Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

Vai para a ciclovia!

Foram-me relatadas buzinadelas… gritos… gesticulações agressivas!

Embora alguns automobilistas pensem o contrário, as vias onde existam faixas destinadas à circulação de velocípedes (ciclovias), não faz com que estes veículos estejam obrigados a circular nelas! O Artigo 78.º do Código de Estrada é esclarecedor:

“Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se preferencialmente por aquelas pistas.”

Sim, os utilizadores de bicicletas devem dar preferência a estas pistas especiais para a sua circulação, mas as coisas nem sempre são assim tão lineares e dependem das circunstâncias e do bom-senso. Não foi por acaso que se introduziu a palavra preferencialmente neste artigo na última revisão do Código da Estrada, em vigor desde 1 de janeiro de 2014.

Atente-se ao seguinte cenário como exemplo:
Domingo de manhã, dia agradável de sol e temperatura amena. Muitas pessoas e famílias aproveitam o dia de descanso e o bom tempo para atividades de lazer ao ar livre. Uns caminham, outros correm, outros ainda andam de bicicleta, de patins, de trotinetes. E fazem-no numa aprazível faixa litoral, com um passeio sobre o mar que engloba uma ciclovia. Um ciclista sai para a estrada para o seu habitual passeio matinal, equipado a rigor com a sua bicicleta de estrada. Ao atravessar a cidade opta por utilizar também a referida via. De notar que esta possui duas faixas de rodagem no mesmo sentido. Tendo em conta o facto de ser plana e com bom piso, mesmo imprimindo uma toada relativamente calma, uma bicicleta de estrada nestas circunstâncias vai circular sempre depressa demais para uma ciclovia, que nestas condições, terá inevitavelmente a presença de peões, tanto adultos como crianças.

Mas existem outros cenários e existem ciclovias que apenas pela sua conceção e localização são pouco apelativas à sua utilização, seja por conveniência, seja acima de tudo pela segurança, ou falta dela. Num mundo perfeito as ciclovias seriam irrepreensíveis na sua localização, nos acessos e dimensão. Não teriam a presença de peões e seriam em número suficiente, concebidas tanto para o lazer como para a utilização da bicicleta como meio de transporte diário. Estando nós muito longe dessa realidade, os automobilistas terão de se habituar à ideia de partilhar a estrada com outros veículos que não automóveis, fazendo-o com a naturalidade e o bom-senso que a situação impõe. Da mesma maneira, na falta de condições para o fazer numa ciclovia, os utilizadores de bicicletas deverão utilizar estas mesmas estradas de forma assertiva, preservando a sua segurança e minimizando possíveis efeitos negativos na fluidez do tráfego.

Velocidade de cruzeiro, ou não!

Segunda-feira, primeiro dia da última semana do mês. Um dia muito agitado na cidade de Ponta Delgada. Estavam quatro navios de cruzeiro atracados! Para uma cidade pequena, considerando todo o movimento inerente e o número de passageiros desembarcados, o congestionamento no trânsito foi um dos primeiros sinais de que algo fora do comum se passava. Isso se se estivesse muito distraído e não se reparasse na forte presença que estes barcos impõem.
Não sou grande adepto, confesso. Por isso vai ser difícil apanharam-me a tirar fotografias ou “selfies” com os ditos a servirem de pano de fundo. E também ainda não consegui perceber o real impacto da sua vinda, medindo os prós e os contras de forma rigorosa. Mas isso já é outra conversa…
Hoje, mais do que nunca, nem quero ouvir falar do carro, até porque já senti a lentidão do trânsito logo pela fresquinha, inevitavelmente. A bicicleta sim, faz todo o sentido, mesmo sabendo que terei de andar com especial atenção na ciclovia do costume por causa do anormal fluxo pedonal, situação que (já) não me chateia especialmente. Se quero que os automobilistas sejam compreensivos comigo também tenho de o ser com os peões. Faz parte.
Filas de trânsito automóvel compactas e a moverem-se a passo de caracol, em ambos os sentidos da marginal. O menor volume da bicicleta permite desenvencilhar-me da lenta progressão, mas com calma e cautela. Foi com agrado que vi alguns condutores facilitarem-me a passagem, o que agradeci com um baixar de cabeça. Também houve quem tentasse atrapalhar, mas este não merece destaque.
Com o recurso à bicicleta não tive de fazer nenhuma alteração especial à minha rotina diária. Já com o automóvel, as coisas foram um bocadinho diferentes…

O muro!

