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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Nordeste

De bicicleta ao Nordeste? Sim, já fui uma vez. Exatamente na última edição de um evento apelidado de Nordbike, organizado por uma grande entusiasta das bicicletas. Curiosamente, no fim de semana de inauguração das novas SCUT’s. Este evento consistia em percorrer o trajeto Ponta Delgada/Nordeste via Norte no sábado e Nordeste/Ponta Delgada via Sul no domingo, com pernoita na então Estalagem dos Clérigos, onde os participantes podiam usufruir de um cuidado e animado programa social. Na altura fi-lo com a única bicicleta de estrada que tinha, a Specialized Allez Steel. Foi duro, principalmente o regresso, mas no geral, uma bela experiência, que me traz sempre boas recordações.

 

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Daí para cá nunca mais rolei para aqueles lados, mas recentemente surgiu a vontade de fazê-lo. Ontem foi o dia. Mas não foi assim tão bem escolhido, depois de algumas outras tentativas frustradas. Saí relativamente cedo de casa (não o suficiente para chegar aonde queria) e o tempo não me parecia especialmente mau. Não parecia, mas fui bem enganado. Fiz o percurso praticamente todo debaixo de chuva (vá lá que não estava muito vento)! Aliás, se bem (ou mal) me lembro, já no Nordbike, entre Nordeste e Povoação, água foi o que não faltou… Aquando da prova de resistência de BTT nas Sete Cidades, alguém dizia que não se importava de andar com mau tempo e debaixo de chuva, mas que já começava a fartar. Digo o mesmo. Caramba!
Mas paciência, antes assim do que ter ficado em casa. A volta em si é muito boa e vale a pena, mesmo sob condições menos favoráveis. Queria era ter ido um pouco mais além, mas estava condicionado, já que queria chegar a casa a horas. A ida foi feita com tranquilidade, até porque a partir de certa altura não sabia bem o que me esperava, já que tenho poucas referências daquela zona da ilha. Quando vi que já tinha gasto metade do tempo disponível inverti o sentido da marcha para regressar. Vim mais ligeiro, tanto que acabei por chegar antes da hora, o que me deu margem para lavar a bicicleta, que se encontrava  num estado pouco recomendável.

 

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Por falar em bicicleta, já é a segunda vez que noto uma situação curiosa e desagradável circulando em piso molhado. A partir de certa altura, torna-se quase impossível rolar com a corrente posicionada nos carretos do meio da cassete, pois sente-se aquele desagradável e instável comportamento de mudança mal engrenada, do querer saltar da corrente, o que não permite de todo uma pedalada fluída. Uma situação a verificar por quem sabe mais do que eu, que transmissão é coisa com que nunca atinei. E se calhar também não seria mal pensado adquirir um lubrificante específico para estas condições.
Claro que terei de ir novamente ao Nordeste. De preferência com mais tempo, menos chuva e sem comportamentos estranhos da bicicleta!

O exercício físico e a bicicleta no feminino

Cá em casa vive-se a cultura do exercício físico. A atitude pouco ou nada fundamentalista e o desinteresse pela competição, não significa que este importante departamento da nossa vida seja descurado, até pelo contrário, existindo inclusive o cuidado de a passar à nova geração, estímulo que acaba por ser natural.
Não há cá esforços nem sacrifícios desmedidos e específicos, até porque achamos que um estilo de vida saudável não se compadece com isso, mas sim com uma dinâmica geral baseada na regularidade e variedade do exercício físico. Para além disso, privilegiamos as atividades ao ar livre e o contacto com a natureza. Sempre!
Seja como for, não perdemos uma oportunidade de nos mantermos em forma. Saúde, boa disposição, estética, bem-estar, escape, são algumas das razões em que assenta esta vontade. E complementamos com uma alimentação tradicional, a mais variada e saudável possível, buscando o equilíbrio entre qualidade e quantidade. Aqui também sem fundamentalismos e permitindo-nos errar ou exagerar, logo que este seja um comportamento excecional.

