Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

14.06.19

Ser ilhéu…


Rui Pereira

É sentirmo-nos apertados pela constante presença do mar, mas não conseguir viver sem ele.
É ter o território partido em nove bocados no meio do nada, mas encará-los como se fossem um só.
É sentir a inclemência da mãe natureza, mas também ser brindado com o melhor que ela tem para dar.
É lamentar-se o isolamento, mas depois viver em pleno todo o misticismo destas ilhas de bruma.
É olhar o céu em busca de um sinal do tempo e avistar o milhafre que nos patrulha.
É viver a um ritmo muito próprio. Calmo, paciente… Às vezes, inquieto.
É ser fechado, desconfiado, desconcertante e até rude no trato, mas também ser o melhor dos amigos perante quem vier por bem.
É querer sair da ilha, mas depois ter pressa de voltar.
É ser pequeno, mas ter a alma do tamanho do oceano que nos rodeia.
É pegar na bicicleta e percorrer estradas como se fossem carreiros de um grande e lindo jardim, tendo sempre o mar como companheiro...

11.06.19

Nova imagem!


Rui Pereira

Eu disse que ela era uma artista. Ela disse que era um exagero. Eu retifiquei e disse que ela era meia artista. Ela fez uma curta, mas complexa teoria sobre metades e sugeriu ser artista de palmo e meio…

Confesso que, depois de ver alguns dos blogues por si intervencionados, gostava que o meu também fosse alvo de algo semelhante. Mas dificilmente lho pediria. Por vergonha. Para não lhe estar a ser inconveniente…

Talento na escrita e na imagem. Assertividade, imaginação, bom gosto e sentido estético…

Nunca gostei da Alice no País das Maravilhas... Até que Tim Burton fez a sua versão e fiquei rendido. Fã da Alice e do Chapeleiro… Com a Gaffe é a mesma coisa!

Obrigado.a_gaffe.jpg

11.06.19

SKIDS!


Rui Pereira

«… doíam-me músculos que nem sabia que existiam!»
É uma expressão muito dita, mas que pessoalmente não utilizo, embora saiba perfeitamente o que são dores musculares incapacitantes advindas de exercícios a que o corpo não está rotinado.
Domingo acordei determinado. Omelete para o pequeno-almoço e direito à garagem para trocar os pneus à fixie. Objetivo: SKIDS!
Um skid é uma manobra que consiste em bloquear a roda traseira de uma bicicleta de carreto fixo sem recurso a travões auxiliares. Basicamente é parar os pedais e respetiva roda com a força das pernas. A técnica inicial é teoricamente simples (velocidade adequada, pedais paralelos, perna dominante empurra o pedal para baixo, a outra puxa o outro pedal para cima e alivia-se a roda traseira do peso do corpo), mas exige treino e alguma destreza. É preciso alguma força e sobretudo jeito, que se adquire com a prática.
Já tinha tentado e feito tímidos skids, essencialmente em superfícies com pouco atrito que me facilitavam o bloqueio da roda traseira. E também já me tinha capacitado que não era manobra para mim. Mas mudei de ideias.
Uma bicicleta de carreto fixo pode ser muita coisa, menos permissiva. Hesitas? Falhas? Atrapalhas-te? Ou tens sorte ou pagas por isso. Algumas tentativas foram mais ou menos falhadas, mas estava tão determinado a conseguir fazer skids que o resultado acabou por ser muito positivo. Não posso dizer que domino a técnica e acho que nunca o vou poder dizer, mas já tenho uma noção geral de como fazê-lo, seja por vontade, seja por necessidade.
Resultado: Sorriso (apreensivo) no rosto da satisfação de atingir (minimamente) o objetivo… e umas dores nas pernas, algumas, em músculos que nunca tinha sentido!

06.06.19

«Eh pá, tu também pegas de cabeça com bicicletas!»


