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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!

Motas vs. bicicletas

Se à 3 ou 4 meses atrás, alguém dissesse que eu iria ter uma ligação tão forte às bicicletas e aos meios que as rodeiam, que aos poucos me tem afastado da maior paixão material da minha vida – as motos, não acreditaria!
O facto, é que rendi-me às bicicletas, talvez porque estas têm-me permitido fazer o que gostaria de ter feito com as motos e nunca consegui, mas de uma forma mais segura, prática e económica, com a mais-valia de contribuir para o meu bem-estar físico.
Apesar das variadas limitações ao nível pessoal e material, não deixo de sentir alguma satisfação por ter vindo a superar obstáculos e a alcançar alguns objectivos gradualmente, culminando com a minha participação em competição numa prova de BTT-XC este ano.
As bicicletas estão definitivamente na moda, mas a minha ideia de ter uma já vem de uns bons anos para cá, na altura como complemento às modalidades indoor que praticava. Entretanto, com o nascimento do meu filho veio a alteração de diversas coisas e o consequente abdicar de outras tantas, daí que neste momento, a opção bicicleta passou a necessidade, e a par com o gosto, assumiu a posição de protagonista.
Mesmo tendo que gerir da melhor forma os meus tempos livres, os domingos de manhã estão garantidos. E é engraçado constatar, que a bicicleta, ou melhor, as dificuldades que sinto em cima dela, já me fizeram passar a acompanhar a minha mulher nas suas sessões de jogging e de banhos de mar em pleno Inverno!
Nos bastidores tenho-me divertido e aprendido muito, tanto no que diz respeito à preparação e manutenção da bicicleta, onde ainda me falta um pouco para dominar a mecânica das bikes como gostaria, como pela minha “intromissão” no meio, seja real ou virtual, onde tenho conhecido pessoas com excelente atitude e vasta experiência, suficientes para me sentir perfeitamente integrado e acompanhado, num mundo até agora desconhecido.
E a paixão pelas motos?!
Existe, dificilmente deixará de existir e as motos não estão completamente fora de questão. Em brasileiro diz-se: “dar um tempo”…
O facto, é que a partir do momento em que a moto deixou de ser uma necessidade, uma vez que deixei de andar diariamente e a disponibilidade para uma utilização de lazer começou a ser escassa, a par com o aparecimento de outras prioridades, responsabilidades e necessidades, esta começou a ser vista como um peso desnecessário que se reflecte no orçamento familiar, mesmo parada na garagem, para já não falar na contínua desvalorização. Pior ainda, quando inutiliza 18 m2 de área coberta e obriga o carro a “dormir” na rua!
Seja como for, não foi uma opção tomada de ânimo leve e não poucas são as vezes que sinto saudades delas, de qualquer uma das motos que tive (com destaque para a Suzuki DL650 V-Strom), pois as sensações que transmitem, sejam pela sua mera presença, sejam na condução aos seus comandos, são únicas, impossíveis de explicar e transmitir, e só compreensíveis por quem já teve ou tem o privilégio de as sentir.
Apesar do título deste texto poder induzir em erro, não é minha intenção entrar em comparações, até porque havendo semelhanças no conceito, são muito diferentes e obviamente não se substituem, mas complementam-se. E como bom sonhador que sou, continuo a sonhar com as minhas próximas, sejam com ou sem motor.

Clássicas-Modernas

No seguimento da minha actual linha de pensamento no que toca a motas e depois de ter lido mais do que uma vez o comparativo entre quatro “clássicas-modernas” na revista Motociclismo de Setembro, a saber, Ducati GT 1000, Harley-Davidson XR1200, Moto Guzzi V7 Classic e Triumph Bonneville T100, não é difícil constatar que qualquer uma destas motas tem o perfil que há muito procuro.
Há outros, mas estes quatro modelos interpretam na perfeição a filosofia que pretendo, cheias de personalidade, trazem aos nossos dias, a imagem clássica e carismática de outros tempos, mas numa base ciclistica minimamente actual, o que aumenta consideravelmente o leque de possíveis utilizações, mesmo que o objectivo principal seja simplesmente passear.
Neste aspecto e embora comparáveis, existem diferentes abordagens ao conceito, tantas como o número de modelos em causa, umas mais “genuínas”, outras mais “adulteradas”, podendo estas, ajudar a definir com maior precisão, qual a mais adaptada, não fosse haver a paixão, que tanto neste segmento, como em tantos outros, sobrepõe-se a todas as razões facilmente.
Estão aqui dignamente representadas, quatro das minhas marcas preferidas, sem dúvida, qualquer uma delas a apelar fortemente à imagem, ao carisma e à paixão.
Qual escolher, é a questão que se impõe, sabendo desde logo que um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas!
Por uma questão de empatia, desde logo destaco a Ducati e a Triumph, não desmerecendo as restantes. A Triumph é uma das minhas marcas preferidas e comecei a vê-la com outros olhos, não tanto pelos espectaculares e competitivos modelos de carácter actual que produz, mas sim pelas suas “clássicas”.
Já cheguei inclusive a contactar o importador nacional para saber até que ponto seria possível trazer uma destas máquinas aqui para a ilha. Mas fui, ou melhor, fomos mais longe, eu e o meu irmão, pois chegamos inclusive a explorar a hipótese de trazer a representação da marca para os Açores. Depois de alguns contactos, a concretização da ideia ficou em “stand-by”, mas ficaram as intenções.
Com a Ducati o “namoro” já é longo, simplesmente não lhes consigo resistir, sou apaixonado pela sua história, pela sua imagem, pelos seus modelos e estou-me nas tintas para os constantes elogios negativos, que saem da boca dos mais preconceituosos e fundamentalistas. E quem diz GT 1000, diz Sport 1000 e restante gama, com os genes desportivos e com a forte imagem da marca sempre presentes, seja qual for o segmento que representem.
A Harley-Davidson não precisará de grandes apresentações no universo das motas, principalmente no universo das choppers, ou não fosse a marca a criadora do conceito, mas também tem uma história desportiva por detrás das “massive and low” de “popone” único e não teve receios em produzir a rude e marcante XR 1200, inspirada neste passado de sucessos na competição.
A Moto Guzzi, não tão badalada como a anterior, também tem o seu espaço bem demarcado, dona de um característico motor bicilíndrico transversal em V e de todo o charme que nos chega de Itália, quando se fala em motas.
Mas a questão ainda está por responder, qual escolher?
Repito, um apreciador do género, ficará bem servido com qualquer uma delas, mas...
Misturando muita paixão, alguma razão e outros pormenores práticos (por exemplo a escassez de representações de marcas de motas cá), talvez… Ducati GT 1000.
Porquê?
Mesmo sendo uma das menos “genuínas” do lote, uma vez que partilha motor, quadro, suspensões e travões, com diversas outras produções actuais da marca, impõe-se no que toca às performances e permite uma condução a outro nível, muito mais competente e eficaz. Tudo isto sob uma capa encantadoramente clássica, fazendo jus ao nome que orgulhosamente ostenta, em fonte a condizer, no depósito de combustível...

