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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

16.02.17

Blogue de bicicletas


Rui Pereira

Sei, por experiência própria, que a relação com um blogue passa por diversas fases. Podendo ir do grande entusiasmo ao desencanto. Este meu regresso ainda é relativamente recente e vive momentos de inspiração e motivação. Também é verdade que a experiência e a maturidade deixaram de lado possíveis expetativas, o que me faz encarar todo o processo com mais tranquilidade.
As estatísticas são irrelevantes, até porque pela temática abordada este nunca será um blogue de massas. Mais do que o número de visitas, prefiro destacar a simpatia e a atenção das mesmas. Pessoalmente, tenho recebido felicitações e incentivos para continuar, o que me deixa agradado e grato.
Como já referi, embora não ande de bicicleta para ter matéria para o blogue, é inegável que tenha atualmente uma dinâmica e uma atenção diferentes, já que uma coisa leva à outra. Tanto a escrita é motivo para andar, como andar é motivo para escrever. E quem diz andar, diz estar mais informado e envolvido com o meio.
Cá na ilha as bicicletas vivem um bom momento. No que diz respeito à competição e ao lazer, no surgimento de espaços comerciais dedicados e na preferência de se ter uma bicicleta como companheira para a prática de exercício físico. Como meio de deslocação e transporte as coisas ainda estão muito aquém do esperado, com algumas tentativas pontuais a surgirem de forma envergonhada. Quanto à procura em geral, julgo que esta estabilizou, depois de ter atingido o seu pico num passado relativamente recente.
A minha posição perante as bicicletas e o meio ciclístico em que me insiro, não sendo única, é diferente da maioria. As prioridades são outras, tal como a descontração. É exatamente estas que defendo aqui fazendo uso de palavras e imagens. Julgo que se vive alguma pressão escusada, mal que não afeta só as bicicletas, mas que é transversal a todas as áreas da sociedade.
Estou satisfeito com este blogue. Tem a imagem que queria e trata daquilo que gosto, como gosto. Este é um blogue que, se não fosse meu, gostaria de acompanhar. É um blogue onde falo de bicicletas de forma simples e honesta, e onde mostro retalhos contextualizados da minha ilha - São Miguel - com muito orgulho!


O zabela e a besuga têm um blougue!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Só para vocês ficarim a sabê mió...
Quem é que a gente sã?
- O zabela é o zabela. E a besuga é uma bcecléte normal com duas rodas, volante, banco e pedales. Nã, a besuga é uma bcecléte especial de corridas! Ah, ela nã fala, mas ê falo por ela.
Como é que aparecê esse blougue?
- Entã tava bim dêtchado na minha cama quando senti uma dô forte nos pêtches, como se tivesse levado uma cotevelada nas aduelas, e lembrê-me:
- Ême, ma que vou fazê um blougue!
Já tã même a vê que fou de rebindita. E fou même!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

15.02.17

Bicicletas vs. motas – Capítulo final?


Rui Pereira

As motas já não fazem sentido para mim!
Já foram a minha maior paixão material, mas gradualmente esta paixão transitou para as bicicletas. Paixão baseada na razão e numa mudança pessoal de perceção e consciência.
A grande mais valia das bicicletas, às quais rendi-me completamente, é conjugarem o prazer e o desafio de andar nelas com a prática do exercício físico inerente. Para além disso, são mais leves em todos os sentidos, práticos e teóricos.
Mesmo ao nível da funcionalidade, para a qual ainda mantenho uma scooter de 125cc, existem as bicicletas elétricas, que no meu caso específico, substituem perfeitamente a primeira, algo que terei de ponderar em breve, já que em primeira análise indicia diversas vantagens.
Existe sempre algum risco a andar de bicicleta, mas consigo tirar tanto ou mais prazer da sua condução e sinto-me muito mais seguro. Com elas tudo é mais fácil e moderado. Atualmente, intimidam-me as velocidades e toda a massa e inércia de uma mota.
Para alguns, este texto fará tanto sentido como as motas para mim neste momento. Eu próprio já condenei outros que davam conta deste facto. Esta comparação e reflexão é algo que tenho vindo a fazer, até porque a mudança dos motores para os pedais aconteceu efetivamente.
Não sou indiferente às motas e estou perfeitamente capaz de as apreciar, mas já não sinto aquilo que sentia, ou seja, não sinto aquele desejo e fascínio que só quem já sentiu sabe o que é. Já não as quero ter.
De uma certa forma, as bicicletas trouxeram-me outro enquadramento e outra consciência da vida, das circunstâncias atuais e do ambiente que me rodeia. Deram-me uma nova visão, mais adequada e realista, em sintonia com as minhas caraterísticas, preferências e princípios. Ajudaram-me a caminhar para onde realmente queria ir.
As bicicletas, agora, fazem todo o sentido para mim!

