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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

«Merci»

Sucedem-se as situações que me acontecem na ciclovia que utilizo diariamente. Normalmente são mais as menos boas do que as boas. Entenda-se por menos boas apenas o facto de me deparar com várias pessoas (peões) a circular na mesma, o que retira fluidez à progressão e obriga a algumas manobras do tipo gincana, e a um uso regular da campainha.
Temos tendência para dar mais atenção às coisas negativas do que às positivas, independentemente da regularidade com que acontecem, quer umas, quer outras. Para contrariar esta tendência venho relatar uma situação que me aconteceu recentemente.
Mesmo com um tempo algo desagradável, bastante nublado e ventoso, o meio do dia nas Portas do Mar é sempre uma altura de bastante movimento pedonal. Portanto, atenção e capacidade de prever comportamentos comprometedores dos peões são essenciais.
Vinha de regresso ao trabalho, atrasado, mas a bom ritmo, embalado pelo vento leste que se fazia sentir, quando vejo que uma senhora, saindo de uma zona reservada, preparava-se para atravessar a ciclovia. Dei um toque na campainha enquanto me afastava ligeiramente para a direita, por forma a aumentar a margem de segurança, para o caso de haver alguma reação menos esperada.
Não houve. Ou melhor, houve. Uma reação que não estava de todo à espera e surpreendentemente positiva! A senhora, que depois percebi ser uma turista estrangeira, viu-me, parou e disse – «Merci».
Agradeceu-me pelo facto de ter sinalizado a minha presença, o que fez com que não atravessasse a ciclovia, evitando assim uma possível situação desagradável.
Levantei a mão devolvendo-lhe o agradecimento.

Esta bicicleta não tem preço!

- Queres boleia?
- Não, obrigado. Vou de bicicleta!


Seja para fazer alguma volta ou simplesmente para ir ao treino e ao banho, o momento conta a partir do fechar da porta e do montar a bicicleta.
De bicicleta a deslocação não é uma mera necessidade, um mal necessário, mas sim um momento de liberdade e descontração. Um momento para espairecer a cabeça exercitando o corpo. Um momento leve, saudável, limpo e económico.
Às vezes perguntam-me quanto custou a bicicleta que uso em ambiente urbano. Não tenho problemas em falar de números, mas o que me apetecia responder era o seguinte:
- Esta bicicleta não tem preço!
E não tem preço porque não me é possível quantificar a conveniência, a satisfação e a qualidade de vida que me proporciona. E o quanto me divirto aos seus comandos!
Habituados que estamos a atribuir importância ao complexo e ao relevante, pode parecer um paradoxo fazê-lo a algo tão simples e modesto, mas não, não poderia fazer mais sentido. Pelo menos, para mim, faz todo o sentido!
Tenho outras, mais caras e sofisticadas, e também têm o seu propósito, nem que seja alimentar os meus caprichos. Mas a minha bicicleta urbana cumpre diariamente uma função que tem tanto de básica como de digna. Desloca-me e leva carga da forma mais simples, acessível e rápida, e simultaneamente proporciona-me uma sensação de bem-estar sem igual.

 

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Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Barcelona

É uma cidade espanhola com muitos atributos e atrativos, mas interessado que sou em mobilidade urbana (alternativa ao automóvel) e em bicicletas, Barcelona tem para mim todo um mundo paralelo de grande interesse, exatamente este aqui registado.

 

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É uma cidade grande e caótica, com muita população e turistas. Mas existem várias opções para facilitar a mobilidade de todos. E com estas, cada qual desenrasca-se da melhor maneira que pode.
Pelo que me foi permitido ver existe uma conjugação interessante entre vários meios de transporte. É normal ver gente de capacete de mota na mão, skate e trotinete a circular no metro, tal como ver bicicletas e respetivos utilizadores dentro das carruagens, até porque existem espaços específicos para o efeito.
Existem diversas zonas de acalmia de trânsito automóvel (30 km/h) com marcações no pavimento a alertar para o efeito e para a presença de bicicletas na via. E muitas ciclovias, 100 km no total.
Motas, essencialmente scooters ou aceleras, são ao pontapé. A circular, estacionadas, algumas até em locais que se calhar não deveriam.