Burgman 650 Executive

Se fosse um bocadinho mais preconceituoso e menos mente aberta em relação às motas, se calhar era-me benéfico.
Senão vejamos:
- Se apenas gostasse de motas italianas, equipadas com motores 2 cilindros em L, distribuição desmodrómica, embraiagem a seco, e vermelhas já agora, não seria difícil – A minha mota teria de ser uma Ducati!
- Se apenas gostasse da marca e estilo de mota que conduziu Valentino Rossi nos últimos tempos, também não me chateava muito – A minha mota seria uma Yamaha!
- Se apenas gostasse de motas do maior construtor mundial, seria óbvio – A minha mota seria uma Honda!
- O mesmo se aplica aos segmentos e ia por aí a fora…
Mas não sou assim e se tentasse ser seria mau, por um lado, estaria a enganar-me a mim próprio, por outro, não iria apreciar o melhor que cada marca/segmento oferece, um verdadeiro desperdício, diga-se de passagem.
A simpatia que nutro pelas scooters surgiu a partir do momento que tive a minha Honda Vision, tendo sido reforçada de forma definitiva quando tive recentemente a Vespa GTS.
Outras das responsáveis pela minha aproximação a este segmento são duas máquinas que apresentam um conceito muito inovador, com as suas 2 rodas na dianteira, embora com diferentes posturas entre si. Falo da Piaggio MP3 e da Gilera Fuoco 500.
Destaco ainda os fabulosos valores apresentados (75 cavalos de potência e 200 km/h de velocidade máxima) da scooter mais potente e rápida de sempre, a Gilera GP800, que me impressionam.
Mas existiu um outro momento que me marcou. Foi quando tive o prazer de ver todos, ou quase todos os detalhes de uma Suzuki Burgman 650 Executive ABS (AN650A), que me deixaram literalmente de boca aberta!
Não só os detalhes em si, mas também o gosto como me foram mostrados pelo seu proprietário, o que pode fazer toda a diferença.
A pessoa em causa, um verdadeiro motard, é conhecido por tratar das suas motas de forma dedicada, tendo estas sempre, um aspecto irrepreensível, arriscaria mesmo dizer, melhor que (algumas) novas! De forma simpática também, utiliza nas suas intervenções online, uma assinatura à qual acho muita piada, mas que no fundo caracteriza a sua maxi scooter:
“Numa "Burgman", você vai (muitíssimoooooo) mais bem sentado do que nas ... "outras" !!!”
Normalmente intituladas depreciativamente de “sofá com rodas”, no fundo esta designação faz todo o sentido, tal é o conforto proporcionado aos seus comandos, tanto pelo seu assento, como pela sua ergonomia geral e protecção aerodinâmica, com um “vidrinho” frontal regulado em altura por um “botãozinho” no punho direito.
“Mota de velho”, é outra, pois deve ser, e eu a caminho dos 33 anos, devo estar a ficar, por isso mesmo aprecio um bicilíndrico de 638cc, com 55 cv, de injecção electrónica de combustível, acoplado a uma evoluída caixa de velocidades, que tanto pode apresentar-se totalmente automática, como sequencial de 5 velocidades seleccionadas no punho esquerdo.
E os “velhos”, caso pretendam, podem lançar-se a cerca de 190 km/h no “sofá com rodas”, com toda a segurança e estabilidade, mas que também curva, desengane-se quem ache que não!
E parar? Travões de disco, 2 na dianteira, com ABS servem?
E são compartimentos para arrumação, uma enorme e iluminada bagageira, tomada isqueiro, painel digital e…
Podia estar aqui a descrever as qualidades desta Burgman por muitas mais linhas, pois não são poucas.
Pode ser tanto um veículo de lazer, como utilitário, apenas há que contar com o seu porte e peso, que sempre são 243 kgs a seco, apesar de bem distribuídos e com um centro de gravidade baixo.
A Suzuki conseguiu um equilíbrio muito bom com esta maxi scooter, apresentando uma estética clássica e muito bem conseguida, que cobre diversa tecnologia de ponta, a um preço que não é baixo, mas certamente justo, para o que oferece (9.600€).
Há quem não goste, quem não se identifique também, e terão todo o direito para isso, mas falar só por falar, só porque é uma “acelera” é que é chato. E a atitude “bota abaixo” não fica bem a ninguém!
Paixão ou razão?! Sinceramente não sei, é relativo, mas acredito que exista quem compre uma scooter destas por paixão.
Não estou comprador de uma, mas gosto de apreciar e dar valor ao que realmente é bom e por isso mesmo aqui fica o meu testemunho. E não, não foi encomendado por ninguém!

