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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

26.05.08

Os meus devaneios de motociclista sonhador!


Rui Pereira

Como grande admirador de motos, e há quase 2 décadas como condutor, têm-me passado pelas mãos das mais diversas marcas e estilos…
Mas com o acumular de conhecimentos, experiências e um natural apuro de gosto e exigência, comecei a olhar para as produções europeias, no que toca às “duas rodas”, com outros olhos…
Mais do que ter uma moto com boa relação preço/qualidade, potência, fiabilidade e prestações, características como carisma, história, estilo e exclusividade, começaram a ganhar importância…
Partindo deste principio e tendo como sonho de sempre, abrir um stand de motos, com um olhar atento sobre o nosso peculiar mercado, não foi difícil chegar a uma marca que para além de não ter representação para os Açores, reúne de um modo geral, as características acima enunciadas, ou seja, o melhor dos dois mundos, a Triumph…
De facto, esta marca inglesa tem um historial incrível, mesmo nas situações mais delicadas por que atravessou, soube sempre dar a volta e actualmente apresenta-se num momento de forma invejável, pois ainda no ano fiscal de 2007 teve resultados brutos e vendas superiores em 10%, comparativamente ao ano anterior…
Para além destes números, há uns anos para cá a Triumph tem feito crescer a sua gama de motos, sempre com a habitual qualidade e cuidado, que são notórios nas suas produções, mas a preços competitivos. A gama divide-se em três grupos denominados de “Modern Classics”, “Urban Sports” e “Cruisers”, dos quais distingo os modelos Scrambler, Speed triple e Rocket III, de cada grupo respectivamente…
Isso para não falar no seu característico motor de três cilindros que nas suas últimas evoluções tem mostrado um elevado potencial, inclusive superior à concorrência japonesa com os tradicionais quatro em linha…
Relativamente ao negócio em si, o meu objectivo era numa fase inicial dedicar-me apenas à Triumph, fazendo todos os esforços para que o nome da marca ganha-se estatuto no meio por ser um produto diferente, num mercado algo preconceituoso e limitado em termos de dimensão, onde as marcas japonesas têm uma forte implantação…
De facto, considero a aposta na imagem e na diferença fundamentais, porque apesar das particularidades do nosso mercado, já começa a surgir, mesmo que de forma tímida, quem procure algo mais exclusivo, com maior estatuto e carisma…
O ideal em termos de espaço seria uma estrutura onde fosse possível ter todos os sectores do negócio (stand; stocks; oficina; serviços administrativos) concentrados, como forma de prestar um melhor serviço e reduzir custos, sendo um armazém num parque de negócios actual e moderno, com boa localização, o meu objectivo…
O local de venda e exposição, tal como todos os restantes espaços, teriam uma imagem simples, ampla e apelativa, onde as cores da marca dominariam a decoração, sob a adequada luminosidade…
Como forma de levar pessoas ao espaço, a ideia era criar hábito de local de encontro e proporcionar um ambiente de família aos futuros clientes, distinguindo-os com algumas lembranças (Triumph) em ocasiões especiais, como aniversários, etc., para além de se disponibilizar para a generalidade dos nossos visitantes alguns produtos como internet, revistas, “gadgets”, etc. ligados às motos, e claro, o habitual “merchandising” e linhas de vestuário e acessórios da marca. No fundo oferecer toda a distinção que um cliente Triumph merece…
Este seria essencialmente um negócio de cariz familiar e de paixão, uma vez que tem como base um dos maiores gostos da minha vida – as motos!
Claro que toda esta paixão e motivação são refreadas pela realidade dos negócios em si e o risco que comporta. Para além da indefinição do possível retorno, existem diversas dificuldades a ter em conta…

Principais dificuldades:
- Elevado investimento – O valor de aquisição da estrutura é bastante elevado, isso sem falar em toda a sua preparação e equipamentos de adequação ao negócio e todos os outros custos inerentes;
- Mercado – A pequena dimensão e os preconceitos relativos às marcas “não japonesas” no meio, caracterizam o nosso mercado;
- Mão-de-obra especializada (mecânica) – Normalmente é uma actividade praticada por pessoas com um menor grau de instrução e sem a sensibilidade necessária para lidar com máquinas cada vez mais precisas e minuciosas onde a electrónica impera. Para mais, releva-se escassa no que diz respeito às motos;
- Desconhecimento do negócio – Apesar de ligado às motos há muito tempo esta ligação sempre foi de comprador/possuidor, ou seja do outro lado.