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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

20.09.08

Fiabilidades


Rui Pereira

Depois de uns dias ausente, onde aproveitei para fazer outras coisas, mas não deixando as motas totalmente de lado, é com prazer que regresso a este nosso cantinho.
E venho com uma ideia que ficou de uma conversa animada que tive com um colega motard, que depois de alguma discussão, levantou-se uma questão, normalmente esquecida. O tema em causa era a fiabilidade das japonesas em confronto com as europeias (italianas mais exactamente).
Existem diversos factores que definem e ajudam a explicar esta questão, que apesar de todo o rigor das normas e controlo estabelecidas, o produto final pode ter variações consideráveis, no que toca às características de construção oriundas do oriente e do ocidente.
Claro que toda a minúcia dos japoneses, permite-lhes apresentar um produto com muita qualidade e evoluído tecnologicamente, mas ao mesmo tempo mais global. Por outro lado, o carácter latino dos italianos (normalmente os mais criticados quando se fala de fiabilidade), apresentam um produto igualmente avançado, mas algo peculiar em alguns pormenores de construção, onde a paixão e a especificidade se conjugam.
Poderia falar ainda em diferença de dimensão, custos, componentes aplicados, etc., etc., que fazem toda a diferença, mas para não vos brindar com mais um dos meus testamentos (acho que fazia da escrita sobre motas um emprego - modéstia à parte), não valerá a pena entrar por aí.
A tal questão que normalmente é esquecida e que muito contribuirá para a criação das tais ideias e mitos que circundam este tema da fiabilidade, ou falta dela, é o tipo de utilizador/utilização que "sofrem" as motas japonesas e as italianas, no caso.
Para explicar isso de uma forma simples e concreta, nada como um exemplo:
1 Aprilia RS 125
1 Honda CBR 125
Os minimamente entendidos sabem que apesar de estarmos a falar de duas desportivas de baixa e igual cilindrada, distinguem-se bastante uma da outra, com a Aprilia a apresentar uma mota decalcada da competição, de espírito agressivo, com um explosivo motor a 2T e componentes ciclísticos de topo para a classe. Tudo isto, envolto por uma aparência das desportivas de alta cilindrada da marca e que se faz pagar à altura.
Por outro lado, a Honda apesar da sua capa de desportiva, no fundo é uma humilde mas competente utilitária de entrada no universo CBR, que tantas alegrias, deu e continua a dar à marca. O seu motor a 4T não faz milagres e a sua modesta ciclística, está mais vocacionada para uma utilização mais simples e global. Logo à partida a sua base é teoricamente mais sólida, por isso mesmo.
Essencialmente destinadas aos mais novos, que normalmente sabem o que querem, nem que seja por influência de terceiros, é fácil constatar que as características de cada uma, seleccionarão deste logo os seus potenciais utilizadores, que as vão escolher de acordo com a sua maneira de ser, ou dos factores que darão mais importância.
Assim, quem escolhe uma Aprilia RS 125, estará em sintonia com o seu carácter agressivo e vai fazer-lhe entregar tudo o que ela evidencia, onde os constantes exageros marcarão, obviamente, presença.
Já o perfil do possível utilizador da Honda CBR 125, terá uma atitude e um comportamento mais consentâneo com a sua montada de eleição.
Resultado: A Aprilia vai levar "pancada" e poderá reclamar dela, a Honda por sua vez, com um utilizador de atitude mais branda, digamos assim, e teoricamente mais resistente, não terá grandes queixas a fazer.
Claro que existem muitos outros factores, como já referi anteriormente e existirão excepções relativas ao exemplo que apresentei, mas este é um facto que embora discutível, como tantos outros, tem algum fundamento. Neste caso, confronta-se uma italiana com uma japonesa, mas poderiam haver outros, dentro da mesma nacionalidade, entre japonesas de diferente atitude, por exemplo, que serviriam para explicar o ditar de sentenças, muitas delas injustamente.
Assim se criam muitos dos mitos e estigmas que por aí proliferam...