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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

09.09.20

O meu mundo de bicicleta!


Rui Pereira

globe_roll1_mundo.jpg

 

O meu mundo é pequenino. O que contrasta consideravelmente com o gosto, a vontade e a motivação. E a tendência para traçar um rumo próprio, portanto, diferente do da maioria.
Esta bicicleta preta, que foi cuidadosamente pousada no chão para a fotografia, não aparece por acaso. Quero acreditar que não será o culminar do trajeto escolhido, mas foi com certeza o seu ponto de partida. E continua a ser o meu cavalo de batalha!
Como utilizador de bicicletas sou pequeno e circulo num território equivalente. Até a minha bicicleta o é, não passando de uma simples e banal fixie de catálogo, escolhida exatamente pela sua ligação direta roda/pedais e por não ter mudanças.
Toda esta pequenez não me belisca. Não me importo. Nunca foi um obstáculo impossível para ter ou fazer aquilo que queria, embora já tenha acreditado que sim. Claro que torna todo o percurso um pouco mais difícil…
Não que queira ser muito grande, mas tenho mais dificuldade em crescer como utilizador de bicicletas. Não que queira ter uma montra tecnológica de carreto fixo, mas tenho mais dificuldade em ter uma ferramenta mais próxima daquilo que gostava para completar o meu percurso. O terreno será sempre curto na extensão e de difícil progressão.
As bicicletas são a minha opção. O carreto fixo também. Neste meu pequeno mundo, as ainda mais pequenas fixed-gear vão ganhando dimensão!

03.09.20

Destino certo!

Carreto fixo


Rui Pereira

Espreitei pela janela enquanto aguardava a minha vez de sair. O céu nublado era favorável à concretização…

Quando se fala em bicicletas sem mudanças e de carreto fixo, o foco normalmente aponta para as suas limitações. O elevado e escusado nível de exigência e o quanto são desadequadas para todos os perfis de percursos que não os planos.

Tirei a Globe Roll1 do suporte e corrigi a pressão dos pneus. Na verdade, e excecionalmente, a correção foi para além dos valores recomendados…

A ideia geral é que até são bicicletas bonitas e chamam a atenção pela diferença, mas que na realidade não passam de um capricho inútil de algum hipster que, 1) não deve saber o que é uma bicicleta "a sério"; 2) quer apenas dar nas vistas!

Ataquei quatro fatias de pão com manteiga de amendoim que empurrei com um copo grande de café com leite. Finalizei com uma peça de fruta…

Os preconceitos existentes partem dos próprios proprietários - falo por mim. Pensei e acabei por comprar. Pensei que se calhar não devia ter comprado, que não era para mim. Tive-a com roda-livre. Pensei que nunca mais conseguiria fazer skids. Pensei que nunca poderia ir com ela ali ou acolá, que para isso tinha as outras.

Comecei a traçar mentalmente qual a rota a seguir…

Esquecia-me que não podia parar de pedalar. Ela não perdoava. Hoje, acontece muito pouco. Comecei a sair mais. Comecei a sentir mais. As coisas foram fluindo naturalmente. Hoje saio com elas como se fossem qualquer uma das minhas outras bicicletas. Não devem ser subestimadas, mas são bicicletas. Diferentes é certo, mas bicicletas. E válidas!

Recebi o testemunho e, portanto, tinha luz verde para avançar. Reforcei a hidratação…

E as bicicletas são para serem pedaladas. Estas pedaladas podem ser mais ou menos condicionadas pelas suas caraterísticas, mas o fator decisivo é a nossa cabeça. Felizmente a minha está mais aberta e recetiva do que nunca. E acredito que é possível fazer mais e ir mais longe, dentro de valores aceitáveis ao nível da sanidade mental e do espírito de sacrifício. O corpo esse, vai-se adaptando.

Saí.
Destino - Vista do Rei.

globe_vista_rei.jpg

12.08.20

Azores Fixed


Rui Pereira

azoresfixed_bottle.jpg

 

As bicicletas de carreto fixo, pelo conceito e estética, já reinavam entre as minhas preferidas quando ainda nem sequer tinha experimentado uma. O gosto e o entusiasmo, e a intenção que deixavam transparecer de querer ter uma fixed era vista com desconfiança, encarada como uma utopia e subtil ou descaradamente desaconselhada.