Ligação à Terra

Fui questionado por um colega, sobre a duração dos pneus das nossas motas. Ele por acaso tem uma mota muito semelhante à minha, faz percursos parecidos, utiliza as mesmas medidas e marca de pneus e tem uma condução teoricamente mais tranquila, mas os pneus dele para a quilometragem que possuem, em comparação, apresentam um maior desgaste do que os meus!
Não foi difícil chegar à conclusão que o problema era a simples falta de manutenção. A nossa grande diferença é que eu verifico o estado e a pressão dos pneus frequentemente e ele só se lembra deles nas revisões periódicas, em caso de furo, ou quando já estão a pedir substitutos.
Mesmo com a grande quantidade de informação existente e consequente despertar de mentalidades, a importância dos pneus, no caso das motas, ainda continua a ser subestimada por muitos, pois não é raro ver atestar a sua condição, com a subtileza de um aperto de polegar, ou com o tradicional biqueiro!
Não valerá a pena estar aqui a dissecar as propriedades/características/funções dos pneus, até porque são cada vez mais vastas as suas gamas e as diversidades existentes, mas convém ter presente um princípio básico, mas revelador da sua importância:
São estes círculos de borracha sulcada, com escassos centímetros de piso, calibrados com ar, que nos ligam ao solo!

Teste Suzuki DL650 V-Strom

Luvas para cá, capacete para lá, blusão para acolá, dou por mim montado na impecável V-Strom azul.
Tenho que dizer que ao contrário da 1000, que me passou um pouco ao lado, a 650 sempre me despertou alguma curiosidade, desde o seu lançamento.
Mais do que os excelentes resultados e positivas criticas que recebeu em comparativos, testes e contactos, sempre me impressionou o elevado grau de satisfação dos seus possuidores.
Esta mota tem uma particularidade engraçada, bom, pode não ser engraçada juntando as facturas dos acessórios quase que obrigatórios, muitos já montados, quando ela ainda nem saiu do stand. É top case, crash bars, protecções de mãos, etc. É engraçado, acho que nunca vi uma Strom sem top case!
Em cima da DL ficamos envolvidos pela envergadura do depósito e das carenagens dianteiras, mesmo assentando os dois pés no chão sem problemas, é aqui que acusamos mais as suas dimensões e peso.
Em andamento, a sensação desaparece por completo, embora seja preciso contar com o elevado centro de gravidade em manobras a baixa velocidade. Fiquei impressionado com o comportamento geral e com as prestações do motor. A posição de condução é tipicamente Trail, apenas notei que os braços vão um pouco esticados, o conforto é muito bom, tal como a protecção aerodinâmica, apenas senti um pouco de turbulência no capacete, mesmo com o ecrã na posição mais alta.
Gostei muito da sensação de segurança e de controlo total que senti aos seus comandos, possível pela posição de condução e pelo desenho da sua frente.
O motor é excelente! Muito elástico, apesar de uma sonoridade esquisita, para quem não está muito habituado a conduzir bicilíndricos. Tem umas boas baixas e permite uma condução suave e descontraída, mas quando solicitado, sobe de rotação com rapidez e das 7.000 rpm para cima revela-se muito pujante. Muito agradável, mesmo!
Para uma mota com um preço muito bom, apresenta alguns “luxos”, como o motor refrigerado a liquido e de injecção electrónica de combustível, quadro e braço oscilante em alumínio, painel de instrumentos moderno e completo, entre outros.
A travagem é igualmente muito boa e contribui definitivamente para a tal sensação de segurança que falei mais acima.
O que me pareceu mais débil foi a suspensão dianteira, respondendo de forma seca a certos obstáculos, como uma lomba.
Se calhar estou confuso, mas acho que esta V-Strom curva melhor do que outras motas muito mais vocacionadas para tal! Soberba! Olhem que nunca imaginei, numa mota de tão grande envergadura e longa distância entre eixos!
A mota tem um acerto formidável e é muito equilibrada. Agora compreendo a grande satisfação de quem tem uma, as criticas positivas, tudo!
De facto, ao preço a que é vendida e pelas suas qualidades, mesmo sacrificando um pouco alguns pontos como a estética, carisma e a especificidade, diria que é quase uma daquelas propostas irrecusáveis, para quem quer uma “faz tudo” muito competente.
Já agora, mesmo acreditando no maior equilíbrio, que me foi transmitido, da 650, fiquei curioso para experimentar a 1000…
Nisso das motas, o estatuto é muito importante… cof… cof…
Ah e tal, a 650… pois bela mota, sim… não, mas a minha é uma 1000… é outra coisa!

