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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Furnas + Volta ao concelho de PDL

Hora prevista de saída – 07H00. Hora efetiva de saída - 07H30.
Chegou o dia!
Mesmo com boa parte da logística assegurada no dia antes, por forma a não haver desculpas nem atrasos, atrasei-me. Existem sempre coisas que não conseguimos controlar. Mas também não era meia hora que me iria desviar do objetivo. A Roubaix estava a postos.
A ideia era ir nas calmas e tentar focar-me nas várias etapas intermédias que compunham o percurso, em vez de ir ansioso com o alcançar do destino. Ir rolando e aproveitando etapa por etapa.
09H15 estava nas Furnas. Sair cedo tinha 2 razões – tentar escapar às piores horas de sol e calor, e não chegar demasiado tarde a casa. Pareceu-me que não ia ter sorte com a primeira… De resto, tudo dentro da normalidade. Paragem para atestar a garrafa e comer uma barra de cereais.
O próximo destino era Ponta Delgada e lá cheguei 2 horas depois. Entretanto, o Pisão já tinha ficado para trás. Custou-me, tanto que até tive de recorrer ao “ar forçado”, que é como quem diz, fecho da camisa aberto até lá baixo. Estava bastante calor. Bom, no centro da cidade mais uma paragem. Novo atestar da garrafa, outra barra e xixi.
Decorridas estavam quase 4 horas, mas sentia-me bem. Confesso que estava porreiro para seguir direto para casa! Só que o programa das festas ditavam mais umas horas, quilómetros e pedaladas pela frente. Ia para casa, sim, mas pela via mais longa. Era esse o compromisso. E assim foi.
Com o passar do tempo começava a acusar o cansaço e as respostas às solicitações, além de mais lentas, deixavam marcas. O cansaço era também psicológico. Se calhar mais do que físico até. Menos a parte do rabo dorido…
Fazer uma jornada destas, sozinho, tem as suas vantagens, mas a companhia nestas horas é fundamental para aligeirar as coisas. Distração e força mútua. Aquele apoio que faz a diferença.
Alterei ligeiramente a estratégia e agora as etapas estavam mais divididas. Ir traçando pequenos objetivos para alcançar o grande objetivo. Lá ia com mais ou menos dificuldade, sendo que já na costa norte da ilha, as coisas intensificaram-se. Aqui faltou-me mais um abastecimento. Da vila de Capelas para a frente não via a hora de chegar e já não tinha posição na bicicleta de tão maçado que estava.
Já na reta final tentei aguentar-me o melhor que podia, mas foram quilómetros de sofrimento. O cansaço era ampliado pelo calor e pela falta de água que entretanto acabara.
Cheguei esgotado, confesso. Mas… Dever cumprido. Ou melhor, desafio superado!
E acertei em cheio no tempo total da volta, 7 horas.
Hora prevista de chegada - 14H00. Hora efetiva de chegada - 14H30.

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

… Allez Capelas

Mudou a hora, mas não mudou a rotina de ir dar uma volta de bicicleta. Nem diminuiu a vontade de pedalar. A manhã de domingo, salvo raras exceções, é minha, com mais ou menos uma hora. Dormi menos o que não é problema. Despachei-me sem pressas, até porque para horas já me chegam os dias úteis da semana. A Allez ficou pronta na hora, nem retoquei a pressão dos pneus, bastou instalar a bolsa de selim (pouco estética, mas útil) e a garrafa de água no suporte. Tinha uma ideia relativamente ao destino, mas ao contrário das horas, o estado do tempo trocou-me a volta. Deixei-me levar e fui improvisando ao longo do percurso. Passou uma hora. Estava inclinado para as subidas. Passaram-se duas horas. Estava longe disso, mas quando dei por mim estava nas Capelas. Passaram-se quase 3 horas e nem dei pelo seu passar. Estava em casa. Agora que mudou a hora os dias são maiores…

 

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Outra vez Gorreana!

