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Bike Azores

As bicicletas são uma coisa séria que me fizeram regressar à idade da brincadeira e experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade!

29.10.20

Cidades cicláveis

Da comodidade à comodidade!


Rui Pereira

Quando se fala em melhorar a mobilidade nas cidades e se associam as bicicletas como peças importantes para este fim, pensa-se logo em ciclovias. Estes são equipamentos fundamentais para tornar mais atrativas as deslocações com um meio de transporte suave, mas não podem ser pensadas de forma isolada e sem uma estratégia abrangente, onde vários aspetos terão de ser levados em consideração.
Não basta criar percursos cicláveis para as pessoas começarem a pedalar. É preciso que estes façam sentido, assentando numa lógica de integração urbana. Construções avulsas e descontextualizadas, só porque pretendem refletir uma preocupação tão atual, são inúteis.
Desde logo, deve partir-se do princípio de que as cidades deverão ser um espaço para as pessoas e não para os automóveis. E não, isso não representa de todo a mesma coisa. Uma cidade atafulhada de carros, estejam estes em circulação ou estacionados é uma cidade claustrofóbica, espartilhada, poluída, pouco segura e nada amigável para as pessoas.
A construção de uma ciclovia deve ter como base a visão da bicicleta como meio de transporte e veículo de lazer, tal como tentar articular todas as ligações fundamentais entre zonas residenciais, comerciais, culturais, lúdicas e verdes.
Mas as ciclovias só por si não garantem a melhoria da mobilidade urbana, nem a devolução das cidades às pessoas, até porque em muitas situações são difíceis ou mesmo impossíveis de concretizar na malha urbana existente.
Uma rede de percursos cicláveis, mesmo que convenientemente pensada, nunca terá uma abrangência total, portanto, terão de haver medidas associadas no sentido de facilitar a coexistência e a partilha das vias, onde a acalmia do trânsito automóvel é fundamental.
Os princípios e as motivações, por mais relevantes que sejam, não bastam para a mudança. É preciso que se sinta mais segurança nas estradas. São precisas mais condições de locomoção, intermodalidade e parqueamento que facilitem a vida às pessoas, para que mais facilmente se troque a comodidade do automóvel pela comodidade da deslocação em bicicleta. Só com esta realização é possível perceber verdadeiramente a dimensão de todos os ganhos gerais e particulares associados.

09.07.20

Especialista em nada...


Rui Pereira

Sou especialista em nada. Nunca consegui trabalhar naquilo que realmente gostava. Passei anos a fugir da matemática. Formei-me tarde, opção baseada na disponibilidade e na exclusão de partes. Perdi oportunidades.
Nem sequer nas bicicletas tenho o à vontade que gostaria. Faço o básico, mas não me aventuro mais com receio de estragar. Mecanicamente falando.
Também não discuto. É chover no molhado. O meu exemplo, que não é exemplo nenhum, é pegar na bicicleta e pronto. É ir gerindo…

a_cidade_das_bicicletas.jpg
Opiniões à parte, vou dedicar-me ao “estudo” deste livro. Pode ser que aprenda alguma coisa. Pelo menos diz respeito a algo que gosto e que me interessa substancialmente.


Fartei-me da formalidade. Do discurso feito, bonito de ouvir e difícil de sentir. Da distância que separa a teoria da realidade.
Mas continuo a ler. Menos. Mas leio.
As revistas deixaram de fazer sentido. Hoje, prefiro os livros. Sempre tive uma apetência pelo livro prático e técnico. Vou colecionando, a conta gotas, alguns livros de bicicletas.
A cidade, sinto-a diretamente aos comandos da minha bicicleta. O piso irregular, as rasantes dos automóveis, a onda de calor emanada pelo motor de um autocarro. A chuva e as manchas de combustível e lubrificante. As ciclovias. Os peões. Os estacionamentos específicos ou a ausência deles. Mas também o bom-senso e a cortesia de alguns automobilistas, os olhares das pessoas e até alguns sorrisos de aprovação.

ciclovia_portasdomar.jpg


Pedir ciclovias só por pedir não é nada. Pedir ciclovias para os outros andarem também não. Mas a pedir e a haver que sejam dignas deste nome. Que sejam funcionais, que agilizem os trajetos às pessoas e que não sejam apenas para passear (de licra?) ao fim de semana. Que não sejam construídas sobre o mesmo princípio de sempre – as estradas são para os carros!
Esperar uma rede de ciclovias nas nossas pequenas cidades, desenhadas noutros tempos para outras realidades, com algumas vias onde até os carros têm dificuldade em passar, é uma utopia. Se tivesse à espera de ter ciclovias para andar de bicicleta nas “minhas” cidades, bem que podia vendê-las. Todas!