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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Lama…

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Bom, na verdade não havia assim tanta lama, apesar da chuva que se fez sentir nos últimos e no próprio dia, mas deu para sujar a bicicleta e ficar sujo.
As previsões meteorológicas fizeram-me deixar a bicicleta de estrada parada e levar a BTT para a rua. Em boa hora o fiz, já que me divirto sempre bastante aos comandos desta bicicleta, principalmente nestas condições, as minhas preferidas para a prática da modalidade.
Pode ser um contrassenso, mas a BTT nunca é uma prioridade, por variadas razões. No entanto, se pesar as duas vertentes (BTT vs. Estrada) nos pratos de uma balança, esta penderá para o lado do BTT.
Não sou propriamente um aventureiro e, neste momento, motivado pela clara falta de prática, vou com pouco à vontade sobre a bicicleta, mas é um prazer embalar-lhe numa descida mais rápida, levar-lhe sobre pedras, galhos e gravilha, fazer uma curva rápida em apoio, ou até aquela subida de piso escorregadio. Estado de fluxo puro!
Por outro lado, os sustos estão mais ou menos presentes. Aquela escorregadela imprevista da roda da frente, uma pedra estrategicamente posicionada na linha escolhida, um rego mais pronunciado disfarçado pela vegetação, aquela vala que parece atrair a bicicleta como se de um íman se tratasse. Faz parte!
E aquela obrigatoriedade de lavar a bicicleta quando se chega, tarefa que nem sempre é agradável, mas que no fundo até nos faz sentir orgulhosos perante os detritos que conseguimos acoplar ao quadro e aos componentes da bicicleta. Até porque o nível de orgulho tem correspondência direta com a quantidade de sujidade verificada…

A escrita, as voltas e o método da escolha das bicicletas

Depois de um texto que me deu muito prazer escrever e que me valeu um destaque no SapoBlogs , já lá vão 11 dias, tive várias vezes de mãos sobre o teclado, a olhar para uma folha em branco e não consegui escrever nada! Aliás, neste momento que estou a tentar escrever alguma coisa esforço-me por alinhar ideias e dar um rumo a esta publicação.
O facto é que não tem acontecido nada de muito relevante, ou seja, tem andado tudo dentro da normalidade. E isso não é necessariamente mau, já que evito dar demasiada importância a situações negativas e assim estas também não seriam destacadas aqui. Faltariam os motivos à mesma com a agravante do mal-estar consequente.
Atenção, escrever é um gosto e não uma obrigação, mas às vezes é preciso forçar um bocadinho. Se me começo a abster da escrita entro numa espiral e vou por aí a fora… quanto menos escrevo, menos vontade tenho de escrever. E, já agora, quanto menos ando de bicicleta, menos vontade tenho de andar de bicicleta!

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A minha última volta de bicicleta foi muito proveitosa ao nível do pensamento (tanto que parece ter-me esgotado as ideias!) e serviu para reconhecer o bem que me fazem estas mesmas voltas e para definir a atitude que devo continuar a seguir, exatamente por ser aquela com que mais me identifico e que me é benéfica.
Ultimamente a bicicleta escolhida tem sido a Specialized Allez, com um desempenho que não desilude, mas está na altura de lhe dar algum “descanso”. Não sem antes ter de passar por uma rotina de limpeza e lubrificação, para então ser devidamente estacionada. Ah, tinha em mente uma intervenção maior ao nível estético nesta bicicleta, como que um regresso às origens, mas irá ficar para mais tarde.
Depois de um interregno voluntário, onde só a apreciava ocasionalmente e de forma estática, agora vou tirar o pó à Specialized Roubaix e levar-lhe para a estrada. Confesso que já tenho saudades de um outro nível de eficiência, performance e conforto. Que é como quem diz, tenho saudades do seu tato, do seu rolar e da sua suavidade.
Já que tenho por onde variar, vario. Gosto de todas, claro, mas a minha tendência metodológica leva-me a que não haja cá confusões e a andar por períodos rotativos com uma de cada vez. Vamos lá ver se a mudança de companheira também motiva alguma mudança de ambiente!
E pronto, é isso. Custou, mas saiu. Foi o que me saiu…

Ia aos comandos da minha bicicleta…

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Ia aos comandos da minha bicicleta a pensar nas várias fases por que já passei em cima dela. Já me interessei mais pelas distâncias, já me foquei muito apenas no destino, já me preocupei com o tempo em que conseguia fazer determinado percurso.
Ia aos comandos da minha bicicleta a concluir que, neste momento, o meu foco está no meio, mas essencialmente na viagem. No percorrer do percurso que foi previamente definido ou que simplesmente vai evoluindo no momento.

