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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

16.11.17

3 Horas BTT – Paradoxos!


Rui Pereira

Há cerca de um mês e meio atrás, num texto dedicado ao btt, dizia que se calhar tinha de ponderar a minha atitude no que toca à minha (não) participação em eventos organizados de ciclismo. Daí para cá, já participei em dois distintos (neste último houve uma forte motivação exterior).
Esta atitude de mudança e cedência pessoal, não inibe, no entanto, que a minha participação nesta prova de resistência encerre em si alguns paradoxos.
Desde logo, não me deixou de chatear o compromisso implícito do evento, mas ainda nem o despertador tinha tocado e já estava de pé. Simultaneamente entusiasmado e apreensivo.
Se é verdade que sempre gostei muito de btt (e gosto), também é certo que ando cada vez mais afastado da modalidade (pode ser que mude a partir de agora, nem que seja parcialmente). As provas de resistência pelo seu caráter promocional apresentam um baixo nível de dificuldade técnica, mas considerando o estado do tempo, em algumas zonas do percurso convinha ter algum à vontade neste departamento. Pessoalmente, senti uma certa falta de confiança geral, que não era normal noutros tempos, advinda com certeza da falta de prática e da minha limitação física. O facto de estar com uma bicicleta emprestada, não obstante o seu lado positivo, certamente também contribuiu para isso.

 

7cidades.jpg

Imagem: Seg-mento Bike Team


Entrar em equipa não é a forma mais condizente nem com a minha preferência, nem a que me assenta melhor. Prefiro um esforço mais equilibrado e contínuo, sem grandes picos. Sou do tipo que demora muito a aquecer e que tem alguma dificuldade em encontrar um ritmo adequado, portanto, cada nova volta era quase como começar de novo, algo inerente às quebras existentes. Se a isso associar as condições adversas e o facto de estar molhado, pior.
Por outro lado, foi muito satisfatório poder desfrutar do convívio e contar com um “atleta de luxo” como parceiro de equipa. Se não fosse por ele, provavelmente nem teria participado!
Mais, em equipa a interação e o convívio são muito superiores e dá-nos uma outra noção do evento e daquilo que o rodeia. Nos toldos onde estávamos sediados (e abrigados) reinava a animação, o convívio e a boa disposição. Excelente ambiente! Individualmente, para além do maior dispêndio de esforço e atenção com a sua gestão, passamos o tempo todo connosco próprios, como é óbvio.
Mas a nossa vida é assim mesmo. Repleta de paradoxos, antagonismos, incongruências e contradições. Resta-nos decidir, aceitar as consequências das nossas decisões, desfrutar do seu lado positivo e lidar o melhor possível com o negativo. Normalmente, são mais as vezes que nos arrependemos de não ter feito do que o contrário…