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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

I Ride dos Reis - Monbike

Foi com satisfação que recebi a informação da realização deste evento. Mesmo sem qualquer referência do mesmo, até porque tratava-se da primeira edição e nunca tinha participado em qualquer evento do promotor, mas o sentido de oportunidade temporal, o foco no convívio e a ideia de traçar um percurso em estrada ligando as três cidades (Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande) em associação aos três Reis Magos, augurava logo algo de positivo.
As minhas expetativas não foram goradas, até pelo contrário, o que me faz afirmar que este evento tem todas as condições para se manter no calendário dos passeios de estrada, sendo mais uma referência a ter em conta, esta a marcar o final da quadra festiva em causa.
Considerando a forte afluência de participantes, ainda para mais sendo uma novidade, faz-me depreender que a realização deste evento motivou um certo entusiasmo geral e gerou algumas expetativas, o que é de realçar. Registei também, com alguma surpresa, a presença da concorrência, o que não é frequente acontecer no nosso pequeno e preconceituoso meio. Como já disse, a associação ao dia de Reis e a escolha do percurso a condizer não podia ter sido mais acertada.
Tratando-se de um evento de estrada é normal que se esteja perante um percurso com alguma quilometragem e nível de exigência, e que o ritmo seja ligeiro, mas pelo seu caráter descontraído, com mais ou menos esforço, permite alguma flexibilidade de participação. No caso, tínhamos um guia a indicar o caminho e a marcar o ritmo, e outro a fechar a caravana.
Como será fácil perceber pelas minhas palavras, este foi um passeio que me agradou bastante. Descontraído, bem organizado e com um belo percurso. Gostei tanto do percurso que vou passar a fazê-lo nos meus passeios de domingo, como alternativa aos mesmos de sempre. Aliás, nem sei como é que nunca me lembrei disso?
Pessoalmente e ao nível do convívio, para além das normais trocas de impressões gerais, tive oportunidade de falar com quem já não via há muito tempo, mas também de conhecer melhor quem contactamos apenas de forma esporádica.
Com tudo isso, os meus parabéns a quem idealizou, preparou e apoiou esta iniciativa.

 

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Imagem: Monbike

Passeio Solidário de Reis - Decathlon Ponta Delgada

Para começar posso dizer que fui enganado. Depois de ter questionado, em local devido, se o percurso do passeio incluía pisos de terra ou se seria unicamente em estrada, responderam-me “Estrada”. Fomos os três. Avançou a Globe (fixed gear), a Triban 500 e por pouco a Órbita dobrável também não foi parar ao suporte em cima do carro, acabando por ser trocada pela BTT de roda 24, em boa hora…
Afinal existiam segmentos de terra no percurso. Se soubesse levaria a minha BTT e muito provavelmente iríamos só dois. Mas há enganos que vêm por bem. Fomos todos e gostamos. Mesmo quem tem uma certa aversão ao fora de estrada, que, com uma bicicleta pouco adaptada fez praticamente todas as incursões propostas neste ambiente, para ela, inóspito.
Quem mais recorreu às alternativas fui eu, já que a “fixie”, de “slicks/23”, só com travão dianteiro, revela-se (ainda) mais desafiadora nestas vias mais agressivas. Primeiro não me estava a apetecer ter um furo, depois não queria estragar a bicicleta, e muito menos ter, de repente, um contacto forçado com o chão. Alguns segmentos não pude evitar, mas correram bem, mesmo tendo aproveitado a menor aderência dos mais direitinhos para fazer uns “skids”, manobra que no asfalto exige uma destreza (e joelhos) que não tenho. Medo!
A manhã de sábado estava fresca e algo ventosa, o que se calhar contribuiu para que alguns possíveis participantes tivessem ficado no quentinho da cama, mas este passeio prometia uma manhã diferente entre as bicicletas e cumpriu, aliando a prática de exercício físico e o convívio à componente solidária. O percurso, delineado pelos arredores de Ponta Delgada, foi acessível e variado.
Acho que a existência destes eventos mais generalistas e abrangentes é importante, por isso faço questão de marcar presença sempre que me é possível. Aliás, fazemos!

