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Bike Azores

A visão de um ciclista açoriano sobre as bicicletas e o ciclismo.

12.02.20

Intemporal


Rui Pereira

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A música é moderna, mas a sua melodia recua aos anos 80. A bicicleta de carreto fixo é uma nova moda, mas recua aos seus antepassados. A ciclista já ultrapassou a fasquia das quatro décadas, mas posa como uma miúda de metade da idade...

A música e a bicicleta assentam-lhe tão bem!

31.07.19

MIANZI REI - My Legs My Gears


Rui Pereira

"My bike is a sort of emotional compensation for me."



"I can't imagine life without a bike. It's too important to me."

Mianzi Rei é definitivamente uma das minhas! Só que não tive coragem para tatuar as palavras "My Legs" na perna esquerda e "My Gears" na perna direita, tal como ela fez...

31.05.19

“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti”


Rui Pereira

Na sequência da publicação Ao cuidado dos senhores "ciclistas" da Pequeno caso sério, escrevi o seguinte comentário:

A melhor de forma de perceber a implementação destas medidas é pegar numa bicicleta e ir com ela para a estrada. Quando de repente sentir uma caixa sobre rodas, com mais de uma tonelada e embalada a velocidade considerável, passar a centímetros do cotovelo, tudo fica mais claro…
As leis existem para minimizar estas situações e fazer com que os automobilistas, na presença de uma ou mais bicicletas, procedam à manobra de ultrapassagem à semelhança do que fazem na presença de outro automóvel, em vez de forçar a passagem.
Por outro lado, sou o primeiro a criticar o comportamento abusivo de certos ciclistas, que fazem questão de impor a sua presença e a lei que os defende à força. Sei que posso circular a par, em certas e determinadas situações*, mas se posso facilitar a passagem dos automóveis faço-o, até porque também sou automobilista e percebo os constrangimentos…
* ("Os velocípedes podem circular paralelamente numa via, exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito, desde que não circulem em paralelo mais que dois velocípedes e tal não cause perigo ou embaraço ao trânsito." - Ponto 2 do Artigo 90.º do Código da Estrada)

De facto, existe uma diferença muito grande entre um automóvel e uma bicicleta. Seja pelo seu impacto físico, pelas velocidades atingidas, como pela sua capacidade de provocar danos. Uma bicicleta é um veículo muito menos impactante e muito mais vulnerável, é indiscutível. Portanto, é normal que não lhe sejam imputadas as mesmas exigências. Num "frente a frente" não será difícil identificar o elo mais fraco, pois não?
Recomenda-se outra atitude na sua presença, mais cuidada e tolerante. Mas isso não legitima comportamentos impróprios daqueles que estão aos seus comandos, porque se é pretendida outra atenção, também é preciso ser, ou pelo menos tentar ser, exemplar a esse nível.
Mais uma vez o meu apelo vai no sentido do bom-senso e da cortesia de ambas as partes. Por exemplo, se fica bem a um automobilista ceder passagem a um ciclista num cruzamento, também fica bem a um ciclista sair da formação de par para facilitar a passagem de um automobilista.
Ontem um automobilista cedeu-me gentilmente a passagem, sabendo de antemão que eu ia ficar à sua frente numa via em que não seria fácil ultrapassar-me. Hoje cedi passagem a um automobilista, sabendo que o seu automóvel ia engrossar ainda mais a fila que tinha pela frente.
É tudo uma questão de nos colocarmos no lugar dos outros!

30.05.19

Braço de ferro!


Rui Pereira

Continuo a deparar-me com uma opinião generalizada de quem não anda de bicicleta, que os ciclistas na sua maioria têm um comportamento desapropriado e abusivo nas estradas. Este é um braço de ferro que persiste.
Pessoalmente e na prática, não tenho grandes razões de queixa. Têm existido algumas situações menos boas, onde apenas uma foi mesmo muito má, mas assumo também ter contribuído para gerar um comportamento péssimo por parte do automobilista.
Continuo a assistir ao discurso da atribuição de obrigações aos ciclistas – dos seguros obrigatórios, da roupa (coletes) refletora, das aulas de código e de condução, entre outros – tão desapropriados quanto dizem ser o comportamento dos mesmos.
Vamos criar ainda mais entraves e dificuldades a algo tão positivo que é uma das soluções para o melhorar da mobilidade, do ambiente e da qualidade de vida, mas que paradoxalmente faz surgir tanta resistência à sua adesão?!
Mas existem outros argumentos que os automobilistas utilizam e com razão, como é o caso da falta de iluminação na circulação noturna, a forma incorreta de circular a par e a postura de indiferença e falta de bom-senso perante os restantes utilizadores da estrada.
Se apelamos ao cuidado na nossa presença, como ciclistas, também devemos circular na estrada de forma correta, mostrando uma atitude baseada no bom-senso e na cortesia, mesmo quando o cenário não for o melhor. A indiferença só deverá ser utilizada perante pressões e provocações, em vez de sermos coniventes e estimularmos comportamentos errados, até porque esta pode muito bem ser uma das formas de não estar a perpetuar este braço de ferro escusado!

13.09.17

Partilhar a via!


Rui Pereira

A partilha das vias de circulação entre automóveis e bicicletas nem sempre é pacífica. Enquanto os ciclistas veem os automobilistas como senhores e donos da estrada, os automobilistas veem os ciclistas como empecilhos que ocupam um espaço que não é deles. Os ciclistas acham que os automobilistas deviam aceitar e respeitar quem opta por meios de mobilidade alternativos ao automóvel, já que é um direito que os assiste, os automobilistas acham que os ciclistas têm demasiados direitos e deviam circular nas ciclovias e nos passeios, usar capacete, ter seguro obrigatório e até matrícula na bicicleta!

E assim vamos andando. E depois existem as exceções…

13.06.14

Excesso de ruído!


Rui Pereira

Um dia destes li o editorial “Não falem de bicicletas!” no mais recente número da revista B. Este título tem tanto de peculiar como de assertivo.

De facto, o novo código de estrada e as supostas regalias dadas aos ciclistas tem gerado muita conversa, alguma dela mais acesa, onde se esgrimem argumentos de ambas as posições. Por um lado, os automobilistas que nunca se preocuparam tanto com as bicicletas e respetivos ciclistas, a sentirem-se ameaçados no seu domínio das estradas, e por outro, os ciclistas que por vezes se excedem na forma como marcam a sua posição e como assumem as regras que os “protegem”.

Está-se a endurecer o discurso e a extremar posições, nada abonatórias para uma sã convivência na estrada. Pior, nada abonatórias para as bicicletas e ciclistas. Tem vindo a público muita desinformação. Veiculou-se a ideia que os ciclistas só cumprem as regras de trânsito que os convém. Surgiu a ideia da obrigatoriedade do seguro para bicicletas… Tudo escusadamente!

Como ciclistas devemos continuar serenos (e calados!), independentemente das novas regras, tal como devemos assumir uma posição calma, consciente, cordial e defensiva. Até porque os elos mais fracos e os principais interessados somos nós!