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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Esta bicicleta não tem preço!

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar de números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a conveniência, a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

 

orbita_classic.jpg

Choque tecnológico!

Motivado por toda a azafama e animação que se vive por cá com mais uma edição do Azores Airlines Rallye lembrei-me de uma situação. Não têm grande (nenhuma) relação, mas pronto.
Um dia entrei num stand de automóveis. Enquanto o vendedor, para me cativar, ditava orgulhosamente uma extensa lista de extras que um modelo em especial trazia, com certeza estaria longe de pensar que eu, mentalmente, a cada extra atribuía uma classificação. Curiosamente, sempre a mesma para todos eles – Fonte de problemas!
A falta de paciência e interesse não me permitiu perguntar se não tinham apenas o carro? Sem as “mariquices”? Sim, básico, simples, sem nada!
Já deve ter dado para perceber que, no que toca a algumas inovações e à tecnologia aplicada em certos ramos sou um bocado avesso. Tradicionalista, antiquado, chamam-me o que quiserem, não me venham é impingir tecnologia da moda, embrulhada com a capa da utilidade, para fomentar desejos consumistas, como se a minha vida dependesse disso!
Vivo muito bem sem estas “mariquices”! Aliás, até prefiro não ter de pagar por elas, que é da maneira que não me vão distrair, nem chatear no futuro. E ainda poupo dinheiro.
As minhas bicicletas são todas recentes, a mais “antiga” é de 2009. É um bocado ridículo usar esta palavra para adjetivar uma bicicleta que vai fazer oito anos, mas atualmente é mais ou menos assim que as coisas funcionam. Nem rodas 29 tem! Paradoxalmente, é a única com uma estrutura em alumínio, travões de disco hidráulicos e suspensões a ar. Ui!
As outras têm todas quadros de aço e componentes básicos de entrada de gama. São simples e baratas. E, por incrível que pareça, funcionam!

Compras, vendas, bicicletas e picos de felicidade!

Um dia destes um amigo contava-me que tinha um objeto que lhe trazia um custo fixo anual consideravelmente elevado. Não o usa, nem gosta especialmente dele, mas lá o tem e é um peso! Questionado sobre o porquê da sua compra não soube explicar. Mas referiu que no momento de tratar legalmente esta mesma aquisição o vendedor disse-lhe uma frase que ainda hoje lembra, não exatamente como foi proferida, mas sim o seu sentido, já lá vão alguns anos. Basicamente, o que a pessoa em causa quis dizer é que na nossa relação com certos bens materiais só existem dois momentos em que estamos realmente felizes com eles, exatamente a sua compra e a sua venda! Porque de resto é só ilusão, acrescentaria eu.
E o que é que isso tem haver com bicicletas?
Para uns tenho bicicletas a mais, para outros, por mais bicicletas que se tenha estas nunca são demais. Mas o que os outros pensam não me interessa muito, a não ser que possa eventualmente pensar como uns e outros acerca da minha própria realidade. Às vezes penso que se tivesse aquela bicicleta é que sim senhor! Ia fazer mundos e fundos, ia fazer milagres, não ia parar de andar…
Será? Talvez. Ou talvez não.
Claro que o material ajuda, não é novidade, mas também não faz os tais milagres! Mas as ilusões continuam por aí a fora e este passa a ser um meio de gerar desculpas.
A nossa atitude e a necessidade real, estas sim fazem muita diferença!
Ter uma bicicleta minimamente à altura das necessidades e a atitude certa é meio caminho andado para a relação dar certo, que é como quem diz, para ter momentos duradouros de felizes e prazerosas pedaladas, não tendo de ser necessariamente aquele topo de gama, de última geração, com todas as melhores especificações, que nos deixa a sonhar e a desejar ter. Mais reflexão, menos impulso!
Sim, porque até se pode ter a bicicleta mais completa e competitiva à disposição e não aproveitar nem metade das suas potencialidades; A bicicleta de alta precisão e sofisticação pode trazer mais constrangimentos, limitações e custos do que benefícios; A bicicleta poder ser uma máquina magnífica, supereficiente, extremamente bonita e altamente invejável, mas estar simplesmente sobredimensionada para o que se vai fazer com ela.
E não é difícil gastar o máximo que se pode, ou mais ainda, por pressões sociais e do meio, e depois olharmos para o que fizemos consumidos pelo arrependimento. Claro que também acontece pecar-se por falta, mas a tendência pende naturalmente para o excesso!
Pode este discurso ser uma forma de apaziguar alguns desejos e respetivos resquícios de insatisfação pessoal?
Sim, pode. Se calhar até é, mas o certo é que as minhas bicicletas foram racionalmente escolhidas, com o devido toque de paixão, e continuo a gostar delas, tanto ou mais, como no dia em que as comprei. Estou feliz e satisfeito com elas, que tanto me têm proporcionado. E isso ultrapassa as suas diferenças, caraterísticas, defeitos, gamas e preços!
Se fico por aqui? Talvez. Ou talvez não.
O certo, é que acredito que não faz sentido e é ingrato focar atenções em algo que não passa de uma possibilidade, até porque nem todos os desejos são bons conselheiros, ao invés de aproveitar e usufruir o que se tem. E o que não se tem, se é que me faço entender!
Confesso que um pico de felicidade momentânea associado a uma nova compra até sabe bem, mas de pouco serve se esta satisfação não for sustentável e se prolongue no tempo, até porque já não tem o mesmo sabor ter de associar outro pico de felicidade e respetiva sensação de alívio a uma possível venda!