 

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Imagem: Decathlon Ponta Delgada

Passeio de Natal 2017 - Visita ao Presépio das Furnas - CC Specialized

A certa altura, a passar por mim, alguém diz mais ou menos isso: “Já tens assunto para o blogue.” Respondi apenas com um sorriso e não consegui acompanhar o seu comboio, mas dediquei uns instantes de atenção à sua afirmação.
A primeira questão que me veio à cabeça foi, qual assunto? É certo que rolava de regresso da ida às Furnas no âmbito do já tradicional Passeio de Natal da CC–Specialized, o que só por si já poderia ser um motivo, até porque só acontece uma vez por ano, mas ao contrário do que costuma acontecer, não ia a delinear mentalmente um possível relato dos factos. E por acaso na altura até rolava sozinho. Da breve e momentânea retrospetiva não me parecia ter acontecido algo de muito relevante.
Levantei-me cedo, despachei-me, saí e rolei com calma até ao ponto de encontro – Portas da Cidade. Pelo caminho fui alcançado por dois colegas que vinham da cidade a norte, acabando mesmo por seguir com eles. Mas cheguei sozinho e cedo, tanto que ainda só lá estava o promotor e poucos mais ciclistas. Aos poucos chegaram mais e mais, mesmo muitos para o caráter particular do evento. Foto da praxe e lá fomos a caminho das Furnas. Desta feita via sul para variar. Ritmo tranquilo, grupo unido, que, entretanto, se esticou e dividiu com o passar dos quilómetros e com o surgimento das dificuldades. A partir de certa altura e até ao destino – Bolos Lêvedos Glória Moniz, sigo na companhia de uma dedicada companheira ciclista e da sua super bicicleta! Bolo lêvedo misto, Coca-cola e um queque, mais a foto da praxe nas Caldeiras das Furnas, e bem-vindo às Pedras do Galego. Oportunamente alguém entoou parte do refrão de uma canção brasileira “Agora aguenta coração…”! Não sei quem, mas foi de rir. Acabo por ficar sozinho, depois acompanhado, depois andei na roda, depois fiquei sozinho novamente e durou. Depois acabei acompanhado e mesmo no fim, outra vez sozinho, a perguntar-me porque raio é que fui atrás de uns colegas pelo caminho mais longo em vez de ter escolhido o mais curto? Centro de Ponta Delgada, cheguei.
Será que era a isso que o meu companheiro se referia quando mencionou que eu já tinha assunto para o blogue? Seja como for, aqui fica. Tal como fica também um bem-haja a quem, de ano para ano, promove e assegura a manutenção do evento.

 

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Imagem: Francisco Carreiro / CC-Specialized

Nordeste

De bicicleta ao Nordeste? Sim, já fui uma vez. Exatamente na última edição de um evento apelidado de Nordbike, organizado por uma grande entusiasta das bicicletas. Curiosamente, no fim de semana de inauguração das novas SCUT’s. Este evento consistia em percorrer o trajeto Ponta Delgada/Nordeste via Norte no sábado e Nordeste/Ponta Delgada via Sul no domingo, com pernoita na então Estalagem dos Clérigos, onde os participantes podiam usufruir de um cuidado e animado programa social. Na altura fi-lo com a única bicicleta de estrada que tinha, a Specialized Allez Steel. Foi duro, principalmente o regresso, mas no geral, uma bela experiência, que me traz sempre boas recordações.

 

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Daí para cá nunca mais rolei para aqueles lados, mas recentemente surgiu a vontade de fazê-lo. Ontem foi o dia. Mas não foi assim tão bem escolhido, depois de algumas outras tentativas frustradas. Saí relativamente cedo de casa (não o suficiente para chegar aonde queria) e o tempo não me parecia especialmente mau. Não parecia, mas fui bem enganado. Fiz o percurso praticamente todo debaixo de chuva (vá lá que não estava muito vento)! Aliás, se bem (ou mal) me lembro, já no Nordbike, entre Nordeste e Povoação, água foi o que não faltou… Aquando da prova de resistência de BTT nas Sete Cidades, alguém dizia que não se importava de andar com mau tempo e debaixo de chuva, mas que já começava a fartar. Digo o mesmo. Caramba!
Mas paciência, antes assim do que ter ficado em casa. A volta em si é muito boa e vale a pena, mesmo sob condições menos favoráveis. Queria era ter ido um pouco mais além, mas estava condicionado, já que queria chegar a casa a horas. A ida foi feita com tranquilidade, até porque a partir de certa altura não sabia bem o que me esperava, já que tenho poucas referências daquela zona da ilha. Quando vi que já tinha gasto metade do tempo disponível inverti o sentido da marcha para regressar. Vim mais ligeiro, tanto que acabei por chegar antes da hora, o que me deu margem para lavar a bicicleta, que se encontrava  num estado pouco recomendável.