 

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De uns anos para cá e de uma panóplia de exercícios, a bicicleta é aquela que merece a minha maior atenção. Mais recentemente esta atenção começou a surgir vinda também de outras direções. Claro que o miúdo já me acompanhava desde tenra idade e à sua maneira, o que é normal nos miúdos, mas a minha mulher que manteve sempre a devida distância, está agora mais próxima do que nunca da bicicleta!
Depois de um acontecimento triste, o roubo da sua bicicleta, a compra de uma nova veio alterar completamente a realidade vivida até então. A bicicleta roubada foi ganha num passeio em que participei e não passava de um modelo de btt de baixa gama, obviamente muito limitado e limitativo. Tendo em conta isso e o seu uso maioritário, a opção lógica seria adquirir uma bicicleta de estrada com a polivalência e facilidade de utilização permitidos por um guiador reto. As prioridades eram a simplicidade e o baixo custo, estimulando o maior uso sem fazer o mesmo com os constrangimentos.

 

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Imagem: Seg-mento Bike Team


A B’Twin Triban 500 fb é atualmente a sua companheira preferida. Vai com ela para todo o lado, mesmo os lugares menos óbvios, sem preocupações excessivas com vestuário e equipamentos, muitas vezes, apenas com a roupa normal e o capacete. Relativizar as dificuldades é a atitude. Descontração é a palavra de ordem. Com isso, tem expandido as suas pedaladas para lá do que alguma vez pensou fazer. Ainda a semana passada, com as habituais companheiras de outras andanças, mesmo sem objetivos neste sentido e com base apenas na aventura, elevou consideravelmente a fasquia!
A minha rotina de pedaladas e a relação com as minhas bicicletas não estão ameaçadas, nem é provável que isso algum dia aconteça, até pelo contrário, pois não tarda nada e tenho companhia. Hoje, e ao contrário do que ela pensa, é com satisfação que assisto à sua vontade e ao crescente gosto em pegar na bicicleta e sair por aí a pedalar…

Na companhia da velha guarda!

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.

Povoação

Ainda não eram oito da manhã e já conduzia a Roubaix pela mão porta fora. Em dia de eleições tinha programada uma ida à Vila da Povoação.
Comecei o dia com um robusto pequeno-almoço para estar minimamente preparado para o passeio que tinha pela frente. Tudo indicava ser este mais um excelente dia de outono. Céu azul, pouco vento e, a partir de uma certa hora, calor quanto baste.

 

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Optei pela via norte e até às Furnas tudo normal, se se considerar normal a subida que nos leva à Mata Dr. Fraga! Mas vale pela descida das Pedras do Galego que dá sempre para arrefecer!
Para a Povoação, depois da subida inicial, a descida acaba por não ser das mais simpáticas por causa do piso irregular. Enquanto descia só pensava - “daqui a pouco vou-me lixar para subir isso tudo!”
Ia com a ideia de comer uma fofa, pois claro, mas parece que aos domingos de manhã não é fácil, pelo menos nos dois locais que entrei. Então acabei por optar por outra fonte de açúcar.

 

povoacao_roubaix2.jpg


Saí da vila a subir e a arrotar a mega bola de Berlim, com a ideia que se calhar, e na ausência das fofas da Povoação, devia ter feito o lanche à base de bolo lêvedo das Furnas…
A saída das Furnas foi feita pelo sul e não foi para ver a sua Lagoa porque vou sempre tão “satisfeito” naquela calçada que pouco olho para os lados, ansioso que a mesma acabe. Aquilo chocalha tanto que acho que até desfoca a visão!
Quando o suplício acaba e entramos no asfalto, que até parece almofadado, o conforto é logo esquecido a partir do momento em que o mesmo empina. Subida seguida de descida a abrir para Vila Franca do Campo.
Próximo desafio – Pisão. Sempre duro, quer se queira quer não! – Até rima.
Chegado a Ponta Delgada, nova escolha de percurso para rumar a norte. Optei pela “plana” e “consensual” Duarte Borges...
E foi isso.