 

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Outra forte presença é a da rede de bicicletas partilhadas – Viu BiCiNg – disponibilizada pela cidade. O número de estações é considerável, umas maiores do que outras dependendo da sua localização, tal como a quantidade de bicicletas que circulam. Estão por todo o lado, mesmo!

 

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As bicicletas comuns também. Existem diversos locais de estacionamento – os simples e adequados U’s invertidos – que nem sempre chegam para as necessidades ou não estão presentes nos locais desejados, portanto, ver bicicletas presas a outras quaisquer estruturas que o permitam, não será de estranhar.

 

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Muitas bicicletas citadinas ou adaptadas. Muitas clássicas. Muitas nacionais. Muitas bicicletas simples e baratas. Algumas “singlespeed” e “fixed gear”. Para quem as usa diariamente, em vez de querer impressionar interessa que passem despercebidas, até porque da maneira como são presas, deverá ser normal desaparecer bicicletas e/ou componentes ocasionalmente.

 

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Inúmeros pontos de aluguer de scooters, bicicletas, trotinetes, tanto tradicionais, como elétricas. Achei curiosos uns passeios organizados com guia, com uma marca e estilo de bicicleta específicos.

 

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Ponto de visita obrigatório – Barceloneta Bikes! É capaz de haver outras lojas de bicicletas interessantes, mas esta que foi a protagonista de um programa televisivo com o mesmo nome, no canal A&E (2015), ganhou uma notoriedade diferente. Depois é mesmo o meu estilo de loja! Forte componente urbana, belas máquinas, componentes e equipamentos, uma oficina típica e uma decoração rústica advinda da presença do tijolo e da madeira. Pessoal simpático que transparece gostar daquilo que faz.

 

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É esta a minha visão de Barcelona!

 

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De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

«Chega-te para lá que quero passar!»

Sexta-feira. Inicio de tarde. Céu azul. Temperatura amena. Trânsito calmo.
Depois de um momento de quebra de rotina, de exercitar o corpo e desanuviar a mente, venho fresco e leve, a pedalar ligeiro, a caminho de mais uma tarde de trabalho.
De repente, este tranquilo cenário é invadido por uma sonora buzinadela acompanhada por uma ultrapassagem que certamente não cumpriu a distância lateral regulamentar – um metro e meio – tal é a proximidade a que vejo o carro. Até aqui, nada a que já não esteja habituado. O pior é que o condutor da viatura, enquanto ultrapassava, faz questão de gesticular com a mão direita, como que a dizer: «Chega-te para lá que quero passar!»
Não sei se era pressa ou puro egoísmo de quem não suporta a ideia de ter outro tipo de transporte à sua frente na estrada?
Seja como for, no momento chateou-me a arrogância e o desprezo implícitos no gesto. Agora, simplesmente entristece…

Persistência nos pedais!

Insistência combate-se com persistência!


Iscomunhã de gadelha!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Encontrê o Florimunde no camin.
- Ême, noutre dia vi-te falá c'uma bela féma ali ao pé da tua casa!
- Bela féma? Devias de tá bêbede, Florimunde! Aquile é um iscomunhã de gadelha!
- Eh hôme, nã sê... parecia, se calhá nã vi bem!
- Nã haveras de tê viste entã, é tã fêa! É a minha vezinha. Tou penande c’aquele demóne de saias!
- Mas o que fou?
- Ême, embirrou c'a besuga...
- Nã se faz case!
- Nã se faz case? A laparosa tá-me sempre cegande a cabeça pa comprá um carre!
- Tás lexade entã!
- Pous já se sabe que tou! Paloê se lhe passasse cartã!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Anda de bicicleta quem quer!

Anda de carro quem pode, anda de bicicleta quem quer!