É curioso que as histórias mais engraçadas e que mais ficam na memória serem sempre sobre quedas e acidentes ou outras desgraças, não é?
Esta é mais uma história de outros tempos, no caso, sobre mim, a minha bicicleta e um muro.
Quando já era mais crescido tive uma bicicleta de estrada que o meu pai tinha trazido dos Estados Unidos da América. Foi a primeira vez que andei numa bicicleta de estrada. Esta bicicleta, na altura e para mim que queria era uma BMX, era um bocado esquisita! Tinha um guiador estranho, todo curvado para baixo. Além disso, tinha umas rodas muito fininhas. E uns travões pouco acessíveis. Eram as bicicletas que os ciclistas profissionais usavam nas corridas de estrada que apenas via na televisão.
Estava então a andar de bicicleta no bairro com o meu irmão, como era costume, mas agora do lado de fora. Lado que só era permitido agora que eramos maiores, já que antes só lá íamos de fugida às escondidas. É que aqui já havia uma rua movimentada, embora tivesse um passeio bastante largo, com umas grandes árvores. Algumas raízes destas árvores faziam elevações no passeio que pareciam rampas de saltos.
A parte mais interessante de andar do lado de fora do bairro eram exatamente os saltos. Então, pedalávamos o máximo que podíamos para tomar balanço e saltávamos com as bicicletas nestas elevações. A maior, portanto, a mais desejada, era a que ficava mais próxima de um muro. Tendo o meu irmão como espetador, afasto-me e dou meia volta, e venho a toda a velocidade de encontro à maior elevação do passeio. Salto e continuo a avançar com velocidade, cada vez mais próximo do muro…
De mãozinhas plantadas no topo do guiador percebi que não chegava aos travões… e o muro a aproximar-se rapidamente!
- O que é que eu faço? – pergunto, em pânico, ao meu irmão.
– TRAVAAA!!! – grita ele.
Já não deu tempo… E fui de frente contra o muro!
PAMMM!!!

A corrida de bicicleta!

No meu tempo de criança não existiam tantas preocupações como hoje. Andava-se de bicicleta sem proteções de segurança e não se vestiam roupas próprias, até porque não se viam. A rapaziada andava e brincava mais à vontade na rua, e divertia-se muito. Não haviam tantos perigos como agora e os pais eram mais descontraídos.
Como qualquer miúdo gostava muito de andar de bicicleta. Costumava andar sempre com o meu irmão, mas também com os nossos amigos do bairro. O bairro era um belo sítio para jogar à bola e andar de bicicleta, já que tinha relvados rodeados por passeios que pareciam ruas, onde fazíamos corridas de bicicleta e outras brincadeiras. Também se jogava ao pião, ao berlinde e apanhava-se borboletas, ou pelo menos tentava-se.
Certa vez, eu e o meu irmão fizemos uma corrida. Rapazes e a tendência para as corridas…
Subimos até ao topo do bairro para depois descermos a toda a velocidade. Os dois queriam chegar primeiro e faziam tudo para consegui-lo. Sendo mais velho, ainda antes do meio da descida comecei a ultrapassá-lo e ele mais não fez do que tentar impedir a minha manobra. Com isso, ficamos a pouca distância lateral um do outro e quando já tomava a dianteira, a manete do travão da bicicleta do meu irmão prende no aro cromado que suportava o selim da minha bicicleta (eram duas Sirla laranja de selim corrido e guiador alto), o que fez com que perdesse o equilíbrio, dando uma aparatosa queda!
Ele desatou a chorar e eu parei e aproximei-me dele sem saber o que fazer. Com o barulho da queda e do choro, o nosso pai veio a correr para ver o que tinha acontecido.
- Como é que isto aconteceu? Eu não vos disse para terem cuidado? – perguntou visivelmente preocupado e irritado!
O meu irmão continuou a chorar e eu apenas encolhi os ombros…
Depois de ver que tinha sido mais o susto da queda e que o meu irmão não se tinha magoado, o nosso pai disse:
- Vá, acabaram-se as corridas, vamos para casa. E ficam já a saber que estão os dois de castigo. Só voltam a andar de bicicleta quando eu disser!
As corridas nem sempre correm bem. Nesta, ninguém chegou em primeiro, um acabou no chão a chorar e o outro amuado. O nosso pai zangou-se com os dois e, depois em casa, a nossa mãe também. Uma das bicicletas ficou maltratada. Mas, pior mesmo foi termos ficado de castigo sem saber quando é que voltaríamos a andar de bicicleta.

“100 pedais”

Já se passou uma década. Começou a andar de bicicleta muito cedo. O avô materno ofereceu-lhe uma no seu primeiro aniversário. Não se lembra efetivamente, mas é algo de que se orgulha. Aliás, a bicicleta ainda a tem e não há intenção de algum dia se desfazer dela!
Não é uma bicicleta qualquer, mas uma bicicleta de equilíbrio. Basicamente só tem o quadro, duas rodas, guiador e selim. Pois, não tem nem pedais, nem travões, mas é exatamente isso que faz dela a escolha certa para aprender a andar de bicicleta. Ah, tinha uma campainha, mas um dia pediu ao pai para a tirar e nunca mais apareceu…
Na verdade, o avô apenas a pagou porque quem a escolheu foi o pai, supostamente mais entendido no assunto. Mesmo assim, na altura, houve alguma hesitação já que era uma novidade, tanto que foi a primeira do género a ser vendida.
Ainda nem sabia andar (a pé) e já andava de bicicleta. Com o pai ou a mãe a empurrar-lhe, claro. Um ano depois, já se equilibrava sozinho e andava com ela por todo o lado.
Mais tarde, o pai explicou-lhe que, ao contrário do que muitas pessoas pensavam, a bicicleta de equilíbrio, sem pedais, era a melhor forma de aprender a andar de bicicleta, por ser a mais rápida, natural, intuitiva e independente.
Gosta muito da sua bicicleta sem pedais. Às vezes ainda dá umas voltinhas nela, mesmo já sendo tão pequena para ele.
Tem e já teve outras, de diferentes tamanhos, com pedais e restantes acessórios. Já andou mais ou pelo menos com outra frequência, já que existem novas solicitações, mas não o remetem para o sofá e para os ecrãs, pelo contrário, sendo igualmente benéficas.
Uma década depois, a ausência deu lugar à inclusão. Dos pedais, mas não só. A partir de agora o percurso poderá ser feito a dois... Ou não! Certo é que para além do gosto pelas bicicletas, partilha com o pai o gosto pela escrita, demonstrado com o texto “A minha vida de bicicleta”, com o qual se estreia neste espaço e que se pode ler abaixo.

