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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Na companhia da velha guarda!

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.

Pedais vs. Vento. Sapatos vs. Chuva.

A minha pontaria para escolher os dias certos para fazer coisas é tanta que até chateia!
Experimentar os sapatos e os pedais novos? Debaixo de chuva, pois claro.
E como se não bastasse, tinha acabado de passar uma mangueirada na bicicleta quando o c@brão do vento atira-me com ela ao chão, pois claro.
Bom, na verdade não existem dias certos para fazer estas coisas. Tinha vontade e disponibilidade, fui. Calhou estar de chuva, paciência.
O pedal direito já se diferencia esteticamente do esquerdo? É lixado, logo no primeiro dia, mas que se lixe!
Quanto aos sapatos? Não são impermeáveis, é só o que tenho a dizer…

 

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De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Allez - Atualização

Ficou assente no decorrer da minha volta às Sete Cidades que iria fazer algumas alterações na minha bicicleta de estrada. Aliás, durante esta volta, em vez da bolsa de selim usei pela primeira vez o “copo” para ferramentas alojado no segundo suporte de garrafa, suporte que esteve sempre guardado num armário desde que o comprei. Quanto ao “copo”, sem dúvida, muito prático!
Quanto às mais recentes alterações, até agora foram adiadas, tanto por falta de necessidade, como por princípio. – Para quê trocar peças que estão a funcionar mesmo que não sejam as mais adaptadas à minha realidade? – Era o meu pensamento.
Então a cassete de oito velocidades original (12-26) cedeu o seu lugar a uma com o mesmo número de carretos, onde o carreto mais pequeno tem 11 dentes e o maior uns expressivos 32! Já deu para perceber a diferença, embora ainda não tenha feito a subida certa.

 

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A outra alteração foram os pedais. Até agora usava pedais de encaixe de BTT, sendo que o modelo escolhido na altura teve em conta o facto de poder circular com esta bicicleta com sapatos do dia-a-dia, ou seja, encaixe de um lado, plataforma do outro. Por outro lado, sempre refreei a aquisição de pedais de encaixe para estrada porque me obrigava a investir noutros sapatos. Foi agora. Ainda não experimentei, aliás, nunca andei com encaixes de estrada, portanto será uma estreia absoluta. E não experimentei porque ainda não tenho os sapatos!

 

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Neste momento já não faz sentido manter uma cassete com uma relação tão pouco amigável, até porque já nem tenho idade para isso (?!), tal como manter uns pedais vocacionados para BTT e uso descontraído, quando tenho outras bicicletas e respetivos pedais muito melhores para o efeito, em vez de ter uns verdadeiramente adequados para a bicicleta e para o uso que lhe dou.
São pequenas alterações, simples e óbvias, que farão da minha Allez uma bicicleta mais “amiga”, efetiva e adequada aos meus propósitos.

Da realidade às Sete Cidades

De regresso à realidade. Depois de um fim de semana em grande, com muitas horas em cima de uma bicicleta que se propõe a isso, este último feriado foi dia de voltar aos comandos da Allez Steel para a reedição de uma volta que fiz em tempos com dois companheiros - norte/norte com descida à freguesia de Sete Cidades - desta feita a solo.

 

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Com o fantasma da lesão e o constrangimento da falta de regularidade presentes, inibo-me de certas aventuras, às vezes erradamente, como se veio a verificar. Sem queixas, apesar do considerável vento de sudoeste que se fazia sentir, num dia típico na ilha, onde circulei sob céu azul e céu muito nublado, sol e até nevoeiro, à maneira que progredia no percurso.
Na descida de cimento para as Sete Cidades estranhei o conforto e a segurança sentidos há uma semana atrás, mas pronto, é o que há… e é bom!

 

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Nestes dois pares de horas equacionei várias situações, normal quando se rola sozinho tanto tempo, e no que toca especificamente à minha montada decidi que iria fazer pequenas alterações dentro em breve. Nada de especial, apenas adaptações para a tornar mais “amiga”, em vez de manter uma postura entre a teimosia, o masoquismo e o deixa estar, mantendo-a inalterada para o bem e para o mal. Na verdade, é mais para o mal!
Mais um dia em que cheguei a casa cansado, mas satisfeito e grato por viver onde vivo, por ter a bicicleta e a disponibilidade que tenho e por ter a capacidade de pedalar até onde desejo.