“Mais importante do que o destino é a viagem.”
Gláucia Silva da Costa

Ia aos comandos da minha bicicleta a apreciar a estrada e o ambiente à minha volta. As retas e as curvas que a caraterizam. As sombras frescas criadas pela frondosa vegetação que a ladeia. Os cheiros. Os sons, ou simplesmente a ausência deles. A beleza da paisagem!
Ia aos comandos da minha bicicleta num ritmo tranquilo, tão só e ao mesmo tempo tão acompanhado, a pensar no significado de um simples passeio de bicicleta. Na sua elevada capacidade de me proporcionar satisfação e bem-estar!
Ia aos comandos da minha bicicleta a sentir-me um privilegiado. A pensar que tinha feito a aposta certa, no dia em que decidi a favor da bicicleta. Por ter conseguido ver todo o potencial de um objeto tão simples.
Ia aos comandos da minha bicicleta a querer que este momento nunca mais acabasse…

Setembro sobre rodas!

Depois das férias é tempo de voltar às rotinas. De assentar. Setembro é o mês do regresso à atividade profissional, escolar, desportiva… No meu caso, é inclusive um período de reflexão que irá definir o que farei como atividade física daqui em diante. Não queria ter de estar a decidir sobre isso, já que tinha tudo tão equilibrado nos últimos anos – convívio/exercício/natureza, mas infelizmente vejo-me obrigado a fazê-lo. Independentemente da decisão, uma coisa é certa, a bicicleta mantém a função de meio de transporte.

A minha companheira de duas rodas associada às minhas rotinas diárias regressa finalmente ao ativo, depois de uma paragem forçada e consequente intervenção mecânica. Entretanto recorri à outra Órbita, a dobrável, e senti uma grande diferença. Foram poucos dias de utilização, mas que saudades da Classic. A Eurobici é uma bela bicicleta, mas demasiado limitada para a minha utilização. Em ambiente urbano já não me vejo em cima desta que foi a bicicleta com que dei as minhas primeiras pedaladas utilitárias.

O carro é velhinho e lembrou-se de reclamar alguma atenção. Às vezes esqueço-me que a manutenção automóvel é uma coisa chata, dispendiosa e que tem de ser feita. Vá lá que foi amigo e esperou que as férias acabassem… Por mim fazia uma boa parte da minha vida de bicicleta, mas, tendo em conta as circunstâncias, não é possível. Tenho esperança que um dia lá chegarei…

Hoje já sujei as mãos de graxa. Mas sujar a valer. Estava a fazer umas experiências com a transmissão da Classic quando a corrente saiu de onde devia estar e ficou engatada onde não devia. Ainda tentei remediar… tarde demais. Deu luta. Valeu-me a ajuda de um companheiro das bicicletas que passava no local. Cheguei mais tarde, com as mãos mais sujas e mais transpirado do que era suposto, mas cheguei.

Ontem apanhei chuva. Hoje que precisava de água para lavar as mãos não choveu.

E assim se vivem os primeiros dias do mês de setembro. Tudo sobre rodas...

Aos pedais!

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Havia desconforto. Outras prioridades. Gosto limitado.
Mudança de cenário. Outra bicicleta. Nova realidade.
Inovam-se as distâncias e os destinos. Cresce a vontade…
O gosto. A estima pela companheira de duas rodas.
Mantém-se a simplicidade. Arrisca-se o desafio.
Sente-se o prazer e a liberdade de ir estrada fora.
De rolar com todos os sentidos à flor da pele.
A velocidade contra ou ao sabor do vento.
Num ambiente que cerca e invade.
A pedaladas largas e ritmadas as rodas ocupam o seu lugar…
Naturalmente!

