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Bike Azores

A experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

10.05.22

Trilho sombrio


Rui Pereira

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Sigo de cabeça baixa sem destino. Sinto o peso da inclinação nas pernas. Pesado é também o pensamento. Nem sempre a pedalada desanuvia logo o nublado que existe aqui em cima e, ao invés, torna-o ainda mais carregado. Por vezes é preciso ir até ao fundo para começar a subir.
Para começar de novo.
As pedaladas são catárticas. Onde se desbravam os piores cenários. Através das quais saímos da sombra, nos livramos da bruma.
Da escuridão para o esclarecimento.
Levanto a cabeça e é como se a neblina tivesse ficado para trás. Olho o céu e as árvores. A atenção divide-se agora entre o desafio a que submeto o corpo e a natureza que me rodeia.
Tanto verde. Ergo o corpo e carrego os pedais com mais afinco. Doem-me as pernas…
Olho novamente o céu. Suspiro.

 

24.02.22

As minhas bicicletas de carreto fixo

Fixed-Gear


Rui Pereira

A minha realidade e os meus conteúdos não são os mais populares. Por um lado, fogem da principal corrente, por outro, não atingem as expetativas de quem segue contra o convencionado.
Digamos que as bicicletas de carreto fixo são um nicho com algumas vertentes, sendo que as mais populares se centram num certo estatuto ao nível das marcas, componentes e até da atitude. Eu não atinjo nenhum deles!
Comecei tarde. Vai fazer 8 anos que comprei a minha primeira “fixie”. É normal que tivesse (tenha) receios e limitações, e não tenha a destreza necessária para feitos e manobras mais radicais e vistosas aos seus comandos. Também fui (sou) cauteloso no investimento e, portanto, as minhas bicicletas de carreto fixo não brilham exatamente pela exclusividade e alta qualidade. Não são feias, mas também não serão as mais desejadas e atraentes. Até porque, de uma forma ou de outra, fazem concessões a vários níveis, o que automaticamente as atira para longe do cobiçado título de “puro sangue”.
Julho 2014 – Globe Roll 01 (à esquerda); dezembro 2019 – Gloria Magenta (à direita); setembro 2021 – Foffa Fixed (ao centro). Todas elas simples, vendidas completas, de quadros em liga de aço e de aço, de componentes medíocres e preços contidos.

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Mesmo assim, são uma vitória e motivo de orgulho para mim.
Quando ponderava comprar a minha primeira fixed-gear, cheguei a pensar que se calhar não fazia sentido ter uma. Hoje tenho três.
Quando sentia dificuldade em andar com ela fixa passei a roda livre. Hoje ando de carreto fixo com a mesma naturalidade com que ando com as minhas bicicletas convencionais.
Quando achava que só faria voltas mais específicas e nunca ao nível de exigência com que fazia com as “outras”. Hoje já muito pouco falta fazer e, inclusive, estou a pensar em algo que nunca fiz sequer com estas últimas.
As bicicletas de carreto fixo para mim representam empenho, concretização, superação e gosto. Muito gosto, essencial para levar esta minha vontade avante. Inspirado, mas sozinho e à minha maneira, fui criando uma ligação tão significativa que, é nelas que mais penso, é com elas que mais quero sair, é com elas que me identifico.

14.02.22

Namorados?


Rui Pereira

É uma das minhas mais recentes conquistas. Na verdade, não fui eu que a conquistei, mas ela a mim. Da primeira vez que a vi nem me cativou assim tanto. Mesmo assim, visitava-a de quando em vez. O tempo passava. Sem me dar conta foi-se estabelecendo uma ligação. Às vezes, julgava haver uma hipótese, outras vezes, resistia e convencia-me de que não valia a pena.
Um dia, num acaso, surgiu uma oportunidade. Ela estava mais acessível. Tomei a iniciativa. Aproximei-me. Vi-a como nunca a tinha visto. Estava conquistado, mas também apreensivo e, aparentemente, renitente. Não foi preciso muito tempo para ceder. Levei-a com calma e cuidado, mas ansioso para descobrir mais sobre si, cuidar-lhe, estar a sós com ela...

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23.10.21

O meu verdadeiro eu...

