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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Quando as diferenças são indiferentes

triban500_roubaix.jpg

 

As duas bicicletas aqui em causa são muito diferentes. Pelos conceitos apresentados, pelos materiais e equipamentos empregues, pelos valores envolvidos.
A proprietária da Btwin Triban 500, que se viu obrigada a comprar uma nova bicicleta depois da sua ter sido roubada, queria uma bicicleta prática, simples, robusta e acessível, que pudesse utilizar à vontade e levar para todo o lado. O proprietário da Specialized Roubaix Comp, já possuidor de uma bicicleta de estrada de inspiração clássica, comprou-a para satisfazer aquele desejo de ter mais uma bicicleta, mais moderna e específica, para usufruir de tudo o que isso implica.
O propósito principal de quem compra uma bicicleta será sempre pedalá-la, mas estas pedaladas poderão ter inúmeras necessidades e direções implícitas. A minha Roubaix é significativamente superior à Triban, mas será que fazia sentido a minha mulher ter algo igual ou equivalente quando os seus objetivos são tão claros e as suas necessidades tão básicas?
Não, não fazia sentido. Ela basicamente quer uma bicicleta que funcione e que a leve até onde as suas limitações pessoais permitirem, não as da bicicleta. Que não lhe exija cuidados, que a bicicleta é para andar. Se cair, caiu. E se está suja, suja fica, que é da maneira que passa ainda mais despercebida.
Fomos os dois, pela mesma estrada e até ao mesmo destino, cada um com a sua bicicleta e à sua maneira. E viemos. Função cumprida!

Destaques dos últimos dias!

Fui sacudir o pó à Allez Steel. A Roubaix tem sido a bicicleta de serviço nos últimos domingos, mas considerando o excelente tempo que se fazia sentir e a minha vontade de variar de montada, lá fui eu sobre liga de aço em vez de carbono. É diferente, mas igualmente bom. Melhor?!

allez_steel.jpg


Ao tempo que não comprava uma revista de motas! Depois de andar uns dias atrás da revista REV Motorcycle Culture, a persistência deu frutos e, no local mais improvável, acabei por encontrar a edição de março/abril, curiosamente a #50. É sem dúvida nenhuma o meu tipo de revista, ou não fosse o “fora da bolha” uma das suas máximas. Esta chegou a ter uma irmã dedicada às bicicletas, a revista B Cultura da Bicicleta, que infelizmente não teve “rodas” para andar. Guardo religiosamente todos os seus números.

rev#50.JPG

 

Por falar em coisas que já não fazia há muito tempo: Ouvir Machine Head… Uma vez do Rock e do Metal, para sempre do Rock e do Metal!

 

Mas a música que mais tem andado presente nos últimos dias é a “Sou de Uma Ilha”, de Bia Noronha. Para além da melodia, a letra… O ser ilhéu, o ser açoriano. Adoro!
“Quanto mais saio da Ilha, mais eu fico nela.
Quanto mais fico na Ilha, mais eu saio dela.”

 

A tia é uma tia fixe. E tias fixes têm ideias fixes. E criam blogues fixes!
As histórias da tia, protagonizadas pela sobrinha, são uma delícia!
Tia! Tia! Tia!

tiatiatia.jpg


Ah, a Electra Hawaii continua cá por casa…

electra.JPG

Electra Hawaii

Uma amiga queria comprar uma bicicleta. Um amigo queria vender uma bicicleta. Em causa, uma espetacular cruiser – Electra Hawaii. Fiz de mediador e o negócio concretizou-se. Fui levá-la. Por razões várias, a amiga acabou por não andar na bicicleta como seria suposto. Mas tenciona agora inverter a situação, e assim, lá a fui buscar, apenas para uma verificação geral, considerando o tempo que esteve parada.

electra_hawaii.jpg


Precisou de ar nos pneus, um ajuste no travão dianteiro, a lubrificação da corrente, limpeza de alguns componentes e uma passagem geral com silicone para lhe dar ainda mais brilho. Ah, substituí a tampa da válvula do pneu traseiro! Tudo intervenções que traduzem o seu excelente estado de conservação. Aliás, bastaria ter adicionado ar nos pneus para ela já ficar apta e impecável.
Fui dar uma volta com ela (como não?) e, mesmo exibindo demasiadas flores para o meu gosto, é uma delícia de pedalar. Atenção, é um estilo específico, feita para rolar confortavelmente nas calmas. De dimensões e peso consideráveis, pneus gordos e desmultiplicação a contar com apenas 3 velocidades internas, revela vocação para rolar em locais planos e espaçosos.

