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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Sábado BTT, domingo Estrada

Que o fim de semana tenha dois dias é normal, mas andar duas vezes de bicicleta não é.
Sábado foi dia de BTT. Óleo na corrente, garrafa no suporte, bolsa de selim e lá fui com a FSRxc para o passeio da Bicicletaria Azores. Esta loja tem feito alguns eventos desde a sua inauguração e tenho marcado sempre presença. São passeios descontraídos e muito agradáveis, onde não me canso de destacar a simpatia dos seus promotores. Desta vez foram introduzidas algumas alterações no percurso, que o tornou ainda mais divertido. Foi mais uma agradável manhã de BTT, que no meu caso culminou com um belo banho na praia.
Domingo foi dia de Estrada. O mesmo ritual mais a retificação do ar nos pneus e lá fui com a Allez para mais uma volta ao concelho de PDL. Fiquei gostando. A última vez que a fiz correu muito bem, com a particularidade de ter levado a minha bicicleta sem mudanças, por isso, com esta, seriam favas contadas. Não foram! Comecei bem, se calhar bem demais e vim a pagar por isso mais tarde. Ou simplesmente estava num dia não. Não sei, mas fiquei de rastos. A parte final foi um sacrifício, força anímica zero, pensamentos em comida e por aí a fora. Ainda deu para apanhar um susto considerável quando um trator se atravessou na minha frente numa curva a descer. Roda bloqueada, ligeira aceleração cardíaca… Há dias assim.
O passeio de sábado acabou na praia, de estômago vazio e muito bem-disposto. O de domingo acabou a dormir no sofá depois de ter comido tudo o que consegui, como há muito tempo não acontecia.


No sábado, no regresso, ainda deu para captar umas imagens, depois de ter reparado nuns arcos que nunca tinha dado a devido atenção.

 

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XCO no Pinhal da Paz

Identifico-me pouco com a competição, embora tudo o que diga respeito às bicicletas interessa-me. Bom, umas coisas mais do que outras. Domingo inicia-se a Taça de São Miguel de XCO 2017, com uma prova no Pinhal da Paz. Já que não participar é certo, entre ir assistir e ir andar de bicicleta, prefiro ir andar de bicicleta. Prioridades! Mas até gosto de assistir a estas provas. Se ao vivo é pouco frequente, pelo menos faço questão de acompanhar as reportagens televisivas sobre as mesmas.
Esta vertente do BTT é interessante. Provas curtas, mas física e tecnicamente exigentes. São apelativas para o público por estarem geograficamente limitadas e por terem zonas mais complicadas e espetaculares, exatamente onde costumam estar mais pessoas. Também é sempre interessante verificar como cada participante faz a gestão da prova e aplica a sua estratégia, se é que esta existe. As provas normalmente ocorrem em locais de elevada beleza natural e os circuitos são delineados com a devida atenção e o necessário cuidado, para que estejam dentro dos padrões exigidos pela modalidade e serem simultaneamente divertidos para os concorrentes.
Sendo esta a primeira prova da temporada, depois de vários meses oficialmente parados, certo é que todos andaram a treinar, por isso é sempre uma incógnita o nível de forma física de cada um dos participantes. Assim, esta prova ainda reúne mais este aliciante, para os protagonistas e para quem assiste.
Com certeza que será uma manhã neste parque com outro colorido, movimento e animação, numa altura do ano em que praticamente não acontecem eventos e os visitantes são poucos.

 

Prova de bceclétes
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu botá o olhe numa prova de bceclétes, mas daquelas importantes pa caramba!
Aqui fiquim as cousas quê boutê más sintide:
- Tinha belas femas, mas femas de andá qué fê (petchenas bim rápedas, crêde);
- Todes aqueles rapazins ciclistas tinhem pernas de fema (nim um pêle que seja);
- Aqueles rapazins ciclistas andavim de bcecléte chês de veneno (pareciam cãs de guerrá);
- Aqueles rapazins ciclistas tavim vestides com roupas tã cloridas e tam apertadas (acho que era por isse que tavim chês de veneno);
- Que mistério de bceclétes com rodas tã grandes (admira que nã tivessim uns baquins pa subi ali pra cimba);
- Aquile é bceclétes pa custá alguns 300 ou 400 oures! (tinhem même cara de serim caras, as malditas!)
- Tinha belas femas (ah, isse já tinha dite...).
De reste, sou sincere, nã percêbe nada de provas de bceclétes!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

De BTT no Pinhal da Paz

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Domingo foi dia de juntar o útil ao agradável. A possibilidade de testar uma bicicleta elétrica fez-me tirar a FSRxc do vão da escada e levar-lhe para a estrada. Para a terra, queria dizer, que é o ambiente onde está mais à vontade. Infelizmente tenho saído muito pouco com esta bicicleta porque não gosto de fazer btt sozinho...
O local escolhido para o teste foi a Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, portanto, melhor escolha seria difícil. Este parque é simplesmente magnífico e permite um contacto ímpar com a natureza. Tem muitas possibilidades de uso, estando dotado de todas as infraestruturas necessárias. Fazer caminhadas, correr, andar de bicicleta, fazer circuitos de treino físico, ou simplesmente passear. Tem um parque infantil, permite a contemplação de animais (aqui já tenho algumas reservas!) e fazer grelhados e merendas nas inúmeras zonas destinadas para o efeito. Como se não bastasse, está bem localizado e é muito acessível. Por incrível que pareça, é muitas vezes esquecido, e contra mim também falo.

 

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Para andar de bicicleta não faltam condições e opções. O piso é dominado pelo cascalho vermelho mais ou menos batido, mas existem outros tipos dependendo das zonas, sendo que algumas podem ser bastante escorregadias. São imensos caminhos para percorrer, nas mais variadas inclinações, e aqui e ali, ainda existem umas variantes mais técnicas. Um recreio, portanto.
A minha velhinha Specialized sempre igual a si própria, sempre disposta, sempre fiel, sempre suave com a sua suspensão total e sempre pronta para as curvas. Após mangueirada à pressa, lá ficou a aguardar novas solicitações. E parece-me que vai, ou melhor, vamos ter sorte.
Este domingo foi dia de voltar à terra e em boa hora!

