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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Compras, vendas, bicicletas e picos de felicidade!

Um dia destes um amigo contava-me que tinha um objeto que lhe trazia um custo fixo anual consideravelmente elevado. Não o usa, nem gosta especialmente dele, mas lá o tem e é um peso! Questionado sobre o porquê da sua compra não soube explicar. Mas referiu que no momento de tratar legalmente esta mesma aquisição o vendedor disse-lhe uma frase que ainda hoje lembra, não exatamente como foi proferida, mas sim o seu sentido, já lá vão alguns anos. Basicamente, o que a pessoa em causa quis dizer é que na nossa relação com certos bens materiais só existem dois momentos em que estamos realmente felizes com eles, exatamente a sua compra e a sua venda! Porque de resto é só ilusão, acrescentaria eu.
E o que é que isso tem haver com bicicletas?
Para uns tenho bicicletas a mais, para outros, por mais bicicletas que se tenha estas nunca são demais. Mas o que os outros pensam não me interessa muito, a não ser que possa eventualmente pensar como uns e outros acerca da minha própria realidade. Às vezes penso que se tivesse aquela bicicleta é que sim senhor! Ia fazer mundos e fundos, ia fazer milagres, não ia parar de andar…
Será? Talvez. Ou talvez não.
Claro que o material ajuda, não é novidade, mas também não faz os tais milagres! Mas as ilusões continuam por aí a fora e este passa a ser um meio de gerar desculpas.
A nossa atitude e a necessidade real, estas sim fazem muita diferença!
Ter uma bicicleta minimamente à altura das necessidades e a atitude certa é meio caminho andado para a relação dar certo, que é como quem diz, para ter momentos duradouros de felizes e prazerosas pedaladas, não tendo de ser necessariamente aquele topo de gama, de última geração, com todas as melhores especificações, que nos deixa a sonhar e a desejar ter. Mais reflexão, menos impulso!
Sim, porque até se pode ter a bicicleta mais completa e competitiva à disposição e não aproveitar nem metade das suas potencialidades; A bicicleta de alta precisão e sofisticação pode trazer mais constrangimentos, limitações e custos do que benefícios; A bicicleta poder ser uma máquina magnífica, supereficiente, extremamente bonita e altamente invejável, mas estar simplesmente sobredimensionada para o que se vai fazer com ela.
E não é difícil gastar o máximo que se pode, ou mais ainda, por pressões sociais e do meio, e depois olharmos para o que fizemos consumidos pelo arrependimento. Claro que também acontece pecar-se por falta, mas a tendência pende naturalmente para o excesso!
Pode este discurso ser uma forma de apaziguar alguns desejos e respetivos resquícios de insatisfação pessoal?
Sim, pode. Se calhar até é, mas o certo é que as minhas bicicletas foram racionalmente escolhidas, com o devido toque de paixão, e continuo a gostar delas, tanto ou mais, como no dia em que as comprei. Estou feliz e satisfeito com elas, que tanto me têm proporcionado. E isso ultrapassa as suas diferenças, caraterísticas, defeitos, gamas e preços!
Se fico por aqui? Talvez. Ou talvez não.
O certo, é que acredito que não faz sentido e é ingrato focar atenções em algo que não passa de uma possibilidade, até porque nem todos os desejos são bons conselheiros, ao invés de aproveitar e usufruir o que se tem. E o que não se tem, se é que me faço entender!
Confesso que um pico de felicidade momentânea associado a uma nova compra até sabe bem, mas de pouco serve se esta satisfação não for sustentável e se prolongue no tempo, até porque já não tem o mesmo sabor ter de associar outro pico de felicidade e respetiva sensação de alívio a uma possível venda!

