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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

O exercício físico e a bicicleta no feminino

Cá em casa vive-se a cultura do exercício físico. A atitude pouco ou nada fundamentalista e o desinteresse pela competição, não significa que este importante departamento da nossa vida seja descurado, até pelo contrário, existindo inclusive o cuidado de a passar à nova geração, estímulo que acaba por ser natural.
Não há cá esforços nem sacrifícios desmedidos e específicos, até porque achamos que um estilo de vida saudável não se compadece com isso, mas sim com uma dinâmica geral baseada na regularidade e variedade do exercício físico. Para além disso, privilegiamos as atividades ao ar livre e o contacto com a natureza. Sempre!
Seja como for, não perdemos uma oportunidade de nos mantermos em forma. Saúde, boa disposição, estética, bem-estar, escape, são algumas das razões em que assenta esta vontade. E complementamos com uma alimentação tradicional, a mais variada e saudável possível, buscando o equilíbrio entre qualidade e quantidade. Aqui também sem fundamentalismos e permitindo-nos errar ou exagerar, logo que este seja um comportamento excecional.

 

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De uns anos para cá e de uma panóplia de exercícios, a bicicleta é aquela que merece a minha maior atenção. Mais recentemente esta atenção começou a surgir vinda também de outras direções. Claro que o miúdo já me acompanhava desde tenra idade e à sua maneira, o que é normal nos miúdos, mas a minha mulher que manteve sempre a devida distância, está agora mais próxima do que nunca da bicicleta!
Depois de um acontecimento triste, o roubo da sua bicicleta, a compra de uma nova veio alterar completamente a realidade vivida até então. A bicicleta roubada foi ganha num passeio em que participei e não passava de um modelo de btt de baixa gama, obviamente muito limitado e limitativo. Tendo em conta isso e o seu uso maioritário, a opção lógica seria adquirir uma bicicleta de estrada com a polivalência e facilidade de utilização permitidos por um guiador reto. As prioridades eram a simplicidade e o baixo custo, estimulando o maior uso sem fazer o mesmo com os constrangimentos.

 

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Imagem: Seg-mento Bike Team


A B’Twin Triban 500 fb é atualmente a sua companheira preferida. Vai com ela para todo o lado, mesmo os lugares menos óbvios, sem preocupações excessivas com vestuário e equipamentos, muitas vezes, apenas com a roupa normal e o capacete. Relativizar as dificuldades é a atitude. Descontração é a palavra de ordem. Com isso, tem expandido as suas pedaladas para lá do que alguma vez pensou fazer. Ainda a semana passada, com as habituais companheiras de outras andanças, mesmo sem objetivos neste sentido e com base apenas na aventura, elevou consideravelmente a fasquia!
A minha rotina de pedaladas e a relação com as minhas bicicletas não estão ameaçadas, nem é provável que isso algum dia aconteça, até pelo contrário, pois não tarda nada e tenho companhia. Hoje, e ao contrário do que ela pensa, é com satisfação que assisto à sua vontade e ao crescente gosto em pegar na bicicleta e sair por aí a pedalar…

Na companhia da velha guarda!

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.

Armado em ciclista? Toma!

A constatar as potencialidades da bicicleta nova, ia a rolar com alguma rapidez na minha segunda saída com ela. Sigo muito próximo do centro da minha faixa, pois a sua zona mais à direita apresenta-se cheia de irregularidades e suja, acabando limitada por muros de pedra.
De repente, recebo uma reclamadora buzinadela que surge de um automóvel velho que me ultrapassa. Audível era também o som do seu escape e a velocidade da manobra algo elevada. Mas o pior estava para vir…
O passageiro aproveita o facto de ter o vidro aberto até lá baixo, estica o braço para fora e eleva o dedo do meio da mão direita, logo seguido do já meu conhecido gesto do chega-te para lá!
A estrada em causa tinha pouco trânsito e nada constrangia uma normal manobra de ultrapassagem, tal como aconteceu. Mas o condutor e o passageiro daquela sonora viatura fizeram questão de deixar bem patente a sua indiscutível superioridade na estrada e legítima indignação, porque um gajo de bicicleta (de bicicleta, veja-se!), no mínimo parvo, mesmo não incomodando ninguém e dentro da legalidade, ousa aproximar-se do centro de uma faixa de rodagem, por forma a garantir a sua segurança!

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Outra vez Gorreana!