Marcolina Labardêra
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tenhe uma vezinha que é même uma labardêra...
- Eh hôme, tás bom? Nã me dizes nada?
- (Nã...) Olá vezinha!
- Sempre quéssa bcecléte?
- (Outa vez papá!) Tem de sê!
- Ême, faz um esforcim e compra um carrim...
- Porquié?
- Êh hôme, nã vês que a andá de bcecléte pareces um pelintra?
- Pelintra?
- Sim senhô, e ainda por cimba apanhas água qué fê!
- Mas ê nã compre um carre porque nã quére!
- Ê hôme, toma juíze e larga de sê isganade. Morres e isse fica tude praí!
- Ouh vezinha, mas eu goste de andá de bcecléte!
- Nã digas isse! Entã nã ficavas munte mió a andá num carrim?
- Nã... Até logue vezinha... (Vou-te sofrê!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Qualidade de vida! #2

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Estava como o tempo. Aborrecido. Tinha a minha rotina autolimitada. Num impulso reverti a situação. Tinha de sair. Tinha que pegar na minha bicicleta e ir. Fazer qualquer coisa. Não fazer coisa nenhuma. Mas ir. Fui tratar daquilo a que normalmente não atribuo prioridade. Tive no meio delas. Das bicicletas. Numa loja de bicicletas. A aviar um componente insignificante, mas que acusa a sua função. No caso, a falta dela. Tive no meio deles. Dos relógios. Numa relojoaria. A consertar um relógio. E que prazer ver um mestre relojoeiro trabalhar. À moda antiga. Tive no meio delas. Das revistas. Numa tabacaria. Comprei uma revista de bicicletas... O orvalho surgiu. Animou a minha pedalada. Animou o meu ritmo. Animou-me. Isso e tudo o resto. Cheguei outro!

 

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Qualidade de vida! #1

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Um dia de contrastes. Calmo. Aquecido pelo sol, arrefecido pelo vento fresco de oeste. Um bom exemplo do que é um estacionamento para bicicletas. Flores. Esplanada. Uma Órbita Classic a aguardar pacientemente o seu dono, para completar mais uma pequena “missão” na cidade de Ponta Delgada. Qualidade de vida! 

Empecilhos na estrada!

Associar a utilização das bicicletas às ciclovias é normal, ou não fossem vias específicas para estas circularem. No entanto, mesmo considerando a importância destas vias, não é pela sua ausência que as bicicletas não vão poder circular.
Uso diariamente uma ciclovia que me permite rolar num ambiente privilegiado, mais bonito e calmo, e congratulo-me por isso, mas mesmo que esta não existisse, não ia deixar de fazer as rotinas que tenho associadas à bicicleta. Até porque já não abro mão da economia, da facilidade, da boa disposição e do exercício que me proporciona a sua utilização.
Há quem pense que as bicicletas não podem nem devem circular na estrada, até porque atrapalham o trânsito. De facto, em muitas situações, as bicicletas são mais lentas, mas não atrapalham o trânsito, elas fazem parte do trânsito!
Já agora, quem mais causa embaraços ao trânsito do que os próprios automóveis? Pois, mas está convencionado que as estradas são só para eles e aceita-se como inevitável, o tempo que se perde e o stress que se ganha atrás do volante. Para já não falar nos custos associados, tanto para a carteira, como para o ambiente!
Também sou automobilista. Também dependo do automóvel e este facilita muito a minha vida, mas não perco uma oportunidade para o deixar parado, seja para ir de bicicleta ou simplesmente a pé!
Em vez de se ver as bicicletas como empecilhos na estrada, mesmo que em alguma situação possam tornar a marcha mais lenta, estas deviam ser vistas noutra perspetiva, já que a sua presença representa certamente menos um carro na estrada, seja a circular, a poluir, a engrossar as filas, a degradar o piso ou a ocupar um lugar de estacionamento. E isso é bom para todos!

invade.

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Esta é a segunda fotografia que tiro neste local. A mesma bicicleta. Órbita Classic. As mesmas letras gordas no chão. O mesmo mar. O meu mar. Portas do Mar. O céu limpo a provar que nos Açores não está sempre a chover. Um dia de verão mais fresco. O cenário perfeito para a celebração da decisão de ter incluindo a bicicleta na minha rotina diária. A minha melhor rotina. Uma invasão de liberdade e prazer.

