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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Barcelona

É uma cidade espanhola com muitos atributos e atrativos, mas interessado que sou em mobilidade urbana (alternativa ao automóvel) e em bicicletas, Barcelona tem para mim todo um mundo paralelo de grande interesse, exatamente este aqui registado.

 

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É uma cidade grande e caótica, com muita população e turistas. Mas existem várias opções para facilitar a mobilidade de todos. E com estas, cada qual desenrasca-se da melhor maneira que pode.
Pelo que me foi permitido ver existe uma conjugação interessante entre vários meios de transporte. É normal ver gente de capacete de mota na mão, skate e trotinete a circular no metro, tal como ver bicicletas e respetivos utilizadores dentro das carruagens, até porque existem espaços específicos para o efeito.
Existem diversas zonas de acalmia de trânsito automóvel (30 km/h) com marcações no pavimento a alertar para o efeito e para a presença de bicicletas na via. E muitas ciclovias, 100 km no total.
Motas, essencialmente scooters ou aceleras, são ao pontapé. A circular, estacionadas, algumas até em locais que se calhar não deveriam.

 

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Outra forte presença é a da rede de bicicletas partilhadas – Viu BiCiNg – disponibilizada pela cidade. O número de estações é considerável, umas maiores do que outras dependendo da sua localização, tal como a quantidade de bicicletas que circulam. Estão por todo o lado, mesmo!

 

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As bicicletas comuns também. Existem diversos locais de estacionamento – os simples e adequados U’s invertidos – que nem sempre chegam para as necessidades ou não estão presentes nos locais desejados, portanto, ver bicicletas presas a outras quaisquer estruturas que o permitam, não será de estranhar.

 

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Muitas bicicletas citadinas ou adaptadas. Muitas clássicas. Muitas nacionais. Muitas bicicletas simples e baratas. Algumas “singlespeed” e “fixed gear”. Para quem as usa diariamente, em vez de querer impressionar interessa que passem despercebidas, até porque da maneira como são presas, deverá ser normal desaparecer bicicletas e/ou componentes ocasionalmente.

 

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Inúmeros pontos de aluguer de scooters, bicicletas, trotinetes, tanto tradicionais, como elétricas. Achei curiosos uns passeios organizados com guia, com uma marca e estilo de bicicleta específicos.

 

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Ponto de visita obrigatório – Barceloneta Bikes! É capaz de haver outras lojas de bicicletas interessantes, mas esta que foi a protagonista de um programa televisivo com o mesmo nome, no canal A&E (2015), ganhou uma notoriedade diferente. Depois é mesmo o meu estilo de loja! Forte componente urbana, belas máquinas, componentes e equipamentos, uma oficina típica e uma decoração rústica advinda da presença do tijolo e da madeira. Pessoal simpático que transparece gostar daquilo que faz.

 

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É esta a minha visão de Barcelona!

 

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Pedais vs. Vento. Sapatos vs. Chuva.

A minha pontaria para escolher os dias certos para fazer coisas é tanta que até chateia!
Experimentar os sapatos e os pedais novos? Debaixo de chuva, pois claro.
E como se não bastasse, tinha acabado de passar uma mangueirada na bicicleta quando o c@brão do vento atira-me com ela ao chão, pois claro.
Bom, na verdade não existem dias certos para fazer estas coisas. Tinha vontade e disponibilidade, fui. Calhou estar de chuva, paciência.
O pedal direito já se diferencia esteticamente do esquerdo? É lixado, logo no primeiro dia, mas que se lixe!
Quanto aos sapatos? Não são impermeáveis, é só o que tenho a dizer…

 

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De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

Pró-Specialized?

- Tu também parece que nasceste com um S gravado na barriga! – disseram-me um dia.

Não é verdade. Nisso sou tão previsível como outra pessoa qualquer e na barriga tenho apenas um umbigo. E nem sou de estar a olhar muito para ele!
De facto, existe uma relação próxima com a referida marca. Existe com a marca depois de existir com a casa que a representa e com as pessoas que são o seu rosto, e isso já há uns bons anos, ainda estava longe de pensar que as bicicletas teriam uma dimensão tão relevante na minha vida, exatamente quando os motores assumiam o papel principal.
Quanto às pessoas em causa, sempre me identifiquei com a sua forma de estar e trabalhar e isso faz toda a diferença. Depois a marca é boa, é indiscutível.
Há uma relação de amizade, também assente numa relação comercial de longa data, mas acima de tudo baseada na identificação, no respeito e na cordialidade de ambas as partes. Essencial. Contudo não assinei contratos de exclusividade com ninguém e quando não se proporcionam as condições que considero desejáveis, procuro alternativas. Já aconteceu. É normal.