Domingo, dia do pai, véspera de primavera, bicicleta de estrada, Gorreana.
Um dos problemas de ter uma temática tão específica num blogue, ainda para mais vivendo numa região geograficamente limitada, é a finitude ao nível da diversidade do que se faz e posteriormente publica. Este facto pode ser pouco apelativo para quem segue, mas não necessariamente para quem faz. Ou seja, nunca me canso de percorrer e pedalar nas mesmas estradas e caminhos que me levam aos mesmos sítios de sempre. Por inerência das circunstâncias faço-o muito no mesmo concelho - Ribeira Grande, no mesmo dia da semana – domingo, e com o mesmo destino – Gorreana.
É aquela volta média e aprazível, que ronda as duas horas de duração, que exercita e não chega a maçar, que pelo meio se passa numa estrada calma e única ao nível do traçado, da natureza que nos cerca e da qualidade do ar que se respira… E quando já em estrada mais aberta se rola, ora rápido ora mais lento, ao sabor do seu moderado sobre e desce, avistam-se umas peculiares plantações geometricamente alinhadas que sobem monte acima e que indicam a chegada ao destino – a Fábrica de Chá da Gorreana.
Aqui os atrativos são vários. Toda a envolvência e ambiente, a beleza, as cores, os trilhos, os cheiros, o chá, entre outros sabores tradicionais. E nos dias úteis da semana, a manufatura de outros tempos que se mantém. Confesso que quando vou de bicicleta limito-me esticar as pernas e à contemplação visual do que me rodeia, podendo esporadicamente saborear um chá. Mas vou lá muitas vezes. Ainda sábado tinha lá estado, noutras circunstâncias, e usufruindo de forma mais tranquila e efetiva ao nível das sensações. Logo à chegada fiquei fascinado com o rosa vivo das azáleas.

 

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Carnaval a pedais

Não gosto do Carnaval, mas dá-me jeito a tolerância que é normal ter nesse dia. Aproveitei para fazer o mesmo de sempre, pedalar. Variei na bicicleta. Levei a BTwin Triban 500 à Gorreana, para um teste mais prolongado. Bastou montar os pedais de encaixe e subir o selim, e lá fomos. Tudo o que já disse sobre ela confirma-se. Não é fácil ter tanto por tão pouco!

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Duas horas depois ainda estava com as mãos nela, e não só. Desta feita, sem luvas e com as mãos inevitavelmente mais sujas. Não, não houve nenhuma avaria, apenas limpeza e manutenção que tenho vindo a descurar ultimamente em algumas das bicicletas cá de casa. Às vezes falta-me aquela vontade, mas depois de começar fico sem dar pelo tempo passar. É algo que me agrada e satisfaz.

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É o meu Carnaval…

Negócio de bicicletas

Às vezes, sentado ao computador a ver uma página de internet de uma loja de bicicletas, começo a divagar num sonho acordado, em que me vejo na liderança de um negócio semelhante. Acredito que quem viva minimamente as bicicletas, que é mais do que apenas andar nelas, já tenha sonhado com algo semelhante. Obter o sustento de algo que é tão significativo e importante para nós, não é trabalho, é satisfação, é realização, é prazer!
Uma loja de rua, bem no centro de uma cidade, integrada no comércio tradicional. Um edifício antigo. Madeiras. Luz quente. Uma loja diferente, mais tradicional, mais intimista, um ponto de encontro, quanto mais não seja para dois dedos de conversa. Uma espécie de museu. Um local de produtos clássicos e robustos, combinando estética intemporal e parâmetros atuais. Aquela qualidade dos materiais de sempre, aquela manufatura manual. Bicicletas destinadas à sua função mais básica – a deslocação. E não só. Bicicletas à porta. Um espaço de contemplação. Um espaço de recordações!
De repente, sou puxado para uma realidade de compromissos, de legalidades, de custos, de exigências, de burocracia, de responsabilidades, de sustentabilidade! Realidade que me arrefece tanto como se tivesse levado com um grande balde de água fria! Acordo, embora acordado, e resigno-me… Não tenho nenhuma arte. Não construo, não restauro, não reparo. É mais um contra. Nada que o tempo e a experiência não contornassem. Mais o maior problema é o medo. O medo do fracasso, da incapacidade, do desconhecido, da dificuldade, da entrega, do incómodo!
E por isso mesmo, tiro o meu chapéu [capacete] a quem encara de frente esta pesada realidade e, contra tudo e todos, avança em busca da sua concretização!

A tradição ainda é o que era!