Diferentes

Tenho bicicletas de origem americana e portuguesa. São marcas bastante diferentes entre si, com uma oferta e um posicionamento de mercado completamente distintos. Mas gosto de todas!
A americana Specialized é uma marca de topo com a qual já tenho uma relação de longa data. Por isso mesmo, é a que recorro normalmente seja para a aquisição de bicicletas, acessórios e equipamentos. E depois existem as exceções que confirmam a regra.
Nem sempre compramos exatamente aquilo que queremos, por uma série de circunstâncias e limitações que não conseguimos controlar, mas sim aquilo que podemos e nos proporcionam comprar. Há sempre uma questão de conveniência que nos pode aproximar ou afastar do pretendido.
Confesso que, desde o tempo das motas, tenho uma preferência pelas produções de origem europeia, em particular pelas italianas. Nas bicicletas acontece o mesmo. Gosto muito da Specialized, foi, é e será sempre uma opção segura, mas o meu coração, lá no fundo, palpita por uma… COLNAGO!

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Imagem: Colnago

 

Se calhar as coisas têm de ser mesmo assim. É que o encanto e o deslumbramento derivados da imagem, do prestígio e da história, também são acentuados pela menor acessibilidade.
E quem fala em Colnago (uma das minhas marcas preferidas de sempre), fala em muitas outras marcas italianas e europeias que têm uma oferta diferente, mais carismáticas, menos de massas…
E a questão é exatamente essa, não é serem melhores, é serem simplesmente diferentes!

Paralelismo

O verão e os múltiplos eventos que surgem nesta altura do ano fazem de Ponta Delgada uma cidade mais bonita, viva e alegre. Não indiferente a este facto, a minha companheira e as minhas rotinas diárias são as mesmas de sempre. Mas ao que tudo indica irão alterar-se. O cenário e a bicicleta mantêm-se. Por um lado, sinto pena de deixar um local, o mar, as pessoas. Por outro, a mudança talvez me traga um toque de inovação e frescura, fazendo um paralelismo entre a minha vida e a cidade de Ponta Delgada…

 

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Andando por aí…

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Queria fazer uma volta diferente. Ultimamente, ou fazia a volta ao concelho de PDL ou ia às Furnas. Desta vez não. Até a bicicleta seria outra.
A Roubaix deu lugar à Allez, que já a algum tempo se tem mantido intocada no rolo. Ainda pensei que se calhar a deveria deixar lá por mais uma semana, mas não…
Tinha uma ideia geral do que queria fazer, mas o percurso foi evoluindo à maneira que progredia no terreno.
Comecei então como quem vai dar a volta ao concelho, no sentido dos ponteiros do relógio, mas chegando à Várzea virei no sentido das Sete Cidades. Subir para descer e voltar a subir.
Na ponte cruzei-me com um ciclista “das descidas” que depois passou por mim na caixa de uma carrinha, enquanto eu ia naquele ritmo, ora lento, ora muito lento, no cimento. Alguns turistas a pé a dar-me apoio, o que é sempre curioso e motivador.
No topo virei no sentido do Pico do Carvão e depois de subir mais um bocadinho lá veio a descida, não necessariamente ansiada, até porque estava uma “porcaria”, com gravilha em quase toda a sua extensão!
Arribanas e porque ainda era cedo, Capelas. E depois foi rolar até casa, já a imaginar o que iria ingerir como recuperador. O costume…
A Roubaix teria sido melhor opção nesta volta, admito. Mas a Allez é aquela companheira que, apesar das contrariedades, nunca desilude. E é sempre com grande gosto e vontade que vou aos seus comandos.

