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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Carnaval a pedais

Não gosto do Carnaval, mas dá-me jeito a tolerância que é normal ter nesse dia. Aproveitei para fazer o mesmo de sempre, pedalar. Variei na bicicleta. Levei a BTwin Triban 500 à Gorreana, para um teste mais prolongado. Bastou montar os pedais de encaixe e subir o selim, e lá fomos. Tudo o que já disse sobre ela confirma-se. Não é fácil ter tanto por tão pouco!

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Duas horas depois ainda estava com as mãos nela, e não só. Desta feita, sem luvas e com as mãos inevitavelmente mais sujas. Não, não houve nenhuma avaria, apenas limpeza e manutenção que tenho vindo a descurar ultimamente em algumas das bicicletas cá de casa. Às vezes falta-me aquela vontade, mas depois de começar fico sem dar pelo tempo passar. É algo que me agrada e satisfaz.

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É o meu Carnaval…

Sábado BTT, domingo Estrada

Que o fim de semana tenha dois dias é normal, mas andar duas vezes de bicicleta não é.
Sábado foi dia de BTT. Óleo na corrente, garrafa no suporte, bolsa de selim e lá fui com a FSRxc para o passeio da Bicicletaria Azores. Esta loja tem feito alguns eventos desde a sua inauguração e tenho marcado sempre presença. São passeios descontraídos e muito agradáveis, onde não me canso de destacar a simpatia dos seus promotores. Desta vez foram introduzidas algumas alterações no percurso, que o tornou ainda mais divertido. Foi mais uma agradável manhã de BTT, que no meu caso culminou com um belo banho na praia.
Domingo foi dia de Estrada. O mesmo ritual mais a retificação do ar nos pneus e lá fui com a Allez para mais uma volta ao concelho de PDL. Fiquei gostando. A última vez que a fiz correu muito bem, com a particularidade de ter levado a minha bicicleta sem mudanças, por isso, com esta, seriam favas contadas. Não foram! Comecei bem, se calhar bem demais e vim a pagar por isso mais tarde. Ou simplesmente estava num dia não. Não sei, mas fiquei de rastos. A parte final foi um sacrifício, força anímica zero, pensamentos em comida e por aí a fora. Ainda deu para apanhar um susto considerável quando um trator se atravessou na minha frente numa curva a descer. Roda bloqueada, ligeira aceleração cardíaca… Há dias assim.
O passeio de sábado acabou na praia, de estômago vazio e muito bem-disposto. O de domingo acabou a dormir no sofá depois de ter comido tudo o que consegui, como há muito tempo não acontecia.


No sábado, no regresso, ainda deu para captar umas imagens, depois de ter reparado nuns arcos que nunca tinha dado a devido atenção.

 

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Equilíbrio sobre duas rodas

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Sou um admirador confesso das bicicletas de equilíbrio, já que são a melhor forma de aprender a andar de bicicleta. Já falei várias vezes sobre elas, sendo que a minha referência dá pelo nome de Specialized Hotwalk, embora existam inúmeras marcas que apresentam propostas do conceito. Esta bicicleta, que permitiu ao meu filho uma aprendizagem rápida, natural e autónoma, anda lá por casa há cerca de 10 anos. E veio para ficar, já que não queremos desfazer-nos dela. O rapaz tem crescido e já tem outra adequada ao seu tamanho, mas o certo é que ainda anda com a pequena Hotwalk. É como se fosse uma espécie de transporte dentro de portas e veículo para manobras radicais. Ainda hoje reparei nela. Lá estava junto às maiores. É pequenina, mas tem uma grande presença!

 

2 anos de idade!

De BTT no Pinhal da Paz

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Domingo foi dia de juntar o útil ao agradável. A possibilidade de testar uma bicicleta elétrica fez-me tirar a FSRxc do vão da escada e levar-lhe para a estrada. Para a terra, queria dizer, que é o ambiente onde está mais à vontade. Infelizmente tenho saído muito pouco com esta bicicleta porque não gosto de fazer btt sozinho...
O local escolhido para o teste foi a Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, portanto, melhor escolha seria difícil. Este parque é simplesmente magnífico e permite um contacto ímpar com a natureza. Tem muitas possibilidades de uso, estando dotado de todas as infraestruturas necessárias. Fazer caminhadas, correr, andar de bicicleta, fazer circuitos de treino físico, ou simplesmente passear. Tem um parque infantil, permite a contemplação de animais (aqui já tenho algumas reservas!) e fazer grelhados e merendas nas inúmeras zonas destinadas para o efeito. Como se não bastasse, está bem localizado e é muito acessível. Por incrível que pareça, é muitas vezes esquecido, e contra mim também falo.

 

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Para andar de bicicleta não faltam condições e opções. O piso é dominado pelo cascalho vermelho mais ou menos batido, mas existem outros tipos dependendo das zonas, sendo que algumas podem ser bastante escorregadias. São imensos caminhos para percorrer, nas mais variadas inclinações, e aqui e ali, ainda existem umas variantes mais técnicas. Um recreio, portanto.
A minha velhinha Specialized sempre igual a si própria, sempre disposta, sempre fiel, sempre suave com a sua suspensão total e sempre pronta para as curvas. Após mangueirada à pressa, lá ficou a aguardar novas solicitações. E parece-me que vai, ou melhor, vamos ter sorte.
Este domingo foi dia de voltar à terra e em boa hora!

