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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

13.03.14

As bicicletas não se medem, apreciam-se!


Rui Pereira

A abordagem que faço às bicicletas é algo peculiar, pelo menos dentro do meio onde me movimento.

Interessa-me pouco a nobreza e a leveza do material que as compõem, a gama dos periféricos, o perfil das rodas, entre outras miudezas, que legitimamente centram a atenção de muitos. Não é algo que deseje, mas sei apreciar, principalmente quando qualidade, eficiência e estética estão em plena conjugação.
No ciclismo a competição não me inspira especialmente, mas reconheço a sua importância e não a desprezo. Nem que seja por ser relativa a algo que me diz muito, gosto de acompanhar, à minha maneira. Ocasionalmente, se me apetece até se faz uma perninha…
Quando ando de bicicleta não treino, os treinos deixo-os para o ginásio. Quando pego na bicicleta e saio para a rua é simplesmente para andar de bicicleta.
Bicicleta também é desporto, mas não é só desporto!
Curiosamente o mais pequeno ciclista cá de casa vibra com as provas de bicicleta. Embora seja normal que lhe tente incutir a minha linha de pensamento, não posso negar-lhe o acesso às mesmas. Aliás, fui eu quem lhe facultou este acesso e vou continuar a fazê-lo, enquanto ele assim o desejar. Ou seja, enquanto houver gosto, entusiasmo e empenho.

«Pai, quando houver provas nem precisas de me perguntar se quero ir, inscreves-me logo!»

Já quase sabe de cor os locais e a ordem das provas deste ano. Faz a contagem decrescente de cada dia que falta para o dia de prova. As medalhas que recebe são todas levadas para o colégio para mostrar à professora e aos colegas. Independentemente dos resultados, o ritual repete-se todas as vezes.

Há algum tempo adquiri uma bicicleta dobrável em segunda mão, como nova. Foi daquelas situações em que tudo estava em sintonia. A intenção de uma utilização urbana ficou por isso mesmo, depois do seu quadro me ter pregado uma partida, ou se calhar porque não me é assim tão conveniente.
Mas a minha bicicleta portuguesa em aço, de roda 20, com umas meras 6 velocidades, com periféricos de entrada de gama, com grupo de luz, guarda-lamas e suporte de bagagem, com um preço quase ridículo para os valores a que estamos habituados, que apresenta algumas manhas na hora de dobrar ou de montar/desmontar algum componente e que, pasmem-se, tem um peso bruto declarado de 17,200kg… é a minha/nossa “menina”! (Está ali um degrau abaixo da Allez Steel...)
Pode não transpirar qualidade e tecnologia, pode não ser o suprassumo da eficácia e da eficiência, mas é honesta e incrivelmente suave e confortável… E é linda!

O valor intrínseco das coisas, neste caso das bicicletas, é relativo. Valem de acordo com a importância que lhes damos, independentemente das suas caraterísticas teoricamente superiores ou inferiores.
É possível defender uma abordagem, uma vertente, uma linha de pensamento sem desprezar as restantes. E não estamos necessariamente a entrar em contradição. As opções podem ser diversas e divergentes, mas acho demasiado limitado enveredar cegamente apenas por uma. Com alguma abertura é possível aproveitar algo de cada uma delas. Aliás, é vantajoso. Mais do que andar a tirar medidas, a fazer comparações e a por em causa deve-se aprender, deve-se apreciar…
E isso tanto se aplica às bicicletas como em tudo na vida!