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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

31.03.17

Choque tecnológico!


Rui Pereira

Motivado por toda a azafama e animação que se vive por cá com mais uma edição do Azores Airlines Rallye lembrei-me de uma situação. Não têm grande (nenhuma) relação, mas pronto.
Um dia entrei num stand de automóveis. Enquanto o vendedor, para me cativar, ditava orgulhosamente uma extensa lista de extras que um modelo em especial trazia, com certeza estaria longe de pensar que eu, mentalmente, a cada extra atribuía uma classificação. Curiosamente, sempre a mesma para todos eles – Fonte de problemas!
A falta de paciência e interesse não me permitiu perguntar se não tinham apenas o carro? Sem as “mariquices”? Sim, básico, simples, sem nada!
Já deve ter dado para perceber que, no que toca a algumas inovações e à tecnologia aplicada em certos ramos sou um bocado avesso. Tradicionalista, antiquado, chamem-me o que quiserem, não me venham é impingir tecnologia da moda, embrulhada com a capa da utilidade, para fomentar desejos consumistas, como se a minha vida dependesse disso!
Vivo muito bem sem estas “mariquices”! Aliás, até prefiro não ter de pagar por elas, que é da maneira que não me vão distrair, nem chatear no futuro. E ainda poupo dinheiro.
As minhas bicicletas são todas recentes, a mais “antiga” é de 2009. É um bocado ridículo usar esta palavra para adjetivar uma bicicleta que vai fazer oito anos, mas atualmente é mais ou menos assim que as coisas funcionam. Nem rodas 29 tem! Paradoxalmente, é a única com uma estrutura em alumínio, travões de disco hidráulicos e suspensões a ar. Ui!
As outras têm todas quadros de aço e componentes básicos de entrada de gama. São simples e baratas. E, por incrível que pareça, funcionam!

28.03.17

Compras, vendas, bicicletas e picos de felicidade!


Rui Pereira

Um dia destes um amigo contava-me que tinha um objeto que lhe trazia um custo fixo anual consideravelmente elevado. Não o usa, nem gosta especialmente dele, mas lá o tem e é um peso! Questionado sobre o porquê da sua compra não soube explicar. Mas referiu que no momento de tratar legalmente esta mesma aquisição o vendedor disse-lhe uma frase que ainda hoje lembra, não exatamente como foi proferida, mas sim o seu sentido, já lá vão alguns anos. Basicamente, o que a pessoa em causa quis dizer é que na nossa relação com certos bens materiais só existem dois momentos em que estamos realmente felizes com eles, exatamente a sua compra e a sua venda! Porque de resto é só ilusão, acrescentaria eu.
E o que é que isso tem haver com bicicletas?
Para uns tenho bicicletas a mais, para outros, por mais bicicletas que se tenha estas nunca são demais. Mas o que os outros pensam não me interessa muito, a não ser que possa eventualmente pensar como uns e outros acerca da minha própria realidade. Às vezes penso que se tivesse aquela bicicleta é que sim senhor! Ia fazer mundos e fundos, ia fazer milagres, não ia parar de andar…
Será? Talvez. Ou talvez não.
Claro que o material ajuda, não é novidade, mas também não faz os tais milagres! Mas as ilusões continuam por aí a fora e este passa a ser um meio de gerar desculpas.
A nossa atitude e a necessidade real, estas sim fazem muita diferença!
Ter uma bicicleta minimamente à altura das necessidades e a atitude certa é meio caminho andado para a relação dar certo, que é como quem diz, para ter momentos duradouros de felizes e prazerosas pedaladas, não tendo de ser necessariamente aquele topo de gama, de última geração, com todas as melhores especificações, que nos deixa a sonhar e a desejar ter. Mais reflexão, menos impulso!
Sim, porque até se pode ter a bicicleta mais completa e competitiva à disposição e não aproveitar nem metade das suas potencialidades; A bicicleta de alta precisão e sofisticação pode trazer mais constrangimentos, limitações e custos do que benefícios; A bicicleta poder ser uma máquina magnífica, supereficiente, extremamente bonita e altamente invejável, mas estar simplesmente sobredimensionada para o que se vai fazer com ela.
E não é difícil gastar o máximo que se pode, ou mais ainda, por pressões sociais e do meio, e depois olharmos para o que fizemos consumidos pelo arrependimento. Claro que também acontece pecar-se por falta, mas a tendência pende naturalmente para o excesso!
Pode este discurso ser uma forma de apaziguar alguns desejos e respetivos resquícios de insatisfação pessoal?
Sim, pode. Se calhar até é, mas o certo é que as minhas bicicletas foram racionalmente escolhidas, com o devido toque de paixão, e continuo a gostar delas, tanto ou mais, como no dia em que as comprei. Estou feliz e satisfeito com elas, que tanto me têm proporcionado. E isso ultrapassa as suas diferenças, caraterísticas, defeitos, gamas e preços!
Se fico por aqui? Talvez. Ou talvez não.
O certo, é que acredito que não faz sentido e é ingrato focar atenções em algo que não passa de uma possibilidade, até porque nem todos os desejos são bons conselheiros, ao invés de aproveitar e usufruir o que se tem. E o que não se tem, se é que me faço entender!
Confesso que um pico de felicidade momentânea associado a uma nova compra até sabe bem, mas de pouco serve se esta satisfação não for sustentável e se prolongue no tempo, até porque já não tem o mesmo sabor ter de associar outro pico de felicidade e respetiva sensação de alívio a uma possível venda!