- Ah, falas, falas, mas depois vais sempre lá ter! – disseram-me uma vez em tom reprovador.

Digo sempre que gosto de todas as marcas, apenas umas mais do que outras. E é verdade. Mas se normalmente compro no sítio do costume é por tudo o que acabei de referir. E pelas oportunidades que me são apresentadas.
Dou-me bem no meio e sou bem-recebido aonde quer que vá, mas o conforto de ir à loja, às pessoas e à marca que tão bem conheço, não tem preço!

- Não gosto de rebanhos, todos de igual com a mesma marca! – também já me disseram.

 No que toca às bicicletas se há alguém que se demarca pela diferença, sou eu! Tanto ao nível das opções como da atitude. É verdade que não tenho uma bicicleta de cada marca, mas existe alguma variedade. E não tenho culpa que a casa à qual normalmente recorro, agregue algumas das minhas marcas preferidas. Aliás, mais uma vez, é-me cómodo e conveniente.
Digamos que a Specialized é a minha marca de referência, mas não ignoro as concorrentes, pelo contrário, saúdo a sua existência. Se existe espaço para todas num meio tão pequeno é uma avaliação que não me compete a mim fazer, apenas posso dizer que, como ciclista especialmente interessado e consumidor, acho muito positiva a existência de diversidade sustentável.
As minhas opções ciclísticas são as minhas opções ciclísticas. E as opiniões dos outros são as opiniões dos outros. Enquanto as primeiras dizem-me respeito diretamente, as segundas serviram para “ilustrar” este texto, o que já foi bastante…

A minha bicicleta

8 velocidades, 6 velocidades. Sem velocidades.
Preto, cinzento, vermelho. Cor.
Geometria agressiva, geometria clássica.
Geometria relaxada.
Alumínio, ferro. Aço.
Estética, modéstia. Simplicidade.
Minimalismo, objetivo. Funcionalidade.
Rodas, raios. Borracha.
Corrente, carretos. Pedais.
Selim, guiador. Espirais.
Vias, bermas. Canadas.
Secas, húmidas. Molhadas.
Calçada, betão. Alcatrão.
Terra, gravilha. Progressão.
Esforço, cansaço. Suor.
Desafio, sacrifício. Dor.
Liberdade, felicidade. Renovação.
Prazer, bem-estar. Explicação.
Democrática, eclética... Bicicleta.

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

A bicicleta da Sónia!