Domingo, dia do pai, véspera de primavera, bicicleta de estrada, Gorreana.
Um dos problemas de ter uma temática tão específica num blogue, ainda para mais vivendo numa região geograficamente limitada, é a finitude ao nível da diversidade do que se faz e posteriormente publica. Este facto pode ser pouco apelativo para quem segue, mas não necessariamente para quem faz. Ou seja, nunca me canso de percorrer e pedalar nas mesmas estradas e caminhos que me levam aos mesmos sítios de sempre. Por inerência das circunstâncias faço-o muito no mesmo concelho - Ribeira Grande, no mesmo dia da semana – domingo, e com o mesmo destino – Gorreana.
É aquela volta média e aprazível, que ronda as duas horas de duração, que exercita e não chega a maçar, que pelo meio se passa numa estrada calma e única ao nível do traçado, da natureza que nos cerca e da qualidade do ar que se respira… E quando já em estrada mais aberta se rola, ora rápido ora mais lento, ao sabor do seu moderado sobre e desce, avistam-se umas peculiares plantações geometricamente alinhadas que sobem monte acima e que indicam a chegada ao destino – a Fábrica de Chá da Gorreana.
Aqui os atrativos são vários. Toda a envolvência e ambiente, a beleza, as cores, os trilhos, os cheiros, o chá, entre outros sabores tradicionais. E nos dias úteis da semana, a manufatura de outros tempos que se mantém. Confesso que quando vou de bicicleta limito-me esticar as pernas e à contemplação visual do que me rodeia, podendo esporadicamente saborear um chá. Mas vou lá muitas vezes. Ainda sábado tinha lá estado, noutras circunstâncias, e usufruindo de forma mais tranquila e efetiva ao nível das sensações. Logo à chegada fiquei fascinado com o rosa vivo das azáleas.

 

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Vila Franca do Campo

Este domingo foi dia de mudar de ares. Rumei ao lado sul da ilha e fui com a Allez até Vila Franca do Campo. O tempo estava excelente para andar de bicicleta, não obstante algum vento de sudoeste que se fazia sentir. Com variações entre a calma e o maior ritmo, e até as paragens para captar algumas imagens, quando dei por mim já estava no meu destino. É incrível como hoje em dia as distâncias são tão relativas... aqui há uns anos atrás ir à Vila Franca ou até mesmo a locais mais próximos, só de carro ou de mota. Mas ainda bem que essa realidade mudou!
O ponto de retorno acabou por ser a Praia da Vinha da Areia. E foi a sair da mesma que avistei lá mais à frente uma colega ciclista. Acabei por me juntar a ela algures a sair de Vila Franca. Este facto tornou o regresso mais agradável e a temível subida do Pisão menos sofrida. Até gosto de andar sozinho, sendo que o faço quase sempre nesta condição, mas admito que é uma mais-valia ter companhia nas voltas de bicicleta. Despedimo-nos em Ponta Delgada.
Antes de ir para casa, ainda tive um bocado à conversa numa zonal balnear da cidade, onde a Allez foi alvo de apreciação, com teste incluído. Para além dos elogios, recebeu pela primeira vez uma explícita proposta de compra...
- Não, não está à venda, mas obrigado na mesma.

 

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Carnaval a pedais

Não gosto do Carnaval, mas dá-me jeito a tolerância que é normal ter nesse dia. Aproveitei para fazer o mesmo de sempre, pedalar. Variei na bicicleta. Levei a BTwin Triban 500 à Gorreana, para um teste mais prolongado. Bastou montar os pedais de encaixe e subir o selim, e lá fomos. Tudo o que já disse sobre ela confirma-se. Não é fácil ter tanto por tão pouco!

