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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Sem cronómetros, nem dorsais!

Domingo saí de BTT. Foi dia de tempo ranhoso, mas também de prova. Começou a Taça de XCO da Ilha de São Miguel. Para estreia da Taça de 2019 estreou-se um novo percurso marcado na zona do Pico do Fogo.
Faço bastante eco da minha “alergia” à competição, mas isso não me impediu de passar no local da prova para ver o ambiente.
Sinceramente, ao ver aquele tempo a puxar para o mau, a pouca afluência de público e as caras do costume marcadas pelo esforço e sofrimento, só me vinham à cabeça três palavras: Nunca na vida!
Esta é a perspetiva de um não adepto da competição, que assistiu à prova, durante míseros minutos, de fora… Visão legítima, mas obviamente limitada.
Eu também estava de bicicleta sob condições atmosféricas duvidosas, mas livre de pressões, compromissos, constrangimentos e esforços escusados, e é aí reside o essencial da questão, para mim!
Esta é a minha perspetiva, a minha visão, a minha verdade, e elas não são mais do que aquilo que são - Minhas!
Se me diverti aos comandos da minha BTT este domingo? Claro que me diverti. À minha maneira! E aquela gente que andou ali a dar tudo o que tinha e o que não tinha? Acredito que também se tenham divertido. À sua maneira!
Eu propus-me passear e fazer umas canadas, eles propuseram-se correr atrás de resultados contra adversários.  Para isso, não precisei de grandes preparações, eles precisaram de treinar. Apreensões e pressões à parte, também senti as minhas embora a um nível muito diferente, cada um de nós esteve a fazer aquilo que supostamente queria e que gosta de fazer.
Se estar em prova seria algo muito improvável, não vou mentir, que com o pouco que vi do percurso, considerando caraterísticas e estado, não me tenha dado uma certa vontade de também poder estar ali às voltas… sem cronómetros, nem dorsais!

Nunca mais parei de pedalar!

A minha primeira experiência de utilização da bicicleta como meio de transporte está a fazer sete anos, estávamos no início do mês de março do ano de 2012. Mas foi uma experiência única.
Mais tarde, no verão deste mesmo ano, comprava uma bicicleta dobrável com a intenção de por em prática, de forma mais duradoura, esta mesma experiência.
Frequentava um ginásio à hora de almoço e a ideia era fazer a deslocação de bicicleta, descartando assim o automóvel e o custo direto relativo ao pagamento do estacionamento.
Digamos que a experiência foi um pouco (muito) atribulada. Por falta de adaptação pessoal, já que tinha esta rotina demasiado ligada ao automóvel, e por alguma falta de sorte, pois os dias que escolhi para começar, foram dias de chuva!
A ida era mais pacífica e até animadora, já que não era raro chegar antes do meu colega que se deslocava de automóvel. Mas no regresso, com a temperatura corporal por normalizar e alguma ansiedade à mistura, chegava ao trabalho invariavelmente molhado, no caso, numa mistura de suor e água da chuva…
Como se não bastasse, o quadro da Órbita dobrável cedeu!
A bicicleta ficou encostada a aguardar solução ao abrigo da garantia e eu, muito convenientemente, voltei ao automóvel!
Alguns meses depois, o ginásio fecha e tive de arranjar uma nova solução. Mais simples, mais natural, mais alternativa. Desta, fazia parte a utilização da bicicleta para a deslocação, na qual empreendi os ensinamentos adquiridos anteriormente, não voltando a repetir os mesmos erros.
Esta rotina, entretanto, mudou ligeiramente. A bicicleta utilizada é outra, embora da mesma marca. A bicicleta está tão ligada a esta rotina, que fazê-la sem ela, não é a mesma coisa! Esta e outras, já que alarguei ao máximo a utilização desta minha ferramenta de uso diário.
Bom, o certo é que nunca mais parei de pedalar pela cidade!

Entre os pingos da chuva!

Olho pela janela e vejo os pingos de chuva grossos que caem copiosamente na diagonal empurrados pelo vento.
«Pronto, está tudo lixado!» - digo frustrado.
Já somava dois dias sem pegar na “pasteleira”. Pessimista, adivinhava o terceiro.
«Não, isso é um aguaceiro forte, mas vai passar!» - tento reagir positivamente.
A chuva não para, mas abranda. Fecho tudo, visto o casaco, pego no saco e dirijo-me à garagem. Abro o portão expetante… meto o saco na caixa e seguro a bicicleta pelos punhos, sempre atento ao céu.
Saio. Fecho o portão e ponho-me a cavalo. Subo o capuz e avanço determinado. Os pingos escasseiam e agora é a minha vez de ser empurrado. À boleia do vento, mas concentrado numa pedalada apressada.
«Agora é sempre para lá!» - digo entusiasmado e confiante.
Chego ao destino com uma aberta. O sol não é radioso, mas mostra-se. Estaciono a bicicleta e desfruto da minha pausa em boa companhia!
Já de regresso, manter-me seco não é uma preocupação. Agora tenho de vencer o vento que me trouxe…
Chego. Fui bem-sucedido, com mais ou menos esforço.
Olho pela janela e vejo os pingos de chuva grossos que caem copiosamente na diagonal empurrados pelo vento.

