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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Três ciclistas. Três gerações. Três bicicletas.

Eram 06H30 quando o despertador me fez saltar da cama. Não, não é normal, nem num feriado, nem em dia nenhum. Mas era por uma boa causa. Tinha um passeio de bicicleta combinado. E em boa hora. Há quanto tempo não acontecia!
Um grupo pequeno é certo. Poucos mas bons, como se costuma dizer. Éramos três. Três gerações. Três bicicletas. Pontuais, dedicados e motivados. Dose tripla a caminho das Furnas via Sul/Norte.

 

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Os meus companheiros animados e prontos para a 2.ª parte do percurso.

 

Lá fomos, ora mais depressa ora mais devagar, ora mais divertidos ora mais concentrados, ora mais conversadores ou simplesmente calados.
A volta não era inédita apenas para mim, mas estava a ser cumprida de acordo com as expetativas. Surpreendentemente quase ao minuto!
Foi excelente a todos os níveis. Imperou o companheirismo e a boa disposição, tudo emoldurado por um tempo fantástico para a prática do ciclismo.

 

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Specialized Roubaix - A minha mais recente e bela companheira!

 

Para mim foi também o primeiro passeio a sério com a Roubaix. Não tenho grande coisa a acrescentar para além daquilo que é suposto… Bela bicicleta!
Cheguei a casa mesmo na hora prevista, até porque tinha um compromisso. E o ligeiro atraso com que acabei por chegar ao mesmo nada teve a ver com mais uma bela manhã de grande pedalada.
Ousando tomar a palavra pelos três, concluo dizendo que foi uma manhã de superação para uns, de confirmação para outros e de satisfação para todos!

De bicicleta, claro!

Fez recentemente cinco anos que tive a minha primeira experiência com a bicicleta como meio de transporte na cidade. Sem licras, sem encaixes, sem luvas e capacete. Simplesmente a roupa do dia-a-dia, eu e a bicicleta.
Tinha a minha Allez Steel há menos de um ano, quando aproveitei o facto do carro ir à revisão, para a integrar na minha rotina deste dia. E que belo dia fez, lembro-me perfeitamente.
Tal como me lembro das minhas primeiras pedaladas, onde o único peso que sentia era o da pasta que levava ao tiracolo. De facto, satisfação, leveza e até algum orgulho foi o que senti na altura!
Apesar dos sentimentos positivos, com as rotinas muito marcadas, a normal resistência à mudança e o comodismo, não passou de uma experiência única.
Alguns meses depois volto à carga e compro uma bicicleta dobrável para substituir o carro nas deslocações ridículas que fazia do trabalho para o ginásio e vice-versa, no intervalo para almoço. Entre outras. Não foi fácil. O estado do tempo pouco colaborativo e os processos por mecanizar faziam-me perder algum tempo e stressar um bocado, o que juntando à temperatura corporal por normalizar advinda do exercício (Cycling) fazia com que chegasse ao trabalho invariavelmente transpirado. Mas muito transpirado, mesmo. Outras vezes, cheguei molhado também por causa da chuva. Para rematar, com uma semana de utilização, a bicicleta acusa um problema técnico no quadro que comprometia a continuação do seu uso.
Entretanto o problema da bicicleta foi resolvido ao abrigo da garantia. Mas… desisti!
Passado mais de um ano e considerando uma situação que me era alheia - fecho do ginásio, tive de adaptar-me a uma nova realidade. Bem diz a sabedoria popular – “Há males que vêm por bem”. E assim foi. A minha Órbita dobrável sai do vão da escada para a mala do carro, onde passou a ser presença assídua. Não voltei a cometer os erros do passado, já que desta feita, preparei-me melhor para o efeito. Constrangimentos existem sempre e há que saber minimizá-los. Hábito implementado!
O carro continuava a fazer parte da rotina diária, por inerência das circunstâncias, mas deixei-me de deslocações ridículas com ele e a bicicleta marcava agora e definitivamente a sua presença.
Cerca de dois anos depois, a Órbita dobrável cede o seu lugar ao modelo Classic da mesma marca, mais adaptada que estava às necessidades. Mais espaço de carga, melhor ergonomia, maior capacidade de rolamento.
Ainda hoje preciso do carro, até porque vivo fora da cidade onde trabalho e para além de mim desloca mais duas pessoas diariamente, mas no geral a sua utilização fica-se por aí. As vantagens práticas de utilizar a bicicleta no dia-a-dia são largamente superiores aos constrangimentos. E acima de tudo, os níveis de prazer, liberdade e satisfação não têm qualquer comparação.