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Duas horas depois ainda estava com as mãos nela, e não só. Desta feita, sem luvas e com as mãos inevitavelmente mais sujas. Não, não houve nenhuma avaria, apenas limpeza e manutenção que tenho vindo a descurar ultimamente em algumas das bicicletas cá de casa. Às vezes falta-me aquela vontade, mas depois de começar fico sem dar pelo tempo passar. É algo que me agrada e satisfaz.

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É o meu Carnaval…

Rolo de treino

Eh pá, não!
Gosto muito de pedalar, sim senhor, mas uma bicicleta estática, presa a um rolo de treino, é das coisas mais entediantes que já tive oportunidade de experimentar!
Eu que até fiz aulas de Indoor Cycling e adorava, modalidade que faz o melhor uso possível de bicicletas estáticas. Se calhar tive sorte com os monitores, com a classe e com as músicas, mas sempre achei estas aulas altamente cativantes! Ao contrário do rolo...
Semelhanças entre as duas coisas? Uma bicicleta que por mais que se pedale não vai a lado nenhum. De resto, nada a ver!
Nem têm que ter, mas gostava que tivessem, que era da maneira que saltava todo entusiasmado para cima da minha bicicleta presa ao rolo de treino na cozinha!
Sim, tenho um rolo de treino! E não, não é nenhum fétiche ele estar na cozinha! A cozinha é grande e é um local onde normalmente tenho companhia, tudo estratégias para lhe dar o devido uso, mas mesmo assim, a sua principal função é a de peça de decoração. Mas nem para isso serve muito bem, que não sendo feio, não tem aquele impacto visual.
Comprei isso numa altura má da minha vida. Tanto porque me tinha lesionado e foi uma bela desculpa para o fazer, como podia ter ido fazer uma coisa melhor do que o ir buscar à loja!
Mas também não o vendo. Ainda tenho a esperança que me vai ser útil. Um dia... Escusado será perguntar quando!

Andar de bicicleta vs. treinar

As minhas saídas de bicicleta para além da parte lúdica têm também uma componente física importante, que só dispenso por algum motivo relevante. É mais um dia que aproveito para exercitar o corpo, sendo que neste caso junto o útil ao agradável, já que pedalar é algo que gosto muito de fazer. Ok, já devo ter dito isso 500 vezes, mas pronto.
No entanto, não gosto de classificar estas minhas saídas como treinos. Na minha opinião, uma classificação simultaneamente pretensiosa e descabida. Porque não são isso que são. Tirava-lhes parte do encanto. Então, vou simplesmente andar de bicicleta. É assim que gosto de encarar as minhas voltas.
Gosto de sair de cabeça limpa, ou seja, sem grandes objetivos, prazos ou expetativas. Às vezes, nem destino certo tenho. É-me absolutamente indiferente quantos quilómetros faço, até porque nem tenho forma de os contabilizar. É um momento meu, uma forma de desanuviar, pensar na vida e nas coisas, sentir o ambiente que me rodeia com proximidade, uma relação restrita com a minha bicicleta.
Mas há quem saia para treinar e faça disso a sua bandeira. E acho que fazem muito bem, tal como também acho que faço.


O Florimunde treinou c'mó diabo!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Fu andá de bcecléte com o Florimunde e nã é qu'esse demóne pregou-me umas cuecas tesas de marreta?
- É maldite, o que é que comeste hoje de manhã?
- Fou pã com quêje e uma tejéla de chá prete.
- Nã sabia que o pã e o chá davim essa força toda?
- Tal atlêmad, não vês que isse é de treiná c´mó diabo?!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Sábado BTT, domingo Estrada

