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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

O outro lado...

Há situações em que se esbate boa parte do encanto e do charme de pedalar uma bicicleta relativamente recente, mas de conceito clássico, de inspiração noutros tempos.

Mesmo tendo como princípio que a opinião dos outros a mim não me diz respeito, é inegável que fico satisfeito quando alguém se dá ao trabalho de me felicitar e transmitir que acha a minha Allez Steel uma bicicleta especialmente bonita, inclusive pessoas com quem me cruzo por acaso e que não conheço de parte nenhuma.
Sem falsas modéstias, acho esta minha bicicleta de estrada em liga de aço encantadora. Mas (há sempre um mas…), as bicicletas não vivem só da estética, da diferença e do encanto!
Quando acedo participar num evento dedicado a bicicletas de estrada, onde a Allez estará lado a lado com algumas das mais recentes bicicletas, onde reina modernidade, tecnologia, leveza e eficácia, sei que estou logo, e sempre, em desvantagem.
Colocando de lado formas físicas e capacidades pessoais, o facto é que não sendo tudo, nem o mais importante, a bicicleta em que se vai montado importa, claro, mais ainda quando se está a falar em diferenças tão substanciais.
Ora bem, por trás daqueles tubos finos em vermelho vivo e dos periféricos exemplarmente cromados, a Allez acusa na balança estar demasiado próxima dos 13kg! Os seus manípulos de velocidades presentes no tubo diagonal escondem grande curso e imprecisão de acionamento, para já não dizer que é tudo menos eficaz e rápido ter de tirar as mãos do guiador e levá-las tão longe para acionar a velocidade pretendida, muitas das vezes quando mais precisamos delas. Conservadora é também a sua transmissão. Conservadora? Sim, também, mas é menina para merecer outros adjetivos menos simpáticos e com a mesma terminação, como demolidora, trituradora! Desta transmissão fazem parte dois dos componentes que são dos meus maiores inimigos em todo o conjunto – uma cassete de 8 carretos, em que o menor tem 12 e o maior tem 26 dentes! E um pedaleiro em que o prato pequeno tem 39 e o grande 52 dentes! As rodas são básicas e de entrada de gama, aliás como todos os seus componentes.
Isso do “o que importa é o ciclista não é a bicicleta” e “os que vão lá à frente também sofrem”, diz-me pouco ou nada, menos ainda quando quem o diz monta uma grande máquina!
Esta não é uma missiva de lamentação ou justificação, é apenas um texto que dá conta do outro lado. O outro lado de uma opção que tem tanto de consciente como de pouco óbvia. Uma opção que só por si apenas me impediu uma possível participação num par de situações. Uma opção que apesar das dificuldades impostas, e não são poucas, é a prova que as maiores limitações não têm origem externa.
Todo esse outro lado pesado, literalmente, não impedirá a minha presença, algo apreensiva mas descomprometida, nos eventos que achar convenientes, mesmo que isso implique consideráveis níveis de esforço e sofrimento por um lado, tal como, vontade e determinação por outro. Logo que os meus interesses não choquem demasiado com os dos outros (não quero ser empecilho para ninguém).
Cada evento é uma batalha a dois, onde, ora jogámos como um só contra o ambiente circundante, ora jogámos um contra o outro, eu e ela. A Allez impõe as suas armas à força, eu defendo-me e contra-ataco como posso. Até agora tenho levado a melhor, mas se eventualmente a sorte mudar, posso sempre alegar que fui legitimamente levado pelo seu encanto!

 

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