A minha vida de bicicleta

Olá! Eu chamo-me Specialized Tarmac, mas se quiserem, podem-me só chamar de Tarmac.
A minha vida é muito boa! Bem, depende dos momentos.
Eu sou feita de carbono, o melhor material de uma bicicleta. Por isso é que sou do topo de gama da minha família.
Eu nasci numa fábrica e depois mudei-me para São Miguel. Morava numa loja da minha marca chamada “Carreiro”. Lá estava cheia de amigas, mas certo dia tive de me despedir delas, pois compraram-me. Quem me comprou, deu um monte de dinheiro por mim, pois como já vos disse, sou do topo de gama.
A pessoa que me comprou deu-me muito carinho. Enchia-me os pneus, metia-me óleo na corrente, etc… E o melhor de tudo é que me dava bastante uso, apesar de às vezes meter-me sozinha num sítio a que os humanos chamam de “garagem”, mas faz parte.
Conheço muitos sítios, graças aos passeios que já dei com o meu dono. Conheço as Furnas, as Sete Cidades e até o Pico do Fogo. Ainda conheço mais, mas se disser, vou ficar aqui muito tempo.
Apesar de conhecer muito bem o meu dono também conheço as pessoas que me arranjam em coisas mais graves. Até sei os nomes!
A minha melhor amiga chama-se Specialized Roubaix.
A minha vida ainda tem mais por contar, mas agora vou até São Brás com o meu dono.
Adeus!

Tomás Pereira, 03/2018

Bicicletas – Conversas e considerações

Hoje a minha hora de almoço foi diferente. Praticamente toda ela a falar de bicicletas. Numa loja de bicicletas, à volta de uma bicicleta de enduro elétrica. Falamos de provas, de comportamentos dos ciclistas e dos automobilistas, de infelicidades, obrigações, de voltas e de bicicletas efetivamente.
A partilha de ideias, opiniões e experiências enriquece-nos e pode levar à reflexão e a encarar determinada situação de um ponto de vista que até então não era o nosso.

Resultantes destas mesmas conversas ficam algumas considerações.

- Embora muitos automobilistas ainda não considerem a presença das bicicletas na estrada, o facto é que se nota, de uma forma geral, uma alteração positiva nesse sentido;
- O facto de o quadro legal atual nos ser mais favorável, não quer dizer que tenhamos de o impor à força. Até porque, considerando a nossa posição de vulnerabilidade, trata-se de uma questão de preservação da nossa integridade física;
- Nós, ciclistas ou utilizadores das bicicletas, não devemos tratar os outros como não queremos ser tratados. É básico e a melhor forma de preservarmos a nossa imagem enquanto grupo ou comunidade, que se espera que seja maior a cada dia que passa;
- Ao contrário dos outros interlocutores continuo a ser da opinião que não faz sentido a obrigatoriedade do (tão falado) seguro para as bicicletas. A necessidade do seguro prende-se com a capacidade destrutiva do veículo e, por exemplo, um automóvel tem um potencial destrutivo muito, mas muito, superior ao de uma bicicleta. Numa eventualidade de que resultem danos a outros, dos quais somos responsáveis, teremos de os assumir como noutra situação qualquer;
- Também não concordo com a obrigatoriedade do capacete. A sua recomendação faz todo o sentido, claro, mas deve continuar a caber a cada um equacionar a sua utilização e o grau de risco a que podem estar sujeitos. Pessoalmente, não vejo necessidade de utilizar capacete nas minhas rotinas diárias com a bicicleta, ao contrário do que acontece nos meus passeios em estrada ou fora dela. Os estudos valem aquilo que valem, mas posso mencionar a propósito que se verificou uma quebra no uso da bicicleta após a implementação da obrigatoriedade do uso do capacete em determinados territórios. Outro estudo indica que os automobilistas perante ciclistas com capacete têm uma condução mais descuidada do que quando estão perante ciclistas sem este elemento de proteção;
- Encarar uma bicicleta como um veículo utilitário já tem, só por si, vários constrangimentos. Cultura, mentalidade, organização das cidades, meteorologia, vulnerabilidade, entre outros, portanto, impor-se ainda mais obstáculos à utilização da bicicleta é a receita certa para se persistir num modelo de mobilidade urbana obsoleto e insustentável, centrado no automóvel individual. Exatamente o que não se pretende;
- Eu, como os outros envolvidos na conversa, para além de ciclista (ou utilizador das bicicletas, já que às vezes acho presunçoso denominar-me de ciclista!) sou também automobilista e em qualquer um dos papéis privilegio o bom senso e condeno o chico-espertismo, tanto da minha parte como da parte dos outros. Mas também erro, não sou perfeito. Ah, como automobilista pago seguro, imposto de circulação, inspeção…, coisas que fazem sentido para os automóveis, não para as bicicletas!