27.03.17

… Allez Capelas


Rui Pereira

Mudou a hora, mas não mudou a rotina de ir dar uma volta de bicicleta. Nem diminuiu a vontade de pedalar. A manhã de domingo, salvo raras exceções, é minha, com mais ou menos uma hora. Dormi menos o que não é problema. Despachei-me sem pressas, até porque para horas já me chegam os dias úteis da semana. A Allez ficou pronta na hora, nem retoquei a pressão dos pneus, bastou instalar a bolsa de selim (pouco estética, mas útil) e a garrafa de água no suporte. Tinha uma ideia relativamente ao destino, mas ao contrário das horas, o estado do tempo trocou-me a volta. Deixei-me levar e fui improvisando ao longo do percurso. Passou uma hora. Estava inclinado para as subidas. Passaram-se duas horas. Estava longe disso, mas quando dei por mim estava nas Capelas. Passaram-se quase 3 horas e nem dei pelo seu passar. Estava em casa. Agora que mudou a hora os dias são maiores…

 

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23.03.17

Persistência nos pedais!


Rui Pereira

Insistência combate-se com persistência!


Iscomunhã de gadelha!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Encontrê o Florimunde no camin.
- Ême, noutre dia vi-te falá c'uma bela féma ali ao pé da tua casa!
- Bela féma? Devias de tá bêbede, Florimunde! Aquile é um iscomunhã de gadelha!
- Eh hôme, nã sê... parecia, se calhá nã vi bem!
- Nã haveras de tê viste entã, é tã fêa! É a minha vezinha. Tou penande c’aquele demóne de saias!
- Mas o que fou?
- Ême, embirrou c'a besuga...
- Nã se faz case!
- Nã se faz case? A laparosa tá-me sempre cegande a cabeça pa comprá um carre!
- Tás lexade entã!
- Pous já se sabe que tou! Paloê se lhe passasse cartã!
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

20.03.17

Outra vez Gorreana!