BTT + BTT = BTT

Há muito tempo que a BTT foi relegada para segundo plano. De facto, a sua utilização tem sido residual e espaçada no tempo. Os motivos, advindos das sequelas de uma lesão e da falta de companhia, são óbvios, o que me levou à prática regular do ciclismo de estrada. Não obstante, o BTT (XC) é uma vertente do ciclismo entusiasmante de que gosto bastante.
Ocasionalmente surgem oportunidades para tirar a FSRxc do suporte e levar-lhe a cumprir a função para a qual foi concebida. Dentro das possibilidades vou aproveitando, e recentemente aconteceu isso mesmo. Traduziu-se numa jornada dupla de BTT. Nada de transcendente, mas deu para voltar a sentir aquelas sensações boas que só uma bicicleta na terra transmite, mesmo com alguma apreensão à mistura na presença das dificuldades, devido à falta de prática.
Claro que podia ter aproveitado duas grandes oportunidades em dois fins de semana seguidos para ser uma verdadeira barrigada de BTT, primeiro com o Azores Challenge MTB e depois com a Azores MTB Marathon, mas não. O compromisso e demais exigências naturais dos eventos competitivos organizados e a minha indisponibilidade perante os mesmos deixaram-me mais uma vez de fora, com tudo o que isso implica (se calhar tenho de ponderar esta atitude?!). Todas as outras limitações pessoais e materiais que existem, caso houvesse real vontade, não constituíam um obstáculo decisivo só por si.
Seja como for, a bicicleta foi para a terra (e para a estrada) em duas circunstâncias distintas, mas igualmente satisfatórias. Uma na companhia de quem começa agora a aventurar-se a um superior nível de pedaladas, outra na companhia de quem já anda nas lides desportivas há muito tempo, não necessariamente BTT.
Diverti-me antes, durante e depois. Antes, porque estive a mudar uns componentes na bicicleta, entre pneus e selim. Durante, por voltar a sentir o desafio e o prazer associados ao controlo da bicicleta perante os obstáculos. Depois, com a lavagem e a manutenção necessárias, que normalmente é parte obrigatória do pacote de quem faz BTT (sim, eu gosto disso!). E continua, já que faltaram as etapas finais da manutenção, para que ela possa repousar em condições até à próxima solicitação, que idealmente se espera que esteja para breve.

Havia necessidade?

Tenho por princípio não dar muita importância a certas atitudes menos corretas por parte dos condutores de automóveis que presencio ocasionalmente. Todos cometemos erros e temos atitudes irrefletidas, por isso prefiro aliviar a carga de negatividade e pensar que embora existam claras situações de falta de bom senso, civismo e sensibilidade, notam-se melhorias gerais no comportamento dos condutores em relação às bicicletas e aos ciclistas. Por outro lado, a estupidez de certas pessoas por vezes é tão flagrante que é impossível ficar indiferente.
No último passeio, de uma boa parte dos automobilistas que passaram por nós não temos razões de queixa, minimamente corretos, pacientes e considerando a nossa presença na estrada. Mas outros houveram, felizmente a minoria, que borraram claramente a pintura, já que fomos brindados com rasantes simples, com uma rasante em velocidade e de buzina colada, e ainda, com uma ultrapassagem em que se fez questão de impor superioridade com uma forte aceleradela à passagem. Muito desagradável.
De notar que estamos a falar de situações ocorridas numa calma manhã de domingo, em estradas pouco movimentadas, onde nem sequer rolávamos lado a lado e que sempre que nos apercebíamos da presença de um carro facilitávamos a sua passagem. Mas o que dá para depreender é que para estes intolerantes condutores, independentemente do que pudéssemos fazer, o mal estava feito. E o nosso mal era simplesmente estar ali.
Rasantes e furiosas buzinadelas e aceleradelas…
Havia mesmo necessidade?