 

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Por falar em bicicleta, já é a segunda vez que noto uma situação curiosa e desagradável circulando em piso molhado. A partir de certa altura, torna-se quase impossível rolar com a corrente posicionada nos carretos do meio da cassete, pois sente-se aquele desagradável e instável comportamento de mudança mal engrenada, do querer saltar da corrente, o que não permite de todo uma pedalada fluída. Uma situação a verificar por quem sabe mais do que eu, que transmissão é coisa com que nunca atinei. E se calhar também não seria mal pensado adquirir um lubrificante específico para estas condições.
Claro que terei de ir novamente ao Nordeste. De preferência com mais tempo, menos chuva e sem comportamentos estranhos da bicicleta!

Na companhia da velha guarda!

Normalmente só relato as minhas voltas de bicicleta mais relevantes, ou que pelo menos tenham alguma caraterística diferenciadora. A volta deste domingo estava para ser apenas mais uma ida às Furnas…
Com a Roubaix a “descansar” de sábado passado peguei na Allez Steel e fiz-me à estrada. Só depois de ter ultrapassado o obstáculo que tenho mesmo à porta de casa é que reparei que a garrafa tinha ficado atrás! Começo a ficar preocupado, já que é a segunda vez consecutiva que acontece e depois de quase ter acontecido uma outra! Seja como for avancei e havia de beber algures lá em cima, que água é o que não falta.
A caminho de Santa Iria começo a avistar dois ciclistas lá à frente e aos poucos fui-me aproximando, até que os alcancei. Eram dois ciclistas da velha guarda, pessoal do tempo dos pioneiros “Cicloturistas de São Miguel”. Respeito! Se um deles só conheci mais recentemente, o outro é-me bastante familiar, tanto que ainda era eu um miúdo e já ouvia falar das suas aventuras de bicicleta lá em casa! Só que na altura estas tinham um peso relativo, talvez por serem tão fora do comum.
Hoje, numa altura em que quem não está nas redes sociais e não partilha os seus feitos é como se não existisse ou não os fizesse, dou mérito a estas pessoas, que de uma forma bem-disposta e entusiasmada, mas simultaneamente discreta e serena, há décadas que percorrem de bicicleta as estradas e os trilhos da nossa ilha. Gabo-lhes a vontade, a atitude e a união descomprometida, que neste dia por exemplo, tinha dividido o grupo em quem foi de btt e quem foi de estrada.
Não é preciso dizer que mudei de planos, tendo a ida às Furnas ficado fora de questão, já que seguia deliciado na sua companhia, com a conversa, a boa-disposição e a cumplicidade existente, tudo envolto numa toada fluída. Da minha parte, inclusive, ainda deu para conhecer novos caminhos.
O meu regresso (definitivo) às bicicletas está a fazer agora nove anos, mas espero seguir o exemplo destes companheiros de pedal, que acumulam consideráveis números de anos, quilómetros, histórias e peripécias aos comandos das suas bicicletas, tudo da forma mais normal e genuína possível.

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 4)

(Continuação!)
Ufa! Esta relato está tão descritivo e realista (e comprido) que até estou a ficar cansado. Ah não, se calhar é porque vim agora de uma volta de bicicleta. Seja como for, estamos na reta final.

Estava determinado a compensar o atraso da asneira feita, só que fui traído por uma dor na perna direita. O que a nossa mente inventa quando está desocupada! Bastou a primeira distração e nunca mais senti dor nenhuma. Continuei. Descer a Duarte Borges sem preocupações é outra coisa. Agora era ir a rolar até à meta, altura em que me cruzei com alguns participantes que já tinham finalizado e já estavam de regresso. Bom sinal, presumindo que, por exemplo quem vinha de automóvel, já tinha trocado de roupa, acondicionado a bicicleta e respetivo equipamento, almoçado, trocado bitaites com os colegas, feito a sesta, trocado sms com a cara-metade, e eu ainda estava a caminho…
Finalmente… cheguei! Fui recebido com um «está feito!» na meta e mais à frente com uns «parabéns» da parte de uma menina que me decorou o peito com a medalha de participação (Eu sei, “finisher”, mas já não disse que não gosto de estrangeirismos?). Uma coisa é certa, a medalha foi muito bem conseguida. Até estava meio preocupado não fosse sujá-la, uma vez que tinha a roupa bastante seca e limpa, como se pode imaginar.
Lá estava o meu colega. O tal da descida do Canário. Breve troca de palavras, busca de um local seguro para encostar a bicicleta (vi para lá algumas que caíam que nem tordos!) e aguardar a vez na fila para o frango (e fofa) do almoço volante. (Porquê volante? Fui pesquisar ao Priberam e uma das definições do adjetivo é “que cada qual come onde quer”. Esclarecido!)
De repente dei por mim a consultar a lista das classificações… Porquê? Não sei. Peço desculpa.
E fico-me por aqui... Apenas acrescento que o nível de satisfação motivado por este evento ciclístico fica patente no número de palavras que dediquei ao mesmo.

