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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

As bicicletas não se medem, apreciam-se!

A abordagem que faço às bicicletas é algo peculiar, pelo menos dentro do meio onde me movimento.

Interessa-me pouco a nobreza e a leveza do material que as compõem, a gama dos periféricos, o perfil das rodas, entre outras miudezas, que legitimamente centram a atenção de muitos. Não é algo que deseje, mas sei apreciar, principalmente quando qualidade, eficiência e estética estão em plena conjugação.
No ciclismo a competição não me inspira especialmente, mas reconheço a sua importância e não a desprezo. Nem que seja por ser relativa a algo que me diz muito, gosto de acompanhar, à minha maneira. Ocasionalmente, se me apetece até se faz uma perninha…
Quando ando de bicicleta não treino, os treinos deixo-os para o ginásio. Quando pego na bicicleta e saio para a rua é simplesmente para andar de bicicleta.
Bicicleta também é desporto, mas não é só desporto!
Curiosamente o mais pequeno ciclista cá de casa vibra com as provas de bicicleta. Embora seja normal que lhe tente incutir a minha linha de pensamento, não posso negar-lhe o acesso às mesmas. Aliás, fui eu quem lhe facultou este acesso e vou continuar a fazê-lo, enquanto ele assim o desejar. Ou seja, enquanto houver gosto, entusiasmo e empenho.

«Pai, quando houver provas nem precisas de me perguntar se quero ir, inscreves-me logo!»

Já quase sabe de cor os locais e a ordem das provas deste ano. Faz a contagem decrescente de cada dia que falta para o dia de prova. As medalhas que recebe são todas levadas para o colégio para mostrar à professora e aos colegas. Independentemente dos resultados, o ritual repete-se todas as vezes.

Há algum tempo adquiri uma bicicleta dobrável em segunda mão, como nova. Foi daquelas situações em que tudo estava em sintonia. A intenção de uma utilização urbana ficou por isso mesmo, depois do seu quadro me ter pregado uma partida, ou se calhar porque não me é assim tão conveniente.
Mas a minha bicicleta portuguesa em aço, de roda 20, com umas meras 6 velocidades, com periféricos de entrada de gama, com grupo de luz, guarda-lamas e suporte de bagagem, com um preço quase ridículo para os valores a que estamos habituados, que apresenta algumas manhas na hora de dobrar ou de montar/desmontar algum componente e que, pasmem-se, tem um peso bruto declarado de 17,200kg… é a minha/nossa “menina”! (Está ali um degrau abaixo da Allez Steel...)
Pode não transpirar qualidade e tecnologia, pode não ser o suprassumo da eficácia e da eficiência, mas é honesta e incrivelmente suave e confortável… E é linda!

O valor intrínseco das coisas, neste caso das bicicletas, é relativo. Valem de acordo com a importância que lhes damos, independentemente das suas caraterísticas teoricamente superiores ou inferiores.
É possível defender uma abordagem, uma vertente, uma linha de pensamento sem desprezar as restantes. E não estamos necessariamente a entrar em contradição. As opções podem ser diversas e divergentes, mas acho demasiado limitado enveredar cegamente apenas por uma. Com alguma abertura é possível aproveitar algo de cada uma delas. Aliás, é vantajoso. Mais do que andar a tirar medidas, a fazer comparações e a por em causa deve-se aprender, deve-se apreciar…
E isso tanto se aplica às bicicletas como em tudo na vida!

Eu, a bicicleta e a cidade

Foi hoje. Sem capacete, sem licras, sem luvas, nem sapatos de encaixe. Apenas com roupa do dia-a-dia e a bicicleta a servir de meio de transporte nas minhas deslocações. O dia pareceu ter sido escolhido a dedo para esta estreia urbana, já que fomos brindados com um autêntico dia de verão.
Já chateava andar a defender e a sugerir o uso diário da bicicleta e na hora H apenas abrir a porta, sentar-me e dar à chave no automóvel. Ao menos tinha que experienciar esta realidade.
Aproveitei a ida do carro para a revisão e fiz-me à estrada de bicicleta. A experiência não podia ter sido melhor. Até vim trabalhar com outro alento. Até o percurso feito soube-me a pouco. Até a hora de almoço foi a melhor dos últimos tempos. Satisfação é a palavra que melhor reflete o que senti.
Já todos sabemos das limitações de Ponta Delgada no que toca à circulação de bicicletas, cidade direcionada que está para a circulação automóvel. Na falta flagrante, em quantidade e qualidade, de locais de estacionamento específicos. Os próprios automobilistas não estão habituados a lidar com outros veículos que não os automóveis. E vivemos o impasse: As autoridades não apostam porque não estão sensibilizadas e porque não veem praticamente ninguém a andar de bicicleta. Nós não andamos porque as autoridades não criam as condições necessárias para o fazermos.
Mas se formos estar à espera que as estruturas e as condições apareçam, bem que nos podemos sentar. No fundo é o que fazemos, andamos todos sentados nos nossos carros, preocupados, a gastar, a poluir, a engordar. E os anos a passar…
Se calhar valia a pena mudar isso!

