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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

02.06.20

Há coisas que nunca mudam!


Rui Pereira

O dia não estava favorável. Hesitei. Interroguei-me de qual levar.
O tempo chuvoso mantinha-se. Decidi ir. Peguei na bicicleta de estrada.
A mesma preparação e o equipamento de sempre, mais as capas de sapatos que me manteriam os pés secos.
Sem ideia definida do trajeto a cumprir, mais uma vez, lembrei-me de umas subidas que me falaram…
Sempre debaixo de chuva, mantive alguma cadência e intensidade, e condensei a volta no tempo.
Antes chegar molhado e sujo, e ter de lavar a bicicleta, do que arrepender-me de não ter ido.
Há coisas que nunca mudam!

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04.02.20

Bola, música e pancadaria!


Rui Pereira

O último fim de semana foi atípico. Desde logo não andei de bicicleta. E andei cinzento, cabisbaixo e pensativo. Com dúvidas, indefinições e desilusões. Com o tempo ventoso e chuvoso a condizer. E como se não bastasse, constipado.
Mas nem tudo foi mau. Longe das rodas e dos pedais, perto do sofá e da televisão. Aproveitei para ver o filme que queria – RAMBO: A Última Batalha – lá está, um "filme de gajo"!

Numa breve passagem pelo Youtube, dois novos e surpreendentes temas/vídeos. Completamente diferentes e de áreas opostas, mas igualmente bons e com o mesmo carimbo de origem: Açores!

Balada Brassado – "Eu Aboio Tudo"

Morbid Death – "Away"

Também gostei dos resultados desportivos. No meio da chuva, lá fomos, eu e o rapaz, ver a equipa dele (não convocado para o jogo) ganhar. E no decurso, saber que o clube [azul e branco] do seu coração não deixou margem para dúvidas.
Fim de semana sem bicicletas, mas com bola, música e pancadaria!

27.01.20

Há sempre um dia…


Rui Pereira

Fechei o casaco. Meti o gorro. Mesmo assim, cheguei frio e ofegante. Com dormência na ponta dos dedos. Vim numa luta contra o vento. Tentei esgueirar-me entre as suas rajadas. Como se isso fosse possível. Pedalei o mais rápido que pude, em esforço. A fazer uma corrida com as nuvens. Com a chuva! A ver quem chegava primeiro. A ver se ela não me apanhava e se eu não a apanhava. Já lá vão muitos assaltos. Estamos empatados. Não. Sou justo. Tenho ganho. Mas, há sempre um dia… Não foi hoje!

23.09.19

Nós não somos feitos de açúcar!


Rui Pereira

Quando se dá bons exemplos da utilização da bicicleta como meio de transporte em ambiente urbano, fala-se (e bem) de cidades como Copenhaga, Amsterdão, entre outras.

Alguns argumentam (desculpando-se):
- Ah, são planas;
- Ah, têm imensas ciclovias;
- Ah, têm facilidades e apoios;
- Ah, …
- Ah, …

São e têm isso tudo, mas também têm invernos bastante rigorosos, com dias pequenos, frio e chuva com fartura, e neve e gelo!
E grande parte dos utilizadores de bicicletas nas outras estações do ano, crianças incluídas, continuam a sê-lo no inverno!

- Ah e tal, a chuva…

Sim senhor, é chato e requer alguma adaptação, mas que eu saiba, nós não somos feitos de açúcar!

23.09.19

Pode sempre ficar pior!


Rui Pereira

Saí tarde e a más horas. O orvalho caía ao sabor do vento. Comecei a subir para aquecer mais rapidamente. Apanhei vento de frente que me arrefeceu ainda mais. As rodas levavam a água ao seu moinho. Pedalava molhado, mas determinado. Media o pulso ao joelho. Como eu, o orvalho ora acelerava ora abrandava. Atirei a toalha ao chão. De regresso a casa. Subi. Passei o cruzamento e segui em frente. Estiquei o percurso. Voltei na rotunda. Voltei a esticar. Desci. Estiquei um pouco mais…

Já descalço posicionei a bicicleta suja no suporte. O vento fazia-se sentir. Ajustei a pressão da água. Mesmo assim, esta fez disparar a pistola da mangueira. Tinha agora uma cobra doida a cuspir água. Tentei correr pela garagem, descalço, numa sessão de equilibrismo sobre o mosaico encharcado. Fechei a torneira. Virei costas. Tremi... vi, impotente, a bicicleta… tombar! Caiu com estrondo...

22.02.19

Entre os pingos da chuva!


Rui Pereira

Olho pela janela e vejo os pingos de chuva grossos que caem copiosamente na diagonal empurrados pelo vento.
«Pronto, está tudo lixado!» - digo frustrado.
Já somava dois dias sem pegar na “pasteleira”. Pessimista, adivinhava o terceiro.
«Não, isso é um aguaceiro forte, mas vai passar!» - tento reagir positivamente.
A chuva não para, mas abranda. Fecho tudo, visto o casaco, pego no saco e dirijo-me à garagem. Abro o portão expetante… meto o saco na caixa e seguro a bicicleta pelos punhos, sempre atento ao céu.
Saio. Fecho o portão e ponho-me a cavalo. Subo o capuz e avanço determinado. Os pingos escasseiam e agora é a minha vez de ser empurrado. À boleia do vento, mas concentrado numa pedalada apressada.
«Agora é sempre para lá!» - digo entusiasmado e confiante.
Chego ao destino com uma aberta. O sol não é radioso, mas mostra-se. Estaciono a bicicleta e desfruto da minha pausa em boa companhia!
Já de regresso, manter-me seco não é uma preocupação. Agora tenho de vencer o vento que me trouxe…
Chego. Fui bem-sucedido, com mais ou menos esforço.
Olho pela janela e vejo os pingos de chuva grossos que caem copiosamente na diagonal empurrados pelo vento.