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Para alguns e algumas que andam de bicicleta, o primeiro dia do ano significa subir o Pico da Barrosa/Lagoa do Fogo.
Bom, para não ser apanhado em alguma incoerência digo já que, para mim, esta é uma tradição sem muita tradição, já que é a apenas a segunda vez que faço esta subida neste dia.
Não fazia muito sentido ir lá baixo ao encontro do grupo que vinha fazer a subida e arranquei diretamente de cá de cima, lá para cima!
Fazer a subida, sozinho, é ainda mais difícil psicologicamente, mas por outro lado temos muito tempo para pensar e falar connosco próprios. Aliás, muito do que estão a ler neste momento, advém do que idealizava escrever enquanto carregava forte nos pedais.
Para destabilizar um pouco, pelo caminho, lembrei-me que o corta-vento (útil para a descida) tinha ficado esquecido em casa e um olhar lá para o alto indicava nevoeiro. E eu de óculos escuros na cara! Passou-me pela cabeça que se calhar era melhor ir até à Gorreana…
Não, vamos é para cima!
Paragem para a foto que ilustra este texto, mudança mais leve engrenada e toca a subir.
É sempre difícil, mesmo em alturas que já estive em melhor forma, mas lá fui com calma, pedalada atrás de pedalada, enquanto superava os segmentos do percurso que marcava visualmente e geria os meus pensamentos e monólogos.
Cruzei-me com alguns colegas que já vinham a descer. Cercado pelo branco do nevoeiro, sentindo ocasionalmente o ar fresco do vento, já próximo do topo, mas com ainda bastante inclinação para vencer, ouvir coisas banais como «bom dia!», «está quase!», «bom ano!» e «força!» é como tomar uma espécie de gel energético para a determinação.
Metade estava feito, nem parei, ou melhor parei já a descer para meter os óculos (escuros e embaciados?!) na cara. Lagoa aqui vamos nós, sem ver a ponta de um corno!
Descida interminável esta…
Acho que preferi subir ou então estou a sofrer de memória curta!
Já a rolar cá em baixo tinha as pernas tão frias que era como se estivesse a sair de casa novamente, com a agravante de estar substancialmente mais frio, moído, molhado e sujo!
Bastante sujo para quem apenas percorreu estrada! Mas nada que um banho de mar não lavasse…
Está feito!

Fim-de-semana de estrada – Teste à Specialized Roubaix Expert SL

Nada melhor do que subir à Lagoa do Fogo num domingo e dar a volta ao concelho de Ponta Delgada numa segunda-feira feriado, logo pela manhã, para fazer a minha estreia numa bicicleta de estrada! Foi assim que dei as primeiras pedaladas na Roubaix de teste da empresa Carreiro & Comp. Lda.
Despertador no telemóvel programado para as 7H30 e aquele nervoso miudinho indicador da minha apreensão relativamente à bicicleta, mas principalmente ao que tinha pela frente. Na madrugada de domingo, eram cerca das 4H00 e estava acordado! O percurso da Lagoa do Fogo já me estava a intimidar e ainda nem tinha sentado o rabo no selim da SL.
Por falar em selim, o “Toupé” gel montado, revelou logo ser uma “pedra”, tal a sua dureza e a minha falta de “calo”! Mas este não é o selim de origem desta bicicleta de “Endurance”, mas sim o “Avatar”, igualmente em gel e consideravelmente mais confortável. Desde logo também acusei a posição de condução bastante mais radical do que estou habituado, as contidas dimensões, a extrema leveza e a rigidez da Roubaix.
Depois de seleccionar a melhor velocidade para o local onde rolava, mesmo à saída de casa, notória foi também a sua rapidez e agilidade. Pelas afirmações que já ouvi de ciclistas de estrada e pelas características que apresentam, tinha ideia que seriam rápidas, mas para ter a verdadeira noção do que estas máquinas são capazes, só mesmo experimentando!
Reactiva, é também uma das suas características, acusando logo, seja o nosso movimento sobre o selim, seja a mudança de posição das mãos sobre o guiador. Depois de alguns km e de agir de forma mais suave e intuitiva, este facto é minimizado. No entanto, qualquer solicitação que se faça no pedaleiro, a reacção não se faz esperar.
A rigidez e os pneus finos fazem-nos sentir todas as imperfeições da via e requer alguma atenção extra com objectos ou buracos de maior dimensão, de forma a evitar sustos, mas por outro lado, toda a energia gerada nos pedais é aproveitada e transformada em velocidade. Aqui avança-se efectivamente. Haja pernas!
De facto, em mau piso, mesmo tendo em conta que este modelo conta com inserções de Zertz para filtrar vibrações, quer na forqueta, quer nos tubos superiores do triângulo traseiro, sente-se muita coisa, conseguindo ser, este e com certeza todos os outros modelos de estrada, autênticos vibradores gigantes a circular no nosso conhecido empedrado (calçada)!
Os travões funcionam de acordo com as características da bicicleta, mas para quem está habituado a uns travões de disco hidráulicos, os Ultegra da Shimano não são mais do que uma espécie de travões, uns “abrandadores”, vá lá…
Percebi que como tudo é preciso menos tensão e maior à vontade que só a experiência traz, mas resumindo e concluindo, esta Roubaix Expert é uma máquina incrível que adorei experimentar. É decidida, contundente e motiva-nos para dar sempre mais, o que a torna uma excelente aliada tanto para treinos mais intensivos, como para passeios mais calmos e longos, já que a sua cuidada geometria, sem descurar a competitividade, permite um conforto que não é apresentado por outros modelos mais radicais.
O ciclismo de estrada tem muito que se lhe diga e nos últimos dois dias pude viver uma pequena parte disso mesmo, com a possibilidade de testar esta Specialized Roubaix Expert SL. Pela bicicleta, pelas pessoas, pelos percursos... Uma Grande Experiência!