 

Pedalar à chuva…

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

A bicicleta da Sónia!

- Rui, tens de ajudar a Sónia a encontrar uma bicicleta!
Foi assim que tudo começou. Foi assim que, não sendo protagonista, fui envolvido num episódio daqueles com final feliz, como uma espécie de olheiro-consultor.
Mas assim de repente, sem qualquer indicação, ajudar como? – Era o meu dilema.
Um dia depois tive a resposta. Um daqueles acasos felizes. Quando verificava novas publicações nos grupos do costume, na rede social facebook, dou de caras com um anúncio de venda de uma bicicleta. Não era um anúncio, era o anúncio. Não era uma bicicleta, era a bicicleta!
Esta bicicleta tinha uma mensagem subliminar gravada. Um nome. Sónia! Era a cara dela!
Uma cruiser de senhora, verde água metalizado, com óbvios motivos florais, pneus de faixa branca, 3 velocidades internas, travão contrapedal, mega guiador cromado, em excelente estado de conservação e com um bom preço. Linda! Linda! Linda!
Procurar mais? Para quê? Era esta!
Faltava dar conhecimento à verdadeira interessada. No entanto, não vou esconder que ficar com ela passou-me pela cabeça! Mas não, tinha de ser realista, não lhe iriamos dar o devido uso. E depois, reforço, esta cruiser era a cara da Sónia!
Lá a viu. Amor à primeira vista, como era previsível! Como não?!
Com um misto de apreensão e entusiasmo avançou para o contacto com o vendedor, curiosamente meu companheiro de pedaladas de outros tempos. Ficou tudo combinado para o final da tarde do dia seguinte.
Lá fomos. Ao entrar na garagem, mesmo considerando o esmero da sua proprietária na sessão fotográfica para os devidos efeitos, a opinião foi unânime, muito mais bonita ao vivo do que nas fotografias!
A troca de palavras entre os intervenientes deixou vir ao de cima o gosto pelas bicicletas que ali se vivia. E isso faz toda a diferença. Sentimo-nos bem entre pares, entre quem partilha os mesmos gostos. Identificamo-nos.
Após um dispensável e breve teste, o negócio estava naturalmente fechado e nem foi preciso proferir qualquer palavra nesse sentido.
Bicicleta no suporte e despedidas mais ou menos sentidas. Mal sabia o que lhe esperava. Para além de um inesperado desvio ao norte da ilha, a cruiser ainda se foi mostrar a duas amigas e apanhou uma monumental carga de água em cima do carro, mesmo à porta da sua nova casa! Não suficiente para fazer murchar as suas inúmeras e viçosas flores, diga-se.
Com os ânimos mais calmos era altura da Sónia experimentar a sua nova bicicleta. Ela que estava algo reticente pela sua falta de prática, ainda para mais perante a novidade do travão de contrapedal. Mas correu bem, claro.
Todo este episódio foi rápido, inesperado, natural e fluído, e acabou num dia com um final feliz para todos. O que não será alheio o facto de envolver uma bicicleta!
A Sónia não podia estar mais feliz com a sua nova bicicleta e nós tão felizes por ela como se a bicicleta tivesse sido para nós.

Da realidade às Sete Cidades

De regresso à realidade. Depois de um fim de semana em grande, com muitas horas em cima de uma bicicleta que se propõe a isso, este último feriado foi dia de voltar aos comandos da Allez Steel para a reedição de uma volta que fiz em tempos com dois companheiros - norte/norte com descida à freguesia de Sete Cidades - desta feita a solo.