… Allez Capelas

Mudou a hora, mas não mudou a rotina de ir dar uma volta de bicicleta. Nem diminuiu a vontade de pedalar. A manhã de domingo, salvo raras exceções, é minha, com mais ou menos uma hora. Dormi menos o que não é problema. Despachei-me sem pressas, até porque para horas já me chegam os dias úteis da semana. A Allez ficou pronta na hora, nem retoquei a pressão dos pneus, bastou instalar a bolsa de selim (pouco estética, mas útil) e a garrafa de água no suporte. Tinha uma ideia relativamente ao destino, mas ao contrário das horas, o estado do tempo trocou-me a volta. Deixei-me levar e fui improvisando ao longo do percurso. Passou uma hora. Estava inclinado para as subidas. Passaram-se duas horas. Estava longe disso, mas quando dei por mim estava nas Capelas. Passaram-se quase 3 horas e nem dei pelo seu passar. Estava em casa. Agora que mudou a hora os dias são maiores…

 

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Persistência nos pedais!

Insistência combate-se com persistência!


Iscomunhã de gadelha!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Encontrê o Florimunde no camin.
- Ême, noutre dia vi-te falá c'uma bela féma ali ao pé da tua casa!
- Bela féma? Devias de tá bêbede, Florimunde! Aquile é um iscomunhã de gadelha!
- Eh hôme, nã sê... parecia, se calhá nã vi bem!
- Nã haveras de tê viste entã, é tã fêa! É a minha vezinha. Tou penande c’aquele demóne de saias!
- Mas o que fou?
- Ême, embirrou c'a besuga...
- Nã se faz case!
- Nã se faz case? A laparosa tá-me sempre cegande a cabeça pa comprá um carre!
- Tás lexade entã!
- Pous já se sabe que tou! Paloê se lhe passasse cartã!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Outra vez Gorreana!

Domingo, dia do pai, véspera de primavera, bicicleta de estrada, Gorreana.
Um dos problemas de ter uma temática tão específica num blogue, ainda para mais vivendo numa região geograficamente limitada, é a finitude ao nível da diversidade do que se faz e posteriormente publica. Este facto pode ser pouco apelativo para quem segue, mas não necessariamente para quem faz. Ou seja, nunca me canso de percorrer e pedalar nas mesmas estradas e caminhos que me levam aos mesmos sítios de sempre. Por inerência das circunstâncias faço-o muito no mesmo concelho - Ribeira Grande, no mesmo dia da semana – domingo, e com o mesmo destino – Gorreana.
É aquela volta média e aprazível, que ronda as duas horas de duração, que exercita e não chega a maçar, que pelo meio se passa numa estrada calma e única ao nível do traçado, da natureza que nos cerca e da qualidade do ar que se respira… E quando já em estrada mais aberta se rola, ora rápido ora mais lento, ao sabor do seu moderado sobre e desce, avistam-se umas peculiares plantações geometricamente alinhadas que sobem monte acima e que indicam a chegada ao destino – a Fábrica de Chá da Gorreana.
Aqui os atrativos são vários. Toda a envolvência e ambiente, a beleza, as cores, os trilhos, os cheiros, o chá, entre outros sabores tradicionais. E nos dias úteis da semana, a manufatura de outros tempos que se mantém. Confesso que quando vou de bicicleta limito-me esticar as pernas e à contemplação visual do que me rodeia, podendo esporadicamente saborear um chá. Mas vou lá muitas vezes. Ainda sábado tinha lá estado, noutras circunstâncias, e usufruindo de forma mais tranquila e efetiva ao nível das sensações. Logo à chegada fiquei fascinado com o rosa vivo das azáleas.

 

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Anda de bicicleta quem quer!

Anda de carro quem pode, anda de bicicleta quem quer!