- Rui, tens de ajudar a Sónia a encontrar uma bicicleta!
Foi assim que tudo começou. Foi assim que, não sendo protagonista, fui envolvido num episódio daqueles com final feliz, como uma espécie de olheiro-consultor.
Mas assim de repente, sem qualquer indicação, ajudar como? – Era o meu dilema.
Um dia depois tive a resposta. Um daqueles acasos felizes. Quando verificava novas publicações nos grupos do costume, na rede social facebook, dou de caras com um anúncio de venda de uma bicicleta. Não era um anúncio, era o anúncio. Não era uma bicicleta, era a bicicleta!
Esta bicicleta tinha uma mensagem subliminar gravada. Um nome. Sónia! Era a cara dela!
Uma cruiser de senhora, verde água metalizado, com óbvios motivos florais, pneus de faixa branca, 3 velocidades internas, travão contrapedal, mega guiador cromado, em excelente estado de conservação e com um bom preço. Linda! Linda! Linda!
Procurar mais? Para quê? Era esta!
Faltava dar conhecimento à verdadeira interessada. No entanto, não vou esconder que ficar com ela passou-me pela cabeça! Mas não, tinha de ser realista, não lhe iriamos dar o devido uso. E depois, reforço, esta cruiser era a cara da Sónia!
Lá a viu. Amor à primeira vista, como era previsível! Como não?!
Com um misto de apreensão e entusiasmo avançou para o contacto com o vendedor, curiosamente meu companheiro de pedaladas de outros tempos. Ficou tudo combinado para o final da tarde do dia seguinte.
Lá fomos. Ao entrar na garagem, mesmo considerando o esmero da sua proprietária na sessão fotográfica para os devidos efeitos, a opinião foi unânime, muito mais bonita ao vivo do que nas fotografias!
A troca de palavras entre os intervenientes deixou vir ao de cima o gosto pelas bicicletas que ali se vivia. E isso faz toda a diferença. Sentimo-nos bem entre pares, entre quem partilha os mesmos gostos. Identificamo-nos.
Após um dispensável e breve teste, o negócio estava naturalmente fechado e nem foi preciso proferir qualquer palavra nesse sentido.
Bicicleta no suporte e despedidas mais ou menos sentidas. Mal sabia o que lhe esperava. Para além de um inesperado desvio ao norte da ilha, a cruiser ainda se foi mostrar a duas amigas e apanhou uma monumental carga de água em cima do carro, mesmo à porta da sua nova casa! Não suficiente para fazer murchar as suas inúmeras e viçosas flores, diga-se.
Com os ânimos mais calmos era altura da Sónia experimentar a sua nova bicicleta. Ela que estava algo reticente pela sua falta de prática, ainda para mais perante a novidade do travão de contrapedal. Mas correu bem, claro.
Todo este episódio foi rápido, inesperado, natural e fluído, e acabou num dia com um final feliz para todos. O que não será alheio o facto de envolver uma bicicleta!
A Sónia não podia estar mais feliz com a sua nova bicicleta e nós tão felizes por ela como se a bicicleta tivesse sido para nós.

Allez - Atualização

Ficou assente no decorrer da minha volta às Sete Cidades que iria fazer algumas alterações na minha bicicleta de estrada. Aliás, durante esta volta, em vez da bolsa de selim usei pela primeira vez o “copo” para ferramentas alojado no segundo suporte de garrafa, suporte que esteve sempre guardado num armário desde que o comprei. Quanto ao “copo”, sem dúvida, muito prático!
Quanto às mais recentes alterações, até agora foram adiadas, tanto por falta de necessidade, como por princípio. – Para quê trocar peças que estão a funcionar mesmo que não sejam as mais adaptadas à minha realidade? – Era o meu pensamento.
Então a cassete de oito velocidades original (12-26) cedeu o seu lugar a uma com o mesmo número de carretos, onde o carreto mais pequeno tem 11 dentes e o maior uns expressivos 32! Já deu para perceber a diferença, embora ainda não tenha feito a subida certa.

 

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A outra alteração foram os pedais. Até agora usava pedais de encaixe de BTT, sendo que o modelo escolhido na altura teve em conta o facto de poder circular com esta bicicleta com sapatos do dia-a-dia, ou seja, encaixe de um lado, plataforma do outro. Por outro lado, sempre refreei a aquisição de pedais de encaixe para estrada porque me obrigava a investir noutros sapatos. Foi agora. Ainda não experimentei, aliás, nunca andei com encaixes de estrada, portanto será uma estreia absoluta. E não experimentei porque ainda não tenho os sapatos!

 

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Neste momento já não faz sentido manter uma cassete com uma relação tão pouco amigável, até porque já nem tenho idade para isso (?!), tal como manter uns pedais vocacionados para BTT e uso descontraído, quando tenho outras bicicletas e respetivos pedais muito melhores para o efeito, em vez de ter uns verdadeiramente adequados para a bicicleta e para o uso que lhe dou.
São pequenas alterações, simples e óbvias, que farão da minha Allez uma bicicleta mais “amiga”, efetiva e adequada aos meus propósitos.

Da realidade às Sete Cidades

De regresso à realidade. Depois de um fim de semana em grande, com muitas horas em cima de uma bicicleta que se propõe a isso, este último feriado foi dia de voltar aos comandos da Allez Steel para a reedição de uma volta que fiz em tempos com dois companheiros - norte/norte com descida à freguesia de Sete Cidades - desta feita a solo.

 

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Com o fantasma da lesão e o constrangimento da falta de regularidade presentes, inibo-me de certas aventuras, às vezes erradamente, como se veio a verificar. Sem queixas, apesar do considerável vento de sudoeste que se fazia sentir, num dia típico na ilha, onde circulei sob céu azul e céu muito nublado, sol e até nevoeiro, à maneira que progredia no percurso.
Na descida de cimento para as Sete Cidades estranhei o conforto e a segurança sentidos há uma semana atrás, mas pronto, é o que há… e é bom!

