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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

14.03.19

Entreajuda


Rui Pereira

Duas situações, duas posições, diferentes disponibilidades. Mal meu!

Um ciclista que circulava à minha frente, aproveitando a manhã de domingo para rolar de bicicleta tal como eu, começou a abrandar e parou. Passei e dei bom dia. Pelo canto do olho, pareceu-me vê-lo apertar o pneu traseiro. Continuei. Mais à frente, a ideia de poder não ter ajudado um parceiro de pedalada fez-me encontrar um ponto de retorno seguro e ir ao seu encontro. Ele confirmou um furo. Eu pedi desculpa por não ter parado logo. Fiquei a acompanhar o processo de mudança da câmara-de-ar e simplesmente colaborei no empréstimo dos desmontas para colocar na roda o pequeno troço de pneu que faltava. Despedimo-nos e prossegui…

Finda a ciclovia, desmontei da bicicleta para atravessar a passadeira. De volta aos seus comandos, quando retomava a marcha, fico a pedalar no vazio. A corrente saiu do prato. Merd@! Desmontei novamente e encostei a bicicleta. Coloquei uma luva (prevenção de quem já sujou demasiado as mãos nestas lides) e iniciei o processo de regularização. Nisso aproximou-se um senhor, julgo que um condutor de um autocarro urbano que aguardava a sua hora de partida e assistia à situação, que aconselhando-me a agir de forma diferente, meteu logo a mão na massa, que é como quem diz, na graxa! Até fiquei constrangido pela disponibilidade. Agradeci a atenção e dei-lhe um lenço de papel para que pudesse limpar as mãos. Era o mínimo…

27.02.19

Nunca mais parei de pedalar!


Rui Pereira

A minha primeira experiência de utilização da bicicleta como meio de transporte está a fazer sete anos, estávamos no início do mês de março do ano de 2012. Mas foi uma experiência única.
Mais tarde, no verão deste mesmo ano, comprava uma bicicleta dobrável com a intenção de por em prática, de forma mais duradoura, esta mesma experiência.
Frequentava um ginásio à hora de almoço e a ideia era fazer a deslocação de bicicleta, descartando assim o automóvel e o custo direto relativo ao pagamento do estacionamento.
Digamos que a experiência foi um pouco (muito) atribulada. Por falta de adaptação pessoal, já que tinha esta rotina demasiado ligada ao automóvel, e por alguma falta de sorte, pois os dias que escolhi para começar, foram dias de chuva!
A ida era mais pacífica e até animadora, já que não era raro chegar antes do meu colega que se deslocava de automóvel. Mas no regresso, com a temperatura corporal por normalizar e alguma ansiedade à mistura, chegava ao trabalho invariavelmente molhado, no caso, numa mistura de suor e água da chuva…
Como se não bastasse, o quadro da Órbita dobrável cedeu!
A bicicleta ficou encostada a aguardar solução ao abrigo da garantia e eu, muito convenientemente, voltei ao automóvel!
Alguns meses depois, o ginásio fecha e tive de arranjar uma nova solução. Mais simples, mais natural, mais alternativa. Desta, fazia parte a utilização da bicicleta para a deslocação, na qual empreendi os ensinamentos adquiridos anteriormente, não voltando a repetir os mesmos erros.
Esta rotina, entretanto, mudou ligeiramente. A bicicleta utilizada é outra, embora da mesma marca. A bicicleta está tão ligada a esta rotina, que fazê-la sem ela, não é a mesma coisa! Esta e outras, já que alarguei ao máximo a utilização desta minha ferramenta de uso diário.
Bom, o certo é que nunca mais parei de pedalar pela cidade!

11.02.19

Lado negro...


Rui Pereira

Mais uma vez cedo.
Quebro e não acompanho a pedalada.
Vou-me abaixo.
Não consigo reagir e desespero.
Fico ansioso.
Perco-me.
Arrasto-me sem sentido.
Duvido…

Reajo.
Endureço a postura.
Avanço.
Não olho às consequências.
Não tenho nada a perder.
Recupero os comandos.
Carrego os pedais com mais força do que nunca.
Mas nada será como antes…

17.12.18

2018 – Ciclismo, futebol, ginásio.