Marcolina Labardêra
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tenhe uma vezinha que é même uma labardêra...
- Eh hôme, tás bom? Nã me dizes nada?
- (Nã...) Olá vezinha!
- Sempre quéssa bcecléte?
- (Outa vez papá!) Tem de sê!
- Ême, faz um esforcim e compra um carrim...
- Porquié?
- Êh hôme, nã vês que a andá de bcecléte pareces um pelintra?
- Pelintra?
- Sim senhô, e ainda por cimba apanhas água qué fê!
- Mas ê nã compre um carre porque nã quére!
- Ê hôme, toma juíze e larga de sê isganade. Morres e isse fica tude praí!
- Ouh vezinha, mas eu goste de andá de bcecléte!
- Nã digas isse! Entã nã ficavas munte mió a andá num carrim?
- Nã... Até logue vezinha... (Vou-te sofrê!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Bicicletas no seu melhor

Então ontem foi dia de pedalar, mas também lavar, limpar e lubrificar. Sim, porque existe uma diferença entre só andar de bicicleta e gostar delas. Gostar é mais do que simplesmente andar de bicicleta. E eu gosto de andar ali a mimá-las. Curiosamente não gosto especialmente desta expressão, muito fofinha, não é?
Bom, até podem mostrar marcas e o desgaste natural do uso ou de algum momento menos bafejado pela sorte, mas gosto de andar com uma bicicleta bem aparentada, minimamente limpa e lubrificada. Ter só por ter não me diz muito, outra conversa muito diferente é fazer por tê-las no seu melhor.


Lagariça
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
A besuga tava toda cagada de lamêre. É o que faz andá à douda por aí a fora!
Que lagariça naquele quintar. Pió ainda quande o espiche da manguêra saí, parecia uma árredouça, crêde!
Fiquê tode lavade e a besuga também. O reste há de secá...
Bêjes e abraces.


A estremecê de limpe!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Um dia desses fou dia de vazá o telhêre!
Tudo pra foura, pa limpá e inderêtá aquile tude.
Ficou bim requim!
Ma nã querim crê, que no dia a segui,  o chã debâxe da besuga já tava tode pingade de óleo?!
Aquela às vezes tamam nã tem consciência nenhuma e um home teve um trabaie desgraçade...
Même de veras! Tude a estremecê de limpe e ela prega-me essa!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Carnaval a pedais

Não gosto do Carnaval, mas dá-me jeito a tolerância que é normal ter nesse dia. Aproveitei para fazer o mesmo de sempre, pedalar. Variei na bicicleta. Levei a BTwin Triban 500 à Gorreana, para um teste mais prolongado. Bastou montar os pedais de encaixe e subir o selim, e lá fomos. Tudo o que já disse sobre ela confirma-se. Não é fácil ter tanto por tão pouco!

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Duas horas depois ainda estava com as mãos nela, e não só. Desta feita, sem luvas e com as mãos inevitavelmente mais sujas. Não, não houve nenhuma avaria, apenas limpeza e manutenção que tenho vindo a descurar ultimamente em algumas das bicicletas cá de casa. Às vezes falta-me aquela vontade, mas depois de começar fico sem dar pelo tempo passar. É algo que me agrada e satisfaz.

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É o meu Carnaval…

Rolo de treino

Eh pá, não!
Gosto muito de pedalar, sim senhor, mas uma bicicleta estática, presa a um rolo de treino, é das coisas mais entediantes que já tive oportunidade de experimentar!
Eu que até fiz aulas de Indoor Cycling e adorava, modalidade que faz o melhor uso possível de bicicletas estáticas. Se calhar tive sorte com os monitores, com a classe e com as músicas, mas sempre achei estas aulas altamente cativantes! Ao contrário do rolo...
Semelhanças entre as duas coisas? Uma bicicleta que por mais que se pedale não vai a lado nenhum. De resto, nada a ver!
Nem têm que ter, mas gostava que tivessem, que era da maneira que saltava todo entusiasmado para cima da minha bicicleta presa ao rolo de treino na cozinha!
Sim, tenho um rolo de treino! E não, não é nenhum fétiche ele estar na cozinha! A cozinha é grande e é um local onde normalmente tenho companhia, tudo estratégias para lhe dar o devido uso, mas mesmo assim, a sua principal função é a de peça de decoração. Mas nem para isso serve muito bem, que não sendo feio, não tem aquele impacto visual.
Comprei isso numa altura má da minha vida. Tanto porque me tinha lesionado e foi uma bela desculpa para o fazer, como podia ter ido fazer uma coisa melhor do que o ir buscar à loja!
Mas também não o vendo. Ainda tenho a esperança que me vai ser útil. Um dia... Escusado será perguntar quando!

