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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Partilhar a via!

A partilha das vias de circulação entre automóveis e bicicletas nem sempre é pacífica. Enquanto os ciclistas veem os automobilistas como senhores e donos da estrada, os automobilistas veem os ciclistas como empecilhos que ocupam um espaço que não é deles. Os ciclistas acham que os automobilistas deviam aceitar e respeitar quem opta por meios de mobilidade alternativos ao automóvel, já que é um direito que os assiste, os automobilistas acham que os ciclistas têm demasiados direitos e deviam circular nas ciclovias e nos passeios, usar capacete, ter seguro obrigatório e até matrícula na bicicleta!

E assim vamos andando. E depois existem as exceções…

Havia necessidade?

Tenho por princípio não dar muita importância a certas atitudes menos corretas por parte dos condutores de automóveis que presencio ocasionalmente. Todos cometemos erros e temos atitudes irrefletidas, por isso prefiro aliviar a carga de negatividade e pensar que embora existam claras situações de falta de bom senso, civismo e sensibilidade, notam-se melhorias gerais no comportamento dos condutores em relação às bicicletas e aos ciclistas. Por outro lado, a estupidez de certas pessoas por vezes é tão flagrante que é impossível ficar indiferente.
No último passeio, de uma boa parte dos automobilistas que passaram por nós não temos razões de queixa, minimamente corretos, pacientes e considerando a nossa presença na estrada. Mas outros houveram, felizmente a minoria, que borraram claramente a pintura, já que fomos brindados com rasantes simples, com uma rasante em velocidade e de buzina colada, e ainda, com uma ultrapassagem em que se fez questão de impor superioridade com uma forte aceleradela à passagem. Muito desagradável.
De notar que estamos a falar de situações ocorridas numa calma manhã de domingo, em estradas pouco movimentadas, onde nem sequer rolávamos lado a lado e que sempre que nos apercebíamos da presença de um carro facilitávamos a sua passagem. Mas o que dá para depreender é que para estes intolerantes condutores, independentemente do que pudéssemos fazer, o mal estava feito. E o nosso mal era simplesmente estar ali.
Rasantes e furiosas buzinadelas e aceleradelas…
Havia mesmo necessidade?

Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Rasantes!

A subir uma conhecida avenida da cidade de Ponta Delgada, circulo, instintivamente, próximo do passeio do lado direito desta via. Sou claramente mais lento do que os automóveis, que nestas circunstâncias, me ultrapassam facilmente...
Rasante – Uma! Duas!
Porquê?
Vejamos: Manhã de domingo, pouco movimento, duas faixas para quem sobe e uma para quem desce, linha descontínua entre as faixas ascendentes.
Mesmo assim há quem me ultrapasse como quem tem preguiça de olhar ao retrovisor, acionar o pisca e virar o volante para levar o carro à faixa da esquerda e fazer uma corriqueira manobra de ultrapassagem ou que pelo menos deixe a distância mínima de segurança*. Preferem pelo contrário, e quero acreditar que inconscientemente, fazer-me sentir a capacidade de deslocar ar dos seus estimados automóveis. No mínimo!
Obrigado, mas dispenso!
Chega! Posiciono-me próximo do centro da faixa de rodagem da direita, conservando a distância do passeio que acho conveniente para a minha segurança**, tal como deveria ter feito desde início. Culpa minha!
E não, não é birra, nem querer armar-me em ciclista com direitos, é apenas porque acabar deitado num passeio, com uma bicicleta ao lado, não é de todo algo que queira para uma manhã de domingo. Nem em nenhuma altura de outro dia qualquer!


*Artigo 18.º do Código da Estrada
3 - O condutor de um veículo motorizado deve manter entre o seu veículo e um velocípede que transite na mesma faixa de rodagem uma distância lateral de pelo menos 1,5 m, para evitar acidentes.

**Artigo 90.º do Código da Estrada
3 - Os condutores de velocípedes devem transitar pelo lado direito da via de trânsito, conservando das bermas ou passeios uma distância suficiente que permita evitar acidentes.

«Chega-te para lá que quero passar!»

Sexta-feira. Inicio de tarde. Céu azul. Temperatura amena. Trânsito calmo.
Depois de um momento de quebra de rotina, de exercitar o corpo e desanuviar a mente, venho fresco e leve, a pedalar ligeiro, a caminho de mais uma tarde de trabalho.
De repente, este tranquilo cenário é invadido por uma sonora buzinadela acompanhada por uma ultrapassagem que certamente não cumpriu a distância lateral regulamentar – um metro e meio – tal é a proximidade a que vejo o carro. Até aqui, nada a que já não esteja habituado. O pior é que o condutor da viatura, enquanto ultrapassava, faz questão de gesticular com a mão direita, como que a dizer: «Chega-te para lá que quero passar!»
Não sei se era pressa ou puro egoísmo de quem não suporta a ideia de ter outro tipo de transporte à sua frente na estrada?
Seja como for, no momento chateou-me a arrogância e o desprezo implícitos no gesto. Agora, simplesmente entristece…

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