Rotinas

À palavra rotina é normalmente atribuída uma conotação negativa, associando-se a uma prática monótona, desinteressante e repetitiva.
Sou uma pessoa de rotinas. E não necessariamente negativas. Aliás, a quebra destas é que pode estar baseada num momento ou numa circunstância menos positiva. Outras queria mudar por achar serem benéficas e simplesmente não consigo por estar tão agarrado às anteriores.
A minha volta de bicicleta ao domingo já está mais que rotinada. Foi um hábito que ganhei há vários anos e embora haja alguma flexibilidade, não a fazer é claramente uma exceção.
Comecei por andar de bicicleta só ao domingo, depois adicionei a prática de Indoor Cycling três vezes por semana. Depois voltei a andar só ao domingo. Esporadicamente posso adicionar uma volta noutro qualquer dia da semana (a solo ou em família), e mais esporádico ainda, no rolo (chato!).
Queria andar nem que fosse mais uma vez… Não consigo! Vejo gente que o faz logo pela fresca ou ao final do dia, mas não consigo. Não consigo implementar este hábito por estar demasiado agarrado às minhas atuais rotinas. Ou por uma questão de prioridades. Ou por não achar realmente ser uma necessidade. Ou simplesmente porque sou preguiçoso. Ou porque não é algo que queira verdadeiramente fazer, senão já o teria feito, ou pelo menos tentado.
Eu, pessoa de rotinas, se calhar não implemento este hábito para não cair na rotina de andar com as mesmas bicicletas sempre nos mesmos locais?!
É verdade que exercito o corpo e desanuvio a cabeça de outra forma praticamente todos os dias, mas andar de bicicleta mais umas vezes fazia-me bem… Mas quantas coisas não nos faziam bem e não estamos para aí virados?
Chega a ser estúpido não fazer algo de que gosto tanto, quando aquilo que não quero largar nem ser assim nada tão relevante…
Dentro das minhas dúvidas e interrogações, de uma coisa tenho a certeza, domingo vou andar de bicicleta!

 

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A encantadora!

Um dos problemas de ter várias bicicletas é que em determinado momento existem algumas delas que vão estar mais paradas do que seria desejável.
A minha Globe Roll é uma daquelas bicicletas que, pelas suas caraterísticas, não permite uma utilização muito abrangente, até pelo contrário, exigindo condições específicas. Não é bicicleta para voltas muito longas, nem muito desafiantes ao nível do percurso e das suas diferenças de altimetria.
É, por isso mesmo, uma das mais relegadas ao suporte…
Mas quando decido que está na hora de lhe levar para a estrada, depois daquele primeiro embate motivado pela falta de velocidades, pelo seu carreto fixo, pela ausência de travão traseiro, é das bicicletas que mais me dá prazer!
O facto é que nem sei explicar bem porquê, até porque são alguns constrangimentos e outro tanto de agressividade, e masoquismo não é muito a minha onda…
Julgo que palavras como diferença e desafio podem fazer parte da equação e do encanto. Sim, encanto. Esta bicicleta tem esta capacidade sobre mim…
A mais pura. A mais simples. A mais encantadora!

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Só ou acompanhado?

Acompanhado, mas…
Recordo com saudade o tempo em que andava de bicicleta em grupo. Formei um e integrei outros já formados. Sempre de BTT, numa altura em que a Estrada ainda era desconhecida para muita gente. Andar em grupo, nem que seja apenas nós e mais um/a, é indiscutivelmente mais entusiasmante e motivador, valendo igualmente pelo convívio e pela partilha.
Atualmente ando sempre sozinho. Ou quase sempre. O facto de ter divergido dos demais, ao nível da atitude e das opções, colocou-me numa posição intermédia e menos considerada. Não tenho andamento (nem faço por ter) para acompanhar quem já leva o ciclismo mais a sério, mas também tenho outro ritmo, quando comparado com quem encara as bicicletas com demasiada distância e descontração. E perante ritmos e atitudes diferentes, fica mais complicado gerir o esforço e o tempo, o que influencia negativamente na fluidez e na tranquilidade de uma volta, a não ser que seja um acontecimento de caráter excecional.
Para além disso, é o compromisso. De facto, andar em grupo implica compromisso. Implica seguir o que foi estipulado como hora de saída, ponto de encontro, trajeto, ritmo, etc. E isso causa-me alguma ansiedade e desconforto. Eu, que tantos domingos acordei mais cedo para atravessar a ilha de norte a sul ao encontro do grupo e que depois da volta fazia o trajeto em sentido contrário, sozinho, enquanto os meus companheiros já estariam de banho tomado e sentados à mesa para repor calorias. E fazia-o com gosto. Mas contradizendo o ditado popular de que “quem corre por gosto não cansa”, se calhar, cansei-me…

Ainda sobre o estacionamento de bicicletas!

