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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

08.07.20

Outro mundo!


Rui Pereira

Esta bicicleta é tão clean, tão simples… É muito bonita!
Às vezes temos a mania… e esta é assim, e…

Foi mais ou menos isso que ouvi quando me cruzei com um casal amigo numa volta de domingo aos comandos de uma das minhas bicicletas de carreto fixo. E se calhar não foi por acaso que surgiu da parte do elemento feminino. O masculino estava mais preocupado em saber se era aquela a bicicleta com que costumava andar… Sensibilidade?
Devo ser um bocadinho suspeito para concordar com estas afirmações, mas estão perfeitamente alinhadas com o que venho defendendo há muito tempo.
Uma bicicleta básica não passa muito de uma estrutura de tubos metálicos soldados, um par de rodas, uma corrente, umas rodas dentadas, um guiador, um selim e umas alavancas com pedais…
É simples, não é?
E esta simplicidade não lhe belisca em nada a beleza ou a função, muito pelo contrário.
Enquanto que o mundo à minha volta continua sedento de inovação, eficácia e tecnologia, numa busca inglória de algo único, como se da última bolacha do pacote se tratasse, com um prazo de validade cada vez mais curto, eu pedalo num mundo paralelo muito mais básico, puro, natural, duradouro, descomplicado e… estiloso!

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17.12.19

O outro lado…


Rui Pereira

Ao ler o texto da Vânia, pensei em mim e em como podemos iludir os outros com aquilo que publicamos. Como comentei a propósito, há mais vida para além daquilo que é partilhado, mas também acho que a atenção deve centrar-se mais nas coisas positivas do que nas negativas. Não às vidas perfeitas, sim à ponderação e ao equilíbrio. Tenho o cuidado de também ir publicando textos que não refletem satisfação, até porque existem situações que são tudo menos isso.

Acima de tudo, não gosto de me iludir. Nem a mim, nem aos outros.

Nem sempre apetece andar de bicicleta ou dar a atenção (limpeza e manutenção) que precisam; às vezes custa muito levantar cedo para fazê-lo; custa suportar o frio quando vou ao mar ou fico a secar as calças nas pernas por ter ido de bicicleta debaixo de chuva; custa pedalar contra o vento forte, assombrado pelo pensamento “de carro isso não acontecia”; nem sempre apetece fazer exercício; às vezes não sei o que escrever e penso em deixar o blogue; tantas vezes que só apetece comer porcarias, em quantidade; só apetece ficar em casa no sofá em frente à televisão; não apetece fazer nada...

Tantas vezes apetece ou não apetece e tantas vezes faço!

Claro que quero mostrar (ser) o melhor de mim, os meus melhores hábitos, práticas e atitudes. Quero partilhar as minhas melhores fotografias. É também assim que ganho motivação para continuar, é assim que dou um pouco de mim e agradeço a quem faz questão de me seguir e tem o cuidado de o demonstrar.

Às vezes, vejo-me a lutar pela perfeição quando sei que ela não existe.

28.11.19

Irreverência ciclística!


Rui Pereira

Todas as semanas visto-me a rigor, que é o mesmo que dizer - de licra, para andar de bicicleta. Ando todos os dias com roupa normal, mas considerando a natureza da volta semanal, acaba por ser uma necessidade vestir equipamento mais adequado.
Cada vez faço menos questão disso. Aliás, se andasse todos os dias de forma mais significativa, a minha volta de domingo perderia sentido e a licra seria dispensável.
Este vistoso equipamento, de que tantos gostam e as marcas apostam, já não me é tão apelativo como dantes. Há cada vez mais preocupação em conjugar grafismos e cores espetaculares, mas nem mesmo assim me sinto atraído, o que não quer dizer que não reconheça a sua qualidade estética, e não só.
Pelo contrário, e do pouco que tenho comprado, a minha opção recai essencialmente na discrição. Cores básicas, padrões únicos e grafismos conservadores. Tenho poucos equipamentos e alguns com muitos anos, e chegam-me perfeitamente.
Cativa-me muito mais a irreverência estética de um ciclista urbano aos comandos de uma fixed-gear. Envergando um boné (de ciclista, clássico, com a pala virada para cima), uma t-shirt (básica, de algodão, com ilustrações ligadas à bicicleta), uns calções (de ganga, com o mosquetão porta-chaves e o cadeado em “U” pendurados), uma mochila (de mensageiro, à tiracolo), umas meias (a meia perna, coloridas e extravagantes) e umas sapatilhas (tipo “skater”, coçadas, enfiadas nas correias dos pedais).
Ou simplesmente roupa. Atitude. Irreverência.

- Exemplo disso é o vídeo que se pode ver abaixo.