Bicicleta = Oportunidade!

As bicicletas têm sido um tema muito em voga ultimamente e pelas piores razões. Têm andado no centro de uma discussão que nem sequer deveria existir.
Começou em 2014 com a última revisão do Código de Estrada e ganhou novo alento recentemente com uma questão presente no documento da ANSR - PENSE2020 – onde se propõe estudar a obrigatoriedade de uso do capacete pelos utilizadores das bicicletas!

Não quero falar sobre capacetes, mas fica já a minha opinião sobre o seu uso obrigatório – Não, obrigado!

O facto, é que a discussão se acende, as posições extremam-se e, não tarda nada, passamos a ser vistos como os grandes inimigos na circulação viária! O que é curioso, quando um dos pontos chave da revisão do C.E. em 2014 foi a introdução do conceito de utilizador vulnerável das vias públicas, atribuído aos peões e aos utilizadores das bicicletas!
Integrar os utilizadores das bicicletas no grupo dos “vulneráveis” não foi nenhum direito atribuído, foi apenas a inclusão num grupo a que realmente pertencem! É aquilo que são! Pouco impacto físico, velocidade reduzida, pouca capacidade destrutiva!

E o que foi que muitos defensores do automóvel se lembraram?
Que se calhar era boa ideia retrocedermos uns bons anos de evolução e equilibrar estes fantásticos direitos, entregues assim de mão beijada, com alguns deveres. Entre eles: Capacete obrigatório; seguro obrigatório; registo de propriedade e matrícula!
Sentiram-se tão ameaçados que começaram a disparar em todas as direções, quando o que se pedia (e pede) da sua parte é que apenas tenham em conta que existem outros utilizadores das vias, mais sujeitos do que quem está dentro de um veículo automóvel, e que convém ter mais atenção e alguma paciência com eles. O que na prática significa respeitar os limites de velocidade, distâncias e prioridades. Nada de extraordinário.

E porque é que se foram lembrar assim de repente das bicicletas?
Não foi assim de repente. Os sinais chegam-nos de toda a parte. O modelo de mobilidade rodoviária presente das nossas cidades está obsoleto e não é sustentável. Não é sustentável como modelo de circulação, nem é sustentável ao nível ambiental. Escusado se exigir mais e melhores estradas, mais estacionamentos, mais facilidades para a circulação automóvel, porque é apenas uma questão de tempo (algumas vezes muito pouco!) até estar tudo na mesma outra vez. Mais automóveis virão sempre, e com eles, congestionamento e a degradação da qualidade de vida e do ambiente!

Já repararam no tempo que se perde diariamente em filas de trânsito?
Já reparam no stress e na irritabilidade que se ganha?
Já repararam na qualidade do ar que se respira nas cidades?
Acham mesmo que é algo necessário e inevitável?
Por quando tempo acham que podemos aguentar algo que grita ser insustentável?

É por isso que surge uma visão renovada da bicicleta, que a encara como um meio de transporte simples e eficaz, e que pode muito bem fazer parte da solução deste problema! Aliás, como o demonstram, há muito tempo, diversos países do Norte da Europa, por exemplo. É por isso que se alterou legislação dando-lhes espaço nas vias, é por isso que se está a criar estruturas que facilitem a sua circulação, é por isso que não faz sentido estar a impor os embaraços sugeridos, e que pelo contrário se incentive e motive a sua utilização da forma mais livre e natural possível!

Para quem não tem outra perspetiva de mobilidade, para além da que assenta no automóvel e no comodismo (modelo vigente), e faz a sua vida depender disso, é normal que encare a partilha das vias de circulação com as bicicletas como algo negativo e dificilmente compreenderá como, atualmente, a bicicleta tenha adquirido o estatuto de oportunidade única, ao nível da mobilidade, da saúde, da qualidade de vida e do ambiente!