Que o fim de semana tenha dois dias é normal, mas andar duas vezes de bicicleta não é.
Sábado foi dia de BTT. Óleo na corrente, garrafa no suporte, bolsa de selim e lá fui com a FSRxc para o passeio da Bicicletaria Azores. Esta loja tem feito alguns eventos desde a sua inauguração e tenho marcado sempre presença. São passeios descontraídos e muito agradáveis, onde não me canso de destacar a simpatia dos seus promotores. Desta vez foram introduzidas algumas alterações no percurso, que o tornou ainda mais divertido. Foi mais uma agradável manhã de BTT, que no meu caso culminou com um belo banho na praia.
Domingo foi dia de Estrada. O mesmo ritual mais a retificação do ar nos pneus e lá fui com a Allez para mais uma volta ao concelho de PDL. Fiquei gostando. A última vez que a fiz correu muito bem, com a particularidade de ter levado a minha bicicleta sem mudanças, por isso, com esta, seriam favas contadas. Não foram! Comecei bem, se calhar bem demais e vim a pagar por isso mais tarde. Ou simplesmente estava num dia não. Não sei, mas fiquei de rastos. A parte final foi um sacrifício, força anímica zero, pensamentos em comida e por aí a fora. Ainda deu para apanhar um susto considerável quando um trator se atravessou na minha frente numa curva a descer. Roda bloqueada, ligeira aceleração cardíaca… Há dias assim.
O passeio de sábado acabou na praia, de estômago vazio e muito bem-disposto. O de domingo acabou a dormir no sofá depois de ter comido tudo o que consegui, como há muito tempo não acontecia.


No sábado, no regresso, ainda deu para captar umas imagens, depois de ter reparado nuns arcos que nunca tinha dado a devido atenção.

 

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Pedaladas seletivas

Com a idade vamos ficando mais seletivos. As saídas para pedalar já obedecem a uma pequena lista de critérios. Já há mais cuidado com alguns pormenores. Por exemplo, na consulta das previsões meteorológicas, que podem condicionar a escolha do local e da bicicleta a utilizar. Até porque normalmente pedalo sozinho e os imprevistos acontecem. Nada de grandes exigências, mas sim, sou mais criterioso. Por outro lado, se assumo um compromisso publicamente, baseado em determinados pressupostos e estes são alterados de forma imprevisível, a não ser que seja algo extremo, cumpro. Às vezes basta comprometer-me comigo mesmo. Outras vezes, cedo a contrariedades demasiado pequenas e não vou. Faço como que uma vingança a mim próprio, o que é parvo, até porque não é preciso dizer quem fica sempre a perder…


Amarrá o bode!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Um dia desses ia andá de bcecléte, ma mal tirê a malditcha da garage pega a chovê!
Ême, fiquê pa Dês me levá... Sorte macaca!
Noutres tempes cagava e andava, agoura...
Agoura ma que tou cada vez más fraquim, dê meia volta e voltê pa trás!
Ême, fiquê bim esmorecide!
Ódepous até fez sol, ma de rebinditcha já nã quis saí...
Fiquê fechade ámarrá o bode!
Ême, ê sê... Só um grande atlêmad faz viganças contra si propre!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Volta ao concelho, sem mudanças!

O prometido é devido, já dizia Rui Veloso na canção. Não foi uma promessa, mas anunciar as coisas publicamente motiva a sua concretização. Ora então, a ideia era fazer a volta ao concelho de Ponta Delgada começando pelas freguesias a Norte (nunca tinha feito, pelo menos na versão tradicional), com a minha bicicleta sem mudanças – Globe Roll1.
Apenas um pouco de apreensão pela novidade, que se veio a revelar infundada. Garrafa de água de 33cl no jersey, já que esta bicicleta não permite o seu transporte no quadro, e chave de bocas de 15mm na bolsa de selim, não fosse ter algum furo e precisar tirar uma roda. Estavam resolvidos os constrangimentos iniciais.
Normalmente, não faço distâncias tão grandes com a Roll, já que é uma bicicleta mais exigente, lenta e limitada, mas para este tipo de volta mais plana adapta-se minimamente. Curiosamente, na versão carreto livre consegue ser mais confortável do que a Allez. A volta correu melhor do que estava à espera, tanto que no centro de Ponta Delgada recusei boleia, já que ainda estava perfeitamente disponível para fazer os restantes quilómetros que me separavam do ponto de partida.
Agora tenho de fazer o percurso neste sentido com a bicicleta de estrada, para verificar as diferenças de forma mais concreta, tanto do percurso como da bicicleta… Ou então isso não passa de uma desculpa para voltar ao lado Oeste da Ilha…

