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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

10.02.17

Negócio de bicicletas


Rui Pereira

Às vezes, sentado ao computador a ver uma página de internet de uma loja de bicicletas, começo a divagar num sonho acordado, em que me vejo na liderança de um negócio semelhante. Acredito que quem viva minimamente as bicicletas, que é mais do que apenas andar nelas, já tenha sonhado com algo semelhante. Obter o sustento de algo que é tão significativo e importante para nós, não é trabalho, é satisfação, é realização, é prazer!
Uma loja de rua, bem no centro de uma cidade, integrada no comércio tradicional. Um edifício antigo. Madeiras. Luz quente. Uma loja diferente, mais tradicional, mais intimista, um ponto de encontro, quanto mais não seja para dois dedos de conversa. Uma espécie de museu. Um local de produtos clássicos e robustos, combinando estética intemporal e parâmetros atuais. Aquela qualidade dos materiais de sempre, aquela manufatura manual. Bicicletas destinadas à sua função mais básica – a deslocação. E não só. Bicicletas à porta. Um espaço de contemplação. Um espaço de recordações!
De repente, sou puxado para uma realidade de compromissos, de legalidades, de custos, de exigências, de burocracia, de responsabilidades, de sustentabilidade! Realidade que me arrefece tanto como se tivesse levado com um grande balde de água fria! Acordo, embora acordado, e resigno-me… Não tenho nenhuma arte. Não construo, não restauro, não reparo. É mais um contra. Nada que o tempo e a experiência não contornassem. Mais o maior problema é o medo. O medo do fracasso, da incapacidade, do desconhecido, da dificuldade, da entrega, do incómodo!
E por isso mesmo, tiro o meu chapéu [capacete] a quem encara de frente esta pesada realidade e, contra tudo e todos, avança em busca da sua concretização!

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