electra_orbita.jpg


O seu “travão de pedal”, que se aciona rodando os pedais para trás, exige alguma habituação, principalmente para quem nunca teve contacto com o mesmo, até porque o mais convencional travão dianteiro de ferradura serve apenas como auxiliar, revelando um comportamento muito pouco contundente.
Não são defeitos, são caraterísticas. Tal como é a sua excelente qualidade de construção e elevada atenção aos pormenores, a sua estética exuberante e o seu extraordinário conforto!

Bora!

- Bora c*****o!
- Bora!
- Bora!

Foi assim que fui brindado ontem no decorrer do meu habitual passeio de bicicleta!
Ia então já a caminho de casa, em carga e a um ritmo muito lento, devido à inclinação da via, quando sinto a aproximação de um automóvel. Normalmente penso – lá vem rasante! Não foi o caso. Lado a lado comigo, os seus dois ocupantes, mas principalmente o passageiro (braço fora da janela e mão a bater na porta), gritam-me, exuberantemente, as referidas palavras!
Não conheço os rapazes, mas agradeço o entusiasmo e a força. Tornaram mais leve e divertida o que faltava da subida!

Pedalar e acelerar. E caminhar pela natureza!

Este é basicamente um blogue sobre bicicletas, reflexo da importância que estas têm na minha vida. Surgiram inicialmente pela necessidade física, estabeleceram-se pela sua vocação utilitária e acabaram por ser muito mais do que a soma destas duas partes.
As bicicletas são uma paixão. Um regresso às origens, um passo no sentido da simplicidade, da liberdade e do prazer. O prazer de uma volta de bicicleta não se explica, sente-se!
Esta semana tive uns dias sem a minha companheira do dia-a-dia. Senti a sua falta. Como me facilita a vida e contribui para me fazer sentir bem! Arranjei uma substituta por um dia. Não foi a mesma coisa. Mas piores mesmo foram os outros dias…
Mas as bicicletas não são tudo!
Sabia que não devia ter experimentado a mota do meu irmão. Bem que tenho vindo a recusar nos últimos anos. Digamos que o gosto pelas motas era um monstro que tinha adormecido dentro de mim… Acordou!
Domingo não andei de bicicleta. Voltei a sair de mota... Mas teve mesmo de ser, um compromisso pessoal inadiável a isso obrigou. Noutra altura ficaria chateado por não poder sair de bicicleta. Não fiquei. Pronto, vá lá, fiquei um bocadinho. Liberado do compromisso aproveitamos, eu e o meu filho, para uma voltas de mota.
Mas as motas também não são tudo!
No feriado também não andei de bicicleta. Nem de mota. Compromissos desportivos do rapaz para começar bem o dia (e bem cedo). Já a tarde foi dedicada a uma atividade muito aprazível – caminhar pela natureza! Calma, sossego, ar puro e paisagens deslumbrantes. Satisfação, prazer e bem-estar físico e psicológico. Perfeito!
A natureza não é tudo, mas é muito!

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Estrada!

De repente, sou assaltado por pensamentos que me afligem, como que por uma impulsão masoquista. Apoquentado, faço por me libertar e tento concentrar-me na pedalada.
Sinto o peso da inclinação da via nas pernas e socorro-me do manípulo direito para levar a corrente para uma posição superior. Um toque. Dois toques. Dou ainda um terceiro à procura daquele conforto que tardava em chegar.
A respiração ofegante faz-me erguer a cabeça…
Assim que olho em frente, numa autocensura instantânea, solto para dentro:
Deixa-te de merdas e aproveita!
O cenário que envolve a tira de asfalto onde me desloco é único!
Árvores de folha caduca, com os seus ramos despidos a ondular ao vento, marcam o fim da estrada, mas também o princípio de verdes pastagens de erva viçosa. Lá mais ao fundo, o verde ganha outra tonalidade. As volumosas árvores, ao contrário das primeiras, mantêm toda a sua integridade. Num último patamar, as imponentes montanhas deixam-se vislumbrar por entre a neblina. Tudo isso envolto num sereno ambiente sonoro, entre o canto dos pássaros e o peculiar som da vegetação, ao ritmo da ligeira e fresca brisa que se faz sentir.
Pedalar numa estrada onde nos é permitido usufruir desta ambiência é um privilégio. E nem sempre valorizamos isso. Seja pelo hábito e por a darmos por algo adquirido, seja por levarmos demasiada bagagem na mente. Ou simplesmente porque temos o foco no destino e esta estrada, e respetivo cenário circundante, não serem mais do que um meio para atingir o fim.
Deixo as aflições que me assombravam a mente. Esqueço as dores associadas ao esforço físico. Às vezes, basta tão pouco para nos sentirmos bem. Uma bicicleta, uma estrada… e toda a sua envolvência!