 

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Espiral de pedaladas

Nos últimos tempos, as minhas saídas de bicicleta tiveram como denominadores comuns o facto de serem algo irregulares, começarem tarde e serem essencialmente curtas. Este ano tenho vindo a alterar isso e a tirar outro prazer das distâncias e dos meus passeios em geral. Tenho-me proposto uma série de desafios, que para alguns pouco representam, mas que para mim, e há poucos meses atrás, estariam completamente fora de questão. A este facto, também não será alheio o meu regresso a um blogue temático, já que uma coisa leva à outra…

RAP – Rimas a Pedais

Sou eclético e tolerante, o que se reflete na minha relação com as bicicletas, com a música, com tudo. Desde novo ganhei um gosto especial pelas sonoridades mais pesadas e agressivas – Metal, mas a diversidade que abranjo é cada vez maior. Assim, e mais recentemente, descobri o rap e o hip-hop, já que fiquei fascinado com a capacidade de escrever e debitar rimas dos MC’s. Histórias de vida, reais, duras ou não, contadas a rimar com muita competência, acompanhadas pela batida certa. Isso fez-me querer experimentar este tipo de escrita, completamente nova para mim, já que sempre a encarei com algum preconceito. Algumas experiências incluíram bicicletas. Acho presunçoso falar em poemas, são apenas rimas. No caso, rimas a pedais!


Bikes & Rimas

Trato por tu as ruas de PDL
Percorro-as a pedais
Com as minhas bikes
Tal como o faço em muitas outras na ilha de S. Miguel

É um estilo de vida
É um prazer
É uma liberdade única
Do melhor que se pode fazer

O trânsito, eu contorno
As filas, eu não componho
Chego rápido a todo o lado
Pela mão ou montado

Estacionar não é dor de cabeça
Prendo-a a um poste ou a um U invertido
A sério, sinto-me tão bem
É libertador e divertido

Ela leva-me ao mar
Vou à minha sessão de exercício
Ela leva-me sem parar
Pedalar é mesmo um vício

Nos CTT deixa correspondência
Na bagageira um saco de 5kg de aveia
A trepidar na habitual cadência
Lá vou eu com ela, de alma cheia

Máxima economia
Zero poluição
A bicicleta vai onde quero
Apenas gasta calorias
Está só do nosso lado a limitação

Seja ela qual for
É o veículo mais amigo
Simples e divertido
É com ela que quero ir ao meu lugar preferido

Rodas e pedais
Aqui está a receita para os teus males
Sim, não duvides
Estes são analgésicos reais

Quero pedalar para sempre
Quero pedalar em todo o lado
Quero ter as minhas companheiras de ferro
Sempre, sempre, ao meu lado!

De bike, yeah!

Pego na minha bike
Deixo-me levar por ela
Nas redes dava-lhe um like
É ela se que revela

Sigo a um ritmo rápido
Para trás vejo tudo distante
Esta cena é um bom hábito
Quem a inventou foi brilhante

A tentar fazer sentido
Com os pedais eu me amanho
Mas para tirar real partido
Não tens de seguir o rebanho

Comprar uma é valor seguro
Andar nela é motivo de orgulho
Usufruir de uma nova dinâmica
Agora com visão panorâmica

Meter rotações nos pedais
Definir a cadência a imprimir
Não é preciso nada de mais
Basta pedalar e partir

É uma forma de viver
É o que mais gosto de fazer
É um estilo de vida
É a minha melhor saída.

