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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

03.10.19

"Água de Coco"


Rui Pereira

Arrasto-me. Cansado, desidratado. Peso nos ombros, cabeça baixa. Os pensamentos negativos debilitam-me o corpo, ainda mais. Visão turva, músculos entorpecidos. Progrido lentamente, penosamente. Focado no destino, desesperando a chegada. Sigo indiferente, isolado. Que sacrifício! Que gosto é este?! Estou cansado, tenho fome. Quero parar, tenho sede!

02.10.19

O mar de “Lorenzo”


Rui Pereira

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Mais um temporal, mais marcas que ficaram.
Por mais que estejamos habituados, custa sempre!
Contigências de viver no meio do Atlântico.
A oriente, fomos poupados, mas a natureza mostra o seu poder.
O mar fustiga a terra enraivecido, numa luta desigual.
Mais do que a atração pelo trágico, é a sua beleza que cativa.
É sempre belo!
Em contemplação, esmagado pela sua imponência.
Apanhando o vento salgado de sul…

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01.10.19

Pose!


Rui Pereira

Peguei-lhe pelo braço e disse:
- Vamos!
Ela acedeu.
Iniciei o diálogo, a tentar medir-lhe o pulso.
Impávida!
A caminhada leva-nos por caminhos algo tortuosos.
Apercebo-me da dificuldade…
Nisso, ela reage com brusquidão!
Ia perdendo o equilíbrio…
Mas não vacilei.
- Olha, vamos por aqui!
Fomos sem oposição.
Avistamos o mar.
- Paramos?
Não responde. Apenas posa relaxada para a fotografia.

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30.09.19

Piões


Rui Pereira

Enrola, atira, gira, roda, rola…

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Enrola, atira, roda, gira, toma, rola…

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Sinto o mesmo gosto. A mesma satisfação de conseguir lançar o pião com êxito!
Estava na primária e lembro-me. Sair da escola a correr, lanchar à pressa e ir jogar ao pião, incansavelmente.
Eu e os outros.
Existem coisas que nunca se deixa de gostar. Coisas que nunca se deixa de saber fazer…

27.09.19

Eu penso, ela faz!


Rui Pereira

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Arranca à pressa para não ter de, mais uma vez, regressar quando já o sol se pôs. Os dias mais curtos não desmotivam a vontade de dar mais umas pedaladas. Mais do que a prática física em si, que acaba por ser limitada, está em causa aproveitar o dia da melhor forma possível e esperar que o vento que lhe bate na cara alivie também a carga negativa que traz consigo, após mais um dia de trabalho.
A mim, que tenho a mania da perfeição, irrita-me a leviandade com que lida com certas situações, mas depois, num breve momento introspetivo, admito que às vezes devia pensar menos e fazer mais, como ela.

27.09.19

Um senhor!


Rui Pereira

Habituei-me a ser o sobrinho. Apesar de ser o mais velho dos primos, sempre fui do grupo dos rapazes e não dos adultos. Ainda sou!

Tenho 43 anos. Envelhecer não me apoquenta, nem mesmo a ideia da morte. Digo, sem modéstias, que estou numa das minhas melhores formas físicas de sempre. E não só. Já fui mais novo, claro, mas demasiado limitado e velho de espírito e mentalidade!

Hoje falava com um miúdo no ginásio. Claramente um endomorfo. Mais uns centímetros na altura e 20 quilos do que eu. Dizia-lhe que tinha uma boa base para ficar com um corpo porreiro se se dedicasse. Queria eu, ectomorfo conformado que sou... Perguntei-lhe a idade – 23 anos!

Fogo! Tenho mais 20 anos!

Lixado, porque se tivesse a atitude e o conhecimento que tenho hoje, e tivesse 23 anos… Mas orgulhoso, por ter mais 20 anos e servir de exemplo!

Só dou pela idade através da lentidão da recuperação física, seja de um exagero, asneira ou lesão. E pela rapidez com que se apanham. Por causa do sacana do meu joelho esquerdo. Lapsos de memória. E a pior de todas, quando pessoas mais jovens, não necessariamente crianças, me tratam por senhor!

Senhor?!

Eu que sempre fui dos rapazes? Eu é que chamava por senhor aos outros!


*Até a música que ouço é música de rapazes, mas rapazes do século XX...