Andar de bicicleta vs. treinar

As minhas saídas de bicicleta para além da parte lúdica têm também uma componente física importante, que só dispenso por algum motivo relevante. É mais um dia que aproveito para exercitar o corpo, sendo que neste caso junto o útil ao agradável, já que pedalar é algo que gosto muito de fazer. Ok, já devo ter dito isso 500 vezes, mas pronto.
No entanto, não gosto de classificar estas minhas saídas como treinos. Na minha opinião, uma classificação simultaneamente pretensiosa e descabida. Porque não são isso que são. Tirava-lhes parte do encanto. Então, vou simplesmente andar de bicicleta. É assim que gosto de encarar as minhas voltas.
Gosto de sair de cabeça limpa, ou seja, sem grandes objetivos, prazos ou expetativas. Às vezes, nem destino certo tenho. É-me absolutamente indiferente quantos quilómetros faço, até porque nem tenho forma de os contabilizar. É um momento meu, uma forma de desanuviar, pensar na vida e nas coisas, sentir o ambiente que me rodeia com proximidade, uma relação restrita com a minha bicicleta.
Mas há quem saia para treinar e faça disso a sua bandeira. E acho que fazem muito bem, tal como também acho que faço.


O Florimunde treinou c'mó diabo!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu andá de bcecléte com o Florimunde e nã é qu'esse demóne pregou-me umas cuecas tesas de marreta?
- É maldite, o que é que comeste hoje de manhã?
- Fou pã com quêje e uma tejéla de chá prete.
- Nã sabia que o pã e o chá davim essa força toda?
- Tal atlêmad, não vês que isse é de treiná c´mó diabo?!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Sábado BTT, domingo Estrada

Que o fim de semana tenha dois dias é normal, mas andar duas vezes de bicicleta não é.
Sábado foi dia de BTT. Óleo na corrente, garrafa no suporte, bolsa de selim e lá fui com a FSRxc para o passeio da Bicicletaria Azores. Esta loja tem feito alguns eventos desde a sua inauguração e tenho marcado sempre presença. São passeios descontraídos e muito agradáveis, onde não me canso de destacar a simpatia dos seus promotores. Desta vez foram introduzidas algumas alterações no percurso, que o tornou ainda mais divertido. Foi mais uma agradável manhã de BTT, que no meu caso culminou com um belo banho na praia.
Domingo foi dia de Estrada. O mesmo ritual mais a retificação do ar nos pneus e lá fui com a Allez para mais uma volta ao concelho de PDL. Fiquei gostando. A última vez que a fiz correu muito bem, com a particularidade de ter levado a minha bicicleta sem mudanças, por isso, com esta, seriam favas contadas. Não foram! Comecei bem, se calhar bem demais e vim a pagar por isso mais tarde. Ou simplesmente estava num dia não. Não sei, mas fiquei de rastos. A parte final foi um sacrifício, força anímica zero, pensamentos em comida e por aí a fora. Ainda deu para apanhar um susto considerável quando um trator se atravessou na minha frente numa curva a descer. Roda bloqueada, ligeira aceleração cardíaca… Há dias assim.
O passeio de sábado acabou na praia, de estômago vazio e muito bem-disposto. O de domingo acabou a dormir no sofá depois de ter comido tudo o que consegui, como há muito tempo não acontecia.


No sábado, no regresso, ainda deu para captar umas imagens, depois de ter reparado nuns arcos que nunca tinha dado a devido atenção.