Claro que também foi abordado o acontecimento trágico deste fim de semana, um acidente de viação que envolveu um veículo automóvel e uma bicicleta, tendo resultado na morte de um jovem ciclista. Muito triste e lamentável. Uma situação que deixou um clima de pesar e consternação no meio e não só, e que tendo em conta as circunstâncias e o local do sucedido, traz à consciência o pensamento de que podia ter acontecido a qualquer um de nós…

Uma questão de identificação!

Um dia destes, perante uma série de publicações em destaque, acedi unicamente aquela que tinha como título, algo com que me identifiquei de imediato. Da mesma forma, compreendo que pouca gente se identifique com as minhas publicações, exatamente por não se rever com aquilo que escrevo.
Ainda ontem, em conversa com um amigo, com o qual partilho gosto, visão e abordagem no que toca às bicicletas, dizia-lhe que, as bicicletas que mais me chamam à atenção ao entrar numa loja são absolutamente transparentes para muitas das pessoas que conheço ligadas às mesmas!
Uma vez, num passeio de BTT, estava presente um desconhecido que se apresentava com uma bicicleta peculiar. Uma XC daquelas à moda antiga, uma rígida, de guiador reto e curto, que notava-se ter uns bons anos de “vida”, embora estimada. Quando abordei a pessoa em causa, dizendo isso mesmo, ele reagiu de uma forma fria e seca, como se eu estivesse a escarnecer da sua bicicleta, quando a estava a elogiar!
De facto, apesar de me considerar relativamente flexível e abrangente, não me encaixo facilmente naquilo que é mais óbvio atualmente. Seja na abordagem, na utilização, na valorização e nas minhas opções relativas às bicicletas. Posso pontualmente seguir uma ou outra vertente, mas afasto-me claramente das atuais tendências.
A necessidade de tecnologia, da leveza levado ao extremo, de materiais e equipamentos de topo no que toca à sua manufatura, nobreza e grau de eficiência, com respetivo preço a condizer, não é exatamente aquilo que mais me diz numa bicicleta, até pelo contrário. O que não quer dizer que não seja perfeitamente capaz de os admirar.
Não sou fundamentalista, mas sou claramente conservador em muitos aspetos. Troco a tecnologia pela tradição e a eficiência pela descontração. Privilegio o clássico e o intemporal ao moderno e futurista. Prefiro o nicho às massas. E lamento que ainda não se dê a devida importância à função mais básica da bicicleta.
Este será mais um texto pouco popular e de difícil identificação. Um texto que vai contra a norma vigente, que a maior parte dos interessados segue disciplinadamente, seja por motivações pessoais, seja por pressões de marketing e de mercado. Mas sei que alguns estão comigo. Poucos é certo, mas, com certeza, bons!

Então são as meias, e… o boné!

“Olha que belas meias! Estou a precisar de umas vermelhas a condizer com o capacete e as luvas…”

Embora perfeitamente consciente de que a aquisição de bens materiais não deve ser encarada como uma alavanca para momentos de felicidade, exatamente por ser algo ilusório e efémero, ainda para mais considerando a nossa natureza insaciável, não posso deixar de admitir que nos pode trazer alguma satisfação, logo que haja razoabilidade e algum equilíbrio entre gosto, desejo e necessidade.
Tal como em muitos outros, no mundo das bicicletas existe uma poderosa industria de marketing que cria desejos e “fabrica” necessidades associada ao constante lançamento de novos e inovadores produtos, com que os consumidores se identifiquem, capazes inclusive de ampliar a sua imagem e respetivos traços distintivos. “Este produto é a minha cara!”
A inovação não se centra unicamente em produtos modernos e futuristas, até porque a tendência “vintage” é uma realidade, tal como a aposta em produtos recentes com uma imagem clássica de outros tempos. E também daqueles que são simplesmente intemporais. É a estes que tenho mais dificuldade em resistir, tanto aos apelos exteriores, como aos impulsos internos, mesmo sabendo que alguns deles não terão aquele uso que seria desejável.

“Já agora levo também o boné!”

 

meias_bone_specialized.jpg

Ciclovia da discórdia!

Quem me conhece sabe que não sou um grande defensor de ciclovias. Reconheço a utilidade e a importância destas estruturas viárias, mas não as acho determinantes para a mobilidade urbana, pelo menos tendo em conta a nossa realidade. Mais relevantes considero a disponibilização de lugares de estacionamento para bicicletas em pontos estratégicos e a inibição de circulação e acalmia do tráfego automóvel nos centros urbanos, dando prioridade à circulação de peões e de meios de locomoção suaves. Mas existe uma componente lúdica e de lazer das ciclovias que não é de descurar, pelo elevado nível de satisfação e de bem-estar que podem proporcionar.

 

ciclovia1.jpg


Neste momento, está em curso a execução de uma ciclovia na cidade de Ponta Delgada, num troço que faz a ligação entre as existentes ciclovias das Portas do Mar e da Avenida do Mar. Para além da ciclovia, a obra integra naturalmente todo o embelezamento da zona intervencionada, onde já é possível observar o excelente trabalho de calcetaria feito nos passeios e a existência de uma faixa ajardinada, que para além da função estética serve também de separador entre a zona destinada aos peões e a faixa destinada aos velocípedes.
Na minha opinião, pelo local em si, pela quantidade de pessoas que utilizam toda aquela faixa litoral e pelos constrangimentos sentidos pelas mesmas, para não falar no importante contributo para a promoção de hábitos de vida saudáveis e aprazíveis, esta obra faz todo o sentido, considerando-a mesmo fundamental.