Teste elétrico – Specialized Turbo Levo HT Comp 6Fattie

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Ontem tive oportunidade de experimentar uma bicicleta de BTT elétrica. Tal como indica o título deste texto, uma Specialized Turbo Levo Hardtail Comp 6Fattie.
Bom, para começar posso dizer que o que possa cansar dizer o seu extenso nome é largamente compensado aos seus comandos, perante aqueles obstáculos naturais do terreno que nos obrigam a um esforço adicional para os transpor - subidas!
Esta foi a terceira bicicleta com assistência elétrica que tive o prazer de experimentar e a segunda destinada ao fora de estrada. E de longe a melhor. É certo que também se faz pagar por isso, mas apresenta diversos atributos que fazem dela uma das referências neste segmento.
Não vou aqui entrar em pormenores técnicos, por achar não serem relevantes para o caso, mas o comportamento da bicicleta é muito natural e intuitivo. O acréscimo de peso da tecnologia não se faz sentir. O motor assiste assim que iniciamos a pedalada, o que permite uma progressão muito fluída. Considerando a sua ação e a margem de manobra ao nível das mudanças, é enorme a sua abrangência. Os pneus gordos (650bX3.0) dispensam uma suspensão total e o conforto que proporcionam tem correspondência na segurança que transmitem. O nível de assistência pode ser configurado de acordo com as necessidades.
Gosto e acredito no conceito das bicicletas elétricas, principalmente numa utilização diária como meio de locomoção e transporte, mas uma bicicleta como esta Turbo Levo pode fazer todo o sentido para quem quer usufruir dos trilhos e da natureza de uma forma muito mais cómoda e descontraída.
Agradeço à empresa Carreiro & Comp. Lda. pelo teste e por me ter proporcionado a sensação momentânea de estar fisicamente ao nível dos melhores!

Volta ao concelho de Ponta Delgada

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A última vez que fiz esta volta apanhei o percurso que vai entre Mosteiros e João Bom em obras, com a parte ainda asfaltada muito suja e esburacada e outra em gravilha, muito pouco adequada aos pneus finos e duros de uma bicicleta de estrada. Para além do desconforto, ainda deu para apanhar um susto ou outro, numa reta a descer, onde a gravilha apresentava maior altura. Não passou disso, mas decidi logo ali que só voltava quando tivessem a estrada composta.
Soube recentemente que já estava asfaltada e então ontem foi dia de fazer esta tão conhecida volta. Sendo que a minha versão é um bocadinho mais esticada ao centro. Seja como for, é sempre uma forma de aferir a minha forma, seja pelo tempo a realizar, seja pela forma como o corpo reage, durante e depois. E sobretudo, pelo desafio e pelo prazer de fazer algo de que gosto tanto.

 

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Prima por ser uma volta essencialmente plana, embora por aqui, o conceito de plano não seja bem igual ao de outras paragens. O Facto, é que não há nem grandes subidas nem grandes descidas, principalmente na minha versão. Além disso é relativamente longa. Isso para mim não é necessariamente bom! Não sou grande rolador e começo a ficar maçado com alguma facilidade. Mói, portanto, prefiro que haja mais desníveis e variações. Mas também não é por isso que a deixo de fazer.
O tempo estava bom para a prática do ciclismo, embora se fizesse sentir um vento incomodativo em algumas zonas. Mas nada de mais. Se calhar já eram as minhas pernas a falar mais alto e a reagir mal à mais pequena contrariedade, já que comecei com elas cansadas e doridas, fruto de umas “invenções” dos dias antes.
Mas correu tudo bem, que é o que interessa. Até agendei mentalmente novas edições. Está em falta uma volta, neste figurino, no sentido Norte/Sul e outra com a minha bicicleta sem mudanças. Se calhar vou juntar as duas numa só…

Furnas – Sul/Norte

Era uma volta que já queria fazer há algum tempo. Sabia que seria mais dura e longa do que estou habituado, mas isso não foi impedimento para a concretizar hoje. O tempo não poderia ter estado melhor, o que tornou o passeio ainda mais agradável.

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Não há grande história para contar, basicamente foram algumas horas a pedalar, ora com mais, ora com menos dificuldade. E no fim o resultado que se espera, um misto de satisfação e cansaço, e aquela sensação de dever cumprido.

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Agora fica a faltar a subida ao Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo pelo mesmo sentido…

O outro lado...

Há situações em que se esbate boa parte do encanto e do charme de pedalar uma bicicleta relativamente recente, mas de conceito clássico, de inspiração noutros tempos.