 

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A Globe e as vacas

Toda a gente sabe que cá as vacas são mais do que muitas. Com tudo o que isso acarreta…
Mas não falemos de coisas menos positivas. As vacas fazem parte da nossa paisagem. São uma das nossas imagens de marca. Não que as caraterísticas das ilhas não se destaquem só por si, mas as vacas acentuam a nossa imagem rural e pitoresca.

 

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  Estas parecem ter gostado da Globe!

XCO no Pinhal da Paz

Identifico-me pouco com a competição, embora tudo o que diga respeito às bicicletas interessa-me. Bom, umas coisas mais do que outras. Domingo inicia-se a Taça de São Miguel de XCO 2017, com uma prova no Pinhal da Paz. Já que não participar é certo, entre ir assistir e ir andar de bicicleta, prefiro ir andar de bicicleta. Prioridades! Mas até gosto de assistir a estas provas. Se ao vivo é pouco frequente, pelo menos faço questão de acompanhar as reportagens televisivas sobre as mesmas.
Esta vertente do BTT é interessante. Provas curtas, mas física e tecnicamente exigentes. São apelativas para o público por estarem geograficamente limitadas e por terem zonas mais complicadas e espetaculares, exatamente onde costumam estar mais pessoas. Também é sempre interessante verificar como cada participante faz a gestão da prova e aplica a sua estratégia, se é que esta existe. As provas normalmente ocorrem em locais de elevada beleza natural e os circuitos são delineados com a devida atenção e o necessário cuidado, para que estejam dentro dos padrões exigidos pela modalidade e serem simultaneamente divertidos para os concorrentes.
Sendo esta a primeira prova da temporada, depois de vários meses oficialmente parados, certo é que todos andaram a treinar, por isso é sempre uma incógnita o nível de forma física de cada um dos participantes. Assim, esta prova ainda reúne mais este aliciante, para os protagonistas e para quem assiste.
Com certeza que será uma manhã neste parque com outro colorido, movimento e animação, numa altura do ano em que praticamente não acontecem eventos e os visitantes são poucos.

 

Prova de bceclétes
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu botá o olhe numa prova de bceclétes, mas daquelas importantes pa caramba!
Aqui fiquim as cousas quê boutê más sintide:
- Tinha belas femas, mas femas de andá qué fê (petchenas bim rápedas, crêde);
- Todes aqueles rapazins ciclistas tinhem pernas de fema (nim um pêle que seja);
- Aqueles rapazins ciclistas andavim de bcecléte chês de veneno (pareciam cãs de guerrá);
- Aqueles rapazins ciclistas tavim vestides com roupas tã cloridas e tam apertadas (acho que era por isse que tavim chês de veneno);
- Que mistério de bceclétes com rodas tã grandes (admira que nã tivessim uns baquins pa subi ali pra cimba);
- Aquile é bceclétes pa custá alguns 300 ou 400 oures! (tinhem même cara de serim caras, as malditas!)
- Tinha belas femas (ah, isse já tinha dite...).
De reste, sou sincere, nã percêbe nada de provas de bceclétes!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Blogue de bicicletas

