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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

14.10.19

Ciclista profissional


Rui Pereira

- Ah, se tivessem dito mal de ti não vinhas para aqui falar nisso!

Muito provavelmente!

Não tenho uma profissão, tenho um trabalho. Um trabalho que nada tem a ver com a minha formação. Um trabalho não especializado que qualquer pessoa faria sem grandes problemas.
Não é o melhor trabalho, nem o que realmente gostaria de estar a fazer todos os dias, mas, o facto, é que preciso dele. E é por isso que tento focar-me nas coisas positivas deste.
Atenção que não tenho paciência para a importância relativamente recente, fortemente impulsionada pelas redes sociais, da gratidão e do positivismo exacerbados, mas, neste caso, a minha postura é mesmo essa, como forma de viver melhor o meu dia-a-dia.
Às vezes tenho de atender pessoas. Se as compensações intrínsecas nem sempre são suficientes agarro-me às externas. E as pessoas normalmente gostam de mim e algumas têm a amabilidade de o dizer ou demonstrar.
Posso não gostar muito daquilo que faço, mas os outros não têm culpa disso!

- O amigo tem a minha arma!
- Eu tenho a sua arma?!
- Sim, tem a minha arma!
- E qual é a sua arma?
- É ser bem-educado!

10.10.19

“Filmes de gajos”


Rui Pereira

E por causa disso dos filmes de ação – “filmes de gajos”, como lhes chamo - e de atores como Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Chuck Norris…

Na escola, gostava das aulas de educação física, mas era dos últimos a ser escolhido para formar equipa; nunca tive ligado a nenhum clube ou equipa, nem tinha qualquer atividade extracurricular; não tinha grande forma física e era muito pouco ágil; o exercício físico que fazia resumia-se essencialmente a andar de bicicleta e jogar à bola com o meu irmão e amigos, que com o passar do tempo foi sendo cada vez mais raro…

Só comecei a prática regular de exercício com 19 anos, cedo para alguns, mas muito tarde para outros, inclusive para mim. Musculação, claro! Influências dos filmes? Talvez. Entretanto passei pelo Karaté e muitas outras atividades “fitness”, até hidroginástica, sempre com a musculação como base.

Era obstinado. Saía disparado do trabalho para o ginásio e, muitas vezes, só de lá saía quando fechava. Passei por várias fases, ora mais ora menos motivado. O único interregno que fiz durou cerca de 3 anos.

Voltei, mais calmo e descontraído, mas determinado. Muito pedalei. Deixei os ginásios a favor do exercício ao ar livre e em contacto com a natureza. Continuei a pedalar, e não só!

Mais recentemente, e por causa do futebol, desporto pelo qual nunca nutri grande gosto ou simpatia, voltei ao ginásio e à musculação. Não foi um esforço. É uma das minhas modalidades de eleição e é uma forma de aproveitar o tempo. O tempo do treino de futebol. O futebol que o meu puto pratica. O futebol que passei a ver com outros olhos, por razões óbvias, mas que nunca será a minha modalidade.

Filmes com atores de corpos trabalhados, tiros e pancadaria com fartura, perseguições malucas, algumas(?) mentiras à mistura… se calhar influenciaram-me de forma determinante… e sim, definitivamente e também por isso, continuo a gostar de “filmes de gajos”!

07.10.19

Furo!


Rui Pereira

furo_pneu.jpg


Não acontece só aos outros, já devia sabê-lo
Ao tempo que não saía com alguém para um passeio de bicicleta. Foi... não, era ontem!
Despertador ativado para as 07H30, equipamento, pequeno-almoço e bicicleta preparados de véspera.
Saí cedo e vim nas calmas a experimentar percursos…
Até que um tic-tic-tic começa a soar. Ignorei, mas como persistia, parei…
Um pionés enfiado no pneu!
Material para resolver isso?
Tenho tudo… em casa!
Foi para lá que liguei para me virem buscar.
Cheguei mordido, mas troquei de bicicleta e voltei a sair… sozinho.
Toma que é para aprenderes!

04.10.19

A Cultura da Bicicleta!


Rui Pereira

A minha relação com a bicicleta vai muito para além do ter. Podia ser apenas uma, não é o caso, mas este facto é indiferente.
De uma simples compra, que mesmo assim envolveu algumas centenas de euros, seguiram-se outras, e elas, as bicicletas, foram ganhando outro estatuto. Transformou-se a forma de as encarar e utilizar. Alteraram-se os atributos prioritários.
De pessoa que tem uma bicicleta passei a ser um convicto utilizador da bicicleta ou, um ciclista não competitivo. Por desvalorizar a competição e ser um bocado indiferente às últimas e tão badaladas soluções tecnológicas, nem sempre sou bem compreendido ou aceite pelos meus pares. Mais uma vez, indiferente.
Revejo-me muito mais na função simples e básica da bicicleta, em comunhão com a pureza e beleza das linhas de sempre!
Algumas delas passaram da garagem para as outras divisões da casa e acumulam funções, as básicas com a de peça decorativa. Começaram a invadir voluntariamente a minha vida nas roupas, nos acessórios, nas leituras, na escrita…
Até posso não pedalar tanto como seria suposto, mas a bicicleta não é apenas isso. É um estilo de vida. É uma cultura. E eu alimento esta cultura…
A Cultura da Bicicleta!

veloculture.JPG

03.10.19

"Água de Coco"


Rui Pereira

Arrasto-me. Cansado, desidratado. Peso nos ombros, cabeça baixa. Os pensamentos negativos debilitam-me o corpo, ainda mais. Visão turva, músculos entorpecidos. Progrido lentamente, penosamente. Focado no destino, desesperando a chegada. Sigo indiferente, isolado. Que sacrifício! Que gosto é este?! Estou cansado, tenho fome. Quero parar, tenho sede!