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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

29.11.19

Falando de bicicletas...

E recordações de infância!


Rui Pereira

Já nem sei bem sobre tudo o que escrevi. Devo repetir-me muitas vezes. São muitos textos e os assuntos não são assim tão diversos. Reparei que este blogue soma quase 500 publicações (esta é a 499)! Não, não são todas sobre bicicletas, algumas nem texto têm, mas são fruto do que achei relevante no dia em que foram disponibilizadas.

Isso porque recordava agora o quanto gostava de andar de bicicleta em miúdo. Talvez porque as oportunidades não eram muitas, mas eram sempre devidamente aproveitadas. Até à última, até não poder mais.

Será que já falei sobre isso? Talvez.

O bairro onde passei muito tempo da minha infância… As zonas relvadas/ajardinadas eram os nossos campos de futebol e os nossos laboratórios naturais de descoberta da fauna e flora local, com as peladas a servirem para jogar ao berlinde. As cimentadas para jogar ao pião. E os passeios que ladeavam estas zonas verdes eram como as ruas da nossa cidade, onde simulávamos deslocações e corridas.
Falo no plural, por mim, pelo meu irmão e pelos meus amigos, mas na verdade não sei se sentiam o mesmo que eu… julgo que sim.

Houve um dia mítico. Lembro-me como se fosse hoje. Meia tarde, tempo fresco, céu nublado. Saí de casa em direção ao bairro na “minha” grande pasteleira azul (nunca a senti como minha porque na altura queria uma BMX e porque durou pouco tempo lá em casa). Já não estava a chover, mas a calçada preta e branca que forrava os passeios estava encharcada. Sozinho. Idealizava percursos, executava manobras, delineava curvas, fazia derrapar a roda traseira, controlava a enorme bicicleta, com as luzes ligadas à força do dínamo contra o pneu…

Este sentimento voltou quando, muitos anos depois, comecei a fazer trilhos de bicicleta. Diversas vezes, a preparar o percurso da volta do domingo seguinte, conseguia visualizar aquela lomba, aquela curva, aquela descida. Aquela reação da bicicleta, aquela manobra para a controlar… E todo o gosto e prazer associados!

É mesmo muito provável que já tenha falado sobre isso!

28.11.19

Irreverência ciclística!


Rui Pereira

Todas as semanas visto-me a rigor, que é o mesmo que dizer - de licra, para andar de bicicleta. Ando todos os dias com roupa normal, mas considerando a natureza da volta semanal, acaba por ser uma necessidade vestir equipamento mais adequado.
Cada vez faço menos questão disso. Aliás, se andasse todos os dias de forma mais significativa, a minha volta de domingo perderia sentido e a licra seria dispensável.
Este vistoso equipamento, de que tantos gostam e as marcas apostam, já não me é tão apelativo como dantes. Há cada vez mais preocupação em conjugar grafismos e cores espetaculares, mas nem mesmo assim me sinto atraído, o que não quer dizer que não reconheça a sua qualidade estética, e não só.
Pelo contrário, e do pouco que tenho comprado, a minha opção recai essencialmente na discrição. Cores básicas, padrões únicos e grafismos conservadores. Tenho poucos equipamentos e alguns com muitos anos, e chegam-me perfeitamente.
Cativa-me muito mais a irreverência estética de um ciclista urbano aos comandos de uma fixed-gear. Envergando um boné (de ciclista, clássico, com a pala virada para cima), uma t-shirt (básica, de algodão, com ilustrações ligadas à bicicleta), uns calções (de ganga, com o mosquetão porta-chaves e o cadeado em “U” pendurados), uma mochila (de mensageiro, à tiracolo), umas meias (a meia perna, coloridas e extravagantes) e umas sapatilhas (tipo “skater”, coçadas, enfiadas nas correias dos pedais).
Ou simplesmente roupa. Atitude. Irreverência.

- Exemplo disso é o vídeo que se pode ver abaixo.

25.11.19

A alimentação!


Rui Pereira

Não tenho qualquer formação ao nível da nutrição, mas devido à relação tão próxima entre alimentação e exercício físico, e as duas com o descanso, acabei por estudar, experimentar e adaptar várias práticas, e consegui encontrar um equilíbrio que acredito ser adequado à minha saúde, objetivos e necessidades. Sem grandes complicações, nem fundamentalismos. O que não quer dizer que, às vezes não falhe e fique dececionado com isso.

Gustavo Santos foi capa da Men’s Health em 2013. Indicou a fórmula “70% alimentação + 30% treino = 100% determinação” para este desafio. Aliás, equação esta que defendia para o seu equilíbrio físico geral. Confesso que achei a diferença de valores entre a alimentação e o treino desequilibrados. Hoje, estou perfeitamente ciente da realidade dos mesmos.

De facto, a alimentação é a base de tudo.  A afirmação “nós somos aquilo que comemos” tem tanto de conhecida como de verdadeira!

Como disse a nutricionista Gisèle Magno (2019) - “funcionar é diferente de ser saudável.”

Sei que fazendo um ajuste entre a quantidade de energia que ingiro e a que gasto, mesmo ignorando a qualidade dos alimentos em causa, vou ter resultados. Mas também sei que este equilíbrio não é suficiente porque fica a faltar o fator principal – a saúde! A alimentação deve ser adequada tanto ao nível da quantidade como da qualidade. Mais do que parecer bem, interessa ser saudável.

Tudo isso é mais ou menos do conhecimento geral. E é simples, ou pelo menos devia ser, mas depois há uma tendência para sabotar esta questão por inconsciência ou quando recorremos à comida como forma de compensação e refúgio emocional.

“… Os alimentos que nos proporcionam conforto são, invariavelmente, os que têm elevados níveis de açúcares e/ou gorduras, os que acusam excesso de sal e os que são altamente processados. Como se não bastasse o seu teor, a ingestão emocional dos alimentos implica normalmente doses excessivas.
Quando estamos emocionalmente debilitados não ficamos necessariamente inconscientes. Agimos deliberadamente e desprezamos as consequências, pois o nosso foco está na compensação e no prazer imediato.
Claro que este conforto momentâneo não passa disso mesmo. A comida não consegue solucionar problemas nem colmatar falhas emocionais. Aliás, esta prática frequente pode levar a novos problemas ou agudizar algum já existente, inerentes a uma alimentação pouco saudável e desequilibrada.” – Rui Pereira (2013)

E na presença de desequilíbrios, a solução passa pelo que defende Gisèle Magno (2019) – “... É sermos adultos e aprendermos a dizer não aos impulsos de comer, é criar regras e hábitos saudáveis e excepções com peso e medida, é termos controlo sobre nós, sobre o nosso apetite.”

“É possível consumir todos os alimentos, com a devida atenção à dimensão das doses e à sua frequência, tendo em conta as caraterísticas destes mesmos alimentos. E até é possível encarar os alimentos como fonte de prazer, aliando sabor e saúde, transformando uma refeição num ritual significativo.” – Rui Pereira (2013)

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