Teste elétrico – Specialized Turbo Levo HT Comp 6Fattie

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Ontem tive oportunidade de experimentar uma bicicleta de BTT elétrica. Tal como indica o título deste texto, uma Specialized Turbo Levo Hardtail Comp 6Fattie.
Bom, para começar posso dizer que o que possa cansar dizer o seu extenso nome é largamente compensado aos seus comandos, perante aqueles obstáculos naturais do terreno que nos obrigam a um esforço adicional para os transpor - subidas!
Esta foi a terceira bicicleta com assistência elétrica que tive o prazer de experimentar e a segunda destinada ao fora de estrada. E de longe a melhor. É certo que também se faz pagar por isso, mas apresenta diversos atributos que fazem dela uma das referências neste segmento.
Não vou aqui entrar em pormenores técnicos, por achar não serem relevantes para o caso, mas o comportamento da bicicleta é muito natural e intuitivo. O acréscimo de peso da tecnologia não se faz sentir. O motor assiste assim que iniciamos a pedalada, o que permite uma progressão muito fluída. Considerando a sua ação e a margem de manobra ao nível das mudanças, é enorme a sua abrangência. Os pneus gordos (650bX3.0) dispensam uma suspensão total e o conforto que proporcionam tem correspondência na segurança que transmitem. O nível de assistência pode ser configurado de acordo com as necessidades.
Gosto e acredito no conceito das bicicletas elétricas, principalmente numa utilização diária como meio de locomoção e transporte, mas uma bicicleta como esta Turbo Levo pode fazer todo o sentido para quem quer usufruir dos trilhos e da natureza de uma forma muito mais cómoda e descontraída.
Agradeço à empresa Carreiro & Comp. Lda. pelo teste e por me ter proporcionado a sensação momentânea de estar fisicamente ao nível dos melhores!

Circuito BTT Permanente – Parque Urbano PDL

Atalhe pra bceclétes
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ouvi na televisã, da boca do presedente da associã das bceclétes, que iem pedi à cambra que deixassim fazer um atalhe pra bceclétes no parque da cedade, mas pa ficá sempre lá.
Même que aquele parque tá precisande disse e de outras cousas que leve hômes, muiés e petchenes a irem lá.
É que aquile é um bele parque e tenhe pra mim que está sempre às moscas, lá!
Vames lá avançá com isse que é pra mim e pra besuga irmes andá pra lá.
(Alguém reparou que escrevi quâtre linhas todas a acabá im lá? - Poeta... Açoriane!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.


Bom, e foi assim que no dia 06 de outubro o Zabela dava conta desta excelente notícia, que se veio a confirmar mais tarde durante a Gala anual da ACA – Associação de Ciclismo dos Açores. O Parque Urbano, um espetacular espaço na cidade de Ponta Delgada, em breve passará a contar com um circuito permanente para a prática de BTT.
Se esta iniciativa é muito importante para a ACA no que toca à formação e à logística para a realização de eventos, para os amantes das bicicletas e do BTT, é uma excelente oportunidade para a prática da sua modalidade de eleição, desta feita num local muito acessível com todas as condições para o efeito.
É igualmente importante para este espaço, que embora tão aprazível e acessível à população, não é visitado como seria de esperar, talvez por falta de atrativos. Este circuito pode fazer alguma diferença neste sentido, mesmo para o público em geral, já que estão previstas várias alternativas, conforme o gosto e o grau de dificuldade que se pretenda.
Até agora, eram uns jovens voluntariosos que de sachos e pás em punho personalizavam a seu gosto a zona não ajardinada no topo do parque, mas em breve haverão possibilidades para todos, sem haver necessidade de arregaçar as mangas, nem ganhar calos nas mãos, sem ser através dos punhos da bicicleta.
Espera-se utilização e preservação do que será feito e colocado ao dispor. Por mim, aguardo com expetativa a abertura deste circuito, do qual serei/seremos “cliente(s) frequente(s)” com certeza.

Suspensão total

Os acontecimentos ciclísticos dos últimos dois fins-de-semana fizeram-me “desenterrar” a BTT e trazer-lhe para a estrada e para os trilhos novamente. Alheia ao facto também não será a pressão familiar que tenho sofrido para algumas incursões na terra, já que este é um gosto partilhado, do qual apenas me tinha voluntariamente afastado.
Se é certo que a minha disponibilidade para uma participação efetiva em eventos mais sérios é diminuta, cada vez mais avesso a compromissos que estou, também não é menos verdade que não sou indiferente aos mesmos.
De facto, o BTT é muito cativante e pode ocasionalmente não manifestar-se, por quaisquer circunstâncias de determinado momento, mas que deixa marca e que está sempre lá é inegável. E que desperta logo que estimulado.
Noutro tempo, não muito longínquo, não seria difícil encontrar um grupo de carolas para me encaixar, hoje, alguns destes foram autopromovidos a “atletas”, outros mudaram de segmento, outros ainda, simplesmente arrumaram os sapatos de encaixe e encostaram a bicicleta. E eu fiquei a rolar assim mais ou menos pelo meio… Sozinho!
Vou ter de intercalar as suspensões com os pneus fininhos, mesmo que de forma contida, mas por outro lado, é reconfortante saber que poderei ter uma muito próxima e entusiasmada companhia dentro em breve, logo que não haja mudanças radicais aos sinais atuais. Aguardo com serenidade e logo se vê…
A estrada é mais fria, mais solitária, mais direta, e isso serve melhor os meus propósitos e circunstâncias atuais, mas para ter gozo a sério em cima de uma bicicleta dêem-me terra e pedras, dêem-me pneus grossos cardados e uma suspensão total…