 

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Nestes dois pares de horas equacionei várias situações, normal quando se rola sozinho tanto tempo, e no que toca especificamente à minha montada decidi que iria fazer pequenas alterações dentro em breve. Nada de especial, apenas adaptações para a tornar mais “amiga”, em vez de manter uma postura entre a teimosia, o masoquismo e o deixa estar, mantendo-a inalterada para o bem e para o mal. Na verdade, é mais para o mal!
Mais um dia em que cheguei a casa cansado, mas satisfeito e grato por viver onde vivo, por ter a bicicleta e a disponibilidade que tenho e por ter a capacidade de pedalar até onde desejo.

“Future Shock” – Dia 2

Ontem, ao final do dia, estava certo que hoje não iria às Furnas, apesar de querer testar a Roubaix na calçada. Haviam outras alternativas. Hoje de manhã, pelas nove horas, saía de casa para atravessar a ilha no sentido norte/sul e daí seguir exatamente para as Furnas!

 

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Já somava algumas horas em cima desta bicicleta e ainda tinha mais umas quantas pela frente. Digamos que ao nível da intimidade já se tinha quebrado aquela barreira inicial e as coisas corriam literalmente sobre rodas. Até já estava familiarizado com o “cantar” do cepo da roda traseira, eu que até sou adepto do rolar em silêncio. Por falar em rodas, os pneus da marca mais gordinhos que o habitual (26) estão plenamente integrados no conceito. Rolam bem e são muito seguros, transmitindo a confiança necessária. Por outro lado, estava cada vez mais encantado com a posição de condução, onde o guiador elevado e demais periféricos não foram lá colocados ao acaso.
E descer o Pisão? Manter a posição. Dois dedos sobre os manípulos de travão. Afagá-los ocasionalmente... Está feito. Aqui volto a reforçar o que já tinha dito sobre os travões de disco hidráulicos – Fan-tás-ti-cos!
Até tenho algum à vontade a descer e gosto de fazê-lo de bicicleta de estrada, mas o que senti nesta Roubaix, mesmo com todas as limitações de estar sobre uma bicicleta emprestada e cara, chegou a ser desconcertante. Nunca pensei sentir-me tão seguro nestas circunstâncias. Fluidez, segurança e suavidade quanto baste. Nem foi preciso cerrar os dentes!

 

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E a calçada junto à Lagoa das Furnas? A famosa calçada! Entrei com vontade neste segmento de percurso verdadeiramente demolidor para uma bicicleta de estrada e respetivo ciclista. Bom, pelo menos até agora era, mas a nova Roubaix vem reclamar que o que era não tem necessariamente de continuar a ser! Ok, toda ela vibrava e chocalhava, mas e então eu? Continuava focado em pedalar forte em carga e em progredir no empedrado! É aqui que a tão falada suspensão de 20 mm integrada na coluna de direção e que a nova solução do quadro que faz do tubo de selim uma espécie de tubo flutuante mostram toda a sua eficácia. Acabei por baixar o ritmo, apenas por ter as pernas a arder, ao contrário do que costuma acontecer, tal é a “sova” geral que levo. É para avançar independentemente do piso apresentado? Então a Roubaix assume o prejuízo e haja pernas!
Mas tenho uma queixa. Rabo dorido! Estaria a mentir se dissesse que não fiquei com o rabo dorido. Teoria: Rabo de pobre, pouco habituado a longas distâncias, estranha selim de gama mais elevada! - Dava um belo título, não dava?
Comprava a Specialized Roubaix Expert? Se tivesse cinco mil euros (a atrapalhar!) pegava em 60% deste valor e comprava a gama abaixo – a Roubaix Comp. Com o restante comprava outra. Uma clássica. Para equilibrar! Seja como for, e agora mais a sério, é um valor seguro e vale com certeza aquilo que é pedido.

 

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Resumindo, nota-se que todo o conceito apresentado foi exemplarmente pensado e trabalhado pela marca, com as inovações tecnológicas a sustentar isso mesmo. Até porque a Roubaix já era uma referência e estava num patamar elevado, portanto, só fazia sentido apresentar algo substancialmente melhor e diferenciador. Digam o que disserem, esta Roubaix é a prova do arrojo e da competência. Existem conceitos perfeitos na teoria que não correspondem na prática. Não é o caso. A Roubaix 2017 funciona mesmo!
Grande experiência! Obrigado a quem a tornou possível.