Domingo à noite em casa.
- Se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou fazer o percurso do Granfondo, respondia logo que ia fazer o Granfondo!
Ao que obtenho como resposta:
- E se me perguntassem se preferia ir trabalhar amanhã ou ficar todo o dia em casa a fazer comida (nota: não é exatamente uma atividade de eleição), respondia logo que ficava em casa!
?!... Mas isso não tem nada a ver - pensei para mim…

Até para o ano (espero eu)!

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Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 3)

(Continuação!)
Prossegui então a aguardar confirmação do cancelamento. Entretanto, cruzei-me novamente com o entrosado quarteto do início, mesmo quase à porta de casa, mas desta vez apenas de passagem. Não querendo parecer ingrato, estava a sentir-me bem, daí ter mantido o meu ritmo. Objetivo? Chegar depressa ao segundo abastecimento. Fiquei fã. Este tinha uma mesa bastante mais composta, tanto que fiquei meio sem saber o que comer! Mas antes disso, vamos lá merecer o dito. Lançado em direção à Ribeira Seca, avisto um polícia junto à rotunda que me faz sinal para subir. E riu-se. Muito bem, um agente especialmente simpático, mas mal dobrei a esquina, percebi. Era uma verdadeira parede de vento que só visto! Toca de desmultiplicar a transmissão e só não me deitei sobre a bicicleta porque não me dá muito jeito pedalar nesta posição. Por falar em polícias, forte contingente policial na estrada! E o que gostei de ter sempre prioridade nos cruzamentos, rotundas e afins. Senti-me um verdadeiro atleta. Era sempre a abrir!
Confirmou-se, Granfondo cancelado. Eh pá, não! (Sim!) Pronto, paciência. Vá, tudo a subir Santa Bárbara que é para desgastar os bolos do abastecimento. De repente, vejo incrédulo uma placa de perigo! Perigo? Qual perigo? Devem ter-se enganado no sentido do percurso! Não senhor, «Perigo de ficar a pé!» Se a ideia da organização era desanuviar os concorrentes e fazê-los rir, mesmo tendo em conta as circunstâncias, parabéns. Só posso falar por mim, mas funcionou. E não, não fiquei a pé... os bolos às vezes fazem milagres!
O quê? Outra vez o quarteto? Sim. Ao contrário de mim, eles não eram fãs dos abastecimentos. Lá fui. Passei por um outro colega, mas também prossegui sem ele. Estava fortíssimo (risos)! Muito bem, setas a apontar para a direita e aqui o menino de forma intuitiva (e parva) segue em frente. O colega ainda berrou lá detrás para alertar, mas nem mesmo assim me apercebi logo do erro, até porque lá ao fundo via outro ciclista (se calhar nem estava em prova?!). Espera lá, um cruzamento sem polícia, o polícia está ali em cima e o colega que tinha passado e que berrou já ali estava também. Processei rapidamente toda a informação e… «merd@, enganei-me!» Ainda se fosse um erro para meu benefício, mas não. Mais uns preciosos segundos perdidos e a minha vida de atleta a andar ainda mais para trás! Pronto, vamos lá. Admitir a parvoíce, corrigir a trajetória, passar novamente pelo colega (de fininho) e seguir em frente fazendo de conta que não aconteceu nada. No fim, agradeci-lhe a atenção de me ter chamado à atenção…
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 2)

(Continuação!)
Quem é que disse que lá atrás as coisas também não podem ser entusiasmantes, hein?
Partindo do princípio que este relato está a ser (muito) empolgante, vamos lá continuar.