Mais um passeio de bicicleta!

Vinte e um de Junho do ano vinte zero nove, domingo, manhã cinzenta. Pela primeira vez atraso-me, mas em menos de vinte minutos estava a montar o espécime com rodas, Specialized Hardrock, de seu nome. Na estreia dos meus óculos de 7€ (grande dica do Gandarinho), de lentes amarelas, afinal a manhã até não estava assim tão cinzenta.
Arrastei-me rumo ao Pico da Pedra, ponto fulcral para o encontro dos participantes deste e de outros passeios. Desta vez, para além dos habituais (João Medeiros – Rockrider; Paulo Sousa – Cube; Sérgio Sampaio – Specialized e eu), iríamos ter a presença de outros companheiros, que quiseram juntar-se a nós, para o bem e para o mal…
Lá estavam junto à Igreja da freguesia, tal como combinado, enquanto os outros já temiam o pior: - “o Rui nunca se atrasa!”
Pois, atrasei-me, mas os quatro ciclistas que levava comigo (Luís Chaves – KTM; Marcos Carreiro – Specialized; Paulo Silva – GT; Rui Santo – TREK) em parte ilibavam-me. Tudo a postos, faltava um, quem? O meu irmão, claro! A ele aconteceu mesmo o pior, o pesadelo de qualquer ciclista domingueiro, não se conseguir levantar da cama!
Estes rapazes que foram connosco mostraram estar bem preparados, tanto fisicamente, como tecnicamente, até um deles montava um espécime de duas rodas tão bom, que alguém falava em colocar-lhe num museu! Acho que era uma GT de 1836! Outra particularidade, era estarem constantemente a proferir sites de internet, era ouvi-los: www.blábláblá.com, mas cada um com o seu…
Já viram alguém dar a partida de qualquer coisa abrindo uma torneira?! Foi o que aconteceu, acabando de sair fomos de imediato brindados com água! Veste, não veste impermeável, troça-se de quem não o tem para vestir e toca a pedalar.
A um ritmo ligeiro fomos percorrendo o percurso que não era novidade para ninguém, a não ser a parte de o fazer debaixo de chuva, sem dúvida uma variante muito mais refrescante! As trocas de impressões, com as normais “piadolas” e risota à mistura aconteciam naturalmente.
Mas circular à chuva tem os seus contras, como a água e a lama que salta por todo o lado, inclusive para os olhos (os óculos a esta hora já estavam no bolso do impermeável por não terem “limpa-pingas”, logo vi que por 7€ faltava alguma coisa) e se concentra no quadro e restantes componentes da montada. Por falar nisso, aqui está a razão pela qual, a partir de metade do percurso já não podia com a minha!
Já de regresso e a pensar no almoço, ainda se ouvia proferir os tais sites relacionados com as marcas das 2 rodas a pedais, embora com menor frequência. Para além do almoço, pensava igualmente na banheira, no sofá, na cama, já nem sei, enquanto alguns “malucos” falavam em lavagens de bicicletas! Bom, também já fui assim, mas felizmente ou infelizmente já não sou (ficou um dia a apurar, lavei-a ontem).
Para terminar, não podia deixar de referir que a certa altura, encontramos um ser engraçado a dar a sua voltinha domingueira, talvez para distrair a cabeça. Sabem que animal era?! - Talvez um cãozinho? - perguntam vocês. Não, nada disso, nem gatinho, nem esquilo! Era um mamífero bunodonte, artiodáctilo não ruminante, que é como quem diz porco doméstico! E era dos grandes, que seguia encostado à berma para nos deixar passar sem problemas. Se este nosso colega bunodonte estivesse a andar de bicicleta não seria nada de original, mas sinceramente, a passear num domingo de manhã e não ter um Açoriano Oriental e a revista Açores debaixo do braço, por favor?!
Pronto, cada um para as suas casas, lavar bicicletas, ou lavar-se a si, comer tudo o que apareceu pela frente… Sei lá!

Dados estatísticos:
- 8 gajos montados em espécimes de duas rodas a pedais cada vez mais abundantes, diga-se.
- Percorridos entre 30 e tal e 40 e tal km de estradas, trilhos e caminhos, dependendo do local de saída de cada um dos gajos.
- Essencialmente na cidade nortenha - Ribeira Grande, cruzando diversas freguesias e alguns cursos de água, sempre na maior das “ikegalidades”.

PS – Não, não há fotos (temos pena), por motivo de incompatibilidade entre a minha câmara digital e a chuva!

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