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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

03.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 3)


Rui Pereira

(Continuação!)
Prossegui então a aguardar confirmação do cancelamento. Entretanto, cruzei-me novamente com o entrosado quarteto do início, mesmo quase à porta de casa, mas desta vez apenas de passagem. Não querendo parecer ingrato, estava a sentir-me bem, daí ter mantido o meu ritmo. Objetivo? Chegar depressa ao segundo abastecimento. Fiquei fã. Este tinha uma mesa bastante mais composta, tanto que fiquei meio sem saber o que comer! Mas antes disso, vamos lá merecer o dito. Lançado em direção à Ribeira Seca, avisto um polícia junto à rotunda que me faz sinal para subir. E riu-se. Muito bem, um agente especialmente simpático, mas mal dobrei a esquina, percebi. Era uma verdadeira parede de vento que só visto! Toca de desmultiplicar a transmissão e só não me deitei sobre a bicicleta porque não me dá muito jeito pedalar nesta posição. Por falar em polícias, forte contingente policial na estrada! E o que gostei de ter sempre prioridade nos cruzamentos, rotundas e afins. Senti-me um verdadeiro atleta. Era sempre a abrir!
Confirmou-se, Granfondo cancelado. Eh pá, não! (Sim!) Pronto, paciência. Vá, tudo a subir Santa Bárbara que é para desgastar os bolos do abastecimento. De repente, vejo incrédulo uma placa de perigo! Perigo? Qual perigo? Devem ter-se enganado no sentido do percurso! Não senhor, «Perigo de ficar a pé!» Se a ideia da organização era desanuviar os concorrentes e fazê-los rir, mesmo tendo em conta as circunstâncias, parabéns. Só posso falar por mim, mas funcionou. E não, não fiquei a pé... os bolos às vezes fazem milagres!
O quê? Outra vez o quarteto? Sim. Ao contrário de mim, eles não eram fãs dos abastecimentos. Lá fui. Passei por um outro colega, mas também prossegui sem ele. Estava fortíssimo (risos)! Muito bem, setas a apontar para a direita e aqui o menino de forma intuitiva (e parva) segue em frente. O colega ainda berrou lá detrás para alertar, mas nem mesmo assim me apercebi logo do erro, até porque lá ao fundo via outro ciclista (se calhar nem estava em prova?!). Espera lá, um cruzamento sem polícia, o polícia está ali em cima e o colega que tinha passado e que berrou já ali estava também. Processei rapidamente toda a informação e… «merd@, enganei-me!» Ainda se fosse um erro para meu benefício, mas não. Mais uns preciosos segundos perdidos e a minha vida de atleta a andar ainda mais para trás! Pronto, vamos lá. Admitir a parvoíce, corrigir a trajetória, passar novamente pelo colega (de fininho) e seguir em frente fazendo de conta que não aconteceu nada. No fim, agradeci-lhe a atenção de me ter chamado à atenção…
(Continua!)

02.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 2)


Rui Pereira

(Continuação!)
Quem é que disse que lá atrás as coisas também não podem ser entusiasmantes, hein?
Partindo do princípio que este relato está a ser (muito) empolgante, vamos lá continuar.