“Future Shock” – Dia 1

Pois é, não gosto de ter bicicletas emprestadas, nem sou grande adepto de muita tecnologia e ontem fui buscar a Specialized Roubaix 2017 para testá-la!
Desde logo, não entendia a escolha da Expert, modelo que está a meio da gama e tem um preço considerável. Na minha ideia, podia trazer o constrangimento ou a frustração de saber-se, previamente, que se vai experimentar uma bicicleta que não se pode ter. Depois foi-me explicado que a escolha teve por base poder proporcionar o contacto com várias tecnologias (todo o novo conceito da Roubaix com destaque para o Future Shock; travões de disco; sistema de transmissão eletrónica; equipamento SWAT exclusivo) aos possíveis interessados, numa só bicicleta. Como se de uma montra tecnológica se tratasse. Faz sentido.
Aliás, o mais correto será atribuir o foco à experiência em si, recolher informações, referências e definir prioridades, independentemente de termos ou não capacidade financeira para comprar a bicicleta em causa. Até porque o futuro é incerto e a experiência fica. E existem modelos mais acessíveis dentro da gama. E depois é sempre um gosto poder testar uma bicicleta diferente, não é?
Mas vamos ao que realmente interessa… a Roubaix.

 

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O selim foi ajustado e arranquei para o lado oeste da ilha junto à costa. O sistema Di2 (mudanças eletrónicas) é aquele que me suscitava (e ainda suscita) mais reservas (não me agrada a dependência de carga na bateria), mas não posso negar que depois de alguma prática começa-se a tirar partido e a beneficiar do mesmo, com passagens rápidas, precisas, suaves e silenciosas, à distância de um toque. Mesmo sendo intuitivo, não quer dizer que ocasionalmente não tenha feito subir mudanças em vez de as descer. Em minha defesa, posso dizer que já são alguns anos a levar as mãos ao tubo inferior do quadro para “meter” mudanças. Se fiquei convencido? Digamos que parcialmente.

 

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A Roubaix Expert tem um excelente quadro em carbono. Discreta e bonita, com uma pintura a preto e cinza, a única disponível para este modelo. Claro que é muito mais leve do que estou habituado, apesar de ser um quadro mais volumoso. Aliás, é um quadro que se faz sentir e ouvir de uma forma muito particular.

 

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Ah, queria falar daquela “caixinha” ali no fundo do quadro. Para ser sincero e esteticamente falando prefiro um quadro limpo, com os cantos livres. Mas este acessório exclusivo, que faz parte de uma linha de utilitários a que a marca apelidou pomposamente de SWAT, é muito prático. Camara de ar, botija de CO2 e adaptador, desmontas, multifunções e até um grampo para notas (€), há lugar para arrumar tudo e ao abrigo da água por ser estanque. Curiosidade: Fui abordado por um turista estrangeiro que me perguntou se aquela “caixa” era o motor!

 

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Bom, acabei esta primeira volta com a Roubaix muito satisfeito. É uma bela bicicleta. Como não haveria de ser? Não sou muito exigente, mas gostei de tudo, embora tenha faltado um segmento de percurso mais “agressivo” para fazer sobressair ainda mais as suas capacidades. De qualquer forma, nesta volta estava mais interessado em testar até que ponto a sua suavidade se traduzia efetivamente em menos cansaço e em mais tempo em cima do selim.
Cumpriu e mais não fez porque faltaram-me as pernas para lhe acompanhar (era o tal motor do turista!). Mesmo assim foi um longo teste que passou com distinção.

 

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A derradeira prova? Bem, sem certezas relativamente ao que vou fazer amanhã, é quase certo que incluirá um segmento de calçada, não sei é se será O segmento de calçada!

“Future Shock” – Dia 0

E depois de amanhã também!

