longo da última edição do Azores Challenge MTB, destacou-se esta peculiar bicicleta. Foi alvo de atenção, curiosidade e diversas voltinhas de teste.

Número ideal de bicicletas

Há quem tenha uma e esteja satisfeito (Será? Hum, acho que sim…). Há quem tenha duas, três, seis… e queira sempre mais uma!
Não deixa de ser uma questão pessoal e relativa. E de disponibilidade de espaço, já agora.
Mas qual é o número ideal de bicicletas para se ter?
Dizem, e eu corroboro, que é o número de bicicletas que já temos mais uma!
É certo que não vamos poder andar com elas todas ao mesmo tempo, quando muito, vamos andar com uma ou outra sempre que houver vontade, disponibilidade ou necessidade para isso…
Não tem de haver grandes justificações, mas até há quem tenha. A prática de modalidades diferentes, exigem bicicletas diferentes e a utilização da bicicleta como meio de transporte exige uma bicicleta mais simples, mas específica. Só aqui e considerando por exemplo a prática de BTT, ciclismo estrada mais as deslocações em cidade e já estamos a falar de pelo menos três bicicletas.
Há quem tenha uma, às vezes meia manhosa até, e faça tudo e mais umas botas com a mesma. Ainda no outro dia vi uma publicação que relatava a história de um japonês que, meio entediado com a lentidão do seu modo de viajar (backpacking a pé), comprou uma bicicleta (chaço!) por 10 dólares e fez-se à estrada com ela. Já são mais de vinte mil quilómetros e continua! Outros há, que podendo e querendo, dão-se ao luxo de ter várias, algumas de topo, só porque sim. Por gosto, por vício, colecionismo, pelo que for…
Pronto, para quem quer estar em conformidade já sabe, o número ideal de bicicletas é sempre mais uma para além daquelas que já temos…
Tão conveniente!


bikes_evo.jpg


Besugas nunca sã demás!

Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fiquê mê imbêçade por outra besuga que conheci...
Ela no iníce tava c'ma meia esquisita, ma que tava fazende as partes! 
Tante que agoura já sinte que me tá a dá classias!
Ela é tã requinha!
Em que besugas é que tã a pinsá?!
Nada disse! Nada de chichonas!
Essa tem tubes más grossins mas levins, com pnerins finins rápedes, bele velante, boas mudanças e é tã fácil d'andá!
Agoura vou-lhe botá o oie, outra vez... Té logue!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Partilhar a via!

A partilha das vias de circulação entre automóveis e bicicletas nem sempre é pacífica. Enquanto os ciclistas veem os automobilistas como senhores e donos da estrada, os automobilistas veem os ciclistas como empecilhos que ocupam um espaço que não é deles. Os ciclistas acham que os automobilistas deviam aceitar e respeitar quem opta por meios de mobilidade alternativos ao automóvel, já que é um direito que os assiste, os automobilistas acham que os ciclistas têm demasiados direitos e deviam circular nas ciclovias e nos passeios, usar capacete, ter seguro obrigatório e até matrícula na bicicleta!

E assim vamos andando. E depois existem as exceções…

Havia necessidade?

Tenho por princípio não dar muita importância a certas atitudes menos corretas por parte dos condutores de automóveis que presencio ocasionalmente. Todos cometemos erros e temos atitudes irrefletidas, por isso prefiro aliviar a carga de negatividade e pensar que embora existam claras situações de falta de bom senso, civismo e sensibilidade, notam-se melhorias gerais no comportamento dos condutores em relação às bicicletas e aos ciclistas. Por outro lado, a estupidez de certas pessoas por vezes é tão flagrante que é impossível ficar indiferente.
No último passeio, de uma boa parte dos automobilistas que passaram por nós não temos razões de queixa, minimamente corretos, pacientes e considerando a nossa presença na estrada. Mas outros houveram, felizmente a minoria, que borraram claramente a pintura, já que fomos brindados com rasantes simples, com uma rasante em velocidade e de buzina colada, e ainda, com uma ultrapassagem em que se fez questão de impor superioridade com uma forte aceleradela à passagem. Muito desagradável.
De notar que estamos a falar de situações ocorridas numa calma manhã de domingo, em estradas pouco movimentadas, onde nem sequer rolávamos lado a lado e que sempre que nos apercebíamos da presença de um carro facilitávamos a sua passagem. Mas o que dá para depreender é que para estes intolerantes condutores, independentemente do que pudéssemos fazer, o mal estava feito. E o nosso mal era simplesmente estar ali.
Rasantes e furiosas buzinadelas e aceleradelas…
Havia mesmo necessidade?

Modelos

orbita_classic.jpg


O cenário não é o ideal, é o possível. A fotografia de telemóvel, despretensiosa, não quis mais do que registar o momento da saída para mais uma relaxante volta de bicicleta. Mais um momento de prazer, paz e liberdade. Mais um momento de interação direta e eficaz onde a nossa energia gera movimento. A pose revela a admiração da ciclista pela sua singela montada. Um instante que fica e prova que a relação com uma bicicleta pode ser mais do que apenas pedalar nela, mas não colocando em causa que seja esse o seu fim maior…

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