estrada.jpg

Entreajuda

Duas situações, duas posições, diferentes disponibilidades. Mal meu!

Um ciclista que circulava à minha frente, aproveitando a manhã de domingo para rolar de bicicleta tal como eu, começou a abrandar e parou. Passei e dei bom dia. Pelo canto do olho, pareceu-me vê-lo apertar o pneu traseiro. Continuei. Mais à frente, a ideia de poder não ter ajudado um parceiro de pedalada fez-me encontrar um ponto de retorno seguro e ir ao seu encontro. Ele confirmou um furo. Eu pedi desculpa por não ter parado logo. Fiquei a acompanhar o processo de mudança da câmara-de-ar e simplesmente colaborei no empréstimo dos desmontas para colocar na roda o pequeno troço de pneu que faltava. Despedimo-nos e prossegui…

Finda a ciclovia, desmontei da bicicleta para atravessar a passadeira. De volta aos seus comandos, quando retomava a marcha, fico a pedalar no vazio. A corrente saiu do prato. Merd@! Desmontei novamente e encostei a bicicleta. Coloquei uma luva (prevenção de quem já sujou demasiado as mãos nestas lides) e iniciei o processo de regularização. Nisso aproximou-se um senhor, julgo que um condutor de um autocarro urbano que aguardava a sua hora de partida e assistia à situação, que aconselhando-me a agir de forma diferente, meteu logo a mão na massa, que é como quem diz, na graxa! Até fiquei constrangido pela disponibilidade. Agradeci a atenção e dei-lhe um lenço de papel para que pudesse limpar as mãos. Era o mínimo…

Sem cronómetros, nem dorsais!

Domingo saí de BTT. Foi dia de tempo ranhoso, mas também de prova. Começou a Taça de XCO da Ilha de São Miguel. Para estreia da Taça de 2019 estreou-se um novo percurso marcado na zona do Pico do Fogo.
Faço bastante eco da minha “alergia” à competição, mas isso não me impediu de passar no local da prova para ver o ambiente.
Sinceramente, ao ver aquele tempo a puxar para o mau, a pouca afluência de público e as caras do costume marcadas pelo esforço e sofrimento, só me vinham à cabeça três palavras: Nunca na vida!
Esta é a perspetiva de um não adepto da competição, que assistiu à prova, durante míseros minutos, de fora… Visão legítima, mas obviamente limitada.
Eu também estava de bicicleta sob condições atmosféricas duvidosas, mas livre de pressões, compromissos, constrangimentos e esforços escusados, e é aí reside o essencial da questão, para mim!
Esta é a minha perspetiva, a minha visão, a minha verdade, e elas não são mais do que aquilo que são - Minhas!
Se me diverti aos comandos da minha BTT este domingo? Claro que me diverti. À minha maneira! E aquela gente que andou ali a dar tudo o que tinha e o que não tinha? Acredito que também se tenham divertido. À sua maneira!
Eu propus-me passear e fazer umas canadas, eles propuseram-se correr atrás de resultados contra adversários.  Para isso, não precisei de grandes preparações, eles precisaram de treinar. Apreensões e pressões à parte, também senti as minhas embora a um nível muito diferente, cada um de nós esteve a fazer aquilo que supostamente queria e que gosta de fazer.
Se estar em prova seria algo muito improvável, não vou mentir, que com o pouco que vi do percurso, considerando caraterísticas e estado, não me tenha dado uma certa vontade de também poder estar ali às voltas… sem cronómetros, nem dorsais!

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