14.02.17

Equilíbrio sobre duas rodas


Rui Pereira

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Sou um admirador confesso das bicicletas de equilíbrio, já que são a melhor forma de aprender a andar de bicicleta. Já falei várias vezes sobre elas, sendo que a minha referência dá pelo nome de Specialized Hotwalk, embora existam inúmeras marcas que apresentam propostas do conceito. Esta bicicleta, que permitiu ao meu filho uma aprendizagem rápida, natural e autónoma, anda lá por casa há cerca de 10 anos. E veio para ficar, já que não queremos desfazer-nos dela. O rapaz tem crescido e já tem outra adequada ao seu tamanho, mas o certo é que ainda anda com a pequena Hotwalk. É como se fosse uma espécie de transporte dentro de portas e veículo para manobras radicais. Ainda hoje reparei nela. Lá estava junto às maiores. É pequenina, mas tem uma grande presença!

 

2 anos de idade!

13.02.17

De BTT no Pinhal da Paz


Rui Pereira

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Domingo foi dia de juntar o útil ao agradável. A possibilidade de testar uma bicicleta elétrica fez-me tirar a FSRxc do vão da escada e levar-lhe para a estrada. Para a terra, queria dizer, que é o ambiente onde está mais à vontade. Infelizmente tenho saído muito pouco com esta bicicleta porque não gosto de fazer btt sozinho...
O local escolhido para o teste foi a Reserva Florestal de Recreio do Pinhal da Paz, portanto, melhor escolha seria difícil. Este parque é simplesmente magnífico e permite um contacto ímpar com a natureza. Tem muitas possibilidades de uso, estando dotado de todas as infraestruturas necessárias. Fazer caminhadas, correr, andar de bicicleta, fazer circuitos de treino físico, ou simplesmente passear. Tem um parque infantil, permite a contemplação de animais (aqui já tenho algumas reservas!) e fazer grelhados e merendas nas inúmeras zonas destinadas para o efeito. Como se não bastasse, está bem localizado e é muito acessível. Por incrível que pareça, é muitas vezes esquecido, e contra mim também falo.

 

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Para andar de bicicleta não faltam condições e opções. O piso é dominado pelo cascalho vermelho mais ou menos batido, mas existem outros tipos dependendo das zonas, sendo que algumas podem ser bastante escorregadias. São imensos caminhos para percorrer, nas mais variadas inclinações, e aqui e ali, ainda existem umas variantes mais técnicas. Um recreio, portanto.
A minha velhinha Specialized sempre igual a si própria, sempre disposta, sempre fiel, sempre suave com a sua suspensão total e sempre pronta para as curvas. Após mangueirada à pressa, lá ficou a aguardar novas solicitações. E parece-me que vai, ou melhor, vamos ter sorte.
Este domingo foi dia de voltar à terra e em boa hora!

13.02.17

Teste elétrico – Specialized Turbo Levo HT Comp 6Fattie


Rui Pereira

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Ontem tive oportunidade de experimentar uma bicicleta de BTT elétrica. Tal como indica o título deste texto, uma Specialized Turbo Levo Hardtail Comp 6Fattie.
Bom, para começar posso dizer que o que possa cansar dizer o seu extenso nome é largamente compensado aos seus comandos, perante aqueles obstáculos naturais do terreno que nos obrigam a um esforço adicional para os transpor - subidas!
Esta foi a terceira bicicleta com assistência elétrica que tive o prazer de experimentar e a segunda destinada ao fora de estrada. E de longe a melhor. É certo que também se faz pagar por isso, mas apresenta diversos atributos que fazem dela uma das referências neste segmento.
Não vou aqui entrar em pormenores técnicos, por achar não serem relevantes para o caso, mas o comportamento da bicicleta é muito natural e intuitivo. O acréscimo de peso da tecnologia não se faz sentir. O motor assiste assim que iniciamos a pedalada, o que permite uma progressão muito fluída. Considerando a sua ação e a margem de manobra ao nível das mudanças, é enorme a sua abrangência. Os pneus gordos (650bX3.0) dispensam uma suspensão total e o conforto que proporcionam tem correspondência na segurança que transmitem. O nível de assistência pode ser configurado de acordo com as necessidades.
Gosto e acredito no conceito das bicicletas elétricas, principalmente numa utilização diária como meio de locomoção e transporte, mas uma bicicleta como esta Turbo Levo pode fazer todo o sentido para quem quer usufruir dos trilhos e da natureza de uma forma muito mais cómoda e descontraída.
Agradeço à empresa Carreiro & Comp. Lda. pelo teste e por me ter proporcionado a sensação momentânea de estar fisicamente ao nível dos melhores!