Bicicletaria Azores

Qualquer evento ligado às bicicletas interessa-me. Quando se trata da abertura de uma nova loja de bicicletas dedico uma atenção especial. Mais ainda, quando se está a falar de pessoas jovens, dinâmicas e até audazes, que avançam, numa altura peculiar, com um projeto aparentemente realista e bem estruturado, em busca de realização pessoal e de um sonho…
Trabalhando em várias frentes, esta equipa prepara-se para enfrentar com entusiasmo um mercado pequeno e algo preconceituoso, mas também uma nova oportunidade advinda do recente fluxo turístico.
Estive presente na inauguração da loja. Fator diferenciador foi a conjugação de um agradável passeio BTT com a sua abertura, onde não faltaram uns sempre consensuais comes e bebes, para dar as boas vindas a quem fez questão de marcar presença.
Fomos recebidos num ambiente acolhedor, familiar e cooperativo, onde era notória a preocupação para que tudo corresse bem.
O espaço disponível apresenta-se bem dividido e aproveitado, destacando-se pela simplicidade, funcionalidade e bom gosto.
Sucesso é o que desejo à Bicicletaria Azores. E sorte! Sendo certo que esta equipa já arregaçou mangas e segue em busca dela. Parabéns!

A minha BTT e uma espécie de despedida!

Depois de muito tempo a fazer saídas de BTT, sozinho ou em grupo, e depois de outro tanto sem pegar na BTT devido a um impedimento físico, resolvi sacudir o pó desta minha bicicleta vocacionada para as atividades ciclísticas mais radicais e para a terra. Uma relação recente marcada pelo afastamento físico, equilibrada com a lembrança de muitos momentos de prazer aos seus comandos, onde percebi inúmeras vezes o que é estar em estado de fluxo!
Desta feita, logo estranhei o seu tato mole, peso e dimensões, tal como a sua menor desenvoltura e rapidez em estrada, para não falar naquela zoada caraterística dos pneus cardados no asfalto. Nada disso era novidade, apenas estava esquecido e pouco habituado a bicicletas com suspensões e pneus gordos. Tentei fazer algumas incursões fora de estrada, já que estava de “trator”. Gostei e não esqueci tudo, mas aqui a menor desenvoltura era, sem dúvida, minha, não dela.
Mas não era só falta de hábito, senti uma resistência interior. Algo não estava a fazer sentido.
Não sei se é da idade, do trauma do joelho, do facto de circular sozinho, das minhas prioridades ciclísticas atuais, ou talvez sejam todas estas circunstâncias juntas, mas já não sinto a BTT como a sentia. Esta já não é a minha vertente favorita…
Um dia depois, lavei e lubrifiquei a bicicleta, como se fosse um ritual de despedida, ao contrário de outras alturas em que o fazia com o objetivo de lhe deixar pronta para o próximo domingo.
E se calhar foi mesmo uma despedida. O facto é que ela está pronta, não para sair, mas para ficar… Até um dia, talvez!

Rodas 29

Estávamos no início do ano de 2010 quando já dava destaque à cada vez mais relevante presença das rodas de 29 polegadas nas bicicletas de BTT e previa a volta que o mercado ia dar.
Numa altura, em que os adeptos desta novidade por cá contavam-se pelos dedos de uma mão de tão escassos que eram. Aliás, o que as rodas 29 mais recebiam na altura eram críticas e desconfiança.
Curiosamente, a minha prioridade, visão e forma de encarar as bicicletas mudou tanto como a medida das rodas, que ainda mantenho a “ultrapassada” medida pequena, apesar de continuar a ser um convicto defensor e admirador da medida grande.

BTT, sobe e desce...

Estes dois textos foram escritos isoladamente em 2013, numa altura em o BTT dominava as minhas saídas de bicicleta. Há meses que não ando de BTT, daí ter recuperado os textos em questão, que julgo refletirem algumas das sensações que se vivem nesta cativante vertente do ciclismo... Num verdadeiro estado de fluxo!

 

A subida!
Olho para o alto tentando vislumbrar o fim daquilo que tenho pela frente. As curvas impedem-me de o fazer. Acelero ligeiramente a pedalada. O polegar direito move-se rápido e repetidamente sobre a alavanca das velocidades, na tentativa de encontrar a desmultiplicação ideal. Flito os braços e aproximo, o mais que posso, o peito do avanço. Sinto o peso da inclinação nas pernas enquanto o tubo de selim range à maior pressão que exerço. Mesmo equipado com plataforma, o amortecedor não consegue esconder um oscilar ritmado do seu veio, ao contrário da forqueta que exibe todo o seu curso, só fletindo ligeiramente à passagem de alguma depressão mais acentuada. Ocasionalmente estes obstáculos fazem-me erguer do selim e acelerar a marcha. Logo volto à posição inicial já que a borracha traseira reclama a fraca aderência. Progrido lentamente no terreno acidentado escolhendo a melhor linha com pequenos golpes de guiador. A minha respiração é agora ofegante e bastante audível, como que a tentar acompanhar ou superar o ritmo da pedalada. Sinto o coração a bater aceleradamente. Tenho a corrente na posição central à frente e na posição mais elevada atrás. Não quero ceder, não posso ceder agora. Avisto o topo da subida, o que me faz aumentar a cadência numa tentativa de acabar rapidamente com o sofrimento. No topo, respiro fundo duas ou três vezes, de alívio e como forma de normalizar a respiração. Levo a mão à garrafa. Reduzo algumas velocidades e rolo lentamente em plano. Num esgar emito um sonoro – Caraças! (17/04/2013)

 

Porque o que sobe também desce... A descida!