A oportunidade de experimentar tão peculiar bicicleta surgiu em 2013, exatamente quando aconteceu o Azores Fixed pela primeira vez, para mim, o mais espetacular evento com bicicletas que acontece por cá!
Contraditoriamente, é modesto e está muito restrito aos seus poucos intervenientes. E tem aquela dureza própria da natureza das bicicletas utilizadas e da orografia das ilhas. É aí, e nas pessoas, que reside a sua beleza!
Eu, como adepto e apreciador, aguardo os resumos diários e as espetaculares imagens ilustrativas. Por duas vezes, tive oportunidade de pedalar lado-a-lado com estes bravos - e bravas, atenção! – e sentir o excelente ambiente e companheirismo que existe no seio do grupo.
São essencialmente continentais (menos o seu mentor que é de cá) que, durante alguns dias, sentem verdadeiramente a força e a natureza destes pequenos rochedos espalhados no meio do Atlântico. Sendo eles próprios ilhéus ligados à terra da forma mais intensa, através de duas rodas e um carreto fixo, alguns, note-se, sem travões!

A palavra visceral foi a melhor que encontrei para descrever a relação com as minhas fixed-gear. Com as subidas e as descidas. No caso do Azores Fixed as dificuldades são elevadas para outro nível, tal como a entrega. E ninguém o faz para ficar à frente de alguém, nem para bater o tempo de um cronómetro, nem para ostentar uma medalha ao pescoço…

Loucos? Talvez, um pouco! E gostam muito de bicicletas. E andam muito de bicicleta!
Sofrem bastante, correm riscos, e sofrem mais um bocadinho, ainda!
Mas acaba um Azores Fixed e no meio das saudades deste, já estão a pensar no próximo…
Vivem toda a preparação, a troca de ideias, a execução da imagem diferente em cada edição, as camisolas e os autocolantes alusivos, nesta última, até as garrafas! Vivem a emoção, o desafio e a aventura. Vivem o empacotar e o desempacotar das bicicletas. Vivem os mais pequenos pormenores!

Pelo menos é o que depreendo do que vejo…

Que desfrutam!
Que sentem as bicicletas!
Que sentem a(s) Ilha(s)!

 

24.07.20

Mudança única e carreto fixo! (2)

Globe Roll 01 - Seis anos depois


Rui Pereira

Uma grande superfície ligada ao desporto tinha na montra uma fixie, soube por um colega. Andava há muito tempo a “estudar” a compra duma. Ao final do dia fui vê-la. Não era uma maravilha, mas em compensação era barata. Ponderei.
Bicicletas do género não eram (nem são) nada fáceis de ver por cá. Também achei não ser razoável fazer muito investimento, porque havia sempre a possibilidade de não me adaptar. A compra à distância deixou de ser opção, e assim, tinha registada a Globe Roll 01 disponível na minha loja de referência. Mas, ainda era cara. Não perdia nada em saber se me conseguiam fazer melhores condições de aquisição antes de tomar uma decisão. Fizeram.
A opção da grande superfície ficou posta de lado e no dia seguinte de manhã, um sábado, estava na loja para levantar a Globe. Entusiasmado e apreensivo. O normal, portanto.
Já lá vão 6 anos. O decorrer do tempo já mostrou diferentes níveis de proximidade e interação, diferentes configurações, entre fixed-gear e singlespeed, e pouca personalização, sendo que a última e mais relevante foi a troca do guiador original por um reto de maior dimensão. O certo é que nunca tive tão próximo desta bicicleta e do seu conceito como estou agora!
A Globe Roll 01 foi a minha janela de oportunidade, a minha porta de entrada num mundo novo, no que diz respeito às bicicletas. Um mundo que me diz muito e com o qual, cada vez mais, me identifico.
Tal como disse em 2014, aquando da sua compra, continuo a dizer com legitimidade e orgulho:


“My legs are my gears”

globe_janela.jpg

22.07.20

Meia bicicleta...


