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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

29.01.20

Até não poder mais!

Órbita Classic


Rui Pereira

Recentemente, ponderei adquirir uma nova bicicleta citadina para substituir a minha Órbita Classic nas minhas voltinhas diárias. Esta bicicleta há muito que deixou de receber grandes atenções da minha parte, porque resignado e numa fase menos dedicada, decidi que ela estaria à sua sorte, mesmo consciente do pesado ambiente que tem de enfrentar diariamente. Estamos a falar de uma bicicleta modesta, equipada com material acessível e pouco robusto, portanto, não será difícil adivinhar o resultado, tendo em conta as circunstâncias e o uso descuidado que lhe dou. Ela tem acusado isso tudo. Já foi alvo de intervenção especializada um par de vezes, o que até é pouco. São intervenções ligeiras e económicas, mas os problemas tendem a persistir e novos a aparecer. Encaro toda essa situação com normalidade, até porque estou bastante consciente da sua realidade. Então, se calhar, o melhor era comprar outra bicicleta. E o que faria com esta? Pode estar feia e defeituosa, mas continua a cumprir a sua função. Vou pendurar-lhe numa parede sabendo-a apta e gastar dinheiro noutra bicicleta? Surgiu a possibilidade de uma bicicleta usada, de muito melhor qualidade, pouco uso, adequada à função e por um valor apetecível... Ainda não vai ser desta. Outras oportunidades surgirão. São voltas regulares - diárias, mas curtas e sem grandes exigências, exceto o ambiente litoral onde ocorrem, e a Órbita vai ter de continuar a andar até não poder mais. Ela e a sua caixa da fruta que tanto jeito me dá. Terá de ser novamente intervencionada, no sentido de colmatar as suas falhas técnicas, mas continuará na estrada, mesmo que cada vez mais feia, velha e ferrugenta!

orbita_classic.jpg

28.01.20

Com vida!


Rui Pereira

Quando estou mais afastado daqui, penso que não haveria problema em deixar o blogue deserto de novidades um par de semanas ou por tempo indeterminado. Quando estou ainda mais afastado das tecnologias, da internet e das coisas virtuais.
Depois, abro o motor de busca e digito o nome do meu blogue, como se não fosse meu e, modéstia à parte, gosto do que vejo. Fico satisfeito por ter atingido o formato e o conteúdo que sempre quis. Por ter uma imagem e uma abordagem muito própria, de acordo com aquilo que acho realmente relevante, neste mundo dos pedais e não só. É o meu blogue!
Tenho a noção que não tem a fórmula mais apelativa. Um dia abri um blogue dedicado à música e escrevi meia dúzia de textos, destacando músicos e respetivos trabalhos com que me identificava. Com poucas semanas de existência, recebi contacto de uma banda para divulgação e uma proposta de parceria de uma empresa. Com este só aconteceu recentemente e já conta com vários anos. Seja como for, não é, nem nunca foi um objetivo. Fechei o tal blogue...
Para isso teria de falar e mostrar bicicletas topo de gama, marcas, componentes nobres absurdamente leves e caros, tecnologia e eletrónica, equipamentos ultrassofisticados e supostamente imprescindíveis, números e feitos, atletas e competição. Basicamente, sobre o que todo o mundo fala. Mas assim, já não seria o que gosto que seja, não seria sobre aquilo que realmente quero. Não seria o meu blogue. Não seria eu...
À falta de conteúdo, essencialmente próprio, que me faça sentido e seja relevante, prefiro que fique deserto. Sendo que o ideal passa por ir atrás de ideias, por estar atento e, de forma minimamente natural, encontrar um motivo num qualquer pormenor. A diferença pode estar numa imagem, numa situação, numa conversa.
Gosto de o ver com vida, resumindo e concluindo. Com uma pedalada única e um som identificativo. Até porque a vida deste blogue acaba por ser um reflexo da minha própria vida. Com os seus altos e baixos!

28.01.20

A preferida!

Globe Roll 01


Rui Pereira

Gosto de andar em grupo, mas talvez por estar muito habituado a andar sozinho, na estrada, e isso não implicar levantar-me demasiado cedo para um domingo, continuo a privilegiar um passeio solitário neste ambiente.
A volta deste domingo já tinha sido previamente delineada. Não exatamente o seu trajeto, mas os seus contornos. E a Globe Roll 1 a escolhida. Seria eu e ela. Por nossa conta!
Tinha lá uns sapatos esquecidos. Sapatos que já andaram de mãos em mãos, relegados, que o meu primo me deu. Mais do que marcas de uso, têm marcas da sua falta. Mas, ao que tudo indica, estão aptos e funcionais. Resgatei-os e montei-lhes uns “cleats” de encaixe.
Comi, vesti-me e estreei os sapatos. Tirei a Roll da parede da sala. Sim, tem reservado o espaço mais nobre da casa e está no meu campo de visão sempre que estou no sofá a ver televisão.
A identificação é automática e natural, mal inicio a marcha. Que bicicleta! Que prazer!
Vou a sofrer numa subida, de pé sobre os seus pedais, quase em câmara-lenta, mas sorrio. Vou a sofrer numa descida, a tentar conter a rotação exagerada dos seus pedais, mas sorrio. Vou a sprintar no plano, com o coração quase a sair-me pela boca, mas sorrio. Esqueço-me que quando em marcha os seus pedais não param, sinto o seu coice, chamo-lhe cabra e sorrio!
Achei que não devia alterar a sua configuração. Entretanto, mudei os pedais, o selim, os pneus. Na moldura da coluna de direção ostenta a imagem deste blogue… Do nada, resolvi montar-lhe um modesto guiador plano e uns punhos que tinha, e ainda fiquei mais “apaixonado”. Ficou espetacular, à vista, na condução. Ficou perfeita!
Já o disse tanta vez, mas não me canso de o dizer, esta é a minha bicicleta preferida!