 

ciclovia2.jpg


Publicações inflamadas em redes sociais é algo de que fujo a sete pés, não leio, nem muito menos argumento, mas, às vezes, influenciado pelo tema, esbarro com uma ou outra e respetivas reações. Dois minutos chegam e sobram para entender o discurso indignado do costume. São só privilégios para as bicicletas e para quem anda nelas, não pagam qualquer taxa ou imposto de circulação, não têm seguro... (e por aí a fora), e ainda usam faixas de rodagem automóvel para fazer uma ciclovia, para uma minoria! Tempo perdido, portanto. Salvam-se os comentários de quem tenta fazer ver o outro lado. Gabo-lhes a vontade!

 

ciclovia3.jpg

 
Sigamos os bons exemplos e o que é premente e suposto seguir. Não é suposto criar entraves a um meio de locomoção que é encarado por todos como parte da solução, pois não? E é suposto criar-se condições para que as pessoas virem costas ao comodismo e venham para a rua exercitar-se em prol da sua saúde física e mental, beneficiando do melhor que o local onde vivem tem para oferecer, não é?
Então pronto.

Eu, ativista das bicicletas, não me confesso!

O meu ativismo em prol das bicicletas fica-se pelo exemplo. Quando subo para o seu selim e pedalo alegremente, mesmo com circunstâncias que nem sempre são as teoricamente propícias para o efeito. Não pretendo influenciar ninguém, nem tenho paciência para estar a envolver-me em conflitos com indignados, presos a paradigmas esgotados e insustentáveis, que não estão minimamente interessados em saber o que os outros têm para lhes dizer e que apenas conhecem uma verdade, a sua!
Se a minha redescoberta das bicicletas está a fazer uma década, a utilização como meio de transporte tem cerca de meia dúzia de anos. O início não foi fácil, ou não fosse eu mais um que implicava o automóvel em toda e qualquer rotina da minha vida, não conseguindo visualizar as coisas de outra forma. Continuo sendo automobilista, mas já dei o passo em frente. Aos poucos “cresci”, porque ao contrário do que comummente se pensa, a opção bicicleta é um avanço e não um retrocesso, e hoje já não vejo a minha vida sem ela. Ou melhor, sem elas. E quero-as, todas, cada vez mais presentes.
Tenho a minha visão e forma de encarar as bicicletas, como os outros terão a sua, mas pela minha experiência, acho um desperdício encará-las apenas nos departamentos desporto e lazer, e menos positiva a tendência para exacerbar a sofisticação e complexificação daquilo que é tão simples na sua essência. Mas lá está, cada um faça como mais lhe convier. Se calhar, também quem as vê sob outros prismas, ache um desperdício eu não aproveitar todo o lado de treino, desafio e competição que proporcionam. De uma forma ou de outra, qualquer relação com as bicicletas é sempre uma mais-valia.
Sou apenas um utilizador de bicicletas, que faz por aproveitar aquilo que elas proporcionam. Liberdade, conveniência, saúde, prazer…

I Ride dos Reis - Monbike

Foi com satisfação que recebi a informação da realização deste evento. Mesmo sem qualquer referência do mesmo, até porque tratava-se da primeira edição e nunca tinha participado em qualquer evento do promotor, mas o sentido de oportunidade temporal, o foco no convívio e a ideia de traçar um percurso em estrada ligando as três cidades (Lagoa, Ponta Delgada e Ribeira Grande) em associação aos três Reis Magos, augurava logo algo de positivo.
As minhas expetativas não foram goradas, até pelo contrário, o que me faz afirmar que este evento tem todas as condições para se manter no calendário dos passeios de estrada, sendo mais uma referência a ter em conta, esta a marcar o final da quadra festiva em causa.
Considerando a forte afluência de participantes, ainda para mais sendo uma novidade, faz-me depreender que a realização deste evento motivou um certo entusiasmo geral e gerou algumas expetativas, o que é de realçar. Registei também, com alguma surpresa, a presença da concorrência, o que não é frequente acontecer no nosso pequeno e preconceituoso meio. Como já disse, a associação ao dia de Reis e a escolha do percurso a condizer não podia ter sido mais acertada.
Tratando-se de um evento de estrada é normal que se esteja perante um percurso com alguma quilometragem e nível de exigência, e que o ritmo seja ligeiro, mas pelo seu caráter descontraído, com mais ou menos esforço, permite alguma flexibilidade de participação. No caso, tínhamos um guia a indicar o caminho e a marcar o ritmo, e outro a fechar a caravana.
Como será fácil perceber pelas minhas palavras, este foi um passeio que me agradou bastante. Descontraído, bem organizado e com um belo percurso. Gostei tanto do percurso que vou passar a fazê-lo nos meus passeios de domingo, como alternativa aos mesmos de sempre. Aliás, nem sei como é que nunca me lembrei disso?
Pessoalmente e ao nível do convívio, para além das normais trocas de impressões gerais, tive oportunidade de falar com quem já não via há muito tempo, mas também de conhecer melhor quem contactamos apenas de forma esporádica.
Com tudo isso, os meus parabéns a quem idealizou, preparou e apoiou esta iniciativa.

 

reis_monbike.jpg

Imagem: Monbike

Passeio Solidário de Reis - Decathlon Ponta Delgada

Para começar posso dizer que fui enganado. Depois de ter questionado, em local devido, se o percurso do passeio incluía pisos de terra ou se seria unicamente em estrada, responderam-me “Estrada”. Fomos os três. Avançou a Globe (fixed gear), a Triban 500 e por pouco a Órbita dobrável também não foi parar ao suporte em cima do carro, acabando por ser trocada pela BTT de roda 24, em boa hora…
Afinal existiam segmentos de terra no percurso. Se soubesse levaria a minha BTT e muito provavelmente iríamos só dois. Mas há enganos que vêm por bem. Fomos todos e gostamos. Mesmo quem tem uma certa aversão ao fora de estrada, que, com uma bicicleta pouco adaptada fez praticamente todas as incursões propostas neste ambiente, para ela, inóspito.
Quem mais recorreu às alternativas fui eu, já que a “fixie”, de “slicks/23”, só com travão dianteiro, revela-se (ainda) mais desafiadora nestas vias mais agressivas. Primeiro não me estava a apetecer ter um furo, depois não queria estragar a bicicleta, e muito menos ter, de repente, um contacto forçado com o chão. Alguns segmentos não pude evitar, mas correram bem, mesmo tendo aproveitado a menor aderência dos mais direitinhos para fazer uns “skids”, manobra que no asfalto exige uma destreza (e joelhos) que não tenho. Medo!
A manhã de sábado estava fresca e algo ventosa, o que se calhar contribuiu para que alguns possíveis participantes tivessem ficado no quentinho da cama, mas este passeio prometia uma manhã diferente entre as bicicletas e cumpriu, aliando a prática de exercício físico e o convívio à componente solidária. O percurso, delineado pelos arredores de Ponta Delgada, foi acessível e variado.
Acho que a existência destes eventos mais generalistas e abrangentes é importante, por isso faço questão de marcar presença sempre que me é possível. Aliás, fazemos!

 

reis_decathlon.jpg

Imagem: Decathlon Ponta Delgada

Eu e ela

Somos um só…
Em contacto através de três pontos,
Unidos pelo extremo inferior.
Num gesto rápido reduzo ligeiramente a desmultiplicação,
Ergo-me para vencer a inércia da inclinação desfavorável.
Mudança de cenário,
A gravidade está agora a nosso favor.
Curvado sobre ti,
Procuro a aerodinâmica.
Tenho o batimento acelerado,
E o nível de concentração elevado.
Estado de fluxo!
Somos um só…
Estamos a render o máximo,
O ar que se desloca rápido em nosso redor confirma.
Curvas, tantas curvas,
Alternando entre fluidas e sinuosas.
Ora giro frenético as tuas alavancas,
Sob pena de perdermos o ritmo,
Ora aperto os teus abrandadores,
Sob pena de perdermos a compostura.
Somos um só...
Oscilas com as irregularidades,
Mas és honesta.
Alargas ligeiramente a trajetória que pretendo seguir,
Mas és precisa.
Disfarças a falta de aderência da borracha no asfalto,
Mas sei que tens limites.
Não sei quais,
Mas testo-os…
Chega, chega!
Ergo o tronco,
Reposiciono as mãos sobre ti,
Estabilizo as alavancas,
Olho para trás.
Deixo a gravidade levar-nos.
Somos um só...
Rolas indiferente, como sempre.
Tu não sentes,
Mas provocas sentimentos.
Tu não ouves,
Mas digo-te na mesma:
Foi tão bom!


Nota: Às vezes tenho tendência para humanizar as minhas bicicletas, neste caso a Roubaix. Este texto refere-se a uma parte específica do percurso do Passeio de Natal de domingo, exatamente o final da subida de quem vem de Vila Franca e a sinuosa descida até à calçada da Lagoa das Furnas.

Novo ano, nova época. Nova atitude?

Antes de mais, fica já dito que não gosto de resoluções de ano novo, tanto que acho que se deviam chamar de ilusões*.
Neste caso não são propriamente, nem resoluções, nem de ano novo, mas sim de novas ideias para encarar certa parte da época de ciclismo em 2018. Ideias baseadas numa atitude mais aberta que no fundo se resume em aumentar a utilização das minhas bicicletas assumindo uma dinâmica diferente, quer individualmente, quer em família, com saídas mais frequentes e relevantes, e uma maior participação em eventos organizados, excluindo os que representem aquela vertente da competição pura e dura. Passeios em geral e provas abertas como os “granfondo” na vertente de estrada, e as resistências e maratonas na vertente btt são aquelas que, pelas suas caraterísticas, reúnem a minha preferência.
Como o dinamismo (ou a falta dele) funciona em espiral e estende-se para outros departamentos da nossa vida, e pela forma óbvia como estão intimamente ligados, é previsível que a escrita e o blogue venham a sofrer positivamente com isso, nem que seja pela quantidade, com a maior abundância de assuntos a abordar.
Para já vou voltar a filiar-me na Federação Portuguesa de Ciclismo, na vertente “Ciclismo para Todos” - CPT, mas desta vez na opção “Família”, já que no computo familiar as pedaladas tendem a equilibrarem-se. E quero aproveitar para pedalar no decorrer destes dias de festa que se aproximam, últimos deste ano, também para compensar os excessos alimentares próprios da altura. E, já na manhã do primeiro dia do novo, conto subir ao Pico da Barrosa (a tradição é para manter) e ver lá de cima a Lagoa do Fogo (se o tempo permitir, o que raramente acontece neste dia)!
A época de 2017 já acabou, mas o ano não, portanto, é continuar a empreender cada vez mais a atitude que decidi ter nos últimos meses, no que toca à minha relação com o ciclismo e as bicicletas, com a sustentabilidade necessária para que flua naturalmente no tempo…

 

*Ilusões de ano novo!
Começa mais um ano, cumprem-se os mesmos rituais, repetem-se os mesmos comportamentos de sempre. Fazem-se balanços do ano anterior e traçam-se projetos para o novo ano. Fazem-se promessas de mudança. Há quem deixe de fumar, quem deixe de beber bebidas alcoólicas, quem passe a comer melhor, quem comece a ler um livro. A afluência aos ginásios aumenta…
Não acredito nestas mudanças repentinas e circunstanciais. As suas bases são frágeis e pouco sustentáveis. Não existe preparação nem planeamento, por mais simples que sejam. Não existe vontade genuína. E na sua esmagadora maioria, os resultados destas mudanças são nulos!
A época que precede a passagem de ano é propícia a inúmeros estímulos e exageros alimentares (e não só), o que também justifica esta tendência. O pior é que esta tendência desculpabiliza-nos e dá-nos carta-branca para exagerar à vontade, pois a nossa convicção é que daqui a dias tudo irá mudar.
Compreendo que se queira uma referência, um marco que simbolize a nossa mudança de comportamentos. Habituamo-nos a encontrar esta referência no começo de um novo ano civil. Para mim, e na necessidade de se arranjar um dia, faz mais sentido referenciar o dia do nosso aniversário, porque este sim, marca verdadeiramente o começo de um novo ano na nossa vida!
De qualquer forma, o que está em causa é que as intenções de mudança de ano novo, por impulso e de um dia para o outro, normalmente não passam disso mesmo, de intenções. E as intenções, mesmo que boas, sem serem seguidas da ação, tal como da sua continuidade, de pouco servem!
Outro comportamento, algo ingénuo e ainda menos duradouro, é achar que com a chegada do novo ano tudo irá mudar, só por isso! Até existe uma certa pressa para que o ano velho acabe, com a ilusão que é a partir daí que começam as surgir as nossas novas oportunidades. Esta sensação ilusória é capaz de se manter durante o primeiro dia do ano, talvez por ser feriado, mas depois… depois não muda nada, claro… depois vem a realidade!
Não tenho nada contra a entrada de um novo ano civil, mas não deixo de achar toda a euforia em volta disso, algo despropositada. Agora sou realmente contra a nossa tendência para atribuir responsabilidade aos acontecimentos, de coisas que sabemos perfeitamente que dependem de nós, estejamos no início, a meio ou no fim do ano!
Rui Pereira, 03 janeiro 2014

Bicicletas e expetativas!

Nos últimos tempos a relação com as minhas bicicletas tem sido um pouco atribulada. Isso porque três delas resolveram presentear-me com avarias chatas de forma consecutiva. Curiosamente, as mais chatas e dispendiosas aconteceram nas minhas melhores bicicletas, pelo menos em teoria, já que estou a falar das mais bem equipadas no que aos materiais e equipamentos diz respeito. As mais caras, portanto.
Na prática não posso considerar estas as minhas melhores bicicletas, porque todas elas são muito diferentes entre si e por isso mesmo incomparáveis. O facto é que gosto de todas, da mais humilde e barata, à mais cara e sofisticada (se é que se pode considerar sofisticada alguma das minhas bicicletas), sem ordem de preferência, já que um dos critérios que privilegio é a funcionalidade e aquela que mais me é útil é exatamente a mais básica.
Todas elas têm o seu fim, tal como virtudes e defeitos. E as avarias também fazem parte da equação, quer se goste, quer não. São máquinas simples, mas são máquinas. O resto é uma questão de expetativas.
Ainda ontem falávamos no ranger (barulho irritante) do selim da minha Roubaix. E fui questionado em jeito de brincadeira: “O selim desta também faz barulho?” (estava com a minha ferramenta do dia-a-dia, a Órbita Classic), ao que respondi: “esta não faz barulhos, nem chateia!” Na verdade, ela não está a fazer nenhum barulho em especial, mas também não está isenta de falhas e problemas (só por acaso, o selim já nem é o de origem por ter apresentado um desgaste prematuro da sua forra)! O facto, é que os seus problemas não merecem a mesma importância, nem me chateiam tanto como acontece por exemplo com a Roubaix, e neste caso específico, com o ranger do seu selim. Também como poderia, já que só este elemento custava quase metade do que me custou a Órbita na totalidade!
Considerando tecnologias, sofisticações e custos tão díspares, é óbvio que o que se espera de cada uma delas e dos seus elementos seja também diferente, tal como as reações perante os factos, mesmo consciente de que os infalíveis não existem.
O que interessa é que, com mais ou menos custo (de preferência com menos), tudo se resolva e as nossas bicicletas fiquem aptas (não confundir com perfeitas) para desempenhar a sua função.

Passeio de Natal 2017 - Visita ao Presépio das Furnas - CC Specialized

A certa altura, a passar por mim, alguém diz mais ou menos isso: “Já tens assunto para o blogue.” Respondi apenas com um sorriso e não consegui acompanhar o seu comboio, mas dediquei uns instantes de atenção à sua afirmação.
A primeira questão que me veio à cabeça foi, qual assunto? É certo que rolava de regresso da ida às Furnas no âmbito do já tradicional Passeio de Natal da CC–Specialized, o que só por si já poderia ser um motivo, até porque só acontece uma vez por ano, mas ao contrário do que costuma acontecer, não ia a delinear mentalmente um possível relato dos factos. E por acaso na altura até rolava sozinho. Da breve e momentânea retrospetiva não me parecia ter acontecido algo de muito relevante.
Levantei-me cedo, despachei-me, saí e rolei com calma até ao ponto de encontro – Portas da Cidade. Pelo caminho fui alcançado por dois colegas que vinham da cidade a norte, acabando mesmo por seguir com eles. Mas cheguei sozinho e cedo, tanto que ainda só lá estava o promotor e poucos mais ciclistas. Aos poucos chegaram mais e mais, mesmo muitos para o caráter particular do evento. Foto da praxe e lá fomos a caminho das Furnas. Desta feita via sul para variar. Ritmo tranquilo, grupo unido, que, entretanto, se esticou e dividiu com o passar dos quilómetros e com o surgimento das dificuldades. A partir de certa altura e até ao destino – Bolos Lêvedos Glória Moniz, sigo na companhia de uma dedicada companheira ciclista e da sua super bicicleta! Bolo lêvedo misto, Coca-cola e um queque, mais a foto da praxe nas Caldeiras das Furnas, e bem-vindo às Pedras do Galego. Oportunamente alguém entoou parte do refrão de uma canção brasileira “Agora aguenta coração…”! Não sei quem, mas foi de rir. Acabo por ficar sozinho, depois acompanhado, depois andei na roda, depois fiquei sozinho novamente e durou. Depois acabei acompanhado e mesmo no fim, outra vez sozinho, a perguntar-me porque raio é que fui atrás de uns colegas pelo caminho mais longo em vez de ter escolhido o mais curto? Centro de Ponta Delgada, cheguei.
Será que era a isso que o meu companheiro se referia quando mencionou que eu já tinha assunto para o blogue? Seja como for, aqui fica. Tal como fica também um bem-haja a quem, de ano para ano, promove e assegura a manutenção do evento.

 

passeio_furnas_cc.jpg

Imagem: Francisco Carreiro / CC-Specialized

Gravel Bikes

As bicicletas polivalentes vocacionadas para o turismo e aventura têm ganho uma relevância considerável nos últimos tempos. Atualmente são várias as marcas que apresentam mais este segmento nos seus catálogos. As “gravel” são bicicletas de estrada adaptadas a circular também fora dela. Para melhor se identificar, diria que se posicionam entre uma bicicleta de estrada e uma “ciclocross”. Um conceito híbrido que junta características de ambos os segmentos (estrada e fora de estrada) numa só bicicleta, mas sem pretensões ao nível da performance e da competição, estando muito mais voltadas para a aventura, a liberdade e a descontração. Polivalência, equilíbrio, conforto, simplicidade e robustez são alguns dos seus principais argumentos, propondo assim aos seus utilizadores um uso diversificado quanto baste. Rotina diária, múltiplos ambientes, muitas e longas pedaladas, e inerentes momentos aprazíveis de exploração e contacto com a natureza. Claro que não será de esperar um comportamento exemplar em estrada e menos ainda fora dela, mas também para este fim já existem inúmeras bicicletas e respetiva especificidade. As “gravel” são uma excelente opção para quem não está preocupado com comportamento e performance a um nível mais elevado, mas que pelo contrário privilegia a facilidade de utilização e a diversão com apenas uma bicicleta.
Se tivesse de definir o meu perfil como utilizador de bicicleta diria que era descontraído. Não faço competição e nunca apelidei as minhas saídas domingueiras de bicicleta como treinos porque não passam de passeios. E é mesmo isso que quero que sejam. Praticamente não faço btt, mas tanto nesse ambiente como na estrada, o que mais me interessa nesse momento é a comodidade e o conforto. Portanto, se há bicicleta que me assenta bem é uma “gravel”.  Depois de um tempo em que juntei algumas bicicletas, com o lado menos bom de algumas delas terem ficado paradas ou com um uso residual, seria altura para reduzir, onde pelo menos duas daria lugar a apenas uma, garantindo um uso sustentável, mas acima de tudo, o prazer e o divertimento.
Gravel Bikes? Quem sabe um dia!

P.S. – Infelizmente não consegui fotografar a bicicleta que queria para ilustrar este texto. Tenho um amigo que tem uma Specialized Sequoia, a única que há cá, mas temos andado desencontrados. Com o seu quadro em liga de aço - Cr-Mo, pneus de 42mm, travões de disco mecânicos, apoios para guarda-lamas e porta-bagagens, fitas de punho e forro do selim em tecido - ganga, entre outras caraterísticas, a Sequoia é um bom exemplo de uma das bicicletas mais puras do segmento gravel/turismo/aventura.

Já tinha uma publicação sobre as "gravel" aqui no blogue, onde, excecionalmente, destaquei um belo vídeo!
"Azores Gravel Bike Trip 2016"

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2007
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2006
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D