Mesmo tendo como princípio que a opinião dos outros a mim não me diz respeito, é inegável que fico satisfeito quando alguém se dá ao trabalho de me felicitar e transmitir que acha a minha Allez Steel uma bicicleta especialmente bonita, inclusive pessoas com quem me cruzo por acaso e que não conheço de parte nenhuma.
Sem falsas modéstias, acho esta minha bicicleta de estrada em liga de aço encantadora. Mas (há sempre um mas…), as bicicletas não vivem só da estética, da diferença e do encanto!
Quando acedo participar num evento dedicado a bicicletas de estrada, onde a Allez estará lado a lado com algumas das mais recentes bicicletas, onde reina modernidade, tecnologia, leveza e eficácia, sei que estou logo, e sempre, em desvantagem.
Colocando de lado formas físicas e capacidades pessoais, o facto é que não sendo tudo, nem o mais importante, a bicicleta em que se vai montado importa, claro, mais ainda quando se está a falar em diferenças tão substanciais.
Ora bem, por trás daqueles tubos finos em vermelho vivo e dos periféricos exemplarmente cromados, a Allez acusa na balança estar demasiado próxima dos 13kg! Os seus manípulos de velocidades presentes no tubo diagonal escondem grande curso e imprecisão de acionamento, para já não dizer que é tudo menos eficaz e rápido ter de tirar as mãos do guiador e levá-las tão longe para acionar a velocidade pretendida, muitas das vezes quando mais precisamos delas. Conservadora é também a sua transmissão. Conservadora? Sim, também, mas é menina para merecer outros adjetivos menos simpáticos e com a mesma terminação, como demolidora, trituradora! Desta transmissão fazem parte dois dos componentes que são dos meus maiores inimigos em todo o conjunto – uma cassete de 8 carretos, em que o menor tem 12 e o maior tem 26 dentes! E um pedaleiro em que o prato pequeno tem 39 e o grande 52 dentes! As rodas são básicas e de entrada de gama, aliás como todos os seus componentes.
Isso do “o que importa é o ciclista não é a bicicleta” e “os que vão lá à frente também sofrem”, diz-me pouco ou nada, menos ainda quando quem o diz monta uma grande máquina!
Esta não é uma missiva de lamentação ou justificação, é apenas um texto que dá conta do outro lado. O outro lado de uma opção que tem tanto de consciente como de pouco óbvia. Uma opção que só por si apenas me impediu uma possível participação num par de situações. Uma opção que apesar das dificuldades impostas, e não são poucas, é a prova que as maiores limitações não têm origem externa.
Todo esse outro lado pesado, literalmente, não impedirá a minha presença, algo apreensiva mas descomprometida, nos eventos que achar convenientes, mesmo que isso implique consideráveis níveis de esforço e sofrimento por um lado, tal como, vontade e determinação por outro. Logo que os meus interesses não choquem demasiado com os dos outros (não quero ser empecilho para ninguém).
Cada evento é uma batalha a dois, onde, ora jogámos como um só contra o ambiente circundante, ora jogámos um contra o outro, eu e ela. A Allez impõe as suas armas à força, eu defendo-me e contra-ataco como posso. Até agora tenho levado a melhor, mas se eventualmente a sorte mudar, posso sempre alegar que fui legitimamente levado pelo seu encanto!

 

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Suspensão total

Os acontecimentos ciclísticos dos últimos dois fins-de-semana fizeram-me “desenterrar” a BTT e trazer-lhe para a estrada e para os trilhos novamente. Alheia ao facto também não será a pressão familiar que tenho sofrido para algumas incursões na terra, já que este é um gosto partilhado, do qual apenas me tinha voluntariamente afastado.
Se é certo que a minha disponibilidade para uma participação efetiva em eventos mais sérios é diminuta, cada vez mais avesso a compromissos que estou, também não é menos verdade que não sou indiferente aos mesmos.
De facto, o BTT é muito cativante e pode ocasionalmente não manifestar-se, por quaisquer circunstâncias de determinado momento, mas que deixa marca e que está sempre lá é inegável. E que desperta logo que estimulado.
Noutro tempo, não muito longínquo, não seria difícil encontrar um grupo de carolas para me encaixar, hoje, alguns destes foram autopromovidos a “atletas”, outros mudaram de segmento, outros ainda, simplesmente arrumaram os sapatos de encaixe e encostaram a bicicleta. E eu fiquei a rolar assim mais ou menos pelo meio… Sozinho!
Vou ter de intercalar as suspensões com os pneus fininhos, mesmo que de forma contida, mas por outro lado, é reconfortante saber que poderei ter uma muito próxima e entusiasmada companhia dentro em breve, logo que não haja mudanças radicais aos sinais atuais. Aguardo com serenidade e logo se vê…
A estrada é mais fria, mais solitária, mais direta, e isso serve melhor os meus propósitos e circunstâncias atuais, mas para ter gozo a sério em cima de uma bicicleta dêem-me terra e pedras, dêem-me pneus grossos cardados e uma suspensão total…

A minha BTT e uma espécie de despedida!

