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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

27.03.20

"As minhas gatas”


Rui Pereira

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Há 10 anos atrás, se me dissessem que hoje estas seriam as minhas bicicletas preferidas, não acreditaria.
Com o passar dos anos podia estar a ficar mais burguês e conservador, mas não!
As minhas bicicletas de carreto fixo reúnem, como nenhumas, aquilo que mais privilegio atualmente numa bicicleta.
São encantadoramente radicais!
Tenho bicicletas muito melhores, tecnologicamente falando, mais sofisticadas, eficazes e caras, mas falta-lhes carisma e caráter, e aquela imagem simples, limpa e minimalista que tanto aprecio.
Para além disso, não permitem uma interação tão peculiar e próxima, elevada ao nível da personificação, como acontece com as fixed-gear.

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A gata que surgiu na fotografia é dos meus vizinhos do lado de baixo.
Os do lado de cima também têm uma.
Fazem questão de aparecer quando estamos lá fora.
Não são nossas, acho que gostam de nós.
Nós também gostamos delas, quase tanto como se fossem…

26.03.20

Ficar em casa!


Rui Pereira

Hoje levantei-me relativamente cedo, fiz a barba e restantes práticas higiénicas, vesti-me e bebi um copo de café. Fiz umas flexões.
Podia ser a descrição de um início de dia ideal para quem está a trabalhar a partir de casa, onde as rotinas são mantidas, mas não passa de uma exceção. As flexões, por exemplo, já nem sei quando foi a última vez...
Não que tivesse uma vida muito ativa e entusiasmante, mas como metódico que sou, tinha as minhas rotinas e os meus hábitos bem implementados, segmentados e organizados. Esta mudança abrupta deixo-me um bocadinho à toa, que é como quem diz, desmotivado e preguiçoso.
Ficar em casa e não ter de ir trabalhar foi o que sempre quis, mas não nestas circunstâncias!
Tenho falhado nas rotinas, na alimentação, no exercício físico, na escrita. Nem tenho vindo aqui para acompanhar as publicações de quem sigo. Mesmo com as normais obrigações relativas ao teletrabalho, agora que supostamente tenho mais tempo e mais devia fazer, nem que fosse para distrair de toda a triste realidade que se vive atualmente, menos faço.
Não faltam exemplos positivos de quem não se deixa abater pelas novas circunstâncias e faz, treina, arruma, cria, inventa...
Mas hoje levantei-me relativamente cedo e quis inverter esta tendência. Por isso escrevo este texto, na tentativa de desabafar, motivar-me e comprometer-me. É que agora, mais do que nunca, a falta de tempo não é desculpa!

09.03.20

O rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos


Rui Pereira

Estava vestido de claro, destinado a sair para a estrada com a bicicleta correspondente. Abri a janela e caía um chuvisco. Ora parava, ora recomeçava. Chão molhado. Mudei de roupa, para escuro, deixei ficar a bicicleta de estrada e peguei na btt.
O tempo não estava muito mau, mas estava inconstante. Se não tivesse alternativa iria para a estrada na mesma, mas tendo, fui para a terra. Para o efeito estava excelente, eu que gosto especialmente de piso húmido.
Andei às voltas, para trás e para a frente, durante um par de horas, não me afastando muito do ponto de partida. Fugi do asfalto o máximo que consegui. Andei nos mesmos locais de sempre, com o mesmo gosto de sempre.
Ando muito mais na estrada, é-me mais conveniente e suja menos a bicicleta, mas andar na terra, longe dos carros, com os obstáculos e o controlar da bicicleta, com as cores - o verde e no silêncio - só com o som do rolar dos pneus na gravilha e o cantar dos melros-pretos.

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06.03.20

“Esta bicicleta é tua ou é do teu filho?”