Rui Pereira

Domingo, dia do pai, véspera de primavera, bicicleta de estrada, Gorreana.
Um dos problemas de ter uma temática tão específica num blogue, ainda para mais vivendo numa região geograficamente limitada, é a finitude ao nível da diversidade do que se faz e posteriormente publica. Este facto pode ser pouco apelativo para quem segue, mas não necessariamente para quem faz. Ou seja, nunca me canso de percorrer e pedalar nas mesmas estradas e caminhos que me levam aos mesmos sítios de sempre. Por inerência das circunstâncias faço-o muito no mesmo concelho - Ribeira Grande, no mesmo dia da semana – domingo, e com o mesmo destino – Gorreana.
É aquela volta média e aprazível, que ronda as duas horas de duração, que exercita e não chega a maçar, que pelo meio se passa numa estrada calma e única ao nível do traçado, da natureza que nos cerca e da qualidade do ar que se respira… E quando já em estrada mais aberta se rola, ora rápido ora mais lento, ao sabor do seu moderado sobre e desce, avistam-se umas peculiares plantações geometricamente alinhadas que sobem monte acima e que indicam a chegada ao destino – a Fábrica de Chá da Gorreana.
Aqui os atrativos são vários. Toda a envolvência e ambiente, a beleza, as cores, os trilhos, os cheiros, o chá, entre outros sabores tradicionais. E nos dias úteis da semana, a manufatura de outros tempos que se mantém. Confesso que quando vou de bicicleta limito-me esticar as pernas e à contemplação visual do que me rodeia, podendo esporadicamente saborear um chá. Mas vou lá muitas vezes. Ainda sábado tinha lá estado, noutras circunstâncias, e usufruindo de forma mais tranquila e efetiva ao nível das sensações. Logo à chegada fiquei fascinado com o rosa vivo das azáleas.

 

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15.03.17

Anda de bicicleta quem quer!


Rui Pereira

Anda de carro quem pode, anda de bicicleta quem quer!


Marcolina Labardêra
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Tenhe uma vezinha que é même uma labardêra...
- Eh hôme, tás bom? Nã me dizes nada?
- (Nã...) Olá vezinha!
- Sempre quéssa bcecléte?
- (Outa vez papá!) Tem de sê!
- Ême, faz um esforcim e compra um carrim...
- Porquié?
- Êh hôme, nã vês que a andá de bcecléte pareces um pelintra?
- Pelintra?
- Sim senhô, e ainda por cimba apanhas água qué fê!
- Mas ê nã compre um carre porque nã quére!
- Ê hôme, toma juíze e larga de sê isganade. Morres e isse fica tude praí!
- Ouh vezinha, mas eu goste de andá de bcecléte!
- Nã digas isse! Entã nã ficavas munte mió a andá num carrim?
- Nã... Até logue vezinha... (Vou-te sofrê!)
Bêjes e abraces.
Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

10.03.17

"Azores Gravel Bike Trip 2016"


Rui Pereira

O conteúdo das minhas publicações é sempre original. Mas existem exceções. Por isso mesmo faço questão de partilhar um vídeo que desvenda um pouco do que foi a "Azores Gravel Bike Trip 2016". Basicamente foram uns dias a andar pelas estradas, caminhos e trilhos da ilha de São Miguel, com as bicicletas certas, usufruindo do contacto com a natureza e testemunhando as melhores vistas e paisagens. E as bicicletas certas são as Gravel Bikes. Um segmento recente com potencialidade para crescer, já que apresenta bicicletas com grande polivalência, sempre prontas para a aventura e aptas a circular quer em estrada, quer fora dela.

 

07.03.17

Qualidade de vida! #2


Rui Pereira

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Estava como o tempo. Aborrecido. Tinha a minha rotina autolimitada. Num impulso reverti a situação. Tinha de sair. Tinha que pegar na minha bicicleta e ir. Fazer qualquer coisa. Não fazer coisa nenhuma. Mas ir. Fui tratar daquilo a que normalmente não atribuo prioridade. Tive no meio delas. Das bicicletas. Numa loja de bicicletas. A aviar um componente insignificante, mas que acusa a sua função. No caso, a falta dela. Tive no meio deles. Dos relógios. Numa relojoaria. A consertar um relógio. E que prazer ver um mestre relojoeiro trabalhar. À moda antiga. Tive no meio delas. Das revistas. Numa tabacaria. Comprei uma revista de bicicletas... O orvalho surgiu. Animou a minha pedalada. Animou o meu ritmo. Animou-me. Isso e tudo o resto. Cheguei outro!

 

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