Sei, por experiência própria, que a relação com um blogue passa por diversas fases. Podendo ir do grande entusiasmo ao desencanto. Este meu regresso ainda é relativamente recente e vive momentos de inspiração e motivação. Também é verdade que a experiência e a maturidade deixaram de lado possíveis expetativas, o que me faz encarar todo o processo com mais tranquilidade.
As estatísticas são irrelevantes, até porque pela temática abordada este nunca será um blogue de massas. Mais do que o número de visitas, prefiro destacar a simpatia e a atenção das mesmas. Pessoalmente, tenho recebido felicitações e incentivos para continuar, o que me deixa agradado e grato.
Como já referi, embora não ande de bicicleta para ter matéria para o blogue, é inegável que tenha atualmente uma dinâmica e uma atenção diferentes, já que uma coisa leva à outra. Tanto a escrita é motivo para andar, como andar é motivo para escrever. E quem diz andar, diz estar mais informado e envolvido com o meio.
Cá na ilha as bicicletas vivem um bom momento. No que diz respeito à competição e ao lazer, no surgimento de espaços comerciais dedicados e na preferência de se ter uma bicicleta como companheira para a prática de exercício físico. Como meio de deslocação e transporte as coisas ainda estão muito aquém do esperado, com algumas tentativas pontuais a surgirem de forma envergonhada. Quanto à procura em geral, julgo que esta estabilizou, depois de ter atingido o seu pico num passado relativamente recente.
A minha posição perante as bicicletas e o meio ciclístico em que me insiro, não sendo única, é diferente da maioria. As prioridades são outras, tal como a descontração. É exatamente estas que defendo aqui fazendo uso de palavras e imagens. Julgo que se vive alguma pressão escusada, mal que não afeta só as bicicletas, mas que é transversal a todas as áreas da sociedade.
Estou satisfeito com este blogue. Tem a imagem que queria e trata daquilo que gosto, como gosto. Este é um blogue que, se não fosse meu, gostaria de acompanhar. É um blogue onde falo de bicicletas de forma simples e honesta, e onde mostro retalhos contextualizados da minha ilha - São Miguel - com muito orgulho!


O zabela e a besuga têm um blougue!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Só para vocês ficarim a sabê mió...
Quem é que a gente sã?
- O zabela é o zabela. E a besuga é uma bcecléte normal com duas rodas, volante, banco e pedales. Nã, a besuga é uma bcecléte especial de corridas! Ah, ela nã fala, mas ê falo por ela.
Como é que aparecê esse blougue?
- Entã tava bim dêtchado na minha cama quando senti uma dô forte nos pêtches, como se tivesse levado uma cotevelada nas aduelas, e lembrê-me:
- Ême, ma que vou fazê um blougue!
Já tã même a vê que fou de rebindita. E fou même!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!

Equilíbrio sobre duas rodas

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Sou um admirador confesso das bicicletas de equilíbrio, já que são a melhor forma de aprender a andar de bicicleta. Já falei várias vezes sobre elas, sendo que a minha referência dá pelo nome de Specialized Hotwalk, embora existam inúmeras marcas que apresentam propostas do conceito. Esta bicicleta, que permitiu ao meu filho uma aprendizagem rápida, natural e autónoma, anda lá por casa há cerca de 10 anos. E veio para ficar, já que não queremos desfazer-nos dela. O rapaz tem crescido e já tem outra adequada ao seu tamanho, mas o certo é que ainda anda com a pequena Hotwalk. É como se fosse uma espécie de transporte dentro de portas e veículo para manobras radicais. Ainda hoje reparei nela. Lá estava junto às maiores. É pequenina, mas tem uma grande presença!

 

2 anos de idade!