10.02.17

Negócio de bicicletas


Rui Pereira

Às vezes, sentado ao computador a ver uma página de internet de uma loja de bicicletas, começo a divagar num sonho acordado, em que me vejo na liderança de um negócio semelhante. Acredito que quem viva minimamente as bicicletas, que é mais do que apenas andar nelas, já tenha sonhado com algo semelhante. Obter o sustento de algo que é tão significativo e importante para nós, não é trabalho, é satisfação, é realização, é prazer!
Uma loja de rua, bem no centro de uma cidade, integrada no comércio tradicional. Um edifício antigo. Madeiras. Luz quente. Uma loja diferente, mais tradicional, mais intimista, um ponto de encontro, quanto mais não seja para dois dedos de conversa. Uma espécie de museu. Um local de produtos clássicos e robustos, combinando estética intemporal e parâmetros atuais. Aquela qualidade dos materiais de sempre, aquela manufatura manual. Bicicletas destinadas à sua função mais básica – a deslocação. E não só. Bicicletas à porta. Um espaço de contemplação. Um espaço de recordações!
De repente, sou puxado para uma realidade de compromissos, de legalidades, de custos, de exigências, de burocracia, de responsabilidades, de sustentabilidade! Realidade que me arrefece tanto como se tivesse levado com um grande balde de água fria! Acordo, embora acordado, e resigno-me… Não tenho nenhuma arte. Não construo, não restauro, não reparo. É mais um contra. Nada que o tempo e a experiência não contornassem. Mais o maior problema é o medo. O medo do fracasso, da incapacidade, do desconhecido, da dificuldade, da entrega, do incómodo!
E por isso mesmo, tiro o meu chapéu [capacete] a quem encara de frente esta pesada realidade e, contra tudo e todos, avança em busca da sua concretização!

09.02.17

Quedas


Rui Pereira

Cair de bicicleta é chato! É muito chato! Mas se ficarmos por aí, do mal o menos.
Aquela sensação de estarmos a perder o controlo é desagradável. Aquela iminência é aflitiva. Aquela aproximação do chão é medonha!
Mesmo que não cheguemos ao chão, é o suficiente para alterar a tensão e acelerar o coração!
Que se minimizem as consequências, materiais, mas essencialmente as físicas. Que se ponderem ou alterem comportamentos. Que nos sirvam de aprendizagem. Que nos tragam à realidade. Que nos apaguem a imagem de invencibilidade!
Mas que não nos demovam de um gosto. Não nos tragam constrangimentos nem lesões!
Às vezes até dão para rir de tão tolas que são. Que fossem todas assim.
O quê, uns arranhões? A pele renova-se, a pintura é que não!


Grande cafua
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ia na mecha com a besuga, bim imbalade... A descê!
A curvá, sim senhô, e de repent... O chã tava chê de sarrisca!
Travê, a maldita dê de rabe, aboiou-me p'lo á e fu drêt pó chã... De role!
Só parê quande dê uma grande cafua num poste de luz!
Tou chê de dôs, mas de pincel na mã...
A retocá os risques na besuga!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

08.02.17

Pedaladas seletivas


Rui Pereira

Com a idade vamos ficando mais seletivos. As saídas para pedalar já obedecem a uma pequena lista de critérios. Já há mais cuidado com alguns pormenores. Por exemplo, na consulta das previsões meteorológicas, que podem condicionar a escolha do local e da bicicleta a utilizar. Até porque normalmente pedalo sozinho e os imprevistos acontecem. Nada de grandes exigências, mas sim, sou mais criterioso. Por outro lado, se assumo um compromisso publicamente, baseado em determinados pressupostos e estes são alterados de forma imprevisível, a não ser que seja algo extremo, cumpro. Às vezes basta comprometer-me comigo mesmo. Outras vezes, cedo a contrariedades demasiado pequenas e não vou. Faço como que uma vingança a mim próprio, o que é parvo, até porque não é preciso dizer quem fica sempre a perder…


Amarrá o bode!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Um dia desses ia andá de bcecléte, ma mal tirê a malditcha da garage pega a chovê!
Ême, fiquê pa Dês me levá... Sorte macaca!
Noutres tempes cagava e andava, agoura...
Agoura ma que tou cada vez más fraquim, dê meia volta e voltê pa trás!
Ême, fiquê bim esmorecide!
Ódepous até fez sol, ma de rebinditcha já nã quis saí...
Fiquê fechade ámarrá o bode!
Ême, ê sê... Só um grande atlêmad faz viganças contra si propre!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.