Rui Pereira

Há cerca de um ano escrevi que gostaria de ter outra atitude perante as bicicletas e o ciclismo. Mais abertura, mais participação, mais envolvimento. Foram ideias e intenções que não passaram disso mesmo. Praticamente não fiz nada daquilo que, na altura, previa vir a fazer.

Ando de bicicleta praticamente todos os dias da semana, mas são curtas deslocações, sendo que o dia mais significativo acaba por ser o domingo. E nesse dia mantenho a regularidade, mas estou cada vez menos disponível para grandes desafios. E está tudo bem assim. Ainda ontem dizia isso no decurso do tradicional Passeio de Natal da CC - Azores Bike Shop, no qual decidi participar apenas uma semana antes, quando escolhi o percurso deste para a minha habitual volta.

O elemento mais novo da família está, atualmente, muito mais ligado ao futebol do que às bicicletas, e fez questão de o dizer um dia destes.
«Pai, não fiques ofendido, mas gosto muito mais de futebol do que de bicicletas!»
Claro que não fiquei ofendido, nem sequer chateado, e o certo é que a influência se inverteu. Se ele já foi influenciado por mim para as bicicletas, atualmente sou claramente influenciado por ele para o futebol, desporto pelo qual sempre senti alguma aversão. Algo inédito aconteceu sábado, já que estivemos sentados nas bancadas do Estádio de São Miguel, num dos sectores destinados aos adeptos do Futebol Clube do Porto, a puxar pela nossa equipa - Porto! Sim, eu que sempre disse não ter equipa, assumi-me “azul”…

Não sou daqueles que diz não gostar de ginásios, mas há algum tempo que passei a encarar o exercício físico de uma forma mais simples, natural e descontraída, estando a prática muito mais associada ao ar livre e ao contacto com a natureza, do que ao estar fechado numa sala com máquinas e pesos. Mas lá está, a mudança de circunstâncias obrigou-me a fazer algumas adaptações nas minhas rotinas e lá voltei ao ginásio e à musculação, modalidade pela qual confesso nutrir um gosto especial, talvez por ter sido a primeira que comecei a praticar de forma séria e regular.

Há cerca de um ano dizia que muito provavelmente iria subir ao Pico da Barrosa no primeiro dia deste ano que agora está no seu final. Hoje, para o primeiro dia de 2019 digo que não sei. O mais certo é mesmo que não vá. Para já, não me estou a ver fazê-lo. Veremos…

11.12.18

Tão diferentes, mas tão iguais!


Rui Pereira

Nisso das bicicletas há inúmeras atitudes e formas de estar por parte de quem anda nelas, o que motiva diferenças enormes de andamento e de habilidade aos seus comandos.
Pensar na generalidade, onde existem apenas dois grupos diferentes, os profissionais e os entusiastas, diferentes entre si, mas internamente homogéneos, não é correto.
Aqui interessa-me falar essencialmente dos entusiastas, muitos deles verdadeiros atletas, onde a vastidão dentro do grupo é imensa.
Para quem está dentro do meio, isso nem sequer é assunto, por ser tão óbvio e indiscutível, mas sou muitas vezes interpelado por pessoas de "fora", que demonstram um grande desconhecimento neste sentido, não conseguindo alcançar o fosso que pode haver numa comparação entre praticantes aparentemente semelhantes.
A regularidade e a intensidade da prática, para não falar em métodos de treino, onde todo um modo de vida converge para o aumento da performance, fazem toda a diferença. Mesmo considerando unicamente o estatuto de amador e a possibilidade de não haver sequer uma grande intenção a montante.

Meti-me c'a besuga num camin que nã conhecia...
Aquilo era sempre a subi, mas era même a subi c'mó demónio!
Tava penande o gadêie, quase pronte pa Dês me levá...
Quande passa por mim um petchéne... C'ma nada!
- O senhô tá bem? - pergunta.
- Tá tude bem, sagrade! - respondi, tentande escondê a cara más páleda que um defunte.
- Sim senhô, té logue entã! - diz, acelarânde como se tevésse um motô na bcecléte!
Nisse, oia pa trás e apanha-me a fazê focins de dô. Nã dê tempe de desfarçá!
Ri-se, même c'aquela cara de gozanim, e dê-lhe semp'im quent...

