Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

05.12.16

Sem mudanças 2


Rui Pereira

A opção mudança única é voluntária. Pode ser algumas vezes condicionada por questões práticas, mas é sempre voluntária. Ter outras opções e escolher deliberadamente esta, é algo que nem sempre é fácil perceber, já que maiores níveis de exigência e condicionantes estão garantidos à partida.
Se calhar esta opção é tomada exatamente por isso. Por saber que desde logo, independentemente de vir a adaptar o meu percurso, a dificuldade estará mais presente. Sim, é um objeto que exige outra atitude, mas também não é nada do outro mundo. E nem sempre temos de escolher aquilo que é mais óbvio, cómodo e eficiente. É a célebre dicotomia razão vs. paixão. E a bicicleta sem mudanças é um conceito do qual gosto muito!
Não me vejo fazer certas coisas com ela hoje, mas também já faço outras que não me via fazer no passado. E tudo aconteceu com naturalidade. Aconteceu simplesmente porque me dispôs fazê-lo. Aconteceu porque quis. Assim tem sido e vai continuar a sê-lo, sem prazos nem obrigatoriedades, já que de doses maciças de ambição não padeço.
Querer andar sem mudanças é tão legítimo como outra coisa qualquer. Não é melhor, nem pior, é simplesmente diferente. E para mim, ser diferente faz toda a diferença!
É essa caraterística diferenciadora que me cativa, tal como a componente desafiante. Claro que com outra bicicleta conseguiria ir mais cómodo, mais longe e mais rápido, mas lá está, não seria a mesma coisa.
O desafio e a diferença presentes proporcionam experiências e sensações únicas, e promovem significativamente a relação homem/máquina, com maior acuidade, maior concentração, maior sensibilidade. Poderá parecer um paradoxo falar em sensibilidade, quando estamos a lidar com algo que pode ser bastante bruto!
A linha entre o desafio e o sacrifício por vezes não é bem percetível, até porque o segundo faz parte do primeiro, mas a quantificação do sacrifício e os imponderáveis internos e externos inerentes à minha realidade, levaram-me a afastar do mais radical carreto fixo. Mas, por isso mesmo, passei a usufruir muito mais de uma bicicleta, que pela ausência de mudanças, apesar da sua roda livre, continua a ser desafiante quanto baste e a requerer uma envolvência única.