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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

28.12.16

Isso das bicicletas é algo muito abrangente!


Rui Pereira

A sua amplitude é tanta que podemos ter em cima de uma bicicleta uma pessoa sedentária que se limita a sair com ela num bonito dia de sol, para dar uma curta volta à beira mar, e que mesmo assim eleva o seu ritmo cardíaco para lá do que é habitual, como também um atleta de alta competição 100% dedicado, que monta a sua bicicleta para treinar e competir como se não houvesse amanhã, e encara aquela "parede" impressionante como se fosse apenas mais uma chata reunião de trabalho!
E entre estes dois extremos ainda existem tantas diferenças, sejam físicas e técnicas, sejam de atitudes e formas de estar, que só quem está relativamente dentro do meio é que consegue alcançar!
Só para dar um exemplo, para vários familiares e amigos sou um gajo que exagera, que pedala demais, quase obcecado, quando na realidade o que faço, comparando com muita boa gente que por aí anda, é simplesmente ridículo!
E quem fala em número de quilómetros percorridos e na rapidez com que se fazem, fala na capacidade técnica de outros, que se atiram montanha abaixo ultrapassando todo o tipo de obstáculos a velocidades loucas, como se de uma rampa lisa se tratasse!
(Este texto está carregado de pontos de exclamação porque de facto as diferenças assim o exigem!)
Toda esta diferença que estou aqui a tentar explicar é visível mesmo sem fazer comparações com os outros. A mesma pessoa pode cavar um fosso tão grande entre aquilo que era e aquilo que é, logo que pedale com a determinação e a regularidade necessárias!
Dando mais uma vez o meu exemplo, quando voltei a andar de bicicleta fazia-o normalmente uma vez por semana, ao domingo, a partir do momento em que comecei a fazer “Indoor Cycling” no ginásio (3 vezes por semana), em pouco tempo a minha capacidade para pedalar passou a ser muito superior!
É certo que seria expetável, embora de uma forma mais gradual. Mas há ainda outro facto curioso. O meu ritmo era diferente, mas não tão diferente como um companheiro de pedaladas que com a mesma regularidade, em vez de fazer “Cycling” saía efetivamente para pedalar com a sua bicicleta!
De facto, existem muitas variantes e nuances que podem fazer e fazem a diferença, desde logo com a genética e a aptidão natural à cabeça. Gostar é essencial, tal como ter a capacidade psicológica para manter permanentemente o foco num determinado objetivo, apesar de todas as condicionantes e dificuldades, fazendo tudo para o conseguir atingir!
Há muito tempo que digo que a palavra-chave no ciclismo é desafio. Nesta equação não gosto da palavra sacrifício, mas como é óbvio, está implícita. Agora pode é ter vários níveis. E é normal que quanto mais se consiga suportar mais longe se chegará, se for este o desafio que se tenha decidido aceitar!
Mas a bicicleta como veículo democrático que é, e com todas as suas diferenças intrínsecas, continuará a aceitar, de igual forma, todos os que a queiram montar, sejam representantes dos extremos inferior e superior, sejam representantes de um tão vasto meio que esses mesmos extremos encerram!

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