O hábito da bicicleta

Nós somos seres de hábitos. Nós somos comodistas. Nós temos uma certa aversão à mudança. Nós somos preconceituosos. Não há volta a dar.
Quando olho para trás e vejo a resistência que fiz para largar o automóvel e implementar a bicicleta nas minhas rotinas e respetivas deslocações diárias, nem quero acreditar! Algo que hoje faço com a maior das naturalidades, ao ponto de já não me ver fazê-lo de outra forma.
Comecei. Debati-me com supostas adversidades. Desisti. Esqueci. Voltei, mesmo que motivado por circunstâncias exteriores. Repeti. Adaptei. Adaptei-me. Continuei. A bicicleta faz parte da minha rotina. Hábito implementado.
As adversidades continuam a existir, mesmo que diferentes e relativizadas. Hoje, por exemplo, na ida, apanhei com um bafo quente e húmido daqueles, e dei à campainha um aturado trabalho para alertar os peões que insistem em circular na ciclovia. No regresso, apanhei vento de frente e estava a ver que ia apanhar chuva… Às vezes não tenho o local para a estacionar com as condições e livre como queria. Outras, parece que sou invisível, pela forma como os condutores são indiferentes à minha presença…
Adversidades? Chamem-lhes o que quiserem. Com estas lido bem, muito melhor do que com as advindas de estar enclausurado numa caixa de chapa, até porque tudo resto é benefício, prazer e satisfação.
Os hábitos tiram-se e põem-se, já diziam os antigos. E se há hábito que me congratulo de ter implementado, foi o hábito de utilizar a bicicleta no meu dia-a-dia.

Roubaram-lhe a bicicleta!

Sábado, o sol mostra-se lá fora, pequeno-almoço relaxado, algumas tarefas domésticas e a tão desejada ida à praia. Bicicleta fora da garagem, mochila às costas e capacete apertado, e lá vai ela descontraidamente entre o fresco da brisa matinal e o calor dos primeiros raios de sol.
É uma rotina nem sempre rotineira, mas depois de vários anos em que não usufruiu nem da bicicleta nem dos caminhos que circundam o local onde vive, é agora um prazer fazer-se à estrada montada no seu cavalo de ferro - a sua bicicleta! Pacifica, calma, despretensiosa.
A toada calma motivada pela falta de pressa e pelo apreciar do ambiente à sua volta levam-lhe ao seu destino, mas que por si só, já vale apenas pelo percorrer do caminho. É que se há meio de transporte que permite isso mesmo, é a bicicleta!
Os constrangimentos surgem na chegada, já que o local de estacionamento para as bicicletas para além de mal localizado, longe da vista e remetido a um canto, é totalmente inapropriado a quem preserva minimamente a sua bicicleta, daqueles “empena rodas”, em vez de simples U’s invertidos…
Desta vez, estes constrangimentos estavam ampliados, pela memória de neste mesmo local e umas semanas antes, lhe terem roubado da bicicleta o selim e demais acessórios associados! Assim, fez por deixar a sua querida bicicleta presa, o melhor possível, mesmo que o dispositivo para o efeito não fosse o mais robusto que havia.
Tentou não pensar mais nisso e desceu ao areal, ávida de um banho naquele límpido mar salgado, seguido de um confortante repouso embalado pelo calor que o sol emanava…
Nisso, recebe uma chamada:


- Onde estás?
- Na praia.
- Onde está a tua bicicleta?
- No parque de estacionamento.
- Não está não!
- Como não está?
- A tua bicicleta não está aqui!
- (Silêncio…)
- Já me roubaram a bicicleta!
- …


Qualquer semelhança com a realidade NÃO é pura coincidência!