Depois de muito tempo a fazer saídas de BTT, sozinho ou em grupo, e depois de outro tanto sem pegar na BTT devido a um impedimento físico, resolvi sacudir o pó desta minha bicicleta vocacionada para as atividades ciclísticas mais radicais e para a terra. Uma relação recente marcada pelo afastamento físico, equilibrada com a lembrança de muitos momentos de prazer aos seus comandos, onde percebi inúmeras vezes o que é estar em estado de fluxo!
Desta feita, logo estranhei o seu tato mole, peso e dimensões, tal como a sua menor desenvoltura e rapidez em estrada, para não falar naquela zoada caraterística dos pneus cardados no asfalto. Nada disso era novidade, apenas estava esquecido e pouco habituado a bicicletas com suspensões e pneus gordos. Tentei fazer algumas incursões fora de estrada, já que estava de “trator”. Gostei e não esqueci tudo, mas aqui a menor desenvoltura era, sem dúvida, minha, não dela.
Mas não era só falta de hábito, senti uma resistência interior. Algo não estava a fazer sentido.
Não sei se é da idade, do trauma do joelho, do facto de circular sozinho, das minhas prioridades ciclísticas atuais, ou talvez sejam todas estas circunstâncias juntas, mas já não sinto a BTT como a sentia. Esta já não é a minha vertente favorita…
Um dia depois, lavei e lubrifiquei a bicicleta, como se fosse um ritual de despedida, ao contrário de outras alturas em que o fazia com o objetivo de lhe deixar pronta para o próximo domingo.
E se calhar foi mesmo uma despedida. O facto é que ela está pronta, não para sair, mas para ficar… Até um dia, talvez!

A rockabilly e a gótica

Lembrei-me de fazer um paralelismo entre duas das minhas bicicletas e duas mulheres. Comparar bicicletas com mulheres poderá parecer à primeira vista um exercício descabido, mas achei que seria engraçado e apeteceu-me.


Specialized Allez Steel - A rockabilly

É aquela mulher jovem mas madura, moderna mas de estilo retro, rockabilly ou pin-up pela sensualidade e erotismo, embora não muito voluptuosa. Apresenta toda uma dicotomia curiosa que lhe dá algum do seu charme. A cor vermelho sangue remete-nos facilmente para o batom que cobre os seus lábios ou mesmo para muitas das peças de roupa que denunciam as suas formas. É aquela mulher segura que sabe o que quer e embora aparentemente simpática e afável, não se deixa levar facilmente. Tem uma presença forte e não deixa indiferente aqueles que testemunham a sua passagem. Como qualquer mulher, deve ser tratada com um mínimo de tato e sensibilidade. Convém perceber a forma como se expressa para não esticar a corda de forma prematura e desnecessária. Apresenta algumas lacunas quando comparada com mulheres mais jovens e mais ligadas à tecnologia, mas não se deixa intimidar por isso. Pode não estar dentro dos parâmetros generalistas atuais, mas tem uma imagem intemporal e única, destacando-se pela simbiose perfeita entre beleza, caráter e simplicidade.


Globe Roll 1 - A gótica

É aquela mulher dura e desafiante e até sombria, que tem tanto de peculiar como de cativante, que ficamos sem saber como abordar, já que mostra muito pouco de si e daquilo que sente. Tem uma silhueta monocromática, simples e elegante. O preto é a cor dominante das suas vestes e o minimalismo é o princípio que rege a forma como se apresenta. Possui uma beleza menos explícita e mais extravagante. É uma das poucas que ainda segue o estilo gótico, tanto na sua aparência, como na sua atitude, introspetiva e obscura. É uma mulher cativante, sem dúvida. Nem que seja pelo desafio que representa relacionarmo-nos com ela. É igualmente exigente, firme e mordaz, que nos dá um retorno duro e brusco se agirmos de forma inapropriada. Mesmo considerando que é menos simpática que a sua colega rockabilly, quando tratada com assertividade e parcimónia é possível uma interação positiva, ao ponto de se criar uma relação duradoura e de uma certa dependência. Se calhar masoquismo é uma palavra demasiado forte, mas esta mulher, que não é exatamente conhecida por tratar bem os homens, tem um encanto ou um magnetismo qualquer que os atrai de forma inexplicável.


São duas mulheres lindas e atraentes, integras e cheias de caráter, cada uma no seu género e estilo, que me dão muito prazer. A minha relação com elas é tudo menos monogâmica. Mas é pacífica. E não podia ser de outra forma, já que para elas é indiferente, e por mim, definitivamente, não consigo resistir-lhes!

Mudança única e carreto fixo!

