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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

30.04.21

Explicação


Rui Pereira

Saio tarde e não determinado. A progressão no terreno faz-se lenta e de improviso. Apreensivo por natureza, o entusiasmo surge progressivamente, à razão com que passo por locais entretanto esquecidos. Boas memórias me trazem. As pedaladas misturam antagonismos – fluidez e tensão. O foco no que está para vir não me impede de usufruir. O trilho único, visivelmente marcado por uma roda motorizada, está perfeito. A vegetação domina sem se intrometer. O piso apresenta-se suave e aderente sem estar pesado, fluído e divertido sem ser muito rápido. Cheguei, voltei para trás, avancei novamente. Incrível. Como gostava de ter alguém comigo para partilhar este momento. Alguém que experimentasse e sentisse o mesmo que eu. Alguém que compreendesse o prazer de pedalar nestas circunstâncias. Existe uma frase aplicada ao mundo motorizado que diz não valer a pena explicar aos outros a razão de andar de mota, pois para quem compreende nenhuma explicação é necessária, para quem não compreende nenhuma explicação é possível. Aqui, também se aplica.


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26.03.21

Evolução & decadência


Rui Pereira

Foram decisões mais ou menos coincidentes no tempo e responsáveis por um desenvolvimento significativo, físico e psicológico. O regresso às bicicletas e aos estudos.
Um período especialmente produtivo e saudável, com objetivos bem definidos, onde a carga anormal de tarefas não beliscava minimamente a capacidade de as concretizar. Conseguir fazer tanta coisa e estar tão bem por isso mesmo.
Por inerência, surgiu a atividade singular no blogue (não este) e a leitura. Na verdade, ganhei uma nova visão do mundo à minha volta e um novo estilo de vida. Ganhei novas prioridades, novos interesses e uma grande paixão. Tornei-me mais curioso, interessado e atento. Mais ligado à Natureza e à minha Terra!
Daí para cá, e depois de alguma sustentabilidade, tem sido sempre a descer...
Todos os princípios basilares mantêm-se, mas a estrutura tem sido abalada por questões inerentes à vida, quer internas quer externas, que têm influência direta na deterioração do equilíbrio.
Profissionalmente nada mudou. Conformei-me e, sem dar bem por isso, o problema de identificação cresceu de dia para dia. Agudizou-se nos últimos tempos, onde já nem os meus escapes compensam na devida medida. É um sacrifício levantar-me todos os dias úteis de manhã!
Tanto peso que já levantei com o corpo e ter tanta dificuldade a carregar com esse que nem consigo quantificar?!
São anos de desfasamento com aquilo que são os meus gostos e referências, a minha área de formação, a minha tendência e aptidão natural, também por culpa própria!
Mas a questão é mais abrangente e ganha contornos de crise existencial quando, na prática, a minha vida diverge da forma como a penso e, cada vez mais, a vejo desprovida de sentido. Tanta coisa indefinida, por decidir, suspensa...