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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

11.05.16

A minha BTT e uma espécie de despedida!


Rui Pereira

Depois de muito tempo a fazer saídas de BTT, sozinho ou em grupo, e depois de outro tanto sem pegar na BTT devido a um impedimento físico, resolvi sacudir o pó desta minha bicicleta vocacionada para as atividades ciclísticas mais radicais e para a terra. Uma relação recente marcada pelo afastamento físico, equilibrada com a lembrança de muitos momentos de prazer aos seus comandos, onde percebi inúmeras vezes o que é estar em estado de fluxo!
Desta feita, logo estranhei o seu tato mole, peso e dimensões, tal como a sua menor desenvoltura e rapidez em estrada, para não falar naquela zoada caraterística dos pneus cardados no asfalto. Nada disso era novidade, apenas estava esquecido e pouco habituado a bicicletas com suspensões e pneus gordos. Tentei fazer algumas incursões fora de estrada, já que estava de “trator”. Gostei e não esqueci tudo, mas aqui a menor desenvoltura era, sem dúvida, minha, não dela.
Mas não era só falta de hábito, senti uma resistência interior. Algo não estava a fazer sentido.
Não sei se é da idade, do trauma do joelho, do facto de circular sozinho, das minhas prioridades ciclísticas atuais, ou talvez sejam todas estas circunstâncias juntas, mas já não sinto a BTT como a sentia. Esta já não é a minha vertente favorita…
Um dia depois, lavei e lubrifiquei a bicicleta, como se fosse um ritual de despedida, ao contrário de outras alturas em que o fazia com o objetivo de lhe deixar pronta para o próximo domingo.
E se calhar foi mesmo uma despedida. O facto é que ela está pronta, não para sair, mas para ficar… Até um dia, talvez!