Sempre a Allez…

A corrente saltava ocasionalmente. Trouxe-a à oficina. Uma pequena afinação resolveu a questão...
A Allez de aço é a bicicleta que mais uso neste momento. Desde que o BTT foi colocado de parte por força das circunstâncias, esta “estradeira” é a minha companheira preferida de pedaladas. Digamos que é a mais funcional e prática, mesmo apresentando soluções e condições de uso muito específicas, pelo menos para os padrões atuais. Mas não fica por aqui.
Há quem lhe chame carinhosamente de “clássica”, de “vintage”…
O facto é que se trata de uma simples bicicleta de estrada recente (2011), mas inspirada em bicicletas de outros tempos, que lhe permite ter uma imagem única e um posicionamento diferente.
Tanto destoa como que se integra, tanto passa despercebida como se destaca!
É aquela bicicleta que na prática não consegue (nem quer) competir diretamente com as suas “primas” de estrada supermodernas, evoluídas, competitivas e eficientes, mas que tem o seu espaço, não por ser o patinho feio, mas porque tem uma imagem genuína, simples, intemporal e minimalista, que alguns valorizam.
E sim, claro que fico satisfeito quando alguém faz questão de o demonstrar.

Ah, hoje é o Dia Mundial da Bicicleta!

 

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Boca santa!

Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Onte uma binçoada disse uma cousa quê fiquê chê de mania.
- Êh hôme, a tua bcecléte é uma cousa linda!
Boca santa!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

… Allez Capelas

Mudou a hora, mas não mudou a rotina de ir dar uma volta de bicicleta. Nem diminuiu a vontade de pedalar. A manhã de domingo, salvo raras exceções, é minha, com mais ou menos uma hora. Dormi menos o que não é problema. Despachei-me sem pressas, até porque para horas já me chegam os dias úteis da semana. A Allez ficou pronta na hora, nem retoquei a pressão dos pneus, bastou instalar a bolsa de selim (pouco estética, mas útil) e a garrafa de água no suporte. Tinha uma ideia relativamente ao destino, mas ao contrário das horas, o estado do tempo trocou-me a volta. Deixei-me levar e fui improvisando ao longo do percurso. Passou uma hora. Estava inclinado para as subidas. Passaram-se duas horas. Estava longe disso, mas quando dei por mim estava nas Capelas. Passaram-se quase 3 horas e nem dei pelo seu passar. Estava em casa. Agora que mudou a hora os dias são maiores…

 

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Vila Franca do Campo

Este domingo foi dia de mudar de ares. Rumei ao lado sul da ilha e fui com a Allez até Vila Franca do Campo. O tempo estava excelente para andar de bicicleta, não obstante algum vento de sudoeste que se fazia sentir. Com variações entre a calma e o maior ritmo, e até as paragens para captar algumas imagens, quando dei por mim já estava no meu destino. É incrível como hoje em dia as distâncias são tão relativas... aqui há uns anos atrás ir à Vila Franca ou até mesmo a locais mais próximos, só de carro ou de mota. Mas ainda bem que essa realidade mudou!
O ponto de retorno acabou por ser a Praia da Vinha da Areia. E foi a sair da mesma que avistei lá mais à frente uma colega ciclista. Acabei por me juntar a ela algures a sair de Vila Franca. Este facto tornou o regresso mais agradável e a temível subida do Pisão menos sofrida. Até gosto de andar sozinho, sendo que o faço quase sempre nesta condição, mas admito que é uma mais-valia ter companhia nas voltas de bicicleta. Despedimo-nos em Ponta Delgada.
Antes de ir para casa, ainda tive um bocado à conversa numa zonal balnear da cidade, onde a Allez foi alvo de apreciação, com teste incluído. Para além dos elogios, recebeu pela primeira vez uma explícita proposta de compra...
- Não, não está à venda, mas obrigado na mesma.