Sonho (rimando)

Sonhei que éramos realmente livres
Sonhei que éramos todos iguais
Sonhei que nos preocupávamos uns com os outros
Sonhei que éramos humildes e gostávamos de aprender com os demais


Sonhei que vivíamos plenamente integrados na natureza que nos rodeia
Sonhei que tínhamos hábitos de vida saudáveis
Sonhei que tínhamos a preocupação ambiental que o mundo homenageia
Sonhei que vivíamos leves e despreocupados, com poucos bens materiais


Sonhei que mais do que querer comprar coisas, queríamos usá-las para além do virtual
Sonhei que éramos todos ricos independentemente daquilo que possuíamos
Sonhei que o proprietário de um BM ou de uma bicicleta usufruíam da mesma importância social
Sonhei que ninguém julgava que só andava a pé quem não tinha dinheiro para comprar um automóvel pessoal


Sonhei que nos deslocávamos diariamente sem recorrer unicamente ao automóvel
Sonhei que utilizávamos outros meios de transporte sem desculpas nem mitos
Sonhei que as cidades estruturavam-se não para receber tráfego, mas sim pessoas
Sonhei que os parques e os jardins, não os centros comerciais, eram os locais mais procurados em lazer, ficando ainda mais bonitos


E de repente... Acordei.

Sonhei com bicicletas e não só…

Sonhei que éramos livres.
Sonhei que éramos todos iguais.
Sonhei que nos preocupávamos uns com os outros.
Sonhei que éramos humildes e gostávamos de aprender.
Sonhei que vivíamos plenamente integrados no ambiente e na natureza que nos rodeia.
Sonhei que tínhamos hábitos de vida saudáveis.
Sonhei que tínhamos uma verdadeira preocupação ambiental de sustentabilidade.
Sonhei que vivíamos leves e despreocupados, com poucos bens materiais.
Sonhei que éramos todos ricos independentemente daquilo que possuíamos.
Sonhei que o proprietário de um BMW e de uma bicicleta de marca branca tinham exatamente a mesma importância social.
Sonhei que automobilistas e ciclistas partilhavam as vias de circulação sem atritos nem problemas.
Sonhei que não havia preconceitos perante as bicicletas e os ciclistas.
Sonhei que ninguém pensava que o outro andava de bicicleta porque não tinha dinheiro para comprar um carro.
Sonhei que as bicicletas utilitárias mais básicas recebiam as mesmas atenções que as topo de gama.
Sonhei que trocávamos de bicicleta, e de outros bens, por necessidade e não somente por capricho ou desejo consumista.
Sonhei que mais do que querer comprar coisas, queríamos usá-las.
Sonhei que as bicicletas, para além de utilizadas como objetos de treino e competição, eram igualmente utilizadas como meio de locomoção e transporte.
Sonhei que nos deslocávamos diariamente sem recorrer unicamente ao automóvel.
Sonhei que utilizávamos a bicicleta sem queixas nem desculpas, sem mitos nem estigmas.
Sonhei que as cidades estavam estruturadas para receber pessoas e meios de transportes suaves e não tráfego automóvel.
Sonhei que não tínhamos problemas em andar a pé, aliás gostávamos de o fazer.
Sonhei que os parques, as praias, os jardins, eram os locais mais procurados para estar no tempo de lazer.
Sonhei que os ciclistas sorriam ou cumprimentavam-se sempre que se cruzavam…
E de repente...
Acordei.

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