 

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Com o fantasma da lesão e o constrangimento da falta de regularidade presentes, inibo-me de certas aventuras, às vezes erradamente, como se veio a verificar. Sem queixas, apesar do considerável vento de sudoeste que se fazia sentir, num dia típico na ilha, onde circulei sob céu azul e céu muito nublado, sol e até nevoeiro, à maneira que progredia no percurso.
Na descida de cimento para as Sete Cidades estranhei o conforto e a segurança sentidos há uma semana atrás, mas pronto, é o que há… e é bom!

 

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Nestes dois pares de horas equacionei várias situações, normal quando se rola sozinho tanto tempo, e no que toca especificamente à minha montada decidi que iria fazer pequenas alterações dentro em breve. Nada de especial, apenas adaptações para a tornar mais “amiga”, em vez de manter uma postura entre a teimosia, o masoquismo e o deixa estar, mantendo-a inalterada para o bem e para o mal. Na verdade, é mais para o mal!
Mais um dia em que cheguei a casa cansado, mas satisfeito e grato por viver onde vivo, por ter a bicicleta e a disponibilidade que tenho e por ter a capacidade de pedalar até onde desejo.

“Future Shock” – Dia 2

Ontem, ao final do dia, estava certo que hoje não iria às Furnas, apesar de querer testar a Roubaix na calçada. Haviam outras alternativas. Hoje de manhã, pelas nove horas, saía de casa para atravessar a ilha no sentido norte/sul e daí seguir exatamente para as Furnas!

 

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Já somava algumas horas em cima desta bicicleta e ainda tinha mais umas quantas pela frente. Digamos que ao nível da intimidade já se tinha quebrado aquela barreira inicial e as coisas corriam literalmente sobre rodas. Até já estava familiarizado com o “cantar” do cepo da roda traseira, eu que até sou adepto do rolar em silêncio. Por falar em rodas, os pneus da marca mais gordinhos que o habitual (26) estão plenamente integrados no conceito. Rolam bem e são muito seguros, transmitindo a confiança necessária. Por outro lado, estava cada vez mais encantado com a posição de condução, onde o guiador elevado e demais periféricos não foram lá colocados ao acaso.
E descer o Pisão? Manter a posição. Dois dedos sobre os manípulos de travão. Afagá-los ocasionalmente... Está feito. Aqui volto a reforçar o que já tinha dito sobre os travões de disco hidráulicos – Fan-tás-ti-cos!
Até tenho algum à vontade a descer e gosto de fazê-lo de bicicleta de estrada, mas o que senti nesta Roubaix, mesmo com todas as limitações de estar sobre uma bicicleta emprestada e cara, chegou a ser desconcertante. Nunca pensei sentir-me tão seguro nestas circunstâncias. Fluidez, segurança e suavidade quanto baste. Nem foi preciso cerrar os dentes!

 

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E a calçada junto à Lagoa das Furnas? A famosa calçada! Entrei com vontade neste segmento de percurso verdadeiramente demolidor para uma bicicleta de estrada e respetivo ciclista. Bom, pelo menos até agora era, mas a nova Roubaix vem reclamar que o que era não tem necessariamente de continuar a ser! Ok, toda ela vibrava e chocalhava, mas e então eu? Continuava focado em pedalar forte em carga e em progredir no empedrado! É aqui que a tão falada suspensão de 20 mm integrada na coluna de direção e que a nova solução do quadro que faz do tubo de selim uma espécie de tubo flutuante mostram toda a sua eficácia. Acabei por baixar o ritmo, apenas por ter as pernas a arder, ao contrário do que costuma acontecer, tal é a “sova” geral que levo. É para avançar independentemente do piso apresentado? Então a Roubaix assume o prejuízo e haja pernas!
Mas tenho uma queixa. Rabo dorido! Estaria a mentir se dissesse que não fiquei com o rabo dorido. Teoria: Rabo de pobre, pouco habituado a longas distâncias, estranha selim de gama mais elevada! - Dava um belo título, não dava?
Comprava a Specialized Roubaix Expert? Se tivesse cinco mil euros (a atrapalhar!) pegava em 60% deste valor e comprava a gama abaixo – a Roubaix Comp. Com o restante comprava outra. Uma clássica. Para equilibrar! Seja como for, e agora mais a sério, é um valor seguro e vale com certeza aquilo que é pedido.