A abordagem que faço às bicicletas tem-me levado a afastar das soluções tecnologicamente evoluídas, da competitividade, dos elevados custos, da elevada eficácia dos componentes e de todo o conjunto. Estou sim, mais próximo do básico, de uma produção mais conservadora, simples, económica e de um estilo mais retro, mantendo os níveis de qualidade e de eficiência adequados aos meus objetivos e necessidades.
Há algum tempo que tencionava adquirir uma bicicleta sem mudanças e de carreto fixo. Tanto pelo estilo e simplicidade do conceito, como pelo desafio de condução inerente. Não digo que seja como aprender a andar de bicicleta de novo, mas é necessário rever vários hábitos há muito interiorizados. Também não vou negar que me dá um certo gozo ser mais uma vez diferente e pioneiro.
Mas este não foi um objetivo de concretização fácil. Implicou algum tempo de pesquisa, de seleção e ponderação. Considerei várias opções, entre propostas mais económicas, personalizadas e de série. Confesso que desde o início tinha preferência por um dos produtos da marca do “S” rasgado, mesmo que no caso não o ostente, acabando mesmo por comprar uma Specialized/Globe Roll 1, ao que não será alheia, uma vez mais, a postura da empresa representante local da marca.
Se calhar posso ser suspeito para emitir tal opinião, mas a estética da Roll é simplesmente arrebatadora! A solução monocromática onde o preto brilhante é a cor eleita e todo o visual minimalista e espartano proporcionado pelos finos tubos em aço (Cr-Mo) e pela ausência de componentes supérfluos, dão-lhe atitude e não lhe deixam passar despercebida.
A Roll possui um cubo traseiro “flip-flop”, ou seja, tem de um lado um carreto fixo e do outro um livre, que permite passar de “fixed gear” a “single-speed”, ou vice-versa, num simples rodar de roda. A minha saiu da loja na configuração “fixie”, apenas com o travão da frente instalado. A ideia é desenvolver capacidade para a dominar assim e para fazer “skids”, ou seja, a técnica de travagem em que se bloqueia a roda traseira com a paragem voluntária dos pedais. Estou em condições de dizer que não é tão fácil como parece, embora já tenha conseguido esboçar alguns “skids”, ainda que muito tímidos e inseguros.
Desde logo não gostei dos pedais com clip e fitas e foram prontamente substituídos por pedais de encaixe. É curioso constatar que neste momento a forma mais natural de pedalar envolva pedais de encaixe!
As novidades começam logo no arranque, com tendência para persistir - «olha, um pedaleiro com vontade própria!». A relação de transmissão (42X17) é adequada para uso citadino, para rolar em plano e até para subidas com inclinação moderada, mas o que mais me custou foram mesmo as descidas. Facilmente os pedais atingem uma rotação demasiado elevada o que acaba por ser exigente fisicamente, até porque a tendência é começar a saltitar sobre o selim, o que associado à pouca velocidade atingida fez-me desejar mais do que uma vez que as descidas em causa acabassem depressa.
Também convém não esquecer que não dá para descansar as pernas. Enquanto a bicicleta estiver a andar a pernas estão em movimento, até porque ela faz questão de nos informar disso da forma mais brusca possível. Tal como é preciso atenção à sua inclinação nas curvas, já que aqui não se ajeitam pedais quando nos dá jeito. De resto é possível (imperativo) abrandar a marcha fazendo força com as pernas no sentido inverso da mesma, até porque o travão da frente, por si só, nem sempre é suficiente.
Pormenores à parte, os dias têm sido curtos para desfrutar tudo o que a minha Globe Roll 1 tem para oferecer… E agora até já posso dizer com legitimidade e orgulho:
«My legs are my gears»

As bicicletas não se medem, apreciam-se!

A abordagem que faço às bicicletas é algo peculiar, pelo menos dentro do meio onde me movimento.

Interessa-me pouco a nobreza e a leveza do material que as compõem, a gama dos periféricos, o perfil das rodas, entre outras miudezas, que legitimamente centram a atenção de muitos. Não é algo que deseje, mas sei apreciar, principalmente quando qualidade, eficiência e estética estão em plena conjugação.
No ciclismo a competição não me inspira especialmente, mas reconheço a sua importância e não a desprezo. Nem que seja por ser relativa a algo que me diz muito, gosto de acompanhar, à minha maneira. Ocasionalmente, se me apetece até se faz uma perninha…
Quando ando de bicicleta não treino, os treinos deixo-os para o ginásio. Quando pego na bicicleta e saio para a rua é simplesmente para andar de bicicleta.
Bicicleta também é desporto, mas não é só desporto!
Curiosamente o mais pequeno ciclista cá de casa vibra com as provas de bicicleta. Embora seja normal que lhe tente incutir a minha linha de pensamento, não posso negar-lhe o acesso às mesmas. Aliás, fui eu quem lhe facultou este acesso e vou continuar a fazê-lo, enquanto ele assim o desejar. Ou seja, enquanto houver gosto, entusiasmo e empenho.

«Pai, quando houver provas nem precisas de me perguntar se quero ir, inscreves-me logo!»

Já quase sabe de cor os locais e a ordem das provas deste ano. Faz a contagem decrescente de cada dia que falta para o dia de prova. As medalhas que recebe são todas levadas para o colégio para mostrar à professora e aos colegas. Independentemente dos resultados, o ritual repete-se todas as vezes.

Há algum tempo adquiri uma bicicleta dobrável em segunda mão, como nova. Foi daquelas situações em que tudo estava em sintonia. A intenção de uma utilização urbana ficou por isso mesmo, depois do seu quadro me ter pregado uma partida, ou se calhar porque não me é assim tão conveniente.
Mas a minha bicicleta portuguesa em aço, de roda 20, com umas meras 6 velocidades, com periféricos de entrada de gama, com grupo de luz, guarda-lamas e suporte de bagagem, com um preço quase ridículo para os valores a que estamos habituados, que apresenta algumas manhas na hora de dobrar ou de montar/desmontar algum componente e que, pasmem-se, tem um peso bruto declarado de 17,200kg… é a minha/nossa “menina”! (Está ali um degrau abaixo da Allez Steel...)
Pode não transpirar qualidade e tecnologia, pode não ser o suprassumo da eficácia e da eficiência, mas é honesta e incrivelmente suave e confortável… E é linda!