02.10.18

Lama…


Rui Pereira

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Bom, na verdade não havia assim tanta lama, apesar da chuva que se fez sentir nos últimos e no próprio dia, mas deu para sujar a bicicleta e ficar sujo.
As previsões meteorológicas fizeram-me deixar a bicicleta de estrada parada e levar a BTT para a rua. Em boa hora o fiz, já que me divirto sempre bastante aos comandos desta bicicleta, principalmente nestas condições, as minhas preferidas para a prática da modalidade.
Pode ser um contrassenso, mas a BTT nunca é uma prioridade, por variadas razões. No entanto, se pesar as duas vertentes (BTT vs. Estrada) nos pratos de uma balança, esta penderá para o lado do BTT.
Não sou propriamente um aventureiro e, neste momento, motivado pela clara falta de prática, vou com pouco à vontade sobre a bicicleta, mas é um prazer embalar-lhe numa descida mais rápida, levar-lhe sobre pedras, galhos e gravilha, fazer uma curva rápida em apoio, ou até aquela subida de piso escorregadio. Estado de fluxo puro!
Por outro lado, os sustos estão mais ou menos presentes. Aquela escorregadela imprevista da roda da frente, uma pedra estrategicamente posicionada na linha escolhida, um rego mais pronunciado disfarçado pela vegetação, aquela vala que parece atrair a bicicleta como se de um íman se tratasse. Faz parte!
E aquela obrigatoriedade de lavar a bicicleta quando se chega, tarefa que nem sempre é agradável, mas que no fundo até nos faz sentir orgulhosos perante os detritos que conseguimos acoplar ao quadro e aos componentes da bicicleta. Até porque o nível de orgulho tem correspondência direta com a quantidade de sujidade verificada…

10.05.17

Pedalar à chuva…


Rui Pereira

Este fim de semana, o dia de andar de bicicleta foi sábado. Para quebrar a rotina. Mentira, não foi nada por causa disso, foi apenas porque domingo estava de encomenda. Lá fui com o aliciante extra de testar a nova cassete (11-32).
15 minutos depois estava debaixo de uma forte chuvada. Completamente molhado ainda ponderei antecipar o meu regresso a casa, mas fui-me deixando embalar e passadas duas horas ainda estava na estrada. Com os pés frios e dormentes!
Queria então testar a cassete, por isso, defini um percurso que incluísse algumas subidas. Entretanto o carreto de 11 dentes já se tinha mostrado. E que bela parceria faz com o prato 52 à frente! O carreto de 32 também se mostrou, mas é daquelas coisas que parecem nunca ser suficientes (as pernas não ajudam, eu sei...)! Bom, tenho mesmo de fazer uma subida a sério, seja mais curta como o Pisão, ou mais longa como o Pico da Barrosa. Já agora pelo Sul e com os encaixes de estrada, para ser uma estreia em grande.
Começar uma volta logo debaixo de chuva é um pouco complicado. Não parando a roupa seca, mas, entretanto, podem ocorrer fricções desagradáveis em zonas mais delicadas. E as extremidades do corpo, principalmente os pés, permanecem molhados e dificilmente recuperam a temperatura ideal.
Bem diz o ditado, redundante, mas assertivamente - “Quem anda à chuva, molha-se.”


E por falar em assertividade…


Vrilhas assadas!
Olá petchenas e rapazins, tude bem?
Ande desencêvade...
Isse tem side o fim do munde im cuecas!
Houvessim más canadas e caminhes p'andá...
Resultade: A malditcha nã se cansa e ê tou a andá escanchade, tode assade das vrilhas!
Bêjes e abraces.

Zabela & Besuga: É uma espécie de rubrica do blogue, onde o Zabela (personagem fictícia que caricatura um homem simples da ilha de São Miguel, que se desloca para todo o lado com a sua bicicleta) escreve tal como fala, com um carregado sotaque micaelense, e a Besuga é exatamente a sua fiel e amada bicicleta, companheira crónica de inúmeras aventuras.

07.09.15

Rolar à chuva


Rui Pereira

Existe a ideia que para fazer um passeio de bicicleta, idealmente deve estar um bonito dia de sol. E portanto, a altura preferencial para fazê-lo deverá ser no verão. Bom, eu diria que nem para passear calmamente com a família na marginal quero um dia de sol, nesta altura do ano! Só mesmo em condições muito particulares é que isso corresponde à realidade... Porque de resto, sempre que o sol tem possibilidade de mostrar as suas capacidades traz consequências e não são propriamente positivas. Desde logo o nosso corpo ressente-se. Fica rapidamente maçado e o cansaço surge naturalmente.
As alturas do ano em que mais gosto de andar de bicicleta é na primavera, no outono e no inverno. Nestas alturas é perfeitamente possível beneficiar de excelentes dias com temperarutras amenas , mas também gosto de dias menos bons. É verdade que o vento é chato, a não ser pelas costas, mas que prazer me dá andar à chuva! (Então de BTT isso ainda ganha outra dimensão!)
Foi o que aconteceu ontem. Manhã de aguaceiros e sem vento incomodativo. Estava dado o mote para tirar a “fixie” da parede e ir divertir-me. Foi uma estreia conjunta à chuva… Pacífico!