Estava então todo contentinho porque íamos começar a descer, por lapso de memória ou pura ignorância, já que esta não é propriamente uma descida tranquila, então considerando as condições, pior. O meu colega desce bem e eu também tenho a mania que o faço, portanto era ir com ele. A certa altura e perante um casal que seguia a par à nossa frente, o avanço que ele levava permitiu ultrapassar-lhes sem problemas, mas com a aproximação de uma curva e sem visibilidade, fui obrigado a abrandar e manter-me atrás deles até ter as condições mínimas de segurança para o fazer. Foi o suficiente para nunca mais vê-lo! Aliás, vi-o, no abastecimento! Depois de descer sempre sozinho e de atravessar “ribeiras” sozinho também. Sim, ribeiras, quase como no BTT, ali a atravessar em vários pontos o caminho das Arribanas. Acho que a partir daí as mudanças nunca mais entraram como antes…
Eu sei, atleta que é atleta não para nos abastecimentos, mas eu como só sou atleta nos relatos, parei. E comi e bebi sem pressas. Mas também não me sentei a apreciar as vistas, até porque não havia muito para ver. Agora sim, nunca mais vi o meu colega, só depois da meta e não foi por causa do nevoeiro! Mas calma, tinha a hipótese de prosseguir com outros dois colegas, tanto que arranquei de biscoito na boca e até pedalei forte com o vento e a inclinação favoráveis para me adiantar, já prevendo não ter pernas para eles quando as circunstâncias passassem a desfavoráveis. Acho que eles entenderam isso como um desafio e nem me deram hipóteses de os acompanhar um metro que fosse! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos… por causa do vento! Aliás, já na descida acho que tinha acontecido, só que fiquei confuso com tantos fluidos na cara - água, lágrimas, suor, saliva, ranho…
Daí até ao segundo abastecimento sempre como um triste por lá fora. Os meus colegas teimavam em largar-me, mas o vento não, sempre fiel, sim senhor. Até me dava safanões, não fosse eu adormecer em andamento. Ah, uma coisa importante, foi durante o “lanche” que surgiu a informação que poderia não haver Granfondo e aí vi logo a minha vida de atleta a andar para trás. Toda uma gestão para a prova grande! Mentira, vi-me foi logo a chegar a casa mais cedo! Também é mentira, confesso que fiquei assim um bocadinho dececionado, mas não mexeu tanto comigo como o vento, até porque a informação ainda carecia de confirmação…
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 1)

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Imagem: Seg-mento Bike Team

 

Uma vez que nunca serei um atleta a pedalar as minhas bicicletas, pelo menos vou tentar ser um “atleta” a relatar a minha “prova” efetivamente. A escrever posso ser o que quiser. Este relato é apenas a minha perspetiva. Posso pontualmente fazer uso do humor e da ironia, mas qualquer semelhança com a realidade não é necessariamente pura coincidência. Faço referência a outros intervenientes que optei por não identificar exatamente, porque uns gostam, outros não gostam, uns levam na boa, outros a mal, e não tenho paciência para mal-entendidos.

Esclarecimentos feitos. Bicicleta montada. Sapatos encaixados. Vamos a isso!

Acordei cedo, nem precisei do despertador e logo tratei de aliviar cenas internas… muita informação? Pois. Bom, pequeno-almoço reforçado, juntar as tralhas todas e instalar a bicicleta no suporte do carro. Chegamos cedo ao local onde estava sediado o evento e de onde se daria a partida. Estava calmo, apenas um pouco apreensivo pela novidade. Depois de calçar os sapatos e as capas, e meter o capacete, uma breve volta na bicicleta para as verificações finais e então ocupar um lugar na “caixa” (eu sei que é “box”, mas não gosto de estrangeirismos!) a aguardar a largada. Os primeiros quilómetros foram controlados e serviam como aquecimento, mas logo aí vi que se calhar o melhor que tinha a fazer era juntar-me ao entrosado quarteto que, entretanto, passava por mim. E foi com eles que segui, sempre sob as instruções do chefe de fila, que vigorosamente, ora verbalizava, ora gesticulava estratégias. A nós juntou-se um outro colega. O ritmo não era modesto, tanto que alguém do grupo disse algo do género, «a esse ritmo vamos é fazer o Medio!» Devia estar adivinhando.
Já a subida da Vista do Rei ia longa, sob excelentes condições atmosféricas, quando me descolei do grupo, já que o andamento perdeu alguma consistência, tendo seguido no encalço do outro colega que já o tinha feito. - Ah, uma pequena nota: não é boa ideia comer uma barra compacta e viscosa enquanto se faz uma subida que exige todos os orifícios disponíveis para manter o fluxo de ar necessário! - Só o apanhei depois do miradouro, que nem vi, tal era a visibilidade. - Alguém no decorrer da subida falou em fotografias?! - Canário aqui vamos nós e aquilo nada de acabar. As placas informativas disponibilizadas pela organização ainda chateavam mais. Atenção, eram úteis, mas ao mesmo tempo cruéis, obrigando-nos a constatar o quão rápido íamos. Ia sempre a reclamar, até porque daquele local tenho muito poucas referências, quando o meu companheiro diz: «Rui, falta 1km.» Boa, vamos descer! - pensei eu...
(Continua!)