Percursos a pedais

Decorria o mês de novembro de 2008 quando decidi voltar a ter uma bicicleta. Depois de um longo período de ponderação, diversos fatores apontavam esta como uma boa opção.


Bicicletas - Onda de entusiasmo contagiante!
Por cá, começava-se a ouvir falar muito de bicicletas, de exercício sobre bicicletas, de provas de bicicletas. A escolha da marca e do modelo não foi muito complicada. Não fazendo uso de um discurso demasiado comercial ou publicitário, nunca escondi nem o meu gosto por uma especial marca americana, nem a relação de amizade que mantenho com as pessoas que dão a cara pela empresa que representa a mesma. Eleito o segmento de BTT, pela sua abrangência ao nível da utilização e gama de entrada de baixo custo, tendo em conta a minha qualidade de iniciante, queria no entanto uma base minimamente capaz de corresponder aos propósitos desta experiência.

Bicicletas – Começar e evoluir com entusiasmo mesmo perante os obstáculos!
Estava na hora de enfrentar os trilhos. A coisa nem sempre foi pacífica. No meu pequeno e desinteressante currículo constam pelo menos duas quedas que me abalaram os pensamentos. Mas no geral, não contrariaram o crescente entusiasmo e gosto que nutria por estes simples veículos a pedais.

Bicicletas – Necessidade ou desejo?!
Menos de um ano depois estava a negociar a troca da Hardrock. Curiosamente este momento foi decisivo também no que toca à forma como passei a encarar as bicicletas e o BTT. Entre uma HT vocacionada para a competição e uma FSR vocacionada para a polivalência e divertimento, ganhou a trail de suspensão total. Ganhou o lazer.

Bicicletas – Desafio sim, sacrifício não!
Nunca tive uma relação muito próxima da competição, aliás, depois de umas experiências esporádicas assumi definitivamente uma posição contrária à mesma, privilegiando a forma mais descontraída de encarar o ciclismo. A competição e a sua evolução implicam demasiado uma palavra que não se adequa a algo que me dá prazer fazer – sacrifício. E a diversos níveis. Esta é uma visão que poderá não agradar muito a quem faz da competição o seu cavalo de batalha, mas sinceramente não consigo ver as coisas de outra maneira.

Bicicletas – Privilegiar a simplicidade!
Se numa primeira fase a ideia era ter mais, ter melhor, como algo indispensável para poder fazer o que me propunha, atualmente tenho vindo a ajustar este comportamento, até porque cheguei à conclusão que muitas vezes, menos é mais!

Bicicletas – Estrada com estilo clássico!
Fundindo esta visão com um gosto especial que tenho por linhas clássicas e retro, em que as bicicletas não são exceção, adquiri a minha primeira bicicleta de estrada. Dispensei o alumínio e muito mais o carbono. O seu peso é-me indiferente, tal como o estatuto dos seus componentes e a eficácia da sua geometria e aerodinâmica. Simplesmente formulei mentalmente uma série de questões que teriam de ter resposta afirmativa:

- É adequada para as minhas necessidades e utilização?
- Tem um estilo clássico inconfundível?
- Tem um baixo custo de aquisição e manutenção?
- É robusta e fiável?
… É esta que eu quero!

Bicicletas – Desporto, mas também utilidade!
Depois desta aquisição tenho vindo a desbravar um mundo até agora pouco conhecido para mim, onde as bicicletas são veículos extremamente simples e são valorizadas pela sua essência, pelas suas raízes, pelo seu lado prático, pela sua utilidade. Em vez de uma visão unicamente associada ao desporto e à competição, onde as bicicletas acabam por ser encaradas como um “extra”, e em muitos casos como um “luxo”, pelos avultados valores que atingem.

Bicicletas - Há espaço para todas, falta é mentalidade para isso!
Mas todos os males fossem estes… Males são as nossas cidades estarem concebidas para os carros e não para as pessoas. É dar-se prioridade à circulação automóvel, o que não corresponde exatamente à real mobilidade das pessoas. É contribuir para a poluição do ar que respiramos. É esquecer os transportes públicos, os peões e claro, algo tão simples e básico, mas que pode fazer toda a diferença, a bicicleta.

Bicicletas – Falta de visão prática, utilitária e ambiental!
Pouco se faz e pouco se quer fazer, num meio onde os automóveis reinam, tal como reinam os espíritos comodistas dos seus proprietários. O que se faz nem sempre é bem feito. Os parques de bicicletas para além de escassos são obsoletos e as ciclovias que têm um piso vermelho bonito, continuam a relegar as bicicletas para um espaço que não lhes pertence, mas sim aos peões. As bicicletas precisam de circular, têm de ser úteis, têm de nos levar aonde for preciso. Ganhamos nós, ganham as cidades, ganha o ambiente.

Bicicletas – Elemento integrante para a qualidade do futuro!
No entanto, há países e cidades que são excelentes referências, há muita gente a dar exemplos fabulosos de atitude e comportamento. Basta irmo-nos inspirando e adaptando.

Basta querer…

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