E as minhas bicicletas


Rui Pereira

Falei, anteriormente, da minha nova abordagem às bicicletas motivada por uma delas e respetivas caraterísticas.
Esta nova abordagem também se manifesta na minha forma de vestir para andar de bicicleta. Cada vez mais vejo-me simplesmente de calções e t-shirt (casuais) e menos de licra. Ou seja, mais "normal".
Na verdade, as minhas duas novas bicicletas e inclusive algumas das anteriores fizeram com que isso acontecesse naturalmente. Até porque acompanham as minhas preferências e tendências mais recentes.
Pode parecer um paradoxo querer subir para uma bicicleta da forma mais normal e simples possível, quando esta normalidade foi essencialmente motivada por bicicletas de segmentos tão específicos e até fora da caixa.
Eu próprio sou um normal que me acho simplesmente diferente. Não que ergue a bandeira da diferença, ou seja contra rebanho, mas de facto as minhas opções demarcam-se das restantes, principalmente considerando o meio onde estou inserido. É apenas uma questão de alinhamento comigo próprio.
Vendo bem, não estou inserido em meio nenhum. Sou mais uma pessoa que anda por aí como quer, com as bicicletas que quer.
E queria ser esta mesma pessoa em todos os quadrantes da minha vida, algo que (ainda?!) não consigo!
É que este sou eu, o meu verdadeiro eu...

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20.10.21

Foffa Fixed


Rui Pereira

Ultimamente só tenho andado com as minhas mais recentes bicicletas, principalmente com a Foffa. Perfeitamente normal pelo efeito novidade.

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A dúvida entre deixá-la com roda livre ou passar a carreto fixo rapidamente desapareceu – Fixo!
As minhas anteriores bicicletas de carreto fixo não são diretamente comparáveis entre si, embora partilhem o mesmo conceito. Esta mais recente também não foge à regra, aliás, demarca-se ainda mais. Desde logo, pela sua imagem mais clássica, onde a escolha de componentes e as cores apresentadas serão as principais responsáveis, e por ter um guiador “bullhorn”.

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Mas as diferenças também se sentem em movimento, com a relação de transmissão 48X18, pelo peso total do conjunto e pelo perfil (e pressão) dos pneus 28. Resultado: desce melhor, sobe pior e até rola bem no plano considerando os pneus menos capazes para o efeito. Agora, é sem dúvida mais polivalente e confortável, mesmo que o selim não seja aquele que melhor me assenta.

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Acho que esta bicicleta, com os seus pneus mais largos, pode muito bem marcar uma nova fase e abordagem no que toca às minhas opções daqui para a frente. O conforto é notório, tal como a facilidade de mudar de piso conforme a minha vontade, sem estar demasiado condicionado pelas limitações da bicicleta. De um modo geral, pedalo mais à vontade e descontraído, algo que privilegio cada vez mais. Quero ir observando o ambiente à minha volta e não ter de estar demasiado atento a uma qualquer irregularidade ou obstáculo no piso que me possa atirar ao chão, como já aconteceu.

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Para além disso tudo, a bicicleta é muito bonita e gosto muito de andar com ela.
É o mais importante!

02.09.21

Sete Cidades Fixed-Gear


Rui Pereira

Adivinhando o abrandar do ritmo, natural em período de férias, recorri mais uma vez aos préstimos da bicicleta de carreto fixo para me superar e quebrar mais umas quantas barreiras.
Desta feita foi uma espécie de volta ao concelho via Sete Cidades. E assim, ficou fechado o circuito de visitas às nossas principais lagoas: Furnas; Fogo e Sete Cidades.

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Se recuar uns anos, quando achava a “fixed-gear” demasiado limitada, era impossível sequer pensar fazer algo do género. Tanto que, várias vezes e em voltas corriqueiras, até me arrependi de a ter comprado.
Em outros testemunhos da saga referi que a parte mental foi, é e será sempre determinante para a concretização destes objetivos. Isso foi novamente confirmado e, da pior maneira. Desta vez senti muito mais dificuldades, em boa parte por não estar cem por cento alinhado.
Sim, estava calor e o percurso era relativamente grande, tal como o diferencial de altitude. É verdade que já tinha passado mais horas sobre a bicicleta e subido mais nas voltas anteriores, mas também é provável que esta consiga juntar estas razões de forma mais efetiva. Ou então é apenas a minha perceção, já que não disponho de dados precisos para o efeito.

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O certo é que enquanto subia para a Vista do Rei passou-me pela cabeça dar meia volta e regressar. Mais do que uma vez… mas lá fui.
Nunca cheguei a sentir um grande entusiasmo, algo que aconteceu anteriormente mesmo perante consideráveis dificuldades e, então, recorri ao básico passo a passo, no caso, pedalada a pedalada, com a decomposição do grande objetivo em outros mais pequenos para mais fácil concretização.
Até parece que estava cheio de estratégias, não parece? Nada disso, foi apenas o meu instinto de sobrevivência em ação!
Plano, sobe e desce, desce e sobe, plano – aqui fica o resumo do percurso!
No fim, aquela mistura de cansaço com satisfação e o reforço da minha ligação a estas bicicletas tão especiais.