roll1_lights.jpg

27.01.20

Há sempre um dia…


Rui Pereira

Fechei o casaco. Meti o gorro. Mesmo assim, cheguei frio e ofegante. Com dormência na ponta dos dedos. Vim numa luta contra o vento. Tentei esgueirar-me entre as suas rajadas. Como se isso fosse possível. Pedalei o mais rápido que pude, em esforço. A fazer uma corrida com as nuvens. Com a chuva! A ver quem chegava primeiro. A ver se ela não me apanhava e se eu não a apanhava. Já lá vão muitos assaltos. Estamos empatados. Não. Sou justo. Tenho ganho. Mas, há sempre um dia… Não foi hoje!

24.01.20

Descartar maus para colher bons!


Rui Pereira

Aos passeios dominicais de bicicleta juntam-se o mar e os exercícios localizados diários, que me permitem manter a forma física e o equilíbrio psicológico pretendidos. Neste sentido, a alimentação tem vindo a ser ajustada, quer em quantidade quer em qualidade, depois de uma época de alargamento das exceções. O descanso tem sido assegurado.
Os passeios de bicicleta têm ganho alguma dimensão, já que acordo mais cedo e tenho mantido uma interessante disciplina depois dos mesmos, no sentido em que não estou a deixar as minhas bicicletas sem cuidados, semana após semana, tal como acontecia anteriormente.
Pode parecer um contrassenso, mas ter excluído definitivamente o ginásio das minhas rotinas foi fundamental. Ao contrário de muitos, há algum tempo que deixei de ver os ginásios como essenciais para a prática de exercício físico. Assim, deixei de ter o que para mim já era uma obrigação, poupando simultaneamente dinheiro e tendo tempo livre para outras coisas, nem que seja estar sem fazer nada. Por exemplo, tenho aproveitado para intervir nas minhas bicicletas.
Mantenho a forma, mas acima de tudo estou muito mais equilibrado. Claro que quantidade não é qualidade, logo que estejam garantidos os mínimos para o efeito. E estão.
Mesmo que tudo à volta se esteja a desmoronar, e também por isso, é fundamental manter a prática, porque tenho de me agarrar a alguma coisa, portanto, que seja a algo natural, aconselhável e benéfico.
É o cansaço físico que me faz descansar mentalmente. As frustrações descarrego-as em cima de uma bicicleta com umas vigorosas pedaladas. E no chão, com umas centenas de flexões de braços!

21.01.20

Morbid Death!

“The Perfect Lie”


Rui Pereira

São muitos anos de Metal. São muitos anos de Morbid Death.
Falar em Metal Açoriano é falar em Morbid Death. São eles os embaixadores do Metal nos Açores. O seu baluarte. O seu último reduto!
São quase trinta anos de gosto, persistência, esforço, altos e baixos, alegrias e desilusões. De diferentes formações. São quase trinta anos de música pesada!
Mas eles estão aí. Voltaram em força. Melhores do que nunca?!
O seu único membro fundador e imagem de marca da banda, Ricardo Santos [voz e baixo], continua a erguer a bandeira dos Morbid Death com orgulho, e tem motivos para isso. Em parte, deve-o a si próprio, tal a forma obstinada com que sempre se entregou a esta causa!
Sempre achei que este dia iria chegar - Luís H. Bettencourt [guitarra], o “homem-música”, incansável e dedicado a tudo o que diga respeito à mesma, independentemente da sua natureza. Com uma postura orgulhosa muito própria, mas com muito trabalhinho de casa feito, não hajam dúvidas! Faz tudo, toca tudo, canta. Acredito que muito dos novos Morbid Death terá o seu toque!
Não conheço o Rafael Bulhões [bateria], mas parece-me um excelente baterista. Um baterista à altura! Técnica, agressividade, muito pedal duplo (adoro!) que vem conferir outro peso, outra sonoridade e modernidade aos Morbid Death!
Consigo identificar algumas marcas de sempre no seu som, mas reconheço diferenças óbvias. Agressividade vs. melodia, diversidade, experimentalismo, atualidade! E ainda só ouvi a faixa de apresentação – “The Perfect Lie”, do seu novo álbum "Oxygen". Acho que vem aí algo de muito bom a caminho. Acho não, tenho a certeza!
Confesso que estava com expetativa, mas também algumas reservas, do que esperar deste novo trio, e fui completamente surpreendido! Pelo som, mas também pela aposta, confiança, postura renovada, novidade, inovação e pelo contrato com a editora [Art Gates Records].
São muitos anos de Metal. São muitos anos de Morbid Death. E isso não é nenhuma mentira!

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