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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

18.08.16

O hábito da bicicleta


Rui Pereira

Nós somos seres de hábitos. Nós somos comodistas. Nós temos uma certa aversão à mudança. Nós somos preconceituosos. Não há volta a dar.
Quando olho para trás e vejo a resistência que fiz para largar o automóvel e implementar a bicicleta nas minhas rotinas e respetivas deslocações diárias, nem quero acreditar! Algo que hoje faço com a maior das naturalidades, ao ponto de já não me ver fazê-lo de outra forma.
Comecei. Debati-me com supostas adversidades. Desisti. Esqueci. Voltei, mesmo que motivado por circunstâncias exteriores. Repeti. Adaptei. Adaptei-me. Continuei. A bicicleta faz parte da minha rotina. Hábito implementado.
As adversidades continuam a existir, mesmo que diferentes e relativizadas. Hoje, por exemplo, na ida, apanhei com um bafo quente e húmido daqueles, e dei à campainha um aturado trabalho para alertar os peões que insistem em circular na ciclovia. No regresso, apanhei vento de frente e estava a ver que ia apanhar chuva… Às vezes não tenho o local para a estacionar com as condições e livre como queria. Outras, parece que sou invisível, pela forma como os condutores são indiferentes à minha presença…
Adversidades? Chamem-lhes o que quiserem. Com estas lido bem, muito melhor do que com as advindas de estar enclausurado numa caixa de chapa, até porque tudo resto é benefício, prazer e satisfação.
Os hábitos tiram-se e põem-se, já diziam os antigos. E se há hábito que me congratulo de ter implementado, foi o hábito de utilizar a bicicleta no meu dia-a-dia.