Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

23.09.19

Nós não somos feitos de açúcar!


Rui Pereira

Quando se dá bons exemplos da utilização da bicicleta como meio de transporte em ambiente urbano, fala-se (e bem) de cidades como Copenhaga, Amsterdão, entre outras.

Alguns argumentam (desculpando-se):
- Ah, são planas;
- Ah, têm imensas ciclovias;
- Ah, têm facilidades e apoios;
- Ah, …
- Ah, …

São e têm isso tudo, mas também têm invernos bastante rigorosos, com dias pequenos, frio e chuva com fartura, e neve e gelo!
E grande parte dos utilizadores de bicicletas nas outras estações do ano, crianças incluídas, continuam a sê-lo no inverno!

- Ah e tal, a chuva…

Sim senhor, é chato e requer alguma adaptação, mas que eu saiba, nós não somos feitos de açúcar!

18.09.19

Luz ao fundo do túnel


Rui Pereira

Antes de começar a utilizar efetivamente a bicicleta, não estava exatamente num túnel sem saída, nem necessariamente às escuras, mas era, sem dúvida, mais limitado, comodista e preconceituoso.
Assim, posso concluir que a bicicleta, para mim, ao nível da mobilidade, foi uma espécie de luz ao fundo do túnel.
Sem ela, muito provavelmente ainda andaria agarrado aos mesmos (maus) hábitos e pretextos de sempre!

bike_tunel.JPG

12.09.19

Do comodismo ao luxo!


Rui Pereira

ride_a_bike.JPG
"TP15"

Mudar, e implementar um novo hábito, principalmente quando este choca substancialmente com a nossa comodidade e zona de conforto, não é fácil. Fácil é arranjar desculpas para não o fazer!
Trocar o carro pela bicicleta nas minhas deslocações urbanas foi bastante difícil. Este hábito, a que chamo de luxo agora, levou algum (muito) tempo a ser implementado. Após o seu arranque aguentei apenas uma semana e facilmente cedi à voz que me sussurrava a cada saída:
«Deixa-te disso. Pega na chave do carro e vamos embora!»
Só alguns meses depois, por força das circunstâncias mais determinado do que nunca, ciente dos erros cometidos anteriormente e da inevitabilidade dos fatores que não dependiam de mim, adaptei-me e empenhei-me nesta mudança que se tornou um hábito impensável de mudar, um luxo impossível de deixar.

11.09.19

Luxos…


Rui Pereira

Utilizar a força física para nos deslocarmos pela cidade, aos comandos de uma vulgar bicicleta, fazendo dela o nosso meio de transporte preferencial, ainda é visto como algo estranho e que facilmente se associa à falta de capacidade financeira para fazê-lo de uma forma mais cómoda e pomposa, que é o mesmo que dizer, de carro!

A minha experiência, que tem a dimensão e o valor que tem, faz-me pensar exatamente ao contrário. É um luxo poder manter o carro parado todo o dia e fazer as minhas deslocações pela cidade de bicicleta! Considero-me mesmo um privilegiado, tendo em conta a conveniência, o exercício e a poupança (financeira e ambiental) que faço, mas, acima de tudo, o prazer e a liberdade que sinto ao pedalar, por si só, e por todos os outros benefícios associados!

rent_city_bike.jpg

05.09.19

Uma velha bicicleta repousa encostada a um poste...


Rui Pereira

Conta com alguns anos e com outras tantas marcas.
Parece já não rolar com a alegria de outros tempos, mas nem sempre tudo o que parece é.
Alguns dos seus componentes mostram-se sujos, desgastados, cansados, mas o conjunto continua a servir os seus propósitos.
Nunca foi uma velocista, portanto não irá encarnar uma agora…
Vale pela nobreza da sua utilidade e pela diferença. Pelos diversos pormenores que marcam a sua diferença.
A velha bicicleta perdeu o brilho que a caracterizava, mas ganhou uma patine que lhe dá um charme único e especial.
Para alguns, não passará de uma bicicleta velha. Para outros, é uma nobre e histórica companheira de duas rodas a pedais que mantém a beleza, a dignidade e a função.
A velha bicicleta repousa encostada a um poste, mas está à espera. À espera de levar e ser levada. Pronta para rolar, cumprir, ir, para onde tiver de ser…

bike_pasteleira.jpg

23.07.19

Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima…


Rui Pereira

Cedo habituei-me a empenhar uma condução defensiva. Tal como ganhei algum à vontade em circular nas e entre as filas de trânsito. A mota a isso obrigava.
Foram aprendizagens positivas e importantes e, de imediato, aplicadas na condução das bicicletas.
De facto, circular num meio de locomoção suave entre ciclovias e estradas, algures no meio dos peões e dos automóveis, obriga a alguma ginástica mental e a uma capacidade de análise de comportamentos, no sentido de prever os movimentos dos primeiros e as possíveis manobras dos segundos.
Mesmo assim, existem sempre surpresas!
Surpresas também da parte de quem vai sobre os pedais. Pelo menos para mim. E não estou a falar de comportamentos arriscados e fora da lei, embora na verdade alguns também o sejam. Falo de excesso de zelo e de cuidados. Desde logo encarando a bicicleta como um objeto perigoso. De ter um medo excessivo de circular na estrada, vendo perigo em tudo e todos.
Circular em bicicletas desajustadas ao nível ergonómico; circular demasiado junto às bermas, ou pior, pelos passeios; circular em contramão; circular a velocidades demasiadamente reduzidas, são alguns exemplos em nome do receio.
Estes comportamentos são capazes de serem mais perigosos do que os supostos perigos que teoricamente se estão a evitar.
Atenção, a estrada é um ambiente perigoso e quanto mais movimentada pior. Mas circular constantemente com medo e estar sempre a pensar nos perigos, e que algo de mau pode acontecer, não é a melhor forma de evitá-lo. Aliás, é a pior.
Circular numa estrada de bicicleta requer atenção e cuidado. Estar alerta. Mas também saber marcar a nossa presença, com um posicionamento e velocidade adequados às condições.
Se todas as vezes que ando de bicicleta pensasse que ia levar com um carro em cima… Já não andava de bicicleta!

09.07.19

"O senhor é barra!"


Rui Pereira

Pausa para almoço. Estava a chegar ao local do costume para mais uma sessão de exercício, quando sou brindado com um elogio por um miúdo que lá estava:

- O senhor é barra!
- Hein?
- O senhor é barra!
- Ah… Mais ou menos! (risos)

No mesmo local, interrompi a referida sessão para ir ver a bicicleta nova de uma amiga que finalmente concretizou o seu objetivo. Ao tempo que me abordava sobre o tema! Foi a sua estreia. A bicicleta escolhida foi uma simples dobrável, acima de tudo pela facilidade com que se transporta na mala do carro e se arruma em qualquer local.
Já de regresso, aos comandos da minha Órbita, cruzo-me com uma desconhecida que também seguia de bicicleta. Aliás, andava calmamente a desfrutar da bicicleta para cá e para lá.
Em ambos os casos, mesmo com os possíveis constrangimentos associados, perfeitamente normais, as suas caras espelhavam a satisfação, a liberdade, a realização e o orgulho que sentiam. Reconheço logo, até porque não raras as vezes também o sinto. Ainda o sinto. E sei que também consigo transparecer isso mesmo.