O valor intrínseco das coisas, neste caso das bicicletas, é relativo. Valem de acordo com a importância que lhes damos, independentemente das suas caraterísticas teoricamente superiores ou inferiores.
É possível defender uma abordagem, uma vertente, uma linha de pensamento sem desprezar as restantes. E não estamos necessariamente a entrar em contradição. As opções podem ser diversas e divergentes, mas acho demasiado limitado enveredar cegamente apenas por uma. Com alguma abertura é possível aproveitar algo de cada uma delas. Aliás, é vantajoso. Mais do que andar a tirar medidas, a fazer comparações e a por em causa deve-se aprender, deve-se apreciar…
E isso tanto se aplica às bicicletas como em tudo na vida!

Eu, a bicicleta e a cidade

Foi hoje. Sem capacete, sem licras, sem luvas, nem sapatos de encaixe. Apenas com roupa do dia-a-dia e a bicicleta a servir de meio de transporte nas minhas deslocações. O dia pareceu ter sido escolhido a dedo para esta estreia urbana, já que fomos brindados com um autêntico dia de verão.
Já chateava andar a defender e a sugerir o uso diário da bicicleta e na hora H apenas abrir a porta, sentar-me e dar à chave no automóvel. Ao menos tinha que experienciar esta realidade.
Aproveitei a ida do carro para a revisão e fiz-me à estrada de bicicleta. A experiência não podia ter sido melhor. Até vim trabalhar com outro alento. Até o percurso feito soube-me a pouco. Até a hora de almoço foi a melhor dos últimos tempos. Satisfação é a palavra que melhor reflete o que senti.
Já todos sabemos das limitações de Ponta Delgada no que toca à circulação de bicicletas, cidade direcionada que está para a circulação automóvel. Na falta flagrante, em quantidade e qualidade, de locais de estacionamento específicos. Os próprios automobilistas não estão habituados a lidar com outros veículos que não os automóveis. E vivemos o impasse: As autoridades não apostam porque não estão sensibilizadas e porque não veem praticamente ninguém a andar de bicicleta. Nós não andamos porque as autoridades não criam as condições necessárias para o fazermos.
Mas se formos estar à espera que as estruturas e as condições apareçam, bem que nos podemos sentar. No fundo é o que fazemos, andamos todos sentados nos nossos carros, preocupados, a gastar, a poluir, a engordar. E os anos a passar…
Se calhar valia a pena mudar isso!

Percursos a pedais

Decorria o mês de novembro de 2008 quando decidi voltar a ter uma bicicleta. Depois de um longo período de ponderação, diversos fatores apontavam esta como uma boa opção.


Bicicletas - Onda de entusiasmo contagiante!
Por cá, começava-se a ouvir falar muito de bicicletas, de exercício sobre bicicletas, de provas de bicicletas. A escolha da marca e do modelo não foi muito complicada. Não fazendo uso de um discurso demasiado comercial ou publicitário, nunca escondi nem o meu gosto por uma especial marca americana, nem a relação de amizade que mantenho com as pessoas que dão a cara pela empresa que representa a mesma. Eleito o segmento de BTT, pela sua abrangência ao nível da utilização e gama de entrada de baixo custo, tendo em conta a minha qualidade de iniciante, queria no entanto uma base minimamente capaz de corresponder aos propósitos desta experiência.

Bicicletas – Começar e evoluir com entusiasmo mesmo perante os obstáculos!
Estava na hora de enfrentar os trilhos. A coisa nem sempre foi pacífica. No meu pequeno e desinteressante currículo constam pelo menos duas quedas que me abalaram os pensamentos. Mas no geral, não contrariaram o crescente entusiasmo e gosto que nutria por estes simples veículos a pedais.

Bicicletas – Necessidade ou desejo?!
Menos de um ano depois estava a negociar a troca da Hardrock. Curiosamente este momento foi decisivo também no que toca à forma como passei a encarar as bicicletas e o BTT. Entre uma HT vocacionada para a competição e uma FSR vocacionada para a polivalência e divertimento, ganhou a trail de suspensão total. Ganhou o lazer.

Bicicletas – Desafio sim, sacrifício não!
Nunca tive uma relação muito próxima da competição, aliás, depois de umas experiências esporádicas assumi definitivamente uma posição contrária à mesma, privilegiando a forma mais descontraída de encarar o ciclismo. A competição e a sua evolução implicam demasiado uma palavra que não se adequa a algo que me dá prazer fazer – sacrifício. E a diversos níveis. Esta é uma visão que poderá não agradar muito a quem faz da competição o seu cavalo de batalha, mas sinceramente não consigo ver as coisas de outra maneira.

Bicicletas – Privilegiar a simplicidade!
Se numa primeira fase a ideia era ter mais, ter melhor, como algo indispensável para poder fazer o que me propunha, atualmente tenho vindo a ajustar este comportamento, até porque cheguei à conclusão que muitas vezes, menos é mais!

Bicicletas – Estrada com estilo clássico!
Fundindo esta visão com um gosto especial que tenho por linhas clássicas e retro, em que as bicicletas não são exceção, adquiri a minha primeira bicicleta de estrada. Dispensei o alumínio e muito mais o carbono. O seu peso é-me indiferente, tal como o estatuto dos seus componentes e a eficácia da sua geometria e aerodinâmica. Simplesmente formulei mentalmente uma série de questões que teriam de ter resposta afirmativa:

- É adequada para as minhas necessidades e utilização?
- Tem um estilo clássico inconfundível?
- Tem um baixo custo de aquisição e manutenção?
- É robusta e fiável?
… É esta que eu quero!