Órbita Eurobici


Rui Pereira

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Depois de ter adquirido a Órbita Classic, a Eurobici, da mesma marca, ficou condenada à imobilidade. Em alguns anos, utilizei-a uma meia dúzia de vezes. Devido a um problema técnico, reincidente, na Classic, a minha dobrável portuguesa voltou ao ativo.
O facto de ser compacta, a principal razão da sua compra, deixou de ser uma prioridade, mas a permissão dada pelo seu quadro aberto para montar e desmontar sem ter de alçar a perna é uma grande mais valia esquecida. De resto, as suas pequenas rodas de 20 polegadas e a curta transmissão exigem grande rotação das pernas para, mesmo assim, conseguir pouca velocidade.
Pormenores técnicos à parte, esta pequena bicicleta é tão agradável de pedalar. Depois de adequar a atitude é um gosto fazê-lo. Sinto-me tão bem aos seus comandos!

05.03.20

Instagram, blogue e destaque!


Rui Pereira

A minha relação com as tecnologias era essencialmente conservadora e resistente. Cedi e acedi a um novo paradigma de comunicação/mobilidade. Uma das consequências surgidas foi a abertura de uma conta de Instagram. Esta novidade não será alheia a algum afastamento que tem caraterizado a minha relação com o blogue nos últimos dias. Não posso negar que esta plataforma de partilha de imagens é extremamente apelativa. No entanto, a ideia é que seja complementar e não substituta do blogue, até porque nem todas as imagens valem por 1000 palavras!
Contrariando esta tendência de afastamento, ontem publiquei um texto onde revelei a minha visão de estilo de vida ativo. Foi um texto diferente no processo, já que teve duas alterações consideráveis na sua estrutura, que se arrastaram por alguns dias, até atingir a sua versão final. Foi destacado pela equipa do SAPO Blogs!

04.03.20

Estilo de vida ativo!


Rui Pereira

Ter um estilo de vida ativo não é apenas ir ao ginásio. Não é só fazer desporto ou exercício físico específico. Na verdade, também é, mas não é só.
Ter um estilo de vida ativo implica ter uma abordagem ativa nas rotinas diárias, naquelas pequenas coisas que fazemos todos os dias sem nos dar conta da sua regularidade e importância.
Ter um estilo de vida ativo sugere a troca do automóvel pela bicicleta numa curta deslocação urbana, ou simplesmente fazê-la a pé. Sugere a troca do elevador pelas escadas. O levantar da cadeira para andar e alongar se passamos grande parte do nosso dia sentados…
Ter um estilo de vida ativo é comer pouco e bem. É hidratar-nos. É fugir de hábitos e vícios nefastos à nossa saúde. Mas é também saber abrir algumas exceções.
Ter um estilo de vida ativo convida a “surfar” em terra sobre um skate, a caminhar na natureza, num percurso junto ao mar ou mesmo na praia. Convida a apanhar sol nesta mesma praia, mas também a trocar a toalha por umas braçadas ou por uns “pontapés” na bola com o rapaz…
Ter um estilo de vida ativo é associar a prática de exercício físico ao que mais gostamos de fazer. É juntar o útil ao agradável.

No campo do exercício físico a tendência é para elevar fasquias, gerar objetivos, aumentar as dificuldades e os desafios. Até um certo ponto faz sentido, mas não é difícil cair-se no exagero.
Instintivamente, tenho seguido na direção oposta. Na que aponta ao equilíbrio, à regularidade, à diversidade e à moderação. Na direção que me diz que o exercício físico, tal como toda e qualquer atividade levada ao extremo, não é benéfica.
Tem de haver vontade, foco e alguma intensidade, mas quer nos meus exercícios localizados quer nas minhas pedaladas, a atitude é simplificar e descontrair. É aproveitar o momento e usufruir do ambiente que nos rodeia, algo que acaba por ficar esquecido se estivermos demasiado concentrados em concretizar objetivos.

Esta não é uma receita de estilo de vida ativo. Esta é a minha receita de estilo de vida ativo!

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