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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

18.09.20

Rendido!

Autocolantes


Rui Pereira

Gosto das coisas simples e sóbrias. Minimalistas. Ao mesmo tempo, um toque de extravagância e exuberância também me cativa.
Mantive muito tempo uma bicicleta original. Achava que não valia a pena mudá-la. Um dia, já nem sei bem porquê, decidi montar-lhe um guiador novo, de cor, forma e dimensão diferentes, e fiquei muito agradado com o resultado. Muito mesmo! Não só pela estética, mas também pela condução proporcionada.
Entre arriscar e manter, tendencialmente vou para a segunda opção. Desta vez, decidi arriscar. Peguei na embalagem carregada de autocolantes que me foram gentilmente oferecidos e iniciei o processo de escolha e experimentação.
Colei, cuidadosamente, um por um…
Rendi-me!

gloria_autocolantes.jpg

16.09.20

Quem a viu e quem a vê!

Gloria Magenta


Rui Pereira

A minha mais recente bicicleta de carreto fixo ganhou uma relevância digna de registo entre as minhas bicicletas. E de forma algo inesperada.
Esta bicicleta foi comprada um pouco por empurrão, pois no dia definido para a ir buscar, já não o queria fazer.
Não queria mais uma bicicleta, apenas para ter mais uma bicicleta. Ainda por cima, não vi nada que me tivesse cativado especialmente. Era apenas mais uma e não se enquadrava nos meus critérios de seleção, exceção feita ao facto de não ter mudanças e ter um carreto fixo, e ter uma rodas giras.


Antes


Iniciada a sua desmontagem comecei a vê-la com outros olhos. Entre alguns atributos próprios e o que tinha disponível ao nível dos componentes, constatei que talvez tivesse uma boa base para empreender uma personalização.
Mesma na ausência de pressa, as coisas aconteceram de forma fluida e ligeira. Em poucos dias tinha a bicicleta montada, minimamente ao meu gosto, basicamente com aquilo que tinha, praticamente sem investimento para além do valor despendido na sua compra.
Tudo isto aconteceu sem andar nela. O primeiro teste foi importante para aferir a sua capacidade de rolar e possíveis problemas inerentes.
Foram encontrados alguns, que desde logo desvalorizei. Ou tentei, já que não tardou e estava a tentar arranjar alternativas. Mais trocas de componentes e mais testes aconteceram, inclusive quando no “desconfinamento” decidi que esta seria a minha parceira de deslocações na cidade.
Cheguei a um ponto que… quem a viu e quem a vê!
Quando pensei ter o processo concluído, foram-me oferecidos uns autocolantes com muito potencial para dar aquele toque final. E surgiu uma mensagem que anunciava a disponibilidade de uns punhos (laranja) que tinha visto uns meses antes, entretanto, descartados.

gloria_resultado.jpg
Depois


O receio de ficar com uma bicicleta demasiadamente a condizer revelou-se infundado.
A Gloria Magenta está com a imagem que queria. Na verdade, está com uma imagem que nunca esperei conseguir.
Ficam apenas a faltar uns outros pedais de plataforma e respetivas correias (straps).
Acho eu...

09.09.20

Encruzilhada!


Rui Pereira

globe_roll1_placas.jpg

 

