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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

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Hayabusa

Há uma série de motas que me fazem sonhar, entre europeias, japonesas e americanas, embora existam diferenças claras entre umas e outras.
Sinceramente, todo o lado paixão e emoção ao qual apelam as produções europeias e americanas, cativam-me cada vez mais, enquanto as competentes japonesas brilham noutros campos. Mas existe uma “menina” que já conta com alguma idade e até com uma segunda geração, que desde o seu nascimento, não me deixa indiferente.
Talhada para a velocidade, foi equipada com uma motorização de grande capacidade e foi levada aos limites do aceitável no que toca à estética, inspirada numa ave de rapina do reino animal, uma vez que a prioridade era a aerodinâmica.
Cereja no topo do bolo, a designação - HAYABUSA!
De facto, a Suzuki inspirou-se no falcão peregrino e nas suas capacidades “corta-vento”, para criar uma super mota capaz de ultrapassar os 300 km/h de velocidade máxima, e conseguiu!
A Suzuki GSX1300R Hayabusa por tudo o que representa, tornou-se numa das mais carismáticas motas japonesas, sendo um sucesso generalizado, onde um pouco por toda a parte, tem fiéis admiradores.
Nove anos depois do seu lançamento e de uma carreira bem sucedida, a marca de Hamamatsu, sob pena de não perder o comboio do sucesso, resolve actualizar a sua máquina recordista, o que na minha opinião, foi uma intervenção acertada.
Dotando-a de componentes ciclisticos actuais, de um motor ainda mais potente (cerca de 200 cv com indução de ar / Ram-Air), mas mais utilizável e com alguns requintes tecnológicos (3 mapas injecção/comportamentos disponíveis ao toque de um botão) e mesmo com igual modernização de linhas, manteve no geral, toda a imagem e carácter que sempre a demarcou.
Se já era admirador do modelo inicial, depois do contacto que tenho tido com esta nova Hayabusa (2008), apaixonei-me completamente e não é apenas pela velocidade alcançada, nem pelos cavalos do motor, mas sem dúvida, que ter a noção que todo o seu potencial está ali à distância de um rodar de punho, é motivo de orgulho e satisfação. A aura da mais rápida do mundo que a envolve, associada à sua imagem única, fazem o restante trabalho, distinguindo-se aonde quer que passe.
Mas valerá realmente a pena ter uma, ou poderá ser uma ilusão?
A Hayabusa tem valores consideráveis ao nível da potência, peso e preço, tendo como ambiente preferencial os grandes espaços. Além disso, é mota para consumir combustível e pneus com muita facilidade e pela sua posição de condução, embora não 100% sport, pode condicionar o seu uso.
Para completar, tem uma “rival” dentro da própria marca (B-King), que oferece sensações a nível de motor semelhantes, numa roupagem colossal e com uma posição de condução mais natural, sem qualquer protecção aerodinâmica é certo, agora por um valor substancialmente mais baixo.
De qualquer forma, apesar de todos estes factores reais a considerar, o facto é que esta mota também é capaz de rodar a ritmos de passeio em sexta velocidade sem preocupações, tal é o seu binário e suavidade de reacções, é capaz de fazer consumos razoáveis e ser minimamente poupada em borracha a estes ritmos, é capaz de nos proporcionar divertimento numa estrada de montanha, apesar do seu volume e é capaz de levar um passageiro em condições dignas, tudo isso com estabilidade e segurança. E mesmo que não fosse capaz de fazer nada disso, quem tem paixão por uma mota destas, não deverá ralar-se muito. Mas o que queria realçar, pelo menos na minha opinião, é que uma Hayabusa, numa utilização “normal”, pode ser bastante mais amigável do que as irmãs da gama GSX-R, por exemplo. O que não deixa de ser uma mais-valia, tornando-a assim num valor ainda mais seguro e não tão irracional como se poderá pensar à partida.
E mesmo que não se seja “acelera”, está lá sempre o reconfortante facto de saber o poder que levamos abafado debaixo da mão direita, bastante um golpe desta, para consumar uma ultrapassagem e vermos os ponteiros do velocímetro e do conta rotações subirem desenfreadamente!
É daquelas motas de sensações, conjugadas com uma imagem única e carismática.
Bom, dividindo os prós e os contras nos pratos de uma balança, o prato dos contras é rapidamente batido por algo que não é mensurável, no fundo o que andei até agora a tentar explicar, mas que tem um peso definitivamente favorável.
Se calhar este texto é um chato e longo “testamento”?
Lamento, mas para a mota em causa, foi o mais resumido que consegui fazer, é que podia estar aqui a divagar por muitas mais linhas...
Eu também em vez deste, preferia ler, ou que me fosse lido, um testamento (dos verdadeiros), em que estivesse mencionado o meu nome e 15.000€ associados. O suficiente para ir a correr buscar a minha Hayabusa e um par de “Yoshimuras” em carbono!

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