Um passeio de bicicleta

O vento que bloqueia e empurra,
É o mesmo vento.
O sol que aquece ou se esconde,
É o mesmo sol.
As estradas que percorro,
Acabam por serem sempre as mesmas estradas.

"Nada se compara ao simples prazer de um passeio de bicicleta."
John F. Kennedy

A liberdade que me proporciona,
É única.
O bem-estar que ganho,
É grande.
O prazer que sinto a cada pedalada,
É incomparável.

A Invicta, o Dragão, o FC Porto e as Bicicletas

Este fim de semana não ouve passeio de bicicleta por uma boa razão. Fui à Cidade Invicta. No departamento velocipédico, sempre que saio aproveito para ver algo que não consigo ver por cá. Não foi a primeira vez que lá fui, mas levei algumas referências e até a ideia de adquirir um guiador para a fixie. Acabei por não conseguir fazer nada do que tinha em mente.
Já o principal objetivo desta deslocação - Estádio do Dragão – foi concretizado. Promessa feita ao fervoroso adepto que temos cá em casa! Assistir ao jogo no sábado, e visitar o estádio e o museu do Futebol Clube do Porto no domingo. Mais uma vez confesso: eu que nunca fui grande adepto de futebol gostei muito de tudo o que tive oportunidade de ver. O jogo e todo o ambiente no grandioso estádio e a visita guiada ao mesmo, e ao museu. Valeu mesmo a pena!
Sempre me identifiquei mais com a cidade do Porto do que com outras e reconheço cada vez mais o FC Porto como equipa. A minha equipa! Continuo é a achar escusado estar a entrar em extremismos por causa de um jogo, mas já compreendo melhor o fascínio que o futebol consegue gerar à sua volta.
Bicicletas vi poucas e não consegui ir às lojas de bicicletas que contava (mas tive em mais do que uma loja do FC Porto!). Mesmo assim vi alguns ciclistas domingueiros e outros tantos citadinos... um deles sem bicicleta, mas o cadeado em U à cintura denunciou-lhe. E vi uma menina toda pipi que passeava serenamente com a sua bicicleta no Cais da Ribeira a usufruir da agradável tarde de domingo que se fazia sentir.
De resto, passeou-se bastante pela baixa da cidade e comeu-se a devida Francesinha. Até à próxima Porto!
Porto! Porto! Porto!

ponte_D.luisI.jpg

Porta de entrada!

fsrxc_porta.jpg

 

Não sou de estar a registar locais ou momentos. Sou mais de usufruir deles na altura sem estar preocupado com a sua captação. Sem estar a filtrar a minha visão com ecrãs.
Isso acontece no decurso dos meus passeios de bicicleta. Só de pensar na “trabalheira” e na quebra de ritmo de parar para tirar uma fotografia, desisto.
Um domingo destes, ia de BTT a subir um caminho quando me deparo com uma peculiar entrada e com o que restava da sua porta. Achei curiosa e pensei em tirar uma fotografia…
«… Não vou parar agora. Fica para depois.»
Segui caminho e não pensei mais nisso.
Já de regresso, lembrei-me. Faço um desvio pouco habitual e desço o caminho que há um par de horas tinha subido, para agora fazer o tal registo. Às vezes acontece...
Mais do que a lembrança, as imagens captadas servem de ilustração para o blogue. Aliás, são algumas vezes a base dos meus textos e publicações. São uma porta de entrada. Não é raro ir rascunhando mentalmente um texto enquanto pedalo depois da captura.
Esta publicação é um exemplo disso mesmo. Mas, o texto que imaginei inicialmente e o que pensei depois de ter subtraído a cor da imagem, nada têm em comum com o atual. Já se passaram algumas semanas e com o tempo mudam a visão e as circunstâncias. Ou simplesmente fui traído pela minha memória...

Livros e bicicletas

livros_bicicletas.jpg
Gosto de livros. Mas acho que gosto mais de livros do que de ler. É que não resisto comprá-los, mas resisto lê-los. Ando tão preguiçoso para ler. Mas gosto de fazê-lo. Quando me disponho fazê-lo arrependo-me de não o fazer mais vezes. Mas raramente estou disponível para o fazer… E não percebo que raio de dicotomia é essa?!

"Chocalho" Red Hook Crit

red_hook_crit_milano2.jpg

 

Aquando da minha visita à Barceloneta Bikes aconteceu uma situação curiosa.
Via as bicicletas e os acessórios expostos com a ideia de trazer algo que ficasse como recordação deste espaço.
Encontrei alguns modelos de uma espécie de chocalho, muito caraterísticos das conhecidas corridas de bicicletas de carreto fixo – Red Hook Crit.
Peguei num deles e dirigi-me ao empregado que estava atrás do balcão.

- Quanto é que custa?
- Oh, isso não está à venda!
- Ah, ok…
- É só para decoração.
- Ok, ok.