 

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Carnaval a pedais

Não gosto do Carnaval, mas dá-me jeito a tolerância que é normal ter nesse dia. Aproveitei para fazer o mesmo de sempre, pedalar. Variei na bicicleta. Levei a BTwin Triban 500 à Gorreana, para um teste mais prolongado. Bastou montar os pedais de encaixe e subir o selim, e lá fomos. Tudo o que já disse sobre ela confirma-se. Não é fácil ter tanto por tão pouco!

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Duas horas depois ainda estava com as mãos nela, e não só. Desta feita, sem luvas e com as mãos inevitavelmente mais sujas. Não, não houve nenhuma avaria, apenas limpeza e manutenção que tenho vindo a descurar ultimamente em algumas das bicicletas cá de casa. Às vezes falta-me aquela vontade, mas depois de começar fico sem dar pelo tempo passar. É algo que me agrada e satisfaz.

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É o meu Carnaval…

Sábado BTT, domingo Estrada

Que o fim de semana tenha dois dias é normal, mas andar duas vezes de bicicleta não é.
Sábado foi dia de BTT. Óleo na corrente, garrafa no suporte, bolsa de selim e lá fui com a FSRxc para o passeio da Bicicletaria Azores. Esta loja tem feito alguns eventos desde a sua inauguração e tenho marcado sempre presença. São passeios descontraídos e muito agradáveis, onde não me canso de destacar a simpatia dos seus promotores. Desta vez foram introduzidas algumas alterações no percurso, que o tornou ainda mais divertido. Foi mais uma agradável manhã de BTT, que no meu caso culminou com um belo banho na praia.
Domingo foi dia de Estrada. O mesmo ritual mais a retificação do ar nos pneus e lá fui com a Allez para mais uma volta ao concelho de PDL. Fiquei gostando. A última vez que a fiz correu muito bem, com a particularidade de ter levado a minha bicicleta sem mudanças, por isso, com esta, seriam favas contadas. Não foram! Comecei bem, se calhar bem demais e vim a pagar por isso mais tarde. Ou simplesmente estava num dia não. Não sei, mas fiquei de rastos. A parte final foi um sacrifício, força anímica zero, pensamentos em comida e por aí a fora. Ainda deu para apanhar um susto considerável quando um trator se atravessou na minha frente numa curva a descer. Roda bloqueada, ligeira aceleração cardíaca… Há dias assim.
O passeio de sábado acabou na praia, de estômago vazio e muito bem-disposto. O de domingo acabou a dormir no sofá depois de ter comido tudo o que consegui, como há muito tempo não acontecia.


No sábado, no regresso, ainda deu para captar umas imagens, depois de ter reparado nuns arcos que nunca tinha dado a devido atenção.

 

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Volta ao concelho de Ponta Delgada

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A última vez que fiz esta volta apanhei o percurso que vai entre Mosteiros e João Bom em obras, com a parte ainda asfaltada muito suja e esburacada e outra em gravilha, muito pouco adequada aos pneus finos e duros de uma bicicleta de estrada. Para além do desconforto, ainda deu para apanhar um susto ou outro, numa reta a descer, onde a gravilha apresentava maior altura. Não passou disso, mas decidi logo ali que só voltava quando tivessem a estrada composta.
Soube recentemente que já estava asfaltada e então ontem foi dia de fazer esta tão conhecida volta. Sendo que a minha versão é um bocadinho mais esticada ao centro. Seja como for, é sempre uma forma de aferir a minha forma, seja pelo tempo a realizar, seja pela forma como o corpo reage, durante e depois. E sobretudo, pelo desafio e pelo prazer de fazer algo de que gosto tanto.