Ainda há poucos dias falei de estacionamentos para bicicletas em Ponta Delgada. Hoje vou falar de estacionamentos, mas num local específico da cidade no lado norte da ilha. Refiro-me à praia de Santa Bárbara, na cidade da Ribeira Grande.
Aqui há uns tempos vivemos duas situações muito desagradáveis nesta praia envolvendo bicicletas. Num curto espaço de tempo roubaram-nos o selim e respetivos acessórios associados e depois foi a bicicleta completa!
Na altura foi dado conhecimento da situação à Câmara e feito o alerta no sentido de se repensar o tipo de estacionamento utilizado e a sua localização naquela praia.
Recentemente, agradou-nos constatar que o local do estacionamento de bicicletas foi alterado e está agora numa zona do parque muito mais adequada, exatamente por ser mais prática, movimentada e visível. Infelizmente, a estrutura que serve de estacionamento é a mesma, um ainda resistente “empena rodas”, que peca tanto por esta sua nefasta capacidade, daí o apelido, como por não permitir prender a bicicleta corretamente pelo seu elemento básico – o quadro, já que suporta toda a bicicleta apenas por uma roda! Não é prático nem seguro. É preciso improvisar, daí ser habitual ver bicicletas encostadas numa das laterais da estrutura como forma de tentar ultrapassar as suas limitações.

 

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A Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores da Bicicleta tem disponível na sua página um documento bastante esclarecedor de como devem ser os estacionamentos para bicicletas.

Pedais de encaixe

Tinha acabado de reentrar no mundo do ciclismo, com a compra da Hardrock, quando, numa conversa sobre pedais, ouvi da parte de uma pessoa conhecedora e conhecida no meio que, já não sabia andar de bicicleta sem pedais de encaixe!
Na altura, do alto da minha ignorância e do meu estatuto de novato, pareceu-me que a pessoa em causa estava a armar-se, e consequentemente, a remeter-me ainda mais para a minha insignificância.
Uma semana depois da compra estava a estrear os tão badalados pedais de encaixe!
Hoje, sou eu quem faz a mesma afirmação, a quem procura a minha opinião, sobre os ditos pedais. Aliás, só não os uso em ambiente urbano, por questões práticas e porque as distâncias percorridas não o justificam.
Tão óbvios, mesmo para alguns/algumas que juraram a pés juntos que jamais os teriam presos à bicicleta…
Ontem foi dia de mais uma estreia. Os meus Shimano, atualmente sem uso, saíram do armário para serem instalados numa bicicleta. Uns engates normais, até porque estamos a falar de encaixes. Mas correu bem. E aquela satisfação habitual advinda da superação e de que afinal não é assim tão complicado como se tinha imaginado. E os elogios…
“Eh pá, isso não tem nada a ver. Que diferença!”

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Imagem: Shimano

Estacionamento para bicicletas em Ponta Delgada

Em 2015 a Câmara Municipal de Ponta Delgada instalou cerca 40 lugares de estacionamento para bicicletas em várias zonas da cidade. Uma excelente iniciativa, sem dúvida, mas na minha opinião tinha ficado esquecido um local prioritário como o Mercado da Graça! Na altura tive intenção de sugerir isso mesmo, mas nunca cheguei a fazê-lo (intenção sem ação, por melhor que seja, de pouco serve). O facto é que passados quase 3 anos, por determinação própria ou sugestão, foram finalmente disponibilizados estacionamentos para bicicletas junto ao Mercado da Graça. Se a instalação de estacionamentos para bicicletas junto às escolas anteriormente concretizada presume uma ação pedagógica e estratégica, agora é também possível ir a um mercado tão caraterístico desta cidade da forma mais natural possível (mais natural só a pé), sem ter de se deixar a bicicleta presa a um poste nas redondezas ou num dos estacionamentos demasiado distantes do local em causa.
De salientar que estamos a falar das estruturas mais adequadas para estacionar bicicletas, simples, económicas e robustas em U invertido, e que não foram remetidas a um canto, exatamente aquilo que se pretende!
Na altura em conversa com um amigo, também ele utilizador da bicicleta no dia-a-dia e defensor da existência de estacionamentos que não os “empena rodas” num canto escuro, mas reclamando mais algum sentido estético dos mesmos, divergimos opiniões. Se até aos tubos cinzentos de ferro foram subtraídos os autocolantes indicativos com bicicletas, para quê dar mais do que isso se (quase) ninguém quer saber? Para estes quanto mais passarem despercebidos melhor. O que interessa realmente a quem anda ou quer começar a andar de bicicleta na cidade é ter uma estrutura bem localizada e com a forma certa para poder estacionar com facilidade e segurança a sua bicicleta. Objetivo cumprido!