É tarde. Já devia estar deitado. Amanhã é um dia diferente… É um dia especial!
Noite. Um clique no interruptor e faz-se luz. Observo-a. Contemplo-a. É linda!
Está a ocupar um lugar que não é seu, mas que tão competente ocupação. Merece!
A companheira de descanso cede-lhe o cavalete, mas de nada serve porque as suas rodas estão presas por eixos passantes ao invés de apertos rápidos tradicionais.
Improviso um local para a registar digitalmente. Demasiada sombra. Carrego-a pela casa e regresso à rua para a sua primeira imagem minimamente aceitável. É mais fotogénica do que pensava.
Usufruí pouco! Livro-me dos meus equipamentos e deambulo à procura do melhor local para a deixar repousar. Tenho-a debaixo de olho.
Chego. Ainda algo apreensivo e tenso. O selim está demasiado horizontal. Gosto de sentir mais apoio na sua parte posterior.
Venho a rolar rápido por força das circunstâncias. Estou a chegar a casa. Não era isso que esperava para o primeiro contacto. Não foi isso que imaginei. Demasiado fugaz…
O asfalto irregular faz chocalhar bem alguns componentes, mas não perco a compostura sobre os comandos, exemplar que é a forma como filtra toda aquela vibração!
Percorro o mesmo caminho de sempre. Não, vou virar à direita e descer no Pico da Pedra.
Passaram alguns quilómetros, já lhe começo a sentir o pulso…
Para além da novidade, dos ruídos e da diferença (e do valor elevado entre as pernas!) foco-me demasiado nas passagens de mudanças (ia dizer de caixa… manias antigas!), uma vez que estou literalmente às apalpadelas!
Quem é que não gosta de travões de disco (hidráulicos, já agora!) em bicicletas de estrada? Bem, é experimentar e depois falamos.
Fiz a primeira travagem mais a sério. Wow! O que é isso? Isso é conforto, segurança e confiança!
Estou apreensivo e tenso. Demasiado focado na novidade, nos ruídos, nas diferenças. E no valor elevado que tenho entre as pernas!
Que posição é esta? Que conforto é este? Que apoio é este? Que fitas ergonómicas são estas?
Trânsito. Monto-a apressado e agradeço a amabilidade da automobilista que me deixa arrancar.
Entro equipado na loja. Explicações e verificações finais. Cumprimentos e desejos de muitos quilómetros. Bom fim de semana.
Reserva para teste – Specialized Roubaix Expert UDi2 (2017).

 

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A Roubaix sobre calçada, claro!

 

(Sim, o texto está invertido, cronologicamente falando. Deu-me para isso. Culpa da Roubaix que me trocou as voltas. Para facilitar a sua leitura e compreensão é ler-lhe de baixo para cima. Já devia ter avisado? Pois.)

Sempre a Allez…

A corrente saltava ocasionalmente. Trouxe-a à oficina. Uma pequena afinação resolveu a questão...
A Allez de aço é a bicicleta que mais uso neste momento. Desde que o BTT foi colocado de parte por força das circunstâncias, esta “estradeira” é a minha companheira preferida de pedaladas. Digamos que é a mais funcional e prática, mesmo apresentando soluções e condições de uso muito específicas, pelo menos para os padrões atuais. Mas não fica por aqui.
Há quem lhe chame carinhosamente de “clássica”, de “vintage”…
O facto é que se trata de uma simples bicicleta de estrada recente (2011), mas inspirada em bicicletas de outros tempos, que lhe permite ter uma imagem única e um posicionamento diferente.
Tanto destoa como que se integra, tanto passa despercebida como se destaca!
É aquela bicicleta que na prática não consegue (nem quer) competir diretamente com as suas “primas” de estrada supermodernas, evoluídas, competitivas e eficientes, mas que tem o seu espaço, não por ser o patinho feio, mas porque tem uma imagem genuína, simples, intemporal e minimalista, que alguns valorizam.
E sim, claro que fico satisfeito quando alguém faz questão de o demonstrar.

Ah, hoje é o Dia Mundial da Bicicleta!

 

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Boca santa!

Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Onte uma binçoada disse uma cousa quê fiquê chê de mania.
- Êh hôme, a tua bcecléte é uma cousa linda!
Boca santa!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Rasantes!