 

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Resumindo, nota-se que todo o conceito apresentado foi exemplarmente pensado e trabalhado pela marca, com as inovações tecnológicas a sustentar isso mesmo. Até porque a Roubaix já era uma referência e estava num patamar elevado, portanto, só fazia sentido apresentar algo substancialmente melhor e diferenciador. Digam o que disserem, esta Roubaix é a prova do arrojo e da competência. Existem conceitos perfeitos na teoria que não correspondem na prática. Não é o caso. A Roubaix 2017 funciona mesmo!
Grande experiência! Obrigado a quem a tornou possível.

“Future Shock” – Dia 1

Pois é, não gosto de ter bicicletas emprestadas, nem sou grande adepto de muita tecnologia e ontem fui buscar a Specialized Roubaix 2017 para testá-la!
Desde logo, não entendia a escolha da Expert, modelo que está a meio da gama e tem um preço considerável. Na minha ideia, podia trazer o constrangimento ou a frustração de saber-se, previamente, que se vai experimentar uma bicicleta que não se pode ter. Depois foi-me explicado que a escolha teve por base poder proporcionar o contacto com várias tecnologias (todo o novo conceito da Roubaix com destaque para o Future Shock; travões de disco; sistema de transmissão eletrónica; equipamento SWAT exclusivo) aos possíveis interessados, numa só bicicleta. Como se de uma montra tecnológica se tratasse. Faz sentido.
Aliás, o mais correto será atribuir o foco à experiência em si, recolher informações, referências e definir prioridades, independentemente de termos ou não capacidade financeira para comprar a bicicleta em causa. Até porque o futuro é incerto e a experiência fica. E existem modelos mais acessíveis dentro da gama. E depois é sempre um gosto poder testar uma bicicleta diferente, não é?
Mas vamos ao que realmente interessa… a Roubaix.

 

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O selim foi ajustado e arranquei para o lado oeste da ilha junto à costa. O sistema Di2 (mudanças eletrónicas) é aquele que me suscitava (e ainda suscita) mais reservas (não me agrada a dependência de carga na bateria), mas não posso negar que depois de alguma prática começa-se a tirar partido e a beneficiar do mesmo, com passagens rápidas, precisas, suaves e silenciosas, à distância de um toque. Mesmo sendo intuitivo, não quer dizer que ocasionalmente não tenha feito subir mudanças em vez de as descer. Em minha defesa, posso dizer que já são alguns anos a levar as mãos ao tubo inferior do quadro para “meter” mudanças. Se fiquei convencido? Digamos que parcialmente.

 

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A Roubaix Expert tem um excelente quadro em carbono. Discreta e bonita, com uma pintura a preto e cinza, a única disponível para este modelo. Claro que é muito mais leve do que estou habituado, apesar de ser um quadro mais volumoso. Aliás, é um quadro que se faz sentir e ouvir de uma forma muito particular.

 

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Ah, queria falar daquela “caixinha” ali no fundo do quadro. Para ser sincero e esteticamente falando prefiro um quadro limpo, com os cantos livres. Mas este acessório exclusivo, que faz parte de uma linha de utilitários a que a marca apelidou pomposamente de SWAT, é muito prático. Camara de ar, botija de CO2 e adaptador, desmontas, multifunções e até um grampo para notas (€), há lugar para arrumar tudo e ao abrigo da água por ser estanque. Curiosidade: Fui abordado por um turista estrangeiro que me perguntou se aquela “caixa” era o motor!

 

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Bom, acabei esta primeira volta com a Roubaix muito satisfeito. É uma bela bicicleta. Como não haveria de ser? Não sou muito exigente, mas gostei de tudo, embora tenha faltado um segmento de percurso mais “agressivo” para fazer sobressair ainda mais as suas capacidades. De qualquer forma, nesta volta estava mais interessado em testar até que ponto a sua suavidade se traduzia efetivamente em menos cansaço e em mais tempo em cima do selim.
Cumpriu e mais não fez porque faltaram-me as pernas para lhe acompanhar (era o tal motor do turista!). Mesmo assim foi um longo teste que passou com distinção.