Roupa para andar de bicicleta

Não existe roupa para andar de bicicleta. Ou melhor, existe, mas para andar de bicicleta não é obrigatório vesti-la!
Depende muito do que se faz e como se faz. Gosto de andar da forma mais simples possível, o que para mim também é a mais confortável, embora este conceito seja subjetivo. E até podem existir peças obrigatórias dependendo das voltas e da bicicleta em uso, mas nada de muita exuberância e excessos.
Nas minhas deslocações diárias uso sempre e apenas roupa normal. Não uso capacete. Aliás, não há nada obrigatório, mas, curiosamente, costumo usar óculos de sol, mesmo que o sol não se faça sentir. Na altura do ano mais instável, um casaco prático que possua caraterísticas corta-vento e impermeáveis pode dar jeito. Como praticamente todos os que uso têm estas caraterísticas não tenho com que me preocupar. Prefiro estar sempre mais fresco, pois a pedalar é normal que a temperatura corporal suba.
Nas minhas voltas ao fim de semana, com bicicleta de estrada ou de BTT, o capacete, as luvas, os óculos, a roupa de licra e os sapatos de encaixe são obrigatórios. Mas fico-me por aqui. Mais uma vez a simplicidade e a leveza a imperar. Não gosto de peças como golas/lenços, corta-ventos, impermeáveis e coisas do género. Só uso em situações muito específicas ou extremas. Prefiro passar um pouco de frio e até apanhar chuva do que andar incomodado. Em voltas mais intensas, a temperatura sobe e surge a transpiração, o calor e as comichões. Eh pá não, antes frio! Para além disso, estas peças incomodam-me ao nível da liberdade de movimentos. Ainda a este nível, é muito raro usar as pernas completamente tapadas. Não vou negar que pontualmente, certos equipamentos poderiam ser úteis, mas tenho conseguido passar bem sem eles.
Nos meus passeios em família junto um pouco dos dois mundos. O ritmo e a atitude são diferentes e reina a descontração. Assim, combino roupa normal com roupa técnica, sem grande critério.
Como em tudo, cada um deve fazer aquilo que lhe for mais conveniente, seja vestir-se todo de licra, seja manter as calças de ganga. Triste é apontar o dedo aos outros por não estarem devidamente vestidos para andarem de bicicleta ou não pedalarem com a desculpa de não terem a roupa adequada!


Mascarade
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
No outre dia, e atençã tava um bele dia, vi alguém a andá de bcecléte...
E o que é qu'isse interessa? - perguntim vocezes!
E ê pergunte: Já tames no carnaval?
E vocezes perguntim: Porquié?
E ê responde: É porque esse alguém ia mascarade...
Ma tã mascarade que até fiquê tode arregalade!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

E com esta fui arrumado!

Como não será de estranhar, muitas das minhas conversas metem bicicletas pelo meio. Quando falo com pessoas minimamente entendidas, interessadas ou simplesmente curiosas, até dá gosto, mas existem outras para as quais tenho cada vez menos pedalada..., paciência, queria dizer. É uma clara perda de tempo e sou invariavelmente tomado por aquela sensação de estar a ser um grande parvo!
Mas por outro lado, é uma forma de ouvir tiradas únicas.
Certa vez, em que me era dirigido um discurso carregado de desculpas e preconceitos sobre andar de bicicleta, e enquanto pensava que pior do que tinha ouvido até então seria impossível, o meu interlocutor conclui com a espetacular frase - "Não gosto de me cansar!" 
Respondi-lhe com o meu profundo silêncio...
E com esta fui arrumado!