Azores Challenge Granfondo – De Granfondo a Mediofondo!

Devido às más condições atmosféricas, a organização viu-se obrigada a cancelar a distância maior, fazendo com que todos os participantes fizessem apenas os 85km da meia distância. Inicialmente e perante esta possibilidade fiquei algo dececionado, mas mais tarde e tendo em conta as condições adversas que se faziam sentir, julgo que foi uma opção sensata. Os 143km e o valor acumulado de 2600m, em contexto de evento desportivo com tempo favorável, já imponham bastante respeito, portanto não é difícil perceber como seria nestas condições. E mesmo por questões de segurança! Claro que fiquei sem saber se o ritmo e a gestão do esforço que vinha a fazer até então seriam condizentes ou não com o percurso grande? Como também não consegui perceber se estaria minimamente preparado para um desafio desta dimensão? Aferições para fazer noutras edições, já que espero que seja um evento a replicar. Agora que ninguém me ouve (lê) - este cancelamento, se calhar, veio mesmo em boa hora…

Azores Challenge Granfondo – A preparação!

Na sexta-feira, logo de manhã, estava na loja Shaker para confirmar a minha presença e levantar a minha placa numérica. Apesar de ouvir vozes neste sentido, nunca me passou pela cabeça não comparecer à partida, por causa das condições climatéricas que se previam adversas. Compromisso assumido é para cumprir, salvo motivo de força maior! Não era o caso.

 

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De preparação física estávamos conversados, tal como mencionei no texto anterior. Tenho apenas a acrescentar que na semana que precedeu o evento fiz treino localizado de pernas um dia, pedalei no rolo outro e descansei os restantes.
Estava mais preocupado com a logística e com as previsões meteorológicas?! Gosto desta logística que antecede as provas, mesmo que não haja muito a preparar. E gosto de pensá-la com calma e pôr-lhe em prática com antecedência. Já que tudo indicava estar de chuva (e vento!) achei que ia precisar de umas capas para os sapatos, que não estavam a ser fáceis de encontrar. Contraditoriamente, acabei por encontrá-las à última da hora e por preço de saldo. Sorte!

 

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Depois era o impermeável - Levo ou não levo? Não me dou bem com impermeáveis nem corta-ventos, mas pelo sim pelo não, levei. Não fez falta nenhuma, já que só o vesti para o almoço…
Também montei as luzes, não que fosse circular de noite (seria muito mau sinal!), mas a presença do nevoeiro era quase certa.
Entre isso tudo, mais o relógio, as barras proteicas, os óculos amarelos, o telemóvel, os lenços de papel, as “ferramentas”, entre outras coisas, e ia-me esquecendo da garrafa atrás. Caramba!
A bicicleta estava preparada há vários dias, bastou retificar a pressão dos pneus para os habituais 115 Psi.