 

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A derradeira prova? Bem, sem certezas relativamente ao que vou fazer amanhã, é quase certo que incluirá um segmento de calçada, não sei é se será O segmento de calçada!

“Future Shock” – Dia 0

E depois de amanhã também!

É tarde. Já devia estar deitado. Amanhã é um dia diferente… É um dia especial!
Noite. Um clique no interruptor e faz-se luz. Observo-a. Contemplo-a. É linda!
Está a ocupar um lugar que não é seu, mas que tão competente ocupação. Merece!
A companheira de descanso cede-lhe o cavalete, mas de nada serve porque as suas rodas estão presas por eixos passantes ao invés de apertos rápidos tradicionais.
Improviso um local para a registar digitalmente. Demasiada sombra. Carrego-a pela casa e regresso à rua para a sua primeira imagem minimamente aceitável. É mais fotogénica do que pensava.
Usufruí pouco! Livro-me dos meus equipamentos e deambulo à procura do melhor local para a deixar repousar. Tenho-a debaixo de olho.
Chego. Ainda algo apreensivo e tenso. O selim está demasiado horizontal. Gosto de sentir mais apoio na sua parte posterior.
Venho a rolar rápido por força das circunstâncias. Estou a chegar a casa. Não era isso que esperava para o primeiro contacto. Não foi isso que imaginei. Demasiado fugaz…
O asfalto irregular faz chocalhar bem alguns componentes, mas não perco a compostura sobre os comandos, exemplar que é a forma como filtra toda aquela vibração!
Percorro o mesmo caminho de sempre. Não, vou virar à direita e descer no Pico da Pedra.
Passaram alguns quilómetros, já lhe começo a sentir o pulso…
Para além da novidade, dos ruídos e da diferença (e do valor elevado entre as pernas!) foco-me demasiado nas passagens de mudanças (ia dizer de caixa… manias antigas!), uma vez que estou literalmente às apalpadelas!
Quem é que não gosta de travões de disco (hidráulicos, já agora!) em bicicletas de estrada? Bem, é experimentar e depois falamos.
Fiz a primeira travagem mais a sério. Wow! O que é isso? Isso é conforto, segurança e confiança!
Estou apreensivo e tenso. Demasiado focado na novidade, nos ruídos, nas diferenças. E no valor elevado que tenho entre as pernas!
Que posição é esta? Que conforto é este? Que apoio é este? Que fitas ergonómicas são estas?
Trânsito. Monto-a apressado e agradeço a amabilidade da automobilista que me deixa arrancar.
Entro equipado na loja. Explicações e verificações finais. Cumprimentos e desejos de muitos quilómetros. Bom fim de semana.
Reserva para teste – Specialized Roubaix Expert UDi2 (2017).

 

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A Roubaix sobre calçada, claro!

 

(Sim, o texto está invertido, cronologicamente falando. Deu-me para isso. Culpa da Roubaix que me trocou as voltas. Para facilitar a sua leitura e compreensão é ler-lhe de baixo para cima. Já devia ter avisado? Pois.)

Choque tecnológico!

Motivado por toda a azafama e animação que se vive por cá com mais uma edição do Azores Airlines Rallye lembrei-me de uma situação. Não têm grande (nenhuma) relação, mas pronto.
Um dia entrei num stand de automóveis. Enquanto o vendedor, para me cativar, ditava orgulhosamente uma extensa lista de extras que um modelo em especial trazia, com certeza estaria longe de pensar que eu, mentalmente, a cada extra atribuía uma classificação. Curiosamente, sempre a mesma para todos eles – Fonte de problemas!
A falta de paciência e interesse não me permitiu perguntar se não tinham apenas o carro? Sem as “mariquices”? Sim, básico, simples, sem nada!
Já deve ter dado para perceber que, no que toca a algumas inovações e à tecnologia aplicada em certos ramos sou um bocado avesso. Tradicionalista, antiquado, chamam-me o que quiserem, não me venham é impingir tecnologia da moda, embrulhada com a capa da utilidade, para fomentar desejos consumistas, como se a minha vida dependesse disso!
Vivo muito bem sem estas “mariquices”! Aliás, até prefiro não ter de pagar por elas, que é da maneira que não me vão distrair, nem chatear no futuro. E ainda poupo dinheiro.
As minhas bicicletas são todas recentes, a mais “antiga” é de 2009. É um bocado ridículo usar esta palavra para adjetivar uma bicicleta que vai fazer oito anos, mas atualmente é mais ou menos assim que as coisas funcionam. Nem rodas 29 tem! Paradoxalmente, é a única com uma estrutura em alumínio, travões de disco hidráulicos e suspensões a ar. Ui!
As outras têm todas quadros de aço e componentes básicos de entrada de gama. São simples e baratas. E, por incrível que pareça, funcionam!