Desapega-te!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Isse sai-me cada sainhas!
- Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique com dôs no rabim e nas perninas!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique com dôs nos bracins e nas mãzinhas!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique munte cansadim e nã goste de me cansá!
Ême, nã quere andá de bcecléte porque fique chê de fraqueza!
- Ouh, pára aí... Já acabaste?
Entã desapega-te daqui pra foura!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Volta ao concelho de Ponta Delgada

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A última vez que fiz esta volta apanhei o percurso que vai entre Mosteiros e João Bom em obras, com a parte ainda asfaltada muito suja e esburacada e outra em gravilha, muito pouco adequada aos pneus finos e duros de uma bicicleta de estrada. Para além do desconforto, ainda deu para apanhar um susto ou outro, numa reta a descer, onde a gravilha apresentava maior altura. Não passou disso, mas decidi logo ali que só voltava quando tivessem a estrada composta.
Soube recentemente que já estava asfaltada e então ontem foi dia de fazer esta tão conhecida volta. Sendo que a minha versão é um bocadinho mais esticada ao centro. Seja como for, é sempre uma forma de aferir a minha forma, seja pelo tempo a realizar, seja pela forma como o corpo reage, durante e depois. E sobretudo, pelo desafio e pelo prazer de fazer algo de que gosto tanto.

 

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Prima por ser uma volta essencialmente plana, embora por aqui, o conceito de plano não seja bem igual ao de outras paragens. O Facto, é que não há nem grandes subidas nem grandes descidas, principalmente na minha versão. Além disso é relativamente longa. Isso para mim não é necessariamente bom! Não sou grande rolador e começo a ficar maçado com alguma facilidade. Mói, portanto, prefiro que haja mais desníveis e variações. Mas também não é por isso que a deixo de fazer.
O tempo estava bom para a prática do ciclismo, embora se fizesse sentir um vento incomodativo em algumas zonas. Mas nada de mais. Se calhar já eram as minhas pernas a falar mais alto e a reagir mal à mais pequena contrariedade, já que comecei com elas cansadas e doridas, fruto de umas “invenções” dos dias antes.
Mas correu tudo bem, que é o que interessa. Até agendei mentalmente novas edições. Está em falta uma volta, neste figurino, no sentido Norte/Sul e outra com a minha bicicleta sem mudanças. Se calhar vou juntar as duas numa só…

invade.

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Esta é a segunda fotografia que tiro neste local. A mesma bicicleta. Órbita Classic. As mesmas letras gordas no chão. O mesmo mar. O meu mar. Portas do Mar. O céu limpo a provar que nos Açores não está sempre a chover. Um dia de verão mais fresco. O cenário perfeito para a celebração da decisão de ter incluindo a bicicleta na minha rotina diária. A minha melhor rotina. Uma invasão de liberdade e prazer.

As bicicletas e a escrita

Pronto, domingo passado não fui andar de bicicleta, por um bom motivo é certo, mas certo é também o facto de isso ter-me influenciado negativamente ao nível da regularidade da escrita. Está tudo interligado, não é novidade. Estou farto de saber que quanto menos leio, escrevo e ando de bicicleta, menos escrevo! Bom, na verdade, se a temática abordada não for a bicicleta, se calhar não tem assim tanta influência, mas se é, até posso andar porque se forem voltas pouco relevantes e repetitivas, as palavras podem ficar pelo caminho. Isso revela a importância que as bicicletas têm na minha vida. Ou não fossem sobejamente conhecidas as suas qualidades terapêuticas. Reflexão, ânimo, motivação, boa disposição e inspiração, que vão fazer fluir a prática específica, tal como outras vertentes. A escrita é uma delas!

Vou ou não vou pedalar?

Considerando que me cruzei hoje com alguém que fazia o seu treino matinal de bicicleta.

Gabo quem tem objetivos concretos, exequíveis e bem definidos;
Gabo quem demonstra força e determinação para concretizar estes objetivos;
Gabo quem contorna as resistências e dificuldades e mete em prática o seu plano de ação;
Gabo quem avança em vez de procrastinar;
Gabo quem não se deixa levar pela preguiça, pelo apelo da cama ou do sofá;
Gabo quem se auto motiva;
Gabo quem prefere agir em vez de arranjar desculpas para não o fazer.