 

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Imagem: CC - Specialized

Ai se ele cai

Dizer que as bicicletas são perigosas não está certo. É injusto. Correm-se alguns riscos, mas não mais do que em outras atividades. Sendo uma atividade que envolve equilíbrio, velocidade e circulação na estrada é preciso algum cuidado, claro. Já me magoei bastante a jogar (brincar ao…) futebol… e gosto pouco de futebol. De bicicleta já ando há uns anos, já caí algumas vezes, mas nunca me magoei a sério. Azar? Sorte? Não sei, mas também não interessa, que assim continue.
As crianças normalmente correm mais riscos, à sua dimensão é certo, mas o facto é que são menos cuidadosas e conscientes. Por isso é imperativo acompanhamento parental e material adequado para uma normal evolução sem grandes sobressaltos. Já assisti a muitas quedas do meu filho, umas mais aparatosas do que outras, mas até agora sem grandes consequências. Houve uma que me fez pensar, mas para a frente é que é caminho.
Já passou por várias bicicletas e outras tantas fases. Já foi para todo o lado com ela, já a esqueceu a favor de outras coisas, já quis fazer provas. Prefere a terra ao asfalto e as descidas às subidas, e até ao plano! Está numa de, ocasionalmente, se divertir sem se sacrificar muito! Eu compreendo e acompanho. Também gosto de fazer três ou quatro passagens no mesmo local e regressar, mesmo um bocadinho chateado por ter sujado a bicicleta e o equipamento por tão pouco (quantidade não é qualidade!)…
Às vezes assusto-me com o seu excesso de confiança e à vontade, e com o que é capaz de fazer… A mãe nem se fala! Outras vezes rio-me. E alerto-lhe para rolar com cautela em locais que desconhece e nas vias públicas, para estar desperto para situações e reações imprevistas, para usar os dois travões em vez de apenas o traseiro. Percebo que a maior parte das vezes não me esteja realmente a ouvir, faz parte. Tal como faz parte aprender da pior maneira, por não me ter dado ouvidos.
Proporciono-lhe condições para andar, dentro das minhas limitações, e passo-lhe as ferramentas que podem minimizar os danos. Mas percebo que existem inevitáveis. Que faz parte desafiar, arriscar e querer ir mais além. E cair. Preocupo-me, não quero que caia, nem que se magoe. Sei que ele também não, mas, às vezes, "distrai-se"…

Vai para a ciclovia!

Foram-me relatadas buzinadelas… gritos… gesticulações agressivas!

Embora alguns automobilistas pensem o contrário, as vias onde existam faixas destinadas à circulação de velocípedes (ciclovias), não faz com que estes veículos estejam obrigados a circular nelas! O Artigo 78.º do Código de Estrada é esclarecedor:

“Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas.”

Sim, os utilizadores de bicicletas devem dar preferência a estas pistas especiais para a sua circulação, mas as coisas nem sempre são assim tão lineares e dependem das circunstâncias e do bom-senso. Não foi por acaso que se introduziu a palavra preferencialmente neste artigo na última revisão do Código da Estrada, em vigor desde 1 de janeiro de 2014.

Atente-se ao seguinte cenário como exemplo:
Domingo de manhã, dia agradável de sol e temperatura amena. Muitas pessoas e famílias aproveitam o dia de descanso e o bom tempo para atividades de lazer ao ar livre. Uns caminham, outros correm, outros ainda andam de bicicleta, de patins, de trotinetes. E fazem-no numa aprazível faixa litoral, com um passeio sobre o mar que engloba uma ciclovia. Um ciclista sai para a estrada para o seu habitual passeio matinal, equipado a rigor com a sua bicicleta de estrada. Ao atravessar a cidade opta por utilizar também a referida via. De notar que esta possui duas faixas de rodagem no mesmo sentido. Tendo em conta o facto de ser plana e com bom piso, mesmo imprimindo uma toada relativamente calma, uma bicicleta de estrada nestas circunstâncias vai circular sempre depressa demais para uma ciclovia, que nestas condições, terá inevitavelmente a presença de peões, tanto adultos como crianças.