Dou meia volto e volto a colocar o chocalho no seu lugar, e continuo a ver os restantes artigos expostos.
Nisso reparo que o rapaz sai detrás do balcão e dirige-se à oficina, onde trabalhavam dois rapazes, cada um na sua bicicleta. Trocou algumas palavras com um deles.
Sai da oficina, passa por mim, vai ao expositor, apanha o chocalho, dirige-se a mim, e diz:

- Olha, é para ti!
- O quê? – Pergunto confuso.
- Sim, é para ti! – Reforça e sorri.

Agradecimentos e alguma conversa depois, saía da loja muito contente com o meu chocalho Red Hook Crit - Milano 5 na mão.
E a satisfação adveio mais da simpática ação do que propriamente do objeto. Aliás, sempre que o observo relembro o rapaz de braço esticado e sorriso na cara!

red_hook_crit_milano1.jpg

Música e Bicicletas

Tenho uma familiar próxima que diz que nunca cresci porque continuo a ouvir música pesada (Metal), já que segundo a própria, este é um género musical que se ouve apenas na adolescência… E essa é uma conversa carregada de preconceito que simplesmente ignoro!
Ao nível musical sou muito abrangente. Eclético! Por exemplo, tanto ouço temas do Cancioneiro Açoriano, como outros do mais puro Black Metal norueguês. Tanto ouço temas acabados de apresentar, como outros que foram apresentados ainda era eu uma criança. E faço-o com o mesmo gosto e entusiasmo porque, mais do que ser deste ou daquele género e ser desta ou daquela década, adoro Música!
A música faz parte da minha vida. É a minha melhor companhia na realização de simples tarefas domésticas, num momento de solidão voluntária e relaxamento, a desempenhar qualquer atividade lúdica ou profissional, ou a fazer aquilo que mais gosto.
Não são raras as vezes que saio de bicicleta com uma música na cabeça e que me acompanha em boa parte do percurso. Aliás, ouço-a antes de sair e já vou diferente, com mais vontade.
Gosto de música. Seja leve, média ou pesada, ou dos tipos e géneros todos que existem, que isso dos rótulos não me diz muito. Música é música. Logo que me faça vibrar e sentir emoções. Que me motive. Que me entretenha. Que me faça sentir bem!
Hoje é o Dia Mundial da Rádio. A rádio e a música são indissociáveis. Portanto, ouço bastante rádio. Mas às vezes, algumas rádios, ao sabor das tendências e das modas, tocam demasiadas vezes certas músicas. Esgotam-nas!
Já pratiquei Indoor Cycling. Não fui logo cativado, mas quando aconteceu nunca mais parei. O segredo desta modalidade, que não é segredo nenhum, é exatamente pedalar ao ritmo da música, onde cada faixa representa um desafio, uma aventura. Uma espécie de banda sonora para cada cenário e realidade simulada. Pelo menos era assim que encarava.
Uma palavra final para o Metal. O Metal Açoriano. E quem fala em Metal Açoriano fala em Morbid Death. Houve uma altura que os ouvia mais do que nenhuma outra banda, seguia-os para quase todo o lado onde tocavam. Numa altura em que tocavam bastante. Neste momento o Metal não é assim tão popular como isso, mas eles têm sabido manter-se, reinventando-se e sendo iguais a si mesmos…
Ainda domingo, antes de sair de bicicleta, alimentei o corpo com proteína, gorduras boas e cafeína. E estimulei a mente com uma dose generosa de Morbid Death, e forem eles que me acompanharam em boa parte das pedaladas dadas. Yeaaahhh! \m/

Lado negro...

Mais uma vez cedo.
Quebro e não acompanho a pedalada.
Vou-me abaixo.
Não consigo reagir e desespero.
Fico ansioso.
Perco-me.
Arrasto-me sem sentido.
Duvido…

Reajo.
Endureço a postura.
Avanço.
Não olho às consequências.
Não tenho nada a perder.
Recupero os comandos.
Carrego os pedais com mais força do que nunca.
Mas nada será como antes…

Mais um domingo...

O que é que vou fazer? Qual é a que vou levar? Para onde é que vou?
São algumas das questões que me surgem quando penso nas manhãs de domingo. Manda a minha vontade, ajudada pelo sentido prático e pelo estado do tempo. Ontem tudo apontava para o BTT, até porque era esta bicicleta que estava mais à mão. Assim foi.
E como costumamos dizer por cá: Fui sozinhe mais Nôsse Senhô!

fsrxc_canada.jpg
Para cima é que é caminho!

A Gaffe de bicicleta

De vez em quando dizem-me que tenho jeito para escrever. Agradeço com um misto de orgulho e vergonha. Orgulho, porque gosto muito de escrever e gosto que reconheçam isso. Vergonha, porque o jeito é relativo e as limitações não. Por exemplo, nunca fui capaz de escrever nada como fez a Gaffe um dia destes. Não se trata de um texto sobre bicicletas, mas tão bem que as inclui e representa!

Saber escrever é como andar de bicicleta… nas avenidas!

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