E quem diz andar mais, diz ultrapassar obstáculos, saltar, fazer acrobacias e por aí a fora!

Isse há praí cada cabeça douda!
Esses demones fazim é cavalins, é burrins, é truques, é pules...
- Êh maldites, vocezes tamam devim de dá cada estacada, crêde!
E ê que pinsava que sabia andá de bcecléte e afenal nã sê fazê nada que se veja...
Sou même um zabela!

Claro que existem fatores importantes como a idade, a maneira de ser, o histórico desportivo e até a genética, mas a disposição, a entrega e a vontade de concretizar objetivos e de se superar são determinantes.
Óbvio é também o facto de que nem todos têm este propósito quando pedalam numa bicicleta. Eu sou um deles. Tenho uma visão mais abrangente e combinada das pedaladas, mas não deixo de reconhecer quem apresenta esta capacidade.

Às vezes, ouço alguns entusiastas criticar outros entusiastas, por supostamente pensarem ser profissionais, como também ouço estes outros entusiastas, supostamente profissionais segundo alguns entusiastas, que estes mesmos entusiastas não andam nada!

Todos entusiastas, tão diferentes, mas tão iguais!

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

21.06.18

Só ou acompanhado?


Rui Pereira

Acompanhado, mas…
Recordo com saudade o tempo em que andava de bicicleta em grupo. Formei um e integrei outros já formados. Sempre de BTT, numa altura em que a Estrada ainda era desconhecida para muita gente. Andar em grupo, nem que seja apenas nós e mais um/a, é indiscutivelmente mais entusiasmante e motivador, valendo igualmente pelo convívio e pela partilha.
Atualmente ando sempre sozinho. Ou quase sempre. O facto de ter divergido dos demais, ao nível da atitude e das opções, colocou-me numa posição intermédia e menos considerada. Não tenho andamento (nem faço por ter) para acompanhar quem já leva o ciclismo mais a sério, mas também tenho outro ritmo, quando comparado com quem encara as bicicletas com demasiada distância e descontração. E perante ritmos e atitudes diferentes, fica mais complicado gerir o esforço e o tempo, o que influencia negativamente na fluidez e na tranquilidade de uma volta, a não ser que seja um acontecimento de caráter excecional.
Para além disso, é o compromisso. De facto, andar em grupo implica compromisso. Implica seguir o que foi estipulado como hora de saída, ponto de encontro, trajeto, ritmo, etc. E isso causa-me alguma ansiedade e desconforto. Eu, que tantos domingos acordei mais cedo para atravessar a ilha de norte a sul ao encontro do grupo e que depois da volta fazia o trajeto em sentido contrário, sozinho, enquanto os meus companheiros já estariam de banho tomado e sentados à mesa para repor calorias. E fazia-o com gosto. Mas contradizendo o ditado popular de que “quem corre por gosto não cansa”, se calhar, cansei-me…

24.05.18

Vai para a ciclovia!


Rui Pereira

Foram-me relatadas buzinadelas… gritos… gesticulações agressivas!

Embora alguns automobilistas pensem o contrário, as vias onde existam faixas destinadas à circulação de velocípedes (ciclovias), não faz com que estes veículos estejam obrigados a circular nelas! O Artigo 78.º do Código de Estrada é esclarecedor:

“Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas.”

Sim, os utilizadores de bicicletas devem dar preferência a estas pistas especiais para a sua circulação, mas as coisas nem sempre são assim tão lineares e dependem das circunstâncias e do bom-senso. Não foi por acaso que se introduziu a palavra preferencialmente neste artigo na última revisão do Código da Estrada, em vigor desde 1 de janeiro de 2014.