 

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Prima por ser uma volta essencialmente plana, embora por aqui, o conceito de plano não seja bem igual ao de outras paragens. O Facto, é que não há nem grandes subidas nem grandes descidas, principalmente na minha versão. Além disso é relativamente longa. Isso para mim não é necessariamente bom! Não sou grande rolador e começo a ficar maçado com alguma facilidade. Mói, portanto, prefiro que haja mais desníveis e variações. Mas também não é por isso que a deixo de fazer.
O tempo estava bom para a prática do ciclismo, embora se fizesse sentir um vento incomodativo em algumas zonas. Mas nada de mais. Se calhar já eram as minhas pernas a falar mais alto e a reagir mal à mais pequena contrariedade, já que comecei com elas cansadas e doridas, fruto de umas “invenções” dos dias antes.
Mas correu tudo bem, que é o que interessa. Até agendei mentalmente novas edições. Está em falta uma volta, neste figurino, no sentido Norte/Sul e outra com a minha bicicleta sem mudanças. Se calhar vou juntar as duas numa só…

Furnas – Sul/Norte

Era uma volta que já queria fazer há algum tempo. Sabia que seria mais dura e longa do que estou habituado, mas isso não foi impedimento para a concretizar hoje. O tempo não poderia ter estado melhor, o que tornou o passeio ainda mais agradável.

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Não há grande história para contar, basicamente foram algumas horas a pedalar, ora com mais, ora com menos dificuldade. E no fim o resultado que se espera, um misto de satisfação e cansaço, e aquela sensação de dever cumprido.

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Agora fica a faltar a subida ao Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo pelo mesmo sentido…

A tradição ainda é o que era!

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Para alguns e algumas que andam de bicicleta, o primeiro dia do ano significa subir o Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo.
Bom, para não ser apanhado em alguma incoerência digo já que, para mim, esta é uma tradição sem muita tradição, já que é a apenas a segunda vez que faço esta subida neste dia.
Não fazia muito sentido ir lá baixo ao encontro do grupo que vinha fazer a subida e arranquei diretamente de cá de cima, lá para cima!
Fazer a subida, sozinho, é ainda mais difícil psicologicamente, mas por outro lado temos muito tempo para pensar e falar connosco próprios. Aliás, muito do que estão a ler neste momento, advém do que idealizava escrever enquanto carregava forte nos pedais.
Para destabilizar um pouco, pelo caminho, lembrei-me que o corta-vento (útil para a descida) tinha ficado esquecido em casa e um olhar lá para o alto indicava nevoeiro. E eu de óculos escuros na cara! Passou-me pela cabeça que se calhar era melhor ir até à Gorreana…
Não, vamos é para cima!
Paragem para a foto que ilustra este texto, mudança mais leve engrenada e toca a subir.
É sempre difícil, mesmo em alturas que já estive em melhor forma, mas lá fui com calma, pedalada atrás de pedalada, enquanto superava os segmentos do percurso que marcava visualmente e geria os meus pensamentos e monólogos.
Cruzei-me com alguns colegas que já vinham a descer. Cercado pelo branco do nevoeiro, sentindo ocasionalmente o ar fresco do vento, já próximo do topo, mas com ainda bastante inclinação para vencer, ouvir coisas banais como «bom dia!», «está quase!», «bom ano!» e «força!» é como tomar uma espécie de gel energético para a determinação.
Metade estava feito, nem parei, ou melhor parei já a descer para meter os óculos (escuros e embaciados?!) na cara. Lagoa aqui vamos nós, sem ver a ponta de um corno!
Descida interminável esta…
Acho que preferi subir ou então estou a sofrer de memória curta!
Já a rolar cá em baixo tinha as pernas tão frias que era como se estivesse a sair de casa novamente, com a agravante de estar substancialmente mais frio, moído, molhado e sujo!
Bastante sujo para quem apenas percorreu estrada! Mas nada que um banho de mar não lavasse…
Está feito!

O outro lado...

Há situações em que se esbate boa parte do encanto e do charme de pedalar uma bicicleta relativamente recente, mas de conceito clássico, de inspiração noutros tempos.