Rui Pereira

globe_santa_iria.jpg


Gosto dessa imagem.
Mostra o meu mar. A minha ilha. E uma das minhas bicicletas favoritas.
O céu baixo e cinzento que esbate o tradicional azul do mar. A vegetação singela e menos viçosa do que o habitual, contrastando cores entre o verde e o castanho. Os apontamentos de amarelo e branco das flores silvestres. Um par de árvores. Um retângulo de pastagem. Lá mais à frente, vestígios de civilização. A neblina.
A representação de uma manhã de domingo calma e tristonha, apesar do algum vento que se fazia sentir e que a imagem não consegue mostrar. Tudo parece estático, como que uma paragem do tempo. Um bloqueio. O congelar do momento.
E o que dizer da minha Globe? A minha querida bicicleta de carreto fixo. A primeira. A sua imagem simples, limpa, discreta, monocromática e minimalista. Do preto sobressai um pequeno desenho que lhe adorna a frente, a imagem deste blogue. E tão bem integrada na paisagem que está a minha bicicleta.
Está patente uma tranquilidade que normalmente não lhe carateriza. Parece tão serena! A bicicleta do tudo ou nada. De vontade e dinâmicas muito próprias. Do feitio muito especial.
Nem tudo o que aparece é, ou apenas é mostrado um outro lado...
Gosto mesmo dessa imagem.
É meia bicicleta que vale por bicicleta e meia!

17.07.20

Deslocações com a Gloria

Bicicleta de carreto fixo!


Rui Pereira

Foi no início de julho, depois de uns dias de férias, que decidi que a Gloria Magenta seria a bicicleta para fazer as minhas deslocações diárias.
Tendo duas fixed-gear (paradas), sendo estas das minhas bicicletas preferidas e que mais gozo me dão andar, não fazia muito sentido continuar a usar as citadinas Órbita, quando podia usar uma delas, também perfeitamente adequadas para o efeito.
Na altura fiz algumas adaptações que considerei necessárias, quer pessoalmente quer na máquina, mas no início desta semana voltei à carga.

gloria_fixie_commute.jpg


- O selim já é o terceiro que a Gloria recebe, excluindo o original. Pertencente à fixie Globe, estava guardado num armário e acabou por se revelar o mais adequado para mim, até esteticamente.
- Como recurso extra de segurança deixei a pinça do travão dianteiro instalada. Já as respetivas manete e espiral também derivam da Globe. Nesta última atualização cortei substancialmente o comprimento do cabo e da espiral, apenas como apontamento estético.
- Um acessório inicialmente montado, mas que pela sua relevância destaco agora - descanso lateral. É um descanso poder contar com ele para a sustentar de pé sem ter de estar encostada a algo. Sei que costuma ser dos primeiros itens a ser dispensado, mas para mim e para o objetivo em questão é daquelas coisas que faz toda a diferença.
- Também já é o terceiro par de pedais que monto. As originais e agressivas plataformas em alumínio, nunca usadas, deram lugar a umas com gaiola, mais uma vez vindas da Globe. Estas foram trocadas por uns pedais de encaixe aos quais foram acopladas umas plataformas específicas numa das faces, que por fim cederam o lugar a umas plataformas plásticas de vocação citadina. Neste departamento, concluo que o ideal seriam umas plataformas de resina (coloridas!) com correias em nylon, para ficar perfeita.
- Não sendo uma novidade, deixo apenas nota do guiador plano que substitui o original, tendo sido cortado ao limite e que contribui definitivamente para a imagem diferencidora da Gloria.
Até agora, ter esta bicicleta como companheira de estrada nas minhas deslocações diárias foi uma decisão acertada. Se peca por alguma coisa, é apenas por não ter sido tomada mais cedo.

09.07.20

Ilustrações trocadas


Rui Pereira

globe_ruinas.jpg

Indeciso quanto à escolha da imagem para ilustrar o meu texto anterior, acabei por escolher aquela que achei fazer mais sentido. A realidade é que a bicicleta em causa é esta que aparece agora, a Globe Roll 01.

Eh Rui, acho que esta é a bicicleta mais bonita que tu tens!

Esta foi uma afirmação mais recente, feita por um amigo, perante uma das minhas bicicletas de carreto fixo, que passou a fazer parte da minha rotina diária, a mesma que apareceu na publicação de ontem, a Gloria Magenta.

Publicações certas com ilustrações trocadas, mas que fazem sentido. Um pretexto para publicar mais umas fotografias destas peculiares bicicletas. O mesmo retorno.