04.09.19

A exceção…

Confirma a regra!


Rui Pereira

Custa-me sempre digerir cada risco, ponto de ferrugem ou qualquer outro tipo de estrago que as minhas bicicletas ganham. Aos poucos tenho aprendido a lidar melhor com isso.
As bicicletas são feitas para andar, para nos servir, seja em que ambiente for. De outra forma não farão tanto sentido. Esta realidade, mesmo empenhando uma atitude cautelar e necessária manutenção à posteriori, implica ganhar marcas de uso, do tempo e dos elementos, e de eventuais azares.
Custa! Embora haja quem defenda que estas marcas lhes dão personalidade e compõem a sua história. Eu, apenas as digiro em esforço…
Numa das minhas bicicletas tive de empregar a exceção que confirma a regra. Perante circunstâncias tão pesadas, e paradoxalmente, o que lhe dou em troca da sua servidão diária é muito pouco - ar nos pneus e alguma oleosidade na transmissão - em prol do meu bem-estar psicológico.

04.09.19

Ferrugem


Rui Pereira

A ferrugem toma-lhe conta das rodas e de outros componentes. Aos poucos, desgasta, consome, tira-lhe o brilho. Consequência de uma atitude negligente e indiferente. Uma abordagem centrada na utilização e na funcionalidade, hoje. Por incrível que pareça, o gosto mantem-se e parece cada vez maior! A sua integridade, por enquanto, também. Amanhã, logo se verá…

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03.07.19

“Como Todos Fazem”


Rui Pereira

Comecei com o blogue Carreto Fixo com a ideia de me apresentar anonimamente. Não que quisesse revelar segredos cabeludos, mas o anonimato sempre dá outra liberdade, ainda para mais quando ainda nem sabia bem o que queria dele. Não sei como nem porquê, mas a certa altura assumi ser quem sou. O blogue começou a ganhar contornos demasiado vastos e pessoais, e achei que me exponha demasiado por palavras. Fechei-o.
Apeteceu-me falar sobre bicicletas na primeira pessoa, algo que já tinha feito noutra plataforma e que me tinha dado muito gozo. Não repliquei a fórmula, até porque a minha visão mudou substancialmente. Em vez do entusiasmo impulsivo de quem se estava a iniciar num mundo novo, havia uma nova abordagem, mais concreta e madura, às bicicletas e ao ciclismo.
O anonimato podia dar-me mais contundência e ser mais revelador na abordagem, mas também não é por aí. Não é o meu registo. Não acho que seja a solução estar a endurecer o discurso e a alimentar polémicas. A temática que abordo também não é muito sensível ou suscetível de levantar grandes problemas. Sim, existe um braço de ferro chato entre automobilistas e ciclistas, mas a minha postura mantem-se – calma, cortesia e bom-senso - até porque acho que as coisas boas merecem mais atenção do que as menos boas.
Não sou muito de me expor. Sou criterioso neste sentido, principalmente no que toca às imagens, que nem sequer gosto de tirar. Às vezes, acontece. Algumas até ficam bem. E serviriam como boas ilustrações para alguns dos meus textos, mas pondero demasiado a sua divulgação e normalmente ficam guardadas para mais tarde recordar.

A ouvir os meus favoritos no Youtube, surge o tema do NTS “Como Todos Fazem”…



Levado por todo o ambiente criado pela música, letra e vídeo – leve e divertido, mas realista - e na presença do que considero ser uma boa imagem, num momento de orgulho próprio, decidi:

- Vamos lá fazer “como todos fazem”, mas numa base real que reflita verdadeiramente o meu estilo de vida!

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Deixei a bicicleta em casa!

31.05.19

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”


Rui Pereira

Na sequência da publicação Ao cuidado dos senhores "ciclistas" da Pequeno caso sério, escrevi o seguinte comentário:

A melhor de forma de perceber a implementação destas medidas é pegar numa bicicleta e ir com ela para a estrada. Quando de repente sentir uma caixa sobre rodas, com mais de uma tonelada e embalada a velocidade considerável, passar a centímetros do cotovelo, tudo fica mais claro…
As leis existem para minimizar estas situações e fazer com que os automobilistas, na presença de uma ou mais bicicletas, procedam à manobra de ultrapassagem à semelhança do que fazem na presença de outro automóvel, em vez de forçar a passagem.
Por outro lado, sou o primeiro a criticar o comportamento abusivo de certos ciclistas, que fazem questão de impor a sua presença e a lei que os defende à força. Sei que posso circular a par, em certas e determinadas situações*, mas se posso facilitar a passagem dos automóveis faço-o, até porque também sou automobilista e percebo os constrangimentos…
* ("Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito." - Ponto 2 do Artigo 90.º do Código da Estrada)