Atente-se ao seguinte cenário como exemplo:
Domingo de manhã, dia agradável de sol e temperatura amena. Muitas pessoas e famílias aproveitam o dia de descanso e o bom tempo para atividades de lazer ao ar livre. Uns caminham, outros correm, outros ainda andam de bicicleta, de patins, de trotinetes. E fazem-no numa aprazível faixa litoral, com um passeio sobre o mar que engloba uma ciclovia. Um ciclista sai para a estrada para o seu habitual passeio matinal, equipado a rigor com a sua bicicleta de estrada. Ao atravessar a cidade opta por utilizar também a referida via. De notar que esta possui duas faixas de rodagem no mesmo sentido. Tendo em conta o facto de ser plana e com bom piso, mesmo imprimindo uma toada relativamente calma, uma bicicleta de estrada nestas circunstâncias vai circular sempre depressa demais para uma ciclovia, que nestas condições, terá inevitavelmente a presença de peões, tanto adultos como crianças.

Mas existem outros cenários e existem ciclovias que apenas pela sua conceção e localização são pouco apelativas à sua utilização, seja por conveniência, seja acima de tudo pela segurança, ou falta dela. Num mundo perfeito as ciclovias seriam irrepreensíveis na sua localização, nos acessos e dimensão. Não teriam a presença de peões e seriam em número suficiente, concebidas tanto para o lazer como para a utilização da bicicleta como meio de transporte diário. Estando nós muito longe dessa realidade, os automobilistas terão de se habituar à ideia de partilhar a estrada com outros veículos que não automóveis, fazendo-o com a naturalidade e o bom-senso que a situação impõe. Da mesma maneira, na falta de condições para o fazer numa ciclovia, os utilizadores de bicicletas deverão utilizar estas mesmas estradas de forma assertiva, preservando a sua segurança e minimizando possíveis efeitos negativos na fluidez do tráfego.

02.03.18

Uma questão de identificação!


Rui Pereira

Um dia destes, perante uma série de publicações em destaque, acedi unicamente aquela que tinha como título, algo com que me identifiquei de imediato. Da mesma forma, compreendo que pouca gente se identifique com as minhas publicações, exatamente por não se rever com aquilo que escrevo.
Ainda ontem, em conversa com um amigo, com o qual partilho gosto, visão e abordagem no que toca às bicicletas, dizia-lhe que, as bicicletas que mais me chamam à atenção ao entrar numa loja são absolutamente transparentes para muitas das pessoas que conheço ligadas às mesmas!
Uma vez, num passeio de BTT, estava presente um desconhecido que se apresentava com uma bicicleta peculiar. Uma XC daquelas à moda antiga, uma rígida, de guiador reto e curto, que notava-se ter uns bons anos de “vida”, embora estimada. Quando abordei a pessoa em causa, dizendo isso mesmo, ele reagiu de uma forma fria e seca, como se eu estivesse a escarnecer da sua bicicleta, quando a estava a elogiar!
De facto, apesar de me considerar relativamente flexível e abrangente, não me encaixo facilmente naquilo que é mais óbvio atualmente. Seja na abordagem, na utilização, na valorização e nas minhas opções relativas às bicicletas. Posso pontualmente seguir uma ou outra vertente, mas afasto-me claramente das atuais tendências.
A necessidade de tecnologia, da leveza levado ao extremo, de materiais e equipamentos de topo no que toca à sua manufatura, nobreza e grau de eficiência, com respetivo preço a condizer, não é exatamente aquilo que mais me diz numa bicicleta, até pelo contrário. O que não quer dizer que não seja perfeitamente capaz de os admirar.
Não sou fundamentalista, mas sou claramente conservador em muitos aspetos. Troco a tecnologia pela tradição e a eficiência pela descontração. Privilegio o clássico e o intemporal ao moderno e futurista. Prefiro o nicho às massas. E lamento que ainda não se dê a devida importância à função mais básica da bicicleta.
Este será mais um texto pouco popular e de difícil identificação. Um texto que vai contra a norma vigente, que a maior parte dos interessados segue disciplinadamente, seja por motivações pessoais, seja por pressões de marketing e de mercado. Mas sei que alguns estão comigo. Poucos é certo, mas, com certeza, bons!

23.02.18

Ciclovia da discórdia!