Calma na estrada, sff…

Porra! Fiquei desiludido comigo mesmo!
Face a uma serie de adversidades, reagi da pior forma à maior parte delas. Parece que perdi os meus princípios, a minha verdadeira maneira de ser.
Dormi mal, literalmente com os pés de fora, a caminho do escritório, deparo-me com filas de trânsito de fazer tremer o mais calmo dos seres!
Fogo, saíram os carros todos à rua hoje, ou quê?!
Impaciente, chateado, aborrecido, empenhei a minha condução à “artista” na mota!
...
A tarde foi-se, porreiro! Casa.
Casa?! Calma, a procissão ainda vai no adro! Se de manhã as filas eram "jeitosas", agora nem se fala! Porra, e agora?! Passa o “artista” novamente para os comandos… Não há alternativas, está tudo “entupido”, não dava para passar, só mesmo com manobras... parvas!
Que caraças, lá cheguei a casa com um misto de arrependimento e sentimento de culpa.

És tolo pá?!
Quem é que paga a gasolina e os pneus desta merda?!
Quem é que fica com má imagem, parvo?!
Quem é que paga as multas em caso de ser apanhado a fazer estas merdas?!
Quem é que paga o arranjo em caso de acidente, estúpido?!
E principalmente, quem é que põe em perigo a si e aos outros?!

Porra, sou eu!!!

V-Strom para sempre!

São 03:55 da manhã, estou à quase 3 horas sem conseguir adormecer. Tive este tempo todo deitado a pensar, sobretudo em motos, no fundo, aquilo que venho agora registar.
Todos já sabem as minhas preferências, as minhas opiniões, no que às motos se referem, uma vez que tenho deixado isso aqui bem patente por inúmeras vezes. No entanto, os meus sonhos e desejos têm por base um mundo ideal, que não é exactamente aquele em que vivemos.
Já no mundo real, as coisas não se processam exactamente da mesma maneira e convém ter os pés assentes no chão, ou preferencialmente, com umas botas calçadas, sobre os estribos retráteis em alumínio revestidos a borracha de uma Suzuki DL650 V-Strom.
Mais do que a 1000, este modelo de 650cc da Suzuki, encerra em si, a um preço adequado, uma série de qualidades, que principalmente depois de as “provar”, não deixa ninguém indiferente.
Não será a moto mais apaixonante, nem a mais bonita, nem tão pouco a mais performante, mas em coisas tão simples, como a hora de subir um passeio, circular com a mesma facilidade num caminho em mau estado ou numa estrada de asfalto recente, passear a dois com total conforto e segurança, não querer levar com vento, impor presença perante os condutores de veículos de 4 rodas, entre muitas outras, faz a diferença.
Para os mais exigentes, a “alma” da V-Strom tem a dualidade necessária, que mesmo tendo uma subida de potência suave e progressiva, a partir de certas rotações vai revelando todo o seu potencial, acompanhado por sonoridade a condizer.
Aliando-se a uma ciclistica equilibrada, apesar da sua envergadura, esta moto mostra uma apetência natural para as curvas e uma agilidade surpreendente em percursos acidentados, contrapondo com uma excelente estabilidade em percursos onde impera a velocidade.
Julgo que não se pode falar em história motociclistica micaelense, mas se fosse o caso, diria que a V-Strom, deixa a sua marca nesta história com uma inegável aceitação e respectivo sucesso comercial, reflectindo uma atitude positiva, o bom gosto e a maturidade de muitos motociclistas micaelenses.
Mais do que o seu sucesso de vendas, realço o elevado nível de satisfação dos seus proprietários, mesmo de quem já não as tem, por uma qualquer razão. Curioso é também o facto de quem as teve, mas por paixão, ou impulso do momento, a ter trocado por motos (teoricamente melhores na maioria dos casos) de segmentos tão distintos e ao fim de algum tempo voltar a elas.
Ganha o equilíbrio, a prática e o compromisso, no fundo, as suas grandes virtudes!
Para mim, tiro 2 lições, não que sejam novidade, mas faço-o de forma mais vincada:
1ª Só damos valor às coisas quando não as temos!
2ª Mesmo controlados e com bom senso todos temos os nossos momentos de loucura!
E o meu foi em Agosto de 2007, quando me desfiz da minha…

Plástico ou Ferro?