Mesmo tendo como princípio que a opinião dos outros a mim não me diz respeito, é inegável que fico satisfeito quando alguém se dá ao trabalho de me felicitar e transmitir que acha a minha Allez Steel uma bicicleta especialmente bonita, inclusive pessoas com quem me cruzo por acaso e que não conheço de parte nenhuma.
Sem falsas modéstias, acho esta minha bicicleta de estrada em liga de aço encantadora. Mas (há sempre um mas…), as bicicletas não vivem só da estética, da diferença e do encanto!
Quando acedo participar num evento dedicado a bicicletas de estrada, onde a Allez estará lado a lado com algumas das mais recentes bicicletas, onde reina modernidade, tecnologia, leveza e eficácia, sei que estou logo, e sempre, em desvantagem.
Colocando de lado formas físicas e capacidades pessoais, o facto é que não sendo tudo, nem o mais importante, a bicicleta em que se vai montado importa, claro, mais ainda quando se está a falar em diferenças tão substanciais.
Ora bem, por trás daqueles tubos finos em vermelho vivo e dos periféricos exemplarmente cromados, a Allez acusa na balança estar demasiado próxima dos 13kg! Os seus manípulos de velocidades presentes no tubo diagonal escondem grande curso e imprecisão de acionamento, para já não dizer que é tudo menos eficaz e rápido ter de tirar as mãos do guiador e levá-las tão longe para acionar a velocidade pretendida, muitas das vezes quando mais precisamos delas. Conservadora é também a sua transmissão. Conservadora? Sim, também, mas é menina para merecer outros adjetivos menos simpáticos e com a mesma terminação, como demolidora, trituradora! Desta transmissão fazem parte dois dos componentes que são dos meus maiores inimigos em todo o conjunto – uma cassete de 8 carretos, em que o menor tem 12 e o maior tem 26 dentes! E um pedaleiro em que o prato pequeno tem 39 e o grande 52 dentes! As rodas são básicas e de entrada de gama, aliás como todos os seus componentes.
Isso do “o que importa é o ciclista não é a bicicleta” e “os que vão lá à frente também sofrem”, diz-me pouco ou nada, menos ainda quando quem o diz monta uma grande máquina!
Esta não é uma missiva de lamentação ou justificação, é apenas um texto que dá conta do outro lado. O outro lado de uma opção que tem tanto de consciente como de pouco óbvia. Uma opção que só por si apenas me impediu uma possível participação num par de situações. Uma opção que apesar das dificuldades impostas, e não são poucas, é a prova que as maiores limitações não têm origem externa.
Todo esse outro lado pesado, literalmente, não impedirá a minha presença, algo apreensiva mas descomprometida, nos eventos que achar convenientes, mesmo que isso implique consideráveis níveis de esforço e sofrimento por um lado, tal como, vontade e determinação por outro. Logo que os meus interesses não choquem demasiado com os dos outros (não quero ser empecilho para ninguém).
Cada evento é uma batalha a dois, onde, ora jogámos como um só contra o ambiente circundante, ora jogámos um contra o outro, eu e ela. A Allez impõe as suas armas à força, eu defendo-me e contra-ataco como posso. Até agora tenho levado a melhor, mas se eventualmente a sorte mudar, posso sempre alegar que fui legitimamente levado pelo seu encanto!

 

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A rockabilly e a gótica

Lembrei-me de fazer um paralelismo entre duas das minhas bicicletas e duas mulheres. Comparar bicicletas com mulheres poderá parecer à primeira vista um exercício descabido, mas achei que seria engraçado e apeteceu-me.


Specialized Allez Steel - A rockabilly

É aquela mulher jovem mas madura, moderna mas de estilo retro, rockabilly ou pin-up pela sensualidade e erotismo, embora não muito voluptuosa. Apresenta toda uma dicotomia curiosa que lhe dá algum do seu charme. A cor vermelho sangue remete-nos facilmente para o batom que cobre os seus lábios ou mesmo para muitas das peças de roupa que denunciam as suas formas. É aquela mulher segura que sabe o que quer e embora aparentemente simpática e afável, não se deixa levar facilmente. Tem uma presença forte e não deixa indiferente aqueles que testemunham a sua passagem. Como qualquer mulher, deve ser tratada com um mínimo de tato e sensibilidade. Convém perceber a forma como se expressa para não esticar a corda de forma prematura e desnecessária. Apresenta algumas lacunas quando comparada com mulheres mais jovens e mais ligadas à tecnologia, mas não se deixa intimidar por isso. Pode não estar dentro dos parâmetros generalistas atuais, mas tem uma imagem intemporal e única, destacando-se pela simbiose perfeita entre beleza, caráter e simplicidade.