Bicicletas – Desporto, mas também utilidade!
Depois desta aquisição tenho vindo a desbravar um mundo até agora pouco conhecido para mim, onde as bicicletas são veículos extremamente simples e são valorizadas pela sua essência, pelas suas raízes, pelo seu lado prático, pela sua utilidade. Em vez de uma visão unicamente associada ao desporto e à competição, onde as bicicletas acabam por ser encaradas como um “extra”, e em muitos casos como um “luxo”, pelos avultados valores que atingem.

Bicicletas - Há espaço para todas, falta é mentalidade para isso!
Mas todos os males fossem estes… Males são as nossas cidades estarem concebidas para os carros e não para as pessoas. É dar-se prioridade à circulação automóvel, o que não corresponde exatamente à real mobilidade das pessoas. É contribuir para a poluição do ar que respiramos. É esquecer os transportes públicos, os peões e claro, algo tão simples e básico, mas que pode fazer toda a diferença, a bicicleta.

Bicicletas – Falta de visão prática, utilitária e ambiental!
Pouco se faz e pouco se quer fazer, num meio onde os automóveis reinam, tal como reinam os espíritos comodistas dos seus proprietários. O que se faz nem sempre é bem feito. Os parques de bicicletas para além de escassos são obsoletos e as ciclovias que têm um piso vermelho bonito, continuam a relegar as bicicletas para um espaço que não lhes pertence, mas sim aos peões. As bicicletas precisam de circular, têm de ser úteis, têm de nos levar aonde for preciso. Ganhamos nós, ganham as cidades, ganha o ambiente.

Bicicletas – Elemento integrante para a qualidade do futuro!
No entanto, há países e cidades que são excelentes referências, há muita gente a dar exemplos fabulosos de atitude e comportamento. Basta irmo-nos inspirando e adaptando.

Basta querer…

4 Horas BTT CC/Specialized – A minha participação!

Faltavam poucas horas para o fecho das inscrições quando me fui inscrever. Depois de ter dado como certa a minha não participação nesta prova, devido aos trabalhos universitários, com algum esforço, lá consegui.
Já tinha participado numa prova da Taça de XC o ano passado, mas esta foi a minha estreia numa prova de Resistência. Pelo seu carácter mais lúdico e promocional, este último modelo tem mais a ver comigo e com os meus objectivos no que toca ao ciclismo.
Mesmo com a perfeita noção que poderia ser uma prova de exigência acrescida, tanto pela sua duração, como pelo local onde iria decorrer – Pinhal da Paz, já que tinha sido tudo decidido à última da hora, resolvi entrar sozinho, ou seja, como Individual.
Os meus objectivos eram básicos e pouco ambiciosos, fazer as 4 horas e usufruir do traçado e do ambiente que se vive nestas provas. O desafio seria tentar gerir o esforço, sem cair na tentação de ser levado em ritmos para os quais não estou preparado, podendo sofrer uma quebra que me levasse a fazer voltas em sofrimento, mas também não adormecer em cima da bicicleta!
Com algumas dicas de quem sabe mais do que eu, munido de líquido para hidratação e alguns produtos energéticos para as alturas de maior aperto, fiz uma prova regular, sempre nas calmas, rolando ao meu ritmo, ora esticando, ora abrandando, sem nunca entrar no limite, tal como pretendido.
O percurso era muito engraçado, sendo a secção final a minha preferida. Por sua vez, foi nesta mesma secção que apanhei um valente susto na zona de descida, quando levei com um atleta da CC/Specialized em cima! Fora isso, nenhuma queda a registar, apenas dois “engates” em zonas de ganchos, um deles mesmo junto à zona da meta.
No decorrer da prova fiz três paragens para trocar de garrafa, numa das quais, aproveitei para comer algo mais sólido e tirar umas pedras do sapato, no verdadeiro sentido da palavra.
Inicialmente prevista para ter lugar nas margens da Lagoa das Furnas, por falta de condições do local, o Pinhal da Paz surgiu como a alternativa possível, mas em boa hora na minha opinião. Com inúmeras opções de trajecto, mesmo com algumas condicionantes apresentadas, a equipa do Clube NC, teve a imaginação suficiente para traçar um percurso muito interessante e adequado para o que se propunha.
Ah… no final tive direito a prémio! Não, não foi uma taça, nem uma medalha, porque os resultados não chegaram para isso, mas sim uma “recuperação activa” completamente gratuita, até a casa em cima da bicicleta!
Depois de quatro grandes horas… Não presta?!