… Allez Capelas

Mudou a hora, mas não mudou a rotina de ir dar uma volta de bicicleta. Nem diminuiu a vontade de pedalar. A manhã de domingo, salvo raras exceções, é minha, com mais ou menos uma hora. Dormi menos o que não é problema. Despachei-me sem pressas, até porque para horas já me chegam os dias úteis da semana. A Allez ficou pronta na hora, nem retoquei a pressão dos pneus, bastou instalar a bolsa de selim (pouco estética, mas útil) e a garrafa de água no suporte. Tinha uma ideia relativamente ao destino, mas ao contrário das horas, o estado do tempo trocou-me a volta. Deixei-me levar e fui improvisando ao longo do percurso. Passou uma hora. Estava inclinado para as subidas. Passaram-se duas horas. Estava longe disso, mas quando dei por mim estava nas Capelas. Passaram-se quase 3 horas e nem dei pelo seu passar. Estava em casa. Agora que mudou a hora os dias são maiores…

 

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Persistência nos pedais!

Insistência combate-se com persistência!


Iscomunhã de gadelha!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Encontrê o Florimunde no camin.
- Ême, noutre dia vi-te falá c'uma bela féma ali ao pé da tua casa!
- Bela féma? Devias de tá bêbede, Florimunde! Aquile é um iscomunhã de gadelha!
- Eh hôme, nã sê... parecia, se calhá nã vi bem!
- Nã haveras de tê viste entã, é tã fêa! É a minha vezinha. Tou penande c’aquele demóne de saias!
- Mas o que fou?
- Ême, embirrou c'a besuga...
- Nã se faz case!
- Nã se faz case? A laparosa tá-me sempre cegande a cabeça pa comprá um carre!
- Tás lexade entã!
- Pous já se sabe que tou! Paloê se lhe passasse cartã!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

Outra vez Gorreana!

Domingo, dia do pai, véspera de primavera, bicicleta de estrada, Gorreana.
Um dos problemas de ter uma temática tão específica num blogue, ainda para mais vivendo numa região geograficamente limitada, é a finitude ao nível da diversidade do que se faz e posteriormente publica. Este facto pode ser pouco apelativo para quem segue, mas não necessariamente para quem faz. Ou seja, nunca me canso de percorrer e pedalar nas mesmas estradas e caminhos que me levam aos mesmos sítios de sempre. Por inerência das circunstâncias faço-o muito no mesmo concelho - Ribeira Grande, no mesmo dia da semana – domingo, e com o mesmo destino – Gorreana.
É aquela volta média e aprazível, que ronda as duas horas de duração, que exercita e não chega a maçar, que pelo meio se passa numa estrada calma e única ao nível do traçado, da natureza que nos cerca e da qualidade do ar que se respira… E quando já em estrada mais aberta se rola, ora rápido ora mais lento, ao sabor do seu moderado sobre e desce, avistam-se umas peculiares plantações geometricamente alinhadas que sobem monte acima e que indicam a chegada ao destino – a Fábrica de Chá da Gorreana.
Aqui os atrativos são vários. Toda a envolvência e ambiente, a beleza, as cores, os trilhos, os cheiros, o chá, entre outros sabores tradicionais. E nos dias úteis da semana, a manufatura de outros tempos que se mantém. Confesso que quando vou de bicicleta limito-me esticar as pernas e à contemplação visual do que me rodeia, podendo esporadicamente saborear um chá. Mas vou lá muitas vezes. Ainda sábado tinha lá estado, noutras circunstâncias, e usufruindo de forma mais tranquila e efetiva ao nível das sensações. Logo à chegada fiquei fascinado com o rosa vivo das azáleas.