Por mais que se goste de andar de bicicleta, o que só por si atenua e relativiza muitas dificuldades e consequente esforço, é preciso empreender uma atitude positiva e decidida, que nos faça pegar na bicicleta e sair de casa. Ou mesmo não saindo, saltar para cima dela, estática, para mais um treino no rolo, por mais entediante que seja.
Por outro lado, lamento que falhe, tantas vezes, em todas estas questões que gabo, tanto nas bicicletas, como em outras áreas da minha vida!
Digo que gostava de pedalar noutros dias e não apenas aos domingos, que queria sair mais vezes, mesmo que para voltas mais curtas. Mas depois penso que:

Não tenho necessidade por já ter treinado! (desculpa);
Não tenho objetivos de fundo para o fazer! (desculpa);
Que estou cansado! (desculpa);
Mesmo que tivesse objetivos, a minha bicicleta tem muitas limitações! (desculpa);
E que não tenho tempo! (o típico e velho argumento da falta de tempo – DESCULPA, com letra maiúscula).

Digo que queria, digo que gostava, mas isso não é verdade. Ou não é totalmente verdade, porque se assim fosse, fazia-o!
Posso não ter objetivos competitivos, posso não ter a melhor bicicleta, posso estar cansado e aborrecido, posso ter limitações pessoais, temporais, logísticas e familiares. Mas, quem não as tem?
É mais fácil deixar-nos levar pela apatia, pela preguiça e pelo comodismo!
E isso serve para tudo, para quem quer sair para treinar, para simplesmente dar um passeio relaxado ou até deslocar-se de bicicleta para a escola ou local de trabalho.

Prioridades!
Quem realmente quer pedalar, pedala.
Quem não quer pedalar, arranja desculpas!

“Motor” atestado para pedalar

Comida pa pedalá!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Entã é uma fatia grossa de massa sovada com mantêga e um cope de lête de vaca. Cru!
Vocezes sabim lá o que é isse? Vocezes metim é pózins de bouiã num copim com água... Bananas!
Por falá em bananas, que fruta pa dá força, crêde!
Tenhe de comprá bananas...
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.
Doutô Bcecléte: Alter-ego do Zabela, um especialista (não credenciado) em bicicletas.


Depois de ler esta “esclarecedora” publicação do Doutô Bcecléte tenho prestado mais atenção à alimentação, antes, durante e depois de pedalar, principalmente durante, a altura que mais descurava.
De facto, hidratação e alimentação durante as nossas pedaladas não é algo que se deva ignorar, sendo que a sua importância aumenta na mesma proporção da exigência, regularidade e distância, destas mesmas pedaladas.
Pedalar para mim é um prazer e mais uma oportunidade de me manter em forma. Nunca pedalei com propósitos de emagrecimento, mas entre quem o faz, e não querendo generalizar, há uma certa ideia de que quanto mais debilitarmos o corpo melhor, quando deveria ser precisamente o contrário, para se conseguir atingir os níveis ideais de rendimento e equilíbrio. Um corpo ativo, bem hidratado e alimentado vai responder melhor às solicitações físicas, o que levará a melhores e mais rápidos resultados.
O que não faltam são opções neste campo, mas para a hidratação a água será sempre a base e para a alimentação a conjugação certa de alimentos ricos em hidratos (simples e complexos), proteínas e gorduras.
A bicicleta anda com a nossa energia (trabalho de força e movimento exercido nos pedais), portanto, o nosso corpo assume a posição de motor. Assim, precisa de combustível de qualidade e em quantidade necessária para funcionar à altura do que lhe é exigido.
Se calhar esta analogia não é a mais consensual, já que nos remete para o ramo automóvel, mas aqui estamos a falar só de eficiência e ganhos: Gasto de calorias, tonificação muscular e zero emissões de gases poluentes.

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