Inicio a marcha por um trilho algo tortuoso. De pé, posiciono o meu corpo o mais à retaguarda possível, no limite dos meus membros. Revelo alguma apreensão e até receio, mas tento que não me turvem a visão e me estorvem a concentração. Ergo ligeiramente a cabeça e foco mais longe. Fico com uma visão mais ampla e preparado para poder antecipar algum movimento. É fácil cair na tentação de olhar apenas para o que se passa junto à roda dianteira. Estou tenso. Sinto o toque ritmado das folhas de conteiras molhadas, que me arrefecem as pernas. Ouço os pequenos galhos quebradiços cederem à minha passagem. Ouço as derivas da corrente de transmissão e o característico som dos pneus, enquanto, ora se afundam na lama, ora galgam pedras. Os meus dedos indicadores afagam os travões delicadamente, com ocasionais exceções onde a ação é mais incisiva, sob forma de conter o andamento. A forqueta denuncia o seu aturado trabalho. É notória a capacidade de perdoar a minha falta de perícia e hesitações do amortecimento total. E de digerir regos, pedras e buracos. Notória é também a forma como em determinadas situações a roda traseira parece ter vontade própria. Vontade de se erguer… no ar. Por sua vez, a mais delicada roda dianteira parece querer fugir debaixo de mim, o que me leva instintivamente a desencaixar o sapato do pedal e usá-lo como auxiliar, sob pena de perder a compostura, que é como quem diz, a posição vertical. Os pequenos sustos intercalam prazerosos momentos de velocidade, domínio e conforto. Fazer uma curva em apoio, sentir as rodas descolar do chão, controlar uma derrapagem mais prolongada, ultrapassar aquele obstáculo de uma forma muito mais simples e acessível do que era esperado. Com o final desta alucinante descida à vista, posiciono-me naquela que parece ser a melhor linha. Largo os travões e entrego-me ao deslizar da bicicleta. Com uma ligeira sensação de cansaço motivada pela concentração, a tensão dá lugar à satisfação. Desmonto e olho para trás, a perspetiva é diferente da inicial. É pena ser tão curta. Olho agora para o meu lado esquerdo. Lá está ela, a minha bicicleta. Encostada pelo guiador a um muro de pedra. Contrastando comigo, está impávida e serena como se não se tivesse passado nada. Como sempre! (18/04/2013)

Ano 2025

O ciclismo não evoluiu assim tanto nos últimos dez anos. Lembro-me que nessa altura a eletrónica já estava presente nas bicicletas, inclusive nas BTT, e os travões de disco surgiram em força na Estrada. A diferença é que agora tudo isso tornou-se banal. Fora uma ou outra marca que tentou umas misturas de materiais menos prováveis e apresentou pontualmente uma ou outra solução mais exuberante nos componentes, digamos que temos mais do mesmo. Eletrónica, leveza e aerodinâmica quanto baste. Surgiram alguns equipamentos pessoais curiosos, onde os tecidos e materiais inteligentes e adaptáveis vieram agitar um pouco o mercado, mas nada de transcendente.

Já eu continuo fiel ao aço e às soluções mais conservadoras a todos os níveis. Conservo as minhas bicicletas, inclusive a BTT de suspensão total e rodas 26. Já tem dezasseis anos, mas não está assim tão obsoleta como seria de prever! Inesperadamente, o meu filho, agora jovem adulto (estou a ficar velho!), começou a “pedalar” no mesmo sentido. É também um entusiasta das clássicas. E é com um misto de orgulho e entusiasmo que aos domingos de manhã e sempre que temos disponibilidade me vem chamar já meio equipado, pronto para mais uma volta na Allez Steel, que agora já não é só minha, é nossa. Na verdade, se calhar é mais dele!

De um par de anos para cá tive uma oportunidade de ficar com uma bicicleta inglesa que há muito que não me era indiferente. Uma Bobbin Scout. E é com ela que mais ando neste momento, até porque me assenta que nem uma luva. Tem dez anos, mas está como nova e tem muito para dar. De facto, a Bobbin encerra num único modelo tudo o que desejava numa bicicleta.

A Scout é uma confortável bicicleta de estrada/turística de estilo clássico. Tem um quadro em liga de aço, na cor cobre metalizado, manípulos de mudanças no quadro, travões cantilever e guarda-lama de metal martelados. Os pneus são de goma lateral na medida 700X28c. Fitas de punho perfuradas, em castanho, com selim de vinil a condizer. Tem um pedaleiro compacto e uma cassete 12-32, totalizando 16 velocidades.

Todas estas caraterísticas para além de abonarem muito a seu favor no que toca à estética e caráter, fazem dela uma bicicleta mais dócil e fácil de levar para mim, quando comparada com a mais agressiva Allez Steel, que no entanto, faz as delícias do meu filho.

Se há dez anos atrás andava praticamente sempre sozinho, neste momento somos dois a levar para a estrada bicicletas de outros tempos, mas com o mesmo prazer e charme de sempre. E quando falo de charme, falo do das bicicletas, obviamente!

Cada bicicleta no seu galho!

Basta visitar qualquer sítio de uma marca de bicicletas para perceber que a oferta é vasta e multidisciplinar. Os segmentos são muitos, adaptados a quase todas as necessidades: Montanha, Estrada, Fitness, Multiuso, Aventura, Cidade, Dirt/Street/Park, e-Bike, etc. E adaptados aos tipos de utilizadores: homem, mulher, criança...

Tanta informação disponível, à distância de um clique e não só, e depois o que mais se vê são pessoas a passearem calmamente pelas ciclovias, montados em bicicletas de montanha, cujos pneus nunca tocaram e jamais tocarão na terra. Pessoas que sistematicamente rolam calmamente em bicicletas de estrada competitivas, onde as suas caraterísticas são sempre encaradas como defeitos. Crianças que apesar da sua flexibilidade e descontração, não conseguem esconder o quanto têm uma bicicleta desadequada à sua idade e dimensão. Pessoas que têm bicicletas desadequadas para si.