As decisões têm sempre consequências. E nem sempre são positivas. O que é chato. E talvez faça pensar duas vezes antes de tomar a próxima.
Em cima da bicicleta tento não pensar muito. Pelo menos em tomar decisões e em coisas más. Às vezes acontece e tento desviar o foco. As pedaladas são terapêuticas, mas não ao ponto de serem como que um divã de psicanálise.
Gosto de me focar no ambiente que me rodeia, nas sensações que o controlar da bicicleta me permite sentir ou simplesmente no ato de pedalar sem mais quaisquer compromissos.
Aprendi num livro que, na presença de um mau pensamento, devemos concentrar-nos na sua visualização e respetivo afastamento, até ser tão pequeno que acaba por desaparecer. Dá certo!
Lá vou eu pedalando estrada fora e, de repente, sou ensombrado por um daqueles pensamentos dispensáveis. Entre uma e outra pedalada, aplico a técnica do distanciamento do pensamento negativo, e lá vai ele!
Também evito pensar muito em trajetos a seguir. Ou já saio com a coisa esquematizada ou vou improvisando à maneira que vou avançando.
Este é um tempo de qualidade. Mesmo que o tempo esteja uma porcaria e o piso sujo, que me suja a bicicleta. Mesmo que esteja lixado com qualquer situação ou que tenha saído de casa meio contrariado.
Este é o tempo para esquecer isso, não é para pensar em coisas infelizes ou estar a tomar decisões, mesmo que tão simples relacionadas com o percurso. Cabeça leve, sentidos despertos, vontade e alguma disponibilidade física – a receita.
Encruzilhadas? Sigo em frente e logo se vê. Nem que, uns metros mais à frente, veja que se calhar não foi a opção mais inteligente e dou meia volta...
Se calhar peco por não seguir mais esta diretiva quando não estou em cima da bicicleta!

09.09.20

O meu mundo de bicicleta!


Rui Pereira

globe_roll1_mundo.jpg

 

O meu mundo é pequenino. O que contrasta consideravelmente com o gosto, a vontade e a motivação. E a tendência para traçar um rumo próprio, portanto, diferente do da maioria.
Esta bicicleta preta, que foi cuidadosamente pousada no chão para a fotografia, não aparece por acaso. Quero acreditar que não será o culminar do trajeto escolhido, mas foi com certeza o seu ponto de partida. E continua a ser o meu cavalo de batalha!
Como utilizador de bicicletas sou pequeno e circulo num território equivalente. Até a minha bicicleta o é, não passando de uma simples e banal fixie de catálogo, escolhida exatamente pela sua ligação direta roda/pedais e por não ter mudanças.
Toda esta pequenez não me belisca. Não me importo. Nunca foi um obstáculo impossível para ter ou fazer aquilo que queria, embora já tenha acreditado que sim. Claro que torna todo o percurso um pouco mais difícil…
Não que queira ser muito grande, mas tenho mais dificuldade em crescer como utilizador de bicicletas. Não que queira ter uma montra tecnológica de carreto fixo, mas tenho mais dificuldade em ter uma ferramenta mais próxima daquilo que gostava para completar o meu percurso. O terreno será sempre curto na extensão e de difícil progressão.
As bicicletas são a minha opção. O carreto fixo também. Neste meu pequeno mundo, as ainda mais pequenas fixed-gear vão ganhando dimensão!

12.08.20

Azores Fixed


Rui Pereira

azoresfixed_bottle.jpg

 

As bicicletas de carreto fixo, pelo conceito e estética, já reinavam entre as minhas preferidas quando ainda nem sequer tinha experimentado uma. O gosto e o entusiasmo, e a intenção que deixavam transparecer de querer ter uma fixed era vista com desconfiança, encarada como uma utopia e subtil ou descaradamente desaconselhada.

A oportunidade de experimentar tão peculiar bicicleta surgiu em 2013, exatamente quando aconteceu o Azores Fixed pela primeira vez, para mim, o mais espetacular evento com bicicletas que acontece por cá!
Contraditoriamente, é modesto e está muito restrito aos seus poucos intervenientes. E tem aquela dureza própria da natureza das bicicletas utilizadas e da orografia das ilhas. É aí, e nas pessoas, que reside a sua beleza!
Eu, como adepto e apreciador, aguardo os resumos diários e as espetaculares imagens ilustrativas. Por duas vezes, tive oportunidade de pedalar lado-a-lado com estes bravos - e bravas, atenção! – e sentir o excelente ambiente e companheirismo que existe no seio do grupo.
São essencialmente continentais (menos o seu mentor que é de cá) que, durante alguns dias, sentem verdadeiramente a força e a natureza destes pequenos rochedos espalhados no meio do Atlântico. Sendo eles próprios ilhéus ligados à terra da forma mais intensa, através de duas rodas e um carreto fixo, alguns, note-se, sem travões!

