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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

14.12.20

Pedalada no vazio!


Rui Pereira

Já não saía de bicicleta há algum tempo. Levantei-me do sofá, tirei a fixie da parede e fui dar uma volta. Precisava espairecer a cabeça e mexer o corpo.
Estava uma tarde tristonha e pouco convidativa para atividades ao ar livre, fazendo-se sentir algum vento e a prevista descida da temperatura. A volta estava também condicionada no espaço. Era tudo meio estranho. Estar de bicicleta num domingo é normal, mas não aquela hora nem naquelas condições.
A Globe tinha uns pneus novos montados. Novos para ela, porque na verdade não o são. Achei-os muito duros quando os montei, mas mesmo assim arrisquei.
Na zona mais inclinada da ciclovia, enquanto carregava sobre os pedais de pé, a roda desliza repentinamente e dou uma pedalada em vazio fazendo com que perdesse o controlo da bicicleta, tendo inclusive saído da ciclovia para a faixa de rodagem sentado em cima do tubo superior do quadro encostado ao guiador… apanhei um cagaço do caraças!
Não tive o discernimento de verificar no local se haveria alguma particularidade no piso que me tivesse feito perder a tração daquela maneira, mas depois de me recompor pensei logo nos pneus. Não sei, tenho de fazer uma avaliação mais concreta, mas se se confirmar juro que desfaço os sacanas à força de skids.

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23.11.20

“Ovelha fora do rebanho”

Rui Pereira


Rui Pereira

Somos poucos, mas somos alguns com bicicletas de carreto fixo aqui na ilha. Lembrei-me de fazer algumas questões como forma de dar a conhecer o porquê desta opção, as bicicletas envolvidas, entre outras particularidades associadas. Digamos que é uma espécie de rubrica apelidada de “Ovelha fora do rebanho”, título que resultou diretamente da última pergunta deste mesmo questionário, já que me fez todo o sentido.

E como tinha de começar por alguém, aqui estou eu.

Agora, de repente, começavam todos a dispensar as mudanças nas bicicletas e a andar de carreto fixo…
E começavam todos a gostar mais de quadros em liga de aço do que de carbono…
Hein?! Não vai acontecer!

Como é que tudo começou?
- A partir do momento em que as bicicletas começaram a ser uma prioridade e me voltei para opções mais alternativas, as fixed-gear, ou bicicletas de carreto fixo, passaram a constar das minhas preferências. Fiquei fascinado com elas propriamente, mas também com a cultura e todo o movimento à sua volta. Da vontade de ter à concretização, ainda houve um período considerável de ponderação e amadurecimento da ideia.

Carreto fixo ou roda livre?
- Carreto fixo, claro. As minhas bicicletas têm um cubo de roda que permite as duas possibilidades, mas até já tirei a roda livre de uma delas e só não tirei da outra porque aquilo não quer sair por nada!

Carreto fixo, porquê?
- É uma boa pergunta. E fico sempre com a sensação que por mais que explique nunca consigo transmitir realmente a razão, que na verdade são várias. Pela estética e simplicidade. Pelo conceito único e desafiante. Pela rebeldia e rutura com o que está instituído e é aceite.
Começar a andar com uma bicicleta de carreto fixo é quase como começar a andar de bicicleta. Com o tempo e um processo de aceitação, a sensação de montá-las vai de estranha e difícil a incrível. A ligação homem/máquina é única!

Com ou sem travões?
- Depende. Pela estética, pureza e desafio, e em teoria, sem travões. Na prática e por questões de segurança, tendo em conta o uso que lhes dou e a nossa peculiar orografia, com travão dianteiro.

Número, material e relação de transmissão?
- Tenho duas. A Globe Roll 01 com o quadro em liga de aço e uma transmissão de 42X17, e a Gloria Magenta com o quadro em aço e uma relação de 42X18. Ambas com rodas de alumínio e periféricos banais. São de vocação mais citadina e para zonas mais planas, mas faço muito mais do que isso, pelo menos com uma delas (Globe). Têm transmissões relativamente “amigáveis” nas subidas, mas castigadoras nas descidas, já que os pedais atingem rotações muito elevadas. Sim, porque eles nunca param!

De catálogo ou montadas? De sonho?
- São ambas de catálogo e foram compradas novas. Mas ao contrário da Globe, que não foi sujeita a grandes alterações, a Gloria foi toda desmontada no dia em que chegou a casa e está bem diferente daquilo que era. Por acaso, deu-me muito gozo fazê-lo. E exatamente por isso gostava muito de um dia poder montar uma ao meu gosto, peça a peça. Não tenho muitos sonhos nem os que tenho são muito extravagantes, mas uma RODAGIRA
Das minhas posso revelar uma curiosidade: Considerando os valores de aquisição, o da Globe dava para comprar três Glorias. À vista até podem parecer semelhantes, mas dinamicamente são bem diferentes.

Uma bicicleta de carreto fixo é uma espécie de “ovelha fora do rebanho”?
- Não. Uma bicicleta de carreto fixo é claramente o lobo. A ovelha fora do rebanho sou eu!

26.10.20

Bicicletas únicas, sensações únicas!


Rui Pereira

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No meu último texto, repleto de questões, mencionei algo que é inquestionável. Adoro as sensações e a ligação que tenho com as minhas bicicletas no geral, mas que são substancialmente mais fortes e relevantes com as minhas bicicletas de carreto fixo. É inquestionável. Desde logo pela sua estética e conceito, perfeitamente alinhados com as minhas preferências, onde pureza e simplicidade lideram. Depois, já aos seus comandos, pela combinação entre desafio e divertimento, onde sou chamado a mostrar certas habilidades raramente requeridas. As suas particularidades exigem entrega e dedicação, e isso gera uma proximidade e uma ligação muito superiores. As dificuldades encontradas acabam por ser relativizadas dando lugar à normalidade e fluidez possíveis. As bicicletas de carreto fixo são únicas e transmitem sensações igualmente únicas. E eu… bom, eu adoro isso!

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