Objetivo Granfondo

Participo pouco em eventos ciclísticos organizados. Pouco disponível para o compromisso, prefiro fazer as coisas de uma forma mais livre e descontraída, seguindo simplesmente a minha vontade.
Admito que com esta postura perco algumas oportunidades, não conseguindo beneficiar da envolvência, convívio, ambiente e novos percursos que alguns eventos oferecem.
Ouço muitas vezes colegas dizerem que são da estrada, que só fazem estrada, e eu, que sempre fui do BTT, também ando cada vez mais sobre o alcatrão, por força das circunstâncias.
Tenho a minha bicicleta de sonho (pena que os sonhos tendem a crescer à maneira que vão sendo concretizados!), que me dá um maior à vontade para outros voos, que é como quem diz, maiores distâncias e mais horas a pedalar.
Considerando tudo isso, resolvi inscrever-me no Azores Challenge Granfondo. Inicialmente a ideia era fazer a meia distância, para a qual levaria a minha Allez Steel. Depois ponderei e já que era para fazer, era para fazer em grande. Aqui a escolha recaiu na óbvia Roubaix.
Fiz a inscrição há cerca de um mês atrás e resumi mentalmente um plano para estar minimamente preparado. Basicamente consistia em andar de bicicleta com mais frequência e dar mais atenção às pernas na minha rotina de exercícios localizados. Depois de uma semana a correr bem, tive quase duas a padecer de uma constipação que parecia ter vindo com vontade de ficar.
Mesmo com este cenário menos favorável, tentei não perder o foco e pensar positivo. E de facto quando se tem um objetivo, coisas que até agora não faziam sentido passam a fazer. Perante as circunstâncias até recorri ao rolo de treino, coisa de que não gosto especialmente. Esta pseudopreparação tem como fim básico que as memórias desse evento sejam mais do que apenas o sacrifício!
Quero recordar esta minha participação pela singularidade de pedalar juntamente com mais de duas centenas de ciclistas, pelo companheirismo e entrosamento que possa eventualmente haver com alguns deles, pelas diferentes circunstâncias de rolar em estradas que individualmente não são propriamente novidade para mim, pela superação pessoal e boa gestão do esforço. Recordar que soube simplesmente aproveitar o momento…

Cumprimento ciclista!

Tenho por hábito cumprimentar os ciclistas com quem me cruzo. Acho que é um hábito simpático, solidário e cordial. Uma forma de reconhecer quem, tal como nós, faz uso da bicicleta, independentemente do seu fim.
De bicicleta temos uma capacidade de observação e contacto superiores, comparando com outros veículos (motorizados). Isso porque a velocidade é mais reduzida e não existe nenhuma estrutura à nossa volta.
Por norma o meu cumprimento é retribuído. Até há quem se antecipe ao mesmo. Outros há, que, ou veem mal, ou seguem num nível de distração para lá do elevado, ou simplesmente não estão para aí virados. E estão no seu direito. Mas será que custa assim tanto um simples movimento com a mão ou com a cabeça, ou desejar um bom dia?

Resumo da última semana…

 

Andar de bicicleta, nada! Constipação, mau tempo. Para pedalar qualquer coisa tive de recorrer ao rolo durante o fim de semana. Digamos que tenho tentado fazer as pazes, já que o rolo não é uma atividade que me entusiasme por aí além.

*“Tá fresquim!
Ma que o tempe já tá fresquim...
Isse já qué vesti uma suéra de manhã e à noutchinha.
Daqui pá frent é acátelá, senã um hôme num instante apanha um vent'incanade e fica constepade!"

Não necessariamente assim, mas aconteceu e tem persistido. E eu a ver os dias passar e o Azores Challenge Granfondo a chegar!

*“Dure c'mó açe
Às vezes gostava de sê de ferre c'má besuga.
Nã apanhá fri, nim ficá doente.
Péra aí, se calhá nã...
É que ódepous um hôme levava uma pancada d'água e ficava chê de ferruge!”

Se isso me tem afetado? Não, claro que não...
Tem e não é pouco. Tem, porque limita-me para além de todas as minhas outras normais limitações. E tudo o que implique limitação para andar de bicicleta e demais atividades físicas chateia-me um bocadinho!
E o Granfondo? O Granfondo vai ser um belo desafio. Belo? Se calhar não foi o melhor adjetivo, mas desafio será com certeza. Objetivo? Desfrutar e chegar ao fim em cima da bicicleta, com a capacidade de esboçar um sorriso, sinónimo de satisfação e superação. Estou a aguardar com a toda a serenidade possível.

*“A besuga tamam avareia
A besuga avareiou, grande corisca!
Ma tamam nã fou nada de maió.
Levou graxa pra dentre, um aperto e tá a andá com'uma linda.”

Também aconteceu e era bom que fosse assim tão fácil e económico!
Chão molhado debaixo da BTT. «Mas de onde veio esta água? Isso não é água! Isso é óleo!» Caramba, já é a segunda vez que o amortecedor me prega uma destas! Esta bicicleta é simultaneamente a que menos anda, a que dá mais despesa e a que mais chateia… Se calhar por ser a que menos anda! Não sei. Seja como for, tecnologias, bah…

*Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Ação e inação, voluntária e involuntária.