De facto, existe uma diferença muito grande entre um automóvel e uma bicicleta. Seja pelo seu impacto físico, pelas velocidades atingidas, como pela sua capacidade de provocar danos. Uma bicicleta é um veículo muito menos impactante e muito mais vulnerável, é indiscutível. Portanto, é normal que não lhe sejam imputadas as mesmas exigências. Num "frente a frente" não será difícil identificar o elo mais fraco, pois não?
Recomenda-se outra atitude na sua presença, mais cuidada e tolerante. Mas isso não legitima comportamentos impróprios daqueles que estão aos seus comandos, porque se é pretendida outra atenção, também é preciso ser, ou pelo menos tentar ser, exemplar a esse nível.
Mais uma vez o meu apelo vai no sentido do bom-senso e da cortesia de ambas as partes. Por exemplo, se fica bem a um automobilista ceder passagem a um ciclista num cruzamento, também fica bem a um ciclista sair da formação de par para facilitar a passagem de um automobilista.
Ontem um automobilista cedeu-me gentilmente a passagem, sabendo de antemão que eu ia ficar à sua frente numa via em que não seria fácil ultrapassar-me. Hoje cedi passagem a um automobilista, sabendo que o seu automóvel ia engrossar ainda mais a fila que tinha pela frente.
É tudo uma questão de nos colocarmos no lugar dos outros!

30.05.19

Braço de ferro!


Rui Pereira

Continuo a deparar-me com uma opinião generalizada de quem não anda de bicicleta, que os ciclistas na sua maioria têm um comportamento desapropriado e abusivo nas estradas. Este é um braço de ferro que persiste.
Pessoalmente e na prática, não tenho grandes razões de queixa. Têm existido algumas situações menos boas, onde apenas uma foi mesmo muito má, mas assumo também ter contribuído para gerar um comportamento péssimo por parte do automobilista.
Continuo a assistir ao discurso da atribuição de obrigações aos ciclistas – dos seguros obrigatórios, da roupa (coletes) refletora, das aulas de código e de condução, entre outros – tão desapropriados quanto dizem ser o comportamento dos mesmos.
Vamos criar ainda mais entraves e dificuldades a algo tão positivo que é uma das soluções para o melhorar da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, mas que paradoxalmente faz surgir tanta resistência à sua adesão?!
Mas existem outros argumentos que os automobilistas utilizam e com razão, como é o caso da falta de iluminação na circulação noturna, a forma incorreta de circular a par e a postura de indiferença e falta de bom-senso perante os restantes utilizadores da estrada.
Se apelamos ao cuidado na nossa presença, como ciclistas, também devemos circular na estrada de forma correta, mostrando uma atitude baseada no bom-senso e na cortesia, mesmo quando o cenário não for o melhor. A indiferença só deverá ser utilizada perante pressões e provocações, em vez de sermos coniventes e estimularmos comportamentos errados, até porque esta pode muito bem ser uma das formas de não estar a perpetuar este braço de ferro escusado!

14.03.19

Entreajuda


Rui Pereira

Duas situações, duas posições, diferentes disponibilidades. Mal meu!

Um ciclista que circulava à minha frente, aproveitando a manhã de domingo para rolar de bicicleta tal como eu, começou a abrandar e parou. Passei e dei bom dia. Pelo canto do olho, pareceu-me vê-lo apertar o pneu traseiro. Continuei. Mais à frente, a ideia de poder não ter ajudado um parceiro de pedalada fez-me encontrar um ponto de retorno seguro e ir ao seu encontro. Ele confirmou um furo. Eu pedi desculpa por não ter parado logo. Fiquei a acompanhar o processo de mudança da câmara-de-ar e simplesmente colaborei no empréstimo dos desmontas para colocar na roda o pequeno troço de pneu que faltava. Despedimo-nos e prossegui…

Finda a ciclovia, desmontei da bicicleta para atravessar a passadeira. De volta aos seus comandos, quando retomava a marcha, fico a pedalar no vazio. A corrente saiu do prato. Merd@! Desmontei novamente e encostei a bicicleta. Coloquei uma luva (prevenção de quem já sujou demasiado as mãos nestas lides) e iniciei o processo de regularização. Nisso aproximou-se um senhor, julgo que um condutor de um autocarro urbano que aguardava a sua hora de partida e assistia à situação, que aconselhando-me a agir de forma diferente, meteu logo a mão na massa, que é como quem diz, na graxa! Até fiquei constrangido pela disponibilidade. Agradeci a atenção e dei-lhe um lenço de papel para que pudesse limpar as mãos. Era o mínimo…