Teste elétrico – Specialized Turbo Levo HT Comp 6Fattie

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Ontem tive oportunidade de experimentar uma bicicleta de BTT elétrica. Tal como indica o título deste texto, uma Specialized Turbo Levo Hardtail Comp 6Fattie.
Bom, para começar posso dizer que o que possa cansar dizer o seu extenso nome é largamente compensado aos seus comandos, perante aqueles obstáculos naturais do terreno que nos obrigam a um esforço adicional para os transpor - subidas!
Esta foi a terceira bicicleta com assistência elétrica que tive o prazer de experimentar e a segunda destinada ao fora de estrada. E de longe a melhor. É certo que também se faz pagar por isso, mas apresenta diversos atributos que fazem dela uma das referências neste segmento.
Não vou aqui entrar em pormenores técnicos, por achar não serem relevantes para o caso, mas o comportamento da bicicleta é muito natural e intuitivo. O acréscimo de peso da tecnologia não se faz sentir. O motor assiste assim que iniciamos a pedalada, o que permite uma progressão muito fluída. Considerando a sua ação e a margem de manobra ao nível das mudanças, é enorme a sua abrangência. Os pneus gordos (650bX3.0) dispensam uma suspensão total e o conforto que proporcionam tem correspondência na segurança que transmitem. O nível de assistência pode ser configurado de acordo com as necessidades.
Gosto e acredito no conceito das bicicletas elétricas, principalmente numa utilização diária como meio de locomoção e transporte, mas uma bicicleta como esta Turbo Levo pode fazer todo o sentido para quem quer usufruir dos trilhos e da natureza de uma forma muito mais cómoda e descontraída.
Agradeço à empresa Carreiro & Comp. Lda. pelo teste e por me ter proporcionado a sensação momentânea de estar fisicamente ao nível dos melhores!

Negócio de bicicletas

Às vezes, sentado ao computador a ver uma página de internet de uma loja de bicicletas, começo a divagar num sonho acordado, em que me vejo na liderança de um negócio semelhante. Acredito que quem viva minimamente as bicicletas, que é mais do que apenas andar nelas, já tenha sonhado com algo semelhante. Obter o sustento de algo que é tão significativo e importante para nós, não é trabalho, é satisfação, é realização, é prazer!
Uma loja de rua, bem no centro de uma cidade, integrada no comércio tradicional. Um edifício antigo. Madeiras. Luz quente. Uma loja diferente, mais tradicional, mais intimista, um ponto de encontro, quanto mais não seja para dois dedos de conversa. Uma espécie de museu. Um local de produtos clássicos e robustos, combinando estética intemporal e parâmetros atuais. Aquela qualidade dos materiais de sempre, aquela manufatura manual. Bicicletas destinadas à sua função mais básica – a deslocação. E não só. Bicicletas à porta. Um espaço de contemplação. Um espaço de recordações!
De repente, sou puxado para uma realidade de compromissos, de legalidades, de custos, de exigências, de burocracia, de responsabilidades, de sustentabilidade! Realidade que me arrefece tanto como se tivesse levado com um grande balde de água fria! Acordo, embora acordado, e resigno-me… Não tenho nenhuma arte. Não construo, não restauro, não reparo. É mais um contra. Nada que o tempo e a experiência não contornassem. Mais o maior problema é o medo. O medo do fracasso, da incapacidade, do desconhecido, da dificuldade, da entrega, do incómodo!
E por isso mesmo, tiro o meu chapéu [capacete] a quem encara de frente esta pesada realidade e, contra tudo e todos, avança em busca da sua concretização!

Quedas

Cair de bicicleta é chato! É muito chato! Mas se ficarmos por aí, do mal o menos.
Aquela sensação de estarmos a perder o controlo é desagradável. Aquela iminência é aflitiva. Aquela aproximação do chão é medonha!
Mesmo que não cheguemos ao chão, é o suficiente para alterar a tensão e acelerar o coração!
Que se minimizem as consequências, materiais, mas essencialmente as físicas. Que se ponderem ou alterem comportamentos. Que nos sirvam de aprendizagem. Que nos tragam à realidade. Que nos apaguem a imagem de invencibilidade!
Mas que não nos demovam de um gosto. Não nos tragam constrangimentos nem lesões!
Às vezes até dão para rir de tão tolas que são. Que fossem todas assim.
O quê, uns arranhões? A pele renova-se, a pintura é que não!


Grande cafua
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ia na mecha com a besuga, bim imbalade... A descê!
A curvá, sim senhô, e de repent... O chã tava chê de sarrisca!
Travê, a maldita dê de rabe, aboiou-me p'lo á e fu drêt pó chã... De role!
Só parê quande dê uma grande cafua num poste de luz!
Tou chê de dôs, mas de pincel na mã...
A retocá os risques na besuga!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

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