Globe Roll 1 - A gótica

É aquela mulher dura e desafiante e até sombria, que tem tanto de peculiar como de cativante, que ficamos sem saber como abordar, já que mostra muito pouco de si e daquilo que sente. Tem uma silhueta monocromática, simples e elegante. O preto é a cor dominante das suas vestes e o minimalismo é o princípio que rege a forma como se apresenta. Possui uma beleza menos explícita e mais extravagante. É uma das poucas que ainda segue o estilo gótico, tanto na sua aparência, como na sua atitude, introspetiva e obscura. É uma mulher cativante, sem dúvida. Nem que seja pelo desafio que representa relacionarmo-nos com ela. É igualmente exigente, firme e mordaz, que nos dá um retorno duro e brusco se agirmos de forma inapropriada. Mesmo considerando que é menos simpática que a sua colega rockabilly, quando tratada com assertividade e parcimónia é possível uma interação positiva, ao ponto de se criar uma relação duradoura e de uma certa dependência. Se calhar masoquismo é uma palavra demasiado forte, mas esta mulher, que não é exatamente conhecida por tratar bem os homens, tem um encanto ou um magnetismo qualquer que os atrai de forma inexplicável.


São duas mulheres lindas e atraentes, integras e cheias de caráter, cada uma no seu género e estilo, que me dão muito prazer. A minha relação com elas é tudo menos monogâmica. Mas é pacífica. E não podia ser de outra forma, já que para elas é indiferente, e por mim, definitivamente, não consigo resistir-lhes!

Ano 2025

O ciclismo não evoluiu assim tanto nos últimos dez anos. Lembro-me que nessa altura a eletrónica já estava presente nas bicicletas, inclusive nas BTT, e os travões de disco surgiram em força na Estrada. A diferença é que agora tudo isso tornou-se banal. Fora uma ou outra marca que tentou umas misturas de materiais menos prováveis e apresentou pontualmente uma ou outra solução mais exuberante nos componentes, digamos que temos mais do mesmo. Eletrónica, leveza e aerodinâmica quanto baste. Surgiram alguns equipamentos pessoais curiosos, onde os tecidos e materiais inteligentes e adaptáveis vieram agitar um pouco o mercado, mas nada de transcendente.

Já eu continuo fiel ao aço e às soluções mais conservadoras a todos os níveis. Conservo as minhas bicicletas, inclusive a BTT de suspensão total e rodas 26. Já tem dezasseis anos, mas não está assim tão obsoleta como seria de prever! Inesperadamente, o meu filho, agora jovem adulto (estou a ficar velho!), começou a “pedalar” no mesmo sentido. É também um entusiasta das clássicas. E é com um misto de orgulho e entusiasmo que aos domingos de manhã e sempre que temos disponibilidade me vem chamar já meio equipado, pronto para mais uma volta na Allez Steel, que agora já não é só minha, é nossa. Na verdade, se calhar é mais dele!

De um par de anos para cá tive uma oportunidade de ficar com uma bicicleta inglesa que há muito que não me era indiferente. Uma Bobbin Scout. E é com ela que mais ando neste momento, até porque me assenta que nem uma luva. Tem dez anos, mas está como nova e tem muito para dar. De facto, a Bobbin encerra num único modelo tudo o que desejava numa bicicleta.

A Scout é uma confortável bicicleta de estrada/turística de estilo clássico. Tem um quadro em liga de aço, na cor cobre metalizado, manípulos de mudanças no quadro, travões cantilever e guarda-lama de metal martelados. Os pneus são de goma lateral na medida 700X28c. Fitas de punho perfuradas, em castanho, com selim de vinil a condizer. Tem um pedaleiro compacto e uma cassete 12-32, totalizando 16 velocidades.

Todas estas caraterísticas para além de abonarem muito a seu favor no que toca à estética e caráter, fazem dela uma bicicleta mais dócil e fácil de levar para mim, quando comparada com a mais agressiva Allez Steel, que no entanto, faz as delícias do meu filho.

Se há dez anos atrás andava praticamente sempre sozinho, neste momento somos dois a levar para a estrada bicicletas de outros tempos, mas com o mesmo prazer e charme de sempre. E quando falo de charme, falo do das bicicletas, obviamente!

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