Conclusão: eu sou chato (por estar sempre a carregar na mesma tecla) e estas bicicletas são especiais!

08.07.20

Outro mundo!


Rui Pereira

Esta bicicleta é tão clean, tão simples… É muito bonita!
Às vezes temos a mania… e esta é assim, e…

Foi mais ou menos isso que ouvi quando me cruzei com um casal amigo numa volta de domingo aos comandos de uma das minhas bicicletas de carreto fixo. E se calhar não foi por acaso que surgiu da parte do elemento feminino. O masculino estava mais preocupado em saber se era aquela a bicicleta com que costumava andar… Sensibilidade?
Devo ser um bocadinho suspeito para concordar com estas afirmações, mas estão perfeitamente alinhadas com o que venho defendendo há muito tempo.
Uma bicicleta básica não passa muito de uma estrutura de tubos metálicos soldados, um par de rodas, uma corrente, umas rodas dentadas, um guiador, um selim e umas alavancas com pedais…
É simples, não é?
E esta simplicidade não lhe belisca em nada a beleza ou a função, muito pelo contrário.
Enquanto que o mundo à minha volta continua sedento de inovação, eficácia e tecnologia, numa busca inglória de algo único, como se da última bolacha do pacote se tratasse, com um prazo de validade cada vez mais curto, eu pedalo num mundo paralelo muito mais básico, puro, natural, duradouro, descomplicado e… estiloso!

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07.07.20

Fixies, skids, joelhos, presente, futuro!


Rui Pereira

Os meus joelhos ressentem-se dos skids
Mas é mais forte do que eu, agora que finalmente domino a manobra com mais à vontade e não resisto fazê-la. E não posso exatamente usar o argumento - necessidade, uma vez que para contrariar o movimento excessivo dos pedais à força de pernas conto com o auxílio do travão dianteiro.
Os meus joelhos também se ressentem desta mesma rotação elevada e da minha oposição…
Passa-me tanta coisa pela cabeça…
Não ter nem 20 nem 30 anos, que é o mesmo que dizer que devia ter-me dedicado mais cedo e que já tenho idade para ter juízo; ter de gerir as minhas mazelas e respetivas consequências; estar a desgastar pneu escusadamente.
Ou a memória é curta ou a atração é tão grande que nada é motivo para, domingo após domingo, não levar a fixed-gear para a estrada.
Quem anda de bicicleta sabe que a luta com a respetiva é uma constante. No caso de uma bicicleta tão peculiar a luta é ainda mais intensa, crua e visceral.
Será que o meu joelho esquerdo vai aguentar mais uma ou duas décadas disso? Não sei. Tenho consciência que é preciso alguma moderação e preservação, mas não vou deixar aquilo que tanto gozo me dá fazer em nome do incerto.
Assim, o certo é que (muito provavelmente) vou-me queixar do(s) joelho(s)...
Não é uma coisa boa, mas acho que existem piores. Como por exemplo, daqui a uns anos, estar sentado num sofá em frente à televisão, com os joelhos lixados na mesma, já sem poder andar de bicicleta, a pensar no quanto devia ter aproveitado hoje…

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27.03.20

"As minhas gatas”


Rui Pereira

2fixed.jpg

Há 10 anos atrás, se me dissessem que hoje estas seriam as minhas bicicletas preferidas, não acreditaria.
Com o passar dos anos podia estar a ficar mais burguês e conservador, mas não!
As minhas bicicletas de carreto fixo reúnem, como nenhumas, aquilo que mais privilegio atualmente numa bicicleta.
São encantadoramente radicais!
Tenho bicicletas muito melhores, tecnologicamente falando, mais sofisticadas, eficazes e caras, mas falta-lhes carisma e caráter, e aquela imagem simples, limpa e minimalista que tanto aprecio.
Para além disso, não permitem uma interação tão peculiar e próxima, elevada ao nível da personificação, como acontece com as fixed-gear.

2fixed_gata.jpg

A gata que surgiu na fotografia é dos meus vizinhos do lado de baixo.
Os do lado de cima também têm uma.
Fazem questão de aparecer quando estamos lá fora.
Não são nossas, acho que gostam de nós.
Nós também gostamos delas, quase tanto como se fossem…