Em cima da minha bicicleta (e também fora dela) estou-me um bocado nas tintas para o que os outros pensam de mim e das minhas atitudes. A minha postura é normalmente consciente e pouco competitiva. Acho que cada um deve pedalar como quer ou pode, com a bicicleta que quer ou pode ter. Logo que seja cumprido o Código da Estrada e assegurada a nossa segurança e a dos restantes utilizadores existe margem para se encarar as bicicletas e o ciclismo como mais convier.
Mas também erro. Não nego que os despiques amigáveis até têm a sua graça e nas poucas oportunidades que tenho até alinho nos mesmos. Já aquilo que considero serem provocações desnecessárias evito. Não foi o caso e por duas vezes. Reações inconscientes da minha parte que tiveram tanto de parvas como de infantis. Não vai voltar a acontecer. A sabedoria popular arranjou expressões para cobrir uma série de situações, inclusive antagónicas. Neste caso, em vez de «não há duas sem três» prefiro evocar «o frade não leva três em capelo».

Escrevo de nariz tapado, com respetivo pingo, garganta irritada, cabeça pesada e algo abatido. Depois de duas noites mal dormidas. E razoavelmente frustrado. Primeiro, porque inscrevi-me recentemente no Azores Challenge Granfondo e fui obrigado a interromper as minhas pedaladas para fazer face a este desafio. Segundo, porque este fim de semana fartei-me de ver gente a pedalar e eu seguia ao volante do carro quando o que queria era estar aos comandos da bicicleta.
Sim, não é mais do que uma normal constipação associada à mudança de estação, mas que vem em má altura. Péssima! Sendo que no meu caso, mais do que o seu agravamento, o problema costuma ser a sua persistência. Claro que a primeira reação foi a de sentir-me um coitadinho num mundo que se virou literalmente contra mim. «É sempre a mesma coisa. Nunca participo em nada, mas agora que me inscrevi e começo a andar com mais regularidade com vista a ganhar alguma preparação, fico doente, e vai tudo por água abaixo!»
Claro que isso vai passar, mas até lá, e debilitado fisicamente, vivo o dilema – deixo de fazer exercício físico para não me debilitar ainda mais, mantenho ou reduzo a sua intensidade para não perder toda a forma, mesmo correndo o risco de arrastar a situação? Às vezes não é assim tão fácil perceber e o retorno de uma paragem forçada nem sempre é o esperado…
O meu plano de treinos simplesmente não existe, mas espero estar recuperado o mais depressa possível para voltar aos pedais e estar minimamente apto para percorrer os 143km do Granfondo e os desafiantes desníveis que o mesmo apresenta, e isso já no final desde mês (dia 28).

Povoação

Ainda não eram oito da manhã e já conduzia a Roubaix pela mão porta fora. Em dia de eleições tinha programada uma ida à Vila da Povoação.
Comecei o dia com um robusto pequeno-almoço para estar minimamente preparado para o passeio que tinha pela frente. Tudo indicava ser este mais um excelente dia de outono. Céu azul, pouco vento e, a partir de uma certa hora, calor quanto baste.

 

povoacao_roubaix1.jpg


Optei pela via norte e até às Furnas tudo normal, se se considerar normal a subida que nos leva à Mata Dr. Fraga! Mas vale pela descida das Pedras do Galego que dá sempre para arrefecer!
Para a Povoação, depois da subida inicial, a descida acaba por não ser das mais simpáticas por causa do piso irregular. Enquanto descia só pensava - “daqui a pouco vou-me lixar para subir isso tudo!”
Ia com a ideia de comer uma fofa, pois claro, mas parece que aos domingos de manhã não é fácil, pelo menos nos dois locais que entrei. Então acabei por optar por outra fonte de açúcar.

 

povoacao_roubaix2.jpg


Saí da vila a subir e a arrotar a mega bola de Berlim, com a ideia que se calhar, e na ausência das fofas da Povoação, devia ter feito o lanche à base de bolo lêvedo das Furnas…
A saída das Furnas foi feita pelo sul e não foi para ver a sua Lagoa porque vou sempre tão “satisfeito” naquela calçada que pouco olho para os lados, ansioso que a mesma acabe. Aquilo chocalha tanto que acho que até desfoca a visão!
Quando o suplício acaba e entramos no asfalto, que até parece almofadado, o conforto é logo esquecido a partir do momento em que o mesmo empina. Subida seguida de descida a abrir para Vila Franca do Campo.
Próximo desafio – Pisão. Sempre duro, quer se queira quer não! – Até rima.
Chegado a Ponta Delgada, nova escolha de percurso para rumar a norte. Optei pela “plana” e “consensual” Duarte Borges...
E foi isso.

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