Fim-de-semana de estrada – Teste à Specialized Roubaix Expert SL

Nada melhor do que subir à Lagoa do Fogo num domingo e dar a volta ao concelho de Ponta Delgada numa segunda-feira feriado, logo pela manhã, para fazer a minha estreia numa bicicleta de estrada! Foi assim que dei as primeiras pedaladas na Roubaix de teste da empresa Carreiro & Comp. Lda.
Despertador no telemóvel programado para as 7H30 e aquele nervoso miudinho indicador da minha apreensão relativamente à bicicleta, mas principalmente ao que tinha pela frente. Na madrugada de domingo, eram cerca das 4H00 e estava acordado! O percurso da Lagoa do Fogo já me estava a intimidar e ainda nem tinha sentado o rabo no selim da SL.
Por falar em selim, o “Toupé” gel montado, revelou logo ser uma “pedra”, tal a sua dureza e a minha falta de “calo”! Mas este não é o selim de origem desta bicicleta de “Endurance”, mas sim o “Avatar”, igualmente em gel e consideravelmente mais confortável. Desde logo também acusei a posição de condução bastante mais radical do que estou habituado, as contidas dimensões, a extrema leveza e a rigidez da Roubaix.
Depois de seleccionar a melhor velocidade para o local onde rolava, mesmo à saída de casa, notória foi também a sua rapidez e agilidade. Pelas afirmações que já ouvi de ciclistas de estrada e pelas características que apresentam, tinha ideia que seriam rápidas, mas para ter a verdadeira noção do que estas máquinas são capazes, só mesmo experimentando!
Reactiva, é também uma das suas características, acusando logo, seja o nosso movimento sobre o selim, seja a mudança de posição das mãos sobre o guiador. Depois de alguns km e de agir de forma mais suave e intuitiva, este facto é minimizado. No entanto, qualquer solicitação que se faça no pedaleiro, a reacção não se faz esperar.
A rigidez e os pneus finos fazem-nos sentir todas as imperfeições da via e requer alguma atenção extra com objectos ou buracos de maior dimensão, de forma a evitar sustos, mas por outro lado, toda a energia gerada nos pedais é aproveitada e transformada em velocidade. Aqui avança-se efectivamente. Haja pernas!
De facto, em mau piso, mesmo tendo em conta que este modelo conta com inserções de Zertz para filtrar vibrações, quer na forqueta, quer nos tubos superiores do triângulo traseiro, sente-se muita coisa, conseguindo ser, este e com certeza todos os outros modelos de estrada, autênticos vibradores gigantes a circular no nosso conhecido empedrado (calçada)!
Os travões funcionam de acordo com as características da bicicleta, mas para quem está habituado a uns travões de disco hidráulicos, os Ultegra da Shimano não são mais do que uma espécie de travões, uns “abrandadores”, vá lá…
Percebi que como tudo é preciso menos tensão e maior à vontade que só a experiência traz, mas resumindo e concluindo, esta Roubaix Expert é uma máquina incrível que adorei experimentar. É decidida, contundente e motiva-nos para dar sempre mais, o que a torna uma excelente aliada tanto para treinos mais intensivos, como para passeios mais calmos e longos, já que a sua cuidada geometria, sem descurar a competitividade, permite um conforto que não é apresentado por outros modelos mais radicais.
O ciclismo de estrada tem muito que se lhe diga e nos últimos dois dias pude viver uma pequena parte disso mesmo, com a possibilidade de testar esta Specialized Roubaix Expert SL. Pela bicicleta, pelas pessoas, pelos percursos... Uma Grande Experiência!

(Também) Tenho perfil para ciclismo de estrada!

No final do passeio do Clube Banif Açores alguém (A Biker das 10), dizia que eu não tinha perfil para o ciclismo de estrada (ter uma bicicleta de estrada).
Curiosamente, minutos depois estava de regresso a casa na companhia da Tânia Chaves, que tripulava, nada mais, nada menos, do que uma Specialized Dolce de estrada. Foi inevitável que boa parte do diálogo assentasse na temática – Montanha vs. Estrada!
Não sendo uma ideia de todo errada, também está longe de ser totalmente acertada, já que outros factores, para além do meu assumido gosto pela “terra”, têm algum peso na forma como encaro as bicicletas, onde aspectos de carácter lúdico e de lazer se conjugam com a preparação física e o desafio, em oposição aos meus receios.
A minha tendência, já derivada das motos, sempre foi a conciliação entre o “on” e o “offroad” e assim a opção natural era uma bicicleta de montanha, mas mesmo nos primórdios da ideia de vir a adquirir uma bicicleta, tive alguns diálogos com o meu amigo Alberto Botelho da Carreiro & Comp. (quem melhor?), onde modelos da Specialized como Centrum, Sirrus, Crosstrail e até Expedition! (modelos práticos de vocação estradista e de passeio) foram tidos em conta ou pelo menos foram abordados.
Mais, nos meus tempos de criança/adolescente tive uma bicicleta de estrada que o meu pai trouxe dos EUA. Não sendo uma máquina com a qualidade que nos é permitido verificar hoje, já era possível “saborear” algumas das mais-valias de uma bicicleta deste segmento.
Tendo em conta a última aquisição que fiz, o meu tempo disponível, o tecto de investimento máximo que estabeleci e a utilização que dou à bicicleta, apesar de estar muito satisfeito com a FSRxc, que representa um salto qualitativo considerável, já pensei que se calhar deveria ter ponderado a opção de ter mantido a Hardrock e ter investido o diferencial numa bicicleta de estrada?!
Para já, tenho resistido a não experimentar a Tarmac ou a Roubaix de teste disponíveis no concessionário Specialized local, porque já sei que o risco de nunca mais pensar noutra coisa é real, mas com o despoletar simultâneo de situações, pensamentos e crescente curiosidade, já vi que esta resistência tem os dias contados...

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