Bicicletas: 4 em 1

Passeio de bicicleta Lagoa ComVida
Sábado, participamos num passeio de bicicleta em família promovido pela Câmara Municipal de Lagoa. As condições climatéricas pouco amigáveis quase o ponham em risco e afastaram muitos dos possíveis participantes, mas por outro lado, tornou esta atividade bastante simpática e intimista. Pouco ritmo e poucos quilómetros, por algumas vias litorais e centrais deste município. Fomos brindados com uma t-shirt alusiva e um substancial lanche. De tal maneira, que acabou mesmo por ser o nosso almoço, depois de despedir-nos do grupo e esticarmos o passeio para os lados das praias do Pópulo.


Partilhar a via
Quero acreditar que os automobilistas estão cada vez mais conscientes e sensibilizados para a presença das bicicletas e dos ciclistas na estrada, mas ainda recentemente, fiquei com a impressão que uma boa parte dos automobilistas que se cruzaram comigo/connosco, agiram motivados pela insensibilidade, impaciência e intolerância!


Bicicleta + Cidade = Oportunidade
As bicicletas continuam a ser consideradas como empecilhos, geradoras de atrasos e congestionamento na circulação, em vez de serem encaradas como parte da solução, para a redução do tráfego automóvel e da poluição em ambiente urbano. Que por sua vez levam à maior fluidez de circulação e ao aumento da qualidade de vida e saúde. Mais uma bicicleta, menos um carro. As bicicletas são uma oportunidade a vários níveis, de fazermos mais por nós, pelos outros e pelos locais onde vivemos.


Selins
Nos últimos dias andei às voltas com selins. Pesquisei, comparei, olhei, apalpei, pensei, hesitei e até experimentei… Várias voltas e optei por um “velho” conhecido. Já são dois lá em casa. O mais simples e acessível, e pouco confortável à primeira vista, mas que quando em cima dele é o que menos faz notar a sua presença. E quanto menos dermos pelo selim melhor. É bom sinal.

A hierarquia das ruas

Fomos feitos para andar de bicicleta? Não, não fomos. Fomos feitos para andar (a pé), para correr. Mas a bicicleta é um veículo bastante simples, adaptável, natural e prático que pode facilitar-nos bastante a vida. De facto, as distâncias tornam-se mais curtas, fáceis e prazerosas de percorrer. Mas somos seres insatisfeitos (e comodistas e vaidosos e…) por natureza e na busca da facilidade, da comodidade, no campo da mobilidade urbana, a bicicleta ficou relegada para segundo plano (para não dizer terceiro ou quarto!)

Criou-se uma hierarquia, a hierarquia das ruas, onde começamos por andar a pé, passamos para a bicicleta, talvez para uma mota e com toda a certeza para o automóvel. Idealmente este percurso fica concluído nos nossos primeiros 18 anos de vida. Andar a pé e de bicicleta na base, e o automóvel no topo, sendo que no topo ainda existem os topos do topo, mas nem vale a pena entrar por aí. O facto é que ninguém quer estar na base, é desprestigiante e pouco valorizado socialmente.

Infelizmente, com a busca incessante pela facilidade, comodidade e estatuto social, atafulhamos as ruas das cidades, tornamos a progressão lenta, desgastante, entediante e cara. Descaracterizamos as cidades. Poluímos muito e a vários níveis. Isso faz com que seja cada vez mais premente uma mudança, um regresso às origens, um regresso à base da pirâmide de uma hierarquia que não devia existir!

Mas a hierarquia não se manifesta apenas na opção de escolha, ela exprime-se na partilha das vias, onde o maior e mais rápido tem a supremacia, ou seja, mais direitos do que os mais lentos e pequenos (leia-se peões e bicicletas). Toda a circulação não motorizada é encarada como um empecilho à circulação desenfreada, onde cada um julga ter mais direitos, legitimidade e pressa do que os demais. Muitas vezes, esta hierarquia impõe-se à força toda:
- Se hoje lhe fizer uma razia pode ser que amanhã pense duas vezes e não me esteja a atrapalhar aqui à frente.
Sim porque uma pessoa adulta e discreta anda de bicicleta só em passeio e fora das vias de circulação ou simplesmente não anda. Até porque a andar de bicicleta apanha-se chuva, para além de cansar e até fazer transpirar… Para quê quando temos carros?! Disparate!

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