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E agora?
Tenho dado uma voltas mais básicas, por acaso, de carreto fixo... vai-se lá saber porquê. Bom, agora... vou ver se começo a dar mais uso às minhas bicicletas com mudanças!

03.08.21

Lagoa do Fogo Fixed-Gear


Rui Pereira

Os pensamentos conturbados que me assolam a mente, e que me afetam sobremaneira, dizem respeito ao quanto estou insatisfeito com aquilo que faço como atividade profissional.
Não será por acaso que tenho vindo a desafiar-me com eventos pontuais, que pensei nunca ser capaz de fazer e que envolvem a bicicleta de carreto fixo. Há uns tempos fui ao Miradouro da Vista do Rei, mas mais recentemente o arranque deu-se com a ida à Caldeira Velha e a confirmação com uma longa ida às Furnas. Como nos diz a sabedoria popular - “para grandes males, grandes remédios.”
As bicicletas são das minhas principais atividades lúdicas, que permitem repor algum do equilíbrio perdido, mesmo que nem sempre esteja muito certo do que fazer na hora da saída. Protelo para depois arrepender-me...
O facto é que, uma volta, um passeio, uma conquista com as minhas bicicletas, são uma injeção de boa disposição, bem-estar e motivação.

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Já lá vão duas semanas e desta vez não pude protelar, porque comprometi-me de véspera. O António, companheiro de pedaladas de outros tempos, ia comigo…
Subir à Lagoa do Fogo com a minha bicicleta de carreto fixo!
Ou pelo menos tentar…
Para ser mais preciso, a ideia era subir (e descer!) a Serra da Barrosa pelo lado Norte, sendo que o pormenor do carreto fixo na equação faria toda a diferença. Daí a referência ao descer, quando para as outras bicicletas, dependendo do à vontade do ciclista, acaba por ser só diversão, aqui não é bem assim.
Posso já referir que estava tão satisfeito por ter chegado mesmo lá acima, ao Miradouro da Barrosa, que até me "esqueci" de sofrer na descida!
Também já tinha tido a minha dose.

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Iniciamos a subida à hora combinada e, entre outros assuntos, as bicicletas e a cultura do carreto fixo foram obviamente temas obrigatórios.
Confesso que a presença, a atitude e a disponibilidade do António foram decisivas para tornar este desafio mais suave e fácil de superar, não podendo deixar de lhe agradecer por isso mesmo.
A salutar troca de palavras interrompida pela minha respiração ofegante era sinal de maior dificuldade do percurso. Aconteceu várias vezes. Sendo que lá no topo as palavras deixaram de ser proferidas, pelo menos da minha parte.
Mas estava decidido e comprometido. Logo eu que faço questão de distinguir desafios de sacrifícios e de não estar muito disponível para os segundos. Inconscientemente, acabei por ir contra mim próprio e contra as minhas limitações físicas, só porque sim. Porque meti na cabeça que tinha de fazer isso!

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23.06.21

Furnas Fixed-Gear


Rui Pereira

As limitações físicas contam, mas as psicológicas determinam.
Assim, fazer uma distância considerável, muito sobe e desce pelo meio, com uma bicicleta de carreto fixo, depende essencialmente das segundas, logo que as primeiras estejam minimamente controladas.

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O que me fez levantar cedo no último domingo foi essencialmente a minha disponibilidade (mental) para pegar na bicicleta (de carreto fixo), atravessar a Ilha para sul, seguir em direção às Furnas e voltar via norte. Não foi pela minha condição física, nem pelas condições gerais ideais (meteorológicas, etc.) para fazê-lo. Aliás, como se sabe, esperar pelas condições ideais para fazer alguma coisa é quase o mesmo do que não fazer.
Sabia que tinha umas boas horas de pedalada pela frente, até porque o percurso não era uma novidade. Já a bicicleta… aí comecei a considerar as dificuldades. O tempo de execução, a influência do vento, a presença do calor. O tempo efetivo de pedalada, porque aqui só se para de pedalar parando a bicicleta. Mas, ao mesmo tempo, tentei não ficar demasiado ansioso com isso e, simplesmente, desfrutar.
Sim, é possível desfrutar sozinho e perante tal “empreitada”, quando existe disponibilidade, empenho, descontração e muito gosto à mistura!
Perante as subidas ansiei pelas descidas e perante as descidas exatamente o contrário. O cenário mais apropriado à máquina – plano, por aqui, não abunda!

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Fui gerindo pedalada a pedalada. Foi difícil, mas tão satisfatório. E os meus pensamentos deambularam entre querer chegar a casa (o mais depressa possível) e o não querer que o percurso acabasse...