Se quero uma bicicleta para passear e fazer algum exercício físico, para rolar na estrada e em ciclovias, basicamente em plano, de certeza que nem uma bicicleta de montanha, nem uma de estrada sejam as melhores opções para as minhas necessidades!

Acho que existe um certo estigma com as bicicletas polivalentes/multiuso/fitness. Estas, em muitas das situações serão a melhor opção, tanto na forma como se adaptam a um leque de utilizações várias, tal como no seu custo de compra e manutenção. Mas contraditoriamente, são as menos procuradas, talvez pelas mesmas razões que apontei como as suas maiores qualidades. O facto é que acabam por ser bicicletas mais básicas e banais, não exatamente aquelas que vemos correr nos circuitos mundiais das várias vertentes ciclísticas, pilotadas pelos nossos ídolos. Não aquelas que expõem o último grito da tecnologia. E todas estas referências têm cada vez mais importância e um custo inerente que achamos normal pagar, e assim, tudo o que não vá por aí se calhar não é a melhor opção…

Por outro lado, para quem está afastado destas referências, também não tem de seguir o rebanho. Quando um leigo pensa numa bicicleta é quase certo que pense numa BTT. Mas lá porque o meu vizinho, colega ou amigo comprou uma BTT não tenho necessariamente de fazer igual. Primeiro, porque ele pode ter feito a sua compra com base nestes mesmos pressupostos. Segundo, porque os objetivos dele podem ser completamente diferentes dos meus.

De facto estes preconceitos que perduram no tempo acabam por ser inquestionáveis e portanto, traduzem comportamentos. E depois assistimos aos episódios que relatei no início, só porque sim!

A questão principal passa por fazer uma avaliação concreta das nossas caraterísticas, dos nossos objetivos e das nossas necessidades. E do nosso gosto, já agora. Caso haja!

Mais do que toda a informação disponível, em última instância, será a pedagogia da parte de quem vende, que pode fazer alargar e mudar pontos de vista, também em benefício próprio, mas acima de tudo em benefício dos futuros utilizadores da bicicleta, contribuindo para uma utilização adequada e plena da bicicleta por parte destes!

Mulheres aos comandos

É um sinal positivo ver por aí cada vez mais mulheres aos comandos das suas bicicletas. Cruzo-me com elas com regularidade. Estando elas em deslocações quotidianas, na prática de exercício físico ou simplesmente em descontraídos passeios.
Não fico indiferente à postura calma e descontraída, mas confiante, da mulher vestida com a sua roupa do dia-a-dia, aos comandos de uma simples bicicleta citadina, com uma caixa plástica de fruta a servir de bagageira;
Não fico indiferente à postura assertiva e determinada, da mulher vestida com roupa técnica, que aos comandos da sua BTT específica (ou estrada), executa o seu treino do dia com uma cadência de pedalada viva e certa. Só, em casal ou em grupo;
Não fico indiferente à postura atenta e maternal, da mulher que rola calmamente com a sua bicicleta banal no encalço da família;
Não fico indiferente à imagem de coesão e amizade, das mulheres, que equipadas de igual e a rigor, se juntam alegremente para mais um passeio de bicicleta e são convívio.
São mulheres determinadas e sem complexos que, com mais ou menos espontaneidade, organizam-se, pegam nas suas bicicletas e saem para a rua. Quando tendo em conta as suas vidas, podiam arranjar mil e uma desculpas válidas, para se deixarem ficar nas suas zonas de conforto.
Cruzo-me com estas e com outras mulheres orgulhosamente aos comandos das suas bicicletas, várias vezes, algumas consecutivamente! E fico feliz por isso…

Foco

Recentemente, numa das minhas óbvias conversas sobre bicicletas e BTT, um colega dizia:
- E quando vamos a descer um trilho cheio de valas e a bicicleta está sempre a querer ir lá para dentro. Parece que é atraída!
No que toca a esta situação específica, o que faz a bicicleta parecer ganhar vontade própria e levar-nos a entrar na vala é o facto de estarmos a olhar para ela, de lhe dirigirmos o nosso foco.
De facto, assim é. Mas em tudo na vida. Se focamos a nossa atenção nos problemas, em vez de os solucionar, só estamos a incorporá-los e a expandi-los. Como se os desejássemos!
O nosso foco traz resultados. E o poder de obter os resultados pretendidos está nas nossas mãos. Basta focar sempre aquilo que queremos e não o contrário.

A (minha) II Maratona (meia) BTT Monbike

Tenho tido vontade de escrever algo sobre bicicletas, mas infelizmente falta-me matéria, já que tenho pedalado menos do que queria (devia). No entanto, no final de maio participei num evento de ciclismo que se revelou uma excelente experiência a vários níveis, falo da Maratona BTT Monbike.
Assim que tive conhecimento da realização da segunda edição deste evento desportivo decidi que iria participar, tanto porque tinha falhado a primeira, tal como eram apresentados alguns atrativos. Ser um evento sem um caráter predominantemente competitivo, ser um modelo que me despertava curiosidade pela novidade e acima de tudo pelo seu cariz familiar.
Paralelamente ao evento principal e em conjugação com a Expolab, onde se centrava toda a logística da prova, realizou-se uma série de atividades para os mais novos, com destaque para a Mini-Maratona Expolab.
Após a decisão a primeira dúvida foi: meia ou maratona? Optei pelos mais acessíveis 30km anunciados, mesmo consciente que não teria acesso à beleza de uma boa parte dos trilhos, contudo poupava-me a esforços exagerados, já que o objetivo principal era mesmo divertir-me.
A minha companheira de sempre, a velhinha e fiel FSRxc (se é que se pode chamar velhinha a uma bicicleta com 5 anos!) estreava um guiador reto de 700mm de comprimento e calçava os pneus mais rolantes que tenho à disposição (Fast Trak versão antiga).
Depois de uma vista de olhos ao percurso via Google Earth, as expetativas eram as melhores.
Instantes antes da partida, para além da apreensão habitual, estava preocupado em encontrar companhia pois não me estava a apetecer fazer o percurso sozinho. Logo na primeira subida em terra e depois de uma volta pela Lagoa que serviu de aquecimento, fiquei junto daqueles que seriam os meus (excelentes) companheiros de prova (Miguel Sousa, Miguel Oliveira e Jacinto Franco), até ao cortar da meta! Basicamente, estávamos em sintonia no que toca ao ritmo imposto e aos objetivos.
Em jeito de resumo a organização esteve em grande nível. O percurso, muito bem marcado, era variado e divertido.
Deu para matar saudades de uma jornada de BTT como deve ser…
De facto, se há palavra que carateriza verdadeiramente a minha participação neste evento, esta palavra é diversão!