Estava então todo contentinho porque íamos começar a descer, por lapso de memória ou pura ignorância, já que esta não é propriamente uma descida tranquila, então considerando as condições, pior. O meu colega desce bem e eu também tenho a mania que o faço, portanto era ir com ele. A certa altura e perante um casal que seguia a par à nossa frente, o avanço que ele levava permitiu ultrapassar-lhes sem problemas, mas com a aproximação de uma curva e sem visibilidade, fui obrigado a abrandar e manter-me atrás deles até ter as condições mínimas de segurança para o fazer. Foi o suficiente para nunca mais vê-lo! Aliás, vi-o, no abastecimento! Depois de descer sempre sozinho e de atravessar “ribeiras” sozinho também. Sim, ribeiras, quase como no BTT, ali a atravessar em vários pontos o caminho das Arribanas. Acho que a partir daí as mudanças nunca mais entraram como antes…
Eu sei, atleta que é atleta não para nos abastecimentos, mas eu como só sou atleta nos relatos, parei. E comi e bebi sem pressas. Mas também não me sentei a apreciar as vistas, até porque não havia muito para ver. Agora sim, nunca mais vi o meu colega, só depois da meta e não foi por causa do nevoeiro! Mas calma, tinha a hipótese de prosseguir com outros dois colegas, tanto que arranquei de biscoito na boca e até pedalei forte com o vento e a inclinação favoráveis para me adiantar, já prevendo não ter pernas para eles quando as circunstâncias passassem a desfavoráveis. Acho que eles entenderam isso como um desafio e nem me deram hipóteses de os acompanhar um metro que fosse! Quase que me vieram as lágrimas aos olhos… por causa do vento! Aliás, já na descida acho que tinha acontecido, só que fiquei confuso com tantos fluidos na cara - água, lágrimas, suor, saliva, ranho…
Daí até ao segundo abastecimento sempre como um triste por lá fora. Os meus colegas teimavam em largar-me, mas o vento não, sempre fiel, sim senhor. Até me dava safanões, não fosse eu adormecer em andamento. Ah, uma coisa importante, foi durante o “lanche” que surgiu a informação que poderia não haver Granfondo e aí vi logo a minha vida de atleta a andar para trás. Toda uma gestão para a prova grande! Mentira, vi-me foi logo a chegar a casa mais cedo! Também é mentira, confesso que fiquei assim um bocadinho dececionado, mas não mexeu tanto comigo como o vento, até porque a informação ainda carecia de confirmação…
(Continua!)

01.11.17

Azores Challenge Granfondo – A minha participação! (Parte 1)


Rui Pereira

granfondo_acao.jpg
Imagem: Seg-mento Bike Team

 

Uma vez que nunca serei um atleta a pedalar as minhas bicicletas, pelo menos vou tentar ser um “atleta” a relatar a minha “prova” efetivamente. A escrever posso ser o que quiser. Este relato é apenas a minha perspetiva. Posso pontualmente fazer uso do humor e da ironia, mas qualquer semelhança com a realidade não é necessariamente pura coincidência. Faço referência a outros intervenientes que optei por não identificar exatamente, porque uns gostam, outros não gostam, uns levam na boa, outros a mal, e não tenho paciência para mal-entendidos.

Esclarecimentos feitos. Bicicleta montada. Sapatos encaixados. Vamos a isso!

Acordei cedo, nem precisei do despertador e logo tratei de aliviar cenas internas… muita informação? Pois. Bom, pequeno-almoço reforçado, juntar as tralhas todas e instalar a bicicleta no suporte do carro. Chegamos cedo ao local onde estava sediado o evento e de onde se daria a partida. Estava calmo, apenas um pouco apreensivo pela novidade. Depois de calçar os sapatos e as capas, e meter o capacete, uma breve volta na bicicleta para as verificações finais e então ocupar um lugar na “caixa” (eu sei que é “box”, mas não gosto de estrangeirismos!) a aguardar a largada. Os primeiros quilómetros foram controlados e serviam como aquecimento, mas logo aí vi que se calhar o melhor que tinha a fazer era juntar-me ao entrosado quarteto que, entretanto, passava por mim. E foi com eles que segui, sempre sob as instruções do chefe de fila, que vigorosamente, ora verbalizava, ora gesticulava estratégias. A nós juntou-se um outro colega. O ritmo não era modesto, tanto que alguém do grupo disse algo do género, «a esse ritmo vamos é fazer o Medio!» Devia estar adivinhando.
Já a subida da Vista do Rei ia longa, sob excelentes condições atmosféricas, quando me descolei do grupo, já que o andamento perdeu alguma consistência, tendo seguido no encalço do outro colega que já o tinha feito. - Ah, uma pequena nota: não é boa ideia comer uma barra compacta e viscosa enquanto se faz uma subida que exige todos os orifícios disponíveis para manter o fluxo de ar necessário! - Só o apanhei depois do miradouro, que nem vi, tal era a visibilidade. - Alguém no decorrer da subida falou em fotografias?! - Canário aqui vamos nós e aquilo nada de acabar. As placas informativas disponibilizadas pela organização ainda chateavam mais. Atenção, eram úteis, mas ao mesmo tempo cruéis, obrigando-nos a constatar o quão rápido íamos. Ia sempre a reclamar, até porque daquele local tenho muito poucas referências, quando o meu companheiro diz: «Rui, falta 1km.» Boa, vamos descer! - pensei eu...
(Continua!)

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