Nesta época cada vez mais descartável em que vivemos, onde a contenção de custos, o aspecto final, a facilidade de processamento e utilização recebem toda a atenção, prescinde-se do aspecto mais austero, mas durável e tão característico de materiais desde há muito utilizados.
No que toca às motos, as altas performances e a máxima eficiência a todos os níveis obrigam à utilização do plástico, das fibras, do alumínio, das ligas nobres, relegando cada vez para segundo plano os materiais tradicionais.
De qualquer forma existem excepções, embora mesmo estas, aos poucos começam a ser "adulteradas". Falo obviamente das “naked” clássicas, das “muscle-bikes” à moda antiga e das choppers, entre outros casos isolados, segmentos que ganham cada vez mais a minha admiração, ao contrário da cota de mercado, com excepção das choppers que têm muitos admiradores.
Não que seja contra a evolução e tecnologia de ponta, até pelo contrário, mas cada vez mais se radicalizam e especializam conceitos, difundindo-se os mesmos à velocidade da luz, sempre com o objectivo de quebrar barreiras a cada segundo que passa, o que faz com que se perca um pouco da verdadeira essência deste espectacular veículo que é a moto.
Até gostava de ter uma "xpto" qualquer, com uma potência incrível, que supera velocidades igualmente incríveis, com tudo do bom e do melhor montado, que custam vários (muitos) milhares de euros… Mas para quê, pergunto-me eu?
Pura ilusão! Não sou rico, muito menos piloto profissional, circulo na estrada e ocasionalmente fora dela (terra), não tenho super dotes de condução, tento cumprir o código de estrada dentro dos possíveis, portanto, um veículo destes com reluzentes fichas técnicas, onde os números e componentes quase valem ouro, nas minhas mãos, seria um verdadeiro desperdício.
Pois, sentia-me igualmente vaidoso e realizado aos comandos da minha “humilde” Vespa (blasfémia!), mas admito que não seja tão porreiro responder aquela pergunta da praxe de quem acabou de nos conhecer e a quem queremos impressionar - “Desculpe e que mota tem?” - porque de resto ela proporcionava-me excelentes momentos de condução (adequada ao conceito), bons momentos de contemplação, para já não falar no carisma e na história que tem por detrás, mesmo que a minha Vespa, fosse daquelas algo “adulteradas” pelas novas tecnologias.
No entanto, as circunstâncias também ditam regras e nem sempre se pode ter tudo e há que fazer opções, mas isto já é outra conversa...
O facto, é que neste momento dou mais importância a uma moto clássica, retro, carismática, baseada, ou inspirada noutros tempos, mantendo o conceito original, mesmo que actualizada, para atingir os padrões de exigência actuais, ou quanto mais não seja, as cada vez mais exigentes normas impostas, até porque há marcas a conceber esta fusão e revivalismo de uma forma magistral.
Julgo que há outra envolvência, outro desfrutar, outra relação homem/máquina, certamente mais descomplexada e descomprometida, mas consideravelmente mais próxima e menos fria.
Concluindo, apesar de ter lugar para tudo, quando se trata de veículos de duas rodas, no rol das minhas preferências, o “ferro” ganhou espaço incontestavelmente.

As Motas e as curvas

Pois, todos nós as fazemos, é certo, mas sabemos mesmo fazê-las?! Não as conseguiríamos fazer muito melhor?!
Não basta termos a melhor moto, o melhor piso de asfalto, os melhores pneus do mercado, nem mesmo muitos anos de experiência. É um facto que todos estes pontos vão ajudar, e muito, mas é preciso perceber um pouco como se processam as coisas, é preciso alguma teoria, técnica de condução, e obviamente, ir actualizando esta última.
Não existem grandes segredos, mas podem haver alguns pormenores que passam despercebidos, ou que nem nos damos conta que os utilizámos na condução na nossa mota, em geral, e na descrição das curvas, em particular. E por vezes são coisas tão lógicas, outras nem por isso.
A primeira coisa a fazer quando nos deparámos com uma curva é adequar a velocidade para a podermos descrever correctamente, ou seja, é necessário abrandar utilizando os travões e a caixa de velocidades. Já agora convém referir que ambos os travões devem ser actuados numa proporção que poderá ter algumas variações consoante as circunstâncias, mas numa força a aplicar dentro dos 75% no dianteiro e 25% no traseiro. Deverá também ser escolhida a mudança mais acertada para o grau da curva e antes da entrada da curva a mota deverá estar sempre desembraiada, conseguindo-se assim, capacidade de abrandamento, sem perda de equilíbrio.
A segunda é olhar para o ponto mais distante que se conseguir à entrada e no descrever da curva, é importante olhar em frente e não para o chão à nossa frente, a cabeça e os olhos deverão estar direccionados para o lado que se faz a curva, direita e esquerda respectivamente. Assim consegue-se uma visão mais ampla e maior controlo.
Como é óbvio o próximo passo será inclinar a mota. Para isso normalmente utiliza-se o peso do corpo para forçar a mota a “deitar-se”, pois, também é um factor importante, mas o que faz realmente uma mota em movimento inclinar-se é a técnica de “countersteering” (contra-brecagem)! É verdade, poucos se dão conta mas todos, mesmo que inconscientemente, utilizam esta técnica para inclinar a sua mota nas curvas. Como é que se faz isso?! - Não tem nada que saber. Para inclinar a mota para a direita, fazer pressão (empurrar) o punho direito para a frente, para inclinar para a esquerda é exactamente a mesma coisa, mas a pressão para a frente é feita no punho esquerdo. Tomando consciência desta técnica e praticando-a, é normal que a mota nos pareça muito mais ágil e leve, que as curvas pareçam mais fáceis e que aos poucos se consiga fazê-las de forma mais rápida, limpa e segura. Esta técnica poderá também ser muito útil mesmo quando se circula em linha recta, por exemplo, para fazer uma manobra de desvio de um qualquer obstáculo que se nos depare na via de circulação.
Finalmente e já durante o descrever da curva deve-se manter uma aceleração suave, constante e/ou progressiva, o que nos dará o equilíbrio de pesos entre os dois eixos e a estabilidade necessária, para traçar a trajectória correctamente. Nunca abrandar ou travar durante o descrever da curva, o que irá contra o acima descrito. É melhor entrar mais devagar e depois estabilizar a aceleração até à saída para depois poder acelerar livremente, do que entrar muito depressa na curva, ter de cortar acelerador, ou travar, desestabilizando todo o conjunto, perdendo velocidade e obrigando a manobras de improviso não pretendidas.
Boas curvas com segurança!