Diz-me a medida das rodas da tua bicicleta e eu dir-te-ei quem és!

Gostam do título? Lamento desiludir-vos tão prematuramente, mas qualquer semelhança entre este e o que irão ler a seguir (se lerem?!)... Resumindo, não vai acontecer!

 


Este texto não tem qualquer fundamento técnico nem científico, nem sequer empírico, até porque a experiência mais próxima das rodas maiores que tenho é através das rodas 28 da minha bicicleta de estrada! São mais finas, é certo, mas estão apenas a meia polegada das médias (27,5) e a uma das grandes (29). É um argumento parvo para escrever sobre dimensões de rodas de BTT? Pois, se calhar é! Adiante…

Andávamos todos descansados e satisfeitos com as nossas rodas pequenas (26) e vieram estes gajos com invenções para condicionar o nosso descanso (e as nossas carteiras), com promessas de inúmeras vantagens, como que de uma revolução se tratasse! Já estava convencionado que a BTT tinham rodas pequenas, caramba! Bom, na altura não eram pequenas, eram as normais, as certas…

A roda 26 era uma verdadeira instituição dos pisos térreos e neste momento toda a sua pequena estrutura está a ser seriamente abalada!

Ok, as teorias apresentadas até têm alguma lógica, não digo que não. Ok, as rodas grandes depois de lançadas vão permitir cadências mais elevadas, são menos sensíveis aos obstáculos. No que diz respeito à maior tração e poder de travagem pela maior superfície de roda em contacto com o solo já é mais discutível. Por outro lado, também acusam menor agilidade e rapidez de movimentos em consequência do incremento de volume e peso!

As rodas médias. Ui, o equilíbrio, a virtude de estar a meio caminho entre as pequenas e as grandes...
No entanto, para os mais fundamentalistas não são peixe nem carne. Diria que são a soja das rodas. Rápidas mas não nervosas. Estáveis mas não trôpegas. Seguras mas não pesadonas. Dizem reunir o melhor e o pior (o pior acrescentei eu…) dos dois mundos!

Depois de me debruçar sobre este assunto, na forma de um estudo exaustivo, depois de trilhar um duro e longo caminho de avanços e retrocessos na busca do diâmetro ideal, depois de desbravar um tão complexo mundo, cheguei finalmente a uma conclusão:

As melhores rodas são as da minha bicicleta!

Percursos a pedais

Decorria o mês de novembro de 2008 quando decidi voltar a ter uma bicicleta. Depois de um longo período de ponderação, diversos fatores apontavam esta como uma boa opção.


Bicicletas - Onda de entusiasmo contagiante!
Por cá, começava-se a ouvir falar muito de bicicletas, de exercício sobre bicicletas, de provas de bicicletas. A escolha da marca e do modelo não foi muito complicada. Não fazendo uso de um discurso demasiado comercial ou publicitário, nunca escondi nem o meu gosto por uma especial marca americana, nem a relação de amizade que mantenho com as pessoas que dão a cara pela empresa que representa a mesma. Eleito o segmento de BTT, pela sua abrangência ao nível da utilização e gama de entrada de baixo custo, tendo em conta a minha qualidade de iniciante, queria no entanto uma base minimamente capaz de corresponder aos propósitos desta experiência.

Bicicletas – Começar e evoluir com entusiasmo mesmo perante os obstáculos!
Estava na hora de enfrentar os trilhos. A coisa nem sempre foi pacífica. No meu pequeno e desinteressante currículo constam pelo menos duas quedas que me abalaram os pensamentos. Mas no geral, não contrariaram o crescente entusiasmo e gosto que nutria por estes simples veículos a pedais.

Bicicletas – Necessidade ou desejo?!
Menos de um ano depois estava a negociar a troca da Hardrock. Curiosamente este momento foi decisivo também no que toca à forma como passei a encarar as bicicletas e o BTT. Entre uma HT vocacionada para a competição e uma FSR vocacionada para a polivalência e divertimento, ganhou a trail de suspensão total. Ganhou o lazer.

Bicicletas – Desafio sim, sacrifício não!
Nunca tive uma relação muito próxima da competição, aliás, depois de umas experiências esporádicas assumi definitivamente uma posição contrária à mesma, privilegiando a forma mais descontraída de encarar o ciclismo. A competição e a sua evolução implicam demasiado uma palavra que não se adequa a algo que me dá prazer fazer – sacrifício. E a diversos níveis. Esta é uma visão que poderá não agradar muito a quem faz da competição o seu cavalo de batalha, mas sinceramente não consigo ver as coisas de outra maneira.

Bicicletas – Privilegiar a simplicidade!
Se numa primeira fase a ideia era ter mais, ter melhor, como algo indispensável para poder fazer o que me propunha, atualmente tenho vindo a ajustar este comportamento, até porque cheguei à conclusão que muitas vezes, menos é mais!