Modelos

orbita_classic.jpg


O cenário não é o ideal, é o possível. A fotografia de telemóvel, despretensiosa, não quis mais do que registar o momento da saída para mais uma relaxante volta de bicicleta. Mais um momento de prazer, paz e liberdade. Mais um momento de interação direta e eficaz onde a nossa energia gera movimento. A pose revela a admiração da ciclista pela sua singela montada. Um instante que fica e prova que a relação com uma bicicleta pode ser mais do que apenas pedalar nela, mas não colocando em causa que seja esse o seu fim maior…

As duas Roubaix juntas na estrada

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Era hoje, era amanhã, era depois, e, nunca calhou. Foi ontem. A minha Comp e a irmã Expert do meu colega juntaram-se para uma volta ao concelho de PDL. Da volta em si, zero novidade, da companhia, aí sim.
Comprei a minha Roubaix e isso motivou o meu colega a voltar a ter uma bicicleta de estrada. Eu tentei ajudar, e por sorte e acaso, depois de um telefonema, cheguei ao pé dele e disse – Já tenho a bicicleta certa para ti! E assim foi.
Bom, quanto à volta, sem grande história para contar, lá fomos. Encontro ainda antes da hora combinada, ritmo calmo e tranquilo, até porque o meu colega acusou alguma falta de ritmo devido ao défice de pedaladas que regista desde que deixou de ter bicicleta de estrada. Por isso mesmo, separamo-nos antes do previsto. Enquanto fui a pedalar para casa, ele arranjou um transporte alternativo.
Mas não faltou tempo para colocar alguma conversa em dia, fazer comparações entre as bicicletas e respetivos componentes, e trocar impressões relativas às nossas sensações sobre os selins das mesmas.

roubaix_comp_expert_1.jpg

Furnas + Volta ao concelho de PDL

Hora prevista de saída – 07H00. Hora efetiva de saída - 07H30.
Chegou o dia!
Mesmo com boa parte da logística assegurada no dia antes, por forma a não haver desculpas nem atrasos, atrasei-me. Existem sempre coisas que não conseguimos controlar. Mas também não era meia hora que me iria desviar do objetivo. A Roubaix estava a postos.
A ideia era ir nas calmas e tentar focar-me nas várias etapas intermédias que compunham o percurso, em vez de ir ansioso com o alcançar do destino. Ir rolando e aproveitando etapa por etapa.
09H15 estava nas Furnas. Sair cedo tinha 2 razões – tentar escapar às piores horas de sol e calor, e não chegar demasiado tarde a casa. Pareceu-me que não ia ter sorte com a primeira… De resto, tudo dentro da normalidade. Paragem para atestar a garrafa e comer uma barra de cereais.
O próximo destino era Ponta Delgada e lá cheguei 2 horas depois. Entretanto, o Pisão já tinha ficado para trás. Custou-me, tanto que até tive de recorrer ao “ar forçado”, que é como quem diz, fecho da camisa aberto até lá baixo. Estava bastante calor. Bom, no centro da cidade mais uma paragem. Novo atestar da garrafa, outra barra e xixi.
Decorridas estavam quase 4 horas, mas sentia-me bem. Confesso que estava porreiro para seguir direto para casa! Só que o programa das festas ditavam mais umas horas, quilómetros e pedaladas pela frente. Ia para casa, sim, mas pela via mais longa. Era esse o compromisso. E assim foi.
Com o passar do tempo começava a acusar o cansaço e as respostas às solicitações, além de mais lentas, deixavam marcas. O cansaço era também psicológico. Se calhar mais do que físico até. Menos a parte do rabo dorido…
Fazer uma jornada destas, sozinho, tem as suas vantagens, mas a companhia nestas horas é fundamental para aligeirar as coisas. Distração e força mútua. Aquele apoio que faz a diferença.
Alterei ligeiramente a estratégia e agora as etapas estavam mais divididas. Ir traçando pequenos objetivos para alcançar o grande objetivo. Lá ia com mais ou menos dificuldade, sendo que já na costa norte da ilha, as coisas intensificaram-se. Aqui faltou-me mais um abastecimento. Da vila de Capelas para a frente não via a hora de chegar e já não tinha posição na bicicleta de tão maçado que estava.
Já na reta final tentei aguentar-me o melhor que podia, mas foram quilómetros de sofrimento. O cansaço era ampliado pelo calor e pela falta de água que entretanto acabara.
Cheguei esgotado, confesso. Mas… Dever cumprido. Ou melhor, desafio superado!
E acertei em cheio no tempo total da volta, 7 horas.
Hora prevista de chegada - 14H00. Hora efetiva de chegada - 14H30.