 

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Anda de bicicleta quem quer!

Anda de carro quem pode, anda de bicicleta quem quer!


Marcolina Labardêra
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tenhe uma vezinha que é même uma labardêra...
- Eh hôme, tás bom? Nã me dizes nada?
- (Nã...) Olá vezinha!
- Sempre quéssa bcecléte?
- (Outa vez papá!) Tem de sê!
- Ême, faz um esforcim e compra um carrim...
- Porquié?
- Êh hôme, nã vês que a andá de bcecléte pareces um pelintra?
- Pelintra?
- Sim senhô, e ainda por cimba apanhas água qué fê!
- Mas ê nã compre um carre porque nã quére!
- Ê hôme, toma juíze e larga de sê isganade. Morres e isse fica tude praí!
- Ouh vezinha, mas eu goste de andá de bcecléte!
- Nã digas isse! Entã nã ficavas munte mió a andá num carrim?
- Nã... Até logue vezinha... (Vou-te sofrê!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

"Azores Gravel Bike Trip 2016"

O conteúdo das minhas publicações é sempre original. Mas existem exceções. Por isso mesmo faço questão de partilhar um vídeo que desvenda um pouco do que foi a "Azores Gravel Bike Trip 2016". Basicamente foram uns dias a andar pelas estradas, caminhos e trilhos da ilha de São Miguel, com as bicicletas certas, usufruindo do contacto com a natureza e testemunhando as melhores vistas e paisagens. E as bicicletas certas são as Gravel Bikes. Um segmento recente com potencialidade para crescer, já que apresenta bicicletas com grande polivalência, sempre prontas para a aventura e aptas a circular quer em estrada, quer fora dela.

 

Qualidade de vida! #2

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Estava como o tempo. Aborrecido. Tinha a minha rotina autolimitada. Num impulso reverti a situação. Tinha de sair. Tinha que pegar na minha bicicleta e ir. Fazer qualquer coisa. Não fazer coisa nenhuma. Mas ir. Fui tratar daquilo a que normalmente não atribuo prioridade. Tive no meio delas. Das bicicletas. Numa loja de bicicletas. A aviar um componente insignificante, mas que acusa a sua função. No caso, a falta dela. Tive no meio deles. Dos relógios. Numa relojoaria. A consertar um relógio. E que prazer ver um mestre relojoeiro trabalhar. À moda antiga. Tive no meio delas. Das revistas. Numa tabacaria. Comprei uma revista de bicicletas... O orvalho surgiu. Animou a minha pedalada. Animou o meu ritmo. Animou-me. Isso e tudo o resto. Cheguei outro!

 

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Vila Franca do Campo

Este domingo foi dia de mudar de ares. Rumei ao lado sul da ilha e fui com a Allez até Vila Franca do Campo. O tempo estava excelente para andar de bicicleta, não obstante algum vento de sudoeste que se fazia sentir. Com variações entre a calma e o maior ritmo, e até as paragens para captar algumas imagens, quando dei por mim já estava no meu destino. É incrível como hoje em dia as distâncias são tão relativas... aqui há uns anos atrás ir à Vila Franca ou até mesmo a locais mais próximos, só de carro ou de mota. Mas ainda bem que essa realidade mudou!
O ponto de retorno acabou por ser a Praia da Vinha da Areia. E foi a sair da mesma que avistei lá mais à frente uma colega ciclista. Acabei por me juntar a ela algures a sair de Vila Franca. Este facto tornou o regresso mais agradável e a temível subida do Pisão menos sofrida. Até gosto de andar sozinho, sendo que o faço quase sempre nesta condição, mas admito que é uma mais-valia ter companhia nas voltas de bicicleta. Despedimo-nos em Ponta Delgada.
Antes de ir para casa, ainda tive um bocado à conversa numa zonal balnear da cidade, onde a Allez foi alvo de apreciação, com teste incluído. Para além dos elogios, recebeu pela primeira vez uma explícita proposta de compra...
- Não, não está à venda, mas obrigado na mesma.

 

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