Bicicletas – Estrada com estilo clássico!
Fundindo esta visão com um gosto especial que tenho por linhas clássicas e retro, em que as bicicletas não são exceção, adquiri a minha primeira bicicleta de estrada. Dispensei o alumínio e muito mais o carbono. O seu peso é-me indiferente, tal como o estatuto dos seus componentes e a eficácia da sua geometria e aerodinâmica. Simplesmente formulei mentalmente uma série de questões que teriam de ter resposta afirmativa:

- É adequada para as minhas necessidades e utilização?
- Tem um estilo clássico inconfundível?
- Tem um baixo custo de aquisição e manutenção?
- É robusta e fiável?
… É esta que eu quero!

Bicicletas – Desporto, mas também utilidade!
Depois desta aquisição tenho vindo a desbravar um mundo até agora pouco conhecido para mim, onde as bicicletas são veículos extremamente simples e são valorizadas pela sua essência, pelas suas raízes, pelo seu lado prático, pela sua utilidade. Em vez de uma visão unicamente associada ao desporto e à competição, onde as bicicletas acabam por ser encaradas como um “extra”, e em muitos casos como um “luxo”, pelos avultados valores que atingem.

Bicicletas - Há espaço para todas, falta é mentalidade para isso!
Mas todos os males fossem estes… Males são as nossas cidades estarem concebidas para os carros e não para as pessoas. É dar-se prioridade à circulação automóvel, o que não corresponde exatamente à real mobilidade das pessoas. É contribuir para a poluição do ar que respiramos. É esquecer os transportes públicos, os peões e claro, algo tão simples e básico, mas que pode fazer toda a diferença, a bicicleta.

Bicicletas – Falta de visão prática, utilitária e ambiental!
Pouco se faz e pouco se quer fazer, num meio onde os automóveis reinam, tal como reinam os espíritos comodistas dos seus proprietários. O que se faz nem sempre é bem feito. Os parques de bicicletas para além de escassos são obsoletos e as ciclovias que têm um piso vermelho bonito, continuam a relegar as bicicletas para um espaço que não lhes pertence, mas sim aos peões. As bicicletas precisam de circular, têm de ser úteis, têm de nos levar aonde for preciso. Ganhamos nós, ganham as cidades, ganha o ambiente.

Bicicletas – Elemento integrante para a qualidade do futuro!
No entanto, há países e cidades que são excelentes referências, há muita gente a dar exemplos fabulosos de atitude e comportamento. Basta irmo-nos inspirando e adaptando.

Basta querer…

Os "Rodas à Quinta"

Exactamente, os Rodas ao Domingo saíram ontem, quinta-feira, e voltei a acompanhar-lhes.
Desta feita, o objectivo era fazer um trajecto nos arredores de Ponta Delgada, para ser possível assistir à Meta Volante, integrada na Volta à Ilha em Bicicleta, que iria acontecer na Estrada Regional da Relva.
O grupo era grande, sem ser enorme, composto por elementos de ambos os sexos e montados em bicicletas de diferentes segmentos, sendo que estiveram presentes duas de estrada, uma “híbrida” e as restantes de BTT. Convenientemente, o percurso ficaria marcado pelo asfalto, à excepção de uma secção de terra mais para o final, mas já lá vamos.
Saímos de São Gonçalo em direcção às novas Rotundas que nos levariam ao final da Fajã de Cima e daí seguimos via estrada das antenas para a via rápida no sentido Capelas – P. Delgada. Depois de descer um pouco esta via, seguimos pelas Arribanas e cruzamos a Covoada até à Vigia das Feteiras. Uns metros mais abaixo, seria a tal Meta Volante, termo que sinceramente, desconhecia o seu significado!
Depois de situados, tanto relativamente ao local exacto, como ao seu significado, lá estacionamos as bicicletas e esperamos pelo grupo de ciclistas que participavam na prova.
Muita conversa, asneiras e risos depois, o pelotão cruza a linha em grande velocidade, onde o “nosso” David Morais impõe-se mais uma vez sobre os continentais presentes. Depois do grupo mais forte ter passado, todos os restantes ciclistas foram aplaudidos com a mesma intensidade pela comitiva dos Rodas que se juntou naquele local, sendo que o Branquinho recebeu indiscutivelmente a maior ovação!
Lá continuamos a nossa marcha, sendo que alguns betetistas seguiram pelo trilho do Miradouro da Rocha da Relva e os restantes pela estrada. Num percurso que gosto muito, tomei a dianteira mais o colega Batista, que fazia uma excelente leitura do terreno, mas numa zona mais complicada engatei-me numa vala, onde a roda virou 90 graus e a ponta do guiador acerta-me numa zona sensível (?!), que me obrigou a uma pequena paragem forçada.
Depois de recomposto, lá segui até ao ponto de encontro com o pessoal que tinha ido pela estrada. Entretanto soubemos que o Paul tinha furado, o que aumentou o tempo de espera, já que a sua Stumpjumper não deixou lhe tirassem a roda assim à primeira.
(Foi aqui que o Pedro Pavão encavou-me este relato!!! lol - Estará também online em "O Rodas ao Domingo")
Bom, restava passarmos pela Relva em direcção à Marginal, onde alguns seguiram em direcção ao local de partida, por diversos motivos, e outros, com mais algum tempo disponível, ainda foram até à praia das Milícias.
Já sozinho, ainda confrontei-me com a subida à Duarte Borges, uma vez que o meu destino era a Vila piscatória de Rabo de Peixe.
Mais uma vez, foi possível constatar o companheirismo e a alegria que se vive no seio deste grupo, mas que no entanto não deixa os seus créditos por mãos alheias, na altura de andar mais a sério, mostrando todos os seus elementos no geral, grande aptidão para fazer quilómetros de bicicleta.