Grande volta, volta grande!

Na praia, em jeito de cumprimento um conhecido pergunta-me se tenho andado muito com a bicicleta nova. A minha resposta incluiu um vago, mas real «nem por isso», pois nessa altura andava em fase de abstinência forçada.
Daí iniciamos uma breve conversa, sobre bicicletas claro, onde ele, também com uma bicicleta nova, realçou o facto de querer fazer uma volta grande com ela, cobrindo todo o perímetro da nossa ilha (São Miguel). E que ainda não o tinha feito por manifesta falta de condições para o efeito.
Desde logo, esta troca de palavras motivou-me a pegar na bicicleta e tentar a minha sorte perante o meu problema físico, e depois…, a ideia da volta à ilha ficou!
Talvez um dia…
Numa das minhas idas às Furnas cruzei-me com alguém que tinha tirado o dia para fazer uma volta maior do que o normal, juntando a ida às Furnas com a volta ao concelho de Ponta Delgada.
Neste dia não estava para aí virado! Mas a ideia também ficou... Mais do que a volta à ilha, até porque numa primeira fase até servirá como indicador para a dita. Apesar de excluir o extremo leste da ilha, não deixa de ter uma dimensão considerável, que julgo rondar a centena e meia de quilómetros.
Ainda não tive vagar (nem coragem) para fazer isso, mas vai ter de ser!
Um dia falava com o meu colega de treino diário sobre um amigo que estava a mudar de hábitos alimentares e a ter resultados positivos, mas que preferia guardá-los para si, e ele disse-me que esta era uma forma de ele não se comprometer perante si e os outros.
Certíssimo!
Por isso mesmo é que estou aqui a falar destas ideias de voltas grandes, perante a minha vasta audiência (2 ou 3 pessoas!), que é da forma que me comprometo a levantar da cama num domingo às 06H30, para às 07H00 estar a saltar para cima da bicicleta, para aí ficar algumas (muitas) horas a esforçar-me fisicamente. Sujeito às inclemências das nossas instáveis condições meteorológicas e à irregularidade da nossa orologia. A chamar nomes feios a mim e à bicicleta. A pensar onde estaria com a cabeça quando me meti nisso. A sonhar acordado com comida, com destaque para as frutas e doces. A ver-me deitado no sofá!
Bem, ainda estou “longe” de me meter nesta empreitada (Furnas/Volta Concelho PDL)  e já estou arrependido de me estar aqui a “comprometer”!
Ou se calhar não…

Longe dos pedais, longe das teclas!

Um clássico.
Tive recentemente afastado dos pedais. Por variadas razões, sendo que a principal teve a ver com mais uma reclamação do meu joelho esquerdo. O facto é que o período que antecedeu esta abstinência foi bastante (demasiado!) produtivo ao nível das pedaladas, o que se veio a revelar contraproducente.
Entretanto regressei às minhas voltas, motivado por terceiros, que consciente ou inconscientemente, me ajudaram a vestir o equipamento, a pegar na bicicleta e sair para a rua.
As reclamações do joelho abrandaram o que fez subir a minha confiança para voltar a sair sem complexos. Mas com calma!
Aliás, basta-me ter uma atitude consentânea com meus princípios. Sair com calma, sem preocupações, deixando-me levar enquanto sentir vontade e as horas permitirem. Qualquer coisa como treinar passeando e usufruindo da bicicleta em todos os sentidos. Nada de exuberâncias, nada de “pastelar”, mas posicionando-me algures pelo meio, equilibrado. É a minha realidade.
Tudo fácil, compreensível e simples. Mas às vezes “quero” complicar…
Bom, e com isso o blogue ganhou algum pó, tal como as bicicletas!
Mas aqui estou de pano microfibras na mão…

Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Três ciclistas. Três gerações. Três bicicletas.