Triumph Scrambler 900 - Paixão de 2 rodas

Nunca fui daqueles saudosistas que gostam de coisas clássicas e/ou antigas, sempre fui muito mais virado para as últimas novidades, para a mais recente tecnologia, para a alta performance e modernidade.
Mas há certas coisas que mudam, talvez pela maior maturidade, por uma qualquer circunstância ou acontecimento da nossa vida, ou pelo simples evoluir da idade.
Obviamente que estou a falar de motas, e recentemente comecei a dar mais importância a pontos que até agora desprezava um pouco. Desta forma “apaixonei-me” por uma mota que muito dificilmente à uns tempos atrás estaria no lote das minhas preferidas, até podia apreciar um ponto ou outro, mas no geral, nunca seria uma mota que gostasse de ter.
A Triumph Scrambler 900 é uma clássica moderna, baseada no conceito “scrambler” que muito sucesso teve nos anos 60 e 70, principalmente nos EUA. Há muito que a Triumph tem feito renascer motas baseadas em modelos de outros tempos (Thunderbird; Bonneville; Thruxton) e com as quais tem conseguido agradar a muitos motociclistas e entusiastas da marca.
O conceito “scrambler” foi aquele que esteve na base das trail e no fundo consiste em adaptar minimamente uma mota de estrada para meios mais diversificados e assim equipá-la com pneus mistos, escapes elevados e guiador largo, entre outros aspectos.
Na minha opinião o resultado é encantador! A mota emana um estilo clássico intemporal, cheio de personalidade, ao qual, me rendo completamente.
Que dizer da sua pintura, do logo da marca de grandes dimensões com acabamento cromado, que dizer dos seus dois belos escapes igualmente cromados, de excelente sonoridade, a atravessar a mota numa posição elevada, que dizer do volumoso bloco de 865 cc com o seu aspecto “retro” parecendo uma peça de outros tempos sublimemente restaurada, que dizer do seu painel de instrumentos, dos seus faróis dianteiro e traseiro… até mesmo do pormenor da ignição estar posicionada lateralmente na coluna de direcção...
Como se não bastasse a Triumph disponibiliza uma linha de acessórios que ainda lhe proporcionam um acentuar do conceito, entre outros acessórios mais vocacionados às prestações ou ao conforto. Tal como existe igualmente uma linha de equipamento específico para o condutor e passageiro.
A nível técnico a Scrambler está equipada com um bicilíndrico paralelo com 865 cc, refrigerado por ar e alimentado por dois carburadores, e na transmissão uma caixa de 5 velocidades. Quadro simples em aço, jantes de raios de 17 e 19 polegadas atrás e à frente respectivamente, nas suspensões, forquilha convencional de 41 mm de diâmetro e duplo amortecedor traseiro com ajuste na pré-carga, na travagem, um disco de 310 mm na dianteira e um de 255 mm na traseira, ambos mordidos por pinças de 2 pistões. Declarados para valores de peso, estão os 205 kg a seco e para potência e binário máximos, os 55 cv às 7.000 rpm e os 69 Nm às 5.000 rpm, respectivamente.
De facto, não espanta pela sua ficha técnica, aliás, nem quer, o seu andamento é regular, tal como a sua travagem e é normal que o comportamento das suas suspensões não seja um primor, principalmente quando se circula com passageiro. As suas prestações também não “brilham”, mas aí é que está, os seus argumentos estão longe disso.
A Scrambler é uma máquina com encanto e charme suficiente para se valer por isso, de resto apenas proporciona uma utilização normal e polivalente, mas polivalência com muito estilo, não passando despercebida onde quer que passe.
É perfeitamente aceitável que para alguns, uma máquina destas, nada traga de novo, e diga muito pouco, sendo apenas encarada como mais uma mota de aspecto clássico, que se inspirou em produções de outros tempos. Não se pode agradar a todos!
Para outros é o culminar de um amor à primeira vista, é ser diferente, é encarar o mundo do motociclismo de forma peculiar e intensa, é um regressar às origens, é o fazer parte de um grupo restrito e da história de uma marca mítica, com muita tradição, onde classe e exclusividade sempre foram as palavras de ordem.
Eu sou um destes e adoraria ter uma!

Motas, simplesmente as motas!