Rui Pereira

Não pego necessariamente de cabeça, mas sim, gosto muito e estão muito presentes na minha vida. Por princípio, conveniência, liberdade, exercício físico e prazer.
No entanto, sou o primeiro a afirmar que nem toda a gente tem de andar de bicicleta. De facto, existem muitas vantagens na sua utilização, mas tendo em conta as necessidades e as circunstâncias individuais, isso não tem de ser exatamente assim.
Há quem tenha limitações físicas, quem tenha outras alternativas e preferências relativamente ao exercício físico e ao lazer, quem não tenha necessidade ou possibilidade de utilizar uma nas suas rotinas diárias. E há quem não goste de bicicletas nem de pedalar, e prefira simplesmente andar a pé.
As bicicletas estão na moda. Mas mais do que estar na moda, estão a ser encaradas, e bem, como uma ferramenta muito útil para a mobilidade, para a saúde e para a qualidade de vida das pessoas. De brinquedo para crianças ou de veículo no fundo da hierarquia dos meios de locomoção, para excelente aliada no exercício físico e competente alternativa ao automóvel em meio urbano.
Também se pegar de cabeça com bicicletas, não me faltam motivos para isso!

05.06.19

Incompreensível


Rui Pereira

Este fim de semana o meu filho participou num evento desportivo. Foram dois dias praticamente dedicados a isso. Ele tinha de (e queria) lá estar o dia inteiro, mas eu não, portanto, foi um vai e vem constante entre ir levá-lo, assistir aos seus jogos e ir buscá-lo. Nisso assisti, parvo, a algumas situações!
O recinto desportivo em causa tem estacionamento próprio, mas o seu acesso estava condicionado, como será fácil perceber tendo em conta as circunstâncias. Em alternativa, havia um parque de estacionamento muito próximo e com todas as condições, propositadamente aberto para o efeito. Numa resistência flagrante vi pessoas que fizeram tudo para não ter de andar uns míseros metros a pé, preferindo estacionar as suas viaturas em condições (para mim) duvidosas e nalguns casos a requerer habilidade de manobras… só para não ter de andar uns míseros metros a pé, repito!
Soube inclusive no dia seguinte, pela boca do próprio, que depois de barrada a entrada no recinto e sugerido o estacionamento no respetivo parque, desistiu da intenção de lá ir… para não ter de andar uns míseros metros a pé, repito novamente!
Que resistência é esta para nos deslocarmos da forma mais natural possível?!
Incompreensível…

04.06.19

FIXED - Global fixed-gear bike culture


Rui Pereira

Uma bicicleta de carreto fixo, não é apenas uma bicicleta de carreto fixo. Por detrás destas peculiares bicicletas existe toda uma cultura muito própria.
Nos velódromos e nas ruas, estas marcam a diferença e destacam-se por isso mesmo. De ferramentas de competição e de trabalho a verdadeiros exercícios estilísticos, quem rola numa bicicleta de carreto fixo será sempre alguém fora da bolha!
Há muito tempo que ando atrás do livro FIXED – Global fixed-gear bike culture. Valeu-me o meu primo que, do outro lado do Atlântico, encontrou um exemplar e teve a amabilidade de mo oferecer. Obrigado André!

fixed_book.jpg
FIXED - Global fixed-gear bike culture: Andrew Edwards, Max Leonard


Já o folheei. Para além do texto referente às várias abordagens possíveis a esta cultura, existem 378 espetaculares ilustrações para apreciar. É um livro fantástico. E mais um elemento que faz vir ao de cima aquilo de que realmente gosto, fazendo-me organizar novamente as minhas ideias, preferências e prioridades ao nível ciclístico!
Qualquer dia sacrifico a minha “bicicleta mais moderna” como forma de patrocinar um projeto personalizado de montagem de uma fixed-gear de raiz…

31.05.19

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”


Rui Pereira

Na sequência da publicação Ao cuidado dos senhores "ciclistas" da Pequeno caso sério, escrevi o seguinte comentário:

A melhor de forma de perceber a implementação destas medidas é pegar numa bicicleta e ir com ela para a estrada. Quando de repente sentir uma caixa sobre rodas, com mais de uma tonelada e embalada a velocidade considerável, passar a centímetros do cotovelo, tudo fica mais claro…
As leis existem para minimizar estas situações e fazer com que os automobilistas, na presença de uma ou mais bicicletas, procedam à manobra de ultrapassagem à semelhança do que fazem na presença de outro automóvel, em vez de forçar a passagem.
Por outro lado, sou o primeiro a criticar o comportamento abusivo de certos ciclistas, que fazem questão de impor a sua presença e a lei que os defende à força. Sei que posso circular a par, em certas e determinadas situações*, mas se posso facilitar a passagem dos automóveis faço-o, até porque também sou automobilista e percebo os constrangimentos…
* ("Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito." - Ponto 2 do Artigo 90.º do Código da Estrada)

De facto, existe uma diferença muito grande entre um automóvel e uma bicicleta. Seja pelo seu impacto físico, pelas velocidades atingidas, como pela sua capacidade de provocar danos. Uma bicicleta é um veículo muito menos impactante e muito mais vulnerável, é indiscutível. Portanto, é normal que não lhe sejam imputadas as mesmas exigências. Num "frente a frente" não será difícil identificar o elo mais fraco, pois não?
Recomenda-se outra atitude na sua presença, mais cuidada e tolerante. Mas isso não legitima comportamentos impróprios daqueles que estão aos seus comandos, porque se é pretendida outra atenção, também é preciso ser, ou pelo menos tentar ser, exemplar a esse nível.
Mais uma vez o meu apelo vai no sentido do bom-senso e da cortesia de ambas as partes. Por exemplo, se fica bem a um automobilista ceder passagem a um ciclista num cruzamento, também fica bem a um ciclista sair da formação de par para facilitar a passagem de um automobilista.
Ontem um automobilista cedeu-me gentilmente a passagem, sabendo de antemão que eu ia ficar à sua frente numa via em que não seria fácil ultrapassar-me. Hoje cedi passagem a um automobilista, sabendo que o seu automóvel ia engrossar ainda mais a fila que tinha pela frente.
É tudo uma questão de nos colocarmos no lugar dos outros!

30.05.19

Braço de ferro!


Rui Pereira

Continuo a deparar-me com uma opinião generalizada de quem não anda de bicicleta, que os ciclistas na sua maioria têm um comportamento desapropriado e abusivo nas estradas. Este é um braço de ferro que persiste.
Pessoalmente e na prática, não tenho grandes razões de queixa. Têm existido algumas situações menos boas, onde apenas uma foi mesmo muito má, mas assumo também ter contribuído para gerar um comportamento péssimo por parte do automobilista.
Continuo a assistir ao discurso da atribuição de obrigações aos ciclistas – dos seguros obrigatórios, da roupa (coletes) refletora, das aulas de código e de condução, entre outros – tão desapropriados quanto dizem ser o comportamento dos mesmos.
Vamos criar ainda mais entraves e dificuldades a algo tão positivo que é uma das soluções para o melhorar da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, mas que paradoxalmente faz surgir tanta resistência à sua adesão?!
Mas existem outros argumentos que os automobilistas utilizam e com razão, como é o caso da falta de iluminação na circulação noturna, a forma incorreta de circular a par e a postura de indiferença e falta de bom-senso perante os restantes utilizadores da estrada.
Se apelamos ao cuidado na nossa presença, como ciclistas, também devemos circular na estrada de forma correta, mostrando uma atitude baseada no bom-senso e na cortesia, mesmo quando o cenário não for o melhor. A indiferença só deverá ser utilizada perante pressões e provocações, em vez de sermos coniventes e estimularmos comportamentos errados, até porque esta pode muito bem ser uma das formas de não estar a perpetuar este braço de ferro escusado!