A palavra visceral foi a melhor que encontrei para descrever a relação com as minhas fixed-gear. Com as subidas e as descidas. No caso do Azores Fixed as dificuldades são elevadas para outro nível, tal como a entrega. E ninguém o faz para ficar à frente de alguém, nem para bater o tempo de um cronómetro, nem para ostentar uma medalha ao pescoço…

Loucos? Talvez, um pouco! E gostam muito de bicicletas. E andam muito de bicicleta!
Sofrem bastante, correm riscos, e sofrem mais um bocadinho, ainda!
Mas acaba um Azores Fixed e no meio das saudades deste, já estão a pensar no próximo…
Vivem toda a preparação, a troca de ideias, a execução da imagem diferente em cada edição, as camisolas e os autocolantes alusivos, nesta última, até as garrafas! Vivem a emoção, o desafio e a aventura. Vivem o empacotar e o desempacotar das bicicletas. Vivem os mais pequenos pormenores!

Pelo menos é o que depreendo do que vejo…

Que desfrutam!
Que sentem as bicicletas!
Que sentem a(s) Ilha(s)!

 

24.07.20

Mudança única e carreto fixo! (2)

Globe Roll 01 - Seis anos depois


Rui Pereira

Uma grande superfície ligada ao desporto tinha na montra uma fixie, soube por um colega. Andava há muito tempo a “estudar” a compra duma. Ao final do dia fui vê-la. Não era uma maravilha, mas em compensação era barata. Ponderei.
Bicicletas do género não eram (nem são) nada fáceis de ver por cá. Também achei não ser razoável fazer muito investimento, porque havia sempre a possibilidade de não me adaptar. A compra à distância deixou de ser opção, e assim, tinha registada a Globe Roll 01 disponível na minha loja de referência. Mas, ainda era cara. Não perdia nada em saber se me conseguiam fazer melhores condições de aquisição antes de tomar uma decisão. Fizeram.
A opção da grande superfície ficou posta de lado e no dia seguinte de manhã, um sábado, estava na loja para levantar a Globe. Entusiasmado e apreensivo. O normal, portanto.
Já lá vão 6 anos. O decorrer do tempo já mostrou diferentes níveis de proximidade e interação, diferentes configurações, entre fixed-gear e singlespeed, e pouca personalização, sendo que a última e mais relevante foi a troca do guiador original por um reto de maior dimensão. O certo é que nunca tive tão próximo desta bicicleta e do seu conceito como estou agora!
A Globe Roll 01 foi a minha janela de oportunidade, a minha porta de entrada num mundo novo, no que diz respeito às bicicletas. Um mundo que me diz muito e com o qual, cada vez mais, me identifico.
Tal como disse em 2014, aquando da sua compra, continuo a dizer com legitimidade e orgulho:


“My legs are my gears”

globe_janela.jpg

22.07.20

Meia bicicleta...


Rui Pereira

globe_santa_iria.jpg


Gosto dessa imagem.
Mostra o meu mar. A minha ilha. E uma das minhas bicicletas favoritas.
O céu baixo e cinzento que esbate o tradicional azul do mar. A vegetação singela e menos viçosa do que o habitual, contrastando cores entre o verde e o castanho. Os apontamentos de amarelo e branco das flores silvestres. Um par de árvores. Um retângulo de pastagem. Lá mais à frente, vestígios de civilização. A neblina.
A representação de uma manhã de domingo calma e tristonha, apesar do algum vento que se fazia sentir e que a imagem não consegue mostrar. Tudo parece estático, como que uma paragem do tempo. Um bloqueio. O congelar do momento.
E o que dizer da minha Globe? A minha querida bicicleta de carreto fixo. A primeira. A sua imagem simples, limpa, discreta, monocromática e minimalista. Do preto sobressai um pequeno desenho que lhe adorna a frente, a imagem deste blogue. E tão bem integrada na paisagem que está a minha bicicleta.
Está patente uma tranquilidade que normalmente não lhe carateriza. Parece tão serena! A bicicleta do tudo ou nada. De vontade e dinâmicas muito próprias. Do feitio muito especial.
Nem tudo o que aparece é, ou apenas é mostrado um outro lado...
Gosto mesmo dessa imagem.
É meia bicicleta que vale por bicicleta e meia!