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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

TT, BTT e afins…

Num blog temático, embora tente diversificar cada vez mais os temas abordados, é natural que de vez em quando se caia na repetição e até na contradição.
Já muitas vezes referi a minha relação íntima com o Todo-o-terreno, inicialmente com as motos e mais recentemente com as bicicletas. É uma relação que nunca foi exactamente como queria e nem sempre tem sido amigável, com eventuais avanços e retrocessos.
Se passei anos a sonhar com a moto de TT ideal, quando tive oportunidade de ter uma (que não a ideal), se calhar já foi tarde, e para mim a linha entre o divertimento e o sofrimento era muito ténue. Decidi que não era aquilo que pretendia, talvez mesmo de forma definitiva.
Há menos de 1 ano, com a compra da bicicleta, uma BTT, claro, verifiquei que tinha uma nova oportunidade, mesmo que em parâmetros diferentes, de usufruir das mais-valias do todo-o-terreno e tirando partido da parte física, também essencial. Podia concretizar o meu gosto de forma mais segura, menos dispendiosa, mas igualmente divertida.
É certo que também surgiram alguns constrangimentos, mas basicamente só quando tentei dar um passo maior do que a perna, ou seja, forcei demasiado no capítulo das minhas disposições e limitações.
Isso não volto a fazer, pelo menos conscientemente, sem ter algumas bases para tal, como sejam a técnica e acima de tudo a auto-confiança, mas não será propriamente uma das minhas prioridades pois tenho uma forma própria de encarar esta actividade e mesmo tentando sempre fazer mais e melhor, o que implicará esforço e risco, tenho limites e sempre presente o binómio divertimento/sofrimento, com clara prioridade para o primeiro factor.
No BTT, como em tudo, tento pautar a minha vida pelo equilíbrio, mas contraditoriamente, às vezes considero-me e tenho atitudes de extremos – 8 ou 80! Mas isto já é outra conversa...
Sou claramente um ciclista de lazer e é assim que me apresento tanto na teoria, com a Licença de Betetista da Federação Portuguesa de Ciclismo, como na prática, com uma postura basicamente entusiasta em cima da bicicleta.
Isso não quer dizer que nos percursos habituais, não tente a cada passagem melhorar ao nível da velocidade, do à vontade a ultrapassar obstáculos, de “trepar” aquela subida muito íngreme sem desmontar, mas dentro dos limites por mim pré-estabelecidos.
De facto, com a prática isto acontece e é estimulante apercebermo-nos da nossa evolução, mas é este mesmo entusiasmo que por vezes leva a excessos, nada que uma eminência de queda, ou uma queda efectiva não arrefeça. Digamos que é o lado regulador de uma coisa que não é boa, nem aqui, nem em parte nenhuma, mas que faz parte.
Esta atitude limitada, dirão alguns, também não me impede de estar sempre a ver bicicletas, pensando num possível “upgrade”. Sim, porque também gosto de coisas boas e reconheço as diferenças. Se uma suspensão total em carbono de apenas 2 pratos pedaleiros, “ready to race”, será um desperdício, uma FS ou uma rígida com um quadro ligeiro em alumínio, uns travões hidráulicos e uma forquilha eficaz, seria bem-vinda, obviamente.
Posturas à parte, o que sei é que já não ando à 2 semanas de bicicleta e dou por mim a pensar naquele gancho a descer que faço em derrapagem, naquela descida escorregadia com pedra solta que desço à força de braços pendurado no travão de trás, naquela subida em que agarro as extensões e “martelo” nos pedais de pé e na travessia daquele curso de água, que actualmente faço mais devagar pois preciso dos sapatos secos para o Cycling no dia seguinte!

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