Eram 06H30 quando o despertador me fez saltar da cama. Não, não é normal, nem num feriado, nem em dia nenhum. Mas era por uma boa causa. Tinha um passeio de bicicleta combinado. E em boa hora. Há quanto tempo não acontecia!
Um grupo pequeno é certo. Poucos mas bons, como se costuma dizer. Éramos três. Três gerações. Três bicicletas. Pontuais, dedicados e motivados. Dose tripla a caminho das Furnas via Sul/Norte.

 

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Os meus companheiros animados e prontos para a 2.ª parte do percurso.

 

Lá fomos, ora mais depressa ora mais devagar, ora mais divertidos ora mais concentrados, ora mais conversadores ou simplesmente calados.
A volta não era inédita apenas para mim, mas estava a ser cumprida de acordo com as expetativas. Surpreendentemente quase ao minuto!
Foi excelente a todos os níveis. Imperou o companheirismo e a boa disposição, tudo emoldurado por um tempo fantástico para a prática do ciclismo.

 

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Specialized Roubaix - A minha mais recente e bela companheira!

 

Para mim foi também o primeiro passeio a sério com a Roubaix. Não tenho grande coisa a acrescentar para além daquilo que é suposto… Bela bicicleta!
Cheguei a casa mesmo na hora prevista, até porque tinha um compromisso. E o ligeiro atraso com que acabei por chegar ao mesmo nada teve a ver com mais uma bela manhã de grande pedalada.
Ousando tomar a palavra pelos três, concluo dizendo que foi uma manhã de superação para uns, de confirmação para outros e de satisfação para todos!

Pedais vs. Vento. Sapatos vs. Chuva.

A minha pontaria para escolher os dias certos para fazer coisas é tanta que até chateia!
Experimentar os sapatos e os pedais novos? Debaixo de chuva, pois claro.
E como se não bastasse, tinha acabado de passar uma mangueirada na bicicleta quando o c@brão do vento atira-me com ela ao chão, pois claro.
Bom, na verdade não existem dias certos para fazer estas coisas. Tinha vontade e disponibilidade, fui. Calhou estar de chuva, paciência.
O pedal direito já se diferencia esteticamente do esquerdo? É lixado, logo no primeiro dia, mas que se lixe!
Quanto aos sapatos? Não são impermeáveis, é só o que tenho a dizer…

 

sport_road.jpg

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Da realidade às Sete Cidades

De regresso à realidade. Depois de um fim de semana em grande, com muitas horas em cima de uma bicicleta que se propõe a isso, este último feriado foi dia de voltar aos comandos da Allez Steel para a reedição de uma volta que fiz em tempos com dois companheiros - norte/norte com descida à freguesia de Sete Cidades - desta feita a solo.

 

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Com o fantasma da lesão e o constrangimento da falta de regularidade presentes, inibo-me de certas aventuras, às vezes erradamente, como se veio a verificar. Sem queixas, apesar do considerável vento de sudoeste que se fazia sentir, num dia típico na ilha, onde circulei sob céu azul e céu muito nublado, sol e até nevoeiro, à maneira que progredia no percurso.
Na descida de cimento para as Sete Cidades estranhei o conforto e a segurança sentidos há uma semana atrás, mas pronto, é o que há… e é bom!

 

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Nestes dois pares de horas equacionei várias situações, normal quando se rola sozinho tanto tempo, e no que toca especificamente à minha montada decidi que iria fazer pequenas alterações dentro em breve. Nada de especial, apenas adaptações para a tornar mais “amiga”, em vez de manter uma postura entre a teimosia, o masoquismo e o deixa estar, mantendo-a inalterada para o bem e para o mal. Na verdade, é mais para o mal!
Mais um dia em que cheguei a casa cansado, mas satisfeito e grato por viver onde vivo, por ter a bicicleta e a disponibilidade que tenho e por ter a capacidade de pedalar até onde desejo.

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