Passeio BTT com os “Rodas ao Domingo”

Depois de ter visto no Facebook um dos elementos (Albano Silva) do “O Rodas ao Domingo” a sugerir um trajecto do passeio de domingo para os lados das Sete Cidades, ou seja, ir até à Vista do Rei, fazer as Cumieiras para a Várzea e regressar a Ponta Delgada, decidi que iria com eles, até porque já tinha a ideia de fazer um percurso semelhante há algum tempo.
Éramos seis à partida, mas por indisposição de uma colega, perdemos as duas únicas presenças femininas (Sandra e Dina) na zona do Pico de Salomão. Lá seguimos (Albano, Pedro Pavão, Pedro Faria e eu) a bom ritmo a caminho da Vista do Rei. Algum vento e nevoeiro faziam-se sentir à maneira que subíamos, mas nada que atrapalha-se verdadeiramente.
Ainda tínhamos uma subida pela frente, mas com mais ou menos dificuldade, não tardou e já rolávamos sobre as Cumieiras a um ritmo bastante mais elevado do até agora verificado pois a inclinação era-nos favorável. Nunca tinha feito este percurso de bicicleta e já nem me lembrava das suas características, porque deve ter uns 7 ou 8 anos que o fiz de moto, mas é excelente!
Bom, descida de asfalto até à Várzea onde o vento mostrou-se ainda mais e seguimos o Albano numas canadas que nos levariam à Ferraria. Aproveitamos para ver a evolução das obras em curso naquele local e registar o momento. Foi aí que ficamos de boca aberta quando o Albano saca do seu “computador de bolso” (vulgo telemóvel) para tirar as fotos!
Agora era sair dos Ginetes e dar-lhe sempre pela Estrada Regional, onde aqui e ali, já se comentava sobre a hipotética dureza da parte final que iríamos percorrer até chegar à canada na Vigia das Feteiras que nos levaria à Relva. O Pedro Pavão que está em grande forma tomava a dianteira e imponha um ritmo bastante vivo. Saí atrás dele e vim sempre colado à sua roda, imitando qualquer movimento da sua parte, durante toda esta parte do percurso, que parecia nunca mais acabar. Não trocamos uma única palavra, nem sequer um olhar, tal era o nível de concentração (sofrimento?! lol), mas à chegada, ele estava satisfeito por ter dado o máximo e eu também, por ter conseguido acompanhar-lhe.
Depois de aguardarmos pela chegada do outro Pedro e do Albano, lá fomos pela canada de acesso ao Miradouro da Rocha da Relva, que nesta primeira secção apresenta-se bastante degradada e algo perigosa, com profundos regos e muita pedra, a requererem alguma atenção e cautela.
O Albano ficou em Sta. Clara, enquanto nós seguimos para a Marginal para tentar assistir aos momentos finais da prova de ciclismo que decorria, o que já não foi possível, porque entretanto acabara.
Depois de algumas palavras e cumprimentos no local da concentração, pus-me a caminho de casa, mas ainda em São Roque fui obrigado a parar definitivamente com um furo. A Maria veio-me buscar poupando-me de mais uns 10 km, numa altura em que o meu ciclómetro marcava 72!
Os meus agradecimentos aos elementos do “O Rodas ao Domingo” pela companhia e pelo passeio proporcionado, que foi grande em todos os sentidos!

4 Horas BTT CC/Specialized – A minha participação!

Faltavam poucas horas para o fecho das inscrições quando me fui inscrever. Depois de ter dado como certa a minha não participação nesta prova, devido aos trabalhos universitários, com algum esforço, lá consegui.
Já tinha participado numa prova da Taça de XC o ano passado, mas esta foi a minha estreia numa prova de Resistência. Pelo seu carácter mais lúdico e promocional, este último modelo tem mais a ver comigo e com os meus objectivos no que toca ao ciclismo.
Mesmo com a perfeita noção que poderia ser uma prova de exigência acrescida, tanto pela sua duração, como pelo local onde iria decorrer – Pinhal da Paz, já que tinha sido tudo decidido à última da hora, resolvi entrar sozinho, ou seja, como Individual.
Os meus objectivos eram básicos e pouco ambiciosos, fazer as 4 horas e usufruir do traçado e do ambiente que se vive nestas provas. O desafio seria tentar gerir o esforço, sem cair na tentação de ser levado em ritmos para os quais não estou preparado, podendo sofrer uma quebra que me levasse a fazer voltas em sofrimento, mas também não adormecer em cima da bicicleta!
Com algumas dicas de quem sabe mais do que eu, munido de líquido para hidratação e alguns produtos energéticos para as alturas de maior aperto, fiz uma prova regular, sempre nas calmas, rolando ao meu ritmo, ora esticando, ora abrandando, sem nunca entrar no limite, tal como pretendido.
O percurso era muito engraçado, sendo a secção final a minha preferida. Por sua vez, foi nesta mesma secção que apanhei um valente susto na zona de descida, quando levei com um atleta da CC/Specialized em cima! Fora isso, nenhuma queda a registar, apenas dois “engates” em zonas de ganchos, um deles mesmo junto à zona da meta.
No decorrer da prova fiz três paragens para trocar de garrafa, numa das quais, aproveitei para comer algo mais sólido e tirar umas pedras do sapato, no verdadeiro sentido da palavra.
Inicialmente prevista para ter lugar nas margens da Lagoa das Furnas, por motivos de falta de condições, o Pinhal da Paz surgiu como a alternativa possível, mas em boa hora na minha opinião. Com inúmeras opções de trajecto, mesmo com algumas condicionantes apresentadas, a equipa do Clube NC, teve a imaginação suficiente para traçar um percurso muito interessante e adequado para o que se propunha.
Ah… no final tive direito a prémio! Não, não foi uma taça, nem uma medalha, porque os resultados não chegaram para isso, mas sim uma “recuperação activa” completamente gratuita, até a casa em cima da bicicleta!
Depois de quatro grandes horas… Não presta?!

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