Mas existem outros cenários e existem ciclovias que apenas pela sua conceção e localização são pouco apelativas à sua utilização, seja por conveniência, seja acima de tudo pela segurança, ou falta dela. Num mundo perfeito as ciclovias seriam irrepreensíveis na sua localização, nos acessos e dimensão. Não teriam a presença de peões e seriam em número suficiente, concebidas tanto para o lazer como para a utilização da bicicleta como meio de transporte diário. Estando nós muito longe dessa realidade, os automobilistas terão de se habituar à ideia de partilhar a estrada com outros veículos que não automóveis, fazendo-o com a naturalidade e o bom-senso que a situação impõe. Da mesma maneira, na falta de condições para o fazer numa ciclovia, os utilizadores de bicicletas deverão utilizar estas mesmas estradas de forma assertiva, preservando a sua segurança e minimizando possíveis efeitos negativos na fluidez do tráfego.

Velocidade de cruzeiro, ou não!

Segunda-feira, primeiro dia da última semana do mês. Um dia muito agitado na cidade de Ponta Delgada. Estavam quatro navios de cruzeiro atracados! Para uma cidade pequena, considerando todo o movimento inerente e o número de passageiros desembarcados, o congestionamento no trânsito foi um dos primeiros sinais de que algo fora do comum se passava. Isso se se estivesse muito distraído e não se reparasse na forte presença que estes barcos impõem.
Não sou grande adepto, confesso. Por isso vai ser difícil apanharam-me a tirar fotografias ou “selfies” com os ditos a servirem de pano de fundo. E também ainda não consegui perceber o real impacto da sua vinda, medindo os prós e os contras de forma rigorosa. Mas isso já é outra conversa…
Hoje, mais do que nunca, nem quero ouvir falar do carro, até porque já senti a lentidão do trânsito logo pela fresquinha, inevitavelmente. A bicicleta sim, faz todo o sentido, mesmo sabendo que terei de andar com especial atenção na ciclovia do costume por causa do anormal fluxo pedonal, situação que (já) não me chateia especialmente. Se quero que os automobilistas sejam compreensivos comigo também tenho de o ser com os peões. Faz parte.
Filas de trânsito automóvel compactas e a moverem-se a passo de caracol, em ambos os sentidos da marginal. O menor volume da bicicleta permite desenvencilhar-me da lenta progressão, mas com calma e cautela. Foi com agrado que vi alguns condutores facilitarem-me a passagem, o que agradeci com um baixar de cabeça. Também houve quem tentasse atrapalhar, mas este não merece destaque.
Com o recurso à bicicleta não tive de fazer nenhuma alteração especial à minha rotina diária. Já com o automóvel, as coisas foram um bocadinho diferentes…

Do “Fit” e do “Detox”

Sou um adepto convicto do exercício físico e de hábitos de vida saudáveis. Mas muito pouco fundamentalista. Comecei relativamente tarde, mas já fiz um pouco de (quase) tudo.
Hoje, revejo-me menos em ginásios e menos ainda em manias que se instituem de certos exercícios, da alimentação e da suplementação alimentar. Sim, gosto de aveia e de chá, mas recuso a euforia "detox". E gosto de ginásios, embora já não frequente, pois não faltam locais para exercitar o corpo muito mais acessíveis e aprazíveis. Não meço nem partilho tempos, quilometragens, calorias.
Pensar no bem-estar físico não é ir ao ginásio e comer saladas, é ter alguma parcimónia sentado à mesa (mas com direito a excessos ocasionais) e fazer trocas tão simples como ir pelas escadas em vez de ir no elevador, ou ir a pé em vez de pegar no carro para fazer uma deslocação ridiculamente curta.
Adoro bicicletas e faço por as usar, até pela sua componente prática e utilitária onde se junta o útil ao agradável, para além do lazer e do desporto. Mas lá está, nem toda a gente tem de gostar ou andar de bicicleta...
Coisas tão simples como caminhar à beira mar ou no meio da natureza são física e mentalmente revigorantes. O corpo e a mente devem ser trabalhados em equilíbrio e harmonia.
Não, não quero viver até aos cem anos e envelheço sem complexos, mas o tempo que viver que seja o melhor possível, até porque quando outros departamentos da vida falham, neste a satisfação pessoal está garantida.

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