As motas hoje em dia são mais do que muitas, são muitas marcas, com inúmeros modelos, que se encaixam em diversos segmentos, reflectindo uma busca incessante das marcas a ir de encontro ao gosto de potenciais clientes.
A uns agrada-se com as generosas fichas técnicas, com motores a debitarem cada vez mais cavalos, a outros pela polivalência, pelo lado prático e economia, outros ainda pela exclusividade, estética, ou pormenores tecnológicos únicos.
De facto investem-se milhares com a ideia de despertar paixões, sonhos com o intuito que estes se tornem realidade, o que muitas vezes acontece, mesmo que se deixe as prioridades de lado e se cometa uma loucura, uma sã loucura!
Aí vive-se um momento único, fora do normal, até mesmo descabido para quem não vê nada de especial numa estrutura de ferro ou alumínio, com um motor ao meio e duas rodas forradas a borracha. Não percebem que para quem vive intensamente este mundo, qualquer pormenor é importante, até a cor de um parafuso pode fazer a diferença.
Mas como a nossa espécie é mesmo assim, não é preciso muito tempo para já estar a pedir mais e assim entra-se no campo dos acessórios, da personalização, dos equipamentos, com as marcas cada vez mais despertas e a apostar forte neste ramo. Pior mesmo é quando ainda nem “aquecemos” a que possuímos e já estamos a pensar na substituta que saiu com um retoque aqui e acolá e mais uns míseros cavalos no motor…
Não se percebe, nunca estamos satisfeitos, é irracional até, mas toca a todos, ou a quase todos, elas “mexem” connosco, o que havemos de fazer?
Daí todos os segmentos e as suas diferentes características, que cada vez mais se distanciam porque o grau de exigência é cada vez maior. A diferença é tanta que parece que já nasceram especificamente para cada meio, quando no fundo a base de todas as motas é a mesma.
Por vezes esta tão grande e diversificada oferta é um verdadeiro quebra-cabeças para quem pretende entrar no mundo das duas rodas e ainda não sabe bem aquilo que quer. Aqui é preciso jogar com a razão e com o coração e fazer comparações, muitas comparações.
Mas é engraçado constatar que, se por um lado as marcas lutam com toda a mais recente tecnologia e quebram todos os limites, por outro estão cada vez mais a inspirarem-se nos seus modelos que fizeram história, e dão-lhes novamente vida, devidamente actualizados a nível técnico.
Depois ainda há aqueles modelos que parecem não evoluir, que com alguns retoques se vão mantendo nas gamas das marcas por longos anos, o que não quer dizer que são inferiores às outras, são apenas alternativas, e válidas.
Até quem sabe se não são estas as “verdadeiras” motas, as que se mantêm fieis ao conceito, as clássicas de sempre, mas ainda actuais nos nossos dias, aquelas que não são derivações, que oferecem aquilo que uma pessoa “normal” deseja e procura, perfeitamente consciente que só uma mota lhe pode dar… São motas, são simplesmente motas!
Continuemos a nossa caminhada neste espantoso mundo das duas rodas, tirando todo o partido delas, tendo sempre presente os riscos inerentes a um veículo desta natureza, acompanhando a sua evolução e a inovação, cada vez mais a um ritmo alucinante, mas não esquecendo as raízes e a história deste objecto único que é a Mota.

Os meus devaneios de motociclista sonhador!

Como grande admirador de motos, e há quase 2 décadas como condutor, têm-me passado pelas mãos das mais diversas marcas e estilos…
Mas com o acumular de conhecimentos, experiências e um natural apuro de gosto e exigência, comecei a olhar para as produções europeias, no que toca às “duas rodas”, com outros olhos…
Mais do que ter uma moto com boa relação preço/qualidade, potência, fiabilidade e prestações, características como carisma, história, estilo e exclusividade, começaram a ganhar importância…
Partindo deste principio e tendo como sonho de sempre, abrir um stand de motos, com um olhar atento sobre o nosso peculiar mercado, não foi difícil chegar a uma marca que para além de não ter representação para os Açores, reúne de um modo geral, as características acima enunciadas, ou seja, o melhor dos dois mundos, a Triumph…
De facto, esta marca inglesa tem um historial incrível, mesmo nas situações mais delicadas por que atravessou, soube sempre dar a volta e actualmente apresenta-se num momento de forma invejável, pois ainda no ano fiscal de 2007 teve resultados brutos e vendas superiores em 10%, comparativamente ao ano anterior…
Para além destes números, há uns anos para cá a Triumph tem feito crescer a sua gama de motos, sempre com a habitual qualidade e cuidado, que são notórios nas suas produções, mas a preços competitivos. A gama divide-se em três grupos denominados de “Modern Classics”, “Urban Sports” e “Cruisers”, dos quais distingo os modelos Scrambler, Speed triple e Rocket III, de cada grupo respectivamente…
Isso para não falar no seu característico motor de três cilindros que nas suas últimas evoluções tem mostrado um elevado potencial, inclusive superior à concorrência japonesa com os tradicionais quatro em linha…
Relativamente ao negócio em si, o meu objectivo era numa fase inicial dedicar-me apenas à Triumph, fazendo todos os esforços para que o nome da marca ganha-se estatuto no meio por ser um produto diferente, num mercado algo preconceituoso e limitado em termos de dimensão, onde as marcas japonesas têm uma forte implantação…
De facto, considero a aposta na imagem e na diferença fundamentais, porque apesar das particularidades do nosso mercado, já começa a surgir, mesmo que de forma tímida, quem procure algo mais exclusivo, com maior estatuto e carisma…
O ideal em termos de espaço seria uma estrutura onde fosse possível ter todos os sectores do negócio (stand; stocks; oficina; serviços administrativos) concentrados, como forma de prestar um melhor serviço e reduzir custos, sendo um armazém num parque de negócios actual e moderno, com boa localização, o meu objectivo…
O local de venda e exposição, tal como todos os restantes espaços, teriam uma imagem simples, ampla e apelativa, onde as cores da marca dominariam a decoração, sob a adequada luminosidade…
Como forma de levar pessoas ao espaço, a ideia era criar hábito de local de encontro e proporcionar um ambiente de família aos futuros clientes, distinguindo-os com algumas lembranças (Triumph) em ocasiões especiais, como aniversários, etc., para além de se disponibilizar para a generalidade dos nossos visitantes alguns produtos como internet, revistas, “gadgets”, etc. ligados às motos, e claro, o habitual “merchandising” e linhas de vestuário e acessórios da marca. No fundo oferecer toda a distinção que um cliente Triumph merece…
Este seria essencialmente um negócio de cariz familiar e de paixão, uma vez que tem como base um dos maiores gostos da minha vida – as motos!
Claro que toda esta paixão e motivação são refreadas pela realidade dos negócios em si e o risco que comporta. Para além da indefinição do possível retorno, existem diversas dificuldades a ter em conta…

Principais dificuldades:
- Elevado investimento – O valor de aquisição da estrutura é bastante elevado, isso sem falar em toda a sua preparação e equipamentos de adequação ao negócio e todos os outros custos inerentes;
- Mercado – A pequena dimensão e os preconceitos relativos às marcas “não japonesas” no meio, caracterizam o nosso mercado;
- Mão-de-obra especializada (mecânica) – Normalmente é uma actividade praticada por pessoas com um menor grau de instrução e sem a sensibilidade necessária para lidar com máquinas cada vez mais precisas e minuciosas onde a electrónica impera. Para mais, releva-se escassa no que diz respeito às motos;
- Desconhecimento do negócio – Apesar de ligado às motos há muito tempo esta ligação sempre foi de comprador/possuidor, ou seja do outro lado.