A subir uma conhecida avenida da cidade de Ponta Delgada, circulo, instintivamente, próximo do passeio do lado direito desta via. Sou claramente mais lento do que os automóveis, que nestas circunstâncias, me ultrapassam facilmente...
Rasante – Uma! Duas!
Porquê?
Vejamos: Manhã de domingo, pouco movimento, duas faixas para quem sobe e uma para quem desce, linha descontínua entre as faixas ascendentes.
Mesmo assim há quem me ultrapasse como quem tem preguiça de olhar ao retrovisor, acionar o pisca e virar o volante para levar o carro à faixa da esquerda e fazer uma corriqueira manobra de ultrapassagem ou que pelo menos deixe a distância mínima de segurança*. Preferem pelo contrário, e quero acreditar que inconscientemente, fazer-me sentir a capacidade de deslocar ar dos seus estimados automóveis. No mínimo!
Obrigado, mas dispenso!
Chega! Posiciono-me próximo do centro da faixa de rodagem da direita, conservando a distância do passeio que acho conveniente para a minha segurança**, tal como deveria ter feito desde início. Culpa minha!
E não, não é birra, nem querer armar-me em ciclista com direitos, é apenas porque acabar deitado num passeio, com uma bicicleta ao lado, não é de todo algo que queira para uma manhã de domingo. Nem em nenhuma altura de outro dia qualquer!


*Artigo 18.º do Código da Estrada
3 - O condutor de um veículo motorizado deve manter entre o seu veículo e um velocípede que transite na mesma faixa de rodagem uma distância lateral de pelo menos 1,5 m, para evitar acidentes.

**Artigo 90.º do Código da Estrada
3 - Os condutores de velocípedes devem transitar pelo lado direito da via de trânsito, conservando das bermas ou passeios uma distância suficiente que permita evitar acidentes.

«Chega-te para lá que quero passar!»

Sexta-feira. Inicio de tarde. Céu azul. Temperatura amena. Trânsito calmo.
Depois de um momento de quebra de rotina, de exercitar o corpo e desanuviar a mente, venho fresco e leve, a pedalar ligeiro, a caminho de mais uma tarde de trabalho.
De repente, este tranquilo cenário é invadido por uma sonora buzinadela acompanhada por uma ultrapassagem que certamente não cumpriu a distância lateral regulamentar – um metro e meio – tal é a proximidade a que vejo o carro. Até aqui, nada a que já não esteja habituado. O pior é que o condutor da viatura, enquanto ultrapassava, faz questão de gesticular com a mão direita, como que a dizer: «Chega-te para lá que quero passar!»
Não sei se era pressa ou puro egoísmo de quem não suporta a ideia de ter outro tipo de transporte à sua frente na estrada?
Seja como for, no momento chateou-me a arrogância e o desprezo implícitos no gesto. Agora, simplesmente entristece…

Choque tecnológico!

Motivado por toda a azafama e animação que se vive por cá com mais uma edição do Azores Airlines Rallye lembrei-me de uma situação. Não têm grande (nenhuma) relação, mas pronto.
Um dia entrei num stand de automóveis. Enquanto o vendedor, para me cativar, ditava orgulhosamente uma extensa lista de extras que um modelo em especial trazia, com certeza estaria longe de pensar que eu, mentalmente, a cada extra atribuía uma classificação. Curiosamente, sempre a mesma para todos eles – Fonte de problemas!
A falta de paciência e interesse não me permitiu perguntar se não tinham apenas o carro? Sem as “mariquices”? Sim, básico, simples, sem nada!
Já deve ter dado para perceber que, no que toca a algumas inovações e à tecnologia aplicada em certos ramos sou um bocado avesso. Tradicionalista, antiquado, chamam-me o que quiserem, não me venham é impingir tecnologia da moda, embrulhada com a capa da utilidade, para fomentar desejos consumistas, como se a minha vida dependesse disso!
Vivo muito bem sem estas “mariquices”! Aliás, até prefiro não ter de pagar por elas, que é da maneira que não me vão distrair, nem chatear no futuro. E ainda poupo dinheiro.
As minhas bicicletas são todas recentes, a mais “antiga” é de 2009. É um bocado ridículo usar esta palavra para adjetivar uma bicicleta que vai fazer oito anos, mas atualmente é mais ou menos assim que as coisas funcionam. Nem rodas 29 tem! Paradoxalmente, é a única com uma estrutura em alumínio, travões de disco hidráulicos e suspensões a ar. Ui!
As outras têm todas quadros de aço e componentes básicos de entrada de gama. São simples e baratas. E, por incrível que pareça, funcionam!

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