Rui Pereira

Quem me conhece sabe que não sou um grande defensor de ciclovias. Reconheço a utilidade e a importância destas estruturas viárias, mas não as acho determinantes para a mobilidade urbana, pelo menos tendo em conta a nossa realidade. Mais relevantes considero a disponibilização de lugares de estacionamento para bicicletas em pontos estratégicos e a inibição de circulação e acalmia do tráfego automóvel nos centros urbanos, dando prioridade à circulação de peões e de meios de locomoção suaves. Mas existe uma componente lúdica e de lazer das ciclovias que não é de descurar, pelo elevado nível de satisfação e de bem-estar que podem proporcionar.

 

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Neste momento, está em curso a execução de uma ciclovia na cidade de Ponta Delgada, num troço que faz a ligação entre as existentes ciclovias das Portas do Mar e da Avenida do Mar. Para além da ciclovia, a obra integra naturalmente todo o embelezamento da zona intervencionada, onde já é possível observar o excelente trabalho de calcetaria feito nos passeios e a existência de uma faixa ajardinada, que para além da função estética serve também de separador entre a zona destinada aos peões e a faixa destinada aos velocípedes.
Na minha opinião, pelo local em si, pela quantidade de pessoas que utilizam toda aquela faixa litoral e pelos constrangimentos sentidos pelas mesmas, para não falar no importante contributo para a promoção de hábitos de vida saudáveis e aprazíveis, esta obra faz todo o sentido, considerando-a mesmo fundamental.

 

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Publicações inflamadas em redes sociais é algo de que fujo a sete pés, não leio, nem muito menos argumento, mas, às vezes, influenciado pelo tema, esbarro com uma ou outra e respetivas reações. Dois minutos chegam e sobram para entender o discurso indignado do costume. São só privilégios para as bicicletas e para quem anda nelas, não pagam qualquer taxa ou imposto de circulação, não têm seguro... (e por aí a fora), e ainda usam faixas de rodagem automóvel para fazer uma ciclovia, para uma minoria! Tempo perdido, portanto. Salvam-se os comentários de quem tenta fazer ver o outro lado. Gabo-lhes a vontade!

 

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Sigamos os bons exemplos e o que é premente e suposto seguir. Não é suposto criar entraves a um meio de locomoção que é encarado por todos como parte da solução, pois não? E é suposto criar-se condições para que as pessoas virem costas ao comodismo e venham para a rua exercitar-se em prol da sua saúde física e mental, beneficiando do melhor que o local onde vivem tem para oferecer, não é?
Então pronto.

22.02.18

Eu, ativista das bicicletas, não me confesso!


Rui Pereira

O meu ativismo em prol das bicicletas fica-se pelo exemplo. Quando subo para o seu selim e pedalo alegremente, mesmo com circunstâncias que nem sempre são as teoricamente propícias para o efeito. Não pretendo influenciar ninguém, nem tenho paciência para estar a envolver-me em conflitos com indignados, presos a paradigmas esgotados e insustentáveis, que não estão minimamente interessados em saber o que os outros têm para lhes dizer e que apenas conhecem uma verdade, a sua!
Se a minha redescoberta das bicicletas está a fazer uma década, a utilização como meio de transporte tem cerca de meia dúzia de anos. O início não foi fácil, ou não fosse eu mais um que implicava o automóvel em toda e qualquer rotina da minha vida, não conseguindo visualizar as coisas de outra forma. Continuo sendo automobilista, mas já dei o passo em frente. Aos poucos “cresci”, porque ao contrário do que comummente se pensa, a opção bicicleta é um avanço e não um retrocesso, e hoje já não vejo a minha vida sem ela. Ou melhor, sem elas. E quero-as, todas, cada vez mais presentes.
Tenho a minha visão e forma de encarar as bicicletas, como os outros terão a sua, mas pela minha experiência, acho um desperdício encará-las apenas nos departamentos desporto e lazer, e menos positiva a tendência para exacerbar a sofisticação e complexificação daquilo que é tão simples na sua essência. Mas lá está, cada um faça como mais lhe convier. Se calhar, também quem as vê sob outros prismas, ache um desperdício eu não aproveitar todo o lado de treino, desafio e competição que proporcionam. De uma forma ou de outra, qualquer relação com as bicicletas é sempre uma mais-valia.
Sou apenas um utilizador de bicicletas, que faz por aproveitar aquilo que elas proporcionam. Liberdade, conveniência, saúde, prazer…