Test-Ride Ducati

1000DS Multistrada, ST3 1000, Monster 620 Dark...
Já lá vão quase 5 anos, mas foi sem dúvida, um dos melhores momentos que já tive, aos comandos de motos.
Multistrada: Eficaz, divertida, capaz. Uma verdadeira "fun-bike". A minha preferida!
Monster: Carismática. Boa ciclística. A "porta de entrada" no universo Ducati.
ST3: Agradável. A turística com os genes desportivos característicos da marca.
999S: Superbike. Infelizmente, apreciação apenas estática. Sem palavras...
O que queria mesmo era ter uma... Quem sabe um dia...

Aqui fica o relato deste teste, feito pouco tempo depois desta experiência.
Foi uma das experiências que mais me marcou, uma vez que tive hipótese de num só dia experimentar três modelos de uma das marcas mais emblemáticas do motociclismno mundial, mesmo que não os seus principais modelos.
Foi com grande ansiedade que aguardava pelo dia, em que iriam estar disponíveis para test-ride três modelos da Ducati, sendo eles a DS 1000 Multistrada, a ST3 1000 e a Monster 620 Dark.
Como não podia perder esta oportunidade, ainda faltavam alguns minutos para as 10 horas, hora prevista para o inicio da actividade e estava a chegar à porta do novo stand da marca na Lagoa, acompanhado pela minha mulher que fez questão de me acompanhar. Só de ver outras Ducati no interior do stand estava a ficar ansioso, mas as motas para teste deviam estar a chegar.
Nisto começa-se a sentir um “troar” forte e seco ao longe, que aumentava de intensidade gradualmente, ao fundo da estrada as suas silhuetas começam a surgir, eram elas!
Aproximei-me rapidamente para inteirar-me das impressões dos condutores que as traziam e para ver de mais perto as 3 magníficas. Palavra puxa palavra, documentos na mão, e já estava sentado aos comandos da Multistrada (a minha preferida das 3). Depois de constatar onde estava tudo “arrumado”, pendura, arranquei...
Para quem tinha uma Honda NX-4 como referência, foi difícil não ficar automaticamente apaixonado por esta máquina vermelha. Para começar o motor destaca-se pela sua força e vivacidade, até mais do que estava à espera. A posição de condução é espectacular, apesar do assento ser algo duro, o que poderá ser desconfortável se as distâncias forem maiores. A sua ciclistica é muito boa e eficaz, com excelentes suspensões e travagem, tornando-a muito ágil e divertida de conduzir, “brincalhona” mesmo. Adorei a mota, por tudo, inclusive pela sua discutível estética, que para mim não é nada díscutível é simplesmente apaixonante! Ainda não esqueci o acabamento final do escape com 2 generosas saídas e o seu espectacular som grave e seco!
Seguiu-se a ST3, uma turística/desportiva que também surpreendeu pela positiva. Inicialmente a sua estética não me chamou muito a atenção, talvez por ser demasiado sóbria, mas para radicalismos e agressividade a marcas dispõe de outros modelos. Esta mota é muito intuitiva, tem uma boa posição de condução, com um assento amplo, de boa consistência e excelente protecção aerodinâmica. Pode-se destacar também o seu motor, que puxa com convicção desde baixas rotações, tendo mais empurrão que o da Multistrada, o que não admira pois apesar de ter também 1000 cc tem uma concepção mais actual e é naturalmente mais potente. Assim é também a sua travagem, possui umas confortáveis suspensões, sendo um conjunto muito homogéneo.
Por último testei a Monster 620, e de imediato achei-me estranho aos seus comandos, pois dá a ideia de ser muito pequena, parece que falta alguma coisa na frente da mota e ficamos algo caídos sobre esta. O seu motor também é muito diferente das outras duas, bastante mais lento a subir de rotação e algo amorfo em altas. De qualquer maneira, se o comparar com o da minha NX-4, este 620 é um “míssil”. No geral até gostei da mota, anda bem, trava bem e as suas suspensões eficazes de tacto rijo, assimilam razoavelmente as irregularidades do piso. E apesar de ser “pequena”, reflecte uma grande imagem e carisma, pois tem uma estética inconfundível, e claro, não deixa de ser uma Ducati!
Concluindo, se tivesse que escolher uma, não teria dúvidas que seria a DS 1000 Multistrada, mota que mistura de forma espectacular as qualidades das desportivas, com as das Trail e das Supermoto, tornando-a numa Fun-Bike única, tanto a nível de aspecto como de condução. Curiosamente a escolha da minha pendura também recaiu neste modelo, não só por ir sentada numa posição mais natural, como mais elevada, o que lhe permitia controlar o painel de instrumentos, ou melhor, o velocímetro?!

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