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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

27.03.20

"As minhas gatas”


Rui Pereira

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Há 10 anos atrás, se me dissessem que hoje estas seriam as minhas bicicletas preferidas, não acreditaria.
Com o passar dos anos podia estar a ficar mais burguês e conservador, mas não!
As minhas bicicletas de carreto fixo reúnem, como nenhumas, aquilo que mais privilegio atualmente numa bicicleta.
São encantadoramente radicais!
Tenho bicicletas muito melhores, tecnologicamente falando, mais sofisticadas, eficazes e caras, mas falta-lhes carisma e caráter, e aquela imagem simples, limpa e minimalista que tanto aprecio.
Para além disso, não permitem uma interação tão peculiar e próxima, elevada ao nível da personificação, como acontece com as fixed-gear.

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A gata que surgiu na fotografia é dos meus vizinhos do lado de baixo.
Os do lado de cima também têm uma.
Fazem questão de aparecer quando estamos lá fora.
Não são nossas, acho que gostam de nós.
Nós também gostamos delas, quase tanto como se fossem…

21.02.20

Até querer…


Rui Pereira

Pegava na minha bicicleta e ia por aí a fora. Sem horas, nem constrangimentos, sem limitações. Entre subidas e descidas. Por montes e vales. Sem dar atenção à cor, nem à irregularidade do piso. Tempo ameno. Eu e ela... e leves pensamentos. Dificuldades encaradas com tranquilidade. Desafios encarados com prazer. Pedalar sem destino, rumo ao desconhecido. Escolha intuitiva do trilho, para seguir numa pedalada certa e calma. Até querer…

16.02.20

"O que não mata, engorda e também te pode transformar num ciclista"


Rui Pereira

O João Silva convidou-me para escrever um texto sobre algo que me é muito caro - ciclismo e bicicletas. Perante o interesse e a simpatia, não poderia ter feito outra coisa senão aceitar. O resultado foi hoje publicado no seu blogue - O que não mata, engorda e transforma-te num maratonista.
Obrigado, João!

12.02.20

Intemporal


Rui Pereira

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A música é moderna, mas a sua melodia recua aos anos 80. A bicicleta de carreto fixo é uma nova moda, mas recua aos seus antepassados. A ciclista já ultrapassou a fasquia das quatro décadas, mas posa como uma miúda de metade da idade...

A música e a bicicleta assentam-lhe tão bem!

06.02.20

Eu Ando de Bicicleta em São Miguel

Grupo [Facebook]


Rui Pereira

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A minha primeira experiência de bicicleta na cidade aconteceu quando um dia o carro teve de ir à revisão. Foi tão significativa e senti-me tão realizado que neste mesmo dia criei um grupo no facebook - Eu Ando de Bicicleta em São Miguel.
Daqui a um mês faz oito anos. E é o principal motivo para me manter nesta rede social.
Já fui muito e pouco ativo, já deixei o grupo e respetiva plataforma, e entreguei a administração a outro colega, depois voltei e foi-me novamente entregue. Neste momento a administração é composta por 4 elementos, mas o funcionamento geral do grupo é essencialmente assegurado por mim e pelo meu colega Pedro Almeida, o mais recente administrador do grupo.
Dos 3254 membros contabilizados hoje devem participar cerca de 0,5%. A maioria das participações resumem-se a novidades de marcas e empresas, alguns anúncios de vendas (embora exista um grupo anexo para o efeito) e partilhas gerais e externas. Não era bem o que tinha em mente quando o criei, mas é o que temos.
Não digo que seja uma referência no meio, até por isso, mas já conta com alguma idade e dimensão, sendo um agregador de simpatizantes e utilizadores da bicicleta de São Miguel, dos Açores ou de outro lado qualquer. Mais do que ser açoriano ou micaelense, identificamo-nos porque andamos de bicicleta e gostamos muito delas.
Pelo menos quero acreditar que assim é.
Boas pedaladas a todos!

05.02.20

Andar de bicicleta é...


Rui Pereira

O som caraterístico da roda traseira funde-se com o som da deslocação do ar impulsionado pela velocidade. A estes, acresce o da fricção dos pneus no asfalto, no caso, mais ténue, e o do roçar dos calços dos travões na pista das rodas para o efeito, sempre que são acionados.
- Andar de bicicleta é um brinde aos sentidos e às sensações!
Às vezes nem damos por isso, porque os pensamentos fluem como que a acompanhar o rolar da bicicleta.
- Andar de bicicleta é distrair-nos de tão concentrados e concentrar-nos de tão distraídos!
O corpo acusa a entrada brusca na fenda presente no asfalto impossível de evitar. Ai! Mas pronto, está tudo bem. Prossiga a marcha.
- Andar de bicicleta é testar o nosso poder de reação e improviso!
Uma via ligeiramente descendente leva-nos a meter carga na transmissão e a aumentar o ritmo e a força na pedalada. A velocidade aumenta exponencialmente, a par do batimento cardíaco e da temperatura corporal.
- Andar de bicicleta é ir ao limite físico, é experimentar o bom da dor e do cansaço!
Os sentidos despertos, a concentração elevada, a pronta resposta. A velocidade. O controlo. O gozo de a levar…
- Andar de bicicleta é um exercício pleno de liberdade, desafio, bem-estar e prazer!

29.01.20

Até não poder mais!

Órbita Classic


Rui Pereira

Recentemente, ponderei adquirir uma nova bicicleta citadina para substituir a minha Órbita Classic nas minhas voltinhas diárias. Esta bicicleta há muito que deixou de receber grandes atenções da minha parte, porque resignado e numa fase menos dedicada, decidi que ela estaria à sua sorte, mesmo consciente do pesado ambiente que tem de enfrentar diariamente. Estamos a falar de uma bicicleta modesta, equipada com material acessível e pouco robusto, portanto, não será difícil adivinhar o resultado, tendo em conta as circunstâncias e o uso descuidado que lhe dou. Ela tem acusado isso tudo. Já foi alvo de intervenção especializada um par de vezes, o que até é pouco. São intervenções ligeiras e económicas, mas os problemas tendem a persistir e novos a aparecer. Encaro toda essa situação com normalidade, até porque estou bastante consciente da sua realidade. Então, se calhar, o melhor era comprar outra bicicleta. E o que faria com esta? Pode estar feia e defeituosa, mas continua a cumprir a sua função. Vou pendurar-lhe numa parede sabendo-a apta e gastar dinheiro noutra bicicleta? Surgiu a possibilidade de uma bicicleta usada, de muito melhor qualidade, pouco uso, adequada à função e por um valor apetecível... Ainda não vai ser desta. Outras oportunidades surgirão. São voltas regulares - diárias, mas curtas e sem grandes exigências, exceto o ambiente litoral onde ocorrem, e a Órbita vai ter de continuar a andar até não poder mais. Ela e a sua caixa da fruta que tanto jeito me dá. Terá de ser novamente intervencionada, no sentido de colmatar as suas falhas técnicas, mas continuará na estrada, mesmo que cada vez mais feia, velha e ferrugenta!

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