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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

28.09.20

Alerta amarelo!


Rui Pereira

Fazendo fé nos avisos meteorológicos para domingo, onde os aguaceiros fortes seriam uma possibilidade, desisti da ideia que tinha para a minha tradicional volta semanal. Na verdade, se a intenção fosse posta em prática, tradicional não seria a palavra mais indicada para a descrever. Mas haverão com certeza mais domingos com previsões meteorológicas menos… amarelas.
Peguei noutra bicicleta e segui o rumo que não era suposto. O máximo que apanhei foi o piso pontualmente molhado, nada mais. Assim sendo, a volta receosa acabou por se alongar para além das 3 horas. As mesmas razões que me levaram a optar por uma alternativa improvisada devem justificar o facto de sobrarem dedos de uma mão se contar o número de ciclistas com que me cruzei.
Em conversa com um amigo, chegou-se à conclusão que um dos problemas destes avisos é o resultado poder ser o mesmo da história de "Pedro e o Lobo"… O facto, é que são previsões. E perante indícios, antes assim do que não os fazer e depois acontecerem situações.
Mau mesmo era se não tivesse saído.

roubai_rota.jpg
*Imagem meramente ilustrativa. Não corresponde ao passeio de ontem. A bicicleta sim.

25.09.20

“… O que é o carreto?”

“Mas entre andar de e perceber de...”


Rui Pereira

Foi a pergunta da Sara, depois de me "ouvir" falar em bicicletas de carreto fixo, aqui!

- O carreto é a roda dentada acoplada à roda traseira onde se liga a corrente da bicicleta. Neste caso, tratando-se de um carreto fixo, existe apenas um (mudança única) e tem uma ligação direta com a roda. Ou seja, sempre que a roda se mover, movem-se também os pedais, não sendo possível ter os pedais parados com a bicicleta em andamento.
Como deves perceber, este é o sistema de transmissão mais tradicional, exigente e particular, por não ter mudanças e por não ser possível parar de pedalar a não ser parado. ;)
O sistema de transmissão mais usual acaba por ser o de mudanças externas, onde existe uma cassete formada por vários carretos de diferentes dimensões, podendo ter de um a três pratos dentados à frente acoplados no pedaleiro.
(…)
Já agora, o sistema que permite parar de pedalar em andamento, independentemente de haver um ou mais carretos, chama-se roda livre.

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25.09.20

"Efectivamente"

É tão bom!


Rui Pereira

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Partilhar gostos, práticas, hábitos, atitudes.
Identificarmo-nos.
Saber que existe mais alguém que pensa e age como nós.
Haver quem encare as bicicletas como veículos utilitários, como meios de transporte.
Conhecer alguém que vai de bicicleta, seja aonde for, seja como for.
Haver alguém que gosta do mesmo estilo de bicicletas, das mesmas bicicletas.
É tão bom.
Efetivamente!

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23.09.20

Compromisso


Rui Pereira

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Todas as vezes que monto nas minhas bicicletas de carreto fixo é como se tivesse assinado um contrato de exclusividade, onde me comprometi aceitar todas as contrapartidas em troca de mais-valias.
Existe um compromisso da minha parte. Uma vontade deliberada de as pedalar. Se em tempos isso limitou o meu leque de opções, hoje já não acontece. A fusão entre gosto, compromisso, prática e hábito fizeram-me ver que as limitações eram muito mais pessoais do que técnicas.
Mesmo que existam pontualmente, o gozo que me proporcionam e a capacidade de me deixarem orgulhoso e realizado é tanta que fazem esquecer rapidamente estas mesmas limitações. Menosprezava a expressão “é uma questão de hábito”, mas é mesmo. A partir do momento que tirei as limitações da cabeça e comecei a sair preferencialmente com elas, tudo mudou!
O facto, é que nunca assinei contrato nenhum. O enorme gosto e a minha entrega fizeram com que tudo acontecesse naturalmente e de forma progressiva. Se me comprometi, está comprometido. E se antes dizia “vou levar a fixie, portanto, é uma volta mais pequena” hoje planeio fazer com elas o mesmo que faço (fazia) com as outras, ponderando as normais condicionantes. Mas nada de loucuras, que já não tenho “tempo” para isso… na verdade, acho que nunca tive.
E é aí que reside a mudança. Fazer uma volta com a fixie, seja ela qual for, é normal, é natural. Já não é uma loucura, um sacrifício. É mais uma volta, só que mais emotiva e entusiasmante. Ok, eventualmente mais puxada também. Mas lá está, comprometi-me, portanto, já nem vejo as coisas assim.
Não quero provar nada a ninguém, até porque as opiniões dos outros são apenas isso e não me dizem respeito. Agora, cada saída, acaba por ser uma prova para mim mesmo. A prova que é possível fazer o que quiser com estas bicicletas…
Basta comprometer-me!

21.09.20

Vantagens de carreto fixo!


Rui Pereira

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Andar algum (tanto) tempo com uma roda a rolar mal por achar ser normal (mais ou menos) podia dar vontade de chorar. Principalmente quando alguém que, percebe mais um bocadinho do assunto, facilmente lhe meteu a girar perfeitamente.
Esta é a hora que pode acontecer começar a enjoar porque vou falar novamente em bicicletas de carreto fixo. E de mais uma das suas espetaculares vantagens!
Onde todos veem desvantagens e problemas, eu vejo atributos. É a vida!
A roda traseira da Globe estava a rodar mal porque certo dia o eixo deu de si e pus-me a inventar, pensando que podia solucionar o problema com um rodar de porcas. E perante o dilema – ou fica a rodar melhor com folga, ou fica a rodar mal sem folga – escolhi a segunda opção. Simples. Claro que podia ter trazido a roda para ser vista por um técnico experimentado…, mas não seria a mesma coisa!
Improvisa-se e espera-se que o problema se resolva sozinho, como que por milagre, e anda-se com a bicicleta assim como se as dificuldades ainda fossem poucas, proporcionando aos componentes um teste de resistência diferente e, então, finalmente, leva-se ao técnico. Tudo calculado.
Tolices à parte…
Mas então qual é esta espetacular vantagem das bicicletas de carreto fixo?
- Baixa manutenção!
Senão vejamos: temos um quadro, uma forqueta, duas rodas, caixa de direção e um avanço integrado, um guiador, punhos, uma pinça de travão dianteiro e respetiva manete, um conjunto pedaleiro com prato e pedais, uma corrente, um carreto fixo e respetiva contraporca. Por último, mas não menos importante, um selim e respetivo tubo. Componentes simples, acessíveis e robustos, que proporcionam um funcionamento igualmente simples e direto. Mesmo que fossem mais requintados sempre são em menor número.
Mas assim de repente até parece muita coisa, não parece? Mas não é. Ainda nunca fiz esse exercício, mas tenho a certeza que se expor a “lista de ingredientes” de uma das minhas bicicletas “normais” ocupa, no mínimo, o dobro do espaço. E as minhas “normais” não são assim tão “normais”, ficando aquém das necessidades básicas e dos requisitos plasmados na cartilha do mundo ciclístico atual.
Resumo: mais simplicidade e menos coisas é igual a menos preocupações, avarias e, inerentemente, menos custos. (E o desafio e a emoção estão lá todos. Sempre! - Ok, sou suspeito!)
Mesmo assim, de vez em quando, convém meter óleo na